Analecto

8 de setembro de 2016

O “Exame Metanalítico Sobre Propriedades Assumidas do Abuso Sexual de Crianças, Utilizando Amostras Universitárias” de Rind, Bauserman e Tromovitch.

“A Meta-Analytic Examination of Assumed Properties of Child Sexual Abuse Using College Samples” foi escrita por Bruce Rind, Robert Bausermand e Phillip Tromovitch. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas podem ou não refletir minha opinião sobre este assunto. Perguntas sobre minha opinião pessoal podem ser feitas nos comentários.

  1. A afirmação de que relações íntimas na infância e na adolescência sempre causam dano intenso apesar do gênero do menor não encontram base empírica.

  2. A mídia nos dá a sensação de que relações envolvendo menores são sempre prejudiciais, quer em casos onde um dos participantes é adulto, quer em casos onde todos os participantes são menores.

  3. Vários estudiosos concordam com essa visão da mídia, afirmando que a maioria, ou mesmo todas, as relações envolvendo menores são prejudiciais.

  4. Alguns estudiosos chegaram ao cúmulo de dizer que todos os problemas mentais que aparecem na idade adulta são resultado de abuso sexual na infância.

  5. Mas será que isso é verdade? O imaginário popular dita que todas as relações com menores, quer envolvam adultos ou não, são intensamente danosas todas as vezes em que ocorrem, não obstante o gênero da “vítima” (se menino ou menina). O propósito do exame feito pelos autores é verificar se esta crença está correta.

  6. Nós temos o hábito de dizer que todas as relações envolvendo menores são “abuso sexual infantil”, que todos esses menores são “vítimas”, que todos os adultos ou menores mais velhos são “criminosos”, mas o uso desses termos na literatura científica é problemático, porque existem experiências envolvendo menores que não são negativas. Nesses casos, não há vítima e, não havendo vítima, não há abuso. Logo, não há razão científica pra chamar todas essas relações de abusivas. Além disso, o uso de termos com carga negativa impede a availação imparcial desses eventos.

  7. A quebra de valores sociais não necessariamente constitui abuso. Masturbação e homossexualidade já foram consideradas socialmente erradas (com a masturbação inclusive sendo referida como “autoabuso”) e, no entanto, ambas as práticas não causam dano, não podendo ser consideradas abuso no mais das vezes. Assim, não há nexo causal entre quebra de valores sociais e prejuízo aos envolvidos.

  8. Um ato imoral não necessariamente é prejudicial.

  9. É diferente o pai penetrar à força sua filha de cinco anos e um jovem de treze anos beijar sua namorada de quinze na boca. Faz sentido punir o segundo caso? Por acaso o segundo caso pode ser chamado de “estupro”?

  10. Quando a ciência chama relações íntimas entre adultos e menores de “abuso” em todas as vezes que ocorrem, mesmo quando não há dano, mesmo quando o menor diz que o ato foi benéfico, revela que a ciência está trabalhando com categorias morais ou legais. Mas a ciência, se quer ser imparcial, não pode emitir juízo de valor. Deixe os dados falarem; o leitor dirá se é abuso ou não.

  11. Antigamente, todos os atos sexuais “imorais” eram considerados abusivos, mas, hoje, a relação envolvendo menores (entre adulto e criança, por exemplo) é a última fronteira da sexualidade moral tradicional. É um dos poucos atos sexuais que ainda são chamados de “sempre abusivos”.

  12. Embora haja pesquisadores que digam que relações íntimas entre dois menores ou entre menor e maior sejam sempre danosas, também existem pesquisadores que discordam. Assim, a literatura científica não é unânime nesse ponto.

