Analecto

26 de dezembro de 2016

O que aprendi lendo “O Contrato Social”.

O Contrato Social” foi escrito por Jean-Jacques Rousseau. Abaixo, o que aprendi lendo seu texto.

  1. Não são os políticos que escrevem sobre política: estando no cargo, validam seu pensamento com suas ações, não com palavras.
  2. Se eu fosse político, não escreveria sobre política; eu faria política.
  3. Todos os que participam de uma sociedade devem refletir sobre política.
  4. A primeira sociedade é família.
  5. A dependência entre familiares é, a princípio, natural.
  6. A família pode continuar existindo quando não há mais dependência um do outro, mas, nesse caso, a família só existe por convenção e não por necessidade.
  7. Ninguém abdica de sua liberdade se não ganhar algo em troca disso.
  8. Quem é escravo faz tempo não anseia mais a liberdade.
  9. Os primeiros escravos foram feitos escravos pela força. mas os escravos que vieram depois foram feitos escravos pelo costume.
  10. Todos têm igual direito a governar.
  11. O monarca que quiser evitar conspirações, rebeliões ou guerras civis faria bem em se desfazer totalmente de seu povo.
  12. Obedecer à força não é um ato de moral, mas de prudência.
  13. Se não há, portanto, opção de desobediência, não há moralidade.
  14. Se o mais forte tem sempre razão, então eu tenho que ser forte.
  15. Eu só posso desobedecer ao forte sendo mais forte que ele.
  16. Um povo se aliena (se vende) porque espera disso algum benefício.
  17. O rei tira sua subsistência dos súditos; somos nós quem sustentamos o governo.
  18. Ninguém trabalha de graça.
  19. Numa guerra, há inimizade entre governos, não entre povos, que só matam porque são mandados.
  20. Não existe escravidão em sentido pleno.
  21. Entre humanos, o povo preexiste ao governo.
  22. O contrato social é a renúncia à liberdade natural em prol de uma liberdade convencional estabelecida de mútuo acordo visando a obtenção dos benefícios da vida em sociedade.
  23. Existe uma “vontade geral”, manifesta nas leis decididas de comum acordo e asseguradas pelo contrato.
  24. É injusto ter só direitos e nenhum dever.
  25. Quem se recusar a obedecer à vontade geral, será forçado a isso pelo todo.
  26. A vida em sociedade permite o desenvolvimento do ser humano ao governo distante do animal.
  27. Existem dois tipos de liberdade em Rousseau: a natural e a civil.
  28. A liberdade civil é caracterizada pela propriedade privada: cedo parte de minha liberdade natural em nome da liberdade de ter coisas só minhas.
  29. Obedecer às próprias regras é liberdade também.
  30. Os primeiros monarcas não eram senhores de terras, mas de nações, isto é, senhores de pessoas.
  31. A natureza fez todos diferentes, mas o contrato social implica tornar todos iguais, não pela natureza, mas pelo direito.
  32. A vontade geral é a única que dirige uma sociedade para seu fim comum, que é o bem-estar de todos.
  33. Se existe uma coisa que todos querem, o governo deve garantir essa coisa para manter o povo unido.
  34. Se ordenando para esses pontos de convergência da vontade dos súditos, a vontade geral, o governo pode se ordenar para a igualdade, pois estará literalmente atendendo a todos.
  35. Quem cala, consente.
  36. A verdade sozinha não traz riqueza.
  37. A vontade geral pode errar quando o povo é levado a desejar o que é ruim pra si mesmo.
  38. Isso pode ser feito mentindo pro povo.
  39. Vontade geral é a soma de todas as vontades, excluindo as que se contradizem, restando, efetivamente, aquilo que todos querem.
  40. É possível destruir a livre manifestação da vontade geral num ambiente democrático fazendo as pessoas votarem contra o que todos querem em prol de uma vontade particular (através de manipulação mediática, voto de cabresto, compra de votos, entre outros).
  41. Para que a vontade geral se manifeste de maneira pura, é preciso que cada um vote por si mesmo e não pelo grupo ao qual pertence, porque o interesse da maioria emerge quando todos votam segundo seus próprios interesses.
  42. O governo não pode exigir de um particular nada que não sirva ao bem do todo, porque é pelo bem do todo que o governo deve zelar.
  43. Não se deve julgar politicamente usando critérios que os outros impõem: a decisão política implica critérios próprios.
  44. Votar por si próprio já é votar pelo todo.
  45. A vontade geral sempre diz respeito ao todo.
  46. Para salvar nossa vida, às vezes temos que arriscá-la.
  47. Falta de informação pode matar.
  48. Se você violar as leis de seu governo, está sujeito à punição prevista.
  49. Por outro lado, se você não gosta dessas leis, pode procurar outro país com leis mais a sua cara.
  50. Um governo que mata muitos é um mau governo.
  51. Quanto mais crimes cometidos, mais impunidade; quanto mais impunidade, mais crimes cometidos.
  52. Não existe um país em que não haja criminalidade.
  53. Todos têm senso de justiça, mas a justiça só acontece se houver reciprocidade.
  54. Existem leis que favorecem os maus e prejudicam os bons.
  55. Leis naturais não são leis civis.
  56. Não se pode legislar para uma pessoa só.
  57. O ato de governar implica fazer o ser humano agir de maneira que não é natural.
  58. Quem faz as leis não deve ser o soberano.
  59. O sábio não será entendido pelo vulgo sem adotar sua linguagem.
  60. Existem ideias complexas demais pra serem traduzidas em linguagem coloquial.
  61. Legislar é algo muito sério.
  62. Isso é algo tão sério que as primeiras leis eram inseparáveis da religião.
  63. Não se deve fazer leis que o povo não pode aceitar.
  64. Existem povos viciosos com leis boas às quais não se submetem.
  65. Existem nações que prosperam com leis consideradas ruins.
  66. Cada povo tem sua especificidade; costumes estrangeiros podem não pegar aqui.
  67. É mais fácil manter um povo forte se ele for pequeno: quanto mais pessoas, mais difícil manter todos unidos.
  68. Governos grandes requerem degraus de poder: o presidente não pode governar todo o país sozinho se o país é enorme.
  69. Países que não têm recursos o bastante se veem forçados a conquistar o território dos outros.
  70. Se o povo estiver desesperado, aceitará qualquer lei.
  71. O desafio da lei não é instaurar um novo bem, mas destruir um mal já conhecido.
  72. A liberdade não pode subsistir sem igualdade: se todos começam em condições iguais, estão habilitados a exercer sua liberdade em igual medida e ninguém poderá reclamar que estava em desvantagem.
  73. Ninguém deve ser tão rico a ponto de poder comprar uma outra pessoa ou tão pobre a ponto de vender-se.
  74. As leis devem zelar pela igualdade.
  75. Se o país não consegue produzir suas próprias riquezas pela agricultura, deveria investir em outros meios de fazer dinheiro, tal como o comércio de bens artísticos ou culturais.
  76. A impunidade permite que os criminosos legislem.
  77. O povo pode, pelo seu desejo, destruir leis boas: se o povo deseja sua destruição, quem pode pará-lo?
  78. Toda a ação depende de dois elementos: vontade e poder.
  79. A vontade do governo é o legislativo e o poder do governo é o executivo.
  80. Quando um poder tenta fazer as vezes do outro (quando o legislativo tenta agir como executivo ou vice-versa) ou quando o povo se recusa a obedecer às leis, ocorre despotismo ou anarquia.
  81. Quanto maior o povo, menos poder político cada súdito tem.
  82. Quanto mais forte é o governo, menos liberdade se tem.
  83. Matemática não serve para medir a ação política.
  84. Não é o número de pessoas que faz a revolução, mas a ação desse número.
  85. A vontade do governante, enquanto governante, deve ser a vontade geral: ele deve zelar pelo interesse do povo.
  86. Se o povo ou o governo tiverem que se sacrificar, que seja o governo, não o povo.
  87. Soberana é a vontade geral.
  88. Um desejo é mais forte quanto mais é pessoal.
  89. Por causa disso a vontade geral se impõe menos que o interesse particular.
  90. Se o governo for todo entregue nas mãos de uma pessoa só, a tentação será grande demais, o potencial de corrupção será muito alto.
  91. Um governo exercido por um só seria altamente ativo.
  92. Cada integrante do governo tem poder político em si, mas o povo, mesmo sendo soberano em um governo democrático, não tem poder político a menos que se una.
  93. Dividindo o poder em diferentes pessoas, não completamente separadas, mas dependentes entre si, como no regime democrático, o risco de passar o interesse particular à frente é menor.
  94. Mesmo num governo democrático, nem todos participam da democracia.
  95. Não é bom que o executor das leis seja o legislador.
  96. Se um povo se governa bem, não precisa de governo e pode viver bem sem um.
  97. A democracia perfeita nunca existiu por uma variedade de empecilhos que tornam a democracia representativa (que não é perfeita) mais cabível.
  98. O luxo corrompe ricos (pelo cuidado em não perder a riqueza) e pobres (pelo desejo de obter a riqueza).
  99. É natural que o governo democrático não permaneça muito tempo na mesma condição.
  100. A democracia é um modelo perfeito e justamente por isso que ela não pode ser perfeitamente administrada por seres imperfeitos como seres humanos.
  101. Numa aristocracia, existem duas vontades gerais: a do povo e a dos governantes.
  102. Aristocracias podem existir em três sabores: natural, eletiva e hereditária.
  103. O melhor homem não necessariamente é o mais rico, já que riqueza não compra virtude.
  104. Na política, é preciso fazer as coisas moverem dando a impressão de estarem imóveis.
  105. O interesse do monarca é que seu povo dependa dele, então é preciso mantê-lo sempre com certo grau de debilidade.
  106. A obra de Maquiavel deveria ser lida por leigos pra que eles saibam como os governantes operam, a fim de se defender.
  107. Quem se esforça para chegar ao poder por meios duvidosos atesta que não pode chegar lá por meios legítimos.
  108. É mais fácil conquistar um território do que administrá-lo.
  109. O exemplo dos pais pode ser abandonado pelo filho dependendo do caminho que ele quiser seguir.
  110. Os melhores reis não receberam educação pra serem reis.
  111. Se o governo é ruim e nada pode ser feito, o melhor que se pode fazer é sofrer até o fim do mandato.
  112. As três formas de governo não funcionam sempre em todos os territórios: a monarquia nunca vai funcionar em determinados países, tal como existem alguns que rejeitam a democracia de caso pensado.
  113. É preciso que um país fique com a forma de governo que melhor lhe convém.
  114. O supérfluo de cada um produz o necessário de todos.
  115. É preciso que o trabalhador tire lucro de seu trabalho, ou o país será pobre.
  116. Quando o governo começa a falhar, uma revolução pode colocá-lo de volta nos eixos.
  117. O excedente de produção de uma tarefa difícil é menor.
  118. A alimentação sem carne é superior, se você variar os alimentos que consome.
  119. É possível viver bem comendo pouco.
  120. Os alimentos dos locais quentes são mais gostosos.
  121. Não dá pra saber qual tipo de governo é o melhor, mas é possível saber quando um povo está sendo bem ou mal governado.
  122. Não é possível saber qual tipo de governo é o melhor porque o conceito que cada um tem de “bom governo” varia.
  123. O poder tende a corromper.
  124. Por causa desse fenômeno, não existe governo humano que dure pra sempre.
  125. Essa “morte natural” do governo pode ocorrer por dois caminhos: quando o governo é restrito (isto é, quando uma democracia se torna uma aristocracia ou uma aristocracia se torna uma monarquia) ou quando o governo se dissolve.
  126. Ele pode se dissolver de duas formas: quando o governo passa a tomar decisões fora da lei ou sem consultar o povo ou quando cada membro do governo usurpa poder para si.
  127. Em situações como essa, o povo é forçado a obedecer, mas não é obrigado, porque ninguém pode tirar do povo o direito de revolta.
  128. Se o governo se dissolve, entramos em anarquia.
  129. “Tirano” é governador ilegítimo.
  130. O comportamento típico do déspota (tirano que governa uma democracia) é agir como se estivesse acima da lei.
  131. Pra fazer algo bem é preciso não tentar o impossível.
  132. Cada corpo político tem as causas de sua própria destruição.
  133. Para fazer algo estável, é preciso abdicar da pretensão de fazê-lo durar pra sempre.
  134. O corpo humano é obra da natureza, mas o corpo político é obra dos humanos.

