Analecto

14 de junho de 2018

E agora?

Filed under: Livros, Notícias e política — Tags:, — Yurinho @ 16:38

Bom, eu já terminei as leituras da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Então, que mais falta fazer? Bom, agora vem a parte realmente difícil, que é fazer a ponte entre os artigos científicos e livros que eu tenho e as leis. De fato, pelo que eu pude observar, a interdição à sexualidade infantil conflita com os direitos garantidos às crianças e aos adolescentes. Então, pode se falar de vexame, de humilhação e de opressão. Eu tenho muita coisa para ler e escrever antes de o texto final estar concluído. Gosto de pensar nisto como minha “dissertação de mestrado informal”.

Um amigo meu me deu dois conselhos: escrever sobre a idade de consentimento dentro do contexto da autodeterminação sexual do menor e fazer isso tendo em vista o público jurídico. E era nisso que meu texto anterior, o Sobre Estupro de Vulnerável, estava falhando. Ele não visava o público jurídico. Nós sabemos que, no final das contas, as leis são aplicadas pelo judiciário. Quando uma lei conflita com outra, o juiz deve decidir o que fazer. Considerando que existem juízes que absolvem relacionamentos engajados antes dos catorze anos, não seria completamente alien acreditar que é possível fortalecer a argumentação jurídica dos advogados de defesa contratados por um réu. Como eu disse antes, há três formas de se eliminar uma lei, uma delas é a forma implosiva. Se a lei não condenar ou tiver dificuldade de condenar, qual é seu uso?

Embora eu não possa legalmente dizer pra você quebrar as leis, não é ilegal, que eu saiba, ajudar você a se defender caso você já esteja prestes a encarar julgamento, especialmente se você for menor de idade. É verdade, direito não é a minha área, mas a leitura das leis nem é tão difícil assim e eu acho que não sou idiota ao ponto de não ter compreendido nada do que li. Então, embora eu possa oferecer argumentos, sua validade depende do juiz. Isso vai ser engraçado e bem divertido. Vejamos até onde podemos ir com esta ideia!

29 de maio de 2018

Onde o PNVD errou.

Filed under: Notícias e política, Organizações — Tags:, — Yurinho @ 20:13

O Partido do Amor Fraterno, da Liberdade e da Diversidade (doravante “PNVD“) foi um grupo político dos Países Baixos fundado por Ad van den Berg, Norbert de Jonge e Marthijn Uittenbogaard. Sua curta existência é cheia de controvérsia. De fato, o partido durou apenas quatro anos e nunca concorreu, sendo um alvo frequente da mídia conservadora da época. Muitos apontam sua posição liberal em relação a leis de idade de consentimento como a causa de sua extinção, pois o partido afirmava que a idade de consentimento deveria ser reduzida para doze. No entanto, em outro país, o Partido Comunista da Grã-Bretanha continua em operação apesar de defender a eliminação completa de leis de idade de consentimento. Então, não foi simplesmente o plano de reduzir a idade de consentimento para doze que causou o fim do PNVD, mas a propaganda feita contra esse partido e um número de outras propostas que poderiam ser consideradas escandalosas para a sociedade atual, como a redução da idade mínima para consumo de álcool e tabaco e a legalização da nudez pública.

Introdução.

O PNVD se descrevia como liberal e humanista, o que significa que, em sua visão de mundo, o governo deveria permitir relações humanas inofensivas, interferindo o mínimo possível na vida privada. A grande função do governo visionado pelo PNVD seria a de garantir o mínimo para a existência digna de um ser humano, intervindo o mínimo possível nessa existência, uma vez que ela fosse garantida. Dentre as propostas boas do PNVD podemos citar a privacidade nas telecomunicações, a não proibição de jogos eletrônicos violentos, o não fornecimento de armas para países em guerra (a menos que fossem democracias), a não privatização de serviços de água e eletricidade, a permissão de denúncia de crimes pela Internet, a capacitação da população para fazer referendo por meio de petição com 100.000 assinaturas, fim do equivalente holandês do fundo partidário, fim da imunidade política (algo como o foro privilegiado brasileiro) e o investimento em pesquisas sobre aprendizado individual (um aluno por professor) para ver se esse tipo de dedicação funcionaria. Até aqui, parece bom.

Então por que falhou? Como o PNVD nunca conseguiu concorrer às eleições como qualquer outro partido? Muitos apontam sua posição liberal em relação à idade de consentimento como a causa. Para o PNVD, a idade de consentimento deveria ser doze. Essa mesma proposta apareceu no Brasil, dois anos após a aprovação da nova lei do estupro, que criminaliza, no 217A do Código Penal, qualquer relação sexual engajada antes dos catorze anos. A ideia era proteger as crianças dos ataques dos adultos, mas a lei, talvez inadvertidamente, interferiu em namoros engajados pelos próprios adolescentes entre si, de forma que, na prática, se a diferença entre a amizade e o namoro é a libidinosidade, um adolescente tem que esperar até os catorze anos para começar a namorar. Em adição, essa lei criminaliza um número de relacionamentos inofensivos, por vezes aprovados pelos pais, entre menores e adultos responsáveis. À data da escrita deste texto, a reforma do Código Penal não foi concluída, e a idade de consentimento no Brasil continua sendo catorze.

É preciso lembrar que a idade de consentimento é doze em alguns países (Filipinas, por exemplo). No Japão, terra da menor taxa de gravidez adolescente no mundo, a idade de consentimento é, no mínimo, treze, mas varia (sempre para mais) dependendo da prefeitura. Além disso, um outro partido, o Partido Comunista da Grã-Bretanha (CPGB-PCC, não deve ser confundido com o antigo partido de mesmo nome que se dissolveu nos anos noventa) lista como uma de suas demandas imediatas a abolição completa de leis de idade de consentimento e, no entanto, esse partido continua em operação apesar de ter uma posição muito mais radical do que a do PNVD.

Por último, a idade de consentimento nos Países Baixos, onde o PNVD havia sido formado, só se tornou absolutamente dezesseis em 2002, quatro anos antes da fundação do partido. Antes dessa data, entre 1990 e 2002, a idade de consentimento poderia ser relaxada até o máximo de doze se os pais ou as organizações locais de proteção à infância não tivessem evidência de exploração. Assim, a ideia de reduzir a idade de consentimento para doze, quatro anos após sexo aos doze deixar de ser “normal”, não deveria ser algo tão impactante a ponto de causar o fim do PNVD. Com isso, podemos concluir que a extinção do PNVD não foi causada, ao menos não exclusivamente, pelo seu desejo de reduzir a idade de consentimento para doze, se lembrarmos que:

  1. A idade de consentimento é bem baixa em outros países;
  2. Existem partidos mais radicais em operação;
  3. Sexo aos doze anos não era proibido quatro anos antes da formação do partido (provido que não houvesse exploração).

Então o que foi? Um bom ponto de partida para a resolução desta questão é o seu plano de governo, traduzido para o inglês e hospedado no sítio de Marthijn.

Pelo menos um dos fundadores era assumidamente pedófilo.

Marthijn afirma em seu sítio que ele não gostaria de viver sua vida como uma mentira. Por causa disso, ele é honesto em relação aos seus desejos por menores de idade, assumindo-os. No seu texto sobre pedófilos assumidos, ele cita os outros dois fundadores do PNVD, embora sem dizer diretamente se eles eram ou continuam sendo abertamente pedófilos ou se são meros ativistas contrários à idade de consentimento.

Pedofilia é a atração sexual preferencial por crianças que não começaram a puberdade ainda, geralmente antes dos doze anos. Sendo uma atração sexual, ela não implica ação: existe um número desconhecido de pedófilos que nunca se relacionou com menores de idade e menos da metade das pessoas presas por sexo com menor podem ser qualificadas como pedófilas. Sendo assim, o fato de uma pessoa ser pedófila não implica que ela se relaciona com menores e nem mesmo implica interesse em legalização. Por outro lado, se um número grande de pessoas presas por sexo com menor falha no diagnóstico para pedofilia, podemos concluir que o fato de você não ser pedófilo não garante que você não irá se relacionar com um menor em algum momento da sua vida, num instante de fraqueza, intoxicação por álcool ou drogas ou ainda porque uma menina de treze anos com corpo de dezesseis mentiu sobre sua idade. Assim, o fato de Marthijn se assumir como pedófilo não implica dizer que ele se relaciona sexualmente com menores.

O primeiro problema foi ele ter admitido isso no âmbito político. É verdade, se manter íntegro e coerente consigo próprio, sem hipocrisias, dizendo a verdade, é algo eticamente admirável. Mas a política não é ética: dizer a verdade, infelizmente, expôs o partido aos ataques da mídia conservadora, a qual prontamente apelidou o partido de pedopartij. Além disso, quando você junta um partido fundado por pedófilos com a proposta de reduzir a idade de consentimento, é provável que se passe a ideia de interesse próprio. Some-se a isso o estigma anexado à pedofilia e nenhuma de suas propostas poderia ser avaliada imparcialmente: a privacidade nas telecomunicações seria um meio de partilhar pornografia ilegal sem ser detectado, a liberação de todos os jogos eletrônicos serviria à destruição moral da juventude, o investimento em pesquisas sobre educação individual terminaria necessariamente em sua adoção (facilitando relacionamentos entre aluno e professor), entre outros. É triste, mas o sucesso político não depende da ética pessoal (O Príncipecapítulo XV, na Antologia Ilustrada de Filosofia, página 193), especialmente em casos radicais como esse. Isso explicaria como o CPGB-PCC continua em operação: como ele está livre do estigma da pedofilia, sua proposta de abolir a idade de consentimento passa como mero desdobramento da sua ideologia de partido.

Liberação dos menores.

Um conceito obscuro, mas muito popular entre pessoas contrárias à idade de consentimento, é a liberação dos menores. “Liberar” uma classe significa lhe dar os mesmos direitos de sua classe opressora. Assim, a liberação dos menores consistiria em, gradualmente, dar aos menores direitos iguais ou equivalentes aos dos adultos. A ideia parece interessante para os críticos da infância, para os quais a segmentação da vida humana em etapas, das quais não se poderia sair antes de certa idade, retarda o passo de aperfeiçoamento das crianças precoces e não contempla as dificuldades de cada menor em particular. O PNVD tinha algumas propostas relacionadas a isso, mas ele parece ter escolhido a dedo as mais chocantes.

Primeiramente, garantir aos menores o direito, mas não o dever, de aprenderem uma profissão e exercê-la. A educação obrigatória cessaria aos doze anos e o adolescente dessa idade teria a liberdade de escolher se deveria ou não continuar estudando ou começar trabalho assalariado. Isso foi proposto numa época em que o mundo estava (e ainda está) em guerra contra o trabalho infantil.

Além disso, algumas liberdades que o PNVD gostaria de dar aos menores são liberdades que estamos tentando tirar dos adultos: as de fazer coisas que são nocivas a eles próprios. Sabemos que os males do cigarro comum são tantos e em tamanha intensidade, que não há níveis seguros de uso. No entanto, uma das propostas do PNVD era a redução da idade mínima para o consumo de tabaco. A partir dos doze anos, o adolescente poderia experimentar o cigarro, ciente das consequências (os avisos sobre os perigos do cigarro seriam dados obrigatoriamente). Sabendo que o cigarro não deveria ser usado sequer por adultos, por que dá-lo aos adolescentes? A ideia era que os adolescentes aprendessem a ter responsabilidade sobre seus atos, mas, considerando a proporção de risco-benefício (muitos danos causados pelo cigarro são cumulativos e permanentes), isso não parece o bastante para justificar a permissão.

Outra liberdade seria o consumo de álcool por pessoas de, pelo menos, doze anos. Existe uma lei no Colorado que diz que é lícito a um menor de idade o consumo de álcool supervisionado pelos pais. No entanto, a proposta do PNVD de liberar o álcool para adolescentes silencia sobre a supervisão. A impressão que fica é a de que o menor poderia ver o vinho na geladeira, abri-lo e virar a garrafa na boca, como ele provavelmente já faz com refrigerante.

Assim, embora a ideia de dar aos menores o acesso a direitos de adulto seja tentadora, o PNVD, ao enfatizar liberdades nocivas ou contrárias ao espírito de seus tempos, pode muito bem ter alienado possíveis apoiadores. Novamente, isso é provavelmente um efeito da ética de seus membros, de “não viver mentiras”, ou seja, estavam propondo o que realmente pensavam que seria bom para a sociedade. Assim, mesmo que as ideias fossem radicais, o partido preferiu dizê-las de imediato. Em adição, o mundo não está pronto para dar tantas liberdades a suas crianças, o que não significa que essa liberação é inerentemente impossível. Com efeito, as crianças já foram liberadas, numa época em que o conceito de infância não existia: ou se era um adulto potencial ou se era adulto de fato, sendo a infância como a concebemos hoje inexistente.

Outras propostas.

O PNVD fez outras propostas que certamente seriam mal recebidas se feitas no Brasil, por exemplo. Nesta seção, apresento algumas propostas polarizadoras que o PNVD fez e que podem ter alienado possíveis apoiadores. Como não conheço o clima político dos Países Baixos na época em que o PNVD existia, meu critério de escolha é o clima político brasileiro atual, o qual, pelo menos na avaliação das propostas abaixo, não deve ser tão diferente.

A primeira e a mais importante é a abolição do salário mínimo. A ideia aqui é aumentar a competição entre as empresas, que poderiam oferecer trabalhos a salários menores, de forma que o empregado poderia escolher entrar para a empresa que oferecesse o pagamento maior. No entanto, a existência de um salário mínimo não impede que uma empresa ofereça pagamentos maiores do que o mínimo. Em adição, em locais com pouca competição, os salários seriam menores. As pessoas teriam que procurar emprego em locais onde a competição é maior, o que poderia causar êxodos, tornando pouco atraente o investimento em alguns lugares, aumentando a desigualdade social. Além disso, o PNVD era favorável a ideia de uma renda básica para que a pessoa pudesse se manter viva mesmo sem trabalhar (mais a ajuda governamental por ter filhos com menos de doze anos), como o programa Bolsa-Família. Se não houvesse uma empresa que oferecesse o bastante para que o trabalho fosse apetecível no local onde eu moro, eu poderia me sentir tentado a simplesmente não trabalhar enquanto a competição na minha área não aumentasse, especialmente se a possibilidade de emprego permanecesse incerta caso eu me mudasse, o que requereria, claro, dinheiro. Some-se a isso a proposta de permitir que adolescentes trabalhem e um nível de conforto em uma região com pouca competição requereria que os mais jovens da família largassem os estudos o quanto antes. Isso diminui a qualidade da mão-de-obra, tornando-a mais barata e presa fácil das multinacionais.

A segunda é a legalização da pornografia infantil. Para o PNVD, essa proibição é censura e a situação geral nos Países Baixos ficou pior com a proibição da posse de pornografia infantil, a qual era permitida até 1998. Embora um monte de pornografia infantil seja produzida pelos próprios menores que tiram fotos (nudes) de si mesmos ou gravam vídeos, de forma que os maiores consumidores de pornografia infantil atualmente são os próprios menores que partilham esses arquivos entre si, não fazer a distinção entre o inócuo e o ofensivo provavelmente escandalizou tanto conservadores quanto liberais. De fato, há quem diga que a lei contra pornografia infantil se voltou contra os próprios menores que deveriam ser seus protegidos, uma vez que a classificação de qualquer material erótico envolvendo menores de dezoito anos como pornografia infantil e, portanto, crime, inviabiliza um caminho seguro de descobrimento mútuo da sexualidade adolescente. No entanto, se o PNVD liberaria a pornografia infantil porque sua proibição é “censura”, o eleitor deduziria que o partido também pretendia liberar a pornografia que realmente vitima o menor, o que explicaria porque o PNVD, apesar de argumentar que a proibição é censura, era contrário à comercialização. Essa interdição, aparentemente puxada do vácuo, reduziria o incentivo na produção de pornografia feita violentamente ou às custas do bem-estar do menor. Propostas relacionadas a essa são a permissão da transmissão de pornografia na televisão em qualquer horário e a permissão de atores de dezesseis anos ou mais em produções pornográficas.

A terceira, e talvez a mais estranha, é a legalização da nudez pública. Para o PNVD, não há razões válidas para proibir o cidadão de andar sem roupa. Você usaria roupas se desejasse, mas não seria obrigado a isso. No entanto, ao sentar em locais públicos, você deveria usar uma toalha, por razões de higiene.

A quarta é a legalização da discriminação, exceto quando praticada pelo governo. Assim, cidadãos poderiam discriminar uns aos outros, mas o governo não teria essa liberdade para não ferir a isonomia. Você poderia discriminar alguém por ser negro, mas sabendo que você estaria sujeito à discriminação por ser racista. Para o PNVD, isso revela quem as pessoas realmente são. Você também poderia ter uma empresa discriminadora que só aceita empregados com determinadas características. Porém, dependendo da ideologia vigente em determinada época, isso poderia causar um retorno aos “empregos de homem”, aos “empregos de mulher”, “aos empregos de negros” e outros retrocessos sociais a longo prazo.

A quinta é a legalização de todas as drogas. Sua legalização aumentaria a competição, reduzindo seu preço, de forma que as pessoas não seriam, por exemplo, levadas a roubar para sustentar o vício. No Brasil, isso reduziria a renda do tráfico. No entanto, uma pessoa moderadamente conservadora acharia errado a permissão da venda de drogas “leves” para pessoas que tenham, pelo menos, doze anos. As drogas pesadas só poderiam ser vendidas para pessoas com dezesseis anos ou mais. Relacionada a essa proposta é a legalização de propaganda de cigarros e álcool (a propaganda de cigarro é proibida no Brasil).

A sexta é a redução da idade mínima para votar. Para o PNVD, você deveria ser capaz de votar já a partir dos doze anos. Isso é um reflexo necessário de sua política de liberação dos menores. Mas isso não poderia ocorrer sem antes uma melhora geral na educação crítica dos menores, que deveria começar antes dos doze anos para prepará-los para o exercício da sua capacidade política. Assim, dar aos adolescentes o direito de votar implica uma mudança também no sistema educacional (o PNVD é favorável à criação de uma disciplina chamada “pensamento cético”, que seria obrigatória, tal como filosofia no ensino médio brasileiro), requerendo formação de mais professores e mais concursos públicos. A implementação dessa educação ocorreria devagar e a proposta só poderia ser efetivamente adotada bem depois.

A última proposta que eu gostaria de comentar é a de unificar os salários de funcionários públicos que ocupem a mesma posição. Isso quer dizer que dois professores ganhariam o mesmo salário mesmo que um estivesse em serviço público por mais tempo. No Brasil, essa proposta afetaria o plano de cargos, carreira e vencimentos. Todas as outras propostas do partido podem ser vistas em seu plano de governo.

Para competir nas eleições, um partido dos Países Baixos precisa conseguir trinta assinaturas em cada distrito eleitoral do país. No entanto, talvez por seu excesso de honestidade em assumir propostas tão distantes daquilo a que o eleitorado estava acostumado, o PNVD nunca conseguiu essas assinaturas e, por isso, nunca concorreu em nenhuma eleição.

Conclusão.

Considerando o que foi exposto, minha opinião é de que o PNVD falhou em obter suas assinaturas porque a postura de seus fundadores, dos quais pelo menos um era assumidamente pedófilo, foi excessivamente honesta. Maquiavel ensina em seu Príncipe que virtudes louváveis na vida privada, como a honestidade, podem se tornar empecilhos à atividade política: a menos que os fundadores escondessem esse detalhe, não teriam chances. Eu sei que isso é uma visão altamente pessimista da política, mas, pelo menos neste caso, a honestidade foi problemática. Isso tornou o partido vítima fácil da mídia conservadora, que começou a fazer propaganda negativa, e pode ter prejudicado o exame imparcial das propostas boas.

Em adição, havia um número de propostas contrárias ao interesse público. Num sistema democrático, você precisa de apoio da maioria para fazer qualquer coisa, então juntar várias propostas que seriam mal recebidas impossibilita o acordo entre partido e população geral. É preciso fazer acordos com a população para que seu partido funcione e, para isso, é preciso dar ao povo o que ele deseja. Afinal, a tarefa do estado democrático é agir segundo o interesse do povo do qual seu poder emana. Caso você tenha uma proposta impopular que você vê como necessária ao bem público, ela precisa vir acompanhada de outras propostas atraentes e do mínimo possível de propostas repelentes. Por exemplo: no Brasil, o povo quer emprego e as empresas querem lucro. Então, é natural que os partidos mais populares sejam os que põem ênfase em matérias econômicas, como o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social-Democracia do Brasil. Isso também ajuda a explicar como o CPGB-PCC continua existindo mesmo querendo abolir a idade de consentimento imediatamente: várias de suas outras propostas são pertinentes e atraentes, principalmente às camadas trabalhadoras da população.

Referências.

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4 de fevereiro de 2018

Pensamentos sobre “CSA”.

My thoughts on CSA (Part 1 of 3) [v0.5]

Abertura da versão em português.

O texto abaixo foi traduzido do site de uma amiga minha, a “Hikari” (pseudônimo), e resolvi que seria uma boa ideia traduzi-lo, já que faz parte do tema que me propus a examinar esses dias, isto é, relacionamentos entre adultos e menores. A versão original pode ser acessada pelo link acima.

Primeiramente, o texto é uma opinião. Embora ele seja baseado em um grande número de referências bibliográficas, ele não conforma com o formato de artigo científico. Ele fica melhor como ensaio. “CSA” (child sexual abuse) é o tema desse ensaio. O texto foi originamente escrito como uma resposta a Todd Nickerson, um dos idealizadores do movimento online anti-contato (mais conhecido como Virped) que tem recebido muita atenção da mídia desde que se tornou popular. A resposta de Hikari visa resolver algumas concepções erradas nesse movimento.

Introdução.

Todd Nickerson (2007) escreve: “Há muitas pessoas mal intencionadas por aí que podem manipular crianças a fazer coisas que elas não desejam fazer, talvez lhes causando grande estresse emocional, e poderiam facilmente se esconder atrás de tais leis ao convencer a criança de que ela consentiu quando ela na verdade não o fez, ou pressioná-la a dizer que consentiu. Em uma sociedade ideal, haveria um monte de discussões e lugares onde crianças poderiam reclamar se elas não gostassem do que lhes foi feito, mas esta não é uma sociedade ideal. Além disso, eu concordo que crianças, que são vulneráveis a coerção e manipulação, merecem proteção especial em certas áreas, eu diria que sexo é uma delas. Por isso, em resumo, sou contra a abolição dessas leis.”

Posso concordar que nossa sociedade é perigosa demais para permitirmos consentimento infantil, porém acredito que há várias causas fundamentais de abuso que podem ser erradicadas ou, pelo menos, grandemente mitigadas em seus efeitos; essas causas incluem educação sexual de má qualidade, o sentimento de que crianças são posse do adulto e a vergonha de falar sobre sexo. Esses fatores são indicadores consistentes de abuso sexual infantil em culturas ao redor do mundo. Não apenas acredito que esses problemas podem ser resolvidos, como acredito que é nosso dever resolvê-los, uma vez que, se isso não for feito, abuso sexual infantil continuará a multiplicar-se. Por causa de seus efeitos vagos em prevenir contato sexual ou abuso sexual, eu não acredito que leis de idade de consentimento sejam a forma mais efetiva de impedir abuso sexual infantil; educação e abertura são. A idade de consentimento pode, na verdade, ter um efeito negativo ao criminalizar tanto relações danosas como inofensivas, criando uma atmosfera de segredo, a qual pode incentivar mais o abuso do que faria um relacionamento visível.

Manipulação.

