Analecto

1 de janeiro de 2020

Quem manda na democracia?

Filed under: Livros, Notícias e política, Organizações — Tags:, , , — Yurinho @ 18:04

O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada em O 18 brumário de Luís Bonaparte, escrito por Karl Marx, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

Tema do livro.

O 18 brumário de Luís Bonaparte é sobre a interpretação marxista de um determinado período histórico (a pista está no nome do livro). Trata-se, portanto, de um tipo de filosofia da história, uma interpretação particular de um contexto histórico. Naturalmente, como ocorre em todas as obras marxistas, o momento histórico não pode ser interpretado imediatamente, antes de se estar ciente das causas materiais ou sociais que o motivaram. No marxismo, ideias e filosofias são motivadoras secundárias da história. A verdadeiro motor da história é sempre de origem material: a insatisfação causada pela opressão de um grupo por outro, mas nunca o simples pensamento ou atitude intelectual desinteressada. Em outras palavras, no marxismo, a história é luta de classes.

O uso do passado pra legitimar “o futuro”.

Hegel afirma que todos os eventos históricos ocorrem duas vezes. Se assim é, a segunda vez geralmente é pior que a primeira. A segunda vez é caracterizada pela apropriação de elementos da primeira vez em um contexto diferente. Por exemplo: apropriação de Paulo por Lutero, apropriação do velho testamento pela revolução burguesa na Inglaterra. Para citar um exemplo do momento: a apropriação do discurso da ditadura militar pelo clã Bolsonaro. Recorrer ao passado pra operar uma mudança social não é incomum. Essa tática tem como objetivo romantizar as lutas futuras usando a memória de lutas passadas, tornando o esforço mais atraente. É uma técnica estética, mas que geralmente degenera em paródia. É muito fácil essa técnica fracassar. E, quando fracassa, as pessoas veem que era somente uma farsa pra movimentar a massa de manobra em uma dada direção. Tal direção é a reacionária. Usando os conservadores nostálgicos como base segura, tenta-se fazer o passado parecer atraente também aos mais jovens.

Uma pessoa que recorre às revoluções ou golpes passados pra justificar o que está tentando fazer está também tentando distrair as pessoas da falta de conteúdo do movimento que se quer fazer. É provável que tal movimento seja inclusive prejudicial ao povo do qual se deseja obter apoio, uma tentativa de trazer de volta as coisas como eram, particularmente os elementos que poderiam favorecer quem quer dar o golpe. Uma revolução autêntica deveria buscar sua justificação e combustível emocional no presente, sem recorrer a uma romantização do passado, e ferrar seu inimigo até que ele não possa mais se levantar.

Caos posterior.

Outra tática pra movimentar revoluções oportunistas, além de romantizar o passado, é fazer promessas de melhoras futuras, pra que todos anseiem um alvo claro. Há expectativa, esperança e sede por tal objetivo, como se tudo fosse se resolver ao alcançá-lo, um sentimento que pode contaminar até mesmo as forças armadas, que passam a deixar seu papel de manter a ordem, a fim de dar livre curso às revoltas populares, inclusive revoltas contra o congresso (o qual as forças armadas deveriam proteger). E, ao alcançar o objetivo, todos se congratulam mutuamente, como se tudo estivesse bem e o país não tivesse que ser reconstruído, enquanto repartem os despojos entre si (excluindo o povo, porém), particularmente os industriais.

O problema é que, depois de uma revolução, séria ou farsante, as partes que ajudaram na derrubada do regime anterior querem sua fatia do bolo ao definir os rumos do novo regime. Aí, ninguém mais se entende. Essa é uma configuração propícia para o caos: cada grupo tenta trazer gente pra si a fim de levar o regime numa direção que lhe é favorável. Nesse clima de incerteza, os aventureiros que derrubaram o antigo regime se mostram sem perícia pra conduzir o novo ou mesmo lhe propor alguma coisa (isso quando não são insubordinados), os partidos sem ideologia se fragmentam e o próprio novo governante se revela um comediante excêntrico, cuja troça dirigida aos seus adversários “certinhos” é a única coisa efetiva no mandato, especialmente quando pessoas que têm habilidade de auxiliar no governo e que realmente são úteis recebem exoneração como recompensa. Aí, sim, o governo se priva do sucesso. E, quando o governo se priva do sucesso, os ricos passam a privar o governo de investimento

Isso gera, além do caos, a insatisfação. Ótimo ambiente pra que as forças do antigo regime se reorganizem, especialmente se puderem integrar o congresso e criar uma coligação majoritária! Se bem que isso iria requerer que a coligação fosse feita com projetos de poder mais ou menos compatíveis… Tipo, não dá pra misturar republicanos e monarquistas. Apesar de que é difícil um monarquista hoje fazer alianças com quem quer que seja, exceto com outro monarquista. Isso porque uma monarquia beneficiaria poucos. Talvez até monarquistas que se candidataram e obtiveram cargos políticos não queiram realmente um regime em que eles sejam jogados na irrelevância. É melhor um monarquista desistir da volta do império e se candidatar. Isso, ou defender um híbrido entre os dois regimes, como uma monarquia constitucional, mas aí o monarca vira um zero absoluto.

Observe, porém, que as forças que apoiam o novo regime podem tentar direcionar essa insatisfação aos ministros de estado, o que pode levar o povo a se esquecer de que é o chefe do executivo quem nomeia ministros em primeiro lugar. Essas forças fazem isso quando querem manter o governante de escolha delas. Então, mais odioso que o Salles, o Weintraub ou o Guedes é quem colocou eles pra exercer cargos de importância. Além disso, são ministros fracos em ministérios fracos, os quais, sozinhos, não operam nada. Se um ministro fraco faz algo grande, só pode ser graças ao chefe, que o usa. Essa pessoa, o presidente, não pode ser blindada.

Além do mais, ministros ruins podem ser empossados com o fim de concentrar o poder executivo na pessoa do presidente. Tome Vélez e Weintraub, por exemplo. O ministério da educação está paralizado por causa deles. Mas isso porque esses ministros não fizeram nada sem que Bolsonaro mandasse. Talvez o mesmo possa ser dito de Salles. Eles são vazios de qualquer autonomia. Nesse caso, o verdadeiro ministro da educação (e talvez do meio ambiente) é o Bolsonaro, porque seus ministros só agem se houver ordem dele, com a única exceção do Guedes e, de vez em quando, da Damares. Um ministro ruim é um ministro sem autonomia, que age a mando do presidente enquanto leva a culpa no lugar dele. Aliás, eles têm autonomia, sim: espontaneamente dizem asneiras pra manter a oposição ocupada com filigranas verbais enquanto algo maior é preparado por baixo dos panos.

Só que esse também é um período de mata-mata entre as forças políticas revolucionárias, que passam a se desentender entre si, e as reacionárias. É um período de surpresas, uma atrás da outra, e de perseguições políticas, caracterizadas pela tensão entre grupos sociais, bem como do aparelhamento do sistema jurídico e condenações apressadas. Exemplo de tensão social: a tensão entre trabalhadores e… todo o resto da sociedade. Como?

Veja, tanto no contexto histórico ao qual O 18 brumário de Luís Bonaparte se refere quanto no contexto histórico do Brasil de hoje, a luta contra o “comunismo” ou “socialismo” foi a bandeira catalisadora da remoção de direitos dos trabalhadores. Criminalizou-se ou difamou-se os representantes dos trabalhadores, como os partidos de esquerda, sob a desculpa de que aquela era uma luta contra as forças que perpetuavam o caos.

Mas tudo isso, essa luta pelos valores tradicionais como meio de restaurar a ordem, a luta contra o vermelho que poderia manchar a bandeira, era uma distração, um dispositivo para causar medo. O verdadeiro inimigo era o direito trabalhista, não o “comunismo”; os verdadeiros combatentes eram os chefes, não o povo. Desvia-se a atenção dos problemas reais pra fazer o povo lutar contra inimigos imaginários, em detrimento da satisfação de suas próprias necessidades. Daí a sensação de que os “salvadores da pátria” traem a pátria tempos depois.

Entenda: uma coisa é o que a pessoa diz e outra coisa é o que ela faz. As outras classes sociais podem dizer que estão do lado do povo, mas são sempre hostis à classe trabalhadora. Afirmando representar o povo, agem abertamente contra ele. Uma aliança entre os trabalhadores e outras classes quase sempre termina com o trabalhador traído ou explorado.

Esse caos é também o tempo em que uma parte das forças derrotadas se junta ao lado vencedor pra permanecer relevante e manter seu poder apesar da mudança de regime. Por exemplo, com a queda da dinastia francesa e a ascenção da república, a burguesia, que governava em nome do rei, tenta se “atualizar” pra governar em nome do povo. Mais ou menos como aconteceu entre Bolsonaro e os ricos do país (grupos de mídia, empresariado, agronegócio e igrejas neopentecostais) em um governo que deveria representar o povo. Esses grupos usam aquele que deveria representar o povo pra representar seus próprios interesses. Parece que, no final das contas, o lado vencedor quase sempre tem a vantagem de ser favorecido pelo dinheiro.

Trabalhadores traídos… e ricos também.

Os trabalhadores têm forças pra colocar ordem no caos interno, pela mobilização popular nas ruas, mas as consequências da revolução e da substituição de regime causam medo. O que poderia vir depois? Mais caos? O potencial revolucionário é também prejudicado pela ideia de que a insatisfação passará com as próximas eleições (as quais, a bem da verdade, servem ao menos pra frear o avanço de um plano de governo opressivo). Então, se o sistema permite isso, pra que revolucioná-lo? Sem interesse em acabar com o sistema que permite que sejam explorados, os trabalhadores acabam conquistando apenas vitórias superficiais e um bem-estar passageiro (um aumento de salário, uma melhora nas condições de trabalho, entre outros).

Uma vitória definitiva dos trabalhadores só pode ocorrer pela tomada do poder, pelo povo em marcha, algo que poderia até ser puxado pelo congresso, se este também não fosse tão avesso à mudança e se este também conseguisse o apoio das forças armadas (e se a população não visse a ação do congresso como uma tentativa de usá-la pra depois descartá-la). Vitórias superficiais ou que afetam apenas os trabalhadores, em vez de toda a sociedade, não impedem que os trabalhadores sejam massacrados depois e tenham suas vitórias anuladas, pela retirada de direitos conquistados com vitórias passadas. E olhe lá se não mexerem no sistema eleitoral pra limitar até seu direito de eleger alguém, falando em coisas como “eleições indiretas”… Estranho que ferrar a população seja visto como “nacionalismo” hoje.

Os grupos que ajudaram na mudança de regime não estão totalmente salvos. À medida em que um grupo começa a ganhar mais força (por exemplo, o capital mais forte que o latifúndio) e se eleva acima dos demais, o círculo de interesses vai ficando menor. E agora, quem fica com o estado? Os trabalhadores são excluídos das deliberações do governo e, aos poucos, os ricos também, começando dos menos ricos e indo aos mais ricos. Quem antes ajudou, passa a ser inimigo e cada inimigo vencido é mostrado como troféu, uma vitória da ordem contra o caos que se instala em qualquer mudança de regime político. No caso da história francesa, esses inimigos eram primeiro rotulados de “socialistas”, depois massacrados. Se algo tinha que ser destruído, tinha que ser antes declarado “socialista”. No caso do Brasil de agora, o rótulo é “comunista”. É a palavra de ordem: “tem que acabar com os comunistas pra que a democracia prevaleça!” Opera-se depois o oposto da democracia, sob a aparência de democracia.

Um desses grupos desfavorecidos é a imprensa livre: órgãos de mídia que apoiaram a ascenção do novo regime e são depois marginalizados culpam depois o povo por permitir tal ascenção e ser “conivente” com a manutenção do regime. Imagine só: a imprensa antipopular pedindo um levante popular contra o regime que ela ajudou a instaurar. Bem feito. Morra de vez. O problema é que isso acontece não somente à imprensa inimiga do povo, mas também à imprensa que estava ao lado dos trabalhadores desde o começo.

Outro grupo marginalizado em pouco tempo são os produtores de bens, os endividados e pequenos empresários. Às vezes até os grandes empresários. Se espera que a ascenção de um governo mais alinhado aos interesses do capital possa fazer o país ficar rico. Reclamam das crises do regime anterior e do período caótico. Mas o que acontece quando o novo regime traz crises econômicas ainda mais fortes? Quando a economia voltará ao passo ordenado, se é que já andou ordenadamente? E quando o país voltará a crescer? Enquanto essas respostas não saem, eu vou curtindo o dólar acima de quatro, já que eu exporto pros gringos.

Não tem coisa mais amiga da onça do que projeção econômica. Quando há restrições demais, a economia adoece. Quando há liberdades demais, também. Quem se confia somente em projeção econômica se desespera quando ela é desmentida. Mas o pior golpe contra os ricos ocorre quando os ricos do congresso não mais representam os ricos fora do congresso. Isso pode acontecer por medo de represália vindo de poderes maiores se os deputados e senadores não se alinharem com o executivo.

“Democracia” ou “república” são apenas palavras belas atrás das quais alguém pode se esconder da fúria dos trabalhadores, quando pronunciadas por gente como essa. O perigo vermelho é apenas um artifício pra que a população, pelo medo, sinta que precisa de líderes e tenha oponentes bem claros contra os quais direcionar seus ataques. Quem são os oponentes? Os opositores do governo. Quem discorda do presidente só pode ser comunista, mesmo que seja também um neoliberal. No período a que se refere O 18 brumário de Luís Bonaparte, até a burguesia se viu em apuros quando viu pairar sobre si o rótulo de socialista. Fascinante, né?

O lado bom disso é que setores poderosos da sociedade são marginalizados (ou até extintos), ministros de partidos antes aliados são destituídos, presidente e ministros contradizem e desautorizam uns aos outros, e por aí vai. Algumas dessas forças são até mesmo levadas a agir contra seus próprios interesses, vendo no mal o caminho para o bem, ou escravizadas. Isso não supera o caos, mas o põe numa panela de pressão: agora ricos se sentem tentados a andar de mãos dadas com pobres que já estão desapontados com o poder, porque o poder passou a representar só a si mesmo e quem é próximo dele. Algumas dessas forças, as mais honestas, até mesmo se aliam definitivamente aos trabalhadores e viram a casaca. A trama da queda do governo é posta em movimento. Isso é facilitado se o congresso, ou outro órgão do governo, tiver contatos com outras nações, mais fortes ou mais influentes, pra avançar seus desígnios.

Veja o que está acontecendo: prejudicando ora uma classe social, ora outra classe social, o governo acaba se tornando inimigo de todos. Isso é típico de governos que tentam agradar a todos inclusive quando dois grupos (como a bancada evangélica e o agronegócio) têm interesses distintos. Muitas vezes, não é possível beneficiar alguém sem tirar de outro. O governante passa a ficar pressionado entre exigências contraditórias. Por causa disso, não é possível um governo que agrade a todos. Um governo que promete agradar a todos, decepciona a todos.

Isso não quer dizer que os ricos menos honestos e os pobres ficaram amiguinhos. Se um rico se alia a um pobre, é geralmente por interesse próprio ou porque percebe que a democracia está em apuros (o que poderia ser ruim pros dois, especialmente pra quem tem algo a perder). Eles estão unidos na luta contra um inimigo comum, mas eles não têm outros interesses em comum além desse. Elege-se uma pessoa que denuncia o “socialismo” ou o “comunismo” como inimigos, mas também é inimiga do grupo dominante que passou a arrogar pra si todo o poder, como o novo salvador da pátria.

Esse sujeito é um “moderado”, que denuncia o poder vigente e a classe trabalhadora como extremos opostos, mas que joga segundo interesses das forças que o sustentam (os outros grupos poderosos que se viram marginalizados). É tipo um Guaidó. A parte interessante disso é que, se esse democrata moderado falha em seus desígnios, ele pode culpar o povo por isso, já que ele se diz democrata e diz agir no interesse do povo. Se ele falhou é porque o povo falhou. Não é fascinante um bicho desses?

Observe, porém, que a força dos trabalhadores reside na mobilização popular, enquanto que a força dos ricos reside na política. Essa diferença ocorre por causa dos números: há mais trabalhadores no mundo do que ricos. Então, o rico que queira fazer seus interesses valerem precisa ser eleito ou comprar um ou mais políticos, pra que ele tenha muito poder mesmo estando em menor número. Se os trabalhadores quiserem fazer valer seus interesses, terão que ir às ruas pressionar o governo… Mas, assim, se você for às ruas, não espere que o governo te receba dando bolo com suco. Quando o governo se sente ameaçado, especialmente pelo povo desarmado, ele reage com seu monopólio do uso da violência. É por isso que os trabalhadores deveriam ter suas próprias armas. Quanto mais poderosa for a classe trabalhadora, menor será a influência da classe dominante sobre os trabalhadores. E isso é ótimo: tem muito trabalhador inteligente e muito chefe idiota. Então, que os trabalhadores resistam à influência cultural da elite. Se os tralhadores tomarem coragem, tomarão também o poder.

Uma pergunta que deve ter surgido é: com todos esses problemas, por que ainda insistimos que precisamos de líderes políticos? É que não somos hoje como os camponeses franceses do século dezenove: autossuficientes. Se cada um tivesse um pedaço de terra fértil pra chamar de seu e produzisse aquilo que lhe basta, não haveria necessidade de governo… Cada família seria um estado. Se bem que, mesmo nessa época, o governo ainda era necessário pra administrar a quanta terra cada camponês tinha direito… Mas, em suma, quanto mais autossuficiente é cada cidadão, menor será sua necessidade de um governo.

Quem manda na democracia?