  135. É possível fazer o governo durar mais e mais tempo, mas ele eventualmente cairá, o que não quer dizer que devamos descuidar dele.

  136. O poder legislativo é o coração do governo, enquanto que o poder executivo é seu cérebro.

  137. Só não acredita em liberdade quem se fez escravo.

  138. Não se deve considerar o futuro antes de considerar o presente.

  139. Liberdade e sossego nem sempre andam juntos.

  140. Se as pessoas se ocupam demais em negócios privados, é porque o governo não é capaz de lhes prover o bastante.

  141. Abundância de serviços públicos trabalha contra a iniciativa privada.

  142. Se o governo é ruim, não dá gosto votar.

  143. Boas leis levam a melhores leis.

  144. Más leis levam à piores leis.

  145. Quando as pessoas não se importam mais com política ou com governo, a política morreu.

  146. Se o povo puder falar por si mesmo, não há necessidade de eleger representantes pra criar leis (no caso, o povo seria o congresso, anulando a necessidade de deputados e senadores).

  147. Só é lei se o povo seguir: não adianta fazer uma lei que todo o mundo vai quebrar.

  148. Se submeter a um governo injusto é covardia.

  149. Não exija dos outros o que você não pode fazer.

  150. Nenhum ato particular deve constituir lei.

  151. O governo democrático é o mais fácil de instaurar se não houver nenhum já em vigor no local.

  152. Seria interessante se qualquer membro do executivo pudesse ser tirado de lá pela vontade do povo.

  153. Impedir manifestações populares é uma tentativa de calar a vontade geral.

  154. Atacar assembleias populares periódicas é se declarar contra o povo.

  155. Agir contra a vontade geral é dizer que o mal público pode ser compensado por uma conquista particular.

  156. É possível mascarar interesses privados sob uma máscara de luta pelo bem público.

  157. O governo prefere que o direito de opinar, discutir e debater questões políticas seja dele somente, tanto que o debate popular tem zero efeito no governo.

  158. A liberdade é inalienável ao ser humano.

  159. Se há dúvida sobre o que a vontade geral deseja, uma votação deve ser o bastante.

  160. Um governo ruim pode durar vinte anos, na medida em que subverte as regras do governo sem encontrar oposição.

  161. A ostentação da riqueza pode se tornar causa de pobreza.

  162. Antigamente, o voto secreto visava permitir que a pessoa votasse numa opção injusta sem sofrer vexame público.

  163. Quando um governo se torna corrupto, só pode subsistir de duas formas: ou se remove a corrupção (purificação) ou se promulga leis corruptas (decadência total).

  164. Excesso de crimes revela leis inúteis.

  165. Os grilhões de Roma não vinham de Roma, mas de seu exército.

  166. Os primeiros governos eram teocráticos.

  167. Isso porque, no governo de natureza, parecia inconcebível que um ser humano se tornasse senhor sobre outros humanos; só um ser sobre-humano deveria governar o ser humano.

  168. Embora haja deuses parecidos entre diferentes povos, não são o mesmo deus se manifestando a diferentes povos.

  169. A razão de os cristãos serem perseguidos é que Jesus separou religião e governo.

  170. Mas, com o passar do tempo, o cristianismo se corrompeu.

  171. Na Europa, depois do cristianismo, religião e política são coisas diferentes.

  172. A fusão entre igreja e governo cria uma situação na qual, efetivamente, é a igreja que governa, porque é pior ir pro Inferno do que pra cadeia.

  173. A religião é perigosa ao governo: amor ao próximo, humildade, desapego aos bens materiais, relutância em matar, castidade, o governo tem interesse no oposto de todas essas coisas.

  174. Os preceitos de Jesus, por exemplo, trabalham contra a economia, o crescimento populacional e o exército.

  175. Ao fundir religião e governo, o fiel passa a ver outras nações, que têm leis diferentes, como inimigas de Deus.

  176. O cristianismo não é a religião pregada por Jesus.

  177. Sendo um modelo perfeito, a sociedade de cristãos verdadeiros não duraria muito tempo, porque as nações vizinhas se aproveitariam de sua debilidade militar (o cristão não pode matar).

  178. “República” e “cristão” são termos que se excluem mutuamente: não é possível imaginar que um governo pautado sobre os ensinamentos de Jesus possa subsistir, principalmente em situação de guerra.

  179. Formar um exército a fim de matar numa guerra é violar o preceito cristão de interdição ao assassinato.

  180. Não cabe ao governo se preocupar com a alma dos cidadãos.

  181. É preciso que o governo faça leis que estimulem a sociabilidade entre cidadãos.

  182. O governo não pode obrigar ninguém a crer em uma religião, porque fé é algo pessoal.

  183. Se há intolerância religiosa no país, os sacerdotes da religião dominante se tornam governantes, pois, numa situação em que religiões se combatem, os sacerdotes têm crédito redobrado.

  184. O sacerdote que diz que só será salvo quem for da igreja dele está se colocando acima do governante local.

12 de dezembro de 2016

Anotações sobre o “Emílio”, do Rousseau.

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“Emílio” foi escrito por Jean-Jacques Rousseau. Abaixo, algumas anotações feitas sobre esse texto.