Gostaria de começar apontando a crença de que crianças são incapazes de manipular adultos. Essa ideia simplesmente é falsa. Há até mesmo programas e livros criados para ajudar pessoas com “filhos manipuladores”. Um desses livros, intitulado Manipulating Parents: Tactics Used by Children of All Ages and Ways Parents Can Turn the Tables, argumenta que crianças e adultos podem manipular tanto por boas quanto por más razões. O escritor também cria uma “Declaração dos Direitos dos Pais”, a qual explicitamente dá aos pais o direito de presidir a família, esperar serviço dos filhos e manipulá-los (Robinson, 1981). Se por um lado tenho sentimentos mistos sobre os conselhos dados pelo livro, por outro eu gosto de que ele reconhece que manipulação não necessariamente é prejudicial. O livro emprega uma definição amoral da palavra “manipular”: “gerenciar e utilizar com perícia”.

Nem toda manipulação é “ruim”. Muitas de nossas ações quotidianas podem ser consideradas manipulação. Contamos várias mentirinhas ao longo do dia sem sequer nos darmos conta disso. Em alguns casos, manipulação pode ser benéfica: para esconder uma festa-surpresa, proteger a privacidade de alguém, poupar os sentimentos de uma pessoa, parar assédio e evitar situações abusivas (leia A Child Called It, de Dave Pelzer, para um exemplo de uma criança pequena utilizando manipulação para mitigar abuso), e por aí vai. Se ninguém é prejudicado pela manipulação, então ela não é prejudicial. O problema é quando a manipulação nos permite fazer algo prejudicial a outra pessoa. O tipo danoso de manipulação psicológica é também chamado gaslighting. Deve ser sabido que gaslighting pode ocorrer em uma variedade de relacionamentos: “com amigos, família, chefes e colegas” (Stern, 2007). Esse risco não é exclusividade de relações românticas ou sexuais, como O’Carroll (1980) escreve: “deve ser percebido que o perigo de uma criança ser emocionalmente machucada por um relacionamento com um adulto é uma possibilidade mesmo que sexo nunca entre na relação”. Porém, isso ainda é um problema importante a ser considerado. Como evitar que crianças sejam afetadas por gaslighting?

Quem tem um papel na prevenção de gaslighting?

Mídia.

Há um punhado de mídia disponível para adultos que se propõe a ajudá-los a lidar com relacionamentos abusivos. Há muito pouco disso para crianças. Mídia infantil, como livros, filmes, programas de televisão e jogos já foram usados como material didático para crianças. A mídia já foi creditada como uma fonte de aprendizado da qual crianças aprendem a manipular1 (Robinson, 1981). Portanto, pode ser útil lidar com o problema de gaslighting usando mídia infantil, para ajudá-las a reconhecer e lidar com manipulação negativa. Algumas técnicas usadas por adultos podem também ser usadas por crianças, como listas de metas. É importante que elas aprendam a identificar seus sentimentos em uma variedade de situações. Em adição, se a mídia simplesmente der atenção ao problema, ela já estaria ajudando a ensinar crianças a reconhecer e identificar abuso, em vez de deixá-las tímidas diante do assunto. Explicarei mais sobre isso no parágrafo seguinte.

Pais.

A forma como os pais interagem entre si será observada pela criança e pode grandemente influenciar o que elas entendem por relações “normais”. Porventura os pais brigam, machucam um ao outro, promovem sentimentos de rejeição ou negligência (o que também permite que a criança ponha um pai contra o outro) ou por acaso os pais amam um ao outro, são capazes de mútuo respeito e ouvem as reclamações do parceiro (Stenack, 2001)?

  • Ensine à criança a como evitar e como sair de situações perigosas.
  • Tenha um bom sistema de apoio (Leigh, 2006).
  • Em adição, “insegurança pode se desenvolver quando [crianças] não obtém […] amor incondicional e aprovação de seus pais” (Stenack, 2001). Formar um vínculo saudável é importante, porque afetará a criança na idade adulta também, não apenas na infância. Pessoas com vínculos inseguros têm maior risco de sofrer ou praticar abuso.

Criança.

É importante identificar sentimentos. Se você, criança, se sente perturbada, aqui estão algumas opções (estas técnicas foram originalmente propostas para adultos, mas podem ser usadas por crianças também):

  • Mantenha um diário ou relatório. Escreva o que aconteceu e como você se sente em relação a isso.
  • Se puder lembrá-las, escreva suas conversas e leia-as depois.
  • Fale com amigos em quem confia.
  • Confie nos seus instintos. Se algo lhe parece errado, não ignore a sensação. (Stern, 2007)
  • Poderia haver uma linha telefônica de plantão para crianças? Tenho que pesquisar quais os meios pelos quais uma criança pode denunciar abuso.

Idealmente, uma criança não deve julgar sozinha o caráter de um adulto. Tal como um pai não aprovaria um professor ou babá sem antes ter uma ideia de seu caráter, pais têm a responsabilidade de moderar a relação. Dessa forma, se uma criança não percebe um comportamento manipulativo, amigos e família podem percebê-lo. Adultos frequentemente agem da mesma forma, pedindo a amigos e família uma opinião sobre parceiros potenciais. Se um parceiro tenta isolar alguém de sua comunidade, isso é uma bandeira vermelha sinalizando que há intenção de abuso.

Comparando a manipulação de memória infantil com a manipulação de memória adulta.

Nickerson pensa que um adulto pode ser capaz de manipular uma criança a fim de fazê-la acreditar que ela gostou de uma experiência ruim. Enquanto eu concordo que isso é possível, para que possamos refletir sobre a probabilidade e perigo da distorção da memória infantil em relação à memória adulta, nós devemos verificar o quão fácil é manipular adultos e crianças.

Quando se fala de criar experiências negativas falsas, nós sabemos que a mente humana é muito maleável, não importando a idade. Crianças e adultos podem ser manipulados para que pensem que cometeram crimes ou sofreram abuso. Tome como exemplo os julgamentos de rituais de abuso satânico nos anos noventa, nos quais tanto crianças como adultos foram convencidos por terapeutas de que haviam sofrido formas elaboradas de abuso sexual.

Loftus (1984) escreve que, em alguns casos, crianças são mais suscetíveis à distorção de memória; em outros casos, elas são equivalentes a adultos; já em outros, elas são menos suscetíveis. Memória a longo prazo parece ser mais pobre em crianças pequenas; há uma correção positiva entre idade e codificação completa. Essa codificação incompleta pode deixá-las mais suscetíveis a aceitar informação de outra fonte, especialmente uma fonte com autoridade. Porém, Loftus escreve, crianças muito pequenas são menos suscetíveis a sugestões sutis da linguagem, como escolha de palavras e tom da voz. Isso não quer dizer que crianças pequenas são imunes a manipulação (frequentemente, manipulação ainda é muito efetiva), mas que, em geral, essa técnica de manipulação é mais efetiva em adultos. As pessoas tendem a lembrar eventos negativos com mais precisão do que positivos, o que significa que é geralmente mais fácil convencer uma pessoa de que ela não gostou de uma experiência prazerosa do que convencê-la de que ela gostou de uma experiência dolorosa (Fivush, Hazzard, Sales, Sarfati, & Brown, 2003). Eventos negativos em particular tendem a ser mais fortemente codificados. Também, apesar de parecer intuitivo, tanto crianças quanto adultos “lembram melhor desses eventos se têm um bom entendimento do que o evento significava no instante em que ocorreu. Embora a memória desapareça com o tempo, uma boa parte do que é retido é acurada” (Fivush, Hazzard, Sales, Sarfati, & Brown, 2003). “Se um evento é compreensível e interessante, tanto a crianças quanto a adultos, e se sua memória desse evento é igualmente forte, podem não haver diferenças em sugestibilidade” (Loftus, 1984).

De acordo com Yoffe (2017), Richard McNally, professor de psicologia em Harvard, escreve: “A pesquisa científica não apoia a afirmação de que altos níveis de hormônios de estresse prejudicam a memória de uma experiência traumática.” Na realidade, é quase o oposto: “Extremo estresse melhora a memória que temos dos aspectos centrais de uma experiência emocional forte.” Há provavelmente uma razão evolutiva para isso, diz McNally: “Faz sentido que a seleção natural favoreça a memória de traumas. Se você lembra de situações que posam risco à vida, é mais provável que você as evite.” Notavelmente, sobreviventes de eventos horríveis, como o massacre do cinema Aurora, o ataque terrorista em San Bernardino, o assassinato em massa na boate Orlando, contam narrativas cronológicas, coerentes, detalhadas e lúcidas do acontecimento em julgamentos e entrevistas.

Em adição, mesmo crianças que experimentaram eventos apenas moderadamente fortes tendem a desenvolver uma memória bem forte desse evento com o tempo (comparada com a memória de eventos sem estresse ou de pouco estresse) (Fivush, Sales, Goldberg, Bahrick, and Parker, 2004). Em outras palavras, um evento forte ou negativo não precisa ser traumático para ser lembrado.

“Mas e se a memória delas for tão horrível a ponto de elas esquecerem?”

Às vezes, memórias de eventos traumáticos ficam escondidas na mente, dizem, e são chamadas memórias reprimidas. Memórias reprimidas de fato existem, mas elas não funcionam da forma como frequentemente se acredita. Em primeiro lugar, elas são bem raras. Em segundo, alguém que tenha memórias reprimidas geralmente está ciente de que as tem (a pessoa sabe que há algo faltando), podendo lembrar até o ponto “apagado” em sua mente. Pensa-se que esse é um mecanismo defensivo evolutivo para impedir a pessoa de repetir um vacilo. Em adição, certas “pistas” associadas ao evento podem fazer a memória reaparecer às vezes. Em outras palavras, a pessoa não perdeu simplesmente toda a memória do abuso sofrido e não ignoram o fato de terem uma memória perdida. (Loftus & Ketcham, 1994).

Alguma perspectiva sobre memórias falsas positivas e memórias falsas negativas.

Porter et al. escrevem: “uma avaliação por interação de veracidade também sugere que memórias negativas falsas foram mais detalhadas do que memórias positivas falsas, reflectindo uma susceptibilidade exacerbada à distorção de memórias para eventos negativos.” Em outras palavras, memórias negativas falsas são mais fáceis de implantar do que memórias positivas falsas. Elas são também são mais persistentes e tendem ficar grandemente distorcidas e ampliadas.

“Além disso” Porter et al. escrevem, “eventos negativos falsos são duas vezes mais fáceis de ser lembrados do que eventos positivos falsos, com noventa por cento dos participantes lembrando de pelo menos um evento negativo falso, mas apenas 41,7% sendo capazes de lembrar de pelo menos um evento positivo falso.” Portanto, se você acredita em proteger crianças do desequilíbrio emocional causado por memórias positivas falsas, você deve também acreditar em proteger crianças de memórias negativas falsas, que podem ser resultado do descobrimento de relacionamentos que, não sendo descobertos, seriam experiências positivas.

Agora, voltemos à raiz desta discussão: como leis de idade de consentimento se relacionam com tudo isto.

História das leis de idade de consentimento.

Leis de idade de consentimento foram originalmente criadas para impedir que uma criança (normalmente fêmea) consentisse com algo que a sociedade acreditasse estar além de sua capacidade mental de compreensão. Nós vemos essas leis replicadas na Europa Ocidental e nos Estados Unidos até a segunda metade do século dezenove, quando a idade de consentimento passou a variar entre sete e doze anos. Ao final do século dezenove, porém, houve esforços para aumentar a idade de consentimento para dezesseis na Inglaterra. As principais razões para aumentar a idade de consentimento eram impedir a prostituição infantil (contra a qual já temos leis separadas) e preservar a virgindade da menina até o casamento. Porém, taxas de sexo pré-marital continuaram a aumentar até a segunda metade do século vinte. Havia um debate sobre essas leis serem verdadeiramente efetivas ou não, e algumas pessoas zombavam dessas leis, dizendo que a idade de consentimento deveria aumentar para oitenta (Cocca, 2004).

Embora leis contra atividade sexual antes dos dezoito anos existam, elas não impedem essa atividade de ocorrer. Maior parte das pessoas nos Estados Unidos têm sexo penetrativo completo antes de atingir a idade de consentimento (uma estimativa diz sessenta e seis por cento) (Cocca, 2004), e muitos têm jogos sexuais não-penetrativos com outros parceiros antes mesmo de chegar à adolescência (setenta por cento dos meninos pré-adolescentes entrevistados admitiram que tiveram jogos sexuais com outros e cinquenta e sete por cento dos adultos lembrava de tais incidentes, mas a porcentagem para meninas é menor: apenas um quinto das meninas lembrava de tais incidentes) (Kinsey et al., 1948).

Miranda Sawyer (2003) escreve: “Esta é a pura verdade. Embora a idade de consentimento possa deixar adolescentes com medo de procurar ajuda quando precisam, ela não os impede de fazer sexo. Comparações trans-europeias de saúde sexual, conduzidas por Rox Kane e Kaye Wellings na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, mostram que a idade de consentimento não condiz com a idade da primeira relação sexual.2 Se quisermos que adolescentes atrasem sua primeira experiência sexual até estarem prontos, a fim de que não fiquem grávidos, a fim de que aproveitem o sexo de forma segura e, principalmente, não se arrependam do que fizeram, então a idade de consentimento não ajuda em nada. O que ajuda é educação sexual.”3

O fato de que leis de idade de consentimento parecem ter pouca ou nenhuma correlação com a idade da primeira atividade sexual me faz questionar o quão efetivas elas são em impedir essa experiência. Parece que menores fazem sexo em qualquer idade, a despeito do que diz a lei. Porém, será ela efetiva em impedir atividade sexual entre adultos e menores ou, especificamente, abuso sexual infantil? Vejamos.

(*Importante notar: a “Lei Megan”, mais conhecida como registro público de ofensores sexuais, não tem efeito relatado na redução de crimes sexuais, mas ainda custa milhões de dólares em dinheiro público anualmente.)

O quão efetiva é a idade de consentimento em impedir abuso sexual infantil?

A prevalência de abuso sexual infantil é difícil de medir por causa de problemas metodológicos e definições diferentes de três termos: criança, sexual e abuso (Frederiksen, 2000). Tal como outros tipos de abuso, há uma reticência em denunciar (mais ainda porque abuso sexual é um assunto bastante tabu). Porém, Stoltenborgh et al. (2011) fizeram uma meta-análise com mais de nove milhões de sujeitos e tentaram obter um entendimento vago sobre a prevalência de abuso sexual infantil em seis continentes diferentes. Stoltenborgh e colegas controlaram as definições de “criança” para incluir apenas sujeitos com menos de dezoito anos e controlaram a definição de “abuso sexual” especificando como o abuso foi denunciado segundo a definição NIS-3.

As taxas para seis continentes diferentes foram:

rates

(imagem de: Stoltenborgh et al.)

Os cinco países com as mais altas taxas de abuso sexual infantil têm as seguintes idades de consentimento:

1. África do Sul: dezesseis.

2. Índia: dezoito.

3. Zimbabwe: dezesseis.

4. Reino Unido: dezesseis.

5. Estados Unidos: dezesseis, dezessete e dezoito.

Todos esses cinco países têm idades de consentimento entre dezesseis e dezoito, o padrão da Organização das Nações Unidas. Enquanto eu não pude achar informações especificamente sobre os países com as mais baixas taxas de abuso sexual infantil, o continente asiático tem as menores taxas de abuso sexual infantil denunciado. Embora correlação não seja o mesmo que causalidade, devemos atentar para como esses povos lidam com a sexualidade. Talvez a chave para impedir abuso não seja uma idade de consentimento, mas outros fatores, como educação sexual, atenção e não ver sexo como algo vergonhoso ou embaraçoso.4

Ela conclui o seguinte sobre as taxas de abuso sexual infantil: África do Sul pode ter altas taxas de abuso sexual infantil porque homens em tais sociedades sentem que têm autoridade sobre mulheres e crianças (Madu e Peltzer, 2000). Crianças africanas são ensinadas a obedecer os mais velhos sem questionar, o que as põe sob risco de abuso sexual vindo de pessoas a quem se espera que elas paguem o devido respeito (Lalor, 2008; Mbagaya, 2010). Urbanização, que faz com que crianças fiquem isoladas de suas famílias, também foi citada como possível fator (Mbagaya, 2010). Talvez, então, devamos dar passos na direção da mudança das noções de que crianças devem obedecer os mais velhos sem questionar, de que homens têm autoridade sobre mulheres e crianças (ao passo que todos os adultos têm autoridade sobre crianças) e tentar manter as famílias conectadas, em vez de isoladas.5 6

Porventura leis de idade de consentimento impedem menores de se sentirem pressionados?

Como leis de idade de consentimento impedirão adultos de pressionar crianças a mentir? A única diferença é que com leis de idade de consentimento, em vez de o adulto pressionar o menor a dizer que ele gostou de certos aspectos da relação, o adulto forçará o menor a manter a relação inteira em segredo. Manter a relação inteira em segredo é perigosa porque, (1) se a relação for consentida, a criança pode ficar confusa e emocionalmente perturbada se o relacionamento for tratado como abuso, colocando o relacionamento na mesma categoria que atos como estupro e outros crimes, e (2), se ninguém mais souber, há menos testemunhas oculares para detectar inconsistências no que a criança está dizendo, além de que uma pessoa de fora da relação não poderia facilmente intervir. Segredo e isolamento são fatores que contribuem para o gaslighting e outras formas de abuso (Stern, 2007). Se cuidadores e comunidade souberem da situação, serão capazes de monitorá-la. Se a relação não é sequer conhecida, pais podem não ver sinais de abuso sexual ou pensar que tais sinais são outra coisa.

Se a criança se sente insegura em relação a algo, ela deve ser capaz de pedir ajuda de um amigo confiável ou um membro da comunidade que saiba da relação, a fim de obter conselho de uma perspectiva diferente. Porém, se a relação é mantida nas sombras por se ilegal, isso pode não ser possível. Comunicação aberta é a chave.

Mas ao menos a idade de consentimento não prejudica os pequenos… ou prejudica?

Michael M. versus Suprema Corte de Sonoma County. Uma menina de dezesseis anos e um menino de dezessete anos estavam em relação perfeitamente legal, mas houve abuso sexual (força) envolvido. Quando a menina disse ao menino que parasse, ele bateu nela e continuou. Os juízes não quiseram condená-lo porque “a proximidade entre as idades” fazia parecer que a menina não era uma “participante não-voluntária”, um “fator que torna este caso pouco atraente pare fins de processo”. Este é apenas um exemplo. Como vimos antes, leis de idade de consentimento não guardam relação com a idade em que os menores fazem sexo. Alguns desses casos inevitavelmente envolvem parceiros cujas idades não estão protegidas pela provisão de faixa etária. Outro problema são as sentenças extremamente pesadas: uma pessoa pode ser sentenciadas a prisão perpétua ou séculos de cadeia, ou ser listada no registro de ofensores sexuais pelo resto da vida. Essas sentenças podem fazer com que juízes hesitem em condenar se a punição prevista for desproporcional ao crime. Há também preconceitos homofóbicos7, raciais, etários e sexuais, entre outros, de forma que certos grupos são injustamente criminalizados. O mesmo crime pode ter diferentes punições, dependendo somente dos fatores mencionados aqui.

Mas observe: esta atividade, a qual Nickerson (2007) descreve como algo de pouca importância, não tão diferente de “uma massagem”, fica escondida nas sombras da ilegalidade.

Aceitar e descriminalizar tais relacionamentos permitiria que ocorressem “abertamente”. Isso não apenas criaria um novo canal através do qual os envolvidos poderiam falar com outros, no qual não teriam que temer que seus relacionamentos fossem automaticamente denunciados, mas também significaria que tais relacionamentos seriam melhor monitorados por família e comunidade, havendo assim uma maior chance de detectar conduta suspeita se o parceiro for manipulador. Como todos ficam envolvidos e atentos à situação, não haveria necessidade de guardar segredos perigosos. Fazendo distinções claras entre amor e abuso, em vez de criminalizar os dois, fica mais fácil identificar e evitar abuso. Quando uma criança está numa situação potencialmente perigosa, envolvimento da comunidade é a chave.

Como mencionado antes, o adulto não deve obter aprovação somente da criança, mas também da rede de apoio à criança, a qual inclui adultos mais experientes, como pais ou responsáveis. Essa comunidade deve se envolver na tarefa de ajudar a criança a fazer boas decisões. Observe que não significa autoridade total sobre a criança, uma vez que isso pode permitir manipulação. Em vez disso, significa discutir esses relacionamentos abertamente e monitorá-los (dependendo do que é apropriado ao estágio de desenvolvimento do menor), prover auxílio, deixar que os envolvidos cometam erros construtivos e interferir quando riscos sérios são detectados.

Conclusão.

Acredito que crianças deveriam ser capazes de explorar sua sexualidade, tal como exploram qualquer outro tópico, entre si ou com adultos (o qual pode prover tutoria) se elas assim o quiserem. Eu não acredito que deva haver um banimento geral, especialmente quando experiências negativas são minoria (Rind et al, 1998)8. Os que amadurecem devagar e aqueles que preferem se abster de sexo ainda estariam protegidos. Os menores podem escolher não se relacionar, bem como aqueles que se sentem prontos concluem que já podem se relacionar. As pessoas quebram a lei não importando o quão alta é a idade de consentimento, o quão odiada é a pedofilia ou o quão pesadas são as punições. Banimentos gerais põem na mesma categoria os relacionamentos negativos, positivos e neutros, isto é, relações abusivas e relações não abusivas são equivalentes. Quando elas são postas na mesma categoria, isso causa confusão, estresse e outros danos secundários à criança, punição injusta do adulto e trabalho extra para a polícia, o que retarda os esforços no combate ao abuso real.

Quando as verdadeiras causas do trauma e da exploração são identificadas e combatidas, há menos risco e ainda menos necessidade de um banimento geral. Talvez, como diz Nickerson, “nunca teremos uma sociedade ideal” e nunca nos livraremos de abuso infantil. O risco sempre estará lá. Mas nada na vida é livre de riscos. Imagine como seria a vida se sempre esperassem que algo fosse livre de risco. Ninguém conduziria carros por medo de batê-los. Ninguém dormiria numa cama por medo de cair dela durante o sono. Ninguém usaria o fogo por medo de se queimar. Ninguém usaria um chuveiro por medo de escorregar e cair. Tendemos a agir dessa forma mais incisivamente com nossas crianças. É impossível manter a vida das nossas crianças 100% livre de risco. Não estou dizendo para vivermos sem qualquer atenção à segurança, mas que assumir certos riscos e aprender a navegar através deles é uma parte necessária da vida.

Você quer reduzir o risco? Considere o conselho destas páginas e veja como maior parte do dano psicológico e do desequilíbrio emocional vem das reações que os outros têm ao ato quando este é descoberto (Henry, 1995). Dessa forma, podemos fazer o que foi sugerido neste texto e validar aqueles que tiveram experiências positivas, em vez de convencê-los de que foram abusados quando os próprios menores não sentem que o foram. Tenha respeito pelo julgamento daqueles que tiveram a experiência em primeira mão.

Eu espero que Nickerson seja capaz de ver que a maioria das pessoas que acreditam que a idade de consentimento não ajuda a impedir abuso de crianças não vêem o problema como mera questão de “soltar as leis” imediatamente para ver o que acontece. Isso seria como dirigir um carro sem ter treinado antes. Muito progresso deve acontecer, progresso o qual Nickerson não acredita ser possível, mas que eu acredito ser possível com trabalho duro e perseverança, coisas que possibilitaram outros tipos de progresso social no passado.

Referências.

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Eysenck, H. (1976). Sex and Personality. Open Books, London.

Fivush, R., Hazzard, A., Sales, J.M., Sarfati, D., & Brown, T. (2003). Creating coherence out of chaos? Children’s narratives of emotionally positive and negative events. Applied Cognitive Psychology, 17, 1-19.

Fivush, R., Sales, J.M., Goldberg, A., Bahrick, L., & Parker, J. (2004). Weathering the storm: Children’s long-term recall of Hurricane Andrew. Memory, 12, 104-118.

