Analecto

7 de abril de 2015

Altas esperanças e escolhas diferentes.

Filed under: Computadores e Internet, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 00:13

Why Linux is still not ready for desktop.

Existe um ditado que diz o seguinte: “Se você quer facilidade de uso e personalização, use Windows; se você quer estabilidade e personalização, use GNU/Linux; se você quer facilidade de uso e estabilidade, use Mac OS”. Eu não sei quem escreveu isso nem qual o grau de precisão dessa afirmação, porque nunca usei Mac OS, mas isso resume bem um fato que muitas pessoas parecem se esquecer: sistemas operacionais são diferentes, cada um com suas fraquezas e vantagens, nenhum é igual ao outro e é ingênuo querer um sistema operacional perfeito. Muitas pessoas, quando ouvem falar de Linux, não lhe prestam a devida expectativa. É sempre uma expectativa muito alta ou muito baixa. Quando muito alta, o usuário espera que Linux seja melhor em tudo, o que o desapontará. Quando muito baixa, ele reprova o sistema antes mesmo de usá-lo ou quando encontra o primeiro problema.

No artigo acima, o senhor Nick Farrell explica suas razões para crer que Linux não está pronto ainda para o uso em computadores pessoais. Mas qual o quê? Eu uso GNU/Linux há cinco anos e sempre o achei melhor que Windows em vários sentidos. E eu não sou o único a pensar dessa forma; muitas pessoas estão felizes e satisfeitas usando Ubuntu, Debian, Tails ou Linux Mint, por exemplo, então parece que GNU/Linux está, sim, pronto e dando resultado. Então como é que Nick chegou a uma conclusão tão díspar das experiências de vários usários ao redor do mundo? Simples: ele concluiu segundo sua experiência. Nem todos gostam de Linux e nem todos deveriam usá-lo se há sistemas que melhor suprem suas necessidades. Outro problema que ocorreu ao senhor Nick, é um que acomete a muitos, que é o de usar o Ubuntu como representante universal de todas as distribuições Linux. Assim, para a pessoa que pensa dessa forma, reprovar Ubuntu é reprovar Linux, o que é generalista e desnecessário.

Um problema com essa perspectiva se manifesta logo no começo de seu artigo, quando ele diz que juntar Linux e Adobe Flash Player é uma dor. Juntar Ubuntu e Flash, da última vez que eu tentei, foi mais uma coceirinha (tive que baixar e manualmente colocar o plugin Flash no Firefox), mas isso não é verdade em Linux Mint, o qual vem com Flash e outras tecnologias proprietarias por padrão. Então, ele se apressou demais ao dizer que Linux e Flash são um casal desfuncional, porque existem outros “Linuxes” que fazem o trabalho muito bem.

O resto do artigo cai inteiramente sobre sua experiência própria. Ele diz que o Libreoffice não é capaz de reter corretamente a formatação do Microsoft Office, o que é entendível, mas para pessoas que preferem não piratear ou pagar por software e que usam o Libreoffice em lugar do MS Office isso não é, de forma alguma, um problema. Então, esse não é um julgamento que manifesta uma falha no Libreoffice que é tão grave que o torna inapto para o terreno dos computadores pessoais, mas uma falha que o deixa menos amigável a usuários de MS Office. Libreoffice faz um bom trabalho, mas não se deve esperar que código aberto e código fechado sejam 100% compatíveis logo de cara. Então, se esse não é um problema que afeta a todos, mas um grupo específico de usuários (os de MS Office que precisam reter a formatação entre um programa e outro), não há necessidade de dizer que Libreoffice não é apto para uso em computadores pessoais, por exemplo. O mesmo argumento é válido para sua comparação entre o Photoshop e o Gimp, porque é claro que ele reprovará o Gimp se o que ele estiver tentando fazer realmente só é possível no Photoshop (ou, pelo menos, é mais fácil no Photoshop).

Ubuntu é bom para máquinas normais, tal como a maioria dos sistemas GNU/Linux que se seguiram ao Ubuntu, o qual, apesar de não ter contribuído tanto com o código do Linux, contribuiu e muito para a sua popularização (o que, por sinal, contribuiu para agregar mais contribuidores potenciais à comunidade). Mas Ubuntu ou Linux em geral não é, de forma alguma, perfeito e devemos nos abster de altas esperanças ao tentar algo novo, encarando as mudanças como coisas diferentes, não como melhor ou pior, um julgamento que só deveria ser emitido após devidamente pensado e fundamentado. Julgar algo segundo sua experiência apenas é chamado “opinião” e uma opinião que diz que um sistema operacional não está pronto para uso em computadores caseiros, sendo que vários computadores caseiros o executam e há vários administradores e usuários comuns satisfeitos com ele, não deveria ser levada a sério.

Existem testes online (antes de usar Linux, eu respondi um questionário numa revista que seu propunha a dizer que sistema era melhor para pessoas com minha personalidade) que podem lhe indicar qual sistema é melhor para você. O importante é ficar com aquele com que você se identifica mais e te permite ser mais produtivo, seja ele qual for. Mas deixe em paz os outros que fizeram escolhas diferentes.

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