  1. O assunto da educação é tão batido que impressiona o fato de ela ainda funcionar mal.
  2. Não basta se opor ao que já existe se você não sugere o que poderia substitui-lo.
  3. Quando um livro é escrito para o público em geral, ele precisa ter fator formativo; de nada adianta escrever um livro com informação que ninguém usará.
  4. Se você não pode formar adultos, volte-se às crianças.
  5. O professor deve conhecer seus alunos, ao menos satisfatoriamente.
  6. O livro é seu quando você escreve sobre suas ideias e não sobre as de outros.
  7. Pensar por conta própria não é digno de censura.
  8. Quando um escritor faz uma afirmação, ele está dizendo o que ele pensa, não necessariamente está dizendo algo que é verdade.
  9. Antes de empreender algum projeto, verifique o quão útil ele é, depois verifique o quão fácil ele é de executar.
  10. Utilidade é critério sólido, mas facilidade é critério contingente, variando segundo circunstâncias.
  11. A natureza é perfeita, mas nós não somos.
  12. Se não somos perfeitos, é normal que nossas tentativas de transformar a natureza resultem em monstruosidades.
  13. Características propriamente humanas só aparecem graças ao convívio em sociedade.
  14. A socialização também pode destruir um ser humano por ela formada e, quando o faz, não lhe dá nada melhor em troca de sua humanidade.
  15. A educação caseira tem mais efeito do que a educação escolar.
  16. Você sabe se educou bem o seu filho quando você fica velho: se ele não quiser ajudar você na sua velhice, você está pagando pela educação ruim que deu ao seu filho.
  17. A mãe não deve construir paredes ao redor do seu filho.
  18. Plantas são podadas, homens são educados.
  19. Porque nascemos frágeis, aceitamos a educação dos mais fortes.
  20. Antes estragar o filho do que matá-lo.
  21. Há três fontes de educação: as coisas, a natureza e o convívio com outras pessoas.
  22. As diferentes fontes têm que ser harmônicas.
  23. É fácil ser educado errado, então: não temos controle sobre a natureza e apenas controle parcial sobre as coisas e sobre o convívio.
  24. Educar perfeitamente depende de habilidade e de sorte.
  25. É necessário se orientar para a educação natural, porque ela não depende de nós.
  26. Quando começamos a sentir, temos nossas primeiras noções de prazer e de dor.
  27. As três fontes de conhecimento ensinam coisas diferentes, mas não devem ensinar coisas contraditórias, ou a educação será afetada negativamente por isso.
  28. O homem natural é todo para si, mas o homem civil só tem valor com os outros.
  29. A cidadania é anti-natural: é normal que queiramos viver juntos, mas as regras de cidadania nos levam a assumir comportamentos que não são naturais e não seriam aprendidos de outra forma, como ficar feliz com a morte dos filhos, porque lutaram numa guerra de boa causa.
  30. Tentar exercer um comportamento natural em um meio civil é não ser nem natural e nem civil.
  31. O natural é determinado: fala o que pensa e age como fala.
  32. É possível ser natural em casa e civil no trabalho.
  33. Platão, ao conceber sua sociedade perfeita, precisou conhecer a natureza humana a fim de tirar vantagem nela.
  34. A educação na época de Rousseau formava hipócritas.
  35. A educação que nos leva para longe da natureza é prejudicial.
  36. Existem bons professores, mas os professores, enquanto submetidos ao Estado ou ao chefe, se vêem forçados a perpetuar o modo de pensar estabelecido para não perderem o emprego, ou seja, ensinam o que não acreditam.
  37. A educação no tempo de Rousseau não era para formar um homem de potencialidades, isto é, que poderia crescer e fazer o que quisesse.
  38. Os professores têm que formar pessoas, não empregados.
  39. A boa educação consiste em ensinar o indivíduo a tirar proveito dos bens e suportar bem os males.
  40. Os primeiros professores são os pais.
  41. A criança precisa de uma prioridade pedagógica: o pai e o professor não devem ter igual valor.
  42. Se o mundo muda, é preciso ensinar a lidar com a mudança.
  43. É preciso ensinar a criança a se proteger quando os pais não estiverem lá.
  44. Se você protege a criança, mas não a ensina a usar suas faculdades plenamente para si mesma, está a tratando como uma planta.
  45. Quem tem mais idade não necessariamente viveu muito.
  46. O recém-nascido precisa de movimento: seus músculos não se desenvolverão bem se ele não exercitá-los.
  47. Limitar os movimentos do recém-nascido por meio de amarras ou faixas para mantê-lo sempre na mesma posição é quase perpetuar seu estado de feto.
  48. Impedir o movimento infantil completamente é frustrar o desenvolvimento do pequeno.
  49. Se o recém-nascido não pode se mover, pois enfrenta resistência das condições, ele chora, claro.
  50. Se você não gostaria de usar uma camisa de força, então não vista seu filho em uma.
  51. A mãe que deixa o filho com a babá pra ir se divertir longe de casa é uma péssima mãe.
  52. Uma criança é fraca demais pra se machucar gravemente com os próprios movimentos, então ela não precisa de supervisão total.
  53. Ser mãe é uma escolha que não deve ser feita irresponsavelmente.
  54. Se a mãe não ama o filho, o pai deve priorizar o filho em lugar da esposa.
  55. Se o leite da mãe é inadequado, o bebê deveria mamar de outra pessoa.
  56. Porém, se essa pessoa se recusa a amamentar os próprios filhos, não é adequada para substituir a mãe no aleitamento.
  57. A ama de leite raramente ama o protegido.
  58. O filho bem criado por uma babá terá amor por ela, especialmente se negligenciado pela mãe verdadeira.
  59. Punir o filho por gostar da babá mais do que da mãe aumenta o ódio do filho pela mãe, consequentemente aumentando o amor pela babá.
  60. Filhos criados por pais abusivos não estão nem aí para o fato de terem sido gerados por seus pais.
  61. Como a mãe é o primeiro exemplo do filho, educar bem as mães equivale a educar bem os filhos.
  62. A falência da mãe é também a falência da família.
  63. Não negligencie seu filho só porque todo mundo faz isso.
  64. Apesar de amar os filhos, os pais não devem protegê-los demais.
  65. O filho deve crescer forte, mas ele só pode ser forte experimentando dor e frustração, então ele precisa sentir as consequências dos seus atos.
  66. A criança criada delicadamente, protegida de tudo, enfaixada, morre mais cedo.
  67. Não se deve esconder da criança o fato de que ela pode adoecer, se ferir ou morrer.
  68. Devemos criar nossos filhos pensando em que tipo de adulto eles poderão ser.
  69. As crianças geralmente sofrem menos.
  70. Não se deve castigar a criança sem explicar onde ela errou.
  71. Uma criança que não recebe uma boa educação em casa acabará de ser estragada na escola.
  72. A pessoa pode receber educação profissional e acadêmica, mas, sem formação humana, ela será viciosa e contribuirá para a falência da sociedade.
  73. Não largue seu filho, mantenha-o sob sua tutela (a tutela dos pais), até que ele seja independente dos pais.
  74. Os deveres do pai e os da mãe devem ser acertados de mútuo acordo, para evitar que o filho use as contradições a seu favor.
  75. O melhor professor é um pai sábio.
  76. A mãe que não alimenta o filho, achará desnecessário que o pai o eduque.
  77. O pai não deve se ocupar demais com o trabalho, para não descuidar da educação do filho.
  78. Os filhos que despendem tempo demais longe dos pais ficam sem apego.
  79. A base da família é a casa.
  80. O pai tem tríplice responsabilidade: formar um ser humano, formar um cidadão, formar um ser civil, na mesma pessoa.
  81. Quem não puder arcar com as responsabilidades de ser pai, não tem o direito de ser pai.
  82. Um bom governante não se vende.
  83. Há deveres tão nobres que é indigno desempenhá-los por dinheiro.
  84. Se seu filho prefere a sua educação mais do que a educação do professor, você está indo bem.
  85. Se não puder ser pai, seja pelo menos amigo.
  86. Se um homem não cria filhos, mesmo que os tenha adotado, falhou em ser homem plenamente.
  87. Como dar a meu filho a educação que eu não tive?
  88. Se você quiser um amigo, eduque seu filho para ser seu amigo.
  89. Sugerir que façamos algo impossível não é contribuir.
  90. Se a educação do primeiro filho foi ruim, o pai pode se sentir desencorajado de arrumar um segundo filho.
  91. O bom professor deve fazer com que o aluno encontre a resposta sozinho, conduzindo-o, como Sócrates fazia.
  92. Você só conhece o aluno depois que o adota como aluno, não antes.
  93. Partir de um ponto central para só então ir a um dos extremos.
  94. Se o solo é pobre, o agricultor trabalha mais e valoriza mais o trabalho; se o solo é fértil, o agricultor pode trabalhar menos e valoriza mais o tempo livre.
  95. O pobre se vira com a educação que a vida lhe dá, enquanto que o rico frequentemente aprende o que não quer aprender.
  96. O pobre amadurece sozinho, mas, estranhamente, os filhos ricos não conseguem fazer isso.
  97. Honrar pai e mãe não é o mesmo que obedecer pai e mãe, como quer Hobbes.
  98. Não assuma a responsabilidade que não pode cumprir, ou será culpado por não desempenhar bem a função.
  99. O corpo precisa de vigor para obedecer à alma.
  100. Exagerar no prazer e exagerar na abstenção de prazer, ambos estragam o corpo.
  101. O corpo bem disciplinado obedece ao cérebro.
  102. Devemos nos afastar do medo da morte.
  103. Algumas doenças têm que ser toleradas.
  104. Alguns tratamentos matam mais que certas doenças.
  105. Os animais, na natureza, parecem adoecer menos.
  106. O melhor estilo de vida disponível é o estilo de vida dos povos que vivem mais tempo.
  107. Atividade física está relacionada à longevidade: os povos mais que vivem mais tempo são os que mais trabalham manualmente e mais toleram a fadiga.
  108. Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo.
  109. Longevidade parece estar relacionada ao baixo consumo de carne.
  110. O leite materno amadurece com o filho.
  111. Enquanto as coisas seguem sua ordem natural, é fácil fazer o bem.
  112. Uma mãe de leite ruim é um perigo.
  113. A criança que passa de mãe para babá e de babá para babá recebe diferentes instruções, sem se aprofundar em nenhuma.
  114. A criança deve reconhecer autoridade, a autoridade paterna, mas é preciso que a autoridade não se torne autoritarismo.
  115. Se pai e mãe derem instruções diferentes, a criança tomará vantagem disso.
  116. Mudanças súbitas prejudicam a saúde.
  117. Não conserte o que não está quebrado.
  118. Não coma fritura se você amamenta.
  119. Muita gente junta permite fácil propagação de doenças.
  120. A zona rural é mais saudável do que a zona urbana.