Frederiksen, A. (2000). Pedophilia, Science, and Self-deception: A Criticism of Sex Abuse Research. Disponível em: https://www.ipce.info/ipceweb/Library/frederiksen_text.htm

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Kinsey, A., Pomeroy, W.B., Martin, C.E. (1948). Sexual Behavior in the Human Male. Disponível em: https://www.ipce.info/sites/ipce.info/files/biblio_attachments/sexual_behavior_in_the_human_male_1948_-_chapter5_-_early_sexual_growth_and_activity.pdf

Lalor, K. (2008). Child sexual abuse and HIV transmission in sub-Saharan Africa. Child Abuse Review, 17, 94-107. doi:10.1002/car.1020.

Mbagaya, C.V. (2010). Child maltreatment in Kenia, Zambia and the Netherlands. A cross-cultural comparison of prevalence, psychopathological sequelae, and mediation by PTSS. Leiden University, Leiden.

Michael M. v. Superior Court of Sonoma County 1981: 484-486 fn* and 483-485.

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Stoltenborgh, M., Marije Stoltenborgh, Marinus H. van Ijzendoorn, Eveline M. Euser & Marian J. Bakermans-Kranenburg (2011). A Global Perspective on Child Sexual Abuse: Meta-Analysis of Prevalence Around the World.

Stenack, R.J. (2001). Stop Controlling Me! New Harbinger Publications.

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Leitura complementar.

Jane Gale – Paedophilia

“Devemos lembrar que um adulto, se tem maior propensão para o mal, também tem maior propensão para o bem. Se um relacionamento deve ser considerado inaceitável por causa da distribuição desigual de poder, então a maioria das relações heterossexuais adultas são inaceitáveis. A maior experiência de vida do adulto pode mais benéfica para a criança do que se esta estivesse em relação com alguém de sua mesma idade.”

Judith Viorst – Imperfect Control

Nunca somos “seres perfeitamente autônomos”, em “perfeito controle” de nossas vidas, mas tudo bem. Ser humano é ser pelo menos um pouco dependente.

Lenore Skenazy – Free Range Kids

Fala sobre como não podemos viver se tivermos medo de assumir riscos. Também fala de como pais se tornam superprotetores e também do clima de medo nos Estados Unidos. Também fala da histeria centrada no registro de ofensores sexuais.

Pelzer, Dave – A Child Called “It”

Como uma criança pequena usa manipulação para impedir sua mãe de continuar lhe abusando.

Susan Clancy – The Trauma Myth

A autora entrevistou várias pessoas sobre suas experiências de abuso sexual infantil, descobrindo que menos de dez por cento delas lembram da experiência como traumática. O julgamento negativo frequentemente se desenvolve bem depois.

Titus Rivas – Discussion on Ipce.

Discute porque os pais devem ser envolvidos.

Unique Types of Abuse in Sexual Minority Populations (estes focam em comunidades LGB, mas podem ser generalizados a outras minorias sexuais):

Meyer, I. H. (2003). Prejudice, social stress, and mental health in lesbian, gay, and bisexual populations: Conceptual issues and research evidence. Psychological Bulletin, 129, 674–697.

Poorman, P. B., Seelau, E. P., & Seelau, S. M. (2003). Perceptions of domestic abuse in same-sex relationships and implications for criminal justice and mental health responses. Violence and Victims, 18(6), 659-669. doi:10.1891/088667003780928026

Seelau, E. P., Seelau, S. M., & Poorman, P. B. (2003). Gender and role-based perceptions of domestic abuse: Does sexual orientation matter? Behavioral Sciences & the Law, 21(2), 199-214. doi:10.1002/bsl.524

Stanley, J. L., Bartholomew, K., Taylor, T., Oram, D., & Landolt, M. (2006). Intimate violence in male same-sex relationships. Journal of Family Violence, 21, 31–41.

Stiles-Shields, C., & Carroll, R. A. (2015;2014;). Same-sex domestic violence: Prevalence, unique aspects, and clinical implications. Journal of Sex & Marital Therapy, 41(6), 636-13. doi:10.1080/0092623X.2014.958792

Notas de rodapé.

1 Este autor também cita a mídia como colaboradora no desenvolvimento da habilidade infantil de manipular, uma vez que crianças aprendem táticas de manipulação e “formas de lidar com os pais” através de filmes e programas de televisão. Há mesmo livros que ensinam manipulação para adolescentes. Ver How to Raise Your Parents.

2 Se quiser ver por conta própria, compare o questionário sexual de Durex, em 2005, o qual revela uma tendência similar.

3 Menores desejam leis de idade de consentimento? Na entrevista de Miranda Sawyer, ela descobriu que alguns menores querem que a idade de consentimento aumente para dezoito, outros querem que ela baixe para doze e outros querem sua abolição completa. Porcentagens não foram dadas. Alguns tinham parceiros fora da provisão de faixa etária e expressaram preocupação quanto ao fato de não poderem obter assistência se necessário.

4 Sabemos que visões negativas em relação a sexo juvenil ou pré-marital estão positivamente correlacionadas ao aumento da violência em geral (Prescott, 1975). Mas e quanto à violência sexual especificamente? Também vemos em um estudo com cento e oitenta e seis pacientes numa instituição mental, que aqueles que cometem crimes sexuais frequentemente têm visões mais conservadoras em relação à sexualidade, incluindo a sexualidade infantil (Eysenck, 1976).

5 Ela também especula que o coletivismo pode contribuir para a baixa taxa de denúncia de abuso sexual infantil na Ásia. Porém, dois dos cinco países com as mais altas taxas de abuso sexual infantil denunciado são geralmente considerados países coletivistas (Índia e Zimbábue). Em adição, há também países individualistas que têm taxas menores de abuso sexual infantil denunciado, tais como países europeus. O tão-chamado “coletivismo” já foi mencionado tanto como favorecedor quanto mitigador de abuso sexual. Dizer que uma cultura “coletivista” faz com que pessoas escondam casos de abuso sexual infantil não é uma afirmação específica o bastante. Culturas precisam ser examinadas em profundidade para identificar quais práticas “coletivistas” (ou “individualistas”) contribuem para o abuso sexual infantil.

6 Parece haver pouca ou nenhuma correlação entre alta idade de consentimento e menores taxas de abuso sexual infantil. Porém, correlação não é o mesmo que causalidade. Eu preferiria procurar o impacto definitivo da idade de consentimento em taxas de abuso sexual infantil. Mas eu acredito que já haja pesquisa preliminar sobre o impacto da pornografia infantil sobre taxas de abuso sexual infantil. Preciso procurar mais informação sobre isso. Em adição, gravidez adolescente é menor em países com menores idades de consentimento (compare, por exemplo, a Holanda e os Estados Unidos). A proporção de gravidez adolescente parecia ter pouca ou nenhuma correlação com a idade do primeiro contato sexual penetrativo. Para determinar correlação e causalidade, use os critérios de Hill.

7 O registo de ofensores sexuais foi criado para envergonhar gays americanos. Ver “Origin of Registry”, no SOL Research.

8 Novamente, vemos a discrepância entre experiências sexuais masculinas e femininas: experiências negativas são minoria entre crianças masculinas, enquanto que maioria das meninas reagiu negativamente.

Encerramento da versão em português: considerações do tradutor.

Sobre “abuso” positivo.

Alguns leitores provavelmente acharam estranho a informação de algumas crianças gostam do “abuso” sofrido. É importante entender o que é abuso sexual infantil no meio clínico. É considerada abusiva uma relação entre adulto e menor, sempre, mesmo que o menor tenha dezessete e o adulto tenha dezoito, porque o adulto tem mais privilégios do que um adolescente. Também é considerada abusiva uma relação entre dois menores, se a diferença de idade entre os for de cinco anos ou mais. Isso quer dizer que uma experiência não precisa ser negativa para ser chamada de abuso no meio clínico. Pesquisadores como Bruce Rind e Allie Kilpatrick concordam que usar o termo “abuso” para definir todas as relações, positivas ou não, em que há disparidade de força é problemático. Para demonstrar isso, Bruce Rind e Robert Bauserman fizeram um estudo empírico com alunos universitários, dando-lhes um texto sobre experiências sexuais positivas entre adolescentes e adultos. Para um grupo de alunos, o texto foi dado com os termos originais. Para outro grupo, o texto foi dado trocando os termos neutros (como “contato sexual”, “adulto” e “jovem”) por termos negativos (“abuso”, “criminoso” e “vítima”). O resultado foi que, mesmo que ambos os textos descrevessem a mesma experiência, se bem que com termos diferentes, o grupo que recebeu a versão com termos neutros tendia a avaliar essas experiências mais positivamente, enquanto que o grupo que recebeu a versão adulterada tendia mais a julgar esses encontros como negativos, mesmo na ausência de dano ou de coerção. Donde decorre o uso indiscriminado do termo “abuso”, mesmo para experiências positivas, leva a pessoa a concluir uma coisa que o texto não está dizendo, o que é cientificamente inaceitável, porque quando se pensa em “abuso” se pensa em coerção, dor e trauma. Ver Biased Terminology Effects and Biased Information Processing in Research on Adult-Nonadult Sexual Interactions: An Empirical Investigation.

Sobre disparidade de força.

A ideia de que relacionamentos desiguais são automaticamente abusivos tem raízes feministas. Quando a revolução sexual dos anos sessenta e setenta estava no seu ápice, parecia que tudo era permitido. Mas as mulheres sentiram que, a menos que seus direitos fossem equilibrados aos dos homens, o clima de liberdade sexual acabaria pesando negativamente pra elas. Então, elas metodicamente igualaram existência de força, uso de força e abuso de força, de forma que a mera possibilidade de abuso já tornava uma relação arriscada demais para um ser com menos direitos. Isso, aliado a dados de época sobre incesto e estupro, crimes que vitimavam mais mulheres do que homens, elas convenceram a sociedade de que o avanço da revolução sexual multiplicaria o número de mulheres vítimas de abuso. A direita conservadora, que não estava gostando da revolução sexual, se aliou ao feminismo e o argumento da disparidade de força foi logo extendido também a outros tipos de relacionamento desiguais, como entre empregado e chefe, pai e filho, adulto e criança ou professor e aluno. Isso matou a revolução sexual. As falhas fundamentais desse argumento são que ele (1) assume que disparidade de força é o mesmo que abuso dessa força, o que não é verdade, e (2) ele cala sobre um monte de relações desiguais que não são sexuais e, no entanto, são necessárias, ou seja, ele é oportunamente aplicado somente à relações eróticas. Se o chefe tem mais poder do que eu, porque não sou proibido de trabalhar pra ele até sermos igualados? Ver Boys on Their Contacts With Men: A Study of Sexually Expressed Friendships.

Sobre como o segredo prejudica a saúde dos menores.

O texto da Hikari menciona que menores se relacionam entre si e que, se essa relação é ilegal, ficam “sem assistência”. Vejamos o que isso significa. A idade de consentimento no Brasil é catorze. Suponhamos que um menino de treze anos se relacione com uma menina de quinze anos. Essa relação é voluntária, os dois estão gostando, especialmente o menino que está sendo iniciado. No entanto, suponhamos agora que o menino desenvolva uma doença sexualmente transmissível ou que a menina engravidou. A natureza ilegal de uma relação valorizada os fará guardar segredo de ambas as coisas. O menino esconderá sua doença e a menina esconderá sua gravidez, o que pode os levar a outros atos ilegais como o aborto clandestino. Isso explica porque a gravidez adolescente acontece mais entre casais de menores (dois adolescentes, que escondem o ato por terem ciência de que estão fazendo algo errado) e porque taxas de gravidez são menores em locais com menores idades de consentimento (a menor idade de consentimento no Japão é treze e esse é o país com a menor taxa de gravidez adolescente no mundo). No entanto, se o relacionamento for entre adulto e menor, desde que o adulto seja equilibrado, o risco de transmissão de HIV, por exemplo, é menor, uma vez que pelo menos uma das partes sabe o que está fazendo. Ver Childhood Sexual Experiences And Adult Health Sequelae Among Gay And Bisexual Men: Defining Childhood Sexual Abuse.

Sobre a declaração de que abuso sexual infantil é uma epidemia mundial.

A Organização Mundial de Saúde declarou que abuso sexual infantil é uma epidemia mundial que afeta uma em cada quatro meninas e um em cada seis meninos. Isso dá duas em cada dez crianças, se fizermos cálculos grosseiros, o que, por sua vez, significa vinte por cento das crianças do mundo inteiro. Mas se cremos que abuso sempre é ruim (do contrário, não seria chamado abuso) e cremos que esse dano é de longa duração, além de profundo, essa informação parece surreal. Com que frequência você lida com crianças traumatizadas? O que a OMS quis dizer com um dado tão escandaloso? Se ela chama de abuso qualquer experiência, mesmo positiva e voluntária, entre menores cuja idade é muito diferente ou entre adulto e menor, então faz sentido. Muitos de nós nos lembramos de jogos sexuais que tivemos na infância. É preciso também atentar para o que ela chama de “sexo”. Porventura ela chama de “sexo” apenas relações como o coito consumado ou também toques, tapas no traseiro, carícias íntimas, flashing, admiração mútua da nudez ou brincar de médico? É verdade, muitos de nós fizemos isso tudo na infância, algumas dessas coisas até mesmo em casa, com nossos pais. E o que ela chama de “criança”? A criança tem menos de doze anos, como diz nosso Estatuto da Criança e do Adolescente, ou ela chama de criança qualquer pessoa que não tenha dezoito anos completos? Se considerarmos todas essas informações, o dado de que o “abuso” sexual infantil ocorre frequentemente perde totalmente sua importância e torna-se ridículo o uso do termo “epidemia”. É preciso saber o que a OMS chama de abuso, o que ela considera como sexual e o quão jovem alguém precisa ser pra merecer ser chamado de “infantil”. Ver Childhood Sexual Experiences: Problems and Issues in Studying Long-Range Effects.

Sobre a prevalência de experiências negativas.

O texto da Hikari chama experiências sexuais negativas de “minoritárias”. Até que ponto isso é verdade? Em 1998, saiu o Relatório Rind, que conclui que, na população universitária, realmente o número de experiências sexuais negativas na infância é de menos de 40% e maior parte dos que não gostaram da experiência não sofriam por causa dela na vida adulta, indicando que trauma, se entendemos trauma como dano psicológico permanente, é uma ocorrência rara. Em 2011, um grupo de pesquisadores fez um estudo em Campinas sobre meninos que se relacionaram com homens adultos e concluiu que apenas 29% dos entrevistados se sentiam abusados pelo parceiro mais velho. Importante ressaltar que esse estudo (Recalled Sexual Experiences in Childhood with Older Partners: A Study of Brazilian Men Who Have Sex with Men and Male-to-Female Transgender Persons) não entrevistou crianças, mas adultos, que relataram suas experiências infantis. No entanto, um estudo que saiu em fevereiro de 2018 (Finnish Child Victim Survey), com crianças de doze anos, revela que a maioria das crianças que teve relações ilegais gostou do contato sexual que tiveram (com um adulto ou menor cinco anos mais velho), mas a maioria não denunciou o contato porque não consideraram isso importante, ou seja, o ato foi de pouca significância. A razão de pensarmos que contato sexual entre adulto e menor ou entre dois menores sempre posa problema é o fato de que a mídia não mostra todas essas relações, mas somente as que são de interesse público. Como você tem que saber quem realmente é perigoso a fim de se defender, é claro que a mídia só mostrará casos realmente graves, calando sobre os de menor importância (os positivos), o que dá a sensação de que essas relações são sempre ruins. É o mesmo problema com menores de idade que cometem crimes. O clamor popular para reduzir a maioridade penal vem do fato de a mídia mostrar constantemente casos de menores de dezesseis anos que cometem crimes, mas sabe-se que essa é uma ocorrência estatísticamente insignificante. Porém, a sensação que temos é de que ocorre muito mais do que realmente acontece. Ver A Meta-Analytic Examination of Assumed Properties of Child Sexual Abuse Using College Samples.

Sobre a pedofilia.

Ver Paedophilia: the Radical Case.

Sobre o envolvimento da comunidade.

O texto de Hikari não diz, em ponto algum, diz que crianças devem dizer “sim” a qualquer contato sexual, especialmente com um adulto, mas que a atmosfera de segredo, causada pela ilegalidade, aliena a comunidade do menor. Ela invoca Rivas pra sustentar seu ponto. Rivas argumenta que, mesmo que essas relações fossem legais no futuro, o ideal seria que elas só fossem legais com a permissão dos pais, além da vontade do menor em participar dela. Um relacionamento inofensivo, voluntário, desejado pelo menor e aprovado pelos pais não precisa ser proibido. Ver Positive Memories: Cases of Positive Memories of Erotic and Platonic Relationships and Contacts of Children With Adults as Seen From The Perspective of The Former Minor.

28 de setembro de 2017

Presente de aniversário.

An English version of the following text can be found after the Portuguese version.

Hoje eu faço, oficialmente, vinte e cinco anos. Recebi um e-mail da Câmara dos Deputados. No Brasil, há duas formas de um indivíduo sugerir uma lei: pelo site do Senado e pelo site da Câmara. Então, depois que eu escrevi meu texto Estupro de Vulnerável, que expõe todos os problemas do artigo 217-A do Código Penal, eu resolvi levar as coisas ao modo Justin Bailey e enviei minha ideia à Câmara. Lá, ela seria enviada a alguém que tivesse saco pra ler. Isso foi em julho. Hoje, alguém com saco recebeu minha mensagem e ela será lida. Basicamente, eu proponho o retorno aos tempos anteriores a 2009, quando uma relação com um menor de idade só seria criminosa se o menor fosse forçado, prejudicado ou se os pais não concordassem com a relação. Assim, uma relação inofensiva e aprovada por todas as partes (pais, menor e interessado) não precisaria ser punida. Ela nem seria considerada “pedofilia”, apesar de ser, clinicamente, se um dos participantes fosse adulto. Vale lembrar que nem todas as relações entre adulto e menor resultam em prejuízo, com algumas sendo benéficas. Essas que são “benéficas” o povo não vê como pedofilia, porque têm para si que pedofilia é sinônimo de estupro de menor, o que não é verdade.

Em julho também, resolvi continuar com meu plano e fiz a mesma coisa no site do Senado. Deixa eu explicar: o site do Senado permite que façamos leis e as enviemos pra consulta pública. Se a nossa ideia tiver vinte mil apoios, ela será enviada à Comissão de Direitos Humanos e, se ela receber um bom parecer, será debatida na Câmara e no Senado. Depois disso, tive ainda a audácia de contactar todos os partidos políticos atualmente existentes no Brasil e sugerir pra eles as mudanças que meu texto propõe. Só um me retornou: o Partido Novo (acho esse nome péssimo, por falar nisso, é como nomear um diretório de “Nova Pasta”).

Caso você esteja se perguntando como eu pretendo reduzir os casos de gravidez na adolescência dessa forma, saiba que eu trato desse problema no meu texto, bem como outros, inclusive sexualidade infantil, aulas de educação sexual e outros, comparando o Brasil com países mais permissivos e que têm taxas menores de gravidez adolescente, como o Japão, onde a idade de consentimento é treze anos e só quatro em cada mil mulheres engravida antes dos dezenove, sugerindo que o problema da gravidez adolescente não é legal, mas educacional. Encaremos os fatos: menores terão relações entre si ou com mais velhos queiramos ou não, então é bom que estejam pelo menos informados e que os pais tenham o direito de permitir ou proibir, como tinham antes.

Fico feliz por meu texto ter sido encaminhado pra… alguém que esqueci o nome. “Alguma Coisa Forte”, talvez “Rodrigo Forte”, sei lá. O fato é que a lei anterior era superior, em termos de proporção penal e liberdade. Então, foi um bom presente de aniversário. Temos que procurar caminhos possíveis para luta.

English version below.

Today, I officially turn 25. I received an e-mail from the Lower House today. In Brazil, there are two ways for someone to suggest a law: Senate site and Lower House site. So, after I wrote Statutory Rape (a heads-up: I edited the text and added more stuff after Apertado translated it, meaning that the English version is technically incomplete), a text that exposes all problems of the article 217-A in the Penal Code, I decided to take things to Justin Bailey mode and sent my idea to the Lower House. There, it would be sent to someone who had patience to read. That was in July. Today, someone with patience received my message and it will be read. Basically, I propose a return to how things were before 2009, back when a relationship with a minor would only be criminal if the minor was forced, harmed or if the parents didn’t agree with it. That way, a harmless relationship that is approved by all parties (parents, minor and interested) wouldn’t need to be punished. It wouldn’t even be considered “pedophilia”, despite being clinically so, if the interested party is an adult. That’s because laymen think that positive relationships with minors aren’t pedophilia, because, for most people, pedophilia is just child rape, which isn’t true.

Also in July, I decided to do the same thing in Senate site. Let me explain: the Senate site allows us to write law ideas and turn them into petitions. If a petition reaches twenty thousand supports, it will be sent to the Human Rights Commission. There, if it receives a good review, it will be sent for debate in Congress. After that, I had the audacity to contact all political parties currently in existence in Brazil in order to suggest the changes proposed by my text. Only one got back at me: the New Party (I think that name is awful, by the way, it’s like naming a directory as “New Folder”).

If you are wondering how would it reduce the cases of teenage pregnancy, I address those problems in my text, as well as other problems such as child sexuality, sexual education lessons and others, comparing Brazil to more permissive countries that have lower teen pregnancy rates, such as Japan, where age of consent is 13 and only 4 in 1000 women become pregnant before age 19, suggesting that teenage pregnancy isn’t a legal, but educational problem. Let’s face the facts: minors will build relationships with each other wether we want it or not, so it would be nice for them to be at least informed on it and that the parents have the right to allow or forbid like they had before.

I’m thankful for my text being sent to… someone whose name I forgot. “Something Forte”, maybe “Rodrigo Forte”, not sure. Fact is that the previous law was superior in terms of penalty proportion and freedom. I guess it was a nice birthday gift. We gotta exploit available channels and fight.

1 de outubro de 2015

Atração por menores.

“Pessoas atraídas por menores” é um termo que refere-se a adultos que são atraídos por crianças ou adolescentes e também se refere a adolescentes que são atraídos por crianças. O conceito se sobrepõe a outros, como pedofilia e hebefilia. No entanto, esta categoria é relativamente nova e a maioria das pessoas não vê a diferença entre a atração por menores e a pedofilia, a qual é, em si, carregada de grandes quantidades de estigma. Por causa disso, a autoestima das pessoas atraídas por menores é severamente danificada, elas se escondem e desenvolvem ódio de si mesmas. Mas é importante que a pessoa atraída por menores entenda que ela não é uma ameaça para menores, que sua atração é aceita em outras culturas e que, colocando as coisas assim, a atração por menores não é uma doença por si só, mas é tornada tal pela sociedade. Isso deve ajudar as pessoas atraídas por menores a aceitarem-se de todo o coração, a ver os fenômenos culturais como passivas de mudança, a melhorar a compreensão de si mesmos e encaminhá-las a alguém que as ajude, se necessário.

Introdução.

Tente procurar a palavra “pedofilia” on-line agora mesmo. O que você provavelmente verá é uma série de artigos de notícias sobre casos de estupro infantil, molestamento ou coisa pior. No entanto, para um grupo de pessoas, essa é uma imagem muito reducionista. Estou falando de pessoas atraídas por menores. Essas pessoas reconhecem que têm sentimentos por menores, por isso estão em posição de julgar o que os outros dizem sobre elas. E para muitas pessoas atraídas por menores, as notícias não refletem quem elas realmente são.

O fenômeno da atração por menores é muito diverso para ser adequadamente descrito pelos meios de comunicação. Há pessoas atraídas por menores que são pedófilas, mas também há nepiófilas (atraídos por bebês) e hebéfilas (atraídos por pubescentes). Há pessoas atraídas por menores que sentem que a atração delas, apesar de ser ilegal, não precisa ser ilegal, mas outras preferem que as coisas continuem como estão. E o mais interessante é que há menores que são atraídos por menores mais novos, sem mencionar os menores que são atraídos por colegas da mesma idade.