  13. O problema de algumas pesquisas é a falta de controle de variáveis. Por exemplo: um menino de oito anos tem alguns jogos sexuais exploratórios com um irmão dez anos mais velho, mas esse mesmo menino recebe golpes de cinturão diariamente do pai. Ele então cresce com disajuste psicológico. Alguns pesquisadores fariam vista grossa pros atos do pai e apontariam que o irmão é a causa do disajuste, por ter abusado sexualmente do menino, mesmo que o menino diga que esses jogos foram inofensivos.

  14. Relações íntimas entre adultos e menores ou entre dois menores, mesmo que o menor seja uma criança, não necessariamente são negativas e nem sempre resultam em dano.

  15. Alguns estudiosos raciocinam que o resultado, se negativo ou positivo, é mais influenciado por fatores extrassexuais. Não é o ato em si, mas as condições que o cercam (por exemplo, se o ato foi forçado por um estranho, se os pais descobriram e fizeram alarde, entre outros).

  16. Já para outros estudiosos, o dano causado aos menores é superestimado porque os pesquisadores querem saber quantos casos são negativos entrevistando pacientes que já estão em tratamento por causa de sequelas. É como ir a um hospital pra saber a porcentagem de pessoas doentes. Claro que você receberá um resultado próximo de 100%. Assim, indivíduos clínicos não são uma demográfica confiável pra saber qual é o impacto de relações íntimas entre adultos e menores ou entre dois menores na população em geral.

  17. Para os pesquisadores contrários, o fato de haver pessoas que tiveram relações íntimas na infância ou na adolescência, mas que não relatam experiências negativas ou efeitos negativos decorrentes, apenas indica que os sintomas não tiveram tempo de aparecer. Antes de 2009, no Brasil, relações com menores de catorze anos só seriam crime se o ato não fosse aprovado pelo menor, se não fosse aprovado pelos pais do menor ou se fosse prejudicial ao menor. Uma relação que preenchia requisitos de segurança e era aprovada pelo menor e pelos pais não era nem considerada “pedofilia”. Então eu duvido que tenha um só homem da minha idade no Nordeste que não teve umas “brincaderinhas” com o pai. Somos todos assintomáticos?

  18. Esses estudiosos usam essas amostras pra generalizações, apesar de amostras clínicas e legais não poderem ser usadas pra generalizações fora do âmbito clínico ou legal, ou seja, não podem ser usadas como representantes de toda a população.

  19. Pessoas que tiveram relações íntimas na infância e na adolescência, mas que não denunciaram, nem procuraram tratamento, podem não o ter feito porque não sentiram efeito negativo. Assim, há uma população de “abusados” que não sofreu com o “abuso”. Fica difícil chamar isso de abuso então. Pense: com que idade você perdeu a virgindade e qual foi a idade do parceiro? Essas relações são tão incomuns assim?

  20. No que diz respeito à equivalência de gênero, tanto existem estudiosos que afirmam que relações na infância ou na adolescência causam efeito igual em meninos e meninas quanto há estudiosos que dizem que meninos reagem mais positivamente. É importante lembrar que “relações sexuais” aqui não inclui somente sexo em sentido estrito (penetração fálica pela boca, ânus ou vagina). Afinal, penetrar uma criança causa dor, nojo e trauma no mais das vezes. Logo, se estivéssemos falando só de sexo em sentido estrito, seria impossível concluir que tem crianças que não sofrem com relações. Os estudiosos estão incluindo nesse balaio de relações sexuais os “atos libidinosos” (beijos nos lábios, carícias íntimas, cócegas nos genitais, admiração mútua da nudez, entre outros atos não-penetrativos).

  21. Os autores do estudo descobriram que, na população universitária e na população nacional, homens que tiveram experiências sexuais na infância, sim, reagem bem melhor a elas do que mulheres.

  22. Outros estudiosos, porém, concluem que a afirmação de que meninos reagem melhor é mito.

  23. Existe outro problema em alguns estudos: o pesquisador tende a prestar mais atenção às experiências negativas, a despeito das positivas. Ele exclui, diminui ou resume as positivas, dando a impressão de insignificância.

