Analecto

9 de fevereiro de 2018

O “Críton”, de Platão.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 17:23

Este livro foi escrito por Platão. Abaixo, algumas paráfrases desse texto. Elas não necessariamente reflectem minha opinião sobre um dado assunto.

  1. Uma pessoa pode dizer que você realmente é feliz ao ver você tranquilo mesmo quando uma desgraça acontece.
  2. Se a morte é inevitável, só se pode aceitá-la.
  3. As pessoas odeiam quem faz mais caso do dinheiro do que dos amigos.
  4. Apesar disso, você não precisa sempre se importar com o que pensam de você.
  5. Espalhar mentiras sobre alguém pode causar a morte indireta do caluniado.
  6. Se o povo fosse capaz de grandes males, deveria ser também capaz de grandes boas ações.
  7. Maior parte das pessoas não tem senso crítico, parecendo até operar ao acaso.
  8. Um juiz pode ser barato.
  9. Se você não for capaz de sofrer com seus filhos, não tenha filhos.
  10. Se alguém tem uma opinião de você, só aceite essa opinião se você achar que deve.
  11. Sócrates aceitou sua pena porque estava sendo fiel aos seus princípios, foi uma questão de integridade.
  12. Não aceite a opinião de quem sabe menos que você.
  13. Se você aceitar essa opinião, a de quem sabe menos, você pode se arruinar ou morrer.
  14. Não basta viver; se deve viver bem.
  15. Se você não faz nada sem antes se perguntar o que os outros achariam, me pergunto o que você faz.
  16. Se o procedimento injusto é sempre inadmissível, não se deve pagar mal com mal.
  17. Você deve respeito ao dono da nação na qual você nasceu.
  18. Embora você esteja submisso às leis, ainda pode tentar mudá-las por meios lícitos.
  19. Se você não gosta das leis de um lugar, vá para outro.
  20. Se você gosta da sua nação, quererá ajudá-la a melhorar.

19 de novembro de 2017

Notes on “Alcibiades I”.

Filed under: Livros, Notícias e política — Tags:, , , — Yurinho @ 20:59

“Alcibiades I” was written by Platão. Below are some statements made in that text. They aren’t citations. They do not necessarely reflect my opinions on this subject.

  1. When in doubt, you call an expert.
  2. It’s a shame when an expert can not name his own field.
  3. You shouldn’t start an unjust war.
  4. There’s no consensus on what justice even is.
  5. You can’t teach something you don’t know.
  6. Contradictions in a discourse reveal that the person supporting the discourse doesn’t know what they are talking about.
  7. You can only have doubts over something you know you are ignorant about, and only for as long as you want to learn more about it.
  8. The worst kind of ignorance is being sure that you know something when you actually do not (prejudice).
  9. The mistakes that politicians make come from their ignorance about what’s just and what’s not.
  10. If you know, teach me.
  11. When you are used to your ignorance, you no longer feel it.
  12. You should be corrected when you are young.
  13. Caring for something is keeping it in good state or improving it.
  14. Caring for yourself isn’t the same thing as caring for your belongings.
  15. If you don’t know something, you can’t care for it.
  16. You aren’t your body.
  17. A wise person knows himself.
  18. “Loving” a person for their body alone isn’t love, because body is also a belonging, but not the person.
  19. You can know yourself by comparing yourself to others.
  20. If you don’t know yourself, you can not care for yourself.
  21. A politician who can’t care for himself, can’t care for his people.
  22. Happiness isn’t achieved by money, but by wisdom.
  23. If money brought happiness, rich nations were supposed to be the happiest.
  24. You can’t teach virtue without having it.

20 de abril de 2015

O que aprendi lendo “Fedro”.

