Analecto

4 de abril de 2012

Culpa.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 18:32

I are a bad person | SoFurry.

Fiz minha mãe chorar hoje. Pude ouvi-la se perguntando o que ela tinha feito. Ela chegou e me ouviu tossindo e imediatamente me acusou de não tomar os remédios. Eu disse à ela que eu tomei, mas ela insistiu. Ela perguntou se eu tinha tomado o polivitamínico e eu disse que não, daí ela supos que eu não tomei nenhum dos três remédios, sem nem sequer perguntar pelo terceiro. Eu havia tomado o primeiro (o xarope), mas só podia tomar outra dose depois de oito horas, por isso não havia tomado ainda. E eu tomei o estimulante de apetite, logo tomei dois. Eu já estava perdendo a paciência com isso e comecei a aumentar o tom de voz. Ela perguntou se eu ia engoli-la e eu disse que ela estava tentando me engolir há um ou dois minutos. Ela disse que estava estressada por voltar de um sala com uns trinta alunos e eu disse que aquilo não era problema meu e não tinha nada a ver com a acusação dela de eu não ter me medicado e que ela não devia jogar o estresse dela sobre mim, que realmente nada tenho a ver com o trabalho dela. Ela disse que ela pode, porque tem direito. Eu disse:

Tudo bem, continue.

E ela continuou até perceber que eu não estava dando a mínima atenção. Ela então se retirou para chorar na frente do meu irmão. O choro era genuíno, mas eu me pergunto se ela só foi chorar para meu irmão para fazê-lo ficar com raiva de mim também, não que aquele jumento fosse tentar algo contra mim.

Além disso, descobri que certas parafilias que pratico são fonte de culpa também. Há algum tempo que encontrei um par de tendências sadistas em minha sexualidade e não sei administrá-las direito ainda. Não pretendo eliminá-las porque isso não é possível; é como pedir à um heterossexual que deixe de gostar de mulheres. Só quero que elas permaneçam no campo da ficção, que tem ficado cada vez menos satisfatório.

Fui assaltado ontem. A conversa foi mais ou menos assim:

– Ei, pode me dar cinquenta centavos para eu comer?

– Claro.

– Tá bom, agora que eu sei que você tem dinheiro, passa a carteira, celular, passa tudo que você pode ir.

– Cara, eu não tenho celular, tenho um MP3, e o dinheiro que eu tenho aqui é muito pouco porque pago meia.

– Tá bom, tira o dinheiro da tua meia.

– Estou de chinelo.

– Meia passagem, animal.

– Ah…

– Pronto, pode ir. Da próxima vez que um estranho te pedir dinheiro, não dê; pode ser um assaltante. Só para você ficar inteirado.

Vivendo e aprendendo, recebi lição de moral de um bandido. Pelo menos ele foi bonzinho o bastante para me deixar ir com o dinheiro da “meia”, do contrário eu ficaria preso em Capital. Eu deveria deixar de ser tão ingênuo e bonzinho, mas eu não consigo. Por isso que minhas tendências sádicas me são motivo de culpa; elas vão contra minha moral, mas não posso me livrar delas. Tudo o que posso fazer é aceitar que não sou perfeito e, com o tanto que eu não prejudique ninguém, não tenho do que ter culpa. Exceto, claro, de ter brigado com minha mãe.

Me sinto péssimo, como de costume.

3 de janeiro de 2012

Auto-aceitação.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 09:19

Ao passo que eu consegui resolver o problema do meu colega, outro cara apareceu sofrendo de um problema similar.