Aproveitando um levante popular, a burguesia francesa, mostrando-se como representante dos interesses republicanos, conquistou lugares importantes nas comissões, particularmente na assembleia constituinte, que estabeleceriam os termos do novo regime. Tiraram da constituição qualquer elemento socialista e, basicante, trouxeram de volta, com forma republicana, elementos de um regime já superado. Isso manteve seu poder. Ao menos nesse caso, quem passou a mandar foram os ricos, utilizando o poder bruto dos trabalhadores revoltados pra chegar onde chegaram, conduzindo-os e sendo seus “representantes”.

A cada vitória, como o direito de votar e as liberdades individuais (como são os direitos humanos), vem também uma limitação que torna inócua a vitória alcançada. Por exemplo: nem todos podem votar ou os direitos de liberdade de expressão e associação são limitados por coisas vagas, como a “segurança nacional” (uma tática reacionária que pode ser empregada inclusive contra a imprensa). Assim, embora os trabalhadores tenham conseguido novos direitos e novas liberdades, tais direitos e liberdades são rapidamente tornados inúteis contra a nova classe dominante. No mais, as coisas… continuam do mesmo jeito que eram antes da mudança de regime. Foi assim naquele período. Não é exatamente assim hoje, mas é quase isso. A constituição, inclusive a nossa constituição, é um documento lindo, mas as limitações aos direitos por ela garantidos fazem com que a constituição valha preferencialmente pros amigos do governo. Isso não impede que os trabalhadores invoquem, com toda a justiça, a mesma constituição pra reinvidicar seus direitos já garantidos. Mas isso também mostra que a democracia não é imune às diferenças entre classes e tal democracia pode ser aparelhada por uma classe social em detrimento das outras, particularmente dos trabalhadores.

Essa infestação de gente antidemocrática em ambientes que deveriam ser democráticos também ocorre entre poderes. O poder legislativo tem mais gente, então tem mais representantes das classes dominantes, mais gente que pretende usar a política pra se dar bem e amansar o povo. É natural que ele seja o verdadeiro chefe de estado. Isso porque o poder legislativo, na pessoa do congresso, pode afastar o presidente. Mas o presidente não pode fechar o congresso, a menos que se tenha instaurado uma ditadura. Seria inconstitucional (não que o congresso não tome uma decisão inconstitucional de vez em quando). É uma ilusão pensar que o presidente manda numa democracia. Quem manda é o congresso. E o congresso está cheio de gente representando pessoas que são contra os interesses dos trabalhadores.

Esse congresso pode, embora dificilmente, alterar a constituição, se bem que somente seus aspectos passíveis de mudança, o que pode ter efeito cascata sobre várias outras leis, inclusive trabalhistas. Mas o congresso não tem todos os poderes. Ele não pode, por exemplo, decretar o fim da república. Só uma nova constituição pode mudar o regime de governo e fazer uma constituição novinha, do zero, requer uma assembleia constituinte, de caráter temporário. Isso é importante, porque quer dizer que o presidente pode jogar a constituição contra o congresso se houver oportunidade pra isso, já que ninguém pode mexer nas chamadas “cláusulas pétreas“.

Isso não quer dizer que o poder executivo é impotente, primeiramente porque o presidente é eleito pela maioria dos votos da população inteira. O congresso representa diferentes setores da sociedade, mas o presidente representa a maioria da sociedade e isso já lhe dá um respaldo enorme em suas ações se ele também for bem avaliado. O pessoal vai pra rua pelo presidente que ama e abandona o presidente que odeia. Se houvesse um atentado presidencial, com apoio popular, contra o congresso, a guerra entre poderes ia ser muito feia e talvez muito curta. Isso pode ser agravado pela ciência do chefe do executivo de que ele tem apenas quatro anos pra conseguir vencer essa guerra. Ou ele pode usar esses quatro anos pra curtir, com o gordo salário que ganha, e deixar esses conflitos de lado. Outra coisa que pode resolver tensões entre executivo e legislativo é a corrupção: sabendo os podres um do outro, políticos compram silêncio mútuo.

Quando um conflito entre os dois poderes parece inevitável, pode ser que o presidente resolva começá-lo. Caso o presidente resolva peitar o congresso, preferencialmente se estiver com apoio popular, ele pode fazer isso com as forças armadas, as quais devem antes ser alienadas da realidade popular a ponto de pensarem estar agindo para o bem de todos. Nenhum poder legítimo, nenhum golpe, nada se sustenta sem apoio militar e popular. Lembre que o golpe militar de 1964 teve apoio crucial da população brasileira e a ditadura começou a desmoronar com a queda de sua popularidade. Um governo só subsiste se a maioria da população se reconhece nele.

Esse apoio popular pode ser obtido voltando as pessoas contra o congresso, ou seja, contra a democracia (o que equivale a fazer o povo agir contra seus interesses). Para fazer isso, é preciso esperar um momento em que o congresso tome uma decisão impopular. Daí, a força que pretende dar o golpe, seja ela o exército ou qualquer outra força, se põe ao lado do povo ou ao lado de alguém poderoso que não tenha gostado do movimento feito pelo congresso. Faça isso sempre que o congresso decepcionar um aliado potencial e logo você terá aliados efetivos.

Esse processo é facilitado caso a força que tenta dar o golpe seja também demagógica e caso sua audiência seja composta de pessoas da pior estirpe (criminosos, por exemplo, e outros vagabundos), que se sentem “dignos” sob a sombra do golpista e podem até virar gente importante no governo vindouro. Esse é o pessoal que, sob a proteção do olho cego da polícia, xinga e até agride opositores na rua. Por isso que é uma boa ideia que exista mais de uma polícia em um território (federal, civil, militar, entre outras), pra que uma polícia legítima mitigue uma polícia aparelhada. O golpista pode até dizer pra seus seguidores pararem, mas, pela omissão da polícia, eles entendem que a verdadeira mensagem é continuar.

Com o crescente furor social proporcionado pela omissão da polícia e pela corja vagabunda, um golpe pode ser dado pra “pacificar o país”. Se os trabalhadores fizerem insurreições em tal momento, será fácil colocar os militares contra o povo. Isso é outra forma de dizer “me deixem governar como eu quero, em silêncio, ou a convulsão social me levará a medidas drásticas.” O golpista bem que gostaria que seus subordinados imediatos fossem tão eficientes quanto seus seguidores populares. Quando a tensão social chega a níveis extremos, até cidadãos que não apoiam o presidente pedirão a vinda de um “governo forte”. Esqueceram de mencionar que há meios constitucionais de obter tranquilidade. Qual é o cara que propõe golpe militar em nome da paz? Esse tipo de situação não traz paz.

Mas a perspectiva de golpe pode, além de prejudicar a paz, causar instabilidade econômica: o capital financeiro precisa de estabilidade local pra investir em um país. Então, um país onde o governante provoca o povo à revolta é um país onde se investe menos. Aí, o governante pode fazer parecer, com apoio da mídia vigarista (em oposição à mídia intelectual, que pode até apoiar setores do governo), que o baixo investimento é culpa do povo, que não o deixa governar. Tal afirmação pode ser também uma tática de distração, fazendo com que o problema econômico pareça ser de raiz exclusivamente política, facilitando que o governo culpe adversários, mas problemas econômicos raremente têm só uma causa. Aliás, no capitalismo, a causa de uma crise em um país pode estar até em outro país, o qual, por qualquer razão, deixou de importar da gente, por exemplo. Isso faz qualquer opositor do presidente parecer um traidor da pátria.

Se o povo for idiota o bastante pra acreditar que a própria pobreza é culpa dele somente, tal povo também estará aberto a sugestões do que fazer pra mudar isso. Coisa simples é manobrar uma população ignorante. Por causa disso, o congresso nunca deve subestimar um presidente, mesmo que seja um presidente horrível, se ele for também capaz de fazer o povo de títere.

Se acontece um golpe, o congresso se dá mal, porque o aparelhamento do congresso, seguido de seu fechamento, é uma das primeiras coisas que acontecem. Terá que escolher entre ser fechado ou existir apenas pra dizer “amém” ao presidente. Se fechado, seus integrantes terão que sair por onde entraram, de cabeça baixa. O congresso pode ser fechado imediatamente após o golpe, por violência, ou aos poucos, por asfixia econômica ou desvio de função (quando o executivo, pouco a pouco, assume as funções do legislativo). Talvez os deputados e senadores mais incisivos sejam até presos. Nada de diálogo com essa gente que fala com as armas. Mesmo a mera ameaça de um golpe de estado pode calar a prepotência do congresso, se o poder executivo e as forças armadas forem suficientemente próximas.

Então, é preciso que o congresso sempre se ponha ao lado do povo, isolando o presidente, tirando dele tanto poder quanto for possível. Um congresso impopular, com imagem arruinada, se coloca em risco. Uma vez que o risco está estabelecido, tudo o que executivo precisa fazer é negar apoio policial (e militar) ao congresso caso uma população insatisfeita resolva invadir o local e matar seus integrantes. Portanto, que o congresso seja amigo do povo e o represente de verdade. Isso, ou o presidente construirá sua popularidade encima da impopularidade do congresso, ou seja, às suas custas, o que poderá ser letal pra democracia. Se congresso ficar ao lado do povo, o presidente recuará. Mas o congresso que rompe com o povo, não pode depois romper também com o executivo sem ameaçar sua própria existência. Fica-lhe, portanto, de escravo.

Mas tem uma coisa mais eficaz que um golpe e ainda mais segura: a ocupação do executivo, do legislativo e das forças armadas por um só partido. Claro que, no Brasil, as forças armadas não podem legalmente ser partidarizadas, mas isso tem mais efeito no papel do que na vida real: uma pessoa que concorda com os ideais de um partido não precisa formalizar sua filiação (observe que isso também deixa aberta a possibilidade de diferentes setores das forças armadas serem a favor ou contra o regime dominante, o que dividiria o exército em facções). Então, um bom jeito de alinhar as forças armadas a um partido é colocando as forças armadas sob um ministro indicado pelo executivo, por exemplo.

Se o legislativo e o executivo estão sob controle massivo de um só partido, ninguém pode dizer que eles estão lá por terem dado um golpe (foram eleitos democraticamente) e o país estará totalmente aberto ao plano de governo do partido eleito. Seria bom, porém, que, em uma situação ótima como essa, as forças no poder tornassem o estado autônomo o bastante pra resistir ao desmonte por um ou mais eventuais patifes que venham a ser eleitos.

Golpes militares, as constituições e as leis.

No caso da constituição francesa, foi a violência que permitiu que a constituição fosse gestada sem interferência popular durante o caos ocorrido no fim da monarquia. Também foi pela violência que a constituição veio abaixo. Um exemplo dessa violência, discutido em O 18 brumário de Luís Bonaparte, é a militar. Durante a nossa ditadura, os militares também fizeram uma constituição. Ou melhor, a assembleia constituinte fez uma constituição com os militares pressionando seus integrantes (dentre os quais, ninguém de oposição). Trata-se da Constituição do Brasil, de 1967.

A declaração de estado de sítio foi um artifício periódico usado pelas autoridades francesas quando elas queriam usar a violência estatal pra reprimir algum inimigo interno. Agora, pense: se o exército é usado dessa forma, a toda hora, ele não terá, algum dia, a ideia de que pode agir em interesse próprio pra reprimir seus próprios inimigos e, de quebra, controlar a economia? Esse “movimento” é facilitado num regime em que um militar ocupa também um cargo político de importância (o que é crime, já que um militar da ativa não pode ocupar cargo político).

O exército, se quiser tomar o poder, precisa fazer alianças. É preciso que haja apoio popular, então é preciso que haja dinheiro, propaganda, entre outras coisas. Depois que o golpe ocorre, esses sujeitos passam a elaborar as leis, inclusive a constituição. Como um golpe, por sua natureza antidemocrática, nunca está realmente comprometido com o povo, tal povo é posto em segundo plano. Entenda: depois que o golpe é dado, a ditadura que se segue não precisa apoiar quem apoiou o golpe. Pelo contrário: todos estão sob risco de ataque, inclusive os apoiadores da ditadura, por qualquer razão, mesmo a mínima dissidência. Essa é a restauração que o reacionário quer.

Claro que o povo, por mais tolo que seja, perceberá que fez besteira quando ver que o governo estava somente o usando. No entanto, se o povo só perceber que agiu contra seu melhor interesse depois que começa a sentir as graves consequências, a quem ele vai recorrer pra se recuperar, se não ao próprio governo que já o traiu antes? De ajudante do governo na guerra contra “o comunismo”, o povo se torna escravo do neoliberalismo.

Um golpista legisla e governa primeiramente pra si mesmo, momento no qual ele mostra quem realmente é. A constituição, portanto, que deveria ser feita por representantes do povo, é feita por gente que nada tem mais a ver com o povo depois que o golpe é dado.

É por isso que tem presidente que fala sério quando diz que quer fechar o congresso, já que o congresso representa o povo. O congresso é o reino do debate, onde as leis são debatidas e os rumos do país são definidos pelos representantes do povo. A existência de um congresso nacional assegura a existência de debate no país inteiro. Sem o congresso, o presidente está livre pra fazer o que deseja sem ter que prestar contas a qualquer pessoa. Possivelmente nem ao judiciário. Afinal, a força que poderia tirar o presidente de lá, o congresso, não existiria, e, sem ele, some também o debate sobre as decisões presidenciais e o poder de anulá-las.

Para terminar, o caráter de ilegalidade é atribuído aos opositores do regime tirando da população o direito de revolta. Assim, se rebelar contra um governo injusto passa a ser ilegal. Isso equivale a tornar legal a injustiça.

Assim, enquanto as forças do poder usam o povo apenas como fonte de recursos humanos, colocando agiotas no ministério da fazenda entre outras coisas, o potencial dos movimentos sociais é reduzido ou neutralizado, perpetuando o uso do povo apenas como meio de sustentar a máquina estatal opressora, embotando seu potencial revolucionário com a religião sancionada pelo governo. E esse é o golpe final: submeter a educação pública à religião. Qual religião? Aquela que o presidente apoia. Isso quase transforma os pastores em funcionários públicos, encarregados da manutenção do sistema. Deus é posto no bolso, porque o deus desses pastores é o dinheiro. Está no interesse deles vender terreno no céu pros fiéis que aprenderam bem a menosprezar as riquezas terrenas, ao contrário de seus líderes, servidores de Mamon.

Como os poderosos caem.

Um poder pode ser levado abaixo pelo levante popular, mas, pra isso, é preciso que a população esteja suficientemente louca. Um bom jeito de conseguir fazer isso é pela via econômica. Um projeto de poder que quebre o país e quebre também um indivíduo é um projeto de poder que ameaça a vida dos cidadãos, pois tanto os serviços públicos serão prejudicados quanto a capacidade de obter serviço pela via privada será também reduzida. Uma pessoa que não tem nada a perder perde também o medo de lutar.

Quando essa situação acontece, os cofres públicos precisam ser reabastecidos, custe o que custar, até porque são os cofres públicos que alimentam os militares. Entenda: um estado é forte na medida em que é alimentado com o dinheiro público, porque é com dinheiro público que tanto sua capacidade de legislar quanto de punir é mantida. O governo então precisa aumentar impostos ou achar jeitos de tirar o pouco que a população ainda tem, pra poder reabastecer as reservas estatais. Isso não servirá pra melhorar a situação do país, mas apenas pra evitar que ela piore.

No entanto, isso também faz com que a pessoa, o indivíduo, o cidadão desse país piore de condição. Isso cria uma situação em que o governo e o povo se tornam inimigos: o governo precisa tirar do povo pra manter a máquina estatal em funcionamento, sem retribuir esse povo satisfatoriamente. Que é isso, se não roubo? Tais ações privam o governo da autoridade. Se o poder legislativo e o executivo estão ambos sem autoridade, quer estejam ou não separados, o relógio da revolta é posto em movimento. Quem sabe? Talvez os “comunistas” tivessem razão afinal… Que tal lhes dar uma chance?

Observe que isso também quer dizer que o levante popular contra o sistema estabelecido é menos provável se os serviços públicos estão funcionando e se as pessoas mantém seus fundos pessoais, podem comprar mantimento, têm lazer, enfim, têm dinheiro. Se as pessoas estão felizes, elas não quererão arremeter contra o governo, seja ele uma democracia, ditadura, monarquia ou o que quer que seja. Porque, no final das contas, a função do governo é zelar pelo bem-estar da população. Se ele consegue fazer isso, quem irá reclamar dele? Por isso, revoluções ocorrem mais frequentemente em tempos de crise econômica. Quando a economia vai bem, todo o mundo se segura, pra evitar que movimentos sociais prejudiquem a economia. Quando a economia vai mal, a situação é invertida.

Recomendações.

Embora O 18 brumário de Luís Bonaparte seja um livro de séculos atrás, ele acaba sendo supreendentemente atual. Parece que a estratégia usada por Bonaparte (caso você não tenha ainda notado, o Bonaparte do livro não é o Napoleão) é similar a usada por Bolsonaro, ao fazer acordos com grandes nomes pra depois se ver “forçado” a governar para poucos. Esses poucos pra quem ele governa são seus seguidores no Twitter, que é o 4Chan da nova década, enquanto que Bonaparte governava pra Sociedade de 10 de Dezembro: um amálgama de vagabundos que representava o campesinato retrógrado.

Mas, para chegar ao poder com ideias foscas, você precisa apelar pra saudade que as pessoas sentem de como as coisas eram. Em vez de propor coisas novas, um candidato sem conteúdo fica fazendo referência ao passado. É o truque pra trazer os reacionários adormecidos à superfície. Ao trazer de volta o passado, se traz com ele problemas até já superados. Mas as pessoas ficam distraídas, querendo voltar, sem perceber como as coisas poderiam ser diferentes. Por que isso dá certo? Porque o passado histórico é verificável. Já uma nova ideia, não sabemos seu conteúdo real antes de testá-la.