“Fedro” foi escrito por Platão. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. Conhecer a si próprio deveria ser o início do conhecimento.
  2. Não ofereça vantagens em troca de amor ou sexo.
  3. Ofereça vantagens a quem as merece ou àqueles de quem delas precisam.
  4. Aqueles que amam sem se deixar levar pela emoção cega o fazem responsavelmente.
  5. Quem ama irracionalmente fala coisas de que depois se arrepende.
  6. Os apaixonados, por vezes, reconhecem que são irresponsáveis, mas, ao mesmo tempo, não são capazes de se corrigir.
  7. O amor irracional fomenta a inveja e o ciúme, afasta os amigos e eventualmente arruína a relação.
  8. É bom que o amado tenha amigos e, se isso fizer bem ao amado, não faz sentido ficar mal por causa disso.
  9. O que ama moderadamente não se aborrece com faltas insignificantes do amado.
  10. Paixão e amizade são duas manifestações de amor.
  11. Para evitar a vergonha perante o cara, Sócrates profere seu próprio discurso com a cabeça coberta.
  12. Com quem devemos fazer amizade?
  13. Quando a razão domina o desejo com que discorda, tem-se temperança.
  14. A intemperança tem diferentes nomes dependendo do desejo que arrebatou a pessoa.
  15. O apaixonado quer um amado fácil: se o amado se mostra superior ou igual, ele fica frustrado, porque quer prazer naquele instante, o que só poderia ser obtido se o parceiro fosse pior que ele.
  16. O irracional trabalha para a degeneração da sabedoria ou capacidades físicas do amado, para mantê-lo sob controle.
  17. O amante irracional quer que o amado seja também pobre, para mantê-lo dependente.
  18. O amante apaixonado quer mais é que o amado se ferre, mesmo que ele não se dê conta disso, para que assim ele possa mantê-lo.
  19. Amantes irracionais são propensos à traição.
  20. Juramentos feitos por um apaixonado são indignos de confiança.
  21. O amor irracional é um apetite e, como tal, desaparece quando satisfeito.
  22. A religião parece ter vindo da inspiração divina.
  23. A loucura também produz música e poesia.
  24. Apesar de danoso, o amor irracional deixa feliz aquele que ama.
  25. As causas não podem regredir infinitamente.
  26. Mito do carro guiado por dois cavalos alados: a razão quer levar-nos às certezas e à verdade, mas as emoções nos puxam para problemas terrenos que atrapalham a busca pelas coisas eternas.
  27. O filósofo, quando contempla a verdade, é tido por louco pelos outros, mas é apenas incompreendido.
  28. A contemplação do belo faz parte do processo de elevação da alma.
  29. O verdadeiro amante não quer o empobrecimento do amado, mas seu aperfeiçoamento.
  30. A razão e a emoção são necessárias ao amor.
  31. O discurso falado que não é elogiado também não é transcrito.
  32. Os oradores não falam do que é bom, belo, justo ou útil, mas do que parece ser uma ou mais dessas coisas.
  33. O retórico, conhecendo as opiniões, mas não a verdade, brinca com as opiniões, de forma que o ouvinte seja levado a pensar como ele quer.
  34. As artes técnicas tratam de coisas reais, mas a retórica que não está comprometida com a verdade não é arte técnica, porque trata de ficções.
  35. Porém, a retórica, se de posse da verdade, poderia fazer uma pessoa aceitar algo correto mais facilmente.
  36. A retórica pode desfigurar o objeto em discurso.
  37. Ela trata de contradições.
  38. A retórica tem mais poder quando trata de assuntos incertos e duvidosos, por se aproveitar da ignorância do ouvinte e da abundância de opinião.
  39. Um truque retórico: não explicar o significado dos termos usados no discurso.
  40. O retórico não tem poder sobre aqueles que entendem do assunto que ele trata.
  41. Para ser um orador perfeito, o indivíduo precisa ter uma inclinação natural, estudar e exercitar a oratória.
  42. A oratória perfeita tem potencial construtivo sobre o ouvinte.
  43. Quem discursa sobre alguma coisa deve ser capaz de descrever a natureza dessa coisa.
  44. É necessário ser também capaz de definir o objeto de que trata aquilo sobre o que estamos discursando.
  45. O bom retórico deveria ser capaz não apenas de dizer o que é retórica, mas também o que é a alma, porque a retórica age sobre a alma do ouvinte.
  46. Nem todo ignorante é igual: o retórico precisa adaptar o discurso segundo o “tipo de alma” que se quer influenciar.
  47. O retórico deve reconhecer, pela prática de seu ofício, quando usar este, esse ou aquele argumento com esta, essa ou aquela pessoa.
  48. A retórica se ocupa do verossímil, não necessariamente do verdadeiro.
  49. Se o retórico quer convencer, se volta para o convincente, não para o verdadeiro (embora a verdade possa ser acessória).
  50. Isso é especialmente evidente quando acusador e acusado se esforçam para esconder a verdade sobre o caso.
  51. O retórico não é encorajado a conhecer a verdade, mas o conhecimento da verdade permite criar probabilidades mais convincentes.
  52. O livro é limitado pelo entendimento do leitor.
  53. Os discursos escritos dialeticamente têm um limite estendido.
  54. Almas complexas requerem escritos complexos.
  55. É necessário conhecer aquilo sobre o que se discursa.
  56. O melhor discurso escrito é aquele que é escrito para uso do próprio escritor, como meio de consulta posterior, com sua eficácia sendo reduzida se o leitor não for o próprio escritor e diminuindo quanto mais distante o leitor é do escritor.
  57. Se você tem certeza de que possui a verdade e está apto a defendê-la, já é filósofo.
  58. Os amigos devem tudo ter em comum.