  121. Os primeiros banhos da criança devem ser com água morna.
  122. O berço do recém-nascido tem que ser grande, as fraldas não devem ser apertadas.
  123. Quando a criança começar a engatinhar, deixe-a no chão, para que engatinhe livremente ao longo do térreo.
  124. Proteger demais uma criança usando faixas para coibir o recém-nascido é frequentemente tido por uma medida de segurança, mas não é o que acontece: as mães faziam isso porque podiam pendurar os filhos em cabides ou colocá-los no canto dos berços e então sair para fazer outra coisa, ou seja, não era uma medida de segurança, mas preguiça da mãe.
  125. Nascemos sem saber de nada, mas nascemos com capacidade de aprender.
  126. Se nascessem adultos, ainda teriam que aprender a andar e falar.
  127. Não sabemos até onde nós podemos ir.
  128. As primeiras sensações são o prazer e a dor.
  129. Um pássaro que foge da gaiola não consegue voar, porque nunca voou.
  130. É ruim comer por hábito, sem estar com fome
  131. O medo se instaura quando ocorre uma situação desagradável de grande intensidade.
  132. O fato de o bebê tentar pegar objetos que estão fora do alcance da mão, como se não percebesse sua real distância, mostra que é o nosso movimento que nos dá a ideia de extensão.
  133. Chorar é normal, é a forma que a criança tem de dizer que precisa de algo.
  134. Os bebês têm uma linguagem própria.
  135. Quem convive com bebês sabe o que cada choro ou balbucio significa.
  136. Para se comunicar, o bebê também usa gestos e expressões faciais, para suprir a falta de palavras.
  137. Nunca se deve irritar uma criança de propósito.
  138. Não contrarie a criança sem razão, para que ela não aprenda a fazer isso com os outros e com você.
  139. Os primeiros choros são pedidos, mas, se a criança é atendida sempre prioritariamente, entende que seus pais cedem ao choro e tranforma seu choro em um meio de ordenar os pais.
  140. Alguns bebês frustrados gritam às coisas, como se as coisas as entendessem e devessem satisfação.
  141. Quando o filho quiser alguma coisa, não leve a coisa a ele, mas o contrário: leve-o à coisa, para que ele não pense que é possível conseguir o que quer ficando parado.
  142. A maldade vem da fraqueza.
  143. A criança não destrói por maldade, mas por diversão.
  144. Atender aos desejos fúteis da criança o tempo todo a torna mimada e egocêntrica.
  145. Não dê à criança um direito do qual ela possa abusar.
  146. A educação deve ser ministrada de uma forma que a criança precise do mínimo possível de ajuda e seja capaz de fazer as coisas sozinhas: não faça por ela, ensine-a a fazer.
  147. Assim, ela aprenderá a querer apenas o que puder ter com seu esforço.
  148. Se a criança está chorando por birra, a fim de conseguir algo que você não pode dar, deixe que chore até se cansar.
  149. Se a criança chora sem estar doente, sem estar com fome, sem estar com sede, sem estar com sono, sem estar apertada (ou já suja), sem estar triste, sem estar com medo, sem estar com raiva, sem estar ferida, então ela não tem razão pra chorar.
  150. A criança só deve deixar de mamar quando os dentes começarem a crescer.
  151. Se os dentes estão nascendo, a criança quererá mastigar.
  152. Os brinquedos devem ser baratos (bola amadora, carrinhos, lápis de cor) ou mesmo gratuitos (galhos de árvore, cocos secos), mas jamais caros.
  153. Com o aparecimento dos dentes, chega a hora de introduzir a criança aos alimentos sólidos.
  154. Fale com a criança no idioma que ela usará, não em balbucios.
  155. As primeiras palavras que a criança deve aprender são as que se referem aos objetos sensíveis com que ela convive.
  156. A criança tem uma linguagem muito poética, ela faz comparações e alusões que os adultos não pensariam em fazer.
  157. A menos que esteja lendo, não há necessidade de corrigir a pronúncia infantil.
  158. A criança não deve pronunciar rapidamente e não deve também ser estimulada a falar antes da idade certa.
  159. Se a criança convive só com o pai, ele acabará entendendo o que cada balbucio quer dizer, mas, convivendo com outros, a criança precisa se esforçar para pronunciar de maneira inteligível, porque os outros não estão acostumados à linguagem que ela usa em casa com o pai.
  160. Quando você fala e não é entendido, você provavelmente está falando errado.
  161. Não se deve envergonhar a criança por pronunciar errado, porque isso pode torná-la tímida quando precisar falar em público.
  162. Às vezes a criança fala uma coisa querendo dizer outra, porque não entende o verdadeiro significado de determinado termo.
  163. A criança que aprende a falar chora menos, porque terá outros meios de comunicar o que sente.
  164. Se a criança se machuca quando está sozinha, pode ser que não chore.
  165. A criança aprende a temer o que os pais temem.
  166. Se a criança está sozinha num amplo terraço, onde só há brinquedos, não vai morrer.
  167. Dê a criança ensinamentos que ela possa usar.
  168. Não precisa ensinar a criança a andar, ela vai fazer isso sozinha.
  169. A criança precisa do espaço para brincar, esse espaço deveria ser amplo.
  170. Melhor uma criança machucada e feliz do que uma triste criança limpa.
  171. A criança que brinca e desenvolve suas forças físicas pelo jogo se queixa menos, pois seu corpo é mais capaz.
  172. A educação deveria servir ao presente mais do que ao futuro.
  173. A educação errada e os cuidados errados levam pais bem intencionados a matar seus filhos, pensando que lhes fazem bem.
  174. Existem coisas que a criança aprende que atrapalham ela na vida adulta.
  175. Algumas crianças fazem besteira porque os pais mandaram.
  176. Não se deve fazer alguém infeliz a fim de que ele seja feliz no futuro; a pessoa deve ser feliz desde agora.
  177. Não se deve estragar a criança, mas não se deve torná-la infeliz.
  178. Para Rousseau, tudo está misturado nesta vida, de forma que não é possível experimentar felicidade sem também experimentar algum sofrimento.
  179. A pessoa mais feliz é, simplesmente, a que sofre menos.
  180. A miséria, então, é desejar o que não se pode obter, porque o desejo já é um sofrimento.
  181. Um ser absolutamente feliz seria aquele que pode conseguir tudo aquilo que quer.
  182. A miséria, então, vem do fato de que desejamos além da nossa capacidade de satisfazer nossos desejos.
  183. Superar a miséria é desejar somente aquilo que está ao meu alcance.
  184. Se a força ultrapassa nossa necessidade, somos fortes.
  185. Pondo as coisas dessa forma, é forte quem se contenta com o que se é, o que se tem e o que está ao alcance.
  186. Quem se conforma não se queixa.
  187. Todos os animais têm apenas o que lhe basta para sobreviver.
  188. Se você desejasse somente estar vivo, seria automaticamente feliz durante toda a sua vida.
  189. Males físicos podem passar… ou te matar.
  190. A medicina salva muitas vidas, mas o engano médico também tira muitas vidas.
  191. É preciso saber sofrer.
  192. É cruel que um velho morra sem ter vivido.
  193. O presidente não é tão poderoso se ele precisa das mãos de outras pessoas para efetivar sua vontade.
  194. Mais vale liberdade do que autoridade.
  195. Deve-se ensinar a criança a desejar somente o que puder ter.
  196. “Fantasia” é qualquer desejo que não podemos satisfazer sozinhos e que não dizem respeito à necessidades reais (eu não vou morrer se não satisfazer uma fantasia).
  197. Dar à criança mais necessidades é viciá-la.
  198. A criança deve pedir, mas não mandar.
  199. Se o pai manda a criança fazer alguma coisa que não lha ensina nada, está educando errado.
  200. A vontade de pular, correr e gritar que as crianças têm é natural e, quando satisfeita, exercita e fortalece o corpo.
  201. Se a criança chora para conseguir algo (depois que aprende a falar), não conceda esse algo, a menos que seja necessário à sua sobrevivência.
  202. Nem mau, nem fraco, o pai deve ser justo.
  203. O uso das “palavras mágicas” por favor, obrigado, desculpe-me, não deve ser pervertido.
  204. Melhor ser mau educado do que arrogante.
  205. A nossa fraqueza é que nos torna capazes de empatia.
  206. Se você diz que não dará o doce a uma criança acostumada a ter tudo o que quer, ela não chora porque está sem o doce, mas porque foi contrariada, o que é sinal de que a criança já é orgulhosa.
  207. Se a criança é acostumada a ter tudo o que quer, verá todos como escravos.
  208. A criança mimada é infeliz no instante em que percebe que não pode obter tudo o que quer.
  209. A criança mimada, tendo muitos desejos, é frustrada com frequência.
  210. A criança mimada será massacrada na vida adulta.
  211. Só se deve dar a criança o que ela pede quando é algo de que ela precisa.
  212. Prazer também é necessário, então a criança precisa brincar pra se desenvolver bem.
  213. Castigar uma criança que insiste em fazer algo que os pais consideram errado é incentivá-la a fazer escondido.
  214. Os pais só deveriam fazer proibições de coisas que a criança pode sentir que são erradas (colocar o dedo na tomada, pular refeições, beber água sanitária, ficar sem dormir…).
  215. Leis prejudicam o sábio.
  216. A criança não deve sequer sonhar que o pai está sendo autoritário.
  217. Se você diz “não” a uma criança, é ponto final.
  218. Manter o “não” ensina resignação.
  219. Não se deve ensinar a não ter vícios permitindo que a criança experimente o vício.
  220. Não force uma criança a pedir desculpas ou ela aprenderá a pedir desculpas por qualquer coisa, sem estar arrependida (ou seja, ela fará de novo).
  221. A criança aprenderá que alguns de seus comportamentos são errados quando crescer, de qualquer maneira.
  222. A maldade depende da intenção.
  223. Se a criança quebra um vaso sem querer, a culpa é do pai que deixou o vaso ali.
  224. A criança deveria fazer a decoração de seu quarto.
  225. Se alguma coisa quebra enquanto a criança brinca, não reclame disso, ou ela pode acabar concluindo que é possível te atingir quebrando objetos.
  226. O educador não precisa ensinar a verdade, mas precisa afastar do engano.
  227. Não tente ensinar o que o aluno não pode entender.
  228. Se a correção se faz necessária, não a dê agora, se não for fazer mal à criança que ela persista no engano por mais um tempo.
  229. É preciso conhecer o aluno antes de educá-lo.
  230. Esse tempo de conhecer a criança é a primeira infância.
  231. O médico apressado mata mais facilmente o paciente.
  232. A educação é uma coisa de professor e aluno, então não interfira.
  233. Não é possível educar sem ter sido educado.
  234. Deve haver intimidade entre professor e aluno, para que o aluno goste do professor.
  235. Algumas pessoas pobres não precisam de dinheiro, mas de consolo.