  24. Eventos traumáticos são minoria estatística entre a população de indivíduos que tiveram relações na infância ou adolescência. Para saber a razão pela qual apenas relations negativas aparecem na mídia, veja Atração Por Menores: Guia Para Iniciantes.

  25. Mesmo eventos traumáticos podem ser uma comorbidade: além de ter relações íntimas, a criança era também negligenciada pelos pais ou abusada não-sexualmente. Será que o trauma é culpa só do “molestamento”?

  26. Muitas crianças que sofrem trauma não apenas tiveram relações íntimas, forçadas ou não, mas também sofriam bullying, pressão emocional, negligência, entre outras coisas, de forma que seu trauma pode muito bem ter sido uma combinação de fatores, com as relações, especialmente se não tiverem sido forçadas, nem dolorosas, tendo um papel de menor importância.

  27. Muitos estudiosos estão de acordo que não é a relação íntima em si que causa o dano, mas “variáveis terceiras”, como grau de permissão, grau de dor e dinâmica familiar.

  28. Quem estuda abuso sexual de menores deve relevar os aspectos não-sexuais na formação do julgamento.

  29. Mesmo os resultados negativos não traumáticos são minoria.

  30. Se você estiver recrutando pessoas que tiveram relações na infância ou adolescência, não faça um anúncio pedindo a presença de pessoas que foram “molestadas”, porque assim as pessoas que tiveram experiências positivas e que não se sentem vítimas não irão atender ao estudo, prejudicando sua imparcialidade. Afinal, pessoas que tiveram experiências positivas, como eu, não se sentem “molestadas”.

  31. Não apenas o dano dessas relações é infrequente como raramente é intenso.

  32. Como é que tem estudiosos dizendo que intimidade entre adulto e criança tem igual efeito em meninos e meninas… se eles não querem pesquisar meninos?

  33. Estudos anteriores aos anos noventa tem problemas de subjetividade, imprecisão e de amostragem, o que os leva a concluir de forma contraditória.

  34. Para resolver esse problema de uma vez por todas, os autores do estudo conduziram uma meta-análise usando amostras neutras: estudantes universitários. Dentre a população universitária, deve haver um bom número de indivíduos de ambos os gêneros que tiveram envolvimentos íntimos na infância ou na adolescência, mas que podem ou não ter gostado, consequentemente, que podem ou não ter denunciado ou procurado tratamento.

  35. Para ser justo, os autores fizeram essa meta-análise por meio de revisão literária. Eles pegaram estudos já feitos e fizeram os cálculos, em vez de fazer entrevistas diretas. No entanto, seus resultados são validados por estudos posteriores feitos com métodos melhores, um deles, inclusive, conduzido em Campinas, aqui, no Brasil.

  36. Nos Estados Unidos, metade da população é exposta à universidade de alguma forma. Então, a população universitária é perfeita pra esse tipo de estudo, em termos de generalização.

  37. Estranhamente, estudos sobre abuso sexual de crianças usando amostras universitárias são raros… Por quê?

  38. Este estudo usará somente amostras universitárias.

  39. Antes que alguém fique “irritado”, este estudo não leva em conta somente atos forçados. Do contrário, não poderia concluir como conclui. Ele leva em conta “graus de liberdade” e a presença de elementos como penetração ou força. Assim, nem todos os casos analisados na população universitária envolvem violência ou coerção, incluindo também atos sexuais nos quais os menores se engajaram de boa vontade.

  40. O estudo procura também por males somáticos, como problemas de sono ou distúrbios gastrointestinais, que possam estar ligados às relações.

  41. O que é abuso sexual de crianças? Dependendo do seu viés doutrinário, pode ser qualquer contato íntimo entre uma criança ou um adulto, a despeito da ausência de dano e da vontade da criança em participar, ou pode ser somente experiências indesejadas, pois o rótulo de “abuso” só seria cabível em casos onde há prejuízo.