10 de abril de 2015

Anotações sobre o simpósio.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 16:46
  1. O tema do banquete é o amor.
  2. Eros, o amor, era negligenciado pelos poetas.
  3. Amor é talvez o deus grego mais velho.
  4. Amor parece sobrepujar outros desejos, como o de riqueza.
  5. A vergonha de cometer um ato vergonhoso é maior se a pessoa que vê é a pessoa amada.
  6. Pessoas morrem por amor. Por amor, se chega ao absurdo.
  7. O amor por alguém que não retribui o sentimento parece mais generoso.
  8. Amor é o mais poderoso dos deuses gregos.
  9. Para um dos participantes, existem dois amores: celestial e popular.
  10. O amor belo é o que se deve louvar.
  11. O amor popular, para um dos participantes, é o que afeta homens e mulheres. É desregrado, um tipo de luxúria. O celestial afeta apenas homens, normalmente entre adulto e adolescente. O desejo por crianças faz parte também do popular, porque não há igualdade de juízo, logo seria uma questão de ludibriar. Aristófanes diz que o amor por crianças, contudo, é por vezes legitimado.
  12. O que valida um ato amoroso como belo ou feio é sua decência.
  13. O amante popular ama o corpo do outro, não a alma.
  14. Corpo é transitório. Quem ama corpos deixa de amar os corpos amados quando estes envelhecem.
  15. Servir a alguém porque sua virtude aumenta dessa forma desqualifica a servidão como adulação.
  16. A conquista amorosa pela virtude é bela. Conquistar o amado por outros meios é baixo.
  17. Para outro participante, o amor está não apenas nas almas e nos corpos, mas em toda parte: animais, plantas e minerais.
  18. A medicina parece estar relacionada ao amor.
  19. Trazer harmonia ao corpo é fazer os elementos conflitantes se amarem.
  20. Como na música. O grave e o agudo são díspares, mas podem ser postos de acordo pela arte musical. Juntar opostos sem lhes negar a diferença parece ser o que define uma ciência amorosa.
  21. Aristófanes narra o mito do humano original, que era homem e mulher ao mesmo tempo, ou duplamente homem, ou duplamente mulher.
  22. O sentido do mito do humano original é mostrar, por alegoria, que o amor é a busca do amante por complemento.
  23. É mais fácil falar pra gente burra.
  24. Até o presente, as pessoas falaram mais das felicidades proporcionadas pelo amor e não tanto do próprio amor.
  25. Amor, para um terceiro participante, é o mais jovem dos deuses; se fosse o mais velho, os deuses não lutariam entre si, coisa que só pararam de fazer recentemente.
  26. Amor habita em almas delicadas.
  27. Gosta de florzinha e tal…
  28. Amor inspira qualquer um à poesia.
  29. Amor é poeta porque não poderia ensinar poesia sem o saber.
  30. Segundo Sócrates, o amor é amor voltado a algo. Quem ama, quer alguma coisa.
  31. O amor é desejo. Se não é pleno, talvez nem seja um deus.
  32. Mas, para desejar, é necessário carecer de algo que se deseja.
  33. É possível também desejar o que já temos, no sentido de que tememos que isso nos seja tirado no futuro.
  34. Amor ama as coisas belas, logo ele carece de beleza.
  35. Se o que é belo é bom, amor também carece de bondade.
  36. Só que carecer de algo não quer dizer, necessariamente, carência absoluta. Amor é meio-termo.
  37. Opinião correta, por exemplo, é meio-termo entre sabedoria e ignorância. Não é ciência por não ter base racional, mas não é ignorância por acabar acertando a resposta.
  38. Amor não é belo, feio, bom ou mau, mas o meio-termo destes. Parece conciliar as definições de um dos particpantes, explicando por que o amor às vezes é popular e outras celestial.
  39. Amor, para Sócrates, é carência de algo. Ora, se o amor carece de beleza e bondade, não é um deus.
  40. Amor também não é mortal, pois está no meio-termo. Ele ressuscita quando morre, então é efetivamente imortal, mas não totalmente imortal, porque, se fosse, não morreria em primeiro lugar.
  41. Amor é mensageiro entre deuses e humanos.
  42. Amor é filósofo, pois deseja coisas belas. Só pode ser filósofo quem se reconhece ignorante, já que o ignorante ignora sua ignorância e se acha sábio, enquanto que o sábio já sabe tudo e não precisa aprender mais nada.
  43. O amado e bom e belo para o amante.
  44. Quem ama vê no outro aquilo de que carece. Por isso amantes sentem-se felizes quando juntos, porque sentem-se plenos.
  45. Amantes querem ter o amado para sempre.
  46. É possível também amar por instinto de aspiração à imortalidade. Isso é retomado por Schopenhauer. Se reproduzir é o mais perto que podemos chegar de sermos imortais e é esse amor que move os animais irracionais, um desejo de se aproximar da imortalidade pela continuação da espécie. Em Schopenhauer, essa é a principal, se não a única, razão que guia o amor erótico.
  47. Esse amor pela imortalidade também pode guiar humanos, mesmo os que amam coisas imateriais. Os humanos querem deixar sua marca no mundo, algo pelo qual sejam lembrados. Então, depois de fertilizados pela sabedoria ou pela arte, por exemplo, procuram um local belo onde possam conceber suas obras, gerando sua posteridade.
  48. O amante deveria fazer uma ascensão gradual de contemplação do belo: primeiro ama a beleza de cada corpo, depois a beleza comum aos corpos, depois a beleza das ciências e das leis, depois a beleza em si mesma.
  49. Alcibíades é ridículo quando bêbado, transformando um diálogo muito efeminado em um diálogo efeminado demais.
  50. O diálogo termina com oito páginas de elogio a Sócrates, proferido por Alcibíades.

31 de março de 2015

Anotações sobre “A República”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , , — Yurinho @ 13:43

“A República” foi escrita por Platão. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas podem ou não refletir minha opinião sobre o assunto. Perguntas sobre minha opinião pessoal podem ser feitas nos comentários.