A saudade do passado também desperta quando vivemos tempos caóticos. O caos que se formou no segundo mandato da Dilma chegou até a dar um fôlego ao Partido da Social-Democracia Brasileira, que acabou sendo pulverizado depois. O antipetismo fez muitos se perguntarem se o Brasil antes do Partido dos Trabalhadores poderia ter dado certo. E se a direita tivesse obtido mais um mandato, em vez do Lula? As coisas teriam sido melhores? Claro que esse sentimento foi amplificado pela mídia oportunista, que o canalizou na forma de um anseio pela volta, não do PSDB em particular, mas da direita neoliberal em geral. Uma solução para o caos?

É muito estranho que todos olhem os presidentes como líderes da nação. Eles são meros representantes de um projeto de poder sancionado pela maioria. Mas isso não quer dizer que é a maioria que manda na democracia. Os jornais da época a que o livro se refere apoiaram a briga contra o proletário e seu direito, certo? Também não nos esqueçamos que jornais brasileiros apoiaram o golpe militar de 1964 e, incentivando a criminalização da esquerda, pavimentaram o caminho pra ascenção do Jair, o qual, em seu primeiro ano de governo, perdeu uns vinte pontos percentuais de apoio. Uma boa fatia da mídia se arrepende do que fez. Mas uma mídia dessas, controlada por uma minoria, pode manipular o pensamento da maioria ingênua. Isso não é governo da maioria, mas o governo eleito por uma minoria que manipula a maoria a votar contra seus próprios interesses.

Rousseau diz que a democracia de fato só pode ocorrer se cada um vota naquele que melhorará sua vida em particular. Porque assim, quem será eleito será aquele que beneficiará a maior quantidade de indivíduos. Se você tenta “votar pelo Brasil”, em vez de por si mesmo, você tem que saber como anda o resto do Brasil. Aí que mora o perigo. Ao votar no que você acredita ser bom pra maioria, em vez de apenas bom pra você mesmo, você terá que recorrer a meios de comunicação de massa pra saber como está o resto da nação. Ora, mas a mídia é manipuladora, todo o mundo sabe, embora nem por isso olhemos pra ela com a devida criticidade. Então, se você tenta “votar pelo Brasil”, em vez de votar pra si mesmo, você terá que recorrer às notícias. Ora, se sua visão do Brasil corresponde à visão do noticiário, você não elegerá a pessoa de quem o Brasil precisa. Você acabará elegendo o candidato que representa o interesse das pessoas que fazem o noticiário.

Se uma minoria, seja a mídia corporativa ou qualquer outra minoria, leva a maioria a pensar como ela, o representante eleito representará a minoria, não a maioria. Por causa disso, não tem nada mais perigoso do que “votar pelo Brasil”. Sempre vote apenas por si mesmo. Vote apenas naquele que pode beneficiar você. Se todos fizerem isso, o representante eleito realmente será da maioria.

Fala-se muito que pode haver um golpe militar amanhã. Mas O 18 brumário de Luís Bonaparte e também a própria história tradicinal nos mostram que nenhum golpe é feito sem apoio do povo. É preciso tanto que as forças armadas estejam interessadas quanto também uma parcela significativa do povo. Na atual configuração geopolítica, um golpe militar só causaria problemas ao Brasil. A ONU não ia deixar passar barato, nações democráticas ficariam com ainda mais receio de investir aqui ou de fazer negócios com a gente. Nessas condições, creio que um golpe militar, se fosse irresponsavelmente lançado, ocasionaria uma ditadura mais curta que a última. Além do mais, se a maioria da população for contra o regime militar, a sua capacidade de organização e protesto é facilitada pela Internet, algo que não estava disponível ao povo durante os anos de chumbo. O ditador teria que censurar a Internet. Mas ele teria coragem?

O que faz o povo juntar forças pra derrocar um governo é a condição econômica. Se o estado prospera é porque a economia vai bem tanto pro governo quanto pro povo. Se a economia vai mal, um terá que tirar do outro. E, claro, será o governo a tirar do povo. Nessas condições, o governo e o povo tornam-se inimigos. Se o governo não honra seus compromissos com o povo (e a função do governo é, sobretudo, assegurar o bem-estar do povo), tampouco o povo precisa honrar seus compromissos com um governo que só tem munição pra uma hora de guerra. Se tivéssemos meios legais de ter e portar armas, a revolta seria a melhor forma de o povo derrubar o governo. Sem armas, a melhor forma que eu vejo é se recusar a sustentar o governo. Isso é feito através da greve geral. O ideal seria fazer as duas coisas, mas é difícil levar a sério uma “revolta pacífica”. Então, se quiser pressionar o governo, pare de trabalhar. Fique em casa e convença outros a fazer o mesmo. De quebra, pare também de comprar. A perda pra eles é maior.

11 de março de 2019

What I learned by reading “The German Ideology”.

Filed under: Livros, Notícias e política, Organizações — Tags:, , , — Yurinho @ 17:19

The German Ideology” was written by Karl Marx and Friedrich Engels. Below, what I learned by reading this text.

  1. All the great philosophical currents before Hegel have a position on the dichotomy between subject and object.
  2. The formal logic is Aristotelian.
  3. What contradicts itself may be false.
  4. But if something moves, it is contradictory.
  5. The attempt to know an object impartially, that is, to keep the object distant from the subject in order to know the object by itself (what we call “objective knowledge”), is a positivist idea.
  6. “Work” is the alteration of the objective world through subjective action, which can even be done without us being aware of it.
  7. Humans create “their” world.
  8. Reality is not in another world, but even so things are not as they appear to be.
  9. Our world is result of the collective work of all of us, men.
  10. Awareness is not enough if it does not lead to change.
  11. Ironically, the more objects are valued, the less value is given to those who make objects: the workers.
  12. Workers become commodities.
  13. The worker becomes the object of the object he makes.
  14. Although Engels and Marx had foundations on Hegel’s philosophy, they later became critics of Hegel.
  15. Men work, that is, only men are able to change the world instead of just adapting to it.
  16. The next generation will inherit the changes made today.
  17. Although work is good for us all, most humans, though capable of working, do not want to work (reminding that work is the ability to change objective world through subjective ways).
  18. That’s because the transformations that the upper classes order from us are not the transformations we want to make.
  19. So we use our ability to work (power to transform) to follow the interests of others, not ours, producing transformations we do not want.
  20. This is called alienated labor: we don’t recognize ourselves in the work that is done.
  21. Societies arise from the need that humans have to unite against the threats of nature.
  22. The German Ideology is an unfinished work: the original text has damaged pages and even missing pages.
  23. A text is not the propaganda that is made of it.
  24. Bruno Bauer is accused by Marx and Engels of strawman argumentation: he had a review of the Holy Family , then he criticized the review as if he criticized the book, which is not the same thing.
  25. Reducing philosophy to self-consciousness operates no change anywhere.
  26. Solving real problems requires real solutions: one does not solve the problem of poverty with “self-consciousness”.
  27. The practical materialist wants to transform the world, not only at a conceptual level, but also at concrete level.
  28. Do not confuse the concept of man with the men you see on a daily basis.
  29. It is wrong to contemplate reality, if you are not going to act upon it.
  30. Your concept of man may be invalid to the point of applying only to the men of your country.
  31. Our world is a historical construction.
  32. The human world is not autonomous, it is not static, it changes with our actions.
  33. Without human activity, science would be weak or non-existent.
  34. If human activity (work) ceased completely for one year the world would be different.
  35. The human being is a sensitive object, but he is also capable of sensitive activity, so that it is not possible to understand a man without understanding his actions as well.
  36. To say that all human beings are equal is a lie: compare a rich man to a poor man.
  37. Explaining the world is not enough.
  38. Human potential is only activated if the subject has its survival conditions satisfied.
  39. History is the product of human labor, which would not exist if men were dead.
  40. Therefore, the satisfaction of survival needs is a condition of possibility for work and, consequently, for history.
  41. Families should be studied empirically, a study that has nothing to do with the current “concept” of family.
  42. The history of mankind can not be abstracted from the history of labor, from the history of industry (in a broad sense, not in the strict sense of “factory”).
  43. Language arises from the need to communicate.
  44. The human being has to build his life, but he is limited by his physical capacity and his conscience.
  45. The human consciousness is improved by the increase of the necessity and the increase of the production, both based on the increase of the population.
  46. With the increase of the population, the division of labor begins, in principle, according to aptitudes : the strongest are those who carry things, the more intelligent are in charge of planning things and só on.
  47. Work could also be divided casually or according to need.
  48. The division of labor reaches its apex with the division between practical (material) work and theoretical (spiritual) work: some think and others act.
  49. This is where the aspiration for “pure” knowledge begins, as if we could abstract our thought from the practical world.
  50. If there is a religion, the division between thought labor and practical labor creates the need for a priestly class.
  51. The deeper the division of labor, the greater the chances that there will be those who only produce and those who only consume.
  52. The apex of the division of labor: thought without activity and activity without thought.
  53. When the work is divided, profession is imposed by need and you have to perform that function, or you will lose your means of subsistence.
  54. This makes us employ our work force in things we would not like, because we are doing what we are told to do, not what we want.
  55. The collective interest, in the form of the state, appears to have an “autonomous” existence.
  56. The class that “represents” this “collective interest” becomes dominant (see note 86).
  57. For workers to impose their interests as the “collective interest,” they must acquire political power.
  58. All struggles within a state are apparent manifestations of a deeper struggle between the ruling and dominated classes.
  59. Communism is not a state of affairs, but a movement.
  60. Communism can not prevail at the local level, but only at the global level.
  61. Communism needs the sudden action of the dominant classes, which imply that workers must ascend to power first (see note 58).
  62. The next generation uses, under different conditions, the means of production of the former generation.
  63. A phenomenon that subverts governments can surely called a “historical” thing.
  64. Those subvertions are practical, never purely spiritual.
  65. It is with practical elements that reality changes.
  66. Individuals form one another, either materially or spiritually.
  67. Revolution is necessary when the overthrowing of dominant power is not enough: we need revolution when there’s a need that those who come to dominate do so without the impurities of a pre-existing system (for example: coming to power by democracy does not eliminate social classes).
  68. New ideas are born from practical problems.
  69. We are influenced by circumstances, but that does not mean we can not influence such circumstances.
  70. If you can not put an idea into practice, it is not the repeated proclamation of the idea that alone will create the circumstances of fulfillment.
  71. Nature and history are complementary, not opposed to each other.
  72. A history that disregards the practical historical elements is eluded by the current prejudices.
  73. The social organization of states is born from practical issues, because the state is not organized without practical goals.
  74. Germany has neither the monopoly of thought nor the monopoly of historical action.
  75. It is not enough to explain without acting.
  76. Attacking something as a philosophical category does not eliminate that thing.
  77. The class that owns the means of material production also has means of intellectual production.
  78. Because of this, the ideas of the ruling class are the dominant ideas of an era.
  79. Beware of those who say that “some evils should be accepted”.
  80. Ideas are not abstracted from the people who think such ideas.
  81. An idea has no autonomous existence: it resides in the people who think alike.
  82. For a class to dominate, it must make its interests be seen as public interests, and they usually do so by claiming to act according to higher ideals (“freedom”, “equality”, among others).
  83. As soon as the class begins to dominate, that public interest becomes the particular interest of the class that comes to dominate.
  84. To make it appear that ideas are more important than the people who think them:
    1. You abstract the idea, as if an idea could stand alone.
    2. Connect the dominant ideas to each other.
    3. Assign the resulting current of ideas to the intellectuals of the time, so that it seems that the idea arose not from an empirical, material need, but from an activity of disinterested speculation.
  85. The way we look at our times may be wrong: maybe we only understand this current year in the future, when we will look back.
  86. So we can not interpret a historical period by accepting what the period says of itself, but by what such period objectively is.
  87. Nature produces instruments of production, but they are, of course, very different from the means of production made by civilization.
  88. Instruments of natural production: the field and the water, among others.
  89. The industry that uses civilized means of production can only exist by division of labor.
  90. The division between manual labor and intellectual labor is what generates social differences between city and countryside.
  91. With the emergence of the city, the need for politics (community organization) is greater.
  92. When you divide the population between the thinkers and the workers, you create two groups with interests that are farther apart at each passing day.
  93. Cities are created by the need of defense of private property, of more means of production or of security, for example.
  94. When you totally master a craft, instead of just mastering part of it, you can perform such craft “artistically,” which allows you to draw pleasure for your work.
  95. But when you master only part of the craft, you tend to be indifferent to such craft.
  96. The seller didn’t necessarely made what he is selling.
  97. The division of labor may extend to cities, with each city exploiting a specific industrial branch.
  98. Without trade, a regional invention disappears if the region disappears (or is dominated).
  99. The first manufacture was weaving, and it became a manufactory thanks to the need for large amounts of clothing.
  100. Handmade weaving still exists, tho.
  101. Manufacture created the relationship between employer and employee, a relationship mediated by money, when before there was only the relationship between apprentice and master.
  102. If there is no further stimulus to production, capital remains stable … or diminishes.
  103. You can not increase your capital without increasing your output.
  104. In the seventeenth century, commerce and shipping expanded faster than manufacturing.
  105. During this period, there was demand for raw material produced in the territory itself and the export of such material could even be prohibited: the raw material produced in one country should not be given to others .
  106. Historically, it was necessary to make a revolution to win the rights fro free competition in a nation.
  107. The great industry has universalized competition.
  108. With this, each citizen depends on “the whole world” to maintain his level of comfort (we use goods that come from outside, as we export our goods to others).
  109. In places with a presence of the large industry, less advanced forms of production become infrequent or cease to exist (such as crafts).
  110. When private property interferes in industry or when industry is subordinated to private property, industry becomes destructive.
  111. The great industry has been destroying the particularity of each country.
  112. The industry has the same interest in all the nations in which it is established.
  113. Despite this, industrial development is not uniform across all areas of a given territory.
  114. Industry demands from the worker all of his energies, leaving no time for “higher” interests, which in turn weakens the religion and morals of a place.
  115. The conflict between productive forces and forms of interchange generates historical “collisions.”
  116. Competition brings workers together without uniting them , on the contrary: when several workers are together, but competing to each other, then each worker is effectively isolated.
  117. Because of this, the necessary union for the changes in favor of the working class is delayed, unless the great industry itself has produced means for faster communication.
  118. To say that we are the product of our nations would only make sense if the state was born before the citizen.
  119. Identical conditions, identical oppositions and identical interests make up for identical customs.
  120. The bourgeoisie is also divided into fractions based on the division of labor.
  121. As long as people feel no need to fight against an oppressive class, oppressed individuals will compete with each other.
  122. Personal freedom is possible in community.
  123. It is possible to liberate in isolation (liberating myself or others as individuals), but it is also possible to liberate myself as a class (all traders, all teachers, all workers, among others).
  124. The proletarians can only change something together and only by working with other proletarians; the help of other classes may become disruptive.
  125. When individuals free themselves, they do not necessarily destroy the conditions of existence that continue there.
  126. Even modern sheep and dogs are the product of a historical process: dogs were not always domestic animals, for example.
  127. Ending the state is something that can only be done via revolution.
  128. Colonization and conquest make the colonized or conquered territory receive the forms of exchange of the dominant country, causing the territory to experience a productive advance without going through all the stages that the dominant country had to go through in its own development.
  129. When the conquest takes place, the conquering country takes over the productive forces of the conquered country, which gives rise to new means of production.
  130. When the united individuals take ownership of the total means of production, private property may be extinguished.
  131. What is observed today, however, is the private acquisition of each isolated individual.
  132. The basis of the state is the social organization directly derived from production and exchange.
  133. Private property really begins with the concept of movable property.
  134. The state exists because private property needs to be protected.
  135. Collective institutions, when mediated by the state, acquire a political form.
  136. With private property, a demand for private law arises.
  137. Private property does not rest simply on private will.
  138. Private property is independent of the community.
  139. How can you be entitled to something you do not have?
  140. The law is not simply based on our individual will.
  141. The division of labor influences science as well.
  142. How do individuals’ lives escape their own control?
  143. Feuerbach’s philosophy is summed up in philosophy of nature, anthropology and morality.
  144. The human being only reveals his potential in community: alone, a man does not go far.
  145. This also holds true for our current needs: we depend on each other.
  146. The division of labor also occurs in Protestantism.
  147. Not everyone is happy with their condition, so being discontent is normal.
  148. You are not your profession, your job is not your essence.
  149. The set of questions addressed by the German critique comes from the Hegelian system.
  150. Many German critics claimed to have surpassed Hegel … but they could never stop depending on him.
  151. A Hegelian man understands the world only as long as it can be reduced to a Hegelian category.
  152. How can a young man “shake the world” if he is conservative ?
  153. Fighting words with words makes no difference to the world.
  154. A young man’s idea of ​​his own attitudes may be different from the celebration around such attitudes and the opinion of foreigners about such attitudes.

  155. Real individuals, their material conditions, and their actions are solid assumptions upon which to begin reasoning.

  156. There is human history and natural history.

  157. Human history influences the natural history and natural history affects the human history.

  158. Good assumptions are empirical and verifiable.

  159. The bodily organization of the human being allowed him to produce his own means of life.

  160. By producing your livelihoods, you indirectly produce your entire life.

  161. However, producing your livelihoods is not something that can be done without relying on existing and natural livelihoods (such as water and air).

  162. Production is stimulated by population growth, which, in turn, stimulates trade, which in turn is conditioned by production.

  163. The first historical act of the human being was the production of his means of life, not reflective thought (because history is change and thinking alone does not change anything).

  164. The relationship between one country and another as well as the internal structure of that country depends on the development of its production and its interchange (internal and external).

  165. The first form of property was the tribal one.

  166. The second form was communal .

  167. Along with communal property develops mobile private property.

  168. Later, we have privately owned property.

  169. Nevertheless, these forms of private property are subordinated to the communal property in that first moment.

  170. Communal property increases the power of the people, while private property reduces the power of the people.

  171. The third form was feudal.

  172. The old property was centered on the city, while the feudal property is centered on the countryside.

  173. The Roman conquests stimulated agriculture.

  174. As the population grew, the number of artisans remained more or less stable, facilitating the hierarchy, within the cities, between master and apprentice.