  42. O que é uma criança? Para a maioria dos estudos revisados pelos autores, “criança” é alguém menor de dezesseis anos. Para a lei brasileira, “criança” é o indivíduo menor de doze anos. No entanto, mais da metade dos estudos revisados chama também de abuso uma situação em que dois menores se envolvem, na medida em que um deles é cinco anos mais velho (exemplo: menino de treze e menina de oito, ou menina de doze e menino de sete).

  43. Se levarmos em consideração todas as definições possíveis de abuso, a quantidade de casos que podem ser inclusos em todas as definições é muito pequena.

  44. Os casos analisados pelos autores do estudo variam em intensidade. Um simples convite pra fazer algo íntimo já contaria como abuso. A escala seria: convite, exibicionismo, carícias, masturbação, sexo oral, tentativa de coito e coito consumado. Pondo as coisas dessa forma, dá pra ver como o estudo conclui que muitos casos de abuso não terminam em dano, pois tudo abaixo da masturbação geralmente não causa dor nem sofrimento, a menos que o sujeito seja forçado.

  45. O dano varia segundo intimidade do ato e grau de proximidade entre os dois. Uma carícia íntima feita por alguém de confiança provavelmente não causa dano, enquanto que a penetração por um estranho completo pode causar um trauma.

  46. Cerca de metade das pessoas que tiveram relacionamentos íntimos na infância ou adolescência repetem a experiência antes da idade adulta.

  47. Uso de força em relações entre adulto e criança ou entre duas crianças não ocorre sequer em metade dos casos. Mais da metade das vezes, o menor não é forçado.

  48. Se uma relação chega a causar dano (por força ou penetração, por exemplo), o grau de desajuste provocado pelo ato em si é pequeno. A violência associada ao ato causa maior parte do dano.

  49. Importante lembrar que esses dados se referem à população geral, não àqueles que procuraram tratamento para sequelas por abuso sexual (os quais compõem minoria da população e cujas experiências não podem ser generalizadas).

  50. Os autores verificaram os sujeitos do estudo em busca de qualquer dos sintomas a seguir: alcoolismo, ansiedade, depressão, dissociação, desordem alimentar, hostilidade, problemas interpessoais, sensação de falta de controle sobre a própria vida, transtorno obsessivo-compulsivo, paranoia, fobias, psicopatia, baixa autoestima, desajuste sexual, desajuste social, somatização, tendência suicida.

  51. Dois fatores que contribuem para o desajuste são a força empregada (estupro) e o fato de a vítima ser menina (penetração, provavelmente). Assim, meninos tendem a sofrer menos ou a não sofrer em experiências sexuais na infância ou adolescência, na medida em que não houve emprego de força.

  52. O número de relações forçadas com menores é pequeno, comparado ao número de relações consentidas, seja com adultos ou com outros menores.

  53. Verdadeiramente, o que prejudica o menor é a violência da relação, não a relação em si. Fora o elemento violento, desaparece a vítima. Se você for menino, contudo.

  54. Meninos não diferem do grupo de controle se não houver violência na relação que tiveram. Mas meninas, estranhamente, manifestam problemas mesmo em relações consentidas.

  55. Intimidade indesejada é sempre danosa.

  56. A chance de haver prejuízo é maior se houver penetração. Ainda mais se o ato for repetido ou for de longa duração. Ainda mais se forçado e feito por uma figura de autoridade, como o pai.

  57. Das amostras estudadas, 72% das meninas e 33% dos meninos concordaram que as experiências sexuais que tiveram na infância ou adolescência foram “negativas”. No entanto, 37% dos meninos e 11% das meninas concordaram que suas experiências foram “positivas”. Donde decorre que relações na infância ou adolescência não são sempre negativas, o que significa que não é a relação em si que causa o dano, mas elementos que lhe são associados. Além disso, isso mostra que meninos reagem muito melhor.