  1. A velhice mata os desejos da juventude, que escravizam os de pouca idade.
  2. É a sensatez que torna a velhice tolerável.
  3. Quem consegue dinheiro por conta própria, estima o dinheiro que obteve.
  4. O insensato muito apegado aos bens materiais, ao chegar perto da morte, se desespera com o futuro de seus bens e de sua alma.
  5. Justiça não é simplesmente falar a verdade e dar a alguém o que lhe é devido…
  6. Será que justiça é fazer bem aos amigos e mal aos inimigos?
  7. Se for, justiça não tem utilidade em tempos de paz.
  8. Nem sempre sabemos quem são nossos verdadeiros amigos.
  9. justiça implica fazer bem também aos inimigos.
  10. Justiça não é conveniência do mais forte.
  11. Os mais fortes podem promulgar leis injustas.
  12. Além disso, os governantes às vezes não sabem o que é bom para a nação.
  13. Se o governante é chefe da justiça, a justiça então volta-se ao mais fraco e não a ele, o mais forte.
  14. O injusto é ignorante e, por ser ignorante, é mau.
  15. Justiça gera organização e harmonia.
  16. Além disso, quem iria querer colaborar com uma pessoa injusta seja no que for?
  17. Se os deuses são justos, ai dos injustos.
  18. A alma sem a virtude da justiça não é capaz de governar bem, nem sua própria vida nem as dos outros.
  19. Se quisermos justificar as vantagens da justiça, basta que vejamos seus efeitos em larga escala.
  20. Um ser humano não é capaz de viver sozinho.
  21. As diferenças entre nós nos condicionam à determinadas tarefas.
  22. Nenhuma cidade se formaria se ninguém dependesse de ninguém.
  23. Quanto maior e melhor for a cidade, mais aliados ela terá.
  24. Depois de resolvidas as questões de sobrevivência, a cidade volta-se às coisas ditas “elevadas”, como as artes e a riqueza.
  25. De fato, um estilo de vida abastado leva a exageros e exageros levam ao estrago do corpo.
  26. Numa cidade em que o desejo pelo fútil torna-se grande, os bens de sua terra tornam-se insuficientes.
  27. O ideal seria que cada pessoa tivesse uma profissão apenas, que executasse com perfeição.
  28. Ser filósofo é querer aprender.
  29. Existem literaturas boas e literaturas ruins, as ruins sendo as que não reflectem a realidade, sendo mentirosas.
  30. Os poetas trágicos, Homero e toda a trupe de poetas épicos eram uns épicos mentirosos, que levaram as pessoas a ter concepções erradas mesmo sobre os deuses.
  31. Os poetas trágicos também incitavam um medo mórbido dos deuses, traumatizando os que tinham pouca idade para ouvir seu trabalho.
  32. Os poetas e Homero, ao falarem de lutas entre os deuses, muitas vezes por motivos tolos, faziam parecer que a violência entre irmãos era sancionada pela lei divina.
  33. Supondo que essas histórias tivessem um significado profundo, nem assim deveriam ser contadas, porque não é todo mundo que faz uma separação decente entre real e alegórico.
  34. Uma criança que aprende algo errado quando tinha pouca idade, muito dificilmente esquecerá o que aprendeu…
  35. Não se deve culpar os deuses pelo que acontece de ruim.
  36. A “verdadeira mentira” é aquela que se aproveita da ignorância do ouvinte.
  37. Para evitar que as pessoas cresçam com medo da morte, é necessário uma censura adicional aos poetas: os poetas não podem falar nada de ruim do pós-vida.
  38. A poesia apela às emoções, que suspendem a razão.
  39. Não dá pra ir pra guerra temendo a morte.
  40. Não preciso chorar a morte daqueles cuja minha existência não depende.
  41. Homens célebres não deveriam rir e deuses não deveriam ser retratados rindo nos poemas.
  42. A mentira não deve ser praticada por pessoas comuns, mas apenas por chefes de estado e somente se os seus benefícios para a cidade superarem os malefícios.
  43. A imagem dos heróis e dos deuses, como figuras de autoridade, não deve ser manchada pelos poetas.
  44. É terrível para a educação de quem ouve o poema que diz que deuses cometem atos ruins e continuam sendo deuses, porque isso justifica o comportamento ruim da pessoa que ouve.
  45. Não se deve estimular a juventude a imitar o que é ruim, para que não subestimem o conteúdo do mal.
  46. Técnicas musicais que favorecem a tristeza devem ser banidas de uma cidade que se propõe perfeita.
  47. As harmonias “efeminadas” devem também ser eliminadas por lembrarem preguiça e desocupação.
  48. Instrumentos capazes de muitas harmonias são desencorajados por Platão, por serem capazes de produzir harmonias proibidas.
  49. Os outros artistas precisam também se adequar a essas restrições.
  50. A música tem valor educativo.
  51. O amor verdadeiro deve ser separado da luxúria.
  52. Aqueles de boa alma procuram aperfeiçoar também o corpo.
  53. Os guerreiros precisam de dieta própria.
  54. Variedade culinária deixa o guerreiro mal acostumado e doente.
  55. Se há uma grande demanda por médicos é porque tem muita gente doente.
  56. É vergonhoso precisar de um médico para tratar condições que causamos a nós mesmos.
  57. O juiz tem que conhecer a injustiça sem praticá-la.
  58. A ginástica tem como função manter o corpo, de forma que ele não precise de médicos, salvo em casos de força maior.
  59. A ginástica sozinha torna bruto o praticante e a música sozinha amolece.
  60. Os guerreiros precisam manter-se firmes no que acreditam.
  61. Os guardiões da cidade não devem ter ouro, prata, terras e nada que não seja de primeira necessidade, para que os guardiões não tenham também que administrar bens, dividindo sua atenção.
  62. A felicidade coletiva é prioridade sobre a felicidade pessoal.
  63. Ninguém dever ter tantos bens e recursos a ponto de desviar a pessoa de seu papel na cidade.
  64. Recursos demais fazem a pessoa trabalhar menos.
  65. Riqueza e pobreza devem ser evitados, procurando o justo meio.
  66. Casamento não deveria existir.
  67. As quatro virtudes cardeais: sabedoria, coragem, temperança, justiça.
  68. Enquanto que a sabedoria é uma virtude que melhor cabe aos governantes e a coragem aos governados, a temperança precisa existir nos dois.
  69. Existem quatro grandes classes na república platônica: comerciante, artífice, guerreiro, governante.
  70. Justiça é a conformação de cada pessoa à classe que lhe compete.
  71. As ciências se separam porque têm características próprias, o que só acontece quando a razão se volta para objetos novos.
  72. A alma platônica divide-se em três partes: racional, irascível (emocional), vegetativa (biológica).
  73. A pessoa é justa quando cada parte da alma desempenha sua função na hierarquia.