Há um ano, ele tenta resistir à sua parafilia, bondage, por medo de que seus amigos pensem que ele é uma aberração. Ele só se rende à sua parafilia quando realmente não consegue tirá-la da mente, certifica-se de que pode controlar o tempo da exposição e depois tenta esquecê-la fazendo outra coisa. Segundo ele, sua parafilia é aceita em seu aspecto individual, mas ele tenta manter isso no menor nível possível por medo de que isso possa afetar os outros. Porém, periodicamente, ele sente vontade de desenhar coisas relacionadas à bondage, mas, por razões já explicadas, ele resiste à vontade, embora ela sempre volte. Mais de uma vez, ele perguntou para nós se nós deixaríamos de ser amigos dele por causa de sua parafilia. Droga, isso é o furry fandom, bondage é provavelmente a mais comum das especialidades. Isso não assusta ninguém, talvez nem novatos. Mesmo que digamos que tudo bem, ele ainda teme perder nossa amizade e sofrer rejeição. Depois de pensar bastante a respeito, ele começou a se perguntar se ele deveria realmente resistir à sua parafilia e ponderou a possibilidade de ceder a vontade, mas não para seus amigos. Ele pensou nos caminhos que isso abriria (novos amigos com interesses similares aos dele, porém diferentes dos interesses de seus amigos atuais) e resolveu sair um pouco de sua zona de conforto, abrir uma nova conta e começar a enviar arte relacionada ao que ele realmente gosta. Isso trará comentários diferentes, mais autoestima e uma nova direção para melhorar sua arte. Afinal, se ele teme rejeição por parte de seus amigos, é só manter contas diferentes, de forma que só aqueles que realmente gostem de bondage o assistam em sua outra conta, permitindo que seus vigias atuais vejam apenas o seu trabalho corriqueiro (babyfur). Ele deixou claro no seu jornal que “algum dia” ele dará uma pausa no babyfur para explorar seu outro “fetiche”, contra o qual ele tem resistido há um ano (no sentido de resistir a vontade de exteriorizá-lo, já que ele aceita sua parafilia no âmbito individual, mesmo que com tempo controlado). Me soa como uma tentativa de fuga da pressão causada pelos amigos, uma tentativa de mentir para eles por razões imaginárias. Mas isso não ocorrerá num futuro tão próximo, já que ele ainda não se sente seguro o bastante para “sair da zona de conforto” e explorar esse lado dele.

Isso me faz suspirar de preocupação. Por que as pessoas precisam da aceitação dos outros para ser elas mesmas quando não há necessidade disso? Não é como se ele estivesse praticando algum crime ou coisa do tipo. Se não faz mal a você, não faz mal aos outros e seus amigos lhe asseguram que não tem problema, por que ficar com tanto medo de ser rejeitado? Será que só eu percebi que ser normal é impossível?

2 de janeiro de 2012

Queria saber…

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 17:08

Por que as pessoas fazem juramentos tão pesados, muitas vezes desnecessários? Um amigo meu está fazendo isso e eu estou tentando convencê-lo de que ele não precisa passar por sofrimento à toa. Digo, não é como se ele estivesse tentando parar de fumar ou coisa assim. Mas por que acabar com um fetiche?

Às vezes a sexualidade não vai na direção certa. Mas se ela vai para o lado “errado”, não tem razão para tentar ajeitá-la se não estiver prejudicando você mesmo ou o próximo. Às vezes as pessoas desenvolvem hábitos que não “corretos” ao ver delas e, por mais que tentem livrar-se deles, sempre caem e ficam frustrados, sentindo-se culpados. Mas pense bem, por acaso esse hábito lhe prejudica ou prejudica alguém? Será que tentar livrar-se dele trará algum benefício?

No caso do fetiche, a maioria das pessoas não consegue se livrar do seu, porque é para onde sua sexualidade vai. Tirar o objeto do fetiche de um fetichista é o equivalente a tirar mulheres de um indivíduo que é heterossexual. Tentar evitar esse objeto é o equivalente a tentativa de uma mulher heterossexual evitar homens. Pode ser difícil ou fácil dependendo da pessoa, mas fato é que quase sempre caímos, especialmente se você estiver numa idade como a minha ou a do meu amigo. Julgando pelo que ele me contou, ele tem seu fetiche sob controle. Por que completamente aniquilá-lo?

Talvez isso soe como um bocado de besteira sem sentido, mas o fato é: eu queria saber por que as pessoas tentam aniquilar hábitos que, além de trazerem gratificação ao praticante, são inofensivos (ao passo que livrar-se deles seria extremamente penoso)?