  58. Um dos estudos revisados pelos autores fez os entrevistados classificarem suas experiências sexuais na menoridade em uma escala que vai de 1 (muito positiva) a 7 (muito negativa), de forma que as experiências seriam melhores quanto menor fosse o número. A média dos meninos foi 3,38, ao passo que a média das meninas foi 5,83. Então, sim: meninos tendem a reagir melhor à intimidade com adultos ou outros menores durante sua menoridade. Isso também mostra que intimidade antes dos dezoito anos não necessariamente resulta em prejuízo.

  59. Se por um lado a experiência foi boa quando ela ocorreu, como essas crianças veem o que aconteceu depois que amadurecem? 59% de 514 mulheres vê essas experiências como negativas, mesmo que as tenham sentido como positivas quando ocorreram, mas apenas 26% dos homens (118 amostras) têm a mesma sensação. Por outro lado, 42% dos homens vê essas experiências como positivas mesmo depois de chegarem à idade adulta, enquanto que 16% das mulheres mantém a posição de que a experiência foi positiva mesmo depois de amadurecerem.

  60. É muito difícil que relações antes da idade de consentimento prejudiquem o desempenho sexual na vida adulta.

  61. Aqueles que foram prejudicados pelo ato se recuperam em algum tempo. O que significa que dano permanente é também incomum. Isso quer dizer que, quando há prejuízo, o dano não é tipicamente intenso. Experiências sexuais traumáticas são uma minoria ínfima.

  62. Depois de tudo o que foi visto, está claro que intimidade entre dois menores ou entre adulto e menor não causa dano em grande parte das vezes em que ocorre. Então, terapêutas que trabalham com menores que tiveram jogos ou relacionamentos sexuais não devem assumir que essas experiências são negativas e devem perguntar ao paciente como ele se sente em relação a elas. O psicólogo não deve tratar um problema que não existe. Analogamente, os pais não devem tomar o namoro do filho como um mau sinal automático.

  63. Mas algo ainda não está claro: se existem relações positivas e relações negativas, então o que é que causa o dano? Claro que fatores como penetração, dor e coerção influenciam o resultado negativamente, de forma que uma experiência sexual sem esses elementos pode muito bem ser inofensiva. Mas como se explica a presença de desajuste em pessoas que só relatam experiências positivas?

  64. Parece que a resposta reside na família. Além da experiência sexual do menor, que foi positiva, problemas familiares não relacionados a sua sexualidade podem ter causado o desajuste. Assim, desajuste em pessoas com experiências positivas pode ser explicado por outros fatores, como negligência (deixar a criança passar fome ou ignorar seu choro) e abuso não-sexual (chineladas, golpes de cinturão).

  65. Dessa forma, se uma pessoa teve experiências sexuais positivas na infância ou adolescência, mas ainda assim apresenta algum tipo de problema psicológico, faz mais sentido atribuir seu problema a outros fatores, não a sua experiência sexual.

  66. Alguns adultos foram perguntados se seus problemas emocionais têm como fonte as relações que tiveram quando menores ou problemas familiares atuais. Muitos reportam que as relações não os afetam mais, mas a família continua ruim.

  67. Os autores concluem que, na população universitária, cerca de 14% dos homens e 27% das mulheres tiveram intimidade sexual na infância ou adolescência. No entanto, se algum deles tinha algum problema psicológico, ele raramente tinha raízes nessa intimidade.

  68. Envolvimentos traumáticos são, portanto, uma minoria estatística.

  69. Assim, a afirmação de que experiências sexuais na infância ou adolescência, principalmente se não forem forçadas ou dolorosas, sempre são prejudiciais é preconceito. Elas podem ser prejudiciais, mas, estatisticamente, elas normalmente não são e, quando são, o dano é geralmente pequeno. Traumas por experiências sexuais são raros.