O problema é que os meios de comunicação, ao espalhar a desinformação, fazem com que muitas pessoas atraídas por menores se sintam isoladas ou desesperadas. Eles não se veem nos monstros retratados nas notícias. Então, se você é obediente à lei e se sente atraído por menores, você pode pensar que é um de poucos ou que você logo infringirá a lei. Isso causa sentimentos de desespero. No entanto, esse desespero é baseado em uma falsa suposição: que todas as pessoas atraídas por menores são criminosos ativos ou potenciais.

Dito isto, procurar informações sobre a atração por menores em geral e a pedofilia em particular pode ser uma atividade muito dolorosa e infrutífera. O objetivo deste texto é fornecer informações precisas sobre a atração por menores para as pessoas atraídas por menores, a fim de fazê-las se sentir mais à vontade, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade de se manter obediente às leis. A primeira seção tenta definir atração por menores, a segunda tenta explicar a diferença entre pensamentos e ações. Espero que, depois de ler isto, você consiga dormir bem. Porque o texto tem pessoas atraídas por menores como audiência, vou escrever em segunda pessoa.

Antes de prosseguir, eu preciso declarar que este guia não vai te ensinar a quebrar a lei: não há informação sobre aliciamento, compartilhamento de pornografia infantil, nada disso. Se você chegou a esta página esperando algo assim, temo que você fique desapontado. O texto é introdutório e, apesar de sua forma acadêmica, não deve ser visto como um relatório científico. Por favor, verifique as referências para mais informações.

Atração por menores.

Ser atraído por menores é ter uma ligação erótica com pessoas que ainda não são adultas. Porque “menor” é um termo cultural, não biológico, como “criança”, não há idade universal para alguém ser chamado de “menor”, ​​embora, na maioria das sociedades ocidentais, você seja um adulto apenas aos 18 anos de idade. Atração por bebês é chamada de nefiofilia, a atração por crianças pré-púberes é chamada de pedofilia, a atração por crianças e adolescentes púberes é chamada de hebefilia, a atração por adolescentes pós-pubescentes é chamada de efebofilia. É importante ressaltar que esses termos implicam uma atração preferencial: se você se sentiu sexualmente atraído por uma criança uma vez, mas foi uma ocorrência única ou se seu desejo por adultos é maior, você não é um pedófilo. Destes, apenas a pedofilia (e, por extensão, a nefiofilia) é considerada um transtorno mental, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, mas somente se o pedófilo estiver profundamente angustiado pelos sentimentos que tem ou se ele agiu de acordo com o impulso. Dito isto, um pedófilo não é necessariamente doente mental, dependendo de quão bem o pedófilo lida com seus sentimentos. A razão pela qual a hebefilia e a efebofilia não são consideradas doenças, mesmo quando o sujeito se relaciona com adolescentes, é porque essas atrações são muito comuns para serem consideradas como anormais. Além disso, a classificação da hebefilia como transtorno mental teria efeitos indesejáveis ​​no campo forense ( Frances & First, 2011 ), o que poderia explicar por que a idade de consentimento ao redor do mundo pode ser tão baixa, como 12, em alguns países.

Enquanto pessoas atraídas por menores diferem em “idades de atração”, elas também diferem de acordo com posição política. A idade de consentimento é uma lei. Posicionar-se como favorável ou contra uma lei é uma posição política. Há pedófilos que são favoráveis ​​à reforma da idade de consentimento e há aqueles que não são. As pessoas atraídas por menores que são favoráveis ​​a baixar ou abolir a idade de consentimento são frequentemente chamadas de “pró-contato” ou “pró-consentimento”. Aqueles que são favoráveis ​​a deixar a idade de consentimento como está ou aumentá-la são frequentemente chamados de “anti-contato”. Esses rótulos não são indicativos de ficha criminal: uma pessoa pode ser pró-contato e obediente à lei. O sujeito obediente à lei é muitas vezes chamado de “não-ofensivo”. Nenhum dos rótulos implica uma posição sobre a pornografia infantil: há pessoas atraídas por menores que, mesmo sendo pró-contato, não querem a legalização da pornografia infantil, enquanto alguns anti-contatos podem querer a legalização de pornografia infantil de desenho, sendo contra a legalização de pornografia infantil com crianças reais.

Poder-se-ia perguntar por que você, por exemplo, adotaria uma posição particular sobre a idade do consentimento. Enquanto aqueles que são pró-contato argumentam que algumas relações entre adulto e criança, sexuais ou não, poderiam ser inofensivas ou mesmo benéficas, de uma forma que seria mais justo se essas relações fossem julgadas caso a caso (ver citação de “Trevor”, em Rivas, 2016 , página 92), aqueles que são anti-contato argumentam que o dano ainda acontece e que pode ser devastador ou que, mesmo que essas relações possam ser inofensivas e positivamente lembradas, elas ainda são imorais, porquanto o consentimento dado pela criança sempre pode ser questionado. O mero fato de que tal debate exista em comunidades atraídas por menores deve servir para dissipar o preconceito de que as pessoas sexualmente atraídas por menores são sempre antiéticas. Porque a sexualidade inclui vários elementos interpessoais e uma dinâmica entre a pessoa que deseja e a pessoa desejada, algo que é observado até mesmo em adolescentes (se houver adolescentes atraídos por menores, então o que é dito sobre o desejo adolescente em Drury & Bukowsky, 2013, página 128 e 129 também se aplica aqui), então é seguro dizer que a atração sexual é uma característica de uma resposta erótica mais ampla que inclui sentimentos de amor (para uma conta pessoal de um pedófilo, ver O’Carroll, 1980, capítulo 1). É improvável que você defenda qualquer das duas posições, desconsiderando a segurança e os sentimentos das crianças.

É importante notar também que as pessoas atraídas por menores nem sempre são adultas: de acordo com uma das pesquisas da B4U-ACT, a maioria das pessoas atraídas por menores sente sua primeira atração por uma criança menor aos 12 anos e percebe que tal atração é preferencial aos 14 anos. Isso significa que há adolescentes que são atraídos por crianças, por exemplo. Como uma pessoa que odeia pessoas atraídas por menores em consequência de seu desejo de proteger as crianças responde a isso? Proteger as crianças implica também proteger as crianças atraídas por menores. Então, odiar pessoas atraídas por menores em geral não é algo que possa ser conciliado com o desejo de proteger as crianças em geral.

Causas.

As causas da atração por menores não são claras. Ela parece ser notada pela primeira vez na adolescência e é resistente a mudanças. Considerando que até mesmo as pessoas com menos de 12 anos são seres sexuais e que têm brincadeiras sexuais entre si (para exemplos de atividade sexual na infância, ver Campbell et al, 2013 , páginas 154 a 157), pode-se pensar que o problema da atração por menores reside no fato de que a pessoa, quando cresce, continua a ser atraída por crianças, mas nem sempre é assim: algumas pessoas percebem que são preferencialmente atraídas por crianças também na idade adulta. O traço, no entanto, parece ser inerente. Não há como “se tornar” uma pessoa atraída por menor: você é ou não é. No entanto, pode-se falar de “descoberta”. Você se descobre como uma pessoa atraída por menores, mas não se pode dizer que um evento específico “desencadeou” a atração.

Por um tempo, pensou-se que ter contatos sexuais com um adulto faria com que a criança crescesse como pedófila. Essa linha de pensamento é chamada de “teoria do ciclo do abuso” e está sendo contestada atualmente. Parece não haver um vínculo necessário entre ter contatos sexuais na infância e crescer atraído por crianças, especialmente se esse contato for considerado negativo.

A única coisa que pode ser dita é que a atração por menores em geral e pedofilia em particular não são escolhas, com um punhado de pesquisadores afirmando que a pedofilia poderia ser uma orientação sexual. Se a atração por menores for uma orientação sexual, uma analogia com a homossexualidade é possível: nada pode te “tornar gay”, ou você é gay ou não é. Mas você pode dizer que “se descobre gay”. Embora isso não garanta que o sexo entre adultos e crianças deva ser legal, isso significa que, se os pedófilos não escolherem sua condição e a mudança dessa condição não for possível, odiá-los só por isso é injusto. Você não é responsável pelos sentimentos que tem, mas apenas por suas ações.

Características.

Pessoas atraídas por menores percebem sua primeira atração por volta dos 12 anos de idade. Ao contrário da crença popular, não é um fenômeno exclusivamente masculino: mulheres e meninas também podem ser atraídas por pessoas muito mais jovens do que elas. Os sentimentos que eles têm vêm em três níveis: carinhoso, romântico e sexual. No primeiro nível, você pode ter o desejo de cuidar dos jovens, oferecer orientação (ver artigo encontrado no New York Post, 2007, citado em Rivas, 2016 , páginas 113 a 115), proteger e estar disponível para as suas necessidades. Isso ajudaria a explicar por que tantos escândalos sexuais envolvem pessoas em posições de orientação, como padres ou professores. No segundo nível, o desejo é ter expressão emocional ( Rivas, 2016 , página 264). No terceiro nível, os desejos são voltados para o que poderíamos chamar de “molestamento”, em termos legais: tocar, acariciar, atos libidinosos que são mais frequentemente centrados na criança (ver citação de D. J. West, em O’Carroll, 1980, capítulo 3). Tem sido apontado na literatura que, pelo menos quando se trata de pedófilos (não incluindo hebéfilos ou efebófilos), a penetração é uma característica rara do contato sexual com crianças. Considerando que esses sentimentos sexuais podem coexistir com sentimentos amorosos, parece natural que os pedófilos, como pessoas atraídas por crianças pré-púberes, evitem a conjunção carnal, pois esta seria ao mesmo tempo dolorosa e provavelmente degradante para a criança (ver O’Carroll, 1980, capítulo 6, onde ele explica por que deveria haver uma idade de consentimento para certos atos de penetração). É improvável que uma criança imatura gostasse de penetração: perder a virgindade pode ser uma experiência dolorosa para meninas mais velhas e até mulheres, quanto mais para uma criança pequena. Uma criança nunca deve ser submetida a qualquer coisa além do seu nível de maturidade.

No entanto, como está implícito nos dois primeiros níveis de atração (carinho e romance), você provavelmente não sentiria gratificação se a criança ou adolescente não estivesse disposto a participar. Os leigos poderiam então perguntar “e os casos de estupro infantil que vemos na televisão?” Sabe-se agora que a maioria das pessoas presas por sexo com menores não preenche os critérios diagnósticos para a pedofilia. Em termos leigos, isso significa que a maioria das pessoas que são processadas por sexo com crianças não são pedófilos em primeiro lugar. Há várias razões para uma pessoa ter relações sexuais com menores e a pedofilia é apenas uma delas. A pessoa pode fazer sexo com um menor por experimentação, vingança, desejo de causar dor, intoxicação, desordem mental ou, em casos extremos raros, por ser forçado por um menor mais forte. Se apenas uma minoria dessas pessoas na televisão são pedófilos de verdade, os leigos devem estar mais preocupados com pessoas “normais” que poderiam abusar de seus filhos. Se um abusador realmente pode ser “qualquer um”, sabe-se agora que raramente é um pedófilo.

Finalmente, considerando o impacto social dessas relações e os sentimentos amorosos e românticos que coexistem com os sentimentos sexuais, não é surpresa que muitas pessoas atraídas por menores optem por permanecer celibatárias em relação a crianças e adolescentes (o exemplo clássico é a relação entre Alice Liddell e Lewis Carroll, como visto em Rivas, 2016 , páginas 247 e 248). De fato, mesmo entre aqueles que adotam uma visão pró-contato, ter um relacionamento sexual com um menor é visto como antiético, já que pode expor tanto o adulto quanto o menor às tribulações da intervenção social. Assim, os pedófilos que têm sentimentos sinceros de amor pelas crianças devem permanecer celibatários, mesmo que se julguem inofensivos, pelo menos até que o clima se torne mais receptivo a essas relações ( Rivas, 2016, página 271).

Existe um tratamento ou cura?

Quer a atração por menores seja uma orientação sexual ou um distúrbio, ela é resistente a mudanças. Sabemos que a terapia de aversão, antes usada como uma tentativa de transformar a atração homossexual em heterossexual, não funciona. De fato, a terapia de aversão já foi chamada de punição, do tipo cruel e incomum, por Leinwand. Essa punição ainda é aplicada a pessoas com atrações sexuais problemáticas. As técnicas de terapia de aversão incluem choque elétrico, indução de vômito, zumbidos de alta frequência e outros estímulos desagradáveis, enquanto, ao mesmo tempo, também é dado àquela pessoa algo que as excita sexualmente (veja notas em O’Carroll, 1980 , capítulo 4).

Se a atração por menores não puder ser modificada, o melhor que podemos fazer no clima atual é ajudar as pessoas atraídas por menores a permanecerem cumpridoras da lei enquanto melhoramos sua qualidade de vida. Quando você está isolado ou tem a sensação de “não ter mais nada a perder”, você está mais propenso a quebrar a lei. Isso significa que isolar as pessoas atraídas por menores da sociedade não é útil para os objetivos da sociedade, nem para seus objetivos de permanecer na lei. Com isso em mente, o grupo terapêutico B4U-ACT não defende o tratamento que visa “curá-lo”, especialmente porque o B4U-ACT não vê atração por menores como uma doença. Os terapeutas que trabalham com o B4U-ACT devem se dedicar ao tratamento humano, com foco no seu bem-estar, o que diminui as chances de quebra da lei.

Sentimentos e ações.

Sentir atração por menores é diferente de agir segundo tal atração. Para fazer uma analogia, várias pessoas têm vontade de fazer coisas ilegais: assassinar ou espancar uma pessoa que não gosta, experimentar drogas ilícitas ou jogar jogos ilícitos. No entanto, ter esses sentimentos não garante que uma pessoa agiria de acordo com esses impulsos. Mas as pessoas têm direito às suas fantasias. O mesmo vale para você.

No Japão, a pornografia infantil desenhada, sob a forma de mangá lolicon / shotacon, é tolerada. Mas a disponibilidade de tal pornografia (como acontece com qualquer pornografia) não parece aumentar as taxas de abuso sexual infantil no Japão (Diamond & Uchiyama, 1999, página 10). Segundo o International Business Times, ambos os Estados Unidos e o Reino Unido, dois territórios que investem muito na luta contra a pedofilia, aparecem na lista dos cinco países com maiores índices de abuso sexual infantil. É importante lembrar que a informação vem de uma agência de notícias e que a definição de “criança” no artigo não é fornecida. Mas vamos supor que a lista esteja correta. Se for, como podemos explicar tal fato?

Em um estudo sobre a presença de pornografia e sua correlação com as taxas de crimes sexuais, descobriu-se que a República Tcheca tinha menores taxas de abuso sexual infantil depois de legalizar a posse de pornografia infantil (Diamond et al, 2011, página 1039). Embora isso não garanta que a pornografia infantil deva ser legal, isso pode significar que a presença de pornografia infantil torna os pedófilos, em particular, menos propensos a procurar encontros com crianças reais. Isso poderia ajudar a explicar por que as taxas de abuso sexual infantil são baixas no Japão, mas altas nos Estados Unidos: o Japão permite que os pedófilos tenham uma saída para seus sentimentos, dando-lhes uma descarga segura. Desde que tal saída seja mangá, crianças reais não precisam participar da produção. Por isso, há algumas pesquisas sobre pornografia infantil de realidade virtual, que serviria ao mesmo propósito. Embora as evidências mostrando que a pornografia infantil faz com que os pedófilos fiquem menos propensos a se relacionar com crianças sejam inconclusivas, vale a pena investigar cientificamente até que ponto a pornografia que não envolve crianças reais, como o mangá ou a realidade virtual, é capaz de imitar esse efeito. Portanto, se você for contra qualquer modificação nas leis de idade de consentimento, essa possibilidade é algo que você deve considerar.

Mesmo que nenhuma saída seja dada, ninguém pode tirar seu direito de fantasiar. Não é possível tornar pensamentos e sentimentos ilegais. Enquanto você tiver uma maneira de ter alívio sexual legal, a propensão para quebrar a lei será menor. Além disso, existem outras formas de expressão que não são sexualmente explícitas. Por exemplo, um romance sobre esse tema foi publicado em 2018. Não foi o primeiro livro de seu tipo e provavelmente não será o último. Outro exemplo seria o filme I Love You, Daddy, lançado em 2017. A existência de obras de ficção legais com tais temas mostra que a sublimação do desejo através do trabalho artístico também é possível e também pode ser feita de forma aceitável, legal e até mesmo lucrativa. É importante notar também que tais obras podem muito bem terem sido escritas feitas por pessoas que não são atraídas por menores de idade.

Idade de consentimento e cultura.

A volatilidade das leis as torna inadequadas para definir o que é doentio e o que não é, mesmo que elas possam ditar o que é socialmente aceitável e o que não é. Essa é uma questão importante a ser considerada para o bem-estar das pessoas atraídas por menores, porque parte da vergonha que sentem sobre seus sentimentos vem do fato de que muitas formas de atração por menores são ilegais em determinado território.

A idade do consentimento varia de acordo com as culturas, ou seja, de acordo com tempo e local. As primeiras idades de consentimento eram muito baixas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a idade de consentimento costumava ser 7 em Delaware. Movimentos sociais, especialmente o feminismo (ver, por exemplo, Sandfort, 1987 , capítulo 1), desempenharam um papel na mudança dessa imagem. Mas até hoje, as idades de consentimento podem ser muito baixas em outros lugares: a menor idade de consentimento no Japão é 13, a idade de consentimento no Brasil é 14 em todo o país e é 12 nas Filipinas. O caso do Brasil é especialmente interessante porque a idade de consentimento no Brasil era de 16 anos em 1920, atualmente é de 14 anos e havia uma proposta para diminuir para 12, seguindo, entre outras coisas, a descoberta de que a idade de consentimento estava interferindo nos romances adolescentes. Assim, dos países que acabei de mencionar, o Brasil mostra uma tendência a diminuir sua idade de consentimento com o passar do tempo. Há também países sem idade de consentimento, mas que têm limites mínimos de idade para o casamento, os quais também podem ser bem baixos. Esses países frequentemente impõem restrições à atividade sexual para mantê-la dentro do casamento. Então, em alguns países, se você é casado, a disparidade de idade não importa. Por último, em culturas isoladas indígenas, tal lei também pode estar ausente (para vários exemplos de tais tribos, ver O’Carroll, 1980, capítulo 2). Por fim, existem iniciativas contra o próprio conceito de idade de consentimento, como o programa partidário do Partido Comunista da Grã-Bretanha (CPGB-PCC), que lista, como uma de suas demandas imediatas, a abolição das leis de idade de consentimento e a elaboração de legislação alternativa contra o abuso sexual infantil. Por outro lado, um movimento mundial para aumentar a idade de consentimento em todo o globo não poderia ser feito sem encontrar muita resistência cultural, especialmente no Oriente. Esse movimento levaria décadas para ter sucesso.

Isso significa que ter casos românticos ou sexuais com menores nem sempre é ilegal, dependendo do contexto cultural (isto é, das leis locais e do período histórico). Se você tivesse nascido no lugar certo, na hora certa, sua atração seria tolerada, aceita ou mesmo valorizada. Não é que você seja doente; você apenas nasceu na cultura errada. Embora isso seja um fato e embora a idade de consentimento seja uma lei volátil, essas informações sozinhas não devem ser vistas como uma incitação para violar a lei, nem como um incentivo para se relacionar com crianças. Tal volatilidade foi exaustivamente apontada em outros trabalhos (veja as referências para alguns).

Considerando isso, pode-se perguntar por que a idade de consentimento no Reino Unido e nos Estados Unidos, por exemplo, é tão alta. Um dos argumentos para manter uma alta idade de consentimento é que as crianças amadurecem em ritmos diferentes: um adolescente de 15 anos poderia se comportar como se tivesse 12 anos, apesar de outra pessoa de 15 anos ser capaz de se comportar como se tivesse 18 anos. Assim, definir uma idade de consentimento alta pode garantir que nenhuma criança ou adolescente subdesenvolvido consinta com algo que eles, na verdade, não entendem.

Estatísticas e anedotas.

Porém, idades mais baixas de consentimento implicam que relacionamentos em uma certa idade podem não ser violentos. Isso leva à pergunta sobre se o contato sexual antes da idade do consentimento é sempre prejudicial ou não. As relações entre adultos e crianças podem funcionar? A evidência estatística e anedótica mostra que as relações intergeracionais não são consistentemente prejudiciais. Se o contato sexual precoce fosse sempre prejudicial, a idade do consentimento variaria menos. Além disso, se esse fosse o caso, a idade de consentimento seria uma lei muito mais antiga, como as leis contra assassinato, violência, estupro e roubo.

A consideração sobre contatos sexuais precoces lembrados como positivos não seria incluída neste documento se não fosse registrado na literatura que o conhecimento de tal informação poderia melhorar sua autoestima. Mas uma discussão sobre a intimidade sexual entre adulto e criança não pode ser feita sem considerar as razões para a proibição.

Evidências não demonstram a crença de que a intimidade sexual entre adultos e crianças é sempre prejudicial. Alguns desses contatos são lembrados como positivos. Um dos livros usados ​​como referência para este texto é Positive Memories, de Rivas, que compila anedotas de contatos sexuais voluntários entre menores de 15 anos ou menos com adultos de 18 anos ou mais ( Rivas, 2016 , página 9). Essas anedotas foram extraídas de outros trabalhos, como biografias, artigos de notícias, artigos científicos e outros. As fontes podem ser encontradas na bibliografia do livro. Outras compilações estão disponíveis em outros lugares.

Alguns estudos que poderiam ser usados ​​para provar a existência de relações intergeracionais não violentas estão por aí. Alguns que eu posso mencionar são Arreola et al, 2008; Arreola et al, 2009; Bauserman & Rind, 1997; Carballo-Diéguez et al, 2011; Condy et al, 1987; Dolezal et al, 2014; Kilpatrick, 1987; Lahtinen et al, 2018; Leahy, 1996; Mulya, 2018; Rind, 2001; Rind, 2016; Rind & Tromovitch, 1997; Rind & Welter, 2013; Rind & Welter, 2016; Rind et al, 1998; Sandfort, 1984; Sandfort, 1987; Tindall, 1978; Ulrich et al, 2005-2006; Wet et al, 2018. Esses estudos oferecem evidências estatísticas e anedóticas de que o contato sexual entre adulto e criança pode ser inofensivo e voluntário (isto é, não violento). Você pode notar que alguns desses estudos são relativamente recentes, enquanto outros são antigos. Seria interessante verificá-los se você gostaria de ler mais sobre o assunto. Mas não é meu objetivo expor os dados que foram coletados por esses pesquisadores.

Também vale a pena mencionar que nenhum desses estudos assume uma posição pró-legalização definitiva. Por exemplo, Mulya, 2018, diz que anedotas de intimidade sexual positiva entre adulto e criança compiladas por ele não devem ser vistas como uma tentativa pessoal de tornar essas relações legalmente aceitáveis. Da mesma forma, o estudo de Lahtinen et al, 2018, apenas tenta explicar por que algumas crianças não denunciam contato sexual com adultos às autoridades quando tal contato acontece e uma das descobertas do estudo é que algumas crianças não relatam porque não veem o contato como algo que valha a pena mencionar, enquanto alguns não relatam porque gostaram da experiência. Mas o estudo não conclui que tais experiências devam ser legalizadas, mas sim que as crianças devem ser encorajadas a denunciar, independentemente de como avaliam a experiência. Dito isto, a mera exposição desses dados não deve ser vista como incentivo para violar a lei. Além disso, os dados científicos por si só não podem operar mudanças na lei e, se a ciência quiser ser imparcial, ela não deve se preocupar com o clima político ou com a lei, mas com os fatos.

