Analecto

13 de setembro de 2014

Homens são todos iguais.

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Entrarei em detalhes sobre minha aversão à mulheres, correndo o risco de soar ofensivo. Quando eu era menor, lá pelo jardim de infância, eu era bastante tímido frente ao sexo oposto. De fato, meninas pensavam e agiam de forma diferente e, sempre que eu tentava me aproximar delas, eu era recebido aos risos, porque meu comportamento típico de menino, minha aparência e minhas reações eram engraçadas para elas. Era como se eu fosse um constante motivo de risada. Então eu comecei a me afastar delas, apesar de que, com o passar do tempo, a convivência com fêmeas estranhas tornou-se inevitável e acabei tendo que aceitar.

Também na infância, eu era cotidianamente mal tratado pela minha irmã, que me batia, gritava comigo e elaborava mentiras sobre mim pra minha mãe. De fato, ela me fazia assumir todo tipo de tarefa, porque eu era mimado pela minha mãe e ela achava inaceitável que eu não contribuísse com a ordem da casa enquanto a mãe estava. Então, sempre que eu ficava sozinho com ela, eu era forçado, por vezes violentamente, a fazer tarefas aleatórias e ter meus privilégios suspensos. Eu tinha um ódio indescritível por ela, mas ela recebeu da vida o que lhe é devido. Certo dia, entrei apertado no banheiro e a vi sentada no vaso sanitário, de pernas bem abertas, depilando-se. O cheiro era nauseante. Eu tinha sete anos.

Na adolescência, fiz algumas amigas, duas, pra ser mais exato. Eu ainda tinha alguns problemas com mulheres, mas eram problemas pequenos, já que eu havia recebido uma educação igualitária. Eu pensava que mulheres são iguais a nós, homens, em sua diferença, no sentido de que as diferenças entre os gêneros se anulam ao serem os gêneros comparados. Mas aí eu tive depressão profunda por dois anos, período no qual eu comecei a enxergar meus próprios defeitos com um grau de aumento de 400%. A depressão muda a forma como as pessoas vêem o mundo ao redor e comecei a observar as coisas de um ponto de vista mais pessimista. A sensação de ser constante motivo de riso perante as mulheres voltou, naturalmente, e comecei a me perguntar o porquê daquilo, coisa que eu não fazia quando criança. As mulheres tinham processos de pensamento que eu não conseguia apreender e uma inteligência social espantosa. Eu me sentia três passos atrás delas, literalmente um retardado, mas, sempre que eu tinha que trabalhar com elas, eu me sentia impelido a acompanhá-las, embora eu quase sempre não conseguisse. Essas pressões, repetidas por trabalhos em grupo e convivência, mostraram um dado inesperado à minha insólita mente deprimida: minha educação igualitária estava errada, é ingênuo acreditar que homens e mulheres são iguais em sua diferença e as mulheres provavelmente já pensavam assim. De repente, eu lia pensamentos. E a leitura de um livro sobre psicologia infantil que delineava as desvantagens do sexo masculino só havia piorado as coisas.

Mas isso não parou meus hormônios. Certo dia, ainda deprimido, me apaixonei por uma garota e até cheguei a confessar meu amor por ela e ela confessou o dela por mim. Mas como eu manteria uma relação dessa natureza estando eu três passos atrás? Eu não consegui manter a relação por muito tempo e acho que nem posso dizer que de fato fomos namorados. Quando ela terminou seus estudos no Ensino Médio, não a vi por anos. Recentemente a vi várias vezes em ônibus, vestida como uma protestante popular. Não falei com ela porque a simples visão de sua face faz eu me sentir um fracasso total.

Durante a depressão, eu me perguntava como eu era o único capaz de ver que a educação igualitária era uma falácia. Ou, pelo menos, o único dos homens. Talvez porque elas fossem as principais divulgadoras da educação igualitária e, já que acreditar nisso é ingenuidade, talvez elas estivessem explorando algum tipo de ingenuidade natural. Mas será que se pode falar de “ingenuidade natural”? Talvez isso seja um estereótipo. Eu constantemente ouvia mulheres, tanto jovens como adultas, dizer coisas como “homens são todos iguais”, “nenhum homem presta”, “quando eu casar com ele, o ponho nos eixos” e coisas dessa natureza. Mesmo minha mãe, depois do divórcio, me enchia as orelhas com esse tipo de coisa. Toda a vez que minha própria mãe dizia uma coisa dessas pra mim eu ficava, apesar de eu detestar usar esta expressão, muito triste. Ainda fico. Ela uma vez me disse que a infidelidade conjugal faz parte da natureza masculina e disse que minha avó pensa a mesma coisa. Me dói o coração ao digitar isto, porque sinto que nem em minha mãe eu posso confiar. Mas por que as mulheres pensam dessa forma? Será que damos motivos para elas pensarem assim?

A maioria dos homens trabalha mesmo para a criação e manutenção de estereótipos dessa natureza. A maioria. Diz-se da palavra normal que esta indica um comportamento padrão (norma), mas para que um comportamento torne-se padrão precisa (a) ser o comportamento da maioria ou (b) ser um comportamento contemplável pela maioria, mas que ainda não foi adotado. Isso significa que os estereótipos são justificados, porque, se a maioria dos homens é “toda igual”, “não presta” e precisa do casamento para ser posta “nos eixos”, pode-se dizer que é normal que os homens adotem esse tipo de comportamento e, portanto, caiam no estereótipo. E, no contexto em que eu estava inserido, todos os homens eram estereótipos, eu incluso, mas eu lutava contra isso. Novamente, eu estava deprimido e talvez eu estivesse preso em algum tipo de pesadelo excepcionalmente longo.