  70. Um terço dos homens estudados reportam que a experiência foi negativa, mas dois terços dizem que não foi(ou seja, pode ter sido positiva ou neutra). Com mulheres, é o contrário. No entanto, quando ocorre dano, ele normalmente é superado.

  71. Três de cada oito homens que tiveram experiências íntimas na infância ou adolescência reportam que a experiência foi positiva. Com mulheres, o número foi uma em dez.

  72. A razão disso é cultural: meninos veem experiências sexuais como uma “aventura” ou um meio de satisfação da curiosidade natural, mas meninas, por causa de padrões sociais construídos acerca do sexo feminino, tendem a ver essas experiências como imorais. Isso é especialmente grave se ocorre penetração.

  73. Menores podem sentir prazer.

  74. Meninas tendem a sentir vergonha desses encontros, mas meninos os veem como uma prova de maturidade, principalmente se interagem com o sexo oposto, principalmente se a mulher for mais velha. Quando a experiência não é positiva, o menino é geralmente indiferente.

  75. Outra razão pra que o menino responda melhor a esses encontros é que seu corpo precisa de menos estímulo para sentir prazer. Eles se envolvem com o ato mais rapidamente. Parece que o sexo masculino é mais ativo.

  76. As reações ao ato, quando o ato não é doloroso e nem violento, podem ser facilmente atribuídas aos papeis sexuais tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres. Homens aprendem na adolescência que devem ser viris, libidinosos, dominantes, em movimento. Mulheres são ensinadas a ser passivas, castas, sexualmente reticentes. Mas o mundo está se livrando de papeis sociais baseados em gênero.

  77. Por que o número de experiências negativas com meninas é tão alto? Porque, por alguma razão, elas são mais alvo de experiências sexuais forçadas. Assim, não é o ato em si, mas a dor e a violência que causa o dano. As mulheres que respondem positivamente ou indiferentemente não experimentaram nem dor e nem violência.

  78. Se por um lado reações de meninas e meninos a experiências sexuais são muito diferentes, por outro elas são muito parecidas, se levarmos em consideração somente as experiências em que o menor foi forçado. Porque os efeitos são quase iguais quando coerção está presente.

  79. Muitos indivíduos que tiveram experiências sexuais na infância ou adolescência e que têm algum tipo de desajuste emocional já tinham esse desajuste antes da experiência.

  80. Experiências sexuais negativas ocorrem mais comumente dentro da família.

  81. Às vezes, não é o pai que tem relações íntimas com os filhos, mas os filhos entre si. Irmãos podem forçar um ao outro.

  82. Experiências sexuais raremente afetam a estrutura familiar. Geralmente, é a estrutura familiar que facilita essas experiências. Por exemplo: uma criança que se envolve sexualmente com um adulto, debaixo do nariz dos pais, está, com certeza, sendo negligenciada em outras coisas também. Os pais não estão ligando. Por isso a criança fica desajustada, mesmo que a relação seja positiva: uma relação assim, na sociedade atual, é sinal de negligência.

  83. Se seu filho vai mal na escola, há uma boa chance de que ele esteja sendo fisicamente, emocionalmente ou verbalmente abusado, em vez de sexualmente abusado.

  84. Abuso verbal é mais danoso do que relações íntimas na infância ou adolescência, segundo o estudo. Isso porque abuso verbal é mais comum e é sempre violento, ao passo que experiências sexuais não são tão comuns e podem ser voluntárias.

  85. Se a relação ocorrer dentro da família, a chance de prejuízo é maior. Não foi meu caso.

  86. Muitas vezes, tudo vai bem… até que alguém descobre.

  87. Relações entre menor e menor ou entre adulto e menor foram mais analisadas por um viés legal e moral do que empírico.

  88. Se não há prejuízo, não é abuso, de um ponto de vista científico. Então a ciência não deve chamar relações inofensivas de abusivas. Pra merecer o título de “abuso”, deve haver dano em algum lugar.

