Analecto

24 de janeiro de 2018

Anotações sobre “Childhood Sexual Experiences and Adult Health Sequelae Among Gay and Bisexual Men”.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , — Yurinho @ 22:50

“Childhood sexual experiences and adult health sequelae among gay and bisexual men: defining childhood sexual abuse” foi escrito por Sonya Arreola, Torsten Neilands, Lance Pollack, Jay Paul e Joseph Catania. Abaixo, algumas anotações feitas sobre esse texto. Elas não são citações, mas paráfrases, e podem não refletir minha opinião sobre um dado assunto.

  1. Existem estudos que concluem que experiências sexuais na infância estão por trás de um número de efeitos negativos na vida adulta, como AIDS, abuso de substâncias, depressão e suicídio.

  2. Mas os autores desse estudo apontam que só é possível provar essa causalidade utilizando amostrasoportunas”, como a população clínica e a população forense, que não podem ser generalizadas.

  3. Experiências sexuais infantis são mais comuns entre homens homossexuais e bissexuais.

  4. O propósito dos pesquisadores é saber como experiências sexuais na infância afetam a saúde de homens homossexuais e bissexuais, especialmente quando esses meninos crescem.

  5. Meninas e meninos respondem à experiências sexuais na infância de forma diferente, o que significa que dados de pesquisas envolvendo apenas meninas não podem ser utilizados para interpretar as experiências dos meninos.

  6. Meninos podem responder a essas experiências de variadas maneiras, mas meninas respondem de maneira mais consistentemente negativa.

  7. Ao pesquisar experiências sexuais infantis, é preciso cuidado no que você chamará de “abuso”.

  8. Na frase “abuso sexual infantil”, é preciso deixar claro o que é “abuso”, o que é “sexo” ou o que é “contato sexual” e qual a idade necessária para que alguém seja considerado “infantil”.

  9. Definições conflitantes resultam em estudos conflitantes.

  10. Se a definição é muito abrangente, um estudo pode concluir que abuso sexual infantil ocorre com mais da metade das crianças do mundo.

  11. Uma definição comum de abuso sexual infantil é “qualquer experiência sexual entre dois menores ou entre adulto e menor, na medida em que a diferença de idade entre ambos é de cinco anos ou mais”, ou seja, a experiência não precisa ser negativa, forçada ou prejudicial para que um pesquisador a rotule como abusiva.

  12. No entanto, outros estudos revelam que jovens entre doze e dezessete anos que tiveram contato sexual com pessoas cinco anos mais velhas não tiveram dano de autoconceito em relação a pessoas que não tiveram esses contatos, desde que esses contatos não tenham sido forçados, sugerindo que o que causa dano é a força (estupro), não o ato em si (relacionamento voluntário).

  13. Estudos sobre experiências sexuais infantis frequentemente cometem a falta de não levar em consideração se o ato foi forçado ou voluntário, atentando somente para a diferença de idade dos envolvidos.

  14. Um estudo no Canadá concluiu que a prevalência de abuso sexual infantil no Canadá é de vinte e seis por cento se levarmos em consideração somente a diferença de cinco anos, mas de apenas 12,5% se levarmos em consideração, além da diferença de idade, a presença de coerção.

  15. Geralmente, menores reagem positivamente ou indiferentemente a contatos sexuais voluntários, mas negativamente a contatos sexuais forçados.

  16. O fato de um contato sexual na infância ter sido forçado ou voluntário tem influência no risco de HIV?

  17. Para verificar isso, os autores entrevistaram por telefone adultos que, durante a adolescência, tiveram relações com maiores de idade.

  18. De um ponto de vista clínico, você está bebendo demais se você toma cinco copos de bebida alcoólica em cada sessão, pelo menos uma vez por semana.
  19. Sexo anal não-protegido é considerado sexo de alto risco.
  20. De todos os homossexuais e bissexuais entrevistados, cinquenta e dois por cento tiveram relações sexuais voluntárias antes dos dezoito anos, vinte e um por cento tiveram sexo forçado pelo menor uma vez e vinte e sete por cento só perderam a virgindade na vida adulta.
  21. Sexo forçado é fator de risco para tendência suicida.
  22. Mas pessoas que tiveram relações sexuais voluntárias antes dos dezoito anos não diferem dos que mantiveram sua virgindade até a idade adulta no que diz respeito a estabilidade emocional.
  23. Por outro lado, o nível de bem-estar dos entrevistados que tiveram relações antes dos dezoito anos era maior do que nível de bem-estar dos entrevistados que mantiveram a virgindade até os dezoito.
  24. Para ser justo, o grupo que confessa ter se relacionado antes dos dezoito anos tinha maior tendência a beber demais e a usar drogas.
  25. No entanto, no grupo dos precoces, os que tiveram relações forçadas tendiam a usar mais drogas do que os que se relacionaram voluntariamente.
  26. Sexo de alto risco é consideravelmente mais comum entre os que tiveram relações forçadas.
  27. Estupro é fator de risco para desequilíbrio emocional, abuso de substância e contração de HIV.
  28. Mas contato sexual voluntário, mesmo quando os indivíduos eram bem jovens, não teve qualquer impacto em taxas de depressão e desejo suicida dos indivíduos testados, que nesses aspectos eram perfeitamente normais.
  29. Importante lembrar que esses são dados sobre homossexuais e bissexuais e que o artigo não se propôs a estudar relacionamentos heterossexuais.
  30. A definição de abuso sexual infantil como “sexo antes dos dezoito anos no qual a disparidade de idade é de cinco anos ou mais” pode até funcionar com meninas, porque parece que a maioria dos contatos sexuais com disparidade de idade envolvendo meninas é mesmo forçada, mas essa definição simplesmente não funciona pra meninos.
  31. Se o contato sexual com o menor foi positivo, pode até ser chamado de “iniciação“.
  32. Pessoas que tiveram contato sexual forçado talvez usem drogas como meio de lidar com a dor.
  33. Estranhamente, o grupo de entrevistados que manteve a virgindade antes dos dezoito e o grupo que teve relações forçadas não diferem em níveis de bem-estar, com o grupo de entrevistados que tiveram relações precoces tendo um nível de bem-estar maior.
  34. Isso sugere que uma iniciação sexual positiva tem efeito positivo no autoconceito do menor.
  35. A sexualidade humana é complexa demais para definições gerais.
  36. Chamar todas as experiências sexuais infantis de “abuso” prejudica a capacidade da ciência de olhar imparcialmente pra essas experiências.
  37. Como o menor as julga?
  38. A generalização também prejudica pesquisas sobre transmissão de HIV.
  39. A generalização leva a terapia desnecessária.