  175. The feudal property was constituted by the property of land and by the work of the servants.

  176. Social structure and the state are the results of the actions of particular, empirical individuals who act as they can under conditions which such individuals often have no power over.

  177. Early ideas were intertwined with material life.

  178. These ideas were fundamentally linked to material activity and only in later moments did men form more abstract ideas.

  179. Abstract ideas can originate from ” sublimations ” of the everyday empirical process.

  180. Thus, for example, metaphysics bears little resemblance to the concrete fact, because it’s extremely abstracted.

  181. Thus the evolution of metaphysics is, in fact, the evolution of man: when man changes, his thoughts and the products of his thought also change.

  182. Consciousness is therefore determined by life and can not determine such a life alone.

  183. Some intellectuals stir up riots to bring their ideas back to the memory of the public who no longer remember them.

  184. The contradiction within a philosophy is a problem of that philosophy, and probably doesn’t reflect a contradiction in the world.

  185. Ideas are not the foundation of the empirical world!

  186. Philosophers are not heroes, not every philosopher revolutionizes the world.

  187. The desires we feel are a force that originates in us and dominates over us: we can not choose what feelings we have.

  188. Some authors hate when people understand their books.

  189. For example, when I understand a work correctly, I can make a relevant criticism to it.

  190. Criticism is not abstracted from critics, we can not treat concepts as independent of the people who conceive them.

  191. You should read a book objectively, not necessarily as the author wanted you to read, because some people write books expecting you to think in a certain manner, rather than allowing you to draw your own conclusions about the issue presented.

  192. If you do not read objectively, your interpretation of the text will be biased.

  193. Philosophy must participate in political life.

  194. Hegel recommended the reading of reviews because they could exceed the object appreciated by them (presumably the original work), but this is incorrect, because there are reviews that have nothing to do with the work reviewed.

  195. It is best to read the original work.

  196. Before you complain that justice does not pay attention to you, ask yourself if justice exists in the first place.

  197. Children are not metaphysicians.

  198. Teens are not metaphysicians either.

  199. It is necessary to confess that children and adolescents are generally not guided by greater principles, but by pleasure, and that one’s own conscience isn’t scary enough to keep someone’s actions within the law.

  200. You do not need metaphysics or logic to enjoy life.

  201. You are not alone in the world, not even metaphorically.

  202. The thing you think about is indifferent to what you think about it.

  203. Destroying your own opinion about something destroys neither the thing nor its universally valid concept.

  204. Changing your opinion doesn’t change your world.

  205. Believing something is not the same as conquering something, especially if you believe in something false.

  206. Do not be gullible, do not be naive.

  207. To seek a better world is to admit that the current world is not satisfying.

  208. Contrary to popular belief, the natural family is not a very important value in Christendom (Matthew 10: 35-39, Matthew 12: 46-50, Matthew 19:10).

  209. The concept of “wise man” varies from one philosophical school to another.

  210. The Stoics did not condemn incest.

  211. The theory of the social contract, that is, that the state is born of mutual agreement among men, seems to have been mentioned for the first time by Epicurus.

  212. To prove a thesis, unscrupulous thinkers omit historical details, but a “truth” that can only be sustained by the omission of things that have happened is false.

  213. When you know little, you can speak more about the few things you know, but less about the relation of these things to others.

  214. If you consider something as true, you generally do not look for another truth that replaces the first, unless you fail to consider the first truth as true for some reason.

  215. That being said, destroying something regarded as truth can not be done without proving that such “truth” is actually false, in a conceptual, but specially in a practical way.

  216. In assuming something, you’d better be able to prove such assumptions as correct.

  217. Nothingness is infertile.

  218. Not having a function doesn’t make you less of a human.

  219. There are people willing to defend falsehoods with false evidence and false logic.

  220. One does not make phenomenology of anything with only one aspect of the object of study.

  221. Industrial and exchange conditions influence society, which adapts to them, consequently also resulting in adaptation by the state, which may even lead to an adaptation of the local religion.

  222. “Obsession” is the thought that submits men.

  223. It can not be said that a politician is corrupt because the newspaper says he is, but that the newspaper says that the politician is corrupt because the corruption of the politician already exists, unless the newspaper is lying.

  224. “Sacred” varies according to culture: our Holy Bible may not be regarded as holy in other cultures.

  225. Thus, our moral customs can not be regarded as absolute, as if, for example, certain types of sexual intercourse were universally disapproved.

  226. Ideas do not punish anyone, só people are paid to punish.

  227. “Not following any maxim ” is already a maxim .

  228. Black people have historical importance: remember that Egypt, where there was a rapid development of mathematics, is in Africa.

  229. The Catholic church was an aspect of the Middle Ages, not the Middle Ages, which had a profane aspect, as all ages have.

  230. Different “stages” of human “evolution” may not be arranged in hierarchy: the previous stage may be as good or even better than the present one.

  231. For example, the Protestant Reformation does not make Protestantism any better than Catholicism.

  232. You do not change the world just by fighting ideas.

  233. The Hegelian system does not reflect the world: Hegel’s world view is not the real world.

  234. The present is not necessarily better than the past .

  235. For you, are abstract things more important than material to the point of deserving total dedication?

  236. Understanding history through a particular historical theory is not the same as understanding a historical period being studied.

  237. Arguments do not come from ignorance .

  238. Transgressing the rules of a group is something a person can do on a case by case basis, but that person may still want everyone else to respect those rules.

  239. This is because the group would cease to exist (as well as the benefits of belonging to it) if all rules were broken by all.

  240. The bourgeois family is just one kind of family.

  241. For example: among the workers, the family is very flexible, organizing itself according to real needs.

  242. The family was a social , economic need.

  243. The development of the industry ends up requiring a new type of family, but ideally the family should not exist.

  244. The underpaid teacher consoles herself by reminding herself that her job is important.

  245. It is ridiculous to say, even implicitly, that only hegelian knowledge educates a man.

  246. If you are going to plagiarize someone, at least understand the text you are plagiarizing.

  247. A work with a goal of being universal can not have as its presupposition the local history, be it of a city or a country.

  248. To change what is said of a thing does not change the thing.

  249. Good will alone is not enough.

  250. Having goodwill without taking action is a sign of helplessness.

  251. Without economic conditions, there will be no political concentration.

  252. A social movement may not be represented by the image that is made of it.

  253. When there are economic conditions, industrial conditions and competition, absolute monarchy becomes a hindrance.

  254. Your boss pays you little because the government allows and the government allows because the boss pays a high tax to that government: it’s like the boss bought from the government the right to pay you a low wage.

  255. Do not put limits on your thinking.

  256. A belief without actions is infertile.

  257. Money has no power in itself, but is made powerful by society.

  258. Gathering the workers in a block to fight for a common goal is very difficult.

  259. Strikes can only achieve good results if they are revolutionary.

  260. True revolutions involve weaponry.

  261. Directions for the future can not be found in speculative philosophy, which is explanatory and non-prescriptive by nature.

  262. The bourgeois state maintains itself with the freedom of work, that is, with the competition among the workers.

  263. Thus, the defeat of the state can be done by suppressing labor: if everyone quite their jobs, what will happen to the state?

  264. The child has human rights!

  265. The child must be liberated!

  266. If there is anything wrong with society, fix it.

  267. You are not to blame for not getting along with society, but society is to blame.

  268. For example, we can not say that the child who works and suffers because the job is too heavy for her is to blame for not liking her situation.

  269. No, society is to blame for allowing and sometimes stimulating child labor.

  270. In fact, to say that it is your fault and that it is only up to you to change yourself is to discourage your cooperation with others in favor of a beneficial social change for all, and therefore an invitation to isolation.

  271. The state of need must be abolished.

  272. Society allows personal development.

  273. The reward of the worker is more work: notice how everyone wants to pay as little as possible for your service.

  274. Communism is a practical movement that pursues practical goals through practical means.

  275. No Communist is bogged down in theoretical questions; the thing is to identify the problem, draw up the action plan and act accordingly.

  276. The Communist does not want everyone’s salary to be the same!

  277. At most, communists would want the end of the salary, but if there is salary, it can not be the same for all functions.

  278. The fact that you have many possessions does not give you the right to take advantage over those who do not have as much as you.

  279. Take advantage of your citizenship.

  280. Beware of those who do not see you as a human being, but only as a worker.

  281. Communism is amoral.

  282. Sentimentality is not an argument.

  283. You are not your profession.

  284. Many Christians cease to be Christians because they can no longer endure their misery.

  285. You can not demand complete abnegation from anyone.

  286. One of the attributes of private property is its marketability.

  287. People treat you differently when you are rich.

  288. Capitalist relationships are social.

  289. A revolutionary idea can be appropriated and used in a reactionary way.

  290. Fighting against concepts is not the same as fighting against the things to which the concepts refer.

  291. A coreless book is a bad book.

  292. To dissuade a person from his or her behavior, talk about the practical consequences of such behavior, not abstract concepts.

  293. The selfish harms himself with the practical negative consequences of his selfishness.

  294. Our lives influence our principles, which are also created for the sake of life.

  295. Some dichotomies, once explained, disappear.

  296. Communism is amoral.

  297. The general interest is always professed by private groups.

  298. The general interest and private interest may coincide.

  299. To satisfy a longing is to satisfy oneself.

  300. Our image we have of ourselves will not be the image that future generations have of us, but that does not mean that their image about us is true, as if we did not know what we are now.

  301. To say that the satisfaction of your desire is not the real satisfaction, the satisfaction of oneself, is to try to put yourself against yourself, casting doubt on your self-concept.

  302. There are those who use the maxim “love your neighbor as yourself” to justify selfishness (“each one is the neighbor of oneself”).

  303. We do not cease to exist when we no longer perceive ourselves.

  304. The development of our abilities depends on favorable circumstances: it is no use for you to have a medical talent and not have the resources to actually attend to medicine classes in order to perform such a function.

  305. Your multiple skills can not develop without an environment that provides development.

  306. So, personal success does not depend only on yourself.

  307. A hidden talent stays unnoticed, until the circumstances uncover it.

  308. You are limited by your ability and your environment.

  309. Doing what you can is not omnipotence.

  310. There is no sense in a “revolutionary” discourse that defends a conformist idea.

  311. Some real contradictions can only be reconciled in appearance and with a lot of rhetoric.

  312. An idea that makes no difference in your life has no value to you.

  313. A text that uses a key term in different senses throughout the text without saying that such a term is being used in different meanings is dishonest: the term must be correctly defined in each new use.

  314. A word should not have its meaning distorted.

  315. Do not use etymology or phonetics to equate terms with patently different meanings , as if they could be applied in the same way.

  316. Making something complex or absurd sound easy to laymen facilitates the acceptance of the argument, even when the argument is wrong.

  317. Changing the subject in the middle of the reasoning hinders your understanding and, consequently, hinders your ability to criticise.

  318. “No” can be understood in more ways than one.

  319. Do not take concepts as reality: neutralizing, exposing or overturning a reasoning does not change the world, unless some practical action also happens.

  320. The excess of examples hides the lack of content in an argument.

  321. What’s the point of believing in an idea that will not benefit you?

  322. The judgment that people who are inferior to you have of your actions does not matter.

  323. Criticizing one’s religion does not work if one feels benefited by religion.

  324. To criticize one’s religion is to criticize the representation you have of that religion.

  325. You decide which books deserve your attention.

  326. The police is a bourgeois power.

  327. Prison does not improve your morals.

  328. You have the vocation and the mission to satisfy your needs.

  329. If you work fourteen hours a day, you are literally working as much as a beast.

  330. If your conditions are bad, it is your mission to change them.

  331. Some workers do not get enough resources to survive.

  332. Lack of determination is a determination.

  333. The nature can prove that your reasoning is wrong.

  334. In hypocritical societies, naive people see “the sacred” everywhere.

  335. Self-renunciation is not freedom.

  336. The primitive man is not totally free as is commonly thought; he is subject to other kinds of “chains”.

  337. It is possible not to understand the elements that limit your freedom.

  338. The balloon was invented before the train.

  339. New inventions are born from need.

  340. No one regrets new beneficial inventions, no one lamented the invention of the train just because it could not fly.

  341. Some inventions perpetuate men’s subordination to money, but this is because men generally do not want to get rid of money, but to have more and more of it.

  342. There is negative freedom (freedom not to do) and positive freedom (freedom to do).

  343. If your body feels pain, that pain is yours, not just your body’s pain.

  344. No one is born to be a slave.

  345. When someone is dismembered, the torturer is interested in causing pain, not in having the leg for himself.

  346. When you are a spoiled bourgeois, problems seem to be solved by themselves, but problems that are not solved “by themselves” are also held to be unsolveable.

  347. There are philosophers and other intellectuals who are só just out of obligation and would not want to be so, because the division of labor may also be unfair even to the elites.

  348. A book may simply not explain its key terms, making the terms are not intelligible in or out of context.

  349. Sensations occur in you without you having to accept them, but they are still properly your sensations.

  350. Nobody can and no one wants to deprive the worker of his right to eat.

  351. It is possible to make a speech dishonestly by using homonyms in a chaotic way , sometimes as synonyms, sometimes as not being synonyms.

  352. It is possible to use a word abstracted from its meaning.

  353. It is very difficult to put workers in union.

  354. The social status of a child isn’t inherent to the child, but attributed to the child as consequence of the parent’s status.

  355. Royalty does not just depend on recognition.

  356. The law derives from power .

  357. A type of right (such as human rights ) does not act against other types of rights (such as children’s rights ).

  358. The existence of law and state is independent of the will of the dominated classes.
  359. The will to eliminate the law or the state only arises under certain conditions; generally, these are not goals that most pursue.

  360. Crime is the struggle of the isolated individual against the ruling laws.

  361. Democracy is not exercised for just one moment, it does not end after the elections.

  362. After all, you can make choices that you regret later.

  363. To destroy the state is not a question of mere will, it is not a question of mere change of attitude.

  364. Without a Penal Code, there’s no punishment for a crime.

  365. The violence done by the state is not always moral , the violence done by the citizen is not always a crime.

  366. The will alone can not free the body?

  367. An oppressor can not be convinced by reason.

  368. If you do not feel shame, no amount of words will instill shame in you.

  369. Do not rely on a speech that calls you to conformism.

  370. Only a state that is “sacred” will promote censorship.
  371. The republic is older than the constitutional monarchy.

  372. You do not attack the state by attacking the idea of state, but by attacking the state itself.

  373. The employer generally does not like the worker’s child.

  374. Nothing wrong with asking for salary increase.

  375. When there are many wealthy people, the state ends up in debt.

  376. When the bourgeoisie has enough money, it can buy portions of the state.

  377. If your philosophy has conscience as a foundation, eventually you will do moral philosophy.

  378. No one is poor because they wants to, no one likes to be poor.

  379. Generally, you do not need state authorization to compete with others.

  380. The difference between the poor and the rich is beyond their patrimony: it is not only a question of who has more.

  381. The price of something is not arbitrary, but determined by things such as production costs.

  382. The demand changes every day, nothing guarantees that you will continue wanting certain merchandise tomorrow.

  383. Competition is conditioned by supply and demand.

  384. Competition can drain even one’s spiritual assets, such as their religion, their decency, and their modesty.

  385. The honor, decency and even the sound religious doctrine are taken away from workers if the elites see fit .

  386. If you give something because you were forced to, it is not giving it “kindly”.

  387. To say that things compete, not people, is as valid as saying that it is the weapons that kill, not its users .

  388. Money is not as popular as it sounds.

  389. The state will not die on its own, we can’t expect government to “die from old age.”

  390. Good will is not enough.

  391. The philosopher who has his ideas constantly denied by reality is powerless in the face of reality.

  392. We can not change the conditions of the world without organizing ourselves and without doing public acts.

  393. “The price I see fit” is arbitrary and is not the same as “fair price”, which is defined by the laws of the market, supply, demand and costs of production.

  394. You can not take something from someone by violence and then say you did not take anything from that person.

  395. Usually, you ask for a raise after you are doing something to make you deserve a raise.

  396. The increase in salary does not guarantee an increase in the quality of work.

  397. Receiving payment is not profit: profit and salary are different things.

  398. The boss does not need the employees’ money, since he probably already has a hundred times more than each of them.

  399. What is the meaning of an intellectual work that has no pretensions of triggering practical changes in the world?

  400. If the workers took all the boss’s money and distributed equally among themselves, they would not have enough.

  401. No one employs a guy who only wants to work for the highest possible wage.

  402. The price of something in worldwide market has nothing to do with the wages of those who produce the item.

  403. The price of something on the world market has nothing to do with the wages of those who produce the commodity.
  404. Price is defined by supply and demand.

  405. The strike is only one type of protest: more united and more organized workers can protest in other , perhaps more effective ways .

  406. Your work is copyable, the product of your work can be usurped (plagiarism).

  407. In a world where there is division of labor, talent is never enough to succeed: you also need the luck of being born into the elite or able to become elite.

  408. Even though you have an elite education, your success is still conditioned to the demand for your work.

  409. The division of labor is also bad on the other hand: there is a greater demand for the work of few intellectuals.

  410. Ideally, no one should be attached to a profession: you should be able to perform whatever function you desire whenever you wish.

  411. Do not fight against phrases , but against the conditions that make the phrases plausible .

  412. Your money is not proportional to your ability.

  413. Which means the fact that you work hard will not guarantee that you will manage to pay your bills at the end of the month.

  414. The problem is not the inability to get money, but money itself.

  415. The fact that you do not have money is not always your fault.

  416. To say that everything belongs to everyone is not the same as saying that each one has his own belongings, because the former doesn’t imply private property.

  417. When two opposing forces come to an agreement, they will break this agreement at the first opportunity.

  418. You need a boss to give you wages in exchange for work and the boss only tend to you because he needs a worker: such relationship wouldn’t exist without a need.