Se as relações intergeracionais podem ser positivas, por que o contato sexual entre adulto e criança ainda é ilegal? A resposta depende do consentimento informado. A crença de que as crianças não podem consentir parece ser a única razão pela qual esses contatos ainda são considerados sempre abusivos (ver citação de Archard, em Jahnke et al, 2017, página 3). Mas o que significa “consentir” neste contexto, já que muitos desses contatos são considerados “voluntários” pela suposta vítima?

O consentimento informado é necessário quando o risco está presente: sempre que você está prestes a fazer algo perigoso, você precisa estar ciente das consequências de um ato e deve ser capaz de tomar uma decisão livre sobre correr o risco ou não (ver Lavin, 2013, página 5). O sexo é considerado arriscado, no sentido de potencialmente prejudicial. Se o sexo é potencialmente prejudicial, todos que se envolvem em práticas sexuais devem dar o consentimento informado, isto é, devem estar cientes das consequências e ser capazes de assumir uma postura livre ao assumir o risco ou não. O problema do contato sexual entre adulto e criança é que, enquanto alguns adultos não estão plenamente conscientes das consequências de seus atos e enquanto o desequilíbrio de poder é inerente às relações humanas, as crianças são ignorantes das consequências e estão em posição desfavorecida em relação a todo o resto da sociedade. O consentimento informado baseia-se em informações ou em dinâmicas de poder favoráveis ​​e nenhuma das duas coisas existe para a criança em tal relacionamento. E isso também explica por que a idade de consentimento varia de acordo com as culturas: diferentes países têm diferentes atitudes em relação ao sexo, juventude mais ou menos informada, extensão mais ampla ou mais estreita dos direitos das crianças, em diferentes contextos históricos. Então, quando alguém diz “as crianças não podem consentir”, o que elas estão dizendo, em termos funcionalistas, é:

  1. as crianças não são informadas o suficiente para dar um consentimento válido em relações sexuais inerentemente desiguais e;

  2. essa questão é importante porque o sexo é arriscado, isto é, potencialmente prejudicial.

Porque dar consentimento a um ato sem informação sobre as consequências é uma escolha nula e porque dar consentimento em uma situação onde você não pode realmente dizer “não” (pois um adulto perigoso poderia tentar forçar a criança se o consentimento for negado) também é um ato nulo, o consentimento da criança é nulo ou, pelo menos, não informado, portanto, juridicamente inválido (caso a criança tenha consentido, o que não significa que a lei relevará tal consentimento). Não importa se a criança disse sim: se o seu consentimento é nulo, o ato é equivalente ao estupro, mesmo que apenas em termos puramente legais (daí o termo “estupro” de vulnerável). Essa é a razão por trás do consentimento informado e a razão pela qual o contato sexual entre adulto e criança permanece ilegal. Mesmo que o ato seja genuinamente praticado livremente e mesmo que nenhum dano, mas apenas benefício, resulte do ato, ele ainda é imoral.

Para muitas coisas, pais e responsáveis ​​consentem no lugar de seus filhos (Lavin, 2013). Então, quando se trata de questões sexuais, mesmo que a idade de consentimento fosse abolida, isso não equivale à liberação plena da criança. A criança ainda seria cuidada e nutrida pelos pais, que seriam responsáveis ​​por ela e responsabilizados pelo dano que a criança poderia sofrer de qualquer coisa, sexual ou não. Por causa disso, muitos pais não aceitariam seus filhos se envolverem em tais aventuras, mesmo que a criança venha expressar seu desejo de participar.

Em qualquer caso, as crianças têm seu próprio ritmo de amadurecimento e cada criança se desenvolve de maneira diferente. Crianças deveriam aprender sobre sua sexualidade à sua maneira. Essa é uma situação muito complicada, porque a introdução de elementos adultos em uma sexualidade que ainda está em desenvolvimento poderia prejudicar tal desenvolvimento, o que poderia resultar em frustração para a criança, talvez não imediatamente, mas depois que ela cresce. Ainda teríamos que considerar a possibilidade de adultos egoístas enganarem ou manipularem a criança ou, de alguma forma, tentarem fazer com que seu interesse prevaleça sobre o interesse da criança. Se isso é uma possibilidade, a legalização continua sendo arriscada. Tenho certeza de que você pode ser uma pessoa amorosa, mas outros podem não ser muito. E finalmente, uma criança e um adulto em uma relação sexual poderiam estar procurando por coisas diferentes: o adulto poderia estar procurando por intimidade física e apegos emocionais, enquanto a criança seria motivada pela curiosidade e prazer. Se as motivações forem diferentes, o relacionamento pode não ser satisfatório para ambos.

Além disso, mesmo que exista um contato sexual positivo entre adulto e criança e mesmo que evidências anedóticas mostrem que há menores desejando tais encontros, o ato, quando descoberto, causará danos a ambas as partes do relacionamento, devido ao processo judicial e possível terapia posterior. Reitero que agir segundo esses desejos em um contexto cultural que desaprova tal conduta é uma demonstração de irresponsabilidade. As pessoas atraídas por menores pró-contato estão interessadas em mudar as leis (ver Sandfort, 1987, capítulo 3 para um exemplo de tentativa de reforma da idade de consentimento na Holanda), mas não devem estar interessadas em violar as leis, não apenas por causa de sua própria segurança, mas também por causa de como a criança poderia responder à intervenção (para uma anedota sobre como a intervenção social sozinha pode prejudicar tanto o adulto quanto a criança, ver Rivas, 2016, páginas 27 a 32)

Conclusão.

Se você não necessariamente cometerá nenhum crime, se a maioria das pessoas que cometem crimes sexuais contra crianças não são pedófilos e se tais atrações foram, são e poderiam ser aceitáveis ​​dependendo do contexto cultural, então você não tem motivos para se sentir mal. Se isso é tudo o que você precisava ouvir ou ler, você poderia deixar de lado a questão e parar de se preocupar com ela, pois é a carga social atribuída aos sentimentos, e não os sentimentos em si, que causam a vergonha e a culpa. Isso quer dizer que é a sociedade que faz você se sentir mal, não os sentimentos que estão presentes em você.

Se for esse o caso, você poderia se beneficiar de alguma companhia para, pelo menos, lidar com a sensação de isolamento. Existem comunidades legais on-line e fora da Internet nas quais as pessoas atraídas por menores podem confiar, trocar experiências e receber orientação de pessoas que compartilham a atração. Claro, você também é encorajado a evitar comunidades ilegais. B4U-ACT tem um grupo de mútuo apoio, por exemplo. Outras comunidades como Boychat / Girlchat, Virtuous Pedophiles e os grupos JORis da NVSH (este último na Holanda) também são opções. Destes, apenas o Virtuous Pedophiles têm exigências políticas de associação, já que a pessoa que se junta ao seu grupo também precisa ser contra a legalização. Devo lembrar ao leitor que o fato de alguém ser favorável a mudanças na lei não indica que a pessoa é criminosa. B4U-ACT, Boychat / Girlchat e os grupos JORis de NVSH não possuem essa exigência política. Como o B4U-ACT quer alcançar o maior número possível de pessoas atraídas por menores, faz sentido que ele não professe qualquer ponto de vista específico sobre a questão do contato: quando a Paedophile Information Exchange operou no Reino Unido, o ativismo pró-contato da organização fez com alguns membros se distanciassem do grupo ( O’Carroll, 1980, capítulo 11). Quando se trata de reforma da idade de consentimento, grupos de autoajuda e ativismo político são difíceis de conciliar, se não impossíveis. Dito isto, se um grupo de apoio para pessoas atraídas por menores quiser alcançar o maior número possível de pessoas, ele deve evitar qualquer posição definitiva sobre a idade de consentimento, o que encorajaria a participação de pessoas atraídas por menores não obstante seu posicionamento em relação às leis. Tal atitude também manteria a própria organização segura. Os grupos JORis e B4U-ACT também realizam reuniões fora da Internet de vez em quando, mas, enquanto os grupos JORis tentam ser um grupo de apoio onde as pessoas podem se apresentar e falar sobre suas lutas para receber apoio de pares, as reuniões presenciais da B4U-ACT são de natureza acadêmica e pesquisadores também participam. Enquanto as pessoas assistem às reuniões do B4U-ACT por conta própria, algumas pessoas são encaminhadas aos grupos JORis pelo sistema de justiça.

Não ver atração por menores como algo negativo e ter amigos que entendem tal atração e escutam você é crucial para o seu bem-estar, o que evita a temida mentalidade de “não ter nada a perder”, o que faria as pessoas atraídas por menores assumirem comportamentos desesperados, como o suicídio. Se as pessoas odeiam pessoas atraídas por menores porque acreditam que elas sempre quebram a lei e todos aqueles que quebram a lei são atraídos por menores, então não há razão para pessoas atraídas por menores, já que essa crença é comprovadamente errada. Não vale a pena odiar você. De fato, se você é obediente à lei, você pode se passar como pessoa perfeitamente “normal”. Muitos provavelmente são amigos de pelo menos uma pessoa como você.

Para dissipar os preconceitos que existem sobre as pessoas atraídas por menores, a melhor solução seria a participação social deles. É muito mais seguro “se assumir” online, em contas dedicadas, e muitos o fizeram no Facebook, Twitter, Youtube, WordPress, Tumblr, Medium e assim por diante. A liberdade de expressão é um direito humano e a liberdade de pensamento é algo que não pode ser tirado de você. Nenhuma petição pode mudar isso. Se você puder se assumir on-line, especialmente se souber separar sua identidade pública de uma identidade on-line, isso já será útil. O preconceito contra pessoas atraídas por menores só existe porque os outros podem dizer o que quiserem sobre uma minoria silenciosa. Quantas pessoas atraídas por menores estão por aí? O palpite mais baixo, de acordo com a página de fatos do B4U-ACT, é de 600.000 adultos, contando apenas os Estados Unidos. Quantos existem em outros países? Todas essas pessoas são más?

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15 de maio de 2015

Notes on “Paedophilia”.

Filed under: Livros — Tags:, — Yurinho @ 14:31

“Paedophilia: The Radical Case” was written by Tom O’Carroll. Below are some notes that I took about his book.

  1. There are few books on pedophilia, because professionals are scared of discussing it. It’s a taboo in our times. Excluding specialized literature, people either remember of it negatively or prefer to forget.
  2. Not even pedophiles themselves discuss pedophilia (at the time when the book was written).
  3. Because the debate is extremely poor, the author wrote the book to balance the majority negative view on the subject. He claims to be pedophile.
  4. The pedophile influence in popular movements exist. A number of people who are not pedophillic want age of consent abolishment, for diverse reasons. But the group that insisted most in that question was the pedophile movement in seventies and eighties. Their agenda made sense. It wasn’t a matter of obtaining “license to rape.”
  5. To speak positively about relationships between adults and minors is covered by the human right of freedom of speech. But politics seem to have selective memory.
  6. Pedophilia is a problem that is smaller than it seems. In fact, as a romantic or sexual attraction, it’s no problem at all.
  7. Some church groups, as well, in the eighties, were favorable to the softening of age of consent laws, arguing that the laws originally conceived to protect the youth are doing more harm than good.
  8. The pedophile author doesn’t want to destroy family.
  9. Child sexual repression makes the child grow as a sexually incompetent or irresponsible adult.
  10. The author’s goal isn’t to conduct scientific research or to offer new research results, but to offer a pedophile opinion on the subject of pedophilia. A debate about homosexuality or christianity that doesn’t include the homosexual or the christian can not be considered impartial, because it’s a discourse about someone that ignores said someone. I can’t see how a debate about pedophilia can be called “impartial” without the opinion of pedophiles themselves.
  11. The author is a boy lover.

  12. The author admits that there’s a problem in other boy lover publications: to write as if girls didn’t exist. A comprehensive approach on pedophilia requires one to take encounters involving girls in consideration as well.

  13. An approach like those would allow a better counter-argumentation when debating radical feminists, who treat pedophiles as exclusively male beings who exclusively desire girls. They use that “1/4 demographics” to generalize all pedophilia… and still manage to do it poorly.

  14. It seems like advanced societies, first world societies, have an aversion to sex in general. Not only the sex that is considered non-normative, such as homosexuality or pedophilia, but all forms of sex. It’s important to point that it’s a majorly western phenomenon: Japan is more chill.
  15. This book is a coletive effort between the author and psychologists, psyquiatrists, sociologists, philosophers, medics, lawyers, politicians and sexologists. So, like, if you have problems with age of consent laws, even without being a pedophile, you should read this…
  16. To find bibliography before Internet was invented was probably boring and complex…
  17. T. H. White was a pedophile. Apparently, exclusive…
  18. The pedophillic desire is, normally, innocuous. A fair number don’t even want penetration. They do not want to do anything forced or painful with the child. But society’s reaction to those feelings is what makes them risky. So, the number of positive relationships isn’t bigger just because there’s a number of well-meaning adults holding themselves back.
  19. Our friend feels attracted to children ever since he was a child himself. Sounds familiar.

  20. The most sexually active years in a person life may very well be the childhood and adolescence years.
  21. The pedophile finds out that they like younger people when their sexuality “stops growing up” with them. They get older and the target of their attraction continues to be people who didn’t hit puberty yet. The feelings aren’t exclusively sexual, but also protective and romantic.
  22. Children like physical contact. They are mammals, after all.
  23. There are children who want it, there are children who do not want it.
  24. At least in other nations, children are educated to not accept affection from any adult, except parents. And even the affection between parents had to be done away from the child, such as kisses and caressing between mother and father. That creates the sensation that affection is something restricted. That, allied to the limitation of sexual information, turns the child oblivious to the existence of sex or makes the child see sex as something wrong, dirty or forbidden. Maybe the child even thinks that the parents are virgin. For the child, that does make sense.
  25. The author’s childhood was só chaste that he would be terrified by the sight of his parents’ genitals. He should have lived here, in Northeast, because I saw my parents nude almost all the time, because the heat demanded us to not be very dressed, at least indoors. In fact, I used to shower with my dad. Was wild.
  26. For the pedophile, being a pedophile is being normal. That’s because it’s something that grows with them. The pedophile usually doesn’t ask “why”, once it’s a natural trait for him. It’d be like someone asking “why am I normal?”.
  27. An upbringing like the author’s upbringing is limited and causes problems in adult life.
  28. The child generalizes the experiences they had in childhood. “If was raised that way, other children probably were too.” The shock happens when the child notices that it’s not like that, when the prejudice is challenged. In the author’s case, he assumed that all children are scared of intimacy with adults. I imagine him being thrown in Northeast Brazil during the nineties. I would even share a room with him just to see his reaction upon seeing my father kiss my lips.
  29. Some parents instill fear and sexual guilt in the child, an attitude that is currently uncommon. There’s a lot of tykes using Whatsapp to ask for porn to other kids who do the same. The problem with that deviant behavior is that you need to be thirteen to have Whatsapp accounts.
  30. But other parents, such as mine, raise their children in a way that stimulates and quenches their sexual curiosity, allowing the child to take a more realistic take on life. I know it may sound strange, but my father was work safety technician and had a lot of magazines about sexually-transmitted diseases, pregnancy and contraception, written in comic format. At age 6, I read everything in sight and those comics were no exception. That didn’t make any more interested in having sex, but I know how to do it, why would I want to do it, what are the consequences and how to avoid such consequences. To learn about sex doesn’t necessarely makes the minor inclined to try it.

  31. An adult may hear a minor say “can I see under your pants?”, deny the minor and then tell to his friends “children aren’t interested in adult nudity.” To learn that children are innocent makes the adult disregard what he just heard when a child makes a definitely sexual request, even if the child doesn’t know it’s sexual.
  32. Anti-contacts should read this, it almost looks like the first chapter was written for them. There are children who want it and wouldn’t feel offended by being exposed to adult sexuality.
  33. Children do that to adults they trust.
  34. It’s the belief that children are innocent that makes pedophilia unacceptable. If it became clear that there are children who desire intimate contact with adults outside of family and that said children would benefit from such contact, there would be no reason for age of consent laws.
  35. The pedophile, in several senses, acts like a parent to the child, except that they feel aroused from acting as parent.
  36. It has no cure. If it has no cure, maybe it’s time to check if it’s really an illness.
  37. Many pedophiles pass as normal people with no problem at all. They aren’t the monsters described in media.
  38. They are normal relationships, if you ignore the age of the participants.
  39. Just like homosexuals refused treatment even when put to jail, pedophiles refuse treatment even when found out. That doesn’t mean that homosexuals are bad, but that pedophiles rarely are.
  40. To keep a loving person from loving is to twist their mind.
  41. Excluding the sexual element, pedophiles are good as teachers, doctors and even children rights advocates.
  42. The fear that society nurtures about pedophilia has no scientific base.
  43. A child in a positive relationship with an adult, upon learning that such relationship was supposed to be negative, becomes confused. That prejudice is also frequently associated to homophobia.
  44. Denied pedophiles may commit passionate crimes, just like denied adult-attracted adults.
  45. Stigma makes it worse.
  46. After the pedophile is excluded from society, what is there to lose? So, having a stable job and a desired role in society keeps pedophiles “in check”, for lack of better term. Unfortunately, that keeps state-funded researchers with their mouths as shut as possible.
  47. In a situation like the author’s, it’s not hard to imagine that some pedophiles may very well hate children and don’t want to stay around them. I wonder how many of those adults who say “I hate children” didn’t use to love them.
  48. The author was driven to attempt suicide. And, in the end, he didn’t even have a reason to.
  49. Have a relationship with a child is to deal with more responsibility than you would deal in a relationship with an adult. If you were a normal adult, you wouldn’t choose that. Pedophilia isn’t a choice.
  50. Would society work better without age of consent? If só, why does age of consent exist? If there are positive outcomes, why are all relationships forbidden, rather than only the negative ones? Why waste public money punishing someone who did no harm, rather than punishing only those who did harm?
  51. Freud demonstrated that children and even babies are sexual beings. That’s still news for many people.
  52. The problem is that the latency period between phallic stage and genital stage does not exist.
  53. Back in Freud’s times, child sexuality was seen as a problem to be eliminated. Today, a number of experts reflect that antiquated opinion.
  54. What is wrong in recognizing that children feel sexual pleasure and desire such pleasure? Why take the baby’s hand from inside the diaper?
  55. But “sexuality” can be taken in several senses. What do we mean by “sexuality”? What is child sexuality?
  56. Scientific evidence (as well as your memories, you naughty boy) shows that children and babies have orgasms. Well, in my childhood, I didn’t have any because I learned that you had to think about sex to have an orgasm and sex never interested me. If I knew that I could think of other things, maybe I would have experienced one.
  57. In boys, orgasms happen without ejaculation, as ejaculation only begins to happen in puberty.

  58. Anyone can have orgasms right after being born. In fact, there’s an article called “Ultrasonographic Observation Of A Female Fetus’ Sexual Behavior In Utero” which shows that some kids masturbate before even being born, still in the mother’s womb… If you are a mother, maybe you caught your fetus’ during a moment like that, during ultrasonographic session.
  59. Children experiment with each other.
  60. It is, therefore, ridiculous to keep minors from expressing sexuality before adolescence, só much that minors themselves are the biggest offenders of age of consent laws.
  61. When the girl approaches puberty, the parents may try to keep her from getting close to the opposite gender. So, a girl has less sexual experiences in adolescence than a boy.
  62. Culturally, in the previous century, girls were overprotected, compared to boys. You used to see a lot of boys playing ball on the streets, but where were the girls? At home.
  63. The latency stage, says Kinsey, is cultural. Parents become more worried in harnessing children’ sexual curiosity when the tykes approach puberty. Rousseau even advocated delaying puberty, if possible. What a hipocrite. It’s not a natural, but a cultural exigence for the child to stay “latent” in that period of life.
  64. The proof that child sexuality doesn’t become latent before puberty is that the child still masturbates during that period.
  65. If sexuality was an adult attribute, nature wouldn’t have given absurd fertility rates to adolescents.
  66. I spend more time writing these annotations than reading the text.
  67. They had to run those studies in Brazil; a number of non-clinical samples are freshly matured for a Bruce Rind to analyse. In fact, it was already done. While the Rind Report showed that 37% of the boys and 11% of the girls agree that the experiences they had in childhood and adolescence were “positive”, the study that ran in Campinas revealed that the same statistic in Campinas, Brazil, is 57%. It’s important to remember that the demographics for the Rind Report was broad (boys and girls who had involvements with minors or adults), while the demographics for the study in Campinas was restricted (only boys, considering only involvements with adults).
  68. The problem is that no one hears about those studies, except for scientists. If the population knew about that data, the moral panic would disappear.
  69. Why Americans think that all relationships with minors are cruel and forced? Because they don’t know, nor are stimulated to know, the sexual behavior of other cultures. That also makes them impose their sexual values to weaker nations.
  70. The layman usually relies on media to learn new stuff. And it’s not in media’s interest to report those things.
  71. In isolated indigenous societies, adults masturbate infants and children, in order to give them a more gratifying sleep. Are those children suffering?
  72. In those societies, prepubescent child sexuality has no negative value, even though it’s not glorified either. A masturbating child is as normal as a child scratching an itch somewhere.
  73. Isolated indigenous societies also have sexual restrictions, but their youth also disregard such prohibitions.
  74. Even public masturbation happens, if the subject is a child.
  75. “Simulated coitus” is coitus.

  76. Yep, kids, in societies like those, have sex. If children, at least in those societies, have sex among each other, out of their own will, if left without adult supervision, then sex isn’t inherently harmful to children, says the author. Now, would such work in our society? Well, if the problem is pregnancy, there are pills for that…
  77. In some societies, the only taboo when it comes to child sexuality is incest. By the way, did you know that incestuous sex is not a crime in Brazil (despite incestuous marriage being só)?
  78. “Playing husband and wife”, Justin Bailey mode.
  79. Interesting: some indigenous people choose their future husband or wife by playing “mom and dad” when they are kids.
  80. In other societies, not having sexual expression in childhood is reason for shame. A boy who doesn’t even touch himself is shamed by his father.
  81. Despite everything, as most of those games happen before puberty, no one gets pregnant and, if someone gets pregnant, must marry.
  82. Tyke exchange.

  83. In many societies, precocious sexuality is seen as a sign of maturing.
  84. Those games happen between children only or between child and adult. And nothing of value is lost.
  85. Tyke lending.

  86. There are records of societies that practice anal sex to make the bottom strong. Well, they say you need to be a strong dude to do it; they happily endure what I can’t endure, even if I cry…
  87. Faced with that, the capitalist christian western guy could think “of course those children are being harmed, once indigenous people are retarded and don’t know what they do.” It’s etnocentrism at it’s worst. You can’t assume they are wrong just because they are indigenous; you need to study them sincerely to see if they aren’t right.
  88. There are behaviors that are worth emulating, but there are also behaviors that aren’t worth emulating. As the book’s subject is pedophilia, what matters now is, obviously, to know if the fact of those relationships being accepted in other societies is enough to grant that they would work in western cultures too, that is, if that’s enough to abolish age of consent. I wonder how many anti-contacts read this book.
  89. Why does the author bombs us with those examples of child sexual behavior? To prove us that the latency period does not exist.
  90. Funny how people discredit this book making negative propaganda of it, rather than addressing the discussion points.
  91. Learning, in humans, overwhelms instinct. A child who doesn’t have any sexual education, but rather has their sexuality harnessed, will be a sexually incompetent adult. It won’t “come naturally” when they are married. Sure, that doesn’t mean that children must be forced to sex, but should have enough room to exercise what “comes naturally” in childhood, under adult supervision. Otherwise, what used to “come naturally” will need to be re-learned.
  92. Being sexually educated by an older person improves the minor’s sexual competence. Notice how teenage pregnancy happens more between teens, cases in which the age gap is next to none. But in Japan, where age of consent is 13, a girl who is going through puberty could learn responsibility with an older partner. That reflects in their teenage pregnancy rates: only four in every one thousand mothers have their first child before age 19. From which we draw that teenage pregnancy isn’t a problem that we can solve by forbidding contact between generations, but through means of education, which can happen by approaching the more experient generation to the more excitable generation. Otherwise, teens will have children with each other.
  93. Sexual activities are just like any other game for children. Experimenting them won’t necessarely make them addicted. There other interesting things in the world.
  94. They won’t also make the child grow without common sense. They quickly learn what to not do in public.
  95. If a person enters adult life with some previous sexual experience, they will have more chances of sexual satisfaction, increasing their chances of considering themselves “happy”.
  96. That could minimize teenage crisis related to their own bodies.
  97. During adolescence, you are easily excited, but you are also forbidden of taking any meaninful action on that regard.
  98. In a more permissive society, a child matures way quicker. If you overprotect a child, you will keep them from having several experiences that could be useful later.
  99. That overprotection makes the child trust no one.
  100. To castrate a guy is like making a women into menopause: it does little effect in sexual activity. Desire isn’t a purely hormonal thing.
  101. Sexuality doesn’t begin at puberty. Everyone has sexuality. Desire doesn’t start at puberty either: it can start before or after. I feel sexual desire since age five. So, if someone argues that pedophilia is an illness and hebephilia isn’t an illness because sexuality begins at puberty, that person is monumentally wrong.
  102. Sexuality isn’t like height or weight, you can’t make a “metrics of desire”. It’s different in everyone, both in nature and intensity. And people with different sexualities may still act the same on public life.
  103. There are teleiophile children.
  104. There are children who give sincere effort into seducing adults, even if in their own way. They want contact, intimacy, even knowing that it’s wrong.
  105. Some sexual contacts between adults and children are initiated by the child.
  106. What parents do to their precocious child? In more “developed” countries, they teach the child to feel shame about themselves. I’m glad I was born in Brazil.
  107. Child sexuality may be seen as pathological depending on the person, for the same reason why pedophilia is still considered illness today: children are “innocent” and must remain só.