  74. Mulheres devem receber a mesma educação que os homens.
  75. Não deveriam existir trabalhos de homens e trabalhos de mulheres, mas que cada um deveria desempenhar a função para qual fosse mais apto.
  76. A lei pode ser antinatural.
  77. Família nuclear deve ser abolida.
  78. O estado deve intervir em relacionamentos sexuais, a fim de maximizar as chances de uma boa prole.
  79. Os jovens com mais habilidade e de ofício mais alto deveriam ter maior direito de procriação.
  80. Os filhos são criados pelo Estado.
  81. Quando as mães derem leite, devem amamentar crianças aleatórias, que são mantidas sob a guarda estatal em um bairro à parte, de forma que não reconheçam seu filho.
  82. As mulheres que devem ter filhos precisam ter entre vinte e quarenta anos. Os homens que procriam devem ter entre trinta e cinquenta e cinco.
  83. A procriação tem que ser autorizada.
  84. Como todos são uma grande família, todos chamam “pai”, “filho”, “mãe”, “avô” quem tem idade o bastante para ser chamado assim, dependendo do gênero.
  85. Os filhos acompanham os pais na guerra.
  86. É necessário que as crianças que acompanham os pais na guerra para observar aprendam, em primeiro lugar, a fugir.
  87. Soldados que são levados cativos não devem ser recuperados.
  88. A ciência discorre sobre as coisas como são e a opinião discorre sobre as coisas como parecem ser, estando assim a meio caminho entre ciência e ignorância.
  89. O filósofo é aquele que procura o conhecimento estável, não o variável.
  90. Quem ama a sabedoria é virtuoso.
  91. O filósofo não tem medo de morrer.
  92. Mas alguém poderia afirmar que nenhum filósofo se mostrou nem equilibrado e nem útil ao Estado, mas isso porque a maioria é ignorante.
  93. E, se o filósofo não era equilibrado, é porque os filósofos tinham uma natureza filosófica que foi pervertida pela má educação.
  94. A filosofia, como tudo o que é grandioso, é perigoso.
  95. A cidade deve se subjugar à filosofia.
  96. Mesmo após a adoção de aristocratas filósofos, a constituição perfeita pode levar tempo para aparecer.
  97. Leis pensadas e bem argumentadas são desejáveis.
  98. Os governantes, antes de assumirem, têm que mostrar seu amor pela pátria e pela sabedoria.
  99. O governante deve gostar de estudar.
  100. Filósofos não devem descuidar nem do corpo nem da alma.
  101. Se algo não é bom, não iríamos querê-lo.
  102. Bom e prazeroso nem sempre coincidem.
  103. Se você é capaz de falar do que os outros pensam, você deveria ser capaz de falar do que você pensa.
  104. A ciência e a verdade são filhas do bem.
  105. Escala da clareza, de baixo para cima: suposição, fé, entendimento, inteligência.
  106. As aparências enganam, então não se deve julgar algo por elas.
  107. Fazer ciência pode confundir a pessoa, a ponto de ela achar que seria melhor não ter começado.
  108. O sábio tem pena dos ignorantes.
  109. O sábio pode se comportar pateticamente na vida pública.
  110. Apesar disso, o sábio não deve se isolar dos outros.
  111. Educação é voltar a alma do aluno na direção do ser, e não na do parecer.
  112. O filósofo deve se ocupar do bem-estar coletivo, não só com o seu.
  113. O filósofo deve usar as aparências como recurso pedagógico.
  114. Todos devem saber matemática, mesmo soldados.
  115. O filósofo que quer atingir a verdade precisa do cálculo.
  116. Matemática deve ser conteúdo obrigatório.
  117. A geometria muda completamente o modo de pensar.
  118. A astronomia também tem utilidade pública.
  119. Não se deve fomentar o estudo imperfeito.
  120. O cálculo, a geometria, a astronomia e a dialética afastam o indivíduo da opinião e o conduzem à verdade.
  121. A dialética depende do conhecimento de ciências exatas.
  122. Ciências exatas são universalmente válidas.
  123. A má reputação da filosofia deriva daqueles que se ocupam dela sem estarem à altura do ofício.
  124. Quem aprende dialética cedo, pode tornar-se rebelde, porque pode descobrir que muitas coisas em que acreditava não estavam corretas.
  125. A dialética só pode ser ensinada a quem tem mente estável.
  126. As mulheres podem governar.
  127. Todo governo humano tem fim.
  128. Oligarquia é o governo exercido apenas pelos ricos.
  129. Riqueza e virtude, em geral, vão em direções opostas.
  130. Um dos problemas da oligarquia é justamente o de que quem é rico, normalmente, tem pouca aptidão para o governo.
  131. Pobres e ricos conspiram uns contra os outros.
  132. Os oligarcas vendem seus bens públicos, empobrecem o estado e atraem má fama.
  133. Um estado com muitos pobres é um estado com muitos crimes, tanto cometidos por pobres (delitos para sustentar a vida) como por ricos (desvio de dinheiro público).
  134. Uma pessoa ignorante prefere dinheiro em vez de dignidade.
  135. A revolta popular transforma uma oligarquia numa democracia.
  136. A eleição dos mais qualificados pode transformar uma democracia numa aristocracia.
  137. Democracias têm a liberdade em alta conta.
  138. O tirano procura assegurar que o povo necessite dele.
  139. O tirano precisa de guerras.
  140. Isso atrai sobre ele a ira do povo.
  141. O tirano precisa matar quem se lhe opõe.
  142. Para controlar seu próprio povo, o tirano recorre a governos vizinhos…
  143. O tirano apodera-se dos bens públicos para pagar seu próprio exército.
  144. Existem desejos ferozes e irracionais que todos nós abrigamos.
  145. São os que, por vezes, se manifestam nos sonhos.
  146. O tirano é indefeso sem servos.
  147. Tem gente que pensa que aquilo que não dá lucro é inútil.
  148. Sob a orientação do filósofo, o ambicioso e o interesseiro podem até desfrutar melhor daquilo que mais gostam (fama e dinheiro).
  149. Ímpeto e concupiscência devem ser moderados, mas não suprimidos.
  150. Dinheiro e poder não compensam a decadência da alma.
  151. Um belo, mas falso discurso destrói a inteligência de quem ouve.
  152. O artífice faz um objeto material com base num modelo mentalmente concebido.
  153. Quem parece saber tudo de tudo, mente.
  154. Ficção é mentira e deve ser tratada como tal, isto é, não deve ser levada a sério.
  155. A imitação é uma brincadeira; quem crê na ficção é bobo.
  156. A razão deve moderar o sofrimento.
  157. A emoção permite o desespero.
  158. Emoções tolhem a razão.
  159. Sofrer demais não é masculino.
  160. Quanto mais você ri, mais difícil será prender o riso da próxima vez.
  161. O corpo só pode morrer de doença, dano físico ou velhice.