  419. People do not elect a ruler expecting him to act as a worker.

  420. The relationship of helpfulness is only one of the many human relations: not everything is exploitation of the potential of others.

  421. How you will be exploited, this depends on the social position of the exploiter.

  422. The more you work, the more you need to have fun.

  423. On the other hand, if your options are few, you may want to turn to vicious fun.

  424. Because fun isn’t “vital”, you always have the feeling that fun is useless.

  425. Each one has fun the way they can , which gives rise to “the amusements of the poor” and the “diversions of the rich”.

  426. You can not solve a problem by forgetting the problem.

  427. The developmental capacity of the child depends on the developmental capacity of the parents: children with parents who have more developed potential will also be more likely to develop their own potential.

  428. This problem is largely due to the lack of opportunity and can be mitigated by providing opportunities for realization and discovery of personal talent.

  429. Biological differences do not imply that people of any kind will all be always inferior.

  430. Nature is not a definite limitation of potential.

  431. It can not be said that a “dumb person” will never be anything in life: everyone has potential for something and must have their talents stimulated after discovery.

  432. The more we hate something we claim to be a lie , the more we admit to ourselves that it is true .

  433. Some of our characteristics do not depend on our humanity: we humans use language, but the fact that I speak German or French in particular does not depend on my humanity, but on the circumstances.

  434. Languages ​​derive from other languages, either by direct descent or by mixture, in addition to being modified by other factors .

  435. Not knowing what a human is doesn’t invalide your humanity.

  436. On the other hand, there are people who have no humanity.

  437. It is because social classes are inherently different that every relation between proletarian and bourgeois is, in addition to a relationship between individuals, a relationship between classes.

  438. Unless these classes are equaled or cease to exist, it will not be possible to deal with subjects without an implicit class relation.

  439. The advantage one has over another only makes sense in society.

  440. The division of labor deforms and determines the subject, which receives as a fate: either he thinks or he works, he either exploits others or works for others.

  441. The next generation inherits the means of production from the former (which does not prevent them from seeking new means of production).

  442. You will develop, but you must fight against the forces that try to condition your development.

  443. Private property transforms the means of production and the means of exchange into destructive forces.

  444. However, using these means of production and exchange, it is possible to end the division of labor and private property, if this is done by individuals who pursue this goal.

  445. The only just determination for our development is the connection we have between us, though such a connection is not free from economic, supportive, and productive elements.

  446. You can only declare something as “unmatched” after trying to compare it with other things.

  447. Read without allowing the books to distort your view of reality: the only thing that ensures that the author of the book is right is how well that book describes reality.

  448. A word can not do anything outside the realm of words: words are not things.

  449. The philosopher who claims that the lack of ideas is the death of philosophy is trying, even if inadvertently, to kill philosophy.

  450. If a concept has no relation to reality , it is a meaningless concept.

  451. True socialism has practical motives and practical goals: it is not a movement that only does theory.

  452. Communism was not born of “pure thoughts,” just as any philosophical, political, or economic system does not spring from mere thought.

  453. A legitimate movement is based on practical needs .

  454. Socialism must be presented in a way that anyone can understand it, because otherwise it will be a movement for intellectual elites, when we need the workers to make it a thing.

  455. Socialism is revolutionary, not “philanthropic.”

  456. There is no socialism without the working class.

  457. Socialism is a French idea.

  458. When the subject’s mind is still small, it is easier to convince him with the narrative genre (novels, chronicles, fiction, comics, and other forms of popular literature) than with the essay genre (scientific article, monograph, theses, and other forms of scientific literature).

  459. The narrative genre can function as propaganda.

  460. Sometimes it is better to think of an idea as subject to time than to think of it from the viewpoint of eternity: if something is urgent, thinking about whether it should last forever can result in wasted time.

  461. Animals masturbate.

  462. Strange is a person with political engagement labeling behaviors as “natural” or “unnatural.”

  463. There is no “false” private property and “true” private property: private property exists only in one way.

  464. The communist who wants to succeed as a communist can not pretend that class struggles do not exist: he must admit it, not disguise it.

  465. Germany is not the world’s judge.

  466. Nationalism is a bourgeois idea.

  467. “Happy life” is not a natural state: it’s either handed to you or acquired.

  468. For some people, getting back to square one is development.

  469. Appealing to nature is a technique that has already been used to justify social inequality and slavery.

  470. “Natural human affinity” is a historical construction.

  471. The police is the consequence of the division between men.

  472. The police is not the only force to exercise coercion over the human will.

  473. Abstraction does not precede fact, abstraction must not lose a real connection with fact.

  474. Our life is not all fruition, and work often enters the group of activities which you derive no happiness from.

  475. Germany is a country like the others and can not claim to rise above other nations.

  476. A nation can not claim the right to be a guide of the world .

  477. It is an insult to hear that a foreigner knows your nation better than you.

  478. Cursing at your opposers isn’t the same as critiquing them.

  479. If you say that you are wiser than others, you’d better be able to prove it…

  480. A review of a work is not the reviewed work.

  481. A review of another review is also not the reviewed work.

  482. Several people marry for interest, not for love.

  483. A good biographical account is chronological and is not abstracted from the motives of the narrated acts.

  484. To hide a plagiarism, some authors criticize the author they copied.

  485. Everyone will have to work eventually.

  486. Do not talk about what you did not read .

  487. The history of the state is directly linked to the history of economy.

  488. Moral is the restraint of human passions.

  489. Some people take only fantasies seriously.

  490. The end of marriage was already occurring at the time the book was written.

  491. Human life is the foundation of religion and politics, not the reverse.

  492. The means of production, better with each generation, end up producing excess goods, which may not be consumed.

  493. When you write a book, you generally do not expect your readers to write theirs, but only that the reader’s formation is improved.

  494. Overproduction only unleashes a crisis when it begins to affect the exchange value of commodities.

  495. Do not think that your plagiarism will not be detected just because you plagiarized someone who has little importance to you .

  496. Incidentally, that person of little importance may be more intellectually qualified than you (after all, you copied them).

  497. The parliament and the aristocracy can create crisis on purpose in order to get support from the people in a cause of their choice.

  498. Miracle workers take advantage of people’s ignorance about the natural world or the social world .

  499. These miracle workers also rely on the fear they can instill in their hearers.

  500. They try to incite emotions so that they can be believed more easily, because emotion suspends reason.

  501. German idealism is no different from other national ideologies, no better than them.

  502. Ignoring is not refuting: saying that your opponent is too weak to deserve refutation does not refute him.

  503. A materialism that only considers its objects as concepts is blind to the revolution.

  504. Evidence is given in practice.

  505. The quest for truth is a practical quest.

  506. Men change the circumstances around them.

  507. Revolution is a change of circumstances.

  508. What is sensitive is practical.

  509. The human relations are part of the human essence.

  510. Social life is practical life.

  511. Interpreting the world is not enough; you have to transform it.

24 de fevereiro de 2019

O que aprendi lendo “A Ideologia Alemã”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 11:31

A Ideologia Alemã” foi escrito por Karl Marx e Friedrich Engels. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. Todas as grandes correntes filosóficas antes de Hegel têm um posicionamento acerca da dicotomia entre sujeito e objeto.
  2. A lógica formal é aristotélica.
  3. O que se contradiz pode ser falso.
  4. Mas o que se movimenta é contraditório.
  5. A tentativa de conhecer um objeto imparcialmente, isto é, de manter o objeto distante do sujeito para conhecê-lo por si mesmo (o que chamamos “conhecimento objetivo”), é uma ideia positivista.
  6. “Trabalho” é a alteração do mundo objetivo através da ação subjetiva, o que pode inclusive ser feito sem que nos demos consciência disso.
  7. Os seres humanos criam “seu” mundo.
  8. A realidade não está em outro mundo, mas nem por isso as coisas são tais como parecem ser.
  9. O nosso mundo é fruto do trabalho coletivo de todos nós, homens.
  10. Conscientização não basta, se ela não leva à mudança.
  11. Ironicamente, quanto mais se valoriza os objetos, menos se valoriza os que fazem os objetos: os trabalhadores.
  12. Os trabalhadores tornam-se mercadoria.
  13. O trabalhador torna-se objeto do objeto que ele faz.
  14. Embora Engels e Marx tenham se fundado na filosofia de Hegel, eles se tornaram, posteriormente, críticos de Hegel.
  15. Só o homem trabalha, isto é, só o homem é capaz de mudar o mundo em vez de apenas se adaptar a ele.
  16. A geração seguinte herdará as mudanças feitas hoje.
  17. Embora o trabalho seja bom pra nós todos, a maioria dos humanos, embora tenha capacidade de trabalho (de transformação), não quer trabalhar.
  18. Isso porque as transformações que requisitam de nós não são as transformações que nós queremos fazer.
  19. Assim, usamos nossa força de trabalho (poder de transformação) para seguir os interesses de outros, não os nossos, produzindo transformações que não queremos.
  20. Isso se chama trabalho alienado: não se reconhecer na obra que se faz.
  21. As sociedades surgem da necessidade que os humanos têm de se unirem contra os caprichos da natureza.
  22. A Ideologia Alemã é uma obra inacabada: o texto original tem páginas danificadas e até faltando.
  23. Não confunda um texto com a propaganda que se faz dele.
  24. Bruno Bauer é acusado por Marx e Engels de argumentação espantalho: de posse de uma resenha da Sagrada Família, ele critica a resenha como se criticasse o livro, o que não é a mesma coisa.
  25. Reduzir a filosofia à autoconsciência não opera libertação nenhuma em nenhum lugar.
  26. Resolver problemas reais requer soluções reais: não se resolve o problema da pobreza com “autoconsciência”.
  27. O materialista prático quer transformar o mundo, não apenas em nível conceitual, mas também concreto.
  28. Não confunda o conceito de homem com os homens que você vê no dia a dia.
  29. É errado contemplar a realidade, em vez de agir sobre ela.
  30. Seu conceito de homem pode ser inválido a ponto de se aplicar somente aos homens de seu país.
  31. O nosso mundo é uma construção histórica.
  32. O mundo humano não é autônomo, não é estático, ele muda com as nossas ações.
  33. Sem a atividade humana, a ciência seria fraca ou inexistente.
  34. Se a atividade humana (trabalho) cessasse completamente por um ano o mundo seria outro.
  35. O ser humano é objeto sensível, mas ele também é capaz de atividade sensível, de forma que não é possível compreender o homem sem compreender também suas ações.
  36. Dizer que todos os seres humanos são iguais é mentira: compare um rico e um pobre.
  37. Explicar o mundo não basta.
  38. O potencial humano só é ativado se o sujeito tem suas condições de sobrevivência satisfeitas.
  39. A história é produto do trabalho humano, o qual não existiria se o homem estivesse morto.
  40. Logo, a satisfação das necessidades de sobrevivência é condição de possibilidade para o trabalho e, consequentemente, para a história.
  41. As famílias devem ser estudadas empiricamente, um estudo que deve prescindir do atual “conceito” de família.
  42. A história da humanidade não pode ser abstraída da história do trabalho, da história da indústria (em sentido amplo, não no estrito sentido de “fábrica”).
  43. A linguagem surge da necessidade de comunicar.
  44. O ser humano tem que construir sua vida, mas ele é limitado por sua capacidade física e por sua consciência.
  45. A consciência humana se aperfeiçoa com o aumento da necessidade e o aumento da produção, ambos fundamentados no aumento da população.
  46. Com o aumento da população começa a divisão do trabalho, a princípio, segundo aptidões: os mais fortes carregam coisas, os mais destros fabricam coisas, os mais inteligentes planejam coisas, os mais saudáveis provém coisas…
  47. O trabalho também podia ser dividido casualmente ou segundo a necessidade.
  48. A divisão do trabalho chega ao seu ápice com a divisão entre trabalho prático (material) e trabalho teórico (espiritual): uns pensam e os outros fazem.
  49. É aí que começa a aspiração pelo conhecimento “puro”, sem “mácula” oriunda de aspecto prático.
  50. Se houver religião, começa aí a necessidade de uma classe sacerdotal.
  51. Quanto mais profunda for a divisão do trabalho, maiores as chances de haver aqueles que só produzem e aqueles que só consomem.
  52. A divisão do trabalho e a dos produtos do trabalho em locais onde há propriedade privada é desigual.
  53. Ápice da divisão do trabalho: pensamento sem atividade e atividade sem pensamento.
  54. Quando o trabalho é dividido, ele é imposto e você tem que realizar aquela função, ou perderá seus meios de subsistência.
  55. Isso faz com que empreguemos nossa força de trabalho em coisas que não gostaríamos, porquanto estamos fazendo o que fomos mandados a fazer, não o que queremos.
  56. Pela contradição do interesse coletivo com o interesse privado, o interesse coletivo, na forma do estado, toma existência “autônoma”.
  57. A classe que “representa” esse “interesse coletivo” se torna dominante (ver nota 86).
  58. Para que os trabalhadores possam impor seus interesses como o “interesse coletivo”, é preciso que eles adquiram poder político.
  59. Todas as lutas dentro de um estado são manifestações aparentes de uma luta mais profunda entre classe dominante e dominada.
  60. Comunismo não é um estado de coisas, mas um movimento.
  61. O comunismo não pode prevalecer em nível local, mas apenas mundial.
  62. O comunismo precisa da ação repentina dos povos dominantes (ver nota 58).
  63. A geração seguinte usa, em condições diferentes, os meios de produção da anterior.
  64. Um fenômeno que subverte governos (como uma máquina que tira o emprego de muita gente ou o bloqueio de recursos necessários levam a uma insurgência) é propriamente histórico e mundial.
  65. Esses fenômenos são práticos, nunca puramente espirituais.
  66. É com elementos práticos que a realidade muda.
  67. Os indivíduos formam uns aos outros, seja materialmente ou espiritualmente.
  68. A revolução é necessária quando não basta que o poder dominante seja derrocado, mas quando se faz necessário também que os que passam a dominar possam fazê-lo sem as impurezas de um sistema preexistente (por exemplo: chegar ao poder pela democracia não elimina as classes sociais).
  69. São as vicissitudes práticas que originam ideias.
  70. Somos influenciados pelas circunstâncias, mas isso não quer dizer também não possamos influenciar tais circunstâncias.
  71. Se não tem condição de colocar uma ideia em prática, não é a proclamação repetida da ideia que, sozinha, criará as circunstâncias de realização.
  72. A natureza e a história são complementares, não opostas.
  73. Uma história que desconsidera os elementos históricos práticos se ilude pelos preconceitos da época.
  74. A organização social dos estados é fruto de vicissitudes práticas, de forma que as condições precedem a organização estatal; não se organiza o estado sem objetivos práticos, de forma que não é o estado, feito como que à toa, que engendra as condições práticas ao redor dele no momento de sua criação.
  75. A Alemanha não tem o monopólio do pensamento nem o monopólio da ação histórica.
  76. Não basta explicar sem agir.
  77. Atacar algo como categoria filosófica não o elimina.
  78. A classe que detém os meios de produção material também tem meios de produção intelectual.
  79. Por causa disso, as ideias da classe dominante são as ideias dominantes de uma época.
  80. Cuidado com quem diz que “alguns males se deve aceitar”.
  81. Ideias não estão abstraídas das pessoas que pensam essas ideias.
  82. A ideia não tem existência autônoma.
  83. Para que uma classe domine, precisa fazer com que seus interesses sejam vistos como interesses públicos, geralmente postos em ideias gerais (“liberdade”, “igualdade”, entre outros), dando a elas um aspecto racional com o qual as ideias opostas podem ser contestadas.
  84. Tão logo a classe começa a dominar, o interesse público começa a se tornar o interesse particular da classe que passa a dominar.
  85. Para fazer parecer que as ideias são mais importantes que as pessoas que as pensam:
    1. Abstraia a ideia, como se uma ideia pudesse subsistir sozinha.
    2. Conecte as ideias sucessivamente dominantes.
    3. Atribua a corrente de ideias resultante aos intelectuais da época, de forma que pareça que a ideia surgiu não de uma necessidade empírica, material, e sim de uma atividade de especulação desinteressada.
  86. A forma como nós encaramos nossa época pode estar errada: podemos fazer uma ideia errada do século no qual vivemos.
  87. Então não podemos interpretar um período histórico pelo que o período diz de si mesmo, mas pelo que tal período objetivamente é.
  88. A natureza produz instrumentos de produção, mas eles são, obviamente, muito diferentes dos meios de produção feitos pela civilização.
  89. São instrumentos de produção natural o campo e a água, por exemplo.
  90. A indústria que usa meios de produção civilizados só pode existir pela divisão de trabalho.
  91. A divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual é o que gera as diferenças sociais entre cidade e campo.
  92. Com o surgimento da cidade, a necessidade por política (organização comunitária) é maior.
  93. Quando você divide a população entre os que pensam e os que fazem, você cria dois grupos com interesses que se distanciam mais a cada dia.
  94. Cidades são criadas pela necessidade, por exemplo, de defesa da propriedade privada, de mais meios de produção ou de segurança.
  95. Quando você domina totalmente um ofício, em vez de apenas parte dele, você pode executar tal ofício “artisticamente”, o que lhe dá afeição por seu trabalho.
  96. Já quando você domina somente parte do ofício, você tende a ser indiferente a esse ofício.
  97. O que vende mercadoria nem sempre é o que fez a mercadoria.
  98. A divisão de trabalho pode se estender às cidades, com cada cidade explorando um ramo industrial específico.
  99. Sem comércio, uma invenção regional some se a região sumir (ou for dominada).
  100. A primeira manufatura foi a tecelagem, e ela se tornou manufatura por necessidade de roupas em grande quantidade.
  101. Isso não quer dizer que não se faz mais tecelagem artesanal.
  102. A manufatura criou a relação entre patrão e empregado, relação mediada pelo dinheiro, quando antes só havia a relação entre oficial e mestre.
  103. Se não houver mais estímulo à produção, o capital se mantém estável… ou diminui.
  104. Você não pode aumentar seu capital sem aumentar sua produção.
  105. No século dezessete, o comércio e a navegação se expandiam mais rapidamente que a manufatura.
  106. Nesse período, havia demanda por matéria-prima produzida no próprio território e a exportação de tal matéria podia até mesmo ser proibida: a matéria-prima produzida em um país não deveria ser dada a outros.
  107. Historicamente, era preciso fazer revolução pra conquistar a livre concorrência em uma nação.
  108. A grande indústria universalizou a concorrência.
  109. Com isso, cada cidadão passa a depender “do mundo inteiro” pra manter seu nível de conforto (usamos bens que vêm de fora, tal como exportamos bens nossos pra outros).
  110. Em locais onde há presença da grande indústria, formas menos avançadas de produção se tornam infrequentes ou deixam de existir (como o artesanato).
  111. Quando a propriedade privada interfere na indústria ou quando a indústria está subordinada à propriedade privada, ela ganha um caráter destrutivo.
  112. A grande indústria vem destruindo a particularidade de cada país.
  113. A indústria passa a ter o mesmo interesse em todas as nações nas quais se estabelece.
  114. Apesar disso, o desenvolvimento industrial não é uniforme em todas as áreas de determinado território.
  115. A indústria exige do trabalhador todas as suas energias, deixando sem tempo para coisas “elevadas”, enfraquecendo a religião e a moral.
  116. O conflito entre forças produtivas e formas de intercâmbio gera “colisões” históricas.
  117. A concorrência agrega trabalhadores, mas não os une, pelo contrário: os isola.
  118. Por causa disso, a união necessária às mudanças em favor dessa classe são demoradas, a menos que a própria grande indústria tenha produzido meios rápidos de comunicação.
  119. A superação da economia separada requer superação da família.
  120. Dizer que somos o produto de nossos estados só faria sentido se o estado tivesse surgido antes do cidadão.
  121. Condições idênticas, oposições idênticas e interesses idênticos engendram costumes idênticos.
  122. A burguesia também se divide em frações com base na divisão de trabalho.
  123. Enquanto não houver necessidade de lutar contra uma classe opressora, os indivíduos oprimidos competirão entre si.
  124. A liberdade pessoal é possível em comunidade.
  125. É possível se libertar isoladamente (libertando a mim mesmo ou aos outros como indivíduos), mas também é possível se libertar como classe (todos os comerciantes, todos os professores, todos os trabalhadores, entre outros).
  126. O proletário sozinho não pode mudar sua condição de vida ou condições de existência (como proletário) e nem tal poder pode lhe ser dado por alguém de fora do proletariado: os proletários só podem mudar juntos alguma coisa.
  127. Quando indivíduos se libertam, não necessariamente negam as condições de existência que já estavam aí.
  128. Mesmo ovelhas e cães modernos são produto de um processo histórico: cães nem sempre foram animais domésticos, por exemplo.
  129. Acabar com o estado é algo que só pode ser feito via revolução.
  130. A colonização e a conquista faz com que o território colonizado ou conquistado receba as formas de intercâmbio do país dominante, fazendo que o território experimente um avanço produtivo sem passar por todos os estágios que o país dominante teve que passar em seu próprio desenvolvimento.
  131. Quando ocorre a conquista, o país conquistador se apossa das forças produtivas do país conquistado, o que dá origem a novos meios de produção.
  132. Quando os indivíduos unidos se apropriarem dos meios de produção totais, a propriedade privada poderá ser extinta.
  133. O que se observa hoje, porém, é a aquisição privada de cada um, isoladamente.
  134. A base do estado é a organização social diretamente derivada da produção e do intercâmbio.
  135. A propriedade privada realmente começa com o conceito de propriedade mobiliária.
  136. O estado existe para a propriedade privada.
  137. Instituições coletivas são mediadas pelo estado e dele adquirem uma forma política.
  138. Com a propriedade privada começa o direito privado.
  139. A propriedade privada não repousa simplesmente na vontade privada.
  140. A propriedade privada é independente da comunidade.
  141. Como você pode ter direito sobre algo que você não possui?
  142. A lei não se baseia simplesmente na nossa vontade.
  143. A divisão do trabalho influencia a ciência também.
  144. Como a vida dos indivíduos foge do controle deles próprios?
  145. A filosofia de Feuerbach se resume em filosofia da natureza, antropologia e moral.
  146. O ser humano só revela seu potencial em comunidade: sozinho, não se vai longe.
  147. Isso também é válido para a satisfação de nossas atuais necessidades.
  148. A divisão do trabalho ocorre no protestantismo: há os que pensam e refletem sobre Deus e os que não.
  149. Nem todo o mundo está contente com sua condição, então o descontentamento é que é normal.
  150. Sua essência não pode se subordinar a um ramo de trabalho que lhe foi imposto pela necessidade.
  151. O conjunto de questões abordadas pela crítica alemã vem do sistema hegeliano.
  152. Muitos críticos alemães afirmavam ter superado Hegel… mas nunca conseguiam deixar de depender dele.
  153. Um hegeliano entende algo do mundo na medida em que pode ser reduzido a uma categoria hegeliana.
  154. Como pode um jovem “abalar o mundo” sendo conservador?
  155. Combater palavras com palavras não é nem combater as palavras e nem combater o mundo.
  156. A ideia que um jovem faz de suas atitudes pode ser diferente da festa que se faz ao redor dessas atitudes e da opinião de estrangeiros sobre essas atitudes.