Com o fim da depressão, entrei na faculdade de filosofia. A depressão havia deixado sequelas e, apesar de eu normalmente me confortar com os resquícios de educação igualitária que eu tinha mantido, eu ainda evitava muito envolvimento com mulheres. Mas… até mesmo alguns professores pareciam advogar os estereótipos que eu havia visto na minha insólita adolescência. Alguns até pareciam defender uma superioridade feminina. Qualquer lasca da educação igualitária que eu guardava foi, assim, completamente pulverizada. Homens e mulheres não são iguais em sua diferença e não faz nenhum sentido advogar tal coisa. Vez por outra, me sinto um derrotado exclusivamente por causa de uma determinação biológica, um tipo de estigma de nascença. Não me entenda mal, eu gosto de ser homem, mas sinto como se eu fosse inferior por isso. As mulheres, provavelmente, têm razões sensoriais e mais superiores para gostarem de ser mulheres e, se eu tivesse que defender minhas razões para permanecer homem diante de uma mulher, eu seria envergonhado, por admitir que não iria gostar de estar no corpo de uma mulher (eu jamais me adaptaria aos cuidados) e que simplesmente é prazeroso ser homem, embora ser “prazeroso” não seja uma razão muito nobre.

Amanhã estarei bem e poderei raciocinar normalmente novamente, mas essa crise voltará, sempre volta, um pouco mais forte cada vez. Temo que, algum dia, eu acabe me matando por causa disto.

15 de outubro de 2012

A peguei se depilando!

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 20:01

A Chantagem, linha 4. by Yure16 — Fur Affinity [dot] net.

Primeiro, nunca me senti atraído de forma significativa por pessoas de qualquer gênero, salvo em casos de peso. Segundo, relacionamentos trazem uma onda de responsabilidades que eu simplesmente não quero assumir. Terceiro, mulheres não raro me assustam. Quarto, não menos importante, estou muito bem sozinho, obrigado.

Isto é uma longa história, que começa com minha irmã. Sempre que minha mãe saía e eu ficava à mercê dela, eu era forçado a fazer as coisas que ela me mandava fazer e ela me batia se eu me recusasse. Eu chorava quase uma vez por dia até que resolvi me rebelar contra ela. Pode-se dizer que minha rebelião adolescente aos doze anos não alvejou meus pais. Eu sempre jurava que eu me vingaria, mas o dia nunca veio até que ela ameaçou meu precioso baralho, aos treze anos. Foi quando eu, pela primeira e única vez, bati nela (ela tinha uns dezessete anos). Minha cartas estavam seguras e eu percebi que eu finalmente podia acabar com a tirania dela. Sempre que ela voava em cima de mim por qualquer razão que fosse, eu me defendia, mas me recusava a bater nela. Quando ela se cansava, eu freava com ela, óbvio. Outro trauma envolvendo ela tem a ver com o cheiro do banheiro. Sempre que ela tomava banho, um cheiro de peixe ficava no ar. Certo dia, eu, um menino inocente de oito anos, entrei no banheiro após passar algumas horas prendendo o pipi e a peguei se depilando! O cheiro estava mais forte que nunca e aí percebi a fonte do odor. Hoje em dia, ela está muito mais higiênica, mas era uma adolescente porquinha. Nossa família sempre foi muito aberta quanto a nudez, muito mais que muitas famílias, e o aspecto da genital feminina me dá… uma dose de asco.

Aos catorze anos, quando fiquei deprimido, me tornei muito mais tímido e comecei a notar como as mulheres agem diferente, a opinião que algumas delas tinham de mim e dos outros garotos, elas pensavam diferente, agiam diferente e tinhas processos mentais muito mais complicados. Eu me sentia fraco diante delas e sempre que eu tinha que conversar com uma eu me sentia como um constante motivo de piada. Não raro, imaginava como seria me meter numa discussão com uma delas. Mesmo estando erradas, elas podiam me humilhar facilmente e me fazer parecer um otário. “Mulheres são geralmente cruéis”, eu pensava.

Havia exceções, claro, e eu tinha amigas com quem eu jogava RPG e assistia desenhos. Mas até elas eu tratava diferente, porque elas eram… voláteis. Era muito fácil deixar uma delas com raiva de você para sempre. E, quando ficavam, elas jamais lhe ouviriam, jamais lhe dariam atenção por mais que você tentasse pedir perdão. E eu vi isso acontecer, por minha causa, com um amigo meu, que amava uma menina e eu, sem querer, deixei vazar o que ele pensava dela, atrasando em um ano um pedido de namoro.

Elas funcionam de um jeito tão diferente e tão estranho que eu acumulei más experiências o bastante com elas. Posso fazer amizade e tudo o mais, mas não posso levá-las numa relação séria, seja por alguns meses, seja para a vida toda. Isso, necessariamente, correria mal. Talvez seja um problema comigo, visto que muitos homens, aliás, a maioria dos homens se dá bem com mulheres.

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