7 de fevereiro de 2015

O que eu aprendi lendo o “Fédon”.

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“Fédon” foi escrito por Platão. Abaixo, algumas coisas que aprendi lendo esse livro.

  1. O livro fala do discurso de Sócrates antes da morte.
  2. Após o julgamento de Sócrates, ele ficou preso por mais uns dias antes de finalmente tomar o veneno.
  3. Muita gente assistiu Sócrates morrer…
  4. Sócrates morreu feliz.
  5. Alguns dos presentes também estavam felizes, outros estavam tristes, mas a maioria não sabia o que sentir.
  6. Prazer e dor sucedem-se um ao outro.
  7. Se nossa vida pertence a Deus, não temos o direito de atentar contra nossa própria vida.
  8. É bom não aceitar a opinião dos outros tão facilmente.
  9. O filósofo se diferencia dos outros por se afastar dos cuidados com o corpo e se aproximar dos cuidados com a alma.
  10. Nossos sentidos são limitados então não podemos lhes dar completo crédito.
  11. A verdade é alcançável pelo pensamento, não pelo corpo.
  12. O corpo proporciona dor, a qual tolhe o pensamento.
  13. Beleza, justiça, bondade são coisas que não podem ser vistas ou ouvidas e só podem ser estudadas pelo pensamento.
  14. Revoltar-se na hora da morte é sinal capital de que a pessoa é demasiada apegada ao corpo.
  15. Existem pessoas que desistem de certos prazeres para se entregarem a outros.
  16. Os sentidos se aproximam da verdade, sem chegar lá.
  17. Esquecer é perder conhecimento.
  18. Somos corpo e pensamento.
  19. A filosofia ensina como se acautelar dos apetites corporais.
  20. Sócrates tinha plena fé em suas palavras: estava convencido de que a morte não lhe posaria nenhum mal.
  21. O ódio pelas palavras e o ódio pelo gênero humano vêm do mesmo lugar: da decepção.
  22. A maioria das pessoas é um meio-termo entre bom e mau.
  23. Os extremos são raros.
  24. Ao encontrar-se com argumentos opostos aos seus com muita frequência, a pessoa acaba se desiludindo do próprio pensamento e da própria palavra, o que pode fazê-la desesperar-se da verdade, se ela também sentir que não é possível chegar a nada 100% seguro.
  25. Procure a verdade para si mesmo e, se ela for mesmo boa, convencerá os outros.
  26. Mas convencer os outros a pensar como você não deve ser objetivo, mas sim consequência do pensmento.
  27. Anaxágoras dizia que a mente ou inteligência ordenava todas as coisas, mas, na hora de explicar as coisas do nosso mundo, nunca recorre à inteligência, mas à causas naturais.
  28. Estou sentado porque quero.
  29. Os naturalistas não admitem causas imateriais para coisas materiais, a não ser como “coringas”, como no caso de Anaxágoras.
  30. As famosas “navegações”: o primeiro itinerário consiste em procurar conhecer as coisas sensualmente e o segundo consiste em usar só o pensamento.
  31. O que faz as coisas belas serem belas é a presença de uma qualidade chamada “beleza”: para dizer por que algo é belo, devemos definir o que é essa beleza em si, em vez de dizer que é porque o objeto tem esta ou aquela aparência.
  32. Quando algo participa de uma ideia, não aceita seu contrário.
  33. Sócrates admitia o modelo esférico da Terra, embora achasse que ela estava no meio do universo.
  34. Não estamos na borda do planeta, já que a borda do planeta é a atmosfera.

25 de janeiro de 2015

O que aprendi lendo “Mênon”.

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Mênon” foi escrito por Platão. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. Como adquirimos virtude?
  2. Não é possível definir virtude fazendo uma lista de virtudes disponíveis: é necessário pensar no que faz uma virtude ser virtude, que é um processo subtrativo.
  3. Por exemplo, se existe uma virtude para o homem e outra para a mulher, será que são diferentes?
  4. A saúde é a mesma em todos, por partilhar de características comuns.
  5. Justiça é uma virtude, não simplesmente “virtude”: tem também a coragem e a temperança, por exemplo.
  6. Não podemos dizer o que é uma figura dizendo que é “quadrado” ou “círculo”, nem dizer o que é a cor dizendo que é “branco” ou “azul”: uma definição passa por todos esses casos.
  7. Sócrates tenta definir a forma como “ente que sempre acompanha a cor”, só que ninguém explicou ainda o que é a cor, o que torna a definição de forma imprecisa.
  8. Você sabe o que é “término” ou “limite”, “sólido” e “superfície”?
  9. Todos procuram o bem; se procuram algo danoso é por ignorarem que é danoso.
  10. A virtude, então, parece estar não na vontade de ter coisas boas, mas na capacidade de consegui-las.
  11. Só que também não funciona dessa forma; é possível conseguir coisas boas injustamente.
  12. Como é que virtude é conseguir coisas justamente, se justiça por si já é considerada virtude?
  13. Como buscar o que se ignora, como buscar o que não conheço se nem sei o que procuro?
  14. A aporia é necessária: faz a pessoa tomar-se conta da própria ignorância.
  15. Todos parecem ter conhecimento latente que pode ser invocado através de questionamento.
  16. Se virtude for ciência, pode ser ensinada.
  17. Qualquer coisa conduzida cientificamente leva ao bem.
  18. Se virtude é ensinável, como é que não há “professores de virtude” nem gente querendo aprender virtude?
  19. Quem faz nem sempre é quem ensina e quem ensina nem sempre faz.
  20. Os sofistas não ensinam virtude.
  21. Se o homem virtuoso pudesse ensinar virtude, abriria uma escola disso!
  22. Se houvessem professores de virtude, deveriam concordar quanto ao grau de apreensão da virtude, mas se observa que pessoas virtuosas não estão de acordo quando a virtude ser ou não ensinável.
  23. Sofistas, por professarem que virtude se ensina ou não dependendo da situação, não são professores de virtude.
  24. Depois de perdida a virtude, não será a educação capaz de restaurá-la…
  25. Mesmo os que afirmam que a virtude pode ser ensinada se mostram confusos ao falar da própria virtude.
  26. Virtude não é ciência.
  27. Opinião verdadeira não produz resultado inferior à ciência.
  28. É pelo cálculo que a opinião correta torna-se ciência e, portanto, estável.
  29. Se a pessoa pode se tornar virtuosa aprendendo, então virtude não é inata.
  30. A definição de virtude é inclusiva e, como a definição, suas características são também inconclusivas.

16 de janeiro de 2015

Anotações sobre “Alcibíades I”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , — Yurinho @ 18:13

“Alcibíades I” foi escrito por Platão. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas não são citações e não necessariamente refletem minha opinião sobre o assunto.

  1. Quando você está em dúvida, você chama um profissional.
  2. É vergonhoso para o técnico não saber o nome de sua técnica.
  3. Você não deve entrar em guerra se isso for injusto.
  4. Não há consenso sobre o que é justiça.
  5. Não é possível ensinar o que não sabemos.
  6. Quando uma pessoa se contradiz, ela não sabe muito bem do que está falando.
  7. Você só pode duvidar quando você sabe que não conhece bem o assunto.
  8. O pior tipo de ignorância é a do ignorante que acha que sabe alguma coisa.
  9. Os erros da política vêm da ignorância dos políticos sobre o que é justo e o que não é.
  10. Quem sabe, ensina.
  11. Quando você se acostuma com a ignorância, você não a percebe mais.
  12. A hora de ser corrigido é quando ainda se é jovem.
  13. Cuidar bem de algo é deixá-lo em condição melhor ou mantê-la em condição boa.
  14. A arte de cuidar de si mesmo não é a mesma arte de cuidar dos próprios pertences.
  15. Se você não conhece algo, não pode cuidar dele.
  16. A pessoa não é seu corpo.
  17. Podemos chamar de sábio quem se conhece.
  18. Quem “ama” alguém por sua aparência, não ama a pessoa, mas seu corpo, que é um pertence.
  19. O conhecimento de si mesmo, isto é, da alma, vem por se reconhecer no outro.
  20. Sem esse conhecimento, não é possível cuidar de nós mesmos.
  21. Um político que não pode cuidar de si mesmo não pode cuidar dos outros, logo é um mau político.
  22. Não é ficando rico que se fica feliz, mas ficando sábio.
  23. Um povo feliz é um povo virtuoso, não um povo rico.
  24. Não pode ensinar virtude quem não a tem.