  157. Os indivíduos reais, suas condições materiais e suas ações são pressupostos sólidos sobre os quais se pode começar um raciocínio.

  158. Existe a história humana e a história natural.

  159. Isso não quer dizer que uma história independe da outra: a história humana influencia a natural e a história natural afeta a humana.

  160. Pressupostos bons são empíricos e constatáveis.

  161. A organização corporal do ser humano lhe permitiu produzir seus próprios meios de vida.

  162. Produzindo seus meios de vida, você produz, indiretamente, sua vida inteira.

  163. No entanto, produzir seus meios de vida não é algo que pode ser feito abstraído dos meios de vida já existentes e que não produzimos (como a água e o ar).

  164. A produção é estimulada pelo aumento da população, o qual, por sua vez, estimula o intercâmbio, que por sua vez é condicionado pela produção.

  165. O primeiro ato histórico do ser humano foi a produção de seus meios de vida, não o pensamento (porque a história é mudança e pensar por si só não muda nada).

  166. A relação de um país com outro bem como a estrutura interna desse país dependem do desenvolvimento de sua produção e de seu intercâmbio (interno e externo).

  167. A primeira forma de propriedade foi a tribal.

  168. A segunda forma foi a estatal ou comunal.

  169. Junto com a propriedade comunal se desenvolve a propriedade privada móvel.

  170. Mais tarde, temos a propriedade privada imóvel.

  171. No entanto, essas formas de propriedade privada são subordinadas à comunal nesse primeiro momento.

  172. A propriedade comunal aumenta o poder do povo, enquanto que a propriedade privada reduz o poder do povo.

  173. A terceira forma foi a feudal.

  174. A propriedade antiga era centrada na cidade, enquanto que a propriedade feudal é centrada no campo.

  175. As conquistas romanas estimularam a agricultura.

  176. Enquanto a população crescia, o número de artesãos permanecia mais ou menos estável, facilitando a hierarquia, dentro das cidades, entre oficial e aprendiz.

  177. A propriedade feudal era constituída pela propriedade de terra, pelo trabalho dos servos e pelo trabalho próprio.

  178. A estrutura social e o estado são resultados das ações dos indivíduos particulares, empíricos, que agem como podem em condições sobre as quais, muitas vezes, tais indivíduos não têm poder.

  179. As primeiras ideias estavam entrelaçadas com a vida material.

  180. Essas ideias eram fundamentalmente ligadas à atividade material e somente em momentos posteriores que os homens foram formando ideias mais abstratas (“movimento intelectual ascendente” ou “da terra ao céu”).

  181. Ideias elevadas podem se originar de “sublimações” do processo empírico quotidiano.

  182. Assim nasce, por exemplo, a metafísica, a qual, por estar em um nível mais elevado de ideação, tem pouca semelhança com o fato concreto.

  183. Assim, a evolução da metafísica é, na verdade, a evolução do homem: quando o homem muda, seu pensamento e os produtos de seu pensamento também mudam.

  184. A consciência é, portanto, determinada pela vida e não pode determinar tal vida.

  185. Alguns intelectuais incitam tumultos pra trazer suas ideias de volta à memória do público que não se lembra mais delas.

  186. A contradição dentro de uma filosofia é um problema daquela filosofia, não uma contradição no mundo ao qual a filosofia se reporta.

  187. As ideias não são a base do mundo empírico!

  188. Quando uma pessoa critica duas, uma dessas duas pode repetir as críticas ao outro, de forma hipócrita, como se tais críticas não tivessem sido feitas a ele também.

  189. Filósofos não são heróis, nem todo filósofo revoluciona o mundo.

  190. As vontades que sentimos são uma força que se origina em nós e domina sobre nós: não podemos escolher que sentimentos teremos e quando.

  191. A compreensão correta de um trabalho pode desagradar o autor.

  192. Por exemplo, quando eu entendo um trabalho corretamente e lhe faço uma crítica pertinente.

  193. A crítica não é abstraída dos críticos, não podemos tratar conceitos como independentes das pessoas que os concebem.

  194. Por existir, você faz história.

  195. Você deve ler o trabalho objetivamente, não necessariamente como o autor queria que você lesse, o que pode levar você a concluir de forma diferente do autor sobre um determinado tema.

  196. Se você não ler objetivamente (a partir de si mesma, por si mesma e em si mesma), terá sua interpretação do texto viciada.

  197. A filosofia deve participar da vida política.

  198. Hegel recomendava a leitura de resenhas porque elas pode ultrapassar o objeto apreciado por elas (presumivelmente a obra original), mas isso está incorreto, porquanto existem resenhas que nada tem a ver com a obra resenhada.

  199. O melhor é ler a obra original.

  200. Antes de se lamentar pela justiça não prestar atenção em você, se pergunte se a justiça existe em primeiro lugar.

  201. Crianças não são metafísicas.

  202. Adolescentes não são metafísicos também.

  203. É preciso confessar que crianças e adolescentes geralmente não se guiam por princípios maiores, mas pelo prazer, e que há coisas mais temíveis que a própria consciência.

  204. Você não precisa de metafísica ou lógica pra aproveitar a vida.

  205. Você não está sozinho no mundo, nem mesmo metaforicamente.

  206. A coisa sobre a qual você pensa é indiferente ao que você pensa sobre ela.

  207. Destruir sua própria opinião sobre alguma coisa não destrói nem a coisa, nem seu conceito universalmente válido.

  208. Acreditar não é dominar, especialmente se você acredita em algo falso.

  209. Não seja crédulo, não seja ingênuo.

  210. Buscar um mundo melhor é admitir que o seu não está mais servindo.

  211. Ao contrário da crença popular, a família natural não é um valor muito importante na cristandade (Mateus 10:35-39; Mateus 12:46-50; Mateus 19:10).

  212. O ideal de sábio varia para cada escola filosófica (o ideal de sábio no estoicismo não é o mesmo ideal de sábio no epicurismo).

  213. Os estoicos não condenavam o incesto.

  214. A teoria do contrato social, isto é, de que o estado nasce do acordo mútuo entre os homens, parece ter sido mencionada pela primeira vez por Epicuro.

  215. Para provar sua tese, pensadores inescrupulosos omitem detalhes históricos, mas uma “verdade” que só pode se sustentar pela omissão de coisas que aconteceram é falsa.

  216. Quando você sabe pouco, você pode falar mais profundamente das poucas coisas que sabe, mas menos da relação dessas coisas com outras.

  217. Se você considera algo como verdade, geralmente você não procura outra verdade que substitua a primeira, a menos que você deixe de considerar a primeira como verdade por alguma razão, normalmente externa.

  218. Ao pressupor algo, é melhor você ser capaz de provar tais pressupostos.

  219. O nada é infértil.

  220. O cantor ou o pensador não se criam do nada no momento em que o homem passa a cantar ou pensar: se o homem se torna cantor ou pensador quando começa a pensar ou cantar, então o homem faz de si mesmo, não do nada, um cantor ou pensador.

  221. pessoas dispostas a defender falsidades com provas falsas e uma lógica falsa.

  222. Não se faz fenomenologia de nada com apenas um aspecto do objeto de estudo.

  223. Condições industriais e de intercâmbio influenciam a sociedade, que se adapta a elas, consequentemente resultando também numa adaptação por parte do estado, o que pode levar mesmo a uma adaptação da parte da religião local.

  224. “Obsessão” é o pensamento que submete o homem.

  225. O comportamento noticiado é anterior à notícia (não se pode dizer que um político é corrupto porque o jornal diz que ele é, mas que o jornal diz que o político é corrupto porque a corrupção do político já existe, a menos que o jornal esteja mentindo).

  226. “Sagrado” varia conforme cultura: a nossa Bíblia Sagrada pode não ser sagrada para outros povos.

  227. Assim, nossos costumes morais não podem ser tidos como absolutos, como se, por exemplo, certos tipos de relação sexual fossem universalmente reprovadas.

  228. Ideias não punem, mas pessoas pagas pra punir, essas punem.

  229. “Não seguir nenhuma máxima” já é uma máxima.

  230. Os negros têm importância histórica: lembre que o Egito fica na África e já foi potência mundial, onde ocorreu um desenvolvimento rápido da matemática.

  231. A igreja católica era um aspecto da idade média, não a idade média, a qual tinha um aspecto profano, como têm todas as épocas.

  232. Diferentes “estágios” de “evolução” humana podem não estar dispostos em hierarquia: o estágio anterior pode ser tão bom ou até melhor que o atual.

  233. Por exemplo, a reforma protestante não torna o protestantismo melhor que o catolicismo.

  234. Não se muda o mundo apenas combatendo ideias.

  235. O sistema hegeliano não reflete o mundo: a visão de mundo que Hegel tem não é o mundo real.

  236. O presente não necessariamente é melhor que o passado.

  237. Pra você, coisas abstratas são mais importantes que o material a ponto de merecerem dedicação total?

  238. Entender a história através de uma teoria histórica particular não é o mesmo que entender um período histórico sendo estudado.

  239. Argumentos não vêm da ignorância.

  240. Transgredir as regras de um grupo é algo que uma pessoa pode fazer em cada caso particular, mas essa pessoa ainda pode querer que todos os outros respeitem essas regras.

  241. Isso porque o grupo deixaria de existir (bem como os benefícios de se pertencer a ele) se todas as regras fossem quebradas por todos.

  242. A família burguesa é só um tipo de família.

  243. Por exemplo: entre os trabalhadores, a família é bem flexível, se organizando de acordo com necessidades reais.

  244. A família é uma necessidade social, econômica.

  245. O desenvolvimento da indústria acaba requirindo um novo tipo de família, mas idealmente que a família não exista.

  246. O professor mal pago se consola com a importância de sua função.

  247. É ridículo dizer, mesmo implicitamente, que somente o conhecimento sobre Hegel educa.

  248. Se você vai plagiar alguém, ao menos entenda o que está plagiando.

  249. Um trabalho com pretensão universal não pode ter como pressuposto a história local, seja de uma cidade ou de um país.

  250. Mudar o que se diz de uma coisa não muda a coisa.

  251. Boa vontade sozinha não basta.

  252. Ter boa vontade sem tomar ação é sinal de abatimento e impotência.

  253. Sem condições econômicas, não haverá concentração política.

  254. Um movimento social pode não ser representado pela ideologia que se faz dele.

  255. Quando há condições econômicas, condições industriais e concorrência, a monarquia absoluta se torna um estorvo.

  256. Seu chefe paga você mal porque o governo deixa e o governo deixa porque seu chefe paga um imposto alto a esse governo: é como se o chefe comprasse do governo o direito de pagar mal seus empregados.

  257. Não ponha limites ao seu pensamento.

  258. Uma crença sem ações é infértil: uma coisa é acreditar no poder do dinheiro e outra é reconhecer que o dinheiro tem poder enquanto as condições que lhe dão poder permanecerem onde elas estão.

  259. Reunir os trabalhadores em um bloco que lute por um objetivo comum é muito difícil.

  260. Greves só conseguem bons resultados se forem revolucionárias.

  261. Revoluções de verdade implicam armamento.

  262. Direções pro futuro não se encontram na filosofia especulativa, que é explicativa e não prescritiva.

  263. O estado burguês se mantém com a liberdade de trabalho, isto é, com a competição entre os trabalhadores.

  264. Assim, derrotar o estado burguês pode ser possível pela supressão do trabalho: se todos pararem de trabalhar, que serão dos burgueses?

  265. A criança tem direitos humanos!

  266. A criança dever ser liberada!

  267. Se há algo de errado na sociedade, conserte-a.

  268. A culpa de você não se dar bem com a sociedade pode não ser sua, mas da sociedade.

  269. Por exemplo: não podemos dizer que a criança que trabalha e sofre porque o trabalho é pesado demais pra ela tem culpa por não gostar de sua situação.

  270. Não, a culpa é mesmo da sociedade por permitir e às vezes estimular o trabalho infantil.

  271. Aliás, dizer que a culpa é sua e que só depende de você mudar a si próprio é desestimular sua cooperação com outros em prol de uma mudança social benéfica a todos, sendo portanto um convite ao isolamento.

  272. O estado de necessidade deve ser abolido.

  273. A sociedade permite o desenvolvimento pessoal.

  274. A recompensa do trabalhador é mais trabalho: observe como todos querem pagar o mínimo possível pelo seu serviço.

  275. O comunismo é um movimento prático que persegue fins práticos através de meios práticos.

  276. Nenhum comunista está atolado em questões teóricas; o negócio é identificar o problema, traçar o plano de ação e agir de acordo.

