Analecto

25 de abril de 2017

Sobre a perseguição ao Lula.

Filed under: Notícias e política, Organizações — Tags:, , , — Yurinho @ 15:33

Eu só comecei a me interessar por política ano passado, às vésperas do impedimento da Dilma. Eu tenho o azar de sempre me interessar por coisas que estão em crise. No dia em que eu disse “vou dar uma chance ao futebol”, o Brasil perde pra Alemanha por uma diferença de seis pontos. Analogamente, no dia em que eu disse “vou dar uma chance à política”, o processo de impedimento da Dilma é aprovado na Câmara por uma maioria massacrante. Então, eu sei pouco de política, além do que aprendo no convívio que eu tenho com minha família, nos livros e em sítios online (deixei de assistir televisão há muito tempo porque nunca passa nada interessante).

Então, esta não é uma opinião profissional. Tudo indica que Lula é réu em cinco processos, nos quais não se encontra nenhuma prova contra ele, ao passo que a televisão, pelo que me parece, exibe constantemente notícias de políticos sendo investigados ou presos pela Operação Lava-Jato. O que me preocupa não é o que as notícias estão a dizer, mas o que o leitor ou ouvinte está entendendo.

Minha irmã me disse o seguinte: “política é questão de escolher o menos pior.” Eu ouvi em um outro noticiário um cara que disse “em termos de honestidade, são todos iguais.” O que estou querendo dizer é que a propaganda da mídia contra o Lula, sem provas, ao passo que mostra indivíduos de outros partidos sendo indiciados e presos, com provas, tem um efeito contra-produtivo pra elite: a popularidade do PT aumenta.

“Como”, alguém pode se perguntar, “se o Lula é réu em cinco processos?” A mídia está passando a impressão de que todos ou, pelo menos, a maioria são corruptos, e que não há como saber realmente quem é honesto. Então, se eu não vejo honestidade em lugar nenhum, ao passo que eu sinto que preciso votar, honestidade deixa de ser critério de voto. Aí está a razão do aumento recente da popularidade do Lula nas pesquisas. Como não é possível dizer com certeza quem é honesto, não se vota por honestidade, mas por outros critérios. Esse pessimismo político eu vejo e ouço na minha família, na Internet, nos poucos programas de televisão que eu assisto com papai, em conversas na rua… Pelo menos no meio em que vivo e interajo, a busca pelo político honesto já acabou, frustrada.

Qual é o critério usado pelas pessoas agora? A maioria vai pelo que funcionou pra elas no passado. Como a maioria das pessoas no Brasil se beneficiou da administração do Lula de alguma forma (ele tirou o Nordeste da lama, isso é muita coisa), essa maioria está voltando pra ele, apesar das denúncias, dos processos e da fama do PT de ser um partido corrupto (novamente, porque não se está pensando em honestidade). Portanto, má fama, mesmo justificada, não diz muito. Outros utilizam outros critérios, o que é revelado pelo aumento da adesão aos partidos menos populares, como o PSC. O fato é que, pelo menos na minha observação, pouca gente ainda está pensando em honestidade. Os que pensam, parecem pensar só nisso: adotam um candidato que não está envolvido em escândalos, logo, que é tido por honesto, mesmo que seus projetos sejam péssimos. Esse é o tipo que eu mais vejo na Internet. Outros desistem da política de todo.

Então, isso é tudo o que eu queria dizer. Se a mídia continuar no caminho em que está, ao passo que a Lava-Jato falha em condenar Lula, ela está sendo contra-produtiva, aumentando a adesão a Lula em vez de a diminuir (supondo que essa é sua intenção). Se você estiver se perguntando em quem eu vou votar, eu ainda não sei. Prefiro esperar até o período eleitoral realmente começar. Eu acho cedo pra escolher um lado.

29 de setembro de 2011

Alienação.

Suponhamos que você esteja numa daquelas cadeiras de escritório. Tem vinte objetos de seu interesse ao redor de você. Você não pode sair da cadeira, mas pode apenas girá-la, mudando o foco de sua atenção para outros objetos. Se você escolhe observar certo grupo de objetos, você invariavelmente esquece o que está atrás de você.

Sinceramente, não acredito em alienação. Acredito que o indivíduo tem poder de escolha sobre o que quer ou não prestar atenção. Acredito em distrações, mas não acredito que elas podem nos ser forçadas.

Você pode ignorar o que não achar importante. Eu fico olhando o mundo dos adultos de fora e, realmente, não tenho intenção de ir fundo nele sem necessidade. Por que eu iria? Se eu me preocupar com um mundo do qual não faço parte e de onde eu nada posso tirar, onde eu nada posso acrescentar, por que me preocupar?

Muitos indivíduos chamados “alienados” na verdade são pessoas que resolveram prestar atenção em outros aspectos da vida que eles julgam ser importantes. A arte, por exemplo, sem finalidade em si é importante para os artistas, da mesma forma que a economia é importante para os economistas.

Claro que o indivíduo deve ter suas razões para prestar atenção naquilo que ele presta atenção, do contrário será apenas um distraído. Ainda não o chamaria de alienado, porque ele ele não foi “expelido” do mundo por alguma coisa, mas por conta própria, podendo voltar se assim quiser, portanto não perdendo completamente a ligação que tem com o mundo em que estava antes.

As pessoas falam muito da mídia alienadora, mas quer saber? Eu não assisto televisão nem ouço rádio. Sou alienado? No seu conceito, sim. Mas e se eu ouvisse rádio e vesse televisão? Também, porque a mídia aliena o indivíduo?

A mídia não nos é forçada, a mídia não fecha nossos olhos. Ela de fato distrai, mas, se isso for do nosso agrado, podemos prestar atenção em outras coisas que não a mídia ou até ir mais fundo no que a mídia diz para encontrar as verdadeiras informações por trás do que é manipulado. É muito fácil culpar a mídia quando metade da culpa dessa “alienação” é culpa do indivíduo que se deixa distrair por preguiça.

Eu girei a cadeira e tenho minhas razões para prestar atenção naquilo que presto atenção. Mas eu estou sozinho, quem gira a cadeira sou eu. Não existe alienação, o que existe é a liberdade de ver ou não ver, de ceder às distrações ou não, de emitir juízo de valor sobre o que lhe é oferecido.

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