12 de janeiro de 2015

Anotações sobre a “Apologia de Sócrates”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 22:23

“Apologia de Sócrates” foi escrita por Platão. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas não são citações, mas paráfrases, e podem não corresponder ao que eu penso sobre o assunto.

  1. Sócrates costumava “tornar mais forte a razão mais fraca“, isto é, mostrar a verdade nos pensamentos incomuns.
  2. Os comediantes, como Aristófanes, espalharam mentiras.
  3. Se Sócrates agisse como todo o mundo, não teria sido acusado.
  4. Sócrates era sábio porque estava ciente de sua ignorância e a admitia.
  5. Os poetas falam por inspiração, não por sabedoria.
  6. Os técnicos sabem muito de uma coisa só, não deveriam se julgar sabedores das áreas que não conhecem só porque dominam bem seu ofício.
  7. A verdadeira razão da condenação de Sócrates parecia ser que ele simplesmente dizia a verdade!
  8. Meleto acusava Sócrates de não saber o que era bom pra juventude, mas Meleto é que não sabia.
  9. Se Sócrates corrompeu alguém sem querer, deveria ser instruído, não punido pela lei.
  10. Meleto se contradiz ao dizer que Sócrates é ateu e acredita em deuses desconhecidos.
  11. Acusações falsas só revelam o ódio a uma pessoa justa.
  12. Ninguém sabe exatamente tudo o que acontece depois da morte, mas todos fogem dela como se tivessem certeza de que é o pior dos males.
  13. Se você ensina o bem, não corrompe.
  14. Sofrer injustiça é melhor que causá-la.
  15. Sócrates se recusou a pedir misericórdia.
  16. A condenação de um sábio já velho à morte traria censura sobre Atenas.
  17. Sócrates permaneceu com atitude digna na iminência da morte.
  18. A morte ou é sono eterno ou é mudança da alma de um local para outro.

