Analecto

4 de abril de 2015

Assumir pra quê?

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 19:54

Painel ‹ Pedra, Papel e Tesoura. — WordPress.

Hoje, enquanto eu me preparava para editar um rascunho no meu diário, eu percebi que um dos termos de busca que atrai pessoas ao meu diário é “como assumir que sou amante de fralda?” E eu queria saber, assumir pra quê? Em primeiro lugar, todos nós temos segredos, isso se chama ter vida privada. A declaração dos direitos humanos nos diz que o direito à privacidade é inalienável e por uma boa razão. Isso é feito para salvaguardar a dignidade das pessoas que por vezes praticam coisas que são benéficas, por exemplo, mas embaraçosas ou dificilmente entendidas pela sociedade do tempo e do terreno do indivíduo. E, para algumas pessoas, usar fraldas proporciona vários benefícios, como conforto emocional, prazer ou até gratificação sexual.

Mas isso é justamente uma daquelas coisas que cai na categoria de “embaraçosas e dificilmente entendidas”. Para a maioria das pessoas, o comportamento sexual anormal é sempre motivo para chamar o médico, o filósofo clínico, o pai de santo… mas quem tem algum bom senso deveria saber que o que não faz mal a você ou aos outros não tem nada de doentio. É uma idiossincrasia, sem dúvida, mas não exatamente maligna. Eu já expus minhas razões para não condenar o infantilismo parafílico e o fetiche por fraldas, mas não falei quais as razões para manter o desvio em segredo.

Se isso não for óbvio o bastante, a grande maioria das pessoas anda presa ao sistema binário de classificações sexuais. Nesse sistema, as únicas orientações sexuais possíveis são heterossexual, homossexual, bissexual e assexual. Enquanto elas tentam se enfiar desesperadamente em algum desses rótulos, zombam de qualquer coisa que não cabe neles, por vezes em um esforço de se assegurar que estão fazendo a coisa certa. Procuram justificar sua conduta para si próprios, pelo escárnio do outro, como se dissessem a si mesmos “se eu não entrar nesses rótulos, serei eu o próximo a ser escarnecido.” Eu sei disso porque a tentativa de ludibriar a si mesmo a acreditar em algo que não completamente lhe convence é algo que fiz no passado. Muitas pessoas com sexualidade perfeitamente aceitável, num esforço para ser normais, adotam para si rótulos que não lhes descrevem, mentindo para si mesmas.

Ou seja, o problema não está no fetichista, mas nas pessoas ao seu redor, que precisam se rotular e excluir aqueles que não tem rótulo, num esforço de se sentirem mais seguras, porque terão pares. Num mundo onde é normal estar errado, quem está certo acaba sendo chamado de louco. E é certamente errado que as pessoas julguem e condenem as outras por um comportamento que não decidiram ter e especialmente quando não o entendem completamente e ainda mais quando o comportamento se mostra inofensivo. Só que é isso que a maioria vai fazer. Então, se você quiser assumir seu fetiche para alguém, tem que ser alguém de confiança e que não vá tomar uma atitude contra você ou sua luxúria. Isso significa que a pessoa não pode ser um pai ou mãe, porque eles são imbuídos de autoridade e poderão fazer algo contra você ao menor sinal de que algo vai errado com você, o que pode incluir seus desejos sexuais estranhos. Também não podem ser irmãos, por sua proximidade dos pais. Devem ser amigos livres de suspeita e que você conhece a mais de um ano. Amigos que já confessaram algo sexual a você são também bons candidatos, porque você pode revidar no caso de chantagem.

Alguém escreveu “não diga a um amigo nada que você esconderia de um inimigo”, então o ideal seria não contar para ninguém. Mas, caso você creia que isso vá fazer diferença positiva em sua vida, leve em consideração o que eu disse acima. Um amigo de longa data que já partilhou segredos com você, esse parece ser o tipo de pessoa que mais se aproxima do ideal. Se realmente quiser contar, fale isso numa ocasião propícia, construa o clima antes, dizendo que queria contar algo que é importante. Ou você pode esperar para que comece uma conversa sexual e que penda para o lado não convencional. Ou você poderia provocar essa conversa com os artifícios certos. Não conte tudo de uma vez também, mas uma coisa de cada vez, pequenos detalhes, espere outra ocasião para falar mais coisas, de forma modular.

Agora que você está de posse dessa informação, pode continuar o que estava fazendo. Que tal checar seu e-mail?

2 de fevereiro de 2012

Minha existência foi justificada.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 21:15

Praticando o andar. by Yure16 < Submission | Inkbunny, the Furry Art Community.

Certo amigo meu estava engajado numa luta de três meses contra uma parafilia. A princípio, ele queria para de dar patadas. Vendo que não conseguia, resolveu tentar diminuir a frequência do hábito. Frustrado novamente, resolveu que ia parar de dar patadas enquanto estivesse de fraldas, mas isso também não deu certo.