  89. Chamar tudo de abuso induz o pesquisador e o leitor a assumir que o ato foi negativo, mesmo que não tenha sido.

  90. No século dezoito, masturbação era imoral. No século dezenove, homossexualidade era imoral. No século vinte, relações envolvendo menores são imorais. Neste século, elas podem deixar de ser. Eu tenho certeza que foi esta pista que levou a direita cristã conservadora ao limite.

  91. Tratar a masturbação como doença levou à criação de tratamentos que causavam mais dano do que benefício, pois tratavam um problema que não estava lá. Tratar relações com menores como doentias proporciona o mesmo efeito, se não existir prejuízo nessas relações. Claro que alguns menores podem sofrer com o ato. Mas se ele não sofreu, não precisa ser tratado.

  92. Algumas de nossas definições médicas têm laços com o direito, que por sua vez tem laços fatuais com os costumes e, logo, com a religião.

  93. Masturbação, promiscuidade, sexo oral e homossexualidade já foram todos comportamentos tidos por doentios. Agora estão tratando a sexualidade infantil como doentia.

  94. Um ato socialmente inaceitável não necessariamente é doença.

  95. “Para esses estudantes universitários do sexo masculino, 37% viram suas experiências sexuais na menoridade como positivas no momento em que ocorreram; 42% veem essas experiências como positivas quando refletem sobre elas; e em dois estudos que perguntavam sobre efeitos positivos percebidos, um número entre 27% e 37% afirmam que essas experiências proporcionaram influência positiva em suas vidas sexuais atuais. Mais importante, esses homens, não obstante o nível de consentimento (isto é, voluntário ou não) não diferem do grupo de controle em ajuste psicológico atual, embora homens que só tiveram experiências forçadas diferissem, implicando que aprovação voluntária do ato está associada com ajuste psicológico normal.” Como pode um “abuso” trazer benefício?

  96. Se o ato não for forçado, a chance de prejuízo é muito menor. Experiências sexuais negativas na infância e adolescência, mesmo que com parceiros adultos, são minoria estatística.

  97. Dizer a uma criança “você foi abusada” quando ela não se sente abusada simplesmente a fará ignorar você. A experiência permanece a mesma. Se você tentar forçar a ideia de abuso na criança, o abusador é você.

  98. Muitos menores que têm essas relações se recusam a ser chamados de “vítimas”.

  99. Quem deve julgar a experiência é o menor.

  100. De acordo com os autores, se um ato teve participação voluntária do menor e redundou em benefício, o termo correto a ser empregado é “sexo entre menor e menor” ou “sexo entre adulto e menor”, guardando o termo “abuso sexual de menor” para experiências forçadas ou negativas. Eu, no entanto, acho que o termo “sexo” deve ser substituído por “intimidade”, porque “sexo” entrega a ideia de penetração, o que não ocorre todas as vezes.

  101. Outro problema é que as definições atuais tratam crianças e adolescentes como seres de igual maturidade. Uma criança de cinco anos é diferente de um adolescente de quinze.

  102. Relações entre adulto e adolescente são mais comuns e já foram socialmente aceitas na antiguidade.

  103. Não há necessidade de presumir violência em relações com menores abaixo da idade de consentimento. Mas isso não necessariamente implica que os pesquisadores querem mudança nas leis.

  104. Casos de experiências sexuais que ocorrem fora da família antes da maioridade podem afetar a família se descobertos, por causa da intervenção jurídica. No entanto, o número de menores que conta o segredo representa menos de um quarto dos casos. O que significa que três quartos dos casos nunca são revelados.

22 de maio de 2014

Maio, segunda parte.

