Analecto

2 de fevereiro de 2012

Minha existência foi justificada.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 21:15

Praticando o andar. by Yure16 < Submission | Inkbunny, the Furry Art Community.

Certo amigo meu estava engajado numa luta de três meses contra uma parafilia. A princípio, ele queria para de dar patadas. Vendo que não conseguia, resolveu tentar diminuir a frequência do hábito. Frustrado novamente, resolveu que ia parar de dar patadas enquanto estivesse de fraldas, mas isso também não deu certo.

Quando eu vi que ele estava fazendo uma jura de aniquilar sua parafilia (ou diminuir a frequência de seus desejos), resolvi falar com ele a respeito. Ele me contou sua história e eu fiquei comovido. Eu estava diante de alguém que lutava arduamente contra um impulso praticamente inofensivo. Então eu joguei sobre ele toda a ladainha que eu costumo falar às pessoas que tentam, sem sucesso, se livrar de hábitos gratificantes e inofensivos.

Seu principal argumento é que ele estava ficando viciado em suas práticas e que sentia vontade cerca de duas ou três vezes num mês. Ele iria se negar a praticá-las, o que fazia a vontade voltar com mais frequência e intensidade, o levando a “quebrar”: ele faria qualquer coisa por uma fralda e daria até cinco patadas no mesmo dia. Depois da correria, ele ficaria frustrado e envergonhado. Mas ele também disse que, durante sua adolescência, ele iria praticar sua parafilia quatro ou cinco vezes por dia. Então onde está o vício se ele, atualmente, só sentia vontade de praticar sua parafilia duas ou três vezes por mês? Quando eu disse isso a ele, ele viu o óbvio. Ele estava sentindo impulsos dessa natureza com a mesma frequência que qualquer outro adulto de sua idade (exceto por mim, longa história…). Além do mais, é uma parafilia inofensiva. Se é bom, não faz mal a ninguém e seria penoso livrar-se do hábito, por que parar?

Ele pensou no que eu disse e, vendo que ele sempre cederia à pressões que nem sequer vinham com tanta frequência, resolveu desistir de tentar parar e praticar sua parafilia sempre que tiver vontade. Isso o poupou do desgaste de lutar contra sua sexualidade e ele ficou mais calmo. Além do mais, se ele fizer isso pelo menos uma vez por semana, o impulso vem com menos frequência e menos intensidade, portanto poderia ser melhor controlado se a situação pedisse que ele se controlasse. Sem luta, sem derrota e, sem derrota, sem frustração. Ele me disse que se sente muito melhor e seu outro problema (depressão) havia perdido a força. Porém ele não quer ficar viciado, então ele se põe sob alguns limites, limites realistas.

Ele me elogiou, disse que eu realmente o tinha ajudado a ver que às vezes a felicidade vem da aceitação e não da abstinência. Eu me sinto extremamente feliz agora. Eu realmente pude ajudar alguém, realmente fui ouvido, ajudei a resolver um problema de um amigo, problema esse que vinha se arrastando há quatro meses. Eu estou sorrindo até agora, como se eu fosse uma criança de classe média no Natal.

A identidade do meu colega permanece em segredo, mas resolvi partilhar a experiência aqui para o caso de outros indivíduos estarem sofrendo com problemas similares. Sinceramente, quero chorar de felicidade.

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