  108. If a parent doesn’t know how to deal with child sexuality in a constructive manner, can they really deal with other child development challenges in a constructive manner? If they make the child unhappy and blames their sexuality, that’s bad parenting.
  109. Opportunity makes the thief and also the seductive child.
  110. Adults have sex because they like it. If a child has sexuality, the same can happen to them too.
  111. There are kids playing doctor with their pet dogs.
  112. Lindy Burton speaks as if she was James Cantor’s mother.
  113. If the child needs to learn their sexuality, we can’t explain how some children develop homosexual interest without ever being taught homosexuality.
  114. There are sexually active children who aren’t even 14-year-olds.

  115. It’s a big number: kids who encourage the adult after the act begins, even in our society. The tykes were liking it.
  116. Molestation occurs, it’s just that it doesn’t happen all times.
  117. For some, children can consent.
  118. There are adults who desire children, but there are children who desire adults.
  119. It’s not a matter of obtaining license to rape, but a matter of allowing willing children to find willing responsible adults. Harmful and forced contacts should remain crime.
  120. The restriction of child sexuality is never an isolated fact. Society probably has other sexual taboos as well.

  121. Closing the subject of child sexuality, the author moves onto the subject of pedophillic relationships in society.
  122. Even if the child seeks sexual pleasure, many times they don’t see such pleasure as something different (except in intensity) from the pleasure of playing football. So, even if the goal is pleasure, the child doesn’t see those things as “sexual”. So, for many kids, the meaning of the act is different from the meaning attributed by an adult. But is that really a problem?
  123. In his blog, the author said that the third chapter was written in a deliberately provocative, that is, unsettling way. It’s hard to conceive something more unsettling than the previous chapter…
  124. Relationships between adults and minors go through stages. Generally speaking, pedophiles don’t go “straight to the point”, for lack of a better expression. Just like relationships between adults, they are slowly built. There’s a good difference between the one who falls in love and the rapist: when you are in love, you don’t just do it and walk away.
  125. Ah, yes, I see what he meant with “provocative”…
  126. The pedophile, if is really in love, won’t force the minor. If they do, it’s either a case of comorbidity or it’s a situational offender.
  127. If the involvement is affectionate, but the minor doesn’t have sexual interest, the pedophile can accept that.
  128. Again, real sexual abuse exists. But not all contacts are abusive.
  129. Pedophiles aren’t generally agressive. Rapists are.
  130. Society makes no distinction between positive and negative relationships involving children. Notice how news about statutory rape never include the “victim’s” opinion. No one is interested in what the minor thinks, even when the minor doesn’t want the adult to be punished.
  131. The child can start the act, not suffer with the act, enjoy the act and still manage to get the adult in jail.
  132. “Far from being unrestrained sex maniacs their approaches to children are almost always affectionate and gentle, and the sex acts which occur, mostly mutual display and fondling, resemble the sexual behaviour that goes on between children.” – D. J. West, Homosexuality Re-Examined.
  133. Forced sex with children is infrequent, compared to voluntary relationships. Is that why ¾ of the relationships involving minors are never found out?
  134. Go to the nearest jail and talk to people who were diagnosed with pedophilia. Then, look for their victims and ask them how was it. You can find ten victims and none of them would say “he forced me to”. Pedophiles who have a sexual contact with a child rarely force the child into it. If they did force, it’s unlikely that we are talking about a pedophile, but a regular rapist.
  135. The moral panic about pedophilia has no scientific foundation.
  136. The moral panic causes more damage to children than pedophilia itself. There’s an article at Ipce (but I forgot exactly where) about how children in United Kingdom are growing up without trusting anyone. They are growing like that because any well-meaning adult who approaches to a child is automatically weird. There was a case somewhere in which a man saw a child drowing in a river and let the kid die, because he was scared of someone seeing him grabbing her and thinking that he was a pervert. Not to mention parents who are arrested in Brazil for kissing their children.
  137. The moral panic also harms education.
  138. It’s hard for a pedophile to approach to a kid to do anything sexual with them if the kid is a stranger to them. Usually, the pedophile knows the child before the sexual contact. That’s why people say that sexual contact with children is more common with close relatives.
  139. Each line in this book spawns an annotation, that’s why I take a full hour to read a single page, oh, gosh…
  140. A pedophile doesn’t kill children.
  141. Truth is that rape followed by murder is rare. It’s not something that happens as often as people think. For example, according to the Rind Report, traumatic sexual contacts involving people below age of consent, in United States, are statistical minority, with a sizeable statistic of people who consider those contacts as “positive”. A similar study took place in Brazil. But what do you see on TV? Only trauma. You don’t see news like “8-year-old boy showers with his father and comes out unharmed” or “10-year-old boy is satisfied after going in a date with a 16-year-old girl.” That gives the impression that traumatic events are common.
  142. What does a pedophile do to a child, then? Usually, just fondling. A study made by Paul Gebhard with people who were arrested for sexual contact with minors under age 12 reveals that 94% of those who did it to girls and 97% of those who did it to boys didn’t penetrate the child through vaginal or anal means. Most cases involved manual stimulation, which can even not be mutual, that is, only the child receives the action. If that’s the case, the adult wasn’t touched by the child. Important: not all pedophiles fondle children, with a good amount of them preferring to stay law-abading for obvious reasons.
  143. The pedophile waits until the child shows interest. If the child has no interest, he won’t do anything sexual to the kid. Reminder: the book is about pedophilia, not rape.
  144. Rapists usually already exhibit dangerous behavior even before raping.
  145. People who rape children (real rape, that is, forced sexual activity) may very well be people who prefer adults and, while drunk and in absence of adult partners, take advantage of a child. However, if you prefer adults, you, by definition, aren’t a pedophile. You fail at the diagnosis.
  146. But positive relationships involving minors aren’t an exclusive merit to pedophiles. There are positive relationships between adults and minors in which the adult doesn’t have a preference for minors.
  147. The author admits, however, that there are pedophiles who rape, just like not every heterosexual men is automatically kind to women.
  148. Sexual attraction is normally followed by feelings of being in love. So, if an adult feels sexually attracted to a child, may as well fall in love with the kid. When you love, you don’t want to hurt.
  149. The pedophile, even when not wanting anything sexual, builds friendship with kids.
  150. Common rapists and child rapists usually are more interested in causing pain than achieving sexual pleasure.
  151. There was a time when “pedófilo” (pedophile), in Aurélio Dictionary, meant “person who likes children.”
  152. Pedophilia (love for children) is not misopedia (hate towards children).
  153. For some psychiatrists, pedophilia is a mental disorder in which the subject needs a minor’s cooperation to achieve orgasm. If you force, there’s no cooperation, once cooperation is to operate together, actively. The minor must enjoy it, otherwise it’s no fun for the pedophile either. Thus, the pedophile can not intimidate the child.

  154. Now, that means that the pedophile may treat the child better than other adults would.
  155. The author reminds that not all pedophiles are kind like that, just like not every heterosexual adult is kind towards women.
  156. If those relationships are really harmless, why are they forbidden? You see, the west is scared of non-normative displays of sexuality. See for how long homosexuality was considered taboo. And only now we began to discuss gender identity.
  157. Many people are scared of pedophilia because they are scared of homosexuality. “Won’t that make my child turn gay?” However, when still young, a boy feels attracted to pleasure, not to a specific gender. There’s no necessary causation between relationships in childhood and the development of a non-normative sexuality. If a boy already made up their mind, the pedophile, if they really care about children, will have to respect it.
  158. It’s been two hours since I began my daily reading of this book and I couldn’t fill my quota of ten pages a day.
  159. The fear of an object may be worse than the very object, like a phobia.
  160. A lot of information that people have about pedophilia is no more than myth.
  161. To turn a positive experience into negative, you can start by saying that the person is a victim. Treating a person like a victim will make them feel like a victim.
  162. If the minor is enjoying, they aren’t a “participant victim”, says the author, but just participant. Not a victim of the act (but could very well be a victim of someone eles).
  163. The use of a term such as “participant victim” may be an attempt on the researcher’s part to not sound like he is fine with those relationships. The Rind Report is against that kind of terminology.
  164. Those relationships, if not forced and if the minor is a “participant victim”, that is, if the minor wants those relationships, do not pose a problem to adult life.
  165. There are children who prefer being around adults.
  166. If the child almost never suffers with those contacts, but starts seeing them as bad after growing up, then the phenomenon is thanks to interpretation, not to the act, which varies according to social context. For example: the lowest age of consent in Mexico is 12. Do you really think that all those teens who had a relationship at age 12 grow up and think “dang, that dude took advantage of me”? From which we draw that secondary victimization has roots in how society views the act. The person who told the minor that they are a victim and managed to convince them is the one to blame.
  167. If the child is raped, they receive love and support from friends and family. If the child had a harmless sexual contact and feels good about it, friends and family will try to make the child feel shame over what happened.
  168. Despite that, a lot of tykes grow up without feeling bad for what happened.
  169. If the parents are cold and rigid and the child finds warmth in the companion of another adult, how do you think those parents would react if they find it out? They will treat the child twice as worse than before.
  170. When a person is “raped”, they are submitted to a forensic exam. They grab your genitals and maybe stick something up your rectum. Maybe more than once. Not to mention the interrogatory and the parents’ inflamed response. Is it really worth it to make the child go through that if they didn’t suffer because of the “rape”? Maybe the adult had just fondled the kid. And then the forensic doctor comes and shoves his finger up the tyke. What is worse?
  171. The person might be the best person in the world, they automatically become a monster the moment people discover about their pedophilia.
  172. Society reaction may severely victimize the minor. It’s not worth it to “protect” the minor from sexual contacts before a certain age as long as the minor doesn’t feel bad for those contacts nor is forced into them.
  173. Adults may order the minor to produce false evidence. Do you want to ruin a person? Make your 13-year-old child say that they were molested by said person.
  174. If the minor says that they are in a positive relationship with an adult, the parents may take the case to trial. If the parents win, the adult is sent to jail and the relationship ends. If the parents lose it, the child is labelled as liar, because one can have the impression that the relationship never happened at all.
  175. Even seeing the harm caused to the child, there are parents who say “I would make him go through all that again.”
  176. There are forensic doctors who refuse to run invasive exams in children who didn’t suffer with the relationship. The kids already suffer enough with the parents’ overreaction, with the loss of an adult friend and with the interrogatory.

  177. What if the pedophile is also a minor?
  178. There are people, even today, who say that it’s better to die than to live with sequelae of childhood sexual relationships. Those people are, effectively, telling all people who had a sexual relationship in childhood, positive or not, to commit suicide.
  179. If the minor does not “confess”, they are lying. Threat them and maybe they will say the truth. It’s for their own good.
  180. The treatment given to the minor by the police may traumatize them.
  181. Judges, police, therapists, parents, no one wants to know what the child thinks about those contacts. See, for example, the psychologist who killed their patient.
  182. Pedophilia is a romantic, sometimes sexual, attraction to children. Pederasty is the act of an adult who has sexual relations with a boy.
  183. All of the problems exposed in chapter three would be avoided if we didn’t presume that the pedophile is someone who will inevitably do harm to a child or if we didn’t presume that the minor in an relationship with an adult is necessarely a victim.
  184. The author says that there’s no medical term to designate a child who feels sexually attracted to adults. He wrote his book in the eighties. Nowadays, there’s one word: “teleiophile”. Though teleiophile also apply to adult-attracted adults.
  185. Considering that a child is capable to display sexuality in unpredicable forms, maybe labelling a child’s sexuality is a futile effort.
  186. Hebephilia and ephebophilia aren’t pedophilia.

  187. There are women who feel sexual arousal when breast-feeding.

  188. Is it worth it to separate minor-attracted people in cathegories such as: minor, adult, nepiophile, pedophile, hebephile, ephebophile, teleiophile, pro-contact, anti-contact, exclusive, inclusive? The question is: won’t their similarities outweight their differences, to the point of making it viable to use a term to designate them generally (albeit with some reservations)?
  189. Most people who are arrested in child sexual abuse charges are not pedophiles.
  190. The use of legal samples in researches about pedophilia is practically useless.
  191. Out of all pedophiles who really are pedophiles, that is, who have romantic feelings towards the minor, only one percent is ever arrested, according to the book. It’s helped by the fact that you don’t hurt when you are in love. So, a lot of pedophiles prefer to abstain than taking the risk of violent rupture by the police, which could harm the minor or stigmatize them. For the RBT trio, that number is something around 25%.
  192. That shows that age of consent laws not only may harm the minor, but also are of little use to keep relationships from happening before certain age. If the minor enjoys it, they will behave normally and the parents may even not notice. How to report something you can not detect? Plus, if the child is really being abused, their behavior will change evidently, the parents would know and investigate. Isn’t it the sane option to punish only negative contacts?
  193. But wait: if a lot of pedophiles aren’t ever punished and most arrested abusers aren’t pedophiles, who are the people who are being punished by the law? Parents, maybe?
  194. You just need to be unlucky to be arrested for statutory rape. You don’t even need to have commited statutory rape.
  195. The number of crimes exceed the law’s capacity to deal with them. See our Senate.
  196. You don’t need to be a pedophile to see no problem with those relationships, if the minor wants them and doesn’t suffer as consequence.
  197. The police can manipulate a sentence.
  198. In the eighties, many adults would doctrinate their eight or nine-year-old girls to see their life purpose as living in function of men.
  199. There was little study on positive relationships.
  200. Media plays it’s role in censoring those positive accounts, through means of selective information. I call it “passive censorship”. You don’t keep people from seeing it, but never speaks about it’s existence, só they don’t look for it.
  201. Some forms of censorship are done under the guise of protection the population against “disturbing content”. Gotta be strong, indeed! That’s why people don’t make documentaries on animal killing sites (where you get your chicken from), unless it’s done by an independent team.
  202. Projects about positive sexual experiences between adults and minors still happen. Titus Rivas’ “Positive Memories”, for example, still receives new experiences, which may or not appear in the next edition of his book (the latest edition is from 2016). And there’s also this, though this one ended.
  203. A number of children grow up without knowing what is pedophilia. They may hear the word, but not know what that means.
  204. A pedophile in a relationship with a child, taking all care só that the child likes it, feels good and don’t suffer may still think: “other pedophiles probably wouldn’t act like I do, my relationship is an exception, só we shouldn’t allow all of those relationships, they must remain illegal.” So, he approves his own relationship and condemns all others, even if he doesn’t know how others act. It’s classic case of nurturing prejudice against your own kind. Why don’t you do some research?
  205. A person who is friends with a pedophile and knows that the pedophile wouldn’t hurt a child, even by getting involved with the tyke, could still ask: “and what about the other pedophiles, would they be as kind as you are?” But the author says that you can’t talk about what you don’t know. If I don’t know how others act, how can I presume that they are less scrupulous?
  206. It’s true that some minors grow up and see those experiences as negative, just like that are some who grow up and see those experiences as positive. But a topic that is seldom discussed is how those minors see the arrest, if the adult happens to be arrested. There are minors who find it unfair, like that boy with a weird name. Effectively, some grow up and ask the judge to reconsider.
  207. Minors who had positive relationships may grow up and not think it’s wrong for their own children to have contacts with adults.
  208. Those relationships aren’t purely sexual. There are caring and romantic elements.
  209. In positive relationships, the minors do not experience fear.
  210. Puberty is an uncomfortable experience for some adolescents, but others see in it a reason to take pride.
  211. A minor may assume seductive behavior and only notice that they were being seductive after growing up and recalling the experience.
  212. An opinion among minors who had positive relationships: the adult must respect the limits imposed by the minor. It reflects in the responsible boy love morals and in Rivas’ ethic criteria.
  213. “But enjailed pedophiles admit that those relationships were abusive”, says the critics. To which the author replies: “my child, anyone can say anything to lower the number of years they still must spend in prison.” If a false confession can make things easier for them, they will confess whatever.
  214. Can a child reciprocate love, specially if erotic? The belief that no, a child can not, is what makes a number of pedophiles feel that any expression of erotic love towards an “innocent” child is automatically predatory. That sensation of affection unbalance makes the pedophile deny himself.
  215. So, the anti-contact movement didn’t begin now. It’s way older than Virtuous Pedophiles.
  216. There are people who wake up to sexuality during childhood and people who wake up to sexuality only in adulthood.
  217. In a adult/minor relationship, the minor (as long as not forced) ends up feeling like he has the same authority as the adult. The sensation of authority subversion may confuse the adult. “I’m either abusing of my power or the kid has as much power as I do.” It looks wrong in both ways: in the first case, there’s abuse of power; in the second case, there’s a subversion of the hierarchy between adult and minor.
  218. Anedoctal evidence shows that a child can love an adult more than said adult loves the child.
  219. The minor, says the author, can benefit from that intimacy more than the adult.
  220. For some people, love and affection are different things.
  221. A machist belief is that women do not have an own sexuality, that their sexuality must be awaken by a man. That myth is similar to the belief that children do not have sexuality and, if a child shows interest, that’s because the kid was corrupted by an adult.
  222. That belief makes the misinformed person think that lesbians do not exist. Analogically, that same person may think that sexuality begins at puberty, which is not true.
  223. A lesbian can go her whole life without noticing that what she feels towards other women is sexual.
  224. Because women are stimulated to take care of their children and love them and take care of their intimate parts, a pedophile woman may think “I can’t be a pedophile, other women do those same things, they must get the same feelings, I’m just being a mother.” A woman who is sexually attracted to her children goes almost unnoticed, because there’s not a lot of difference between the female pedophile behavior and the normal female behavior.
  225. Is it really needed to separate loving acts in “sexual” and “non-sexual”?
  226. An act may be sexual, done to a child and still be beneficial. If a mother feels sexual pleasure when caring for her child, that care is sexual. But would the child grow better without such care? If a woman stopped changing her baby’s diapers or stopped bathing him because his nudity arouses her, would it do any good to the child?
  227. If an act is sexual or not, does it make any difference, from the minor’s point of view?
  228. There are people who think that female pedopiles do not exist.
  229. That’s because people think that pedophiles rape. So, a woman, with people thinking she is less inclined to rape, isn’t accused of pedophilia, despite having the condition and despite being sexually involved with a minor. As long as it’s not penetrative, she’s pretty “safe”. Double-safe if she’s a girl lover. But, hey, don’t go around breaking laws, that would still be illegal!
  230. A person may be homosexual and adopt a “heterosexual life style”. In that case, she acts heterosexually due to social pressure, not because of natural inclination.

  231. Bibliographic reference: Paedophilia: The Consequences for the Child.
  232. Aversion therapy is horrible and doesn’t work. You come out worse than when you came in.

  233. If on one hand some experts admit that adult/child intimacy can be beneficial to both, those same experts, on the other hand, still think it shouldn’t be allowed, even in presence of benefit. For an example, see “What’s Wrong With Adult-Child Sex?”, by David Finkelhor.
  234. Critics of the movement say that pedophiles who defend those relationships are seeing the child as someone who only needs pleasure, ignoring that they also need fun, education and non-sexual forms of intimacy. But the author says that those things are complementary, not mutually excludent.

  235. Critics of the movement say that pedophiles who defend those relationships are seeing the child as someone who only needs pleasure, ignoring that they also need fun, education and non-sexual forms of intimacy. But the author says that those things are complementary, not mutually excludent.

  236. Adults, for example, have an expressive sexual life, compared to the child, and that doesn’t keep adults from improving their education, having fun or nurturing non-sexual forms of intimacy. From which we draw that sexuality isn’t inimical to human improvement.
  237. Is there medical evidence that adult/minor relationships are more harmful to the involved parties than adult/adult relationships, if said relationships are painless, uncoerced, desired by the minor and approved by the parents?
  238. What’s the point of restraining child sexual expression?

  239. There seems to have no mental or physical reason for that, only social. But if there’s benefit and all harm comes from society, then it’s society who needs to change, when it comes to child sexual expression.
  240. The author says that he would get sympathy from the most hostile readers if he wrote more about love. He should have done that; all this talk about sex is making me queasy. Does he have a book solely about love?

  241. He didn’t write more about love because that could reinforce the sensation that love and eroticism are opposing forces.
  242. The opposition between love and erotism can give birth to serious interpersonal problems. Let’s suppose that you “love that chick só much” that you would “never have sex with her”. John Money argues that, in doing that, the man will look for “less valuable” women to satisfy himself, in order to carry a chaste relationship with the girl he really likes. Does that make any sense? That’s why some men regularly have intercourse with prostitutes; they are too embarrassed in front of the women they really like to actually have sex with them.
  243. Child sexual repression benefits psychiatric industry.
  244. Sexual repression doesn’t end in childhood. It goes on. That’s why the sexual life of some couples can be a disaster, when either party has moral problems or doesn’t know what to do.
  245. A example of such is the woman who finds it difficult to achieve orgasm.
  246. Another example of the association between sex and guilt is the man who feels like he needs to do an excellent job. He becomes obsessed with penis size, how long he can remain erect, if he can or not control ejaculation. Sex then becomes a source of anxiety, rather than pleasure.

  247. So, childhood sexual repression may even cause impotence in adult life. The person didn’t want to like sex and then, at the time it was needed to like it, could not find any pleasure in it.
  248. Yates blames the parents for that.

  249. Child sexual repression can harm school grades. If a child had freedom to express and explore his sexuality, as long as he didn’t offend legal boundries, many children wouldn’t need therapy. Remember how sexual repression can harm adults. Why would it be different with children?
  250. Sexual therapy consists in introducing the adult to sexual practices that he was supposed to have practiced in childhood, not unlike playing doctor or self-fondling.
  251. Don’t you tell me that you never did anything “naughty” when you were a kid.
  252. Sexual repression may lead to sexualization of things that aren’t sexual in nature. Fetishes.
  253. Even though fetishes may also appear due to intense exposition to some object during childhood, such as diaper fetish or my omorashi fetish.
  254. There’s a difference between sexual aberration (atypical, but harmless sexual behavior, such as foot fetish and paraphillic infantilism) and sexual perversion (atypical and harmful sexual behavior, such as sexual murder and rape).
  255. The pedophile who wrote this book says that pedophilia isn’t better than any other sexual deviance not motivated by desire to hurt. He is doing the opposite of what homosexuals did to pedophiles who took part in the gay liberation movement, back in seventies and eighties. When the american congress said that it would take the homosexual exigences seriously if they cut connections with pedophilia advocacy organizations, homosexuals promptly did só, trying to gain public approval by buying the discourse that pedophilia is bad. The younger gay people, who are unaware of the LGBT movement’s history, ignore that fact, but, yes, there was a time when the gay liberation movement and the pedophile movement were almost the same thing. The gay liberation pathriarcs didn’t see intergenerational relationships as morally wrong.
  256. What if a sadist, who has a desire to hurt, marries a masochist, who has a desire to be hurt? Well, good for them, I hope you guys are happy.
  257. The only wrong relationships are the forced ones.
  258. Lack of loving tactile stimulation is associated to violent behavior in adulthood. Hug your son.
  259. “Prescott’s work throws an interesting light on the common assumption that sex and violence always go together, an inseparable double act, like Laurel and Hardy.” That’s the weirdest metaphor for this kind of discussion.