Achei que nunca fosse acontecer, mas enjoei de tanto ler e reler a Antologia Ilustrada de Filosofia. Arrumei o Textos Básicos de Filosofia pra me distrair agora, enquanto eu espero algo emocionante acontecer na universidade. Alguém me disse que o professor de metafísica mandou todos os alunos refazerem o trabalho sobre a Ciência Nova, mas com outros parâmetros. Agora estaria mais claro o que ele quer e acredito que poderei trazer para você um texto menos confuso. Mas, quando cheguei lá, ele disse que eu não precisava ter refeito, porque já tirei sete. Enviei um e-mail para um dos professores de filosofia que entrevistei, para ver se consigo mais algumas respostas.

Foi difícil me concentrar nas últimas aulas. Tem outro gorducho que atraiu minha atenção e vez por outra meu olhar perdia-se sobre ele. É uma sensação horrorosa: minha cabeça fica leve, meu coração dispara e sinto um negócio inexplicável no peito. Mas é difícil parar de olhar. Tive de me forçar a voltar minha atenção ao professor três vezes, com considerável sucesso, até eu ter de olhá-lo de novo. Sou péssimo em resistir à tentações. Não posso dizer que estou amando ele, mas posso dizer que há um certo grau de luxúria por ele em mim (duplo sentido). É uma ideia reprovável, contudo, e estou ficando melhor em me conter, só acho que estou para criar algum tipo de recalque. Minha professora de psicologia poderia até dar uma ajuda ou luz. Não que eu lute contra mim mesmo para mudar quem eu sou, só acho que agir conforme certos comportamentos não é possível agora; ele é heterossexual em primeiro lugar, depois eu tenho que estudar, depois ele vive em outra cidade. A maioria das pessoas me aconselharia “seguir o coração”, mas eu prefiro pensar com o cérebro mesmo e uma relação desse tipo é impossível agora, a menos, claro, que eu queira me ferrar.

Você sabe que estou desesperado por crédito extra quando você lê que atendi a um evento sobre Hegel. Me inscrevi na Semana Hegeliana e passei três tardes inteiras na universidade, além da manhã. Isso acabou com meu tempo online e nem pude dar patadas! Uma pena, porque tenho trabalho acadêmico pra fazer. Já tenho que escrever uma dissertação sobre Parmênides. Para juntar útil e agradável, Hegel é um único filósofo que eu não gosto. Talvez porque meus últimos professores de Hegel eram todos medíocres, eu nunca fui capaz de abstrair algo de bom da filosofia dele. Atender ao evento também foi um ato de dar “outra chance” ao hegelianismo, porque todo o mundo diz que Hegel foi um filósofo muitíssimo importante e influente. Talvez, se eu entendê-lo melhor, eu possa me enriquecer mais, além de que, dada sua influência, não posso repeli-lo para sempre. Mas o evento não foi sobre Hegel. Falou-se de Marx, Weil, Fukuyama, Marcuse, Feuerbach e até Vico! Mas Hegel que é bom…

24 de dezembro de 2011

Já é véspera de Natal?

Filed under: Computadores e Internet, Organizações, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 19:22

Ontem, minha irmã esteve por aqui. Ela então mencionou que era dia vinte e três.

  • Já? – perguntei. – Eu achei que fosse… sei lá, quinze!

Mas não era. Hoje é véspera de Natal, o que significa que o tempo das minhas férias está passando rapidamente. Isso é um saco: quando eu percebo que minhas férias estão na metade, começo a desejar que elas fossem prolongadas, quando, como vocês viram no último episódio, estar de férias só tem mesmo me deixado com tédio.

Mas quer saber? Eu não me importo mais com a contagem do tempo. Dia dez, visitarei o site do Aluno Online da Universidade e escolherei minhas disciplinas. Vamos esperar que nenhum professor morra.

Voltarei a escrever entradas diárias e fazer deste blog um diário mesmo. Claro que isso não o reduzirá a simples documentação do meu dia. A propósito, não comemoro o Natal. Conto o porquê amanhã.

Ah, sim, olhando para o endereço desta página, vejo que a ID desta entrada é 666.

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