4 de janeiro de 2015

Teeteto.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 14:24
  • Teeteto estava para morrer de desinterias. Que forma de começar o diálogo, senhor Platão…
  • Aparentemente, Sócrates já estava morto na época.
  • É pela sabedoria que os sábios ficam sábios. Isto é, você aprende para saber de alguma coisa.
  • O texto se propõe a explicar a natureza do conhecimento, isto é, os personagens se perguntam o que ele é.
  • O conhecimento em si não deve ser descrito com exemplos. Por exemplo, não podemos dizer o que é conhecimento enumerando formas de conhecimento, como geometria, aritmética e outros e, ainda assim, esperar que se entenda por isso o conhecimento.
  • Introdução à arte socrática: o parto de ideias. As dúvidas que uma pessoa sente por aceitar uma pergunta e procurar respostas com sinceridade são equivalentes à “dores do parto”.
  • Mas a arte socrática tem mais importância do que a arte das parteiras comum, porque as parteiras não precisam se preocupar com a possibilidade de nascerem filhos falsos. Mas o filósofo socrático precisa estar atento para o caso de seu orientando parir uma ideia falsa. Preciso lembrar arte do parto é usado em sentido metafórico?
  • Sócrates, tal como as parteiras que só podem ser parteiras depois de passado o tempo de conceberem filhos, não podia conceber ideias por conta própria, mas apenas ajudar outros a tê-las quando os outros perseveram em responder uma pergunta difícil (quando os outros estão grávidos). Isso é feito por meio de perguntas que guiam o espírito conforme são respondidas. Assim, Sócrates fazia perguntas aos que estavam grávidos, de forma a guiá-los na busca da resposta correta, mas ele mesmo jamais respondia qualquer pergunta a menos que forçado, como em Górgias.
  • Afastar-se da companhia do parteiro de ideias pode acarretar aborto (“não tem sentido pensar sobre isto, estou perdendo tempo”) ou morte do nascituro (“talvez a resposta que eu obtive com tanto esforço não seja a melhor…”).
  • Os que ainda não estão grávidos devem ser aproximados daqueles que podem fecundá-los, isto é, professores.
  • “Dores do parto” refere-se a dúvida.
  • Programa do método socrático:
  1. Verificar se está prenhe, isto é, se tem pergunta persistente. Se sim, prosseguir; senão, encaminhar a professor.
  2. Se prenhe, guiar o grávido com perguntas para que ele seja capaz de conceber a resposta correta.
  3. Após o parto, verificar se a ideia corresponde ou não à realidade. Se sim, dar alta; senão, prossiga.
  4. Caso haja parto de ideia falsa, provocar novo parto, com perguntas que desestabilizem a ideia falsa.
  5. Descartada a ideia falsa, voltar ao passo dois.
  • Protágoras, dizendo que o homem é a medida de todas as coisas, implica que conhecimento é sensação.
  • A filosofia vem da admiração perante a realidade. Isso é retomado por Aristóteles.
  • Para determinar ativo, é necessário passivo, e vice-versa. Ou seja, nada existe em passividade se não houver atividade em algum lugar e vice-versa. Isso seguindo o pensamento de Protágoras.
  • Ativo e passivo podem mudar de um para outro, segundo Protágoras, se levarmos seu pensamento às últimas consequências.
  • As opiniões de Protágoras não se sustentam. Se conhecimento fosse sensação, o que qualquer um sente seria conhecimento de fato, logo seria conhecimento aquilo que sentem os loucos ou aquilo que sentimos ao sonhar.
  • Sensação é particular.
  • O feto de Teeteto: tudo muda, conhecimento é sensação. Será que esse feto é um filho verdadeiro?
  • Se todos fossem mesmo a medida de sua própria sabedoria, sendo a sensação particular e identificada com o conhecimento, então ninguém poderia apontar alguém como falso ou como mentiroso nem como errado. Todos estariam certos. Então, ninguém precisaria sequer das aulas do Protágoras! Pra quê pagar alguém pra me ensinar se eu posso fazer minha própria razão?
  • Protágoras está errado. Conhecimento não é sensação.
  • Se conhecimento fosse o mesmo que sensação, saberíamos o que algo em outra língua significa mesmo que não a tivéssemos estudado (pois ouvir seria conhecer) ou saberíamos o que está escrito só de ver (pois ver seria conhecer).
  • Para Protágoras, sabedoria é distinguir qual opinião é mais útil.
  • Para Protágoras, as coisas são como parecem.
  • Porém, se cada um fosse dono da verdade, ninguém relegaria sua responsabilidade a alguém (como é o caso dos que se submetem ao mando de outro porque acham conveniente).
  • Contradição: se todos são donos da verdade e todos concordam que há opinião verdadeira e opinião falsa, então ou todos estão errados (porque não poderia haver opinião falsa se todos são donos da verdade) ou nem todos são donos da verdade.
  • Até quem diz na cara de Protágoras que ele está errado está certo, Protágoras teria que admitir isso.
  • Protágoras está errado em todos os sentidos.
  • Prova de que existem pessoas mais sábias que outras é a de que nem todo o mundo é médico.
  • Filósofos falam de coisas boas e belas justamente porque seus pensamentos não precisam se deter em nenhum tema. O pensamento deles é livre, podem refletir e discutir sobre aquilo que lhes apraz.
  • O filósofo está distraído demais com coisas boas e belas, eternas, úteis a longo prazo talvez ou mesmo sem utilidade prática. Tão distraído em conhecer a verdade das coisas que peca em conhecimento prático. A falta de conhecimento prático e altivez para com os arredores faz o filósofo se passar por imbecil…
  • Não saber o que é justiça revela falta de empenho em procurar pela sua essência. E, se você não sabe o que é justiça, não pode ser justo se não por acidente, o que é muito raro. Sabendo o que é justiça, pode-se saber quais atos são bons e quais são ruins, quem é viril e quem é covarde.
  • Há dois tipos de movimento: o movimento de um lugar para outro e a mudança de estado.
  • Os seguidores de Heráclito, para não incorrerem em contradição, têm de admitir que tudo se move das duas formas. Nada permanece parado nem no mesmo estado, pois, se algo pudesse ficar parado ou permanecesse tal como é, haveria estabilidade.
  • Se todas as coisas estivessem em perpétua mudança de estado, não seria possível nomear características.
  • Se tudo se move, não é possível conhecer. O mobilismo é dependência da expressão “conhecimento é sensação”, que é dependência da expressão “o homem é medida de todas as coisas”. Quebrada a dependência, as expressões não se sustentam. No mobilismo, conhecimento não é possível.
  • Seria melhor dizer que conhecemos por meio dos sentidos, em vez de com sentidos. A alma percebe coisas que os sentidos não, como ser, não-ser, semelhança, diferença e outros do gênero. Seria como se a alma fosse um servidor e os sentidos fossem clientes que recebem coisas exteriores e as repassam à alma. Importante ressaltar que “alma” pode significar “razão”.
  • A verdade é alcançável pelo raciocínio a respeito das sensações. Ela não corresponde às sensações.
  • Já que conhecimento não é qualquer opinião, poderia ser apenas a opinião verdadeira?
  • Sócrates nunca disse “só sei que nada sei”.
  • Conhecimento é do ser.
  • Parece que existe, no Teeteto, uma unidade entre ser e pensar.
  • Ter opiniões falsas não coincide com pensar o que não existe, pois pensar no que não existe é não pensar.
  • Opinião falsa é tomar uma coisa por outra. Exemplo, confundir água com terra. Não se pensa no que não existe, mas se pensa em coisas que existem, só que você as confundiu.
  • Só é possível formar opinião falsa daquilo que se pensa ou se percebe. Não dá para formar opinião falsa daquilo que nunca pensamos nem percebemos. Quando não conhecemos aquilo que percebemos ou percebemos o que não conhecemos, é muito fácil emitir julgamento errado. Se conhecemos (isto é, completamente) o que percebemos (isto é, nitidamente), não é possível fazer julgamento errado. Logo, se eu torço o que penso, só pode ser ao falar, isto é, mentindo deliberadamente. Ironicamente, quanto menos conhecemos ou quanto menos nitidamente percebemos, maior a chance de erros, mas, se não conhecemos e não percebemos de jeito nenhum, não há chance de erros: não possível julgar o que se ignora!
  • Observe que, até agora, usamos as palavras “conhecimento”, “saber”, entre outras, mas sem ter certeza do que é conhecimento.
  • A metáfora do pombo: a alma é como uma gaiola que segura pássaros de conhecimento, mas existem pássaros de ignorância. Então, saber o que é conhecimento e o que é opinião falsa é requisito para a escolha correta de informações.
  • Opinião verdadeira não é conhecimento. Opinião é como que ideia sem percepção ou percepção sem ideia. Exemplo: você acredita em algo que alguém lhe contou, mas que você mesmo não viu. Se a pessoa tiver dito a verdade, você tem uma opinião verdadeira, mas você mesmo não sabe se ela realmente é verdadeira, pois você não viu acontecer. Da mesma forma, se você acredita na mentira do outro, você tem opinião falsa, mas não sabe que tem.
  • Não é a mesma coisa ter conhecimento e ter opinião verdadeira e racional.
  • Conhecimento poderia ser opinião verdadeira e explicação correta (definição, saber aquilo que difere um ente de outro), mas isso é o mesmo que dizer que conhecimento é opinião mais conhecimento. Então, a questão permanece em aberto…
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