Quando eu vi que ele estava fazendo uma jura de aniquilar sua parafilia (ou diminuir a frequência de seus desejos), resolvi falar com ele a respeito. Ele me contou sua história e eu fiquei comovido. Eu estava diante de alguém que lutava arduamente contra um impulso praticamente inofensivo. Então eu joguei sobre ele toda a ladainha que eu costumo falar às pessoas que tentam, sem sucesso, se livrar de hábitos gratificantes e inofensivos.

Seu principal argumento é que ele estava ficando viciado em suas práticas e que sentia vontade cerca de duas ou três vezes num mês. Ele iria se negar a praticá-las, o que fazia a vontade voltar com mais frequência e intensidade, o levando a “quebrar”: ele faria qualquer coisa por uma fralda e daria até cinco patadas no mesmo dia. Depois da correria, ele ficaria frustrado e envergonhado. Mas ele também disse que, durante sua adolescência, ele iria praticar sua parafilia quatro ou cinco vezes por dia. Então onde está o vício se ele, atualmente, só sentia vontade de praticar sua parafilia duas ou três vezes por mês? Quando eu disse isso a ele, ele viu o óbvio. Ele estava sentindo impulsos dessa natureza com a mesma frequência que qualquer outro adulto de sua idade (exceto por mim, longa história…). Além do mais, é uma parafilia inofensiva. Se é bom, não faz mal a ninguém e seria penoso livrar-se do hábito, por que parar?

Ele pensou no que eu disse e, vendo que ele sempre cederia à pressões que nem sequer vinham com tanta frequência, resolveu desistir de tentar parar e praticar sua parafilia sempre que tiver vontade. Isso o poupou do desgaste de lutar contra sua sexualidade e ele ficou mais calmo. Além do mais, se ele fizer isso pelo menos uma vez por semana, o impulso vem com menos frequência e menos intensidade, portanto poderia ser melhor controlado se a situação pedisse que ele se controlasse. Sem luta, sem derrota e, sem derrota, sem frustração. Ele me disse que se sente muito melhor e seu outro problema (depressão) havia perdido a força. Porém ele não quer ficar viciado, então ele se põe sob alguns limites, limites realistas.

Ele me elogiou, disse que eu realmente o tinha ajudado a ver que às vezes a felicidade vem da aceitação e não da abstinência. Eu me sinto extremamente feliz agora. Eu realmente pude ajudar alguém, realmente fui ouvido, ajudei a resolver um problema de um amigo, problema esse que vinha se arrastando há quatro meses. Eu estou sorrindo até agora, como se eu fosse uma criança de classe média no Natal.

A identidade do meu colega permanece em segredo, mas resolvi partilhar a experiência aqui para o caso de outros indivíduos estarem sofrendo com problemas similares. Sinceramente, quero chorar de felicidade.

22 de dezembro de 2011

Férias.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 21:49

Como sabem, estou de férias, me sentindo como se não as merecesse. Afinal, cursei apenas duas disciplinas, o que certamente foi insuficiente. Isso me lembra do tal efeito-sanfona do infantilismo, só que com disciplinas universitárias; cursei disciplinas demais no terceiro semestre e acabei cursando disciplinas de menos no quarto semestre.

Por falar em infantilismo, diga-se de passagem, usei minha última fralda e meio que não vou poder conseguir mais até o próximo semestre. É lógico: sem aulas, sem necessidade de passagens, sem troco, sem caixa dois. Não que isso venha a me enlouquecer, como faz com alguns dos meus colegas (um deles mórmon e o outro cristão ortodoxo, fato que eu achei surpreendente).

Estou com tédio e, obviamente, sobra para meu processador. Estou usando o computador como nunca usei antes, simplesmente, doze horas por dia. Quando paro, vou desenhar ou ler, raramente escrever. Minhas aulas começam no dias 29 de Fevereiro.

 

18 de outubro de 2011

Como explico?

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 08:58

Comprei fraldas ontem. Meu irmão suspeita da existência de algo obscuro na minha mochila e minha mãe já até as achou (invasão de privacidade absoluta). Consegui me safar porque nenhum dos dois poderia imaginar que eu na verdade sou fã de regressão. A natureza das desculpas que eu dei fica por conta da sua imaginação.

Estou nervoso até agora, por que meu irmão fica dizendo que vai olhar o que tem na minha mochila, mas acho que ele sabe, pelo tom da minha voz sempre que ele diz isso, que ele vai se arrepender muito se o fizer.

De toda forma, quero que chegue logo domingo para eu acabar com isso de vez. Até lá, tenho que pôr as fraldas num lugar seguro. Vocês não têm ideia do quão nervoso estou, mas isso é até estimulante à sua própria maneira…

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