  277. O comunista não quer que o salário de todos seja igual!

  278. No máximo quereria o fim do salário, mas, se houver salário, ele não pode ser igual.

  279. O fato de você ter muitas posses não lhe dá o direito de levar vantagem sobre quem não tem tanto quanto você.

  280. Quem tem cidadania, aproveita tal cidadania, mas quem não tem, quer tê-la.

  281. Cuidado com aqueles que não veem você como ser humano, mas apenas como trabalhador.

  282. O comunismo é amoral.

  283. Trabalho não é felicidade, nem bem-estar (embora algo no trabalho possa proporcionar essas coisas, o que não significa que esse algo não possa ser encontrado fora do trabalho).

  284. Sentimentalismo não é argumento.

  285. Você não é sua profissão.

  286. Muitos cristãos deixam de ser cristãos ao não poderem mais suportar sua miséria.

  287. Você não pode exigir abnegação completa de qualquer pessoa.

  288. Ninguém manda na sua opinião.

  289. Uma dos atributos da propriedade privada é sua negociabilidade.

  290. O dinheiro que você tem leva os outros a cometer absurdos, mesmo sem serem pagos; basta que se veja o tratamento dado aos ricos mesmo por pessoas que não partilham de sua riqueza.

  291. Relações capitalísticas são sociais.

  292. Uma ideia revolucionária pode ser apropriada e usada de forma reacionária.

  293. Lutar contra conceitos não é o mesmo que lutar contra as coisas a que os conceitos se referem.

  294. O estudo do mundo real pode prescindir da filosofia.

  295. Um livro sem núcleo é um mau livro.

  296. Para dissuadir uma pessoa de seu comportamento, fale das consequências práticas desse comportamento, não de conceitos abstratos.

  297. O egoísta prejudica a si próprio enquanto causador de consequências negativas práticas.

  298. Nossas vidas influenciam nossos princípios, que são criados também por causa da vida.

  299. Algumas dicotomias, depois de explicadas, desaparecem.

  300. O comunismo é amoral.

  301. O interesse geral é sempre professado por grupos privados.

  302. Se é assim, então interesse geral e interesse privado podem coincidir, já que um cria o outro.

  303. Satisfazer a um anseio é satisfazer a si mesmo.

  304. A consciência que temos de nós mesmos não será a consciência que as gerações futuras tinham de nós, mas isso não quer dizer que a consciência deles sobre nós é a verdadeira, como se nós não soubéssemos o que somos agora.

  305. Dizer que a satisfação do seu desejo não é a satisfação real, a satisfação de si mesmo, é tentar colocar você contra você mesmo, colocando em dúvida seu autoconceito.

  306. Há quem use a máxima “ame ao próximo como a ti mesmo” para justificar o egoismo (“cada um é o próximo de si mesmo”).

  307. Não deixamos de existir quando deixamos de nos perceber.

  308. O desenvolvimento de nossas habilidades depende de circunstâncias favoráveis: não adianta você ter talento pra medicina e não ter recursos pra de fato cursar medicina a fim de exercer tal função.

  309. Suas múltiplas aptidões não podem se desenvolver sem um ambiente que proporcione o desenvolvimento.

  310. Assim, sucesso pessoal não depende só de você mesmo.

  311. Uma aptidão reprimida passa despercebida.

  312. Você é limitado por sua capacidade e por seu ambiente.

  313. Buscar a si mesmo na autonegação não é liberdade.

  314. Fazer o que você pode e poder aquilo que você faz não é onipotência.

  315. O discurso revolucionário só serve para propagar ideias revolucionárias; não tem sentido um discurso revolucionário que defenda uma ideia conformista.

  316. Algumas verdadeiras contradições só podem ser conciliadas na aparência e não sem muita retórica.

  317. Uma ideia que não faz diferença em sua vida não tem valor pra você.

  318. Um texto que usa um termo-chave em sentidos diferentes ao longo do texto sem dizer que tal termo está sendo usado em diferentes acepções é desonesto: o termo deve ser corretamente definido em cada novo uso.

  319. Uma palavra não deve ter seu significado deturpado.

  320. Não se sirva da etimologia ou da fonética para igualar termos com significados patentemente diferentes, como se pudessem ser aplicados da mesma forma.

  321. Fazer algo complexo ou absurdo soar fácil facilita a aceitação do argumento.

  322. Mudar de assunto no meio do raciocínio dificulta seu entendimento e, consequentemente, dificulta sua crítica.

  323. “Não” pode ser entendido em mais de um sentido.

  324. Não tome conceitos como a realidade: neutralizar, expor ou derrubar um raciocínio não muda nada por si só.

  325. O excesso de exemplos esconde a falta de conteúdo.

  326. Qual o sentido de acreditar numa ideia que não beneficiará você?

  327. A forma como os mais baixos julgam suas ações não interessa.

  328. Criticar a religião de alguém não funciona se a pessoa se sente beneficiada pela religião.

  329. Criticar a religião de alguém é criticar a representação que você tem dessa religião.

  330. Você quem decide quais livros merecem sua atenção.

  331. A polícia é um poder burguês.

  332. A prisão não melhora sua moral.

  333. Existe a prática de tirar algo de uma classe pra depois elevar essa qualidade removida ao status de necessária a todos, tornando sub-humana a classe da qual a qualidade foi abstraída.

  334. Necessidade é vocação e missão.

  335. Catorze horas de jornada de trabalho é jornada de animal de carga.

  336. Se suas condições são ruins, é sua missão mudá-las.

  337. Alguns trabalhadores não conseguem um nível de recursos suficiente pra sequer sobreviver.

  338. A falta de determinação é uma determinação.

  339. A natureza pode desmentir seu discurso.

  340. Em sociedades hipócritas, pessoas ingênuas veem “o sagrado” por toda parte.

  341. Autorrenúncia não é liberdade.

  342. O homem selvagem não é totalmente livre como comumente se pensa; ele apenas têm outros tipos de corrente.

  343. É possível não entender os elementos que limitam sua liberdade.

  344. O balão é mais velho que o trem.

  345. O que nos leva a conceber novas invenções é a necessidade.

  346. Ninguém lamenta novas invenções benéficas, ninguém lamentou a invenção do trem só porque ele não podia voar.

  347. Algumas invenções perpetuam a subordinação do homem ao dinheiro, mas isso porque o homem, geralmente, não quer se libertar do dinheiro, mas ter cada vez mais dele.

  348. Existe liberdade negativa (liberdade para não fazer, desobrigação) e liberdade positiva (liberdade para fazer, poder).

  349. A dor que o corpo sente não é só do corpo, mas também do dono do corpo.

  350. Uma pessoa normal que apanha de outra sempre entende que ela não apanha “pro seu próprio bem”.

  351. Ninguém nasceu pra ser escravo.

  352. Quando se desmembra alguém, não se está interessado no membro obtido, mas em causar dor: qual o uso de uma perna arrancada?

  353. Quando você é um burguês mimado, os obstáculos parecem cair por si sós, mas os obstáculos que não caem “por si sós” são também tidos por intransponíveis.

  354. Existem filósofos e outros intelectuais que o são por obrigação e não gostariam de sê-lo, porque a divisão do trabalho pode também ser injusta até com as elites.

  355. Algumas pessoas só tem uma coisa pra comer, quando têm o que comer.

  356. Um livro pode simplesmente não explicar seus termos, de forma que eles não são inteligíveis nem dentro e nem fora do contexto.

  357. Sensações ocorrem em você sem você precisar aceitá-las e elas são propriamente suas sensações.

  358. Ninguém pode e ninguém quer tirar do trabalhador o direito de comer.

  359. É possível fazer um discurso desonestamente usando homônimos de forma caótica, ora como também sinônimos, ora como não sendo sinônimos.

  360. É possível usar uma palavra abstraída de seu sentido.

  361. É muito difícil juntar trabalhadores de forma coesa.

  362. A importância da criança filha de pais de elite não vem da própria criança.

  363. Realeza não depende somente de reconhecimento.

  364. O direito deriva do poder.

  365. Direito é direito: um tipo de direito (como, por exemplo, os direitos humanos) não age contra outros tipos de direito (como, por exemplo, os direitos da criança).

  366. Lei e direito são coisas diferentes.

  367. A existência da lei e do estado independem da vontade das classes dominadas.

  368. A vontade de eliminar a lei ou o estado só surge em certas condições; geralmente, esses não são objetivos que a maioria persegue.

  369. O crime é a luta do indivíduo isolado contra as leis dominantes.

  370. A democracia não se exerce por apenas um momento, ela não acaba depois das eleições.

  371. Afinal, você pode fazer escolhas de que se arrepende depois.

  372. Destruir o estado não é questão de mera vontade, não é questão de mera mudança de atitude.

  373. Sem Código Penal, sem punição por crime.

  374. A violência feita pelo estado nem sempre é direito, a violência feita pelo cidadão nem sempre é crime.

  375. A vontade sozinha não pode libertar o corpo e, se ela não puder, de que adianta tê-la?

  376. Não é com a razão que se convence um opressor.

  377. Se você não sente vergonha, não é o discurso que te incutirá vergonha.

  378. Não confie num discurso que te chama ao conformismo.

  379. Só um estado que se acha “sagrado” promoverá censura.

  380. A república é mais antiga que a monarquia constitucional.

  381. Não se ataca o estado atacando a ideia de estado, mas sim atacando estado mesmo.

  382. Se você toma o conceito por aquilo que o conceito representa, você não precisa se preocupar depois em tentar saber por que seu raciocínio não corresponde à realidade se ele não corresponder: o conceito não descrevia o objeto representado.

  383. O empregador geralmente não gosta do filho do trabalhador.

  384. Nada de errado em pedir aumento de salário.

  385. Quando tem muita gente rica, o estado fica endividado.

  386. Quando a burguesia tem dinheiro o bastante, ela pode comprar porções do estado.

  387. Se sua filosofia tem a consciência como fundamento, eventualmente você fará filosofia moral.

  388. Ninguém é pobre porque quer, ninguém gosta de ser pobre.

  389. Geralmente, você não precisa de autorização estatal pra concorrer com outros.

  390. A diferença entre o pobre e o rico está além do seu patrimônio: não é só uma questão de quem tem mais.

  391. O preço de algo não é arbitrário, mas determinado inclusive pelo custo de produção.

  392. A demanda muda a cada dia, nada garante que você continuará querendo determinada mercadoria amanhã.

  393. A concorrência está condicionada à oferta e à demanda.

  394. A concorrência pode tirar até bens espirituais de alguém, como sua religião, sua decência e seu pudor.

  395. A honra, a decência e até mesmo a doutrina religiosa são tirados dos trabalhadores se isso aprouver às elites.

  396. Se você dá algo a força, não está presenteando.

  397. Dizer que as coisas concorrem, não as pessoas, é tão válido quanto dizer que são as armas que matam, não seus usuários.

  398. O dinheiro não é tão popular quanto parece.

  399. O estado não acabará por si mesmo, não se pode esperar que o governo “morra de velho”.

  400. Boa vontade não basta.

  401. O filósofo que tem suas ideias constantemente desmentidas pela realidade é impotente diante da realidade.

  402. Não podemos mudar as condições do mundo sem nos organizarmos e sem fazer atos públicos: uma mudança apenas interior não muda outra coisa que não o interior.

  403. “O preço que aprouver” é arbitrário e não é o mesmo que “preço justo”, este definido pelas leis do mercado, pela oferta, pela procura e pelo custo de produção.

  404. Você não pode pegar algo do outro pela violência e depois dizer que não tomou nada dela.

  405. Você pode fazer algo que valha mais que seu salário sem que o salário aumente antes: geralmente se pede aumento depois que já se está fazendo por onde merecer o aumento.

  406. O aumento de salário não garante aumento na qualidade do trabalho.

  407. Receber salário não é lucrar: lucro e salário são coisas diferentes.

  408. O chefe não precisa do dinheiro dos empregados, já que ele provavelmente já tem cem vezes mais que cada um deles.

  409. Qual é o sentido de um trabalho intelectual que não tem pretensões de desencadear mudanças práticas no mundo?

  410. Se os trabalhadores pegassem todo o dinheiro do chefe e distribuíssem igualmente entre si… não teriam o suficiente.

  411. Se o trabalhador não estiver interessado em trabalhar pelo salário estipulado e exigir trabalhar apenas por uma quantidade gigante, ninguém o empregará.

  412. O preço de algo no mercado mundial nada tem a ver com o salário dos que produzem a mercadoria.

  413. O preço é definido por oferta e demanda.

  414. A greve é só uma forma de protesto: trabalhadores mais unidos e mais organizados podem protestar de outras formas, talvez mais efetivas.

  415. Seu trabalho é copiável, seu o produto de seu trabalho pode ser usurpado (plágio).

  416. Num mundo onde existe divisão do trabalho, talento nunca basta pra ter sucesso: você também precisa da sorte de ter nascido na elite ou com condições de se tornar elite.

  417. Mesmo você tendo uma educação de elite, seu sucesso ainda é condicionado à demanda pelo seu trabalho.

  418. A divisão do trabalho também é ruim por outro lado: há uma demanda maior pelo trabalho de poucos intelectuais.

  419. O ideal seria que ninguém estivesse preso a uma profissão, podendo desempenhar a função que desejasse quando desejasse.

  420. Não lute contra frases, mas contra as condições que tornam a frase plausível.

  421. Seu dinheiro não é proporcional à sua capacidade.

  422. O que significa que o fato de você trabalhar muito não garantirá que você fechará suas contas no azul no fim do mês.

  423. O problema não é a incapacidade de se adquirir dinheiro, mas o dinheiro.

  424. O fato de você não ter dinheiro nem sempre é sua culpa.

  425. Dizer que tudo é de todos não é o mesmo que dizer cada um tem o seu, como se “tudo ser de todos” implicasse propriedade privada.

  426. Quando duas forças antagônicas entram em acordo, quebrarão esse acordo na primeira oportunidade.

  427. Você precisa de um chefe que lhe dê salário em troca de trabalho e o chefe só atende você porque precisa de um trabalhador: ninguém se submete a isso sem necessidade.

  428. As pessoas não elegem um governante esperando que ele aja como trabalhador.

  429. A relação de prestabilidade é somente uma das relações humanas: nem tudo é exploração do potencial alheio.

  430. Como você será explorado, isso depende da posição social do explorador.

  431. Quanto mais você trabalha, mais você tem necessidade de se divertir.

  432. Por outro lado, se suas opções de diversão são poucas, você poderá se voltar a diversões viciosas.

  433. Como as diversões são procuradas fora da atividade vital, você sempre tem a sensação de que elas não servem pra nada.

  434. Cada um se diverte como pode, o que dá origem às “diversões de pobre” e às “diversões de rico”.

  435. Não se resolve um problema esquecendo o problema.

  436. A capacidade de desenvolvimento da criança depende da capacidade de desenvolvimento dos pais: filhos de pais que tiveram mais chances de desenvolver seu potencial terão também mais chances de desenvolver o próprio potencial.

  437. Esse problema é em grande parte devido a falta de oportunidade e pode ser amenizado provendo oportunidades de realização e descoberta de talento pessoal.

  438. Diferenças biológicas não implicam que pessoas de determinado tipo serão todas inferiores em tudo.

  439. A natureza não é um limitador definitivo de potencial.

  440. Não se pode dizer que uma pessoa “burra de nascença” nunca será nada na vida: todos têm potencial para alguma coisa e devem ter seus talentos estimulados depois de descobertos.

  441. Quanto mais odiamos algo que afirmamos ser uma mentira, mais admitimos pra nós mesmos que aquilo é verdade.

  442. Algumas características nossas não dependem de nossa humanidade: nós, humanos, usamos a linguagem, mas o fato de eu falar alemão ou francês em particular não depende da minha humanidade, mas das circunstâncias.

  443. Idiomas surgem de outros, seja por descendência direta ou por mistura, além de serem modificados por outros fatores.

  444. Você pode ser humano sem saber qual é o conceito de humano.

  445. Fora que há pessoas que não querem corresponder ao conceito de humano.

  446. É porque as classes sociais são inerentemente diferentes que toda relação entre proletário e burguês é, além de uma relação entre indivíduos, uma relação de classe.

  447. A menos que essas classes sejam igualadas ou deixem de existir, não será possível o trato entre sujeitos sem implícita relação de classe.

  448. A vantagem que um tem sobre o outro só faz sentido em sociedade, seja porque é por ela validada ou porque é por ela engendrada.

  449. A divisão do trabalho deforma e determina o sujeito, que recebe como que um destino: ou ele pensa ou ele faz, ou ele explora ou ele trabalha.

  450. A geração seguinte herda os meios de produção da anterior (o que não as impede de procurar meios novos).

  451. Você se desenvolverá, mas você deve lutar contra as forças que tentam condicionar seu desenvolvimento.

  452. A propriedade privada transforma os meios de produção e os meios de intercâmbio em forças destrutivas.

  453. No entanto, usando esses meios de produção e de intercâmbio é possível acabar com a divisão do trabalho e com a propriedade privada, se isso for feito por indivíduos organizados segundo esse objetivo.

  454. A única determinação justa para nosso desenvolvimento é a conexão que temos entre nós, se bem que tal conexão não está livre de elementos econômicos, solidários e produtivos.

  455. Você só pode declarar algo como “incomparável” depois de tentar comparar aquilo com outras coisas.

  456. Leia sem permitir que os livros distorçam sua visão da realidade: a única coisa que garante que o autor do livro está certo é o quão bem tal livro descreve a realidade.

  457. Uma palavra não é capaz de fazer nada fora do domínio das palavras: as palavras não são coisas.

  458. O filósofo que afirma que a falta de ideias é o fim da filosofia está tentando, mesmo que inadvertidamente, acabar com a filosofia.