  260. A person’s sexual attitude depends on how she’s sexually educated in childhood. If a child associated sexuality with gentleness, warmth and affection, she will demonstrate her sexuality that way. If the child associated sexuality with guilt, she will push sexuality away. If she associated sexuality with violence, at same time she associates violence with power… Well, you got his point.
  261. If the solution for violent behavior was sexual repression, christian societies should have less cases of rape than indigenous societies, where we see less repression. In fact, many extremely violent people are also extremely sexually conservative.

  262. The four preceding chapters were about child sexuality, how people think that adult/child relationships work, how they really work and the child’s need for sexual expression. Now, how should the law deal with those things?

  263. Society keeps denying that children are sexual beings. Seven-year-old boys watching porn? No, that’s an isolated case. Twelve-year-old girls sharing nudes? Ah, that’s an education problem… Students hinting at teachers? That’s what the left wants you to think, boy! If we keep ignoring child sexuality, laws will continue to behave erratically.

  264. The damage in a positive relationship can only be social. Positive, not talking about rape.
  265. A number of people, including pedophiles, are against legalization because they see it as utopic. The author’s goal in the sixth chapter is to propose a realistic way to deal both in intergenerational relationships and child sexuality.
  266. Many laws made to protect women were grounded on the belief that they are the weaker gender. Consequently, those laws, that kept the woman from working in certain areas, ended up restricting their access to jobs that they actually were capable of taking. A law is unjust if based on prejudice.
  267. That kind of law doesn’t protect, but submits.
  268. In name of “protection”, the child isn’t heard. Doesn’t matter if the child likes the adult or if she doesn’t feel harmed; it’s wrong, period. That’s also the behavior of some children’s right advocates. They take away your freedom and put it in the hands of authorities. Can any good thing come out of that? Would you put your freedom in the hands of an authority? Is that protection?
  269. If social services can not convince you that it’s needed to punish the adult, sucks for you, bro. Doesn’t matter if you are the boy’s father, you are wrong if you say that the adult in a relationship with your child, even if it’s a trusted adult, doesn’t need to be punished. You, father, doesn’t know what is best for your child.
  270. “If you don’t plead guilty, we will continue bringing your little crush here, to another forensic exam, another interrogatory, he will skip another day of school, his friends will treat him differently, his relationship with his parents will continue deteriorating, and, in the end, it’s really all your fault, even the boy desired that, even if he responded well, because he is actually sad, he just doesn’t know that yet.”

  271. The author’s main proposal is age of consent abolishment. Normally, that means that minors would be under the same protections of the normal rape laws (article 217 in the Brazilian Penal Code, for example).

  272. At the time when the book was written, Holland was considering age of consent abolishment. So, no, pedophiles aren’t the only people who defend that kind of thing and aren’t the only people who see problems in forbidding relationships based on age.
  273. The main defenders of such idea were the attorneys. They claimed that there’s sex (coitus) and sexual activity. Sexual activities shouldn’t be banned based on age, but penetrative sex should remain forbidden, if the passive party was younger than 12.
  274. Protestant associations also wanted the end of age of consent, but with one reservation: neither party can seduce the other; the desire had to be spontaneous in both. Catholic associations also said, back in the author’s context, that a 12-year-old can already give a final say about the relationships he takes part in.
  275. A common criticism: kids can’t consent betcause they can not say “no” a bigger, stronger adult. For a reply, see Positive Memories.
  276. Consent is a philosophical question. If it was scientific, age of consent could be the same everywhere.
  277. If the minor says no or is ambiguous, any sexual advance should be crime.
  278. The law should worry about damage and quality of the consent, rather than age of the participants. The fact that someone is under 14 (age of consent in Brazil) doesn’t imply that he’s always raped whenever he engages in sexual activity with anyone.
  279. Even if a minor can consider an act as pleasurable, that doesn’t imply that he is capable of communicating that in a decent manner.

  280. No one here wants “freedom to rape.”
  281. In some places, the age of criminal responsibility is twelve or even ten (it’s sixteen or eighteen in Brazil, I really don’t remember). So, if a person can be criminally prosecuted by her acts if she’s at least twelve, it’s because she’s mature enough to plan and act according to an evil intention. So, it makes no sense that a person who is mature enough to pay for muggery or murder be deemed immature for sexual activity.

  282. The debate gravitates the question “can the child say ‘yes’ and, if she can, is that ‘yes’ valid?”
  283. A relationships that is harmless, uncoerced, desired by the minor and approved by the parents should be allowed to continue.

  284. Those relationships do not always pose a “moral danger”.
  285. In the case of relationships between two minors, laws should be even softer.
  286. With some modification, those proposed laws can also apply to people who have mental problems and, because of that, are under care of someone eles.
  287. If the proposed conditions were violated, anyone could report the relationship. The prosecution process doesn’t need to be started by the parents.
  288. What validates age of consent is the consent, not the age. The consent takes priority.
  289. Damage of risk of damage should still be crime. Example: penetrating a girl who is simple too small is too risky to be allowed, but the same doesn’t apply to fondling. So, depending on the act and the minors physical constitution, the judge can punish a consented relationship. If there’s real damage, we can skip that part and enjail the adult immediately. For a similar conclusion, see my text Estupro de Vulnerável, in the section “Is It Possible to Consent to Harm?”.
  290. If the relationships is chaste, there’s no need to punish a rape, obviously. Even though there’s lots of women out there who pretend to have been raped and people buy into her story.
  291. People reject pedophiles without listening to them first. How can a debate be impartial if you don’t give the dude a chance to defend himself and his point of view?
  292. Nepiophile relationships (that is, with babies) would still be prohibited, even if entirely superficial and non-penetrative, not because we suppose that the baby dislikes it, but because it’s not possible to prove that he liked it either.
  293. However, there’s no need to report it, if the person who sees it notices that the baby is happy, says the author.
  294. But how can implement such changes, if kids don’t know what they getting themselves into? Well, the book was written in the eighties and we have sexual education lessons today. This generation is more sexually informed than the previous.
  295. The problem is that saying that a child doesn’t know what they are doing supposes that all sexual acts are the same. If a child is well-informed for a hug or handshake, that doesn’t imply that she’s informed to anything penetrative, but wouldn’t she be well-informed for fondling, which is friction between two skins, just like a hug or hand shake?
  296. Back when the book was writen, there was different ages of consent for heterosexuals (16) and homosexuals (21).
  297. The law treats a five-year-old like a twelve-year-old.
  298. “Those relationships are still immoral!” Define “moral”.
  299. When those proposals were made by the Paedophile Information Exchange, they got some support from lawyers.
  300. As harmful relationships would still be punished, even if consented, the responsible adult would abstain from any penetrative act.
  301. But, if 95% of pedophiles don’t want anything penetrative, while penetration is a common trait of negative relationships, shouldn’t we have an age of consent at least for penetration? There should be a minimal age for penetration as safety measure, says the author. And he says that such age is 12. So, if we were to apply that in Brazilian law, taking the article 217-A as reference, the law would be like “penetration with person under age 12, with or without consent, or libidinous act that wasn’t approved by the minor or the minor’s parents” should be crime. If we could make things flexible for conservatives, an age of consent that only applies to penetration could be higher than 14, as it wouldn’t include fondling, kissing or anything non-penetrative. Ideally, I think that an age of consent for penetration should be subject for debate in prefectures, rather than being applied nationwide.
  302. There’s a lot, a lot, of minors who do not give a flip about age of consent laws. In United States, a number of young people lose their virginity before age 15, while age of consent in United States can only be as low as 16. In the documentary “Age of Consent: Dream or Nightmare?” (thank you, Hikari), the first thing the interviewees say is that “adolescents reach age 14 with a fully developed sexual life in Brazil.” Did all those minors suffer? Maybe they would suffer more if all those relationships were found out and punished by justice. The number of minors who offend against age of consent laws is something around 1/5 of the whole population of people under 16.
  303. Sexual education can sometimes be reduced to biology: they teach you what each part of your little body do. But, as adults think that the minors would be discouraged from trying it if they remain uninformed, they teach nothing about contraception or sexually-transmitted diseases, because the more conservative see it as an encouragement to have sex. I learned those things at age 6 with my father and I had sexual education lessons in 3rd grade, if I’m not mistaken, and here I am, virgin at twenty-five. The state needs to be honest with itself: “if they are going to do it anyway, they could at least do it without screwing themselves for life.” Maybe learning that there’s a real risk discourages them. If not, they will at least do it more responsibly.
  304. Trying to suppress child sexuality to keep the kid away from trouble is like recommending celibate to an adult to keep him from getting a STD. It’s drastic, unnecessary and uncomfortable.
  305. If a teen gets a STD, he might think: “this proves that I’m no longer virgin, I may get in trouble if someone knows.” He then hides the fact that he is ill, until it’s too late.
  306. That could be fixed if child sexuality wasn’t practically illegal. Because most displays of sexuality under age 14, as “libidinous acts”, are outlawed as statutory rape.
  307. If a pedophile feels attracted to pre-pubescent minors, while his desire is rarely penetrative, then adults seldom impregnate minors. In fact, teenage pregnancy seems to be a more common occurence in young couples, rather than intergenerational couples. The attraction to pubescent minors is called hebephilia.
  308. Wow, there’s a case of a woman who got pregnant after having intercourse with a 12-year-old boy and filed “a suit for the maintenance of her child”. Cruel.

  309. In fact, how come that woman wasn’t arrested for statutory rape? Women can, but men can not? Talk about isonomy. Of course, that wouldn’t happen in Brazil, because a 12-year-old boy can not be held legally responsible for his acts. But such thing can happen in a place where age of legal responsibility is lower than age of consent.
  310. With or without age of consent, teenage pregnancy won’t disappear without decent sexual education lessons.
  311. The declaration of the rights of the child, by UN, implies the state and parental control exercised over the child is always done in the kid’s best interests. Chapter seven wants to know to what extent that’s true.

  312. Many times, the child can make a good decision without her parents or the state. Maybe a choice made by parents or state ends up being worse than a choice that the child could have done herself in the same situation. Not to mention the cases in which parents and state cause harm to the child on purpose.

  313. The child’s fragility has been used as excuse to not grant the kid’s rights.
  314. There’s a lot of similarities between older children and adults.

  315. If a child commits a criminal offense, maybe they are just “having trouble growing up”. In such case, the parents could deal with it better than the law, which should be a last resort.
  316. The conflict between parental authority and state authority can not be solved by simply expanding parental authority.
  317. “That man is crazy; a kid never knows what is good for himself!” What about the cases in which the child is legally forced to stay with a foster parent that is up to beating her to death after a divorce? The child says “I don’t want to stay with her, cause she beats me up”, but state says “your mom and your dad decide that for you, because it’s their right and it’s my duty to ensure that everyone has access to their rights.” Everyone, but you, tyke.
  318. The natural mother is not always the best available mother.
  319. Is the author suggesting that kids should have same rights as adults? No, but some key rights are needed. For example, a child should have the right to choose with which parent he wants to stay with in the case of divorce, but that doesn’t mean that the kid should also have the right to vote, for example.
  320. Childhood is a relatively new thing. Such concept didn’t always exist. “Childhood” only began to exist in 17th Century. How things used to be before that?
  321. Before 17th Century, adults has some sexual play with children, such as touching their genitals, not very different from brazilian parents before 2009.
  322. If a child is an asexual being, why do conservative parents feel the need to punish a kid’s masturbation? If children are asexual, why do they masturbate? From which we draw that the childhood “innocence”, that is, child asexuality is not natural. Child are sexual beings.
  323. How to conciliate child purity with child corruptibility? If she’s pure, how can she corrupt itself?
  324. We see children differently today, but the way we see them now isn’t the correct way. We are judging children for what we feel they should be, not for what they actually are.
  325. Were all the historical adult/child relationships abusive?
  326. The child’s potential is limited only by social expectations.
  327. Indigenous children mature quicker in terms of responsibility and physical aptitude. Why not ours? Our society doesn’t want the child to mature before eighteen. They deny that children are made to mature and have different paces of development. “You are too young to know what you want.”
  328. It’s obvious that it has roots in the capitalistic system: the child needs to study to have a good job and, to do só, she needs protection. But society, presuming that children know nothing, overprotects the kid, which effectively keeps them from learning any adult thing (supposing that they don’t find out themselves). That overprotection hinders the kid’s development, which will have a consequence in adult life.
  329. If the child can not have a job, she should at least help on household chores.
  330. Our society keeps children as children, forgetting that they are soon-to-be adults.
  331. Parents don’t want children helping them at their jobs.
  332. There are three options for the growing child: neglect studies and work earlier, persevere in studies and work later, or juggle job and studies at same time.
  333. The child receives a fate, rather than making one.
  334. The child, says the author, should have the right to choose his or her parents. In practice, that should happen by granting them the right to run away from home and put themselves for adoption.
  335. It’s madness to advocate that, unless the nuclear family faces crisis.
  336. If we lived in a huge community, like a huge family (communal upbringing), instead of small families, raising a child would be easier to the natural parents and the kid could look for an adult that he or she loved more, with whom they could better develop their potential. It was like that in Middle Age, am I right?
  337. The children’s rights revolution does not have public education as starting point.
  338. Hippie communities, in the ’60s, gave complete sexual freedom to children… but also freedom to use drugs, to play with loaded guns and to skip classes if they wanted to, which made kids grow up illiterate. So, says the author, we must not mistake children’s rights with child irresponsibility. Which rights to give?
  339. The hippie movement had a lot of stuff that worked well, but we don’t hear much about it. We only remember hippies as high naked people.
  340. For example, hippie children were almost independent, they almost didn’t need from parents to do anything.

  341. Children who are given a lot of freedom just “deal with it”. Maybe the lack of ability to deal with adulthood that some adults feel has roots in overprotection in childhood.
  342. The author regrets not having children of his own. Of course.
  343. We fear anarchy.
  344. Adults are educated to educate.
  345. “Today, I take care of your child and you take care of mine.” Hey, that’s pretty good.
  346. We won’t know what rights to give to our children if we don’t think about what kind of adult we want them to be, even if they grow up and reject our model. The way we raise children is making them ill. Rethinking that upbringing requires us to rethink our expectations for children.
  347. Even if parents have privileges over the children, the roles can revert in certain occasions if such is needed for the well-being of the family members.
  348. Each family member must have responsibilities and privileges. The child isn’t a slave.
  349. A person’s rights aren’t inherent to their role in family.
  350. The child’s rights must not interfere with the father’s rights. A right can only be granted to a minor if the minor wouldn’t end up ruining himself by abusing of that right.
  351. Parents make mistakes, meaning that their law is fallible. So, a parent’s demand must harbor a degree of flexibility, if it becomes clear that his demands are going against the family’s best interest.
  352. If the child wants something that may do her harm, but won’t hurt her, make her ill or kill her, allow her to have it and feel the consequences. For example: staying up late despite having to go to school early next day. The boy will feel tired and will notice that the father’s orders do make sense. That builds trust.
  353. Parents have the duty to tend to the minor if the demand if just.

  354. A person can decide about his or herself and his or her conduct as long at it doesn’t interfere with the decisions and conduct of others. I believe that the child’s rights are limited by the parents’ responsibility to look after the kid.
  355. Everyone should be equally free (what I can’t do, you also can not), but one’s advantages should be used to diminish the disadvantage of someone eles.
  356. The child’s participation in society must increase according to the child’s development. There’s no need to leave all rights and duties for adulthood.
  357. To participate in society, one must have a sense of fairness, even if not fully developed.
  358. A child has adult abilities, but in lesser scale. The kid’s is often smarter than we think.
  359. You can only interfere with a child’s behavior if the kid gives you some proof that your intervention is needed, or eles the kid is going to regret it. A type of non-intrusive education like that already exists on Emílio (Rousseau), but not like that.
  360. “The child is incapable, that’s why they can’t have rights!” Prove that they are incapable.
  361. Do you worry about what the kids want or do you always act despite children’s aims and aspirations?

  362. It’s not a matter of always doing what the child wants, but to take their opinion in consideration.

  363. But how does this whole discussion contributes to the field of child sexuality? It’s because libidinous acts, specially if non-penetrative, are generally harmless and we worry too much about them. There are other, more important areas of child behavior that do not receive the same attention, despite being more controversial in nature.
  364. “Our strong taboo about adult-child sex has led to the application of the most severe penalties to even the most innocent acts of affection. The penalty isn’t appropriate to the crime and probably neither cures nor deters. We can and should decriminalize sexual relations between consenting people. Assault and kidnapping laws already on the books would cover the cases which involve force, abduction or abuse. The remaining cases are better dealt with by improved sex education, enlightened sexual attitudes, and an increased respect for children’s rights.” – Richard Farson.
  365. The child must have the right to refuse those relations. But, to do só, the kid must be educated to say “no” when they don’t want it. My nephew is pretty unruly, I think he would learn quick. In fact, he is a twelve-year-old, 1,75m-tall, weights 67kg and attends to muay thai lessons, while I’m a 25-year-old, 1,72m-tall, weight 58kg and had some karate lessons when I was a teen. If he, by any chance, decided to force me, I think I would have trouble saying no to such a war tank. If he punched me, I would be ripped in half.
  366. How will the tyke give informed consent if we don’t inform him?
  367. Sex shame helps to hide sexual abuse.
  368. What really keeps a pedophile from acting according to their sexuality isn’t the law (which doesn’t catch him most of the times, as previously seen and currently confirmed by studies such as the Rind Report), but the fear of being rejected by the child. If the pedophile really falls in love with the child, doing something that could disturb the tyke would make the pedophile feel guilty, even if the pedophile was never arrested.
  369. The child’s body can, metaphorically, say “no” as well: you wouldn’t do any penetration to a five-year-old girl, right? That would traumatize her.
  370. Gender roles are an attempt at suppressing homosexuality.
  371. It’s unhealthy that society is só obsessed with being “normal”.
  372. The fear that people feel upon hearing that two men or two women are raising a child isn’t a fear that the adults may be irresponsible or that the child will grow up unhappy, but a fear that the child won’t adhere to the desired stereotype.
  373. How is the sexual life of someone who doesn’t get sexually involved with anyone? There are not many studies about that.
  374. The child who lives with a single parent may feel socially pressured. When the teacher says “draw your family”, the child may draw a father and a mother just because that’s what everyone eles is drawing.
  375. Sexual education is incomplete.
  376. Parents who care too much about minimal dangers end up neglecting important things that they were supposed to teach to their child.
  377. When will you teach your daughter about contraception? After she’s pregnant?
  378. Nuclear family isn’t ideal.
  379. The Paedophile Information Exchange protagonized campaigns for corporal punishment abolishment in schools. I bet you didn’t know that.
  380. Nuclear family is just the traditional form of family. There are alternative family structures.

  381. The Declaration of the Rights of the Child silences about the child’s right of sexual expression. So, some people from United States proposed that the child should have eight rights related to sexuality: legal protection, control over his or her own body, sexual information, emotional growth, sensual pleasure, learning about love, choice of partner, protection against sexual suppression.
  382. Chapter is eight is maybe the most relevant today, as it’s about consent. For some schoolars, the consent issue is the only thing on which the status of illegality of adult-child sex is grounded.
  383. Consent is only valid if:

    1. the minor is aware of short and long-term consequences;

    2. the minor knows what he wants and from who he wants;

    3. the minor can refuse if desired.

  384. If someone had the feeling that there are children who fulfill all three criteria, they would promptly come up with a fourth.
  385. There are adults in good physical and mental condition who do not fulfill all requirements for consent. So, coming up with a fourth element could harm the impartiality of a debate or, at least, could harm the notion of informed consent between adults.

  386. The actual problem that children have and adults do not is the third element. Can a child, being smaller and weaker, say no?
  387. And what about the child’s willingness to participate (taking in consideration that such thing happens)?

  388. Non-penetrative relationships are harmless: a child who is informed enough to receive a hug or handshake, is informed for a kiss or fondling, even if intimate. In the end, it’s just the contact between two skins, no more than that. Where are those “consequences”?

  389. Non-penetrative relationships, if done in mutual agreement, are way less dangerous than walking on a busy road or going out at night in the city I live in (the chance of you being murdered is higher than the chance being mugged here). And I see kids doing those all the time. Remember that 12-year-old boy who underwent hormone therapy to look like a girl? He regretted it. And went through surgery to remove the breasts he developed. Good thing he didn’t remove his dink, huh? The point is, no one complains about kids doing things that are way more dangerous than being intimate of the adults they like.

  390. The greater risk in consenting relationships is the social stigma. If found out, the child may be traumatized thanks to the reaction of parents, authorities or social services. It’s important to remember that we are now discussing relationships in which the minor desires to take part in or those that are initiated by the minor. The author isn’t saying that rape is alright.
  391. But if a positive human relationship deserve protection, it’s not the relationship that is wrong, but the social attitude towards it. To forbid those relationships is like sayd that homosexuality must be repressed “in the homosexual’s best interest”, that is, because society is full of homophobes. “We don’t want the homosexual to suffer, só we should keep them from acting according to their sexuality because, even if they don’t suffer from the relationships alone, they will suffer because of homophobia.” Doesn’t that sound absurd?
  392. The real damage of those relationships do not justify age of consent laws, nor the use of documents to prove consent.
  393. If the child says no, carrying on is illegal. If the child appears to be ambiguous or doubtful, it should also be illegal. Maybe is no.
  394. Currently, even if the child fulfills the three requisites, it’s still illegal.
  395. Is it interesting that the only time when we speak about kid consent is sex, and only to say that they can never consent? Can a child give informed consent in having faith? Nonetheless, religion is forced upon the child by the parents.
  396. An indigenous child who was initiated into sexuality may be seen as corrupted, but a child who learns to be fanatical about a soccer team or about a religious doctrine isn’t seen as corrupted.
  397. That happens because that kind of manipulation is seen as positive. Given the harmlessness of sexuality, why can’t sexual initiation also be seen as positive?
  398. If there was one religion that celebrated such behavior, it would quickly become a matter of serious state deliberation.
  399. Religious doctrination brings more risks to the minor than a relationship with an adult who loves the minor.
  400. Adult/minor relationships won’t necessarely include manipulation. Adult/adult relationships aren’t necessarely free from manipulation.
  401. There are minors who spend sincere effort into manipulating an adult.
  402. Maybe you are already “initiated”, but doesn’t remember só.
  403. You can speak about positive relationships and the person you are talking to may rush to say it’s a lie, as if positive outcomes never happened. That’s the case of therapists who “explain” a minor’s experience giving it a negative meaning.
  404. “Infantophile” = nepiophile.

  405. Some people will never be convinced, no matter the evidence.
  406. You can’t kiss a child. Many parents prefer to hit the kid instead.
  407. It’s easier to suffer a trauma thanks to a parent who punishes your sexuality than thanks to an adult who showed you how it’s done. Before going on, I must remind you that those relationships are illegal and it would be unethical to have them.
  408. Manipulation doesn’t work if the target doesn’t want to be manipulated. The target must stay open to the manipulator and judge if they are worth trust.
  409. Encouragement is a kind of manipulation.
  410. To throw a child in a pool in hopes of making the kid learn to swim the hard way can be as traumatic as a rape and, as long as the kid doesn’t drown, it won’t be seen as criminal offense.