18 de maio de 2010

Meu perverso pequeno ser.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , , , , — Yurinho @ 23:55

Em algum ponto da história, desenvolvi um interesse sexual por pessoas experimentando aquela sensação que nos leva a procurar um lugar onde possamos urinar. É, acho pessoas com vontade de urinar muito erótico. Eu não sei exatamente quando foi que isso começou, mas eu acredito que foi aos cinco anos, porque eu não sentia essas coisas aos quatro anos. A experiência mais antiga que eu tenho com essa perversão é a que segue-se.

Eu estava numa festa infantil e tinha um menino gordo que, vez por outra, parava tudo o que estava fazendo, ia ao muro mais próximo e aliviava-se ali, na frente de todos, sem qualquer pudor. Existe uma fase na vida do menino em que ele sente vontade de “fazer pipi” o tempo todo, a cada meia-hora, dez, cinco minutos até. E esse gorducho estava nessa fase com certeza. Eu comecei a imaginar o que aconteceria se ele fosse impedido de urinar. O pensamento fugia da minha mente quando eu era distraído com comida e brincadeiras, mas sempre voltava, com cada vez mais força, sempre que o gordo parava para fazer seu grosseiro espetáculo de micção pública. Eu tinha que pará-lo, algo em mim, algo primitivo e que eu nunca havia sentido antes me impelia a pará-lo. Eu não entendia por que eu queria fazer o que eu queria fazer, mas precisava de uma oportunidade. De fato, eu tinha só cinco anos, mas eu sabia que era muito estranho eu chegar para outra criança mais nova e simplesmente forçá-la a não urinar. Eu esperei, mas aquele desejo sufocante me roía.

A festa acabou e eu, apesar de nervoso, peguei a chance que o destino havia me dado. Convidei o menino para brincar lá em casa, mas não no dia seguinte; o desejo havia ficado tão urgente que eu não podia esperar nem mais um mísero segundo. A lógica era simples: minha casa, minhas regras, ele não poderia simplesmente urinar nas paredes do interior da minha casa. E ele aceitou, a mãe dele aceitou, minha mãe aceitou, a sorte sorriu para meu perverso pequeno ser. Enquanto brincávamos, eu o olhava periodicamente, observando sua linguagem corporal, quase que roendo as unhas esperando ele pedir pra ir ao banheiro, só para eu dizer um não. Ele levantou-se, pediu licença pra urinar e dirigiu-se ao portão, mas eu o chamei de volta, argumentando que, se ele saísse, a brincadeira acabaria. Eu não esperava que ele teria a autonomia de simplesmente se levantar e sair quando tivesse vontade e pensei que minha desculpa para segurá-lo no lugar era bem fraca. “Droga, está arruinado”, pensei. Mas ele simplesmente voltou, sentou-se e ignorou a vontade. Por meia-hora mais, assisti ele se espremer, olhar para o mato lá fora, agarrar o pipi pelo calção… Ele não havia percebido que os brinquedos ali, na nossa frente, eram só pedaços de madeira e plástico pra mim; naquele instante, pra mim, o verdadeiro brinquedo era ele. Eu assistia cada movimento de desconforto atentamente, sem piscar. Eu sentia meu coração bater mais rápido do que quando eu corria no campo de futebol, minha respiração estava estranha também e tive aquela reação tipicamente masculina abaixo da cintura também. Lembro como se fosse ontem.

Uma pena ter durado tão pouco tempo. Mas, nos dias subsequentes, eu procurei e encontrei várias oportunidades de deixar aquele mesmo menino (e até outros meninos com tipos físicos similares) apertado a ponto de molhar as calças. Até os doze anos, foi a maior obsessão com a qual tive que conviver. Ela ficou mais fraca e mais fácil de lidar com o passar do tempo, mas nunca tive interesse em eliminá-la. Até hoje, não tem coisa mais erótica pra mim do que um gorducho apertado.

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