  459. Se um conceito não tem relação com a realidade, é um conceito sem sentido, que não quer dizer nada.

  460. Um socialismo verdadeiro tem motivos práticos e objetivos práticos: não é um movimento que se fecha em teoria.

  461. O comunismo não nasceu de “pensamentos puros”, tal como não nasce só do puro pensamento qualquer sistema filosófico, político ou econômico.

  462. Um movimento legítimo tem como ponto de partida as necessidades práticas.

  463. O socialismo deve ser apresentado de forma que qualquer um possa compreendê-lo, porque, do contrário, será um movimento para elites intelectuais (que sozinhas não mudam nada).

  464. Socialismo é revolucionário, não “filantrópico”.

  465. Não há socialismo sem os trabalhadores, não se faz socialismo com intelectuais e empresários sem trabalhadores.

  466. O socialismo é uma ideia francesa.

  467. Quando a mente do sujeito ainda é pequena, é mais fácil convencê-lo com o gênero narrativo (romances, crônicas, ficção, quadrinhos e outras formas de literatura popular) do que com o gênero dissertativo (artigo científico, monografia, teses e outras formas de literatura científica).

  468. O gênero narrativo pode funcionar como propaganda.

  469. Às vezes é melhor pensar numa ideia como sujeita ao tempo do que pensá-la sob a ótica da eternidade: se algo é urgente, pensar se isso deve durar pra sempre pode resultar em perda de tempo.

  470. Animais se masturbam.

  471. Estranho é uma pessoa com engajamento político rotulando comportamentos como “natural” ou “não natural”.

  472. Não existe propriedade privada “falsa” e propriedade privada “verdadeira”: propriedade privada só existe de um modo.

  473. O comunista que quiser ter sucesso como comunista não pode fingir que a luta de classes não existe: ele precisa admiti-la, não disfarçá-la.

  474. A Alemanha não é juíza do mundo.

  475. O nacionalismo é burguês.

  476. A vida feliz não é um estado natural.

  477. Para algumas pessoas, voltar à estaca zero é desenvolvimento.

  478. Apelar pra natureza é uma técnica que já foi usada para justificar a desigualdade social e a escravidão.

  479. “Afinidade humana natural” é uma construção histórica.

  480. A polícia é consequência da divisão entre os homens.

  481. A polícia não é a única força a exercer coação sobre a vontade humana.

  482. A abstração não precede o fato, a abstração não deve perder uma ligação real com o fato.

  483. Nossa vida não é toda fruição e o trabalho muitas vezes entra no grupo das atividades das quais não se frui nada ou não se frui o bastante.

  484. A Alemanha é um país como os outros e não pode pretender se elevar acima das outras nações.

  485. Uma nação não pode se arrogar o direito de ser guia do mundo.

  486. É um insulto ouvir que um estrangeiro conhece sua nação melhor que você.

  487. Criticar uma ideia não se resume a xingar as pessoas que a professam.

  488. Se você se diz mais sábio ou desenvolvido que os outros, é melhor estar pronto para provar isso…

  489. O comentário não é a obra comentada.

  490. O comentário do comentário também não é a obra comentada.

  491. Você pode se casar não porque ama a pessoa, mas pelo benefício que o casamento pode trazer, mesmo que intelectual.

  492. Se um comentário erra, o comentário do comentário poderá repetir o erro e até introduzir erros novos.

  493. Um bom relato biográfico é cronológico e não se abstrai das motivações dos atos narrados.

  494. Para esconder um plágio, alguns autores criticam o autor que copiaram.

  495. Todos terão que trabalhar.

  496. Não fale do que você não leu.

  497. A história do estado está diretamente ligada à história da economia.

  498. Moral é coibição das paixões humanas.

  499. Fazer algo é também dominá-lo.

  500. Algumas pessoas levam somente fantasias a sério.

  501. O fim do matrimônio já estava ocorrendo na época em que o livro foi escrito.

  502. A vida humana é o fundamento da religião e da política, não o contrário.

  503. Os meios de produção, melhores a cada geração, acabam produzindo bens em excesso, que podem não ser consumidos.

  504. Quando você escreve um livro, você geralmente não espera que seus leitores escrevam os deles, mas tão somente que a formação do leitor seja aprimorada.

  505. A superprodução só provoca crise quando começa a afetar o valor de troca das mercadorias.

  506. Não pense que seu plágio não será detectado só porque você plagiou alguém que, para você, tem pouca importância.

  507. Aliás, essa pessoa de pouca importância pode estar mais qualificada intelectualmente do que você (afinal, você copiou ela).

  508. O parlamento e a aristocracia podem criar crises de propósito, a fim de obter apoio do povo em alguma causa de sua escolha.

  509. Milagreiros se aproveitam da ignorância das pessoas sobre o mundo natural ou o mundo social.

  510. Esses milagreiros também se apoiam no medo que podem incutir nos seus ouvintes.

  511. Eles tentam incitar emoções para que sejam cridos mais facilmente, porquanto a emoção suspende a razão.

  512. O idealismo alemão não é diferente de outras ideologias nacionais e nem melhor que elas.

  513. Ignorar não é refutar, dizer que seu oponente é fraco demais pra merecer refutação não o refuta.

  514. A história que você faz não é a história real e pode não corresponder a ela, nem representá-la.

  515. É um erro pensar que é possível ser materialista sem considerar o objeto também como atividade humana sensível.

  516. Um materialismo que só considera seus objetos como conceitos é cego para a revolução.

  517. Provas são dadas na prática.

  518. A busca pela verdade é uma busca prática.

  519. Os homens mudam as circunstâncias que os cercam.

  520. A revolução é uma alteração de circunstâncias.

  521. O que é sensível é prático.

  522. As relações humanas entram na essência humana.

  523. Vida social é vida prática.

  524. Interpretar o mundo não basta; é preciso transformá-lo.

28 de janeiro de 2019

What I learned reading “Manifesto of the Communist Party”.

Filed under: Livros — Tags:, , — Yurinho @ 17:25

“Manifesto of the Communist Party” was written by Marx and Engels. Below, what I learned by reading their text.

  1. When people accuse each other of being communists, it is time for a real Communist to come up and explain what communism is.

  2. “Communist” is often used pejoratively.

  3. There are two classes that fight each other in all historical stages: oppressors and oppressed.

  4. This war always culminates in one of two ways: the two die or society changes paradigm.

  5. The industry has made primitive manufacturing obsolete.

  6. The freedoms earned with effort can be sacrificed in the name of freedom of trade.

  7. Bourgeois oppression subjugates personal talents by the power of wages.

  8. The existence of the bourgeoisie depends on the advance of the means and the relations of production.

  9. The advance of the bourgeoisie can no longer recede: we can’t go back to how things were before that, nor we would want to.

  10. We now need things produced in other countries; we can no longer maintain our level of comfort with only the things we produce in our country.

  11. “Intellectual possessions” are also subject to export and import.

  12. The advancement of the bourgeois way of life makes the richer and more powerful nations subjugate the weakest culturally.

  13. Such subjugation unifies territories.

  14. The good side of the bourgeois way of life was an unprecedented technological advance.

  15. The bourgeois class began to rise when the forces of production surpassed the capacity of the old feudal system.

  16. Their ascension, then, is due to the lack of freedom in an old system and the increasing demand for freedom.

  17. The excessively rapid growth of the forces of production, however, enable overproduction .

  18. It seems that the end of capitalism will be a natural event because crises of overproduction grow in intensity.

  19. Eventually, we will enter into an economic crisis without being able to overcome it.

  20. The worker is also merchandise: in effect, you have a price.

  21. A lot of people live to work.

  22. When the means of production evolves, some jobs are less demanded.

  23. If you are fighting someone, do not attack that person’s enemies.

  24. Victory does not last forever: it needs to be maintained and can only be maintained at great cost.

  25. Each victory brings the warriors together (in this case, workers).

  26. A workers’ party will only succeed if the workers stop competing with each other.

  27. One should never stop fighting for rights if the rights are insufficient.

  28. The elite are not always in agreement with each other and this is an advantage for the masses.

  29. If one side of the elite wants to overcome the other, that side needs help from the common people: whoever convinces the most ordinary people wins .

  30. A worker is the same anywhere in the world: he can earn more, he can earn less, but he is always exploited.

  31. A revolution made by the working class is a revolution made by the majority, which would be unique.

  32. Workers must destroy the elite.

  33. The elite needs the workers, so it gives them livelihoods, but do workers need the elite?

  34. Disarming workers requires wage manipulation: if those who are more aligned to the status quo are the ones who earn better wages, workers will be less inclined to dissent.

  35. However, if workers come together in groups claiming a raise for everyone, it becomes more difficult to employ that strategy.

  36. Not every worker is a communist .

  37. Communism has no mentors … or, at least, it should not have: its theoretical referential are the workers themselves who decide the agenda together.

  38. Private property must be abolished.

  39. The minimum wage is called “minimum” because it is just enough to keep you alive and working.

  40. If the minimum wage increases, it is because the cost of living has also increased.

  41. On the other hand, it is possible to increase the minimum wage without an increase in the living costs, but this allows traders to raise prices.

  42. Raising the minimum wage also increases the living cost: you can not have comfort by just earning a minimum wage unless your cost of living is especially low (as is the case with single men).

  43. The less you earn, the more you feel like you need your job: you will do whatever the boss says just to stay in the job, even at the cost of personal dignity.

  44. When someone says that something will bring more freedom, ask yourself “freedom for who?”.

  45. The freedom of the elite is the freedom for buying and selling.

  46. Thus the freedom of the elite has nothing to do with the freedom of us, people.

  47. In communism, what you produce is yours.

  48. It is possible to earn money without working .

  49. If there are no bosses, people will work for themselves.

  50. The family must be abolished .

  51. The family favors child exploitation by the parents themselves.

  52. They say that communism wants to destroy family education, but family education has already been destroyed when the elite invented school and childhood, making education a responsibility of the state.

  53. What’s the use of marriage?


  54. Freedom to have sex to anyone who agrees, as long as it’s healthy.

  55. Anyone can be a cuck, even in the elite.

  56. The woman does not belong to anyone.

  57. A lot of rich people are cucks.

  58. There is no need to “sell your body “, prostitution does not exist in communism.

  59. Communism has no “homeland”.

  60. Workers are one nation in all territories.

  61. The dominant ideas are those of the elite: our concept of right and wrong, for example, is imposed from above.

  62. The elite wants one intellectual to compete with another, rather than working together.

  63. Children should not work in factories, but they can produce through safer means.

  64. The child must learn normal curricular content, but must learn, along with this curriculum or as part of it, a profession.
  65. If political struggle is not possible at the moment, fight at least in the intellectual field.

  66. Socialism can be reactionary as well.

  67. When you read a book from another country, keep in mind that bringing the book to Brazil does not mean bringing the country of origin with the book: a political analysis about the France does not apply to Brazil.

  68. Human aspirations do not necessarily coincide with the aspirations of a class.

  69. Do not bet everything if you have nothing to win.

  70. There are socialists in the elite as well.

  71. The only thing the state should do is to manage the collective production.

29 de agosto de 2017

O que aprendi lendo “Manifesto do Partido Comunista”.

“Manifesto do Partido Comunista” foi escrito por Marx e Engels. Abaixo, o que aprendi lendo o texto deles.

  1. Quando as pessoas acusam umas as outras de comunistas, sendo que elas não o são, é hora de um comunista de verdade aparecer e explicar o que ele é.

  2. “Comunista” é frequentemente usado pejorativamente.

  3. Há duas classes que se combatem em todos os períodos históricos: opressores e oprimidos.

  4. Essa guerra sempre culmina de uma das duas formas: os dois morrem ou a sociedade muda de paradigma.

  5. A indústria tornou a manufatura artesanal obsoleta.

  6. As liberdades conquistadas com esforços podem ser sacrificadas em nome da liberdade de comércio.

  7. A opressão burguesa subjuga os talentos pessoais pelo poder do salário.

  8. A existência da burguesia depende do avanço dos meios e das relações de produção.

  9. O avanço da burguesia não pode mais retroceder.

  10. Temos agora necessidade de material internacional.

  11. Material intelectual também é passível de exportação e importação.

  12. O avanço do modo de vida burguês faz com que nações mais ricas e poderosas subjuguem culturalmente as mais fracas.

  13. Isso também unificou territórios.

  14. Graças a esse avanço, tivemos um avanço tecnológico sem precedentes.

  15. A classe burguesa começou a ascender quando as forças de produção superaram a capacidade do sistema feudal já velho.

  16. Sua ascensão, então, deve-se à falta de liberdade que um sistema antigo proporcionava e à crescente demanda por um benefício que essa liberdade traria.

  17. O crescimento excessivamente rápido das forças de produção, porém, proporciona crises de superprodução.

  18. Parece que o fim do capitalismo será um evento natural, porque as crises de superprodução crescem em intensidade.

  19. Eventualmente, entraremos numa crise econômica da qual não sairemos.

  20. O trabalhador também é mercadoria: com efeito, se vende.

  21. Muita gente vive pra trabalhar.

  22. Quando os meios de produção evoluem, alguns trabalhos são menos requisitados.

  23. Se você está lutando contra alguém, não ataque os inimigos desse alguém.

  24. A vitória do sindicato não dura pra sempre: precisa ser mantida e só pode ser mantida com muito custo.

  25. Se há uma coisa certa nessas vitórias é a união que elas proporcionam entre os trabalhadores.

  26. Um partido dos trabalhadores só dará certo se os trabalhadores pararem de competir entre si.

  27. Uma classe política não ganha tudo de uma vez: nunca se deve parar de lutar por direitos enquanto os direitos forem insuficientes.

  28. A elite nem sempre está de acordo entre si e isso é uma vantagem para as massas.

  29. Para que um lado da elite prevaleça sobre outro, é preciso ajuda do povão: o lado da elite que convencer o maior número de pessoas comuns vence.

  30. Trabalhador é igual em qualquer lugar do mundo: ganha-se mais, ganha-se menos, mas sempre explorado.

  31. Uma revolução feita pela classe trabalhadora é uma revolução feita pela maioria, e nisso ela seria única.

  32. Os trabalhadores devem destruir a elite.

  33. A elite precisa dos trabalhadores, por isso os dá meios de subsistência, mas será que os trabalhadores precisam da elite?

  34. Desarticular trabalhadores requer manipulação dos salários: pague melhor quem tem mais adesão ao sistema vigente.

  35. No entanto, se os trabalhadores se unirem em grupos que reivindicam aumento pra todos, fica mais difícil.

  36. Nem todo o trabalhador é comunista.

  37. O comunismo não tem mentores… ou, pelo menos, não deveria ter: seu referencial teórico são os próprios trabalhadores que decidem a pauta em conjunto.

  38. A propriedade privada deve ser abolida.

  39. O salário mínimo se chama “mínimo” porque compreende apenas o necessário pra que a pessoa possa subsistir e continuar trabalhando.

  40. Se o salário mínimo aumenta, é porque o custo de vida também aumentou.

  41. Por outro lado, é possível aumentar o salário mínimo sem que o custo de vida tenha aumentado, mas isso permite que comerciantes aumentem os preços.

  42. Logo, aumentar o salário mínimo também aumenta o custo de vida: você não pode ter conforto ganhando salário mínimo, a menos que seu custo de vida seja especialmente baixo (como é o caso de homens solteiros).

  43. Quanto menos você ganha, mais você sente necessidade do patrão: fará o que for necessário pra se manter no emprego, mesmo a custo da dignidade pessoal, o que é especialmente verdade em tempos de desemprego.

  44. Quando alguém diz que algo trará mais liberdade, verifique se não trará mais liberdade só pra quem está falando.

  45. A liberdade da elite é a de compra e venda.

  46. Assim, a liberdade da elite nada tem a ver com a liberdade do povo.

  47. No comunismo, o que você produz é seu.

  48. É possível ganhar dinheiro sem trabalhar.

  49. Se não houver patrões, as pessoas trabalharão para si mesmas.

  50. A família deve ser abolida.

  51. A família favorece a exploração infantil, se feita da parte dos próprios pais.

  52. Dizem que o comunismo quer destruir a educação familiar, mas a educação familiar já foi destruída quando a elite inventou a escola e a infância, tornando a educação uma responsabilidade estatal, não mais familiar.

  53. Dizer que as mulheres serão de todos não implica dizer que a mulher poderá ser coitada por qualquer um como se fosse um objeto.

  54. Liberdade de se relacionar saudavelmente com qualquer um que concorde com a relação.

  55. Ninguém está a salvo do chifre, nem a elite.

  56. A mulher não pertence a ninguém, nem o homem.

  57. O chifre impera na elite.

  58. Não havendo necessidade de “vender seu corpo”, a prostituição não existe no comunismo.

  59. Trabalhador é trabalhador aqui e na China: não há necessidade de “pátria” no comunismo.

  60. Trabalhadores são uma nação em todos os territórios.

  61. As ideias dominantes são as da elite: nosso conceito de certo e errado, por exemplo, é imposto de cima.

  62. A elite quer que um intelectual concorra com o outro, não que trabalhem juntos.

  63. Crianças não devem trabalhar em fábricas, mas devem produzir também, isto é, devem trabalhar de alguma forma indistinta da educação humanística.

  64. A criança deve aprender o conteúdo curricular normal, mas deve aprender, junto com esse currículo ou como parte dele, uma profissão.
  65. Se a luta política não é possível no momento, lute ao menos no campo intelectual.

  66. O socialismo pode ser reacionário também.

  67. Quando você lê uma obra feita em outro país, tenha em mente que trazer o livro pro Brasil não significa trazer com você o país de origem: uma análise política feita na França sobre a França não se aplica ao Brasil.

  68. As aspirações humanas não necessariamente coincidem com as aspirações de uma classe.

  69. Não ponha tudo a perder se você não tiver o que ganhar.

  70. Existem socialistas na elite também.

  71. Zona rural e zona urbana devem se tornar uma coisa só, a família deve ser abolida e, se houver um estado, este deve apenas gerenciar a produção coletiva.

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