  411. If the act is harmless, uncoerced, desired by the minor and approved by the parents, what’s the need of police intervention?
  412. If the minor says no, a “real” pedophile would accept the no. That rings a bell!
  413. If you are twelve, you already know when a person wants something sexual from you. The minor’s understanding of things grows up with him. A 12-year-old isn’t as naïve as a 6-year-old, that is, if naïve children still exist.
  414. For a pedophile, sexuality is a secondary element; his relationship with children may be completely chaste.
  415. If something is education or “child grooming”, depends on the culture.
  416. The word “seduction” (sedução), in English and Dutch, has a negative charge. Strange. It doesn’t have a negative charge in Portuguese…
  417. Supposing that seduction didn’t exist, that is, if there was no request, no deliberate attraction, the “hey, I’m here, existing”, the hinting at, how the flip would our relationships even begin?
  418. Attraction between adults and adolescents (hebephilia or ephebophilia, when the adult feels attracted, or teleiophilia, when it’s the adolescent who feels attracted to the adult) is more common and is not seen as abnormal. Nonetheless, it may be illegal. In Brazil, where age of consent is 14, ephebophilia meets no legal barriers, nor hebephilia, as long as the pubescent is at least 14.
  419. A lot of adults adults do bribe, manipulate and force children for their own good, such as taking preventive shots against whatever illness. The author here is implying that the disgust towards sexual “manipulation” is only possible if the person sees sex as negative. Precocious sex is negative, which makes sexual manipulation negative. If society had less sex shame, it wouldn’t be like that, as the child has their will bent all the time anyway. The difference is that the pedophile doesn’t force the minor. So, if the pedophile can not get a “yes” from the child, unless he is a rapist, he will give up. Here, talking about positive relationships; manipulation for sake of sex alone is still bad.
  420. The minor’s “yes” and “no” must have legal support.
  421. Semantically, “consent” is the approval of an act that involves the consenting person. Any law that imposes a limitation to one’s freedom must do só for a good reason. So, if a law criminalized a large number of consented activities, it’s the law that must offer a justification for the criminalization, as it’s interfering with a large number of particular contracts that are freely stablished. In such conditions, law must be reexamined.
  422. “Puberty” is not “pubescence”. Puberty is a moment in an adolescent’s life when he becomes capable of procreation. Pubescnece is the development of secondary sexual characteristics (fur, breasts, muscle mass and só on).
  423. Puberty doesn’t come at the same age for everyone.
  424. Another completely different concept is “adolescence”: the stage between childhood and adulthood.
  425. It’s possible to reach age 18 without the required mental setup to act like an adult.
  426. “Adolescence” is an extremely vague concept. In fact, it’s a social construct, just like childhood.
  427. The cases of “adolescent crisis” are also caused by lack of information concerning the changes that happen in the body and mind during that stage of life. What makes an adolescent crisis is the number of questions that are yet to find an answer.
  428. There are societies without adolescent crisis.
  429. That also happens because child sexually is not repressed. Children as spontenous in their expressions of sexuality. That makes it much easier for kids to learn about sexuality. You just have to remember how curious they are about their own bodies and the bodies of others. If they had the answers they are looking for, they would grow as more well-balanced adolescents.
  430. Critics say that a relationship between an adult and a minor is still unequal, even if consent was granted. Those who read Positive Memories know, however, than an adult who loves the minor won’t use physical power to submit the minor, while the minor can benefit from the adult’s experience and wisdom.
  431. The main proponents of such argument are the feminists.
  432. However, a number of relationships between adults are also unequal, in the grounds of physical power, life experience or wealth.
  433. It’s harder for a minor to ruin himself in a relationship with an adult than in a relationship with another minor. Talking about “relationship”, not rape.
  434. Not all women, however, even when feminist, think that adult/minor relationships are necessarely bad.
  435. Parenting relationships is unequal, but a lot of good stuff comes out of a chaste parent/child relationship. From which we draw that power disparity isn’t a good reason for the existence of age of consent laws. The same can be said from educational relationships (teacher and student).
  436. There are parents who oppress their children.
  437. The mother’s control over the child, even when the child becomes an adult, is a common cultural phenomenon in the West. She never stops seeing her child as her “baby”. Well, that depends; mothers in my district doesn’t really behave like that…
  438. Normally, it’s the mom who impose the sexual taboos. My mother never did só and my father never had problems with my child sexuality, nor kept me from reading, at age six, some sex education manuals that he had sitting around.
  439. Did I mention that there are no incest laws in Brazil?
  440. A person gains much more from an unequal, but positive, relationship, because education can only happen in unequal relationships. Either party needs to know more than the other, otherwise there’s no teaching. Plus, protection is more guaranteed if it’s a stronger person to exercise protection.
  441. You need more maturity to marry than to have sex.
  442. Do not marry for love, because love tends to pass and then you will divorce, which might expose your belongings to peril. In fact, Jesus also agrees that, if possible, it’s better not to marry, even if that means having a celibate life (Matthew 19:9-11). So, even if you two really love each other, it’s better to consider if marriage is really worth it.
  443. The author says the a pedophile wouldn’t propose (marriage) to a child. But didn’t Lewis Carroll propose to Alice?
  444. A large number of minors who experienced sexual relationships with same-sex people in childhood do not grow up homosexual.
  445. Do we have the right to keep the minor from falling in love?
  446. A child may love an adult like they love the parents.
  447. “What if the minor becomes disappointed with the relationship?” Well, that also happens between adults and doesn’t make their relationships illegal.
  448. Affetive disappointment is a risk in any relationship, even the chaste ones.
  449. A child may exploit a pedophile’s weakness.
  450. “Do as I say, or I’m telling the cops!” Every kid is a potential Chris Hansen.
  451. “Relationship politics” isn’t conditioned to sexual elements. It can gravitate any element.
  452. If the child takes an active role in a sexual relationship, the adult can say goodbye to his authority. The child will see the adult as submissive, at least in some sense.
  453. A child who receives affection from an adult when she desires such affect, got what she wanted.
  454. Chapter ten opens with the statement that child porn brings more disgust to normal people than real relationships, supposing they are non-penetrative and uncoerced. Yeah, he is right, I’m considering to stop reading here.
  455. The reason for that is that child pornography is a business. How can it be different from sexual exploitation? In last analysis, is different from prostitution?
  456. “I don’t think this is universally true.” Oh, my…
  457. The minor can record pornography of himself, share it and think it’s the best thing ever. Well, that does happen, but if he sold that pornography, I mean, if he had a source of income while being still só young, wouldn’t he want to quit school? At least here, a lot of tykes only attend to school because they need a middle school diploma in order to get a job that pays well.
  458. Child prostitution is a problem associated to poverty. Children with better economic conditions likely wouldn’t sell themselves. Too many cases of child prostitution are a symptom of poor state administration.
  459. The correct way to eliminate child prostitution is eliminating poverty.
  460. The author says that there’s another cause for child prostitution: sexual restriction. In Victorian Era, the monogamy code was too strict. That made prostitution grow as a big business. Why is drug dealing something só lucrative? Because drugs are forbidden by law. For as long as there are people willing to buy, drug dealers will benefit from low competition. In the case of prostitution, as sexual desire is an innate thing, with levels that we didn’t choose, there are always people looking for “adventure”. So, a whore house could earn lots by raising the costs (low competition, risky job, constant demand), which turn prostitution something rather profitable. If sex wasn’t taboo, prostitution would stop being só profitable. Makes some sense.

  461. Why is the number of smiling children in child porn só… high?
  462. The campaign against child pornography began thanks to christians who had media influence and a lot of information given by the media of the time was wrong.
  463. The campaign only worked because the violation of sexual values always causes enormous discomfort in the West.
  464. What is “spiritual murder”?
  465. The author says that the laws that protected children from possible abuses that could be caused by production of child porn already existed, there was no need of a specific law to ban all child porn. Plus, there was never evidence, by the time when such law was suggested, that “hardcore pre-teen” was ever being produced or distributed in Britain. The child porn that was available back then was “softcore”, not só different from nudes which teens send to each other (just to poke the subject, yes, sharing nudes of a person under age of 18 is distribution of child porn, which is crime). I read somewhere that softcore child porn was only banned in Japan in 1999.

  466. The author concludes that laws against child pornography became a thing because of hysteria, caused by “anti-sexual lobby”.
  467. The author is about to suggest how child porn can be legalized without harming children. Get ready for controversy.
  468. Laws against child pornography promote censorship.
  469. At the time when the book was written, most arguments against child pornography tackled the effect that such pornography could have on the consumer. Would he feel an urge to attack a child if he became addicted to such images or stories? Today, no one argues like that, because it became obvious that the presence of legal porn (such as Xtube) decreases the rape rates. In the case of child porn, at least until 2007, the mere possession of child porn is not a criminal offence in Czech Republic as it allows the pedophile to feel satiated without touching a real child. So, the argument that “porn is theory, rape is practice” meets no empirical ground. Reminder: don’t consume it, cause it’s still illegal here.
  470. Pornography that causes no harm to the model can be used therapeutically. “Oh, but what kind of porn doesn’t victimize the minor?” The nudes he takes of himself, as well as fiction porn (shotacon, for example).
  471. For the author, non-degrading porn should be liberated.
  472. Media is “normalizing” pedophilia since the seventies, guys. If it were to work, it would already be normal.
  473. There is child porn that physically injures the minor. I heard that there exists, in some dark place of the Internet, videos of dying kids that are sold as porn. However, says the author, it seems to be super rare. That’s because the biggest child porn consumers (excluding minors themselves) are pedophiles and they, if we owe credit to the previous chapters, do want to cause harm to the kid they like. So, a porn that causes physical or psychological distress to the model wouldn’t make great success among them, thus being less profitable.
  474. I’m glad that freedom of speech is a human right; if these were the sixties, I would “disappear” for writing these things.
  475. Advocate changes in the law is a right, but breaking laws in effect is crime.
  476. Feminists do not like pornography because, as they say, porn reinforces women’s submission and objectification. But not all feminists think like that.
  477. Porn can be used for political purpose.
  478. All forms of tyranny are disguised as natural law.
  479. If you go to Xtube, you will see a lot of women making porn for free, because that makes them feel better about their own body, increases their self-esteem. So, if a woman makes porn because she likes it, she’s not a victim of sexism. No one asked her to do what she’s doing.
  480. I bet that the author is going to extend that reasoning to children. If he used the same argument today, when even five-year-olds are taking nudes, he would have high degree of acceptability.
  481. For the author, the disgust that radical feminists feel towards pornography is grounded in an anti-heterossexual bias, according to which a “real” woman would never feel pleasure by taking a passive role.

  482. But such argument ignores the existence of pornography in which the woman is dominant.
  483. The argument that men who consume porn do só for a desire to see women being used, abused, broken and discarded is prejudice. The man who watches porn rarely looks for a woman who humiliates herself on video. The man doesn’t see the woman as a humiliated party and the woman doesn’t see herself as being humiliated.
  484. When a man poses nude, is he humiliating himself? Then why would that be the case when the model is a woman?
  485. When a teenager glues a poster of his favorite singer on his wall, is he objectifying the singer?
  486. A number of critics against child porn comes from people who never spoke to a real pedophile to see what he actually likes to see. How can they know if the porn desired by pedophiles is the porn that is effectively banned by law or if the desired porn needs to be banned?
  487. At the time when the book was written, there was one schoolar who suggested that there should be a kind of porn aimed at children and that such porn could have pedagogical aspect, not só different from the sex education manuals that already exist. It’s the first time I ever hear about something like that.
  488. Sex education manuals are easy prey for the anti-sexual lobby. There’s actual pressure to keep the child uninformed about things that she wants to know about.
  489. The belief that child porn is wrong, says the author, starts from the two suppositions that children aren’t sexual beings and that sexuality isn’t something that should be shown.
  490. Most of that porn is amateur and produced at home.
  491. The author says that, before child porn being banned in his territory, the children approved the material for which they modelled for. Frequently, the material was produced by parents, who would then sell the material for distributors. At least, the money would stay with the family…
  492. But there are children who hate to be recorded or photographed. There are also accounts of children who were forced into it. But at the age of cellphones with cameras, which allows children as young as five to record themselves with no adult intervention, it became clear that there are children who like to expose themselves.

  493. So, there is pornographic material featuring minors and that doesn’t victmize said minor.
  494. The author says that the child porn industry, before becoming illegal, gave a share of the money to the minor. I feel pretty worried about that… How can I guarantee that such amount is fair? And, if it is, what about the studies?
  495. In the end, child porn was completely banned because there was no other way to fight the material in which the child is actually exploited. Banning benign material was the cost of fighting the “bad” material.
  496. But such reason is disputed, because the people at the front of the movement against that kind of porn had ties with homophobia and the church.
  497. The same schoolar who spoke about porn for children suggests that the legal devices that already protect child actors should also be used in child porn industry. It’s hard, man, to read this book while having your lunch. Even though I admit that the argument is valid, I have a feeling that something is wrong.
  498. For Constantine, the kidnapping and exploitation of minors for purposes of porn production is a natural product of the status of ilegality of such porn. If it was legal, there would be no need to rely on extreme methods to obtain models, says Constantine. Guys, can’t we please just draw cartoon child porn?
  499. It would be better if such porn was free and regulated by state, in order to reduce the chances of exploitation. Plus, earning money with the model could count as child labor.
  500. But wouldn’t that pornography be used for blackmail? That’s one of the main arguments against nudes shared between minors: the possibility of leaking or the implosion of the model’s image.

  501. The author argues that nudes wouldn’t be used for blackmail if the world has less sex shame. Of course, he isn’t talking specifically about nudes, but any pornographic material, specially because there was no cellphones at the time when the book was written.
  502. Finally, I finished the tenth chapter. This chapter was probably the most controversial reading that I have ever done. It’s a punch on the stomach. If the author is correct, I hope that such changes are adopted gradually, not all at once. But if he is right or not, it’s for you to judge.
  503. “PIE, like PAL, had grown out of the gay movement of the mid-1970s.” Yep, it seems like gays didn’t see attraction to minors as essentially anti-ethical back when the movement was at it’s peak. You just gotta remember that everyone at NAMBLA is gay by definition.
  504. PIE’s founder was not a pedophile.
  505. Gays once marched against age of consent laws in England.
  506. But not all of them.
  507. One of PIE objectives was to reduce the myths about pedophilia, by dissemination of scientific information. Another was to advise depressed or isolated pedophiles. That’s slightly reminiscent of what B4U-ACT does today. The difference is that B4U-ACT stays out of the contact issue (that is, if age of consent must or not be abolished) and offers no legal support for pedophiles who break the laws (while PIE offered legal advice). Also, B4U-ACT’s goal is to reduce stigma and build a bridge between pedophiles and mental health services, while PIE’s goal was legalization.
  508. What keeps pedophiles from doing, say, marches against age of consent is how cruel the media can be.
  509. The exit that PIE found was publicity. They needed to be seen and known, só that other people could join the movement. It would be ridiculous to fight against such hard barries with a membership of 250 people.

  510. It wasn’t working until PIE’s boss started to make public presentations in conferences.
  511. A person can even agree with what PIE proposed, but almost no one has any hope of this thing being pushed forward any time soon.
  512. PIE wanted to be a support group, where pedophiles could learn to live in a hostile society. That’s one of the current goals of B4U-ACT. But, again, B4U-ACT stays out of the legalization issue.
  513. “How to be paedophile without being suicidal about it, without feeling guilty just because other people expect you to? Guilt-ridden, anxious paedophiles are almost bound to become more relaxed, more happy as individuals, if for the first time in their lives they find themselves amongst other paedophiles who have learnt not to be depressed by their oppression.” Page 157.
  514. PIE, however, to stay legal, didn’t put adults in contact with children.
  515. They wanted changes in the law, but not to break laws in effect.
  516. Of course, media had to ruin their lively group.
  517. PIE also didn’t encourage their members to break laws.
  518. The author admits that a “radical” pedophile, who wants legalization, is not in position to give advice about seeking treatment or not. That explains B4U-ACT’s position. If they had a definite position in the contact issue, not only they would push away pedophiles in need of help, but they would also be unable to give proper help.
  519. Eventually, the support group activities were harmed by the very group’s political engagement.

  520. Even though pedophiles who joined PIE enjoyed the idea of finding others like themselves, which reduced the feeling of isolation, PIE’s political agenda put the members at risk, obviously. Not everyone is ready for political engagement, specially in such a serious cause that meets só much resistence.
  521. The reluctance in participating in legalization divided the pedophiles that PIE tried to unite.
  522. “We just did what we felt it was in us to do, what we were bursting to do, which was to stand up and say loud and clear that we were pig sick of creeping in the shadows, of pretending to be something other than ourselves, of apologizing for feelings which within our deepest selves we knew were capable of a good and fine manifestation, not a wicked or perverted or ‘sick’ one.” Page 163.
  523. The gay movement only worked because a lot of gays came out of the closet and challenged, in group, a society that was hostile to them. In United States, the number of minor-attracted people sums at least 660 thousand. There’s no data about how much they are in Brazil, though some schoolars estimate that pedophiles represent one full percent of the world population.
  524. But that wouldn’t be possible if the gays didn’t employ tactics to sufficiently clear the discrimination before they could organize themselves as a politcal minority: persuasion in public relations and political lobbying, for example.

  525. There are antis at left and at right.
  526. Intellectuals also are subject to emotion. There’s not a single person in the world who is immune to prejudice.
  527. Those same intellectuals may be favorable to the use of brutal violence in name of nationalism.
  528. I’m almost sure that PIE would have more chances of success if it wasn’t só radical. The author says that delivering the message in a radical, raw manner would make PIE harder to ignore and would spawn a sincere debate on the subject. Well, at least the “harder to ignore” part worked. I believe that the debate, in the end, was not “are their claims valid or not”, but “how to shut those lunatics up.”
  529. A strong press campaign was needed. Yes, but I worry about how the content was delivered.
  530. Newspaper dirty trick: make an article bad-mouthing someone, then say that said someone has the right to reply and, when that person reply, you don’t publish it. That way, you keep your “impartial” reputation without allowing the other side to speak out.
  531. A lot of people try to disqualify a diverging point of view by keeping it’s proponents in silence, even if violent means are needed for such. What are antis scared of, if pedophiles “are” wrong?
  532. How can media say “you have the right to reply” and, when you reply, it says “stop trying to justify yourself”?
  533. You can not fire an employee because of his sexuality, specially if he didn’t commit any crime. But a lot of people do it anyway. Journalists can also encourage such behavior, even though it’s unethical.
  534. Because of media virulence, PIE lost it’s treasurer. More than that, no one in their sane mind wanted to fill that spot.
  535. A nation can receive a good shock when it’s attitudes are exposed as negative by international press.
  536. Criticized by Veja today, cherished by El Pais tomorrow.

  537.  People who don’t defend legalization may still admit that many of those relationships do not end in harm.
  538. Even if you didn’t commit any crime, the police may deny you help when you need them, if they dislike the opinion you have on a given subject.
  539. This is the kind of thing you don’t find in history textbooks, huh?
  540. A proponent of age of consent abolishment can expect to meet resistence not unlike the resistence narrated from page 171 to 173.
  541. Media gives misinformation.

  542. Do not trust media if what you want is the acceptance of something completely new. Media only repeats and validades an already sanctioned opinion. That’s why you don’t see this, it or that on Veja or Brasil247.
  543. Be radical, but not too radical.
  544. PIE wasn’t the only organization of it’s genre.
  545. On United States, gay bashing was disguised as pedophile bashing (using it as excuse to persecute gays).
  546. Tom Reeves didn’t hide the fact that he was a pedophile.
  547. What made the pedophile movement have more chances of success in United States than in Britain, where PIE died? Simple: they didn’t exactly want the liberation of pedophilia as recognized sexual minority, but just age of consent abolishment. That granted some support from judges, lawyers and church people.
  548. The focus was the liberation of minors, with emphasis on adolescents, not só much on children, not só much on adults.
  549. Another factor that enabled a faster growth to the movement in United States was the fact that, when NAMBLA appeared, US was less conservative than UK, in the sense that they were more prone to give new ideas a chance.
  550. Example: “Kid porn is particularly disturbing partly because it shows us that children will readily respond to sexual advances and even become active participants in sexual encounters. Like any human potential, the reality of juvenile sexuality can be tapped for evil as well as for good. The pornographers are simply forcing us to confront the fact that this sexual potential in children really exists.” Can you believe that this was published in Los Angeles Times?
  551. In Holland, things were more post-punk: both attorneys and protestant christians believed that arresting an adult in harmless relationship with a minor is not something that can be justified.
  552. NVSH still has a website (and here is the page relevant to the subject). They advocated the acceptance of all voluntary expressions of sexuality and reached around “one quarter of a million” members (250 thousand).
  553. The climate of acceptance in Holland allowed a rational, unbiased debate about pedophilia. They didn’t react with the great disgust that we react with today.
  554. Open pedophiles were seen around children they loved and people didn’t see that as an automatic sign of danger. Reminder, guys: it wasn’t even fifty years ago.
  555. Intergenerational lovers were interviewed by local media.
  556. Pastors would preach favorably about pedophilia on television, being watched by thousands of protestants.
  557. From communists to catholics, no one reacted automatically badly on Holland.
  558. Pedophiles would march in public and, man, they would take children with them.
  559. Surreal times.
  560. There were even sympathetic judges.
  561. They would speak about it in schools. Students were supportive.
  562. “[…] there has been a further petition calling for the abolition of the age of consent, presented to the Government in June 1979, and signed by the Trade Union of Teachers, the Union of Probation Officers, the Protestant Trade Union of School Teachers, and the Protestant Union for the Family […]”. Holland must be the only place in the world where the involvement of pastors with the pedophile cause is bigger than the involvement of priests.
  563. The existence of pro-family organizations that support relationships with minors shows that there are people who do not associate pedophilia with threat to the family.
  564. Just like Brasil before 2009, a relationship with a minor in Holland (as long as the minor was 12 or more) wouldn’t be immediately investigated if no one complained. So, for as long as the relationship was positive and no one complained, police wouldn’t act.
  565. The climate of acceptance was also thanks to education.
  566. When parents are like “I’m gonna file a complaint”, police was like “your son is going to go through interrogatory and forensic exam, see if it’s worth it.” If the minor was really abused, the mother wouldn’t think twice. But, with a warning like that, she would be less inclined to file a complaint for a relationship regarded as positive by the child.
  567. If the prosecution would cause more harm than benefit to the involved parties, the prosecutors would refuse to continue with the prosecution. It would be dropped. That wasn’t valid only in sexual matters, but in any matter, says the author.
  568. Despite that, there’s difference between tolerating and encouraging. So, if on one hand the penalties for pedophiles were small (when they were punished), the act still wasn’t legal. Reminder: talking about harmless, uncoerced relationships, not rape.
  569. Pedophilia will never be accepted for as long as it’s seen as a minoritary sexual behavior, just like there are still people who can’t stand gays. Minorities are weird, because they are rare.

  570. If you can not wait, haste.
  571. From a pragmatic point of view, legal intervention in relationships that are harmless, uncoerced, sought by the minor and approved by the parents causes more harm than benefit.
  572. The positive effort for pedophile acceptance in Holland began in the fifties, with a group called Enclave, which later became… a publishing house.
  573. Before concluding, the author, even though he advocates a change in the laws, does not say in any point of the books that you should break laws in effect. He would be crazy if he said só. He has a blog called Heretic TOC, só, if you have questions about the book, go there and ask personally (in English). If you are, I dunno, “inspired”, here’s the Federal Senate site, where you can suggest laws and, if you get 20 thousand supports, have your suggestion evaluated by the Human Rights Comitee, which my take your suggestion for consideration in Congress, where it may or not become a law.

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