Eu meio que me sinto como o Eek (lembra?), querendo ajudar os outros e normalmente levando chutes em troca. A diferença é que sou azul e os chutes sou eu mesmo quem dou.

18 de maio de 2010

Meu perverso pequeno ser.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , , , , — Yurinho @ 23:55

Em algum ponto da história, desenvolvi um interesse sexual por pessoas experimentando aquela sensação que nos leva a procurar um lugar onde possamos urinar. É, acho pessoas com vontade de urinar muito erótico. Eu não sei exatamente quando foi que isso começou, mas eu acredito que foi aos cinco anos, porque eu não sentia essas coisas aos quatro anos. A experiência mais antiga que eu tenho com essa perversão é a que segue-se.

Eu estava numa festa infantil e tinha um menino gordo que, vez por outra, parava tudo o que estava fazendo, ia ao muro mais próximo e aliviava-se ali, na frente de todos, sem qualquer pudor. Existe uma fase na vida do menino em que ele sente vontade de “fazer pipi” o tempo todo, a cada meia-hora, dez, cinco minutos até. E esse gorducho estava nessa fase com certeza. Eu comecei a imaginar o que aconteceria se ele fosse impedido de urinar. O pensamento fugia da minha mente quando eu era distraído com comida e brincadeiras, mas sempre voltava, com cada vez mais força, sempre que o gordo parava para fazer seu grosseiro espetáculo de micção pública. Eu tinha que pará-lo, algo em mim, algo primitivo e que eu nunca havia sentido antes me impelia a pará-lo. Eu não entendia por que eu queria fazer o que eu queria fazer, mas precisava de uma oportunidade. De fato, eu tinha só cinco anos, mas eu sabia que era muito estranho eu chegar para outra criança mais nova e simplesmente forçá-la a não urinar. Eu esperei, mas aquele desejo sufocante me roía.

A festa acabou e eu, apesar de nervoso, peguei a chance que o destino havia me dado. Convidei o menino para brincar lá em casa, mas não no dia seguinte; o desejo havia ficado tão urgente que eu não podia esperar nem mais um mísero segundo. A lógica era simples: minha casa, minhas regras, ele não poderia simplesmente urinar nas paredes do interior da minha casa. E ele aceitou, a mãe dele aceitou, minha mãe aceitou, a sorte sorriu para meu perverso pequeno ser. Enquanto brincávamos, eu o olhava periodicamente, observando sua linguagem corporal, quase que roendo as unhas esperando ele pedir pra ir ao banheiro, só para eu dizer um não. Ele levantou-se, pediu licença pra urinar e dirigiu-se ao portão, mas eu o chamei de volta, argumentando que, se ele saísse, a brincadeira acabaria. Eu não esperava que ele teria a autonomia de simplesmente se levantar e sair quando tivesse vontade e pensei que minha desculpa para segurá-lo no lugar era bem fraca. “Droga, está arruinado”, pensei. Mas ele simplesmente voltou, sentou-se e ignorou a vontade. Por meia-hora mais, assisti ele se espremer, olhar para o mato lá fora, agarrar o pipi pelo calção… Ele não havia percebido que os brinquedos ali, na nossa frente, eram só pedaços de madeira e plástico pra mim; naquele instante, pra mim, o verdadeiro brinquedo era ele. Eu assistia cada movimento de desconforto atentamente, sem piscar. Eu sentia meu coração bater mais rápido do que quando eu corria no campo de futebol, minha respiração estava estranha também e tive aquela reação tipicamente masculina abaixo da cintura também. Lembro como se fosse ontem.

Uma pena ter durado tão pouco tempo. Mas, nos dias subsequentes, eu procurei e encontrei várias oportunidades de deixar aquele mesmo menino (e até outros meninos com tipos físicos similares) apertado a ponto de molhar as calças. Até os doze anos, foi a maior obsessão com a qual tive que conviver. Ela ficou mais fraca e mais fácil de lidar com o passar do tempo, mas nunca tive interesse em eliminá-la. Até hoje, não tem coisa mais erótica pra mim do que um gorducho apertado.

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