  236. Ame e será amado.
  237. Se você ensina várias coisas a uma criança, é claro que ela aprenderá pelo menos uma coisa de forma errada, isso normal.
  238. Se a criança tem raiva, ela atacará aquilo que não pode se defender: as coisas.
  239. Deixe que a criança se vingue nas coisas, desde que sejam as coisas dela.
  240. Para ensinar a ideia de propriedade, é preciso que a criança tenha propriedade.
  241. Se a criança quer bater em alguém agora, quererá matar quando for adulta.
  242. Um bom meio de discutir propriedade é incentivando a criança à jardinagem.
  243. As crianças facilmente esquecem o que ouvem, mas raramente esquecem o que fazem ou vêem, então ensine com o exemplo.
  244. Se a criança quebrar algum objeto útil à casa, não o substitua imediatamente: deixe que a criança sinta a falta do objeto quebrado.
  245. Castigo é uma boa ideia, mas não deve ser administrado sem dizer a razão dele.
  246. Uma promessa que não vale mais a pena cumprir será quebrada.
  247. Se a criança faz algo errado, a punição padrão seria sempre fazê-la sentir as consequências de seus atos.
  248. Existem dois tipos de mentira: de fato (mentir sobre o que aconteceu) e de direito (mentir sobre o que acontecerá, como fazer uma promessa que não vai cumprir).
  249. As crianças não mentem por natureza, mas o fazem porque têm que obedecer e a obediência é penosa.
  250. Uma pessoa pode lembrar que fez uma promessa, mas nem sempre entende a importância de cumpri-la.
  251. É mais fácil ensinar uma criança a não mentir se você não ensiná-la a dizer a verdade.
  252. A criança tem mais interesse em cumprir promessas se ela vê os benefícios disso desde já.
  253. Se você sabe que a criança fez algo errado, não pergunte “foi você quem fez isso?”, para não incentivá-la a mentir.
  254. Se você cobra o cumprimento de uma promessa com frequência, você irrita o outro.
  255. Não force a criança a ser religiosa ou ela terá ódio de religião.
  256. Em vez de forçar a criança a participar dos rituais, faça os rituais de forma que ela possa vê-los, para que ela fique curiosa e queira participar.
  257. A caridade é fazer ao próximo o que eu gostaria que fosse feito a mim (Mateus 7:12).
  258. Se a criança não entende o valor do dinheiro, fazê-la praticar caridade dando esmolas de dinheiro não ensina nada.
  259. Devolver à criança aquilo que ela doou não ensina caridade: isso a estimula a dar apenas aquilo que ela sabe que receberá de volta.
  260. A lição mais importante que se pode ensinar a uma criança é a de não fazer mal a ninguém.
  261. É mais fácil ser bom sozinho e mais fácil ser mau em companhia.
  262. Não se deve ter altas esperanças sobre o desenvolvimento da pessoa.
  263. Não se apresse a educar uma criança, pois ela irá aprender errado se o conhecimento que se quer ministrar exceder suas capacidades.
  264. Brincar, para a criança, não é perda de tempo e ela exercita o corpo assim.
  265. Muitas vezes a criança fala o que não entende.
  266. A criança aprende sensorialmente.
  267. As crianças raciocinam sobre o que é sensível e presente.
  268. As crianças não prestam atenção no que não diz respeito ao presente.
  269. A criança precisa aprender o que precisa usar.
  270. As palavras serão vazias se não se reportarem às coisas reais.
  271. A geografia escolar raramente fala de lugares que a criança pode visitar e de sua relação com o lugar onde ela vive de forma que a geografia escolar não serve ao aluno que quer pegar um trem pra cidade vizinha.
  272. A história deve ser ensinada junto com as razões por trás de cada fato histórico.
  273. Antes de ensinar uma palavra, mostre ao aluno o objeto a que a palavra se refere.
  274. Se elas aprendem palavras com dificuldade e você diz que isso é ciência, elas têm a impressão de que ciência é aprender palavras difíceis.
  275. A criança não deve memorizar nada à força.
  276. Entender uma fábula, especialmente em estilo poético, requer uma bagagem cultural.
  277. A fábula clássica usa elementos com os quais a criança não convive.
  278. Se a criança dá crédito às fábulas, dará crédito à qualquer coisa.
  279. O sarcasmo confunde as crianças.
  280. O adulador vive às custas de quem o escuta.
  281. A moral da história, se não for revelada, não é captada.
  282. Se exposta aos exemplos ruins que as fábulas podem dar (pois muitos personagens se dão bem com astúcia), as crianças ficarão mais viciosas com elas, em vez de virtuosas.
  283. A fábula ensina sua moral pondo o ouvinte no lugar do prejudicado, mas a criança se porá no lugar de quem prejudica (a fábula do corvo e da raposa, por exemplo, deveria ensinar a não se deixar adular, mas a criança acaba aprendendo que pode tirar vantagem dos outros usando a adulação).
  284. A criança só deve aprender a ler quando sentir que isso lhe seria útil.
  285. Se a criança é forçada a aprender matemática e acha isso chato, ela não quererá progredir: se ela progredir, as questões seguintes serão mais difíceis.
  286. Se a criança não ver utilidade no que aprende, não irá aprender de boa vontade e seu rendimento será pior.
  287. Aprender não é tanto uma questão de método como uma questão de desejo.
  288. Caligrafia é desnecessária: com o tanto que entendam o que eu escrevo, não importa se escrevo bonito.
  289. Se não houver pressa em aprender, pode ser até que se aprenda mais rápido (se houver interesse).
  290. A pressa de aprender, o tédio e a sensação de que se está aprendendo algo que não será útil podem afastar alguém de um conhecimento para sempre.
  291. Se o aluno não está aprendendo nada com o professor, seja por falta de método ou desinteresse, ele aprenderá de outra pessoa ou sozinho.
  292. Proibir a criança de brincar a leva à fraqueza.
  293. Se a criança é sempre controlada pelos pais, não desenvolverá seu próprio juízo, então ela tem que aprender a ter autonomia.
  294. O espírito não necessariamente se opõe ao corpo.
  295. Se a pessoa só faz o que lhe mandam, fará a mesma coisa a vida toda.
  296. A pessoa que nunca teve alguém para lhe dar ordens, por outro lado, raciocina o tempo todo, porque só pode contar consigo própria.
  297. A pessoa que só faz o que lhe mandam também torna-se preguiçosa e lenta.
  298. A criança deve bastar a si mesma na medida do possível.
  299. Dizer à criança “agora você vai aprender”, como se houvesse um instante para aprender, já lhe dá tédio.
  300. Não é que a criança não preste atenção, é só que ela presta atenção em um monte de coisas ao mesmo tempo.
  301. Os melhores sábios foram moleques na infância.
  302. Se o professor tem que fechar acordos com a criança, ele não tem autoridade.
  303. É mais fácil a criança conhecer o professor do que o contrário.
  304. A criança pode fazer o que quiser, mas o professor deve ser capaz de fazer com que a criança queira somente aquilo que ele quer, para que a criança pensa que é livre.
  305. Uma das primeiras preocupações da criança é descobrir o ponto fraco de seus superiores.
  306. Se a criança tem o hábito de procurar defeitos nos outros para se defender deles, crescerá astuta e insubordinada.
  307. A criança caprichosa o é por má educação.
  308. Às vezes a criança é irritante somente porque se diverte com nossa raiva, de forma que ela para se ver que você não está se importando.
  309. Quando a mãe é fraca e diz que o filho deve ser obedecido, os próprios professores que são pagos pela mãe acabam tendo que se subordinar também.
  310. A criança obtém seus primeiros conhecimentos comparando o mundo com ela própria, visando maximização do prazer e minimização da dor.
  311. É preciso fortalecer o corpo porque ele é nossa ferramenta de interação com o mundo, o qual está à serviço da razão, o que deveria ser o bastante para tornar a educação física uma disciplina obrigatória.
  312. Um corpo bem cuidado resiste melhor às injúrias e às doenças.
  313. Não ensine a seu filho o que ele pode aprender sozinho.
  314. O cuidado com o corpo é negligenciado pela educação institucional.
  315. As roupas devem permitir o livre movimento, não devem ser apertadas.
  316. Os defeitos mentais e físicos da criança muitas vezes vêm de uma mesma causa: a pressa dos pais em fazer a criança se comportar como adulta.
  317. A criança escolhe bens de consumo por sua aparência atraente, o que é natural; a criança é atraída pelo que é bonito.
  318. Se a criança passa a escolher um brinquedo porque é caro, isso já não é natural, mas aprendido.
  319. Se você pune a criança fazendo-a usar roupas mais modestas ou a recompensa com roupas bonitas, ela tende a julgar os outros pelas roupas que usam.
  320. Quanto mais jovem é a criança, de menos roupas precisa.
  321. Beber quando tem sede, comer quando tem fome, dormir quando tem sono…
  322. Dormir à noite é melhor: a temperatura e a luminosidade favorecem o sono.
  323. Quando o sol se por, se deve se preparar pra dormir.
  324. Quando o sono vier, se deve ir pra cama imediatamente.
  325. Não se deve levantar da cama antes do nascer do sol.
  326. A regra número um de qualquer sistema social: se deve quebrar as outras regras sempre que for necessário e sempre que for possível se safar disso.
  327. Se você tem uma rotina cansativa, vai dormir mais facilmente independente da cama.
  328. Se a criança não quiser dormir na hora certa, faça que ela tenha desgosto de estar acordada.
  329. Se a criança está brincando, não sentirá a dor de se machucar (na maioria das vezes).
  330. Muitas virtudes que se mantém depois de adulto são aprendidas na infância por hábito.
  331. Pra que ensinar equitação… se natação é mais barato e muito mais útil?
  332. Só é possível ser temerário na frente de outra pessoa.
  333. Não faça seu filho fazer uma coisa que é tão perigosa que nem você faria.
  334. Não se deve empregar meios para fazer uma coisa cujo efeito não é conhecido.
  335. Não se deve fazer um esforço que não vale a pena.
  336. A criança pode se beneficiar de aprender a se orientar no escuro.
  337. O cego pode guiar na escuridão alguém que vê perfeitamente quando há luz.
  338. Se orientar pelo tato e pela audição, sem a visão, requer tempo e prática.
  339. Algumas coisas se percebe melhor de olhos fechados.
  340. Tememos o escuro porque nosso melhor sentido está inútil.
  341. Não tememos aquilo com que aprendemos a conviver diariamente.
  342. O medo do escuro é melhor enfrentado em grupo.
  343. Jogos no escuro são uma boa ideia.
  344. Uma criança que tem boas memórias de jogos no escuro, especialmente em grupo, apreciará a noite quando adulto.
  345. Assustar a criança no escuro a fim de “curá-la” de seu medo tem efeito contrário.
  346. Se algo te surpreende no escuro e você não sabe o que é, desça o cacete.
  347. Se não conhecemos bem um objeto olhando pra ele, senti-lo com as mãos frequentemente sana muitas dúvidas.
  348. Se apoiar demais na visão prejudica o desenvolvimento dos outros sentidos.
  349. Nada de errado em andar descalço em casa, se ela estiver limpa.
  350. Se o prêmio não for grande, o competidor não se esforçará tanto.
  351. Melhor passear no campo que na cidade.
  352. Sucessivas vitórias em um esporte mantém o interesse do esportista.
  353. O esporte também ensina, embora não de maneira teórica, coisas como lógica, medição e probabilidade.
  354. A prática artística também serve para refinar os sentidos, a coordenação motora e a atenção.
  355. O dom artístico é desenvolvido sem professor.
  356. Só é possível saber o verdadeiro uso de um órgão tendo-o empregado.
  357. As crianças são capazes de desenvolver seu corpo a ponto de se tornarem tão capazes quanto adultos.
  358. O som depende de movimento, pois é o movimento que agita o ar.
  359. É possível saber se um raio caiu longe ou perto verificando a latência entre a luz e o som.
  360. Sinal distintivo de quem sabe música é a capacidade de compor música.
  361. Não se deve complicar uma arte sem necessidade, ainda mais quando não compensa.
  362. Arte deve ser aprendida com prazer.
  363. Quando mais cedo se começa a beber, mais cedo se acostuma ao álcool.
  364. Alimentos de adulto não necessariamente convém às crianças.
  365. Não se deve contrair hábitos difíceis de quebrar.
  366. A criança é facilmente comandada pela boca.
  367. A melhor dieta é a vegetariana.
  368. Se você deriva leite de uma vaca e ovos de uma galinha, é ingratidão comer esses animais depois.
  369. A carne em seu estado puro causa nojo, ela tem que ser preparada antes.
  370. Uma alimentação regrada demais leva a criança a desejar mais comida.
  371. A criança que come por compulsão, porém, pode ser distraída de seu desejo de comer (que não é fome) por jogos e brincadeiras.
  372. Essa distração não pode ser o estudo, se a criança não gosta de estudar.
  373. Encare a história não como uma descrição do passado, mas como um livro de fábulas no qual se deve procurar a moral da história.
  374. O prazer causado por um cheiro depende das ideias associadas a ele também.
  375. Associar cheiros bons a sensações ruins faz o olfato perder crédito.
  376. As crianças têm pouca concentração, de forma que um longo questionário as faz perder o foco e responder mal.
  377. O mesmo ocorre com longas perguntas.
  378. Fraqueza é a diferença entre desejo e força, se resulta positiva.
  379. Se deve estudar aquilo que melhora nossa condição.
  380. Entre os dez e os doze anos a criança terá, se educada corretamente, excesso de capacidades físicas e mentais para satisfazer os poucos desejos que tem, de forma que esse excesso pode ser empregado em tarefas mais complexas.
  381. Devemos ensinar à criança o que é útil a ela.
  382. Melhor não aprender do que aprender errado.
  383. Se deve ensinar primeiro o que é necessário, depois o que é útil (mas não necessário) e depois o que é gostoso (mas nem útil e nem necessário).
  384. No máximo possível, permita que a criança responda sozinha às suas perguntas.
  385. O conhecimento acadêmico deve começar pelo que cerca a criança.
  386. A criança deve ver os objetos de estudo antes de estudá-los.
  387. Não ajude a criança a estudar nem explique os objetos de estudo a menos que ela faça perguntas que te levem a essas explicações.
  388. Se deve mostrar os objetos, não representações deles, a menos que isso seja extremamente necessário.
  389. Se a criança dispor do método correto, perceberá seus próprios erros e se corrigirá.
  390. Não ensine o certo, se limite a evitar o engano.
  391. Em vez de transformar o menino num sábio, o transforme num autodidata.
  392. Se a criança te faz uma pergunta que não tem condições de responder sozinha, responda apenas o bastante para que a dúvida seja satisfeita.
  393. Se a criança pergunta demais, não responda; pode ser que ela esteja fazendo isso só pra te irritar.
  394. Física para crianças se ensina em casa.
  395. Não ensine por meios difíceis o que se pode aprender de forma fácil.
  396. Não é porque a criança agora está usando o cérebro de forma mais séria que ele vai descuidar do corpo.
  397. Usar uma ferramenta não melhora nossas capacidades naturais, mas fazer uma ferramenta requer domínio da função que ela prestará.
  398. Alguns são filósofos sem perceber.
  399. A felicidade natural é viver sem sofrer.
  400. A criança deve aprender o que é útil a ela agora, não o que só será útil depois.
  401. Se a criança faz perguntas demais, pergunte por que ela quer saber o que está perguntando e, dependendo da resposta, você pode escolher se responderá ou não.
  402. Só descreva alguma coisa se não puder mostrá-la.
  403. Situações práticas, mesmo que fingidas, interessam a criança.
  404. Não compare a criança com outras: se ela for melhor, será orgulhosa e arrogante; se ela for pior, será invejosa e cínica.
  405. A criança só deve ser comparada consigo mesma (seu “antes” com seu “agora”).
  406. A criança não deve ter tantos livros a ponto de não poder terminar de ler todos.
  407. Os livros que a criança tem devem ser sobre assuntos que lha interessem, para que ela leia sem ser obrigada e pegue gosto pela leitura.
  408. Se as coisas forem julgadas segundo sua utilidade, teremos menos preconceitos.
  409. Enquanto procuramos somente o nosso sustento, nos suprimos a nós mesmos em nosso estado natural.
  410. Uma hora de trabalho vale mais que um dia de explicação sobre o trabalho.
  411. Você só vai aprender a andar de bicicleta tentando andar.
  412. O que torna muitas coisas caras é o fato de serem alvo de estima dos ricos.
  413. Se as coisas mais tolas são as mais caras, então ao menos o necessário se pode obter facilmente.
  414. Se a criança se torna consumista, a educação está perdida.
  415. O conhecimento das coisas é útil, mas é mais útil o conhecimento das pessoas.
  416. Faz parte da sabedoria distinguir o que é sábio do que não é.
  417. A criança deve aprender a ter juízo em casa, sem com isso herdar os juízos dos pais.
  418. Rousseau fala que as coisas necessárias valem mais que as supérfluas, mas isso não implica dizer que o necessário deva custar mais caro.
  419. A ciência que todos deveriam conhecer é a agricultura.
  420. Quando ensinar um assunto que você gosta, não suponha que o aluno gosta do assunto tanto quanto você.
  421. Há troca em todas as sociedades, mas a troca justa pressupõe um tipo de medida comum: o dinheiro.
  422. O abuso do dinheiro ocorre quando as leis e o estado são fracos.
  423. A criança deve aprender as leis, mas só as que lhe dizem respeito em seu cotidiano.
  424. Dinheiro não precisa ser metal.
  425. Primeiro ensine o uso (lícito) e depois ensine o abuso (ilícito), um para aproveitar e o outro para evitar.
  426. Um bom meio de fazer alguém refletir é perguntar quantos empregados trabalharam em determinado objeto comprado: quanto será que cada um recebe e quantos morreram na confecção?
  427. Não há problema em uma criança beber vinho sob supervisão dos pais (exceto os de ordem legal).
  428. É triste trabalhar pelo prazer do outro sem tirar disso algum prazer.
  429. Muitos prazeres dos ricos são análogos a certos prazeres de pobres, se julgarmos por sua utilidade.
  430. A criança deve tratar igualmente homens e mulheres.
  431. Se um jantar for fino, requintado, mas as pessoas à mesa são chatas e irritantes, é melhor comer num lugar mais modesto.
  432. Educar bem uma criança requer conhecer seu temperamento.
  433. Conhecer o todo para saber onde vai cada parte é coisa do homem prudente, de bom senso, mas conhecer muito bem só uma parte é coisa do homem sábio.
  434. Não é possível que um só saia do estado de natureza e sobreviva: é necessário levar outros consigo.
  435. Se é pra não morrer, não existe lei humana que me pare.
  436. Devemos continuar sendo homens mesmo quando somos azarados.
  437. Não aprenda somente uma profissão.
  438. A herança que se dá ao filho não deve ser tanta a ponto de permiti-lo viver sem trabalhar; é injusto.
  439. Viver sem trabalhar é como ser ladrão.
  440. É mais difícil ficar sem renda se você é capaz de produzir sozinho o que venderá.
  441. O mais útil ofício: agricultura.
  442. Ser pobre é ruim, ser escravo é ruim, mas ser pobre e escravo é o pior possível, fora morrer.
  443. Não há necessidade de trabalhar mais do que o bastante pra sobreviver.
  444. Se um trabalho é de utilidade pública, é um trabalho legítimo e digno de respeito.
  445. A criança deve aprender os ofícios de sua escolha, mas somente na medida em que o ofício que ela quer exercer seja útil aos outros.
  446. O talento e a determinação produzem efeitos semelhantes.
  447. Há diferença entre gostar de uma tarefa e ser indicado para ela.
  448. Se você tem condições físicas e mentais de fazer um trabalho, a única razão de você não ser um mestre nesse trabalho é por falta de prática, então pratique pra continuar melhorando.
  449. Rousseau não escreve o Emílio para se desculpar de seus erros passados (ter abandonado cinco filhos no orfanato e depois escrito um livro sobre educação de filhos e alunos), mas para que os outros não cometam os mesmos erros que ele.
  450. Existem trabalhos que mulheres não topariam exercer.
  451. Não se deve ter vergonha de exercer um ofício digno.
  452. Dentre os ofícios lícitos, o jovem deve escolher aquele que mais lhe convém.
  453. A criança que tem gosto pela ciência e pela filosofia deveria se voltar a essas áreas, se não encontra nenhum ofício artesanal ou técnico que lhe agrade.
  454. Se a criança aprende um ofício novo, seria interessante que seus outros professores (ou seus pais) aprendessem também esse ofício.
  455. Aprendiz não é aluno: o aluno aprende um ofício tão-somente, enquanto o aprendiz aprende o ofício para exercê-lo.
  456. O salário deve ser dado segundo o produto, não segundo a reputação do operário.
  457. A prova de que a pessoa sabe exercer um ofício é o produto que ela fez.
  458. Trabalhar como camponês, pensar como filósofo.
  459. O segredo da educação é fazer com que o aluno tenha prazer em aprender.
  460. A grandeza da razão é a capacidade de comparar ideias.
  461. É mais fácil errar ao julgar e comparar sensações do que ao descrevê-las.
  462. Se eu descrevo o que eu vejo, não posso errar, mas, se eu digo que o que eu vejo realmente é o que parece ser, posso estar enganado.
  463. Se você não julgar, não errará.
  464. Não ensine a verdade, ensine a encontrar a verdade.
  465. As mudanças na adolescência não são somente exteriores.
  466. As paixões adolescentes e a puberdade, em sua manifestação exterior, são naturais e ordenadas por Deus.
  467. A natureza também tem suas leis, escritas pelo próprio Deus: a sexualidade é natural, então é parte do plano divino que a tenhamos.
  468. Não se deve impedir a sexualidade de crescer.
  469. Somos apegados ao que nos permite ficar a salvo, pois o amor próprio é o primeiro amor.
  470. O que nos torna boas pessoas é termos poucas necessidades e não nos compararmos aos outros.
  471. A vida em sociedade cria novas necessidades e nos expõe à opinião pública.
  472. O primeiro amor é ocasião para ambas as dependências do mal: precisamos de outra pessoa e precisamos ser preferíveis às outras pessoas.
  473. Queremos ser amados e essa é uma necessidade muito forte, o que nos torna tão suscetíveis à opinião que os outros têm de nós.
  474. A puberdade não precisa começar sempre na mesma idade.
  475. Esconder a sexualidade, purificar o lar e a família, fingir que sexo não existe, essas coisas têm efeito contrário: quanto mais se tenta afastar a criança da sexualidade, mais interessada ela fica em exercer sua sexualidade.
  476. Esconder a sexualidade faz com que as perguntas que surgem tenham que ser respondidas pelo próprio adolescente na prática.
  477. Se a criança desenvolver curiosidade e lhe perguntar sobre sexo, responda.
  478. Se a criança pergunta sobre sexo, deve receber uma resposta verdadeira.
  479. Existem coisas que não é possível esconder pra sempre.
  480. Use termos ofensivos se necessário: “pênis”, “vagina”, “ânus”, são palavras sujas, mas não se deve evitar usá-las se for necessário ao entendimento.
  481. Ser inocente é não ter vergonha de nada.
  482. Se o menino te perguntar “de onde vêm os bebês?”, veja lá como vai responder: a resposta pode afetar os hábitos, pensamentos, ansiedades, medos e até higiene das crianças.
  483. Não responder a pergunta ou dizer que a criança saberá quando for mais velha só faz sentido se ela sempre é respondida dessa forma.
  484. Se a criança que sabe ler não tem suas perguntas respondidas, procurará as respostas nos livros (ou, no caso de hoje, na Internet).
  485. O primeiro apego humano não é o amor, mas a amizade.
  486. Nossas fraquezas nos aproximam.
  487. Se uma pessoa com que nos identificamos está triste, temos pena e queremos confortá-la.
  488. Só é possível sentir empatia por quem vemos sofrer.
  489. Só é possível sentir inveja por quem goza de uma situação que nos é vetada.
  490. É mais fácil sentir empatia por alguém que passa uma miséria que nós podemos passar algum dia.
  491. Não sentimos empatia por pessoas que sofrem “pouco” segundo nosso julgamento.
  492. Não é o dinheiro que traz infelicidade, é seu abuso que traz.
  493. Uma vaia no meio dos aplausos basta pra ferir o orgulho.
  494. A criança mimada é humilhada pelo mundo na vida adulta.
  495. Só tem pena dos outros quem sofreu ou sente que sofrerá.
  496. A pessoa alegre pode muito bem ser infeliz.
  497. Não é possível se irritar com a própria condição quando não sabemos como poderia ser melhor.
  498. O excesso de prazer produz o tédio.
  499. É possível saber o temperamento da pessoa pelas suas marcas de expressão facial.
  500. Mesmo quando a pessoa tenta esconder, seu corpo denuncia seu estado de espírito.
  501. Se a criança é acostumada com o sofrimento, não sente mais comiseração.
  502. O filho bem cuidado, bem educado e bem sucedido é grato a seus pais.
  503. A lei que não se baseia em alguma necessidade humana é uma fantasia.
  504. É fácil sentir inveja quando estamos sempre nos comparando aos outros.
  505. Se deve fazer aos outros o que eu gostaria que fosse feito a mim (Mateus 7:12).
  506. Ética e política devem ser estudadas juntas, pois não é possível compreender o comportamento coletivo do ser humano sem compreender seu comportamento individual.
  507. A justiça e o código moral civil podem ser usados como meio de opressão e frequentemente são usados pela classe dominante minoritária contra a classe trabalhadora majoritária.
  508. A lei existe pra favorecer o forte, o qual impõe a lei.
  509. O indivíduo é digno de estima, não a multidão.
  510. Se deve julgar pelo que é feito, não pelo que é dito.
  511. A história parece dar mais atenção ao declínio e aos fatos ruins do que ao sucesso.
  512. As políticas mais bem-sucedidas são as de que menos se fala.
  513. Com tanta notícia ruim, é fácil pensar que o ser humano é um caso perdido e que todo o mundo deveria votar nulo.
  514. Narrar um fato verdadeiro sob um ponto de vista condicionado não implica aceitação completa.
  515. Julgar pelos fatos, não por conjectura.
  516. A história deve apresentar fatos, mas não deve julgá-los.
  517. A criança não deve generalizar o comportamento dos outros.
  518. Há mais razões para uma guerra do que aquelas que a história conta.
  519. Não devemos interpretar as coisas segundo um sistema, mas interpretar as coisas segundo elas mesmas e depois verificar se elas se adequam ou não ao sistema.
  520. A história não acompanha seus personagens em sua intimidade.
  521. Nosso verdadeiro eu se mostra na vida cotidiana.
  522. O objetivo conquistado revela o desejo que se tinha.
  523. Não se deve estudar história se isso significa lamentar-se por ser você mesmo.
  524. Seja você mesmo, porque você não pode ser ninguém mais.
  525. Ficamos apaixonados pelo que não conhecemos bem.
  526. O mau era infeliz ou se tornará infeliz.
  527. Às vezes, censuramos nos outros o que gostaríamos de imitar.
  528. Os três requisitos para conhecer o que é um ser humano são: curiosidade, imparcialidade, sensibilidade.
  529. A educação deve também se ocupar do corpo.
  530. A boa educação e a felicidade não devem ser razão de arrogância.
  531. A vaidade é quase indestrutível.
  532. Avise sua criança antes dela fazer uma besteira.
  533. Não zombe da criança depois que a besteira está feita.
  534. Não precisa dizer algo como “eu te avisei.”
  535. Para fazer alguém lembrar de uma lição, finja que esqueceu que a deu.
  536. Se você avisou e a criança foi lá, fez assim mesmo e se lascou, não termine de esmagá-la, mas levante-a e seja bonzinho com ela.
  537. Essa, sim, seria uma boa hora pra contar uma fábula que se associa ao engano cometido.
  538. Não existe conhecimento moral que não se possa tirar da própria experiência ou da dos outros.
  539. Depois que a criança se ferra por ter feito uma besteira, você pode invocar o exemplo de outras pessoas que fizeram o mesmo e tiveram o mesmo resultado.
  540. Se você for claro, talvez não precise dizer tudo.
  541. Fábulas não precisam de “moral da história” no final.
  542. As crianças, em geral, não aplicam o que aprendem nas fábulas.
  543. Alguns bens materiais chegam a valer mais que nossa força de trabalho.
  544. O conhecimento prático de alguma coisa deve anteceder o conhecimento especulativo.
  545. O adolescente chegará ao mercado de trabalho sem preparo se não tiver nenhuma experiência antes.
  546. A empatia é natural, mas é eliminável pela má educação.
  547. Aprenda com o engano dos outros.
  548. A criação dá testemunho de Deus.
  549. Estudos espirituais devem ser os últimos a ser feitos.
  550. O andar da ciência é partir dos corpos particulares para os conceitos gerais.
  551. Agir na contramão desse andar serve somente pra estabelecer o materialismo.
  552. As coisas materiais produzem ideias imediatas.
  553. Acostumar uma pessoa a dizer coisas que não entende é torná-la suscetível de dizer o que nós quisermos que ela diga.
  554. Os primitivos pensavam que fenômenos naturais eram deuses por tais fenômenos serem mais poderosos que o simples homem.
  555. A ideia do Deus único só apareceu na mente das pessoas quando elas perceberam que a existência deveria ter um ponto de partida.
  556. A criança, ao ouvir falar de Deus e que este deve ser adorado, pode acabar adorando um deus de que faz uma ideia errada, ou seja, adorando o deus errado.
  557. A criança não está pronta pra conceber a natureza divina (nem adultos estão).
  558. Se tentar aprender alguma coisa cedo demais, pode acabar nunca aprendendo.
  559. A criança compreende tão pouco o que querem que ela acredite que ela pode mudar de crença dependendo de quem diz no que ela deve acreditar.
  560. Existem pessoas que não estão prontas pra verdade.
  561. Deus é assunto sério.
  562. Não force a religião à criança; deixe-a curiosa para que queira aprendê-la.
  563. Qualquer bem genuíno é bem-vindo.
  564. Não há moral pra quem só quer sobreviver.
  565. Talvez não seja possível tornar alguém virtuoso, mas talvez seja possível impedi-lo de se tornar vicioso.
  566. É mais fácil educar alguém sendo amigo dele.
  567. A dúvida sobre algo importante é dolorosa.
  568. Por orgulho, se sustenta algo que se sabe ser mentira.
  569. Nem todos os filósofos buscam a verdade.
  570. Quando não se pode contar com mais ninguém, conte consigo mesmo.
  571. Julgar e sentir não são a mesma coisa.
  572. Outras pessoas praticam a dúvida hiperbólica.
  573. Não controlamos o que sentimos, mas controlamos o exame das sensações.
  574. A verdade não está em nós.
  575. O estado natural da matéria é o repouso.
  576. A matéria não se move sozinha.
  577. As leis da natureza não são coisas objetivas.
  578. A origem do movimento não está na matéria.
  579. As causas não podem ser infinitamente traçadas.
  580. Para imaginar como Deus movimenta a universo pela sua vontade, basta verificar como nosso braço move sempre que lhe damos ordem pra mover.
  581. Não é possível, cientificamente, conceber efeito sem causa.
  582. Não é possível refutar uma opinião que não faz sentido.
  583. Se a natureza segue regularidade, então ela é ordenada, mas ordem só pode ser dada por um ser inteligente.
  584. Mesmo que se diga que Deus é causa da regularidade da natureza e de seu movimento, não podemos saber quais as razões por trás dos atos divinos.
  585. Se não há Deus, de onde vem a regularidade da natureza?
  586. A hipótese de o universo ter saído do acaso é tão improvável que pode ser seguramente tida por mentira.
  587. A matéria não sente, de forma que intelecto, memória e outras faculdades mentais devem ser imateriais, embora habitem no corpo.
  588. A razão tem limites.
  589. A razão mostra que há um Deus, mas a natureza de Deus é questão de .
  590. Se alguém me protege, não devo a esse alguém o meu amor?
  591. Só um ser que pensa pode chegar à conclusão de que não pensa.
  592. Suponhamos que um surdo negue a existência dos sons, por acaso os sons deixam de existir?
  593. Não temos liberdade total, mas temos liberdade.

  594. Se há liberdade, não há destino.

  595. Os atos humanos não são culpa de Deus.

  596. O mal que o ser humano faz recai sobre ele mesmo sem afetar permanentemente a criação.

  597. A origem do mal é o abuso de nossa liberdade.

  598. Ninguém sofre pra sempre.

  599. A perseguição de bens artificiais, como fama e riqueza, nos leva a vários males bem reais.

  600. Quem não sabe sofrer sofre mais.

  601. Uma vida desregrada leva à falta de saúde.

  602. A existência do mal é culpa nossa.

  603. Os males advindos da vida desregrada tornam esta vida um inferno.

  604. Se a alma é imortal, incorpórea, como pode “queimar” no Inferno?

  605. Se o mau pode ser feliz, o bom também pode.

  606. Também as pessoas más são nossas irmãs (comparar com Mateus 5:45).

  607. Nada vem do nada.

  608. Se Deus nos deu a vida, não devemos pelo menos obediência a ele?

  609. Nossa moral é pessoal.

  610. Se o instinto não é inato nos animais, quem os ensinou a se comportar como se comportam?

  611. Só gostamos da injustiça quando ela nos faz bem.

  612. As leis muitas vezes nos tiram o direito de proteger uns aos outros.

  613. O prazer da bondade e a dor da maldade são atemporais.

  614. Embora os costumes variem de sociedade em sociedade, todas elas têm um conceito análogo à beleza, à justiça, à utilidade, à bondade.

  615. Existir, em nível pessoal, é sentir.

  616. Se algo é lógico, mas o contrário é verificável sensivelmente, então o lógico é suspeito.

  617. É possível ser homem sem ser sábio.

  618. É possível, pelo hábito, não sentir mais peso na consciência.

  619. O bem é bom para todos, enquanto o mal é bom só pra quem dele se beneficia.

  620. Os laços que fazemos com a vida tornam a morte mais penosa.

  621. Só se pensa na ética quando se percebe o vício.

  622. Queremos ser felizes, mas não sabemos como.

  623. Não se deve orar por mudanças na ordem cósmica.

  624. Existe uma religião não revelada que é a religião natural, o deísmo.

  625. A religião é a moral, não a cerimônia, e a moral pode ser inferida racionalmente.

  626. Adorar Deus com ato moral, isto é, espírito e verdade, não com cerimônia, não é oposto à revelação (João 4:23-24).

  627. A religião é interior.

  628. Afirmar revelação divina muitas vezes é presunção.

  629. Qual é a religião certa?

  630. Quem disse que sua religião é a certa?

  631. A salvação não é questão de escolher a igreja certa, mas de mérito pessoal.

  632. A religião verdadeira deve ser procurada pela via da razão.

  633. Não se deve abdicar da razão em nome da fé só porque alguém diz que se deve.

  634. Uma religião de “mistérios” é suspeita.

  635. Deus não fez o ser humano racional pra lhe proibir de usar a razão.

  636. A religião não deveria, por causa disso, tornar o ser humano mais ignorante.

  637. Se você diz que a razão é inválida, não pode se valer da razão pra provar isso.

  638. Consenso da maioria, ou mesmo do todo, não necessariamente estabelece a verdade.

  639. Não se deve julgar uma contradição verificando somente um lado.

  640. As línguas originais da Bíblia Sagrada são desconhecidas para o leigo.

  641. Será que Deus condenaria as pessoas que nunca receberam pregação ou nunca tiveram acesso à Bíblia?

  642. O fato de os cristãos não examinarem as objeções dos judeus revela fé fraca.

  643. Mesmo depois da pregação, pode demorar pra alguém aceitar o que foi dito e se converter.

  644. Os que morrem sem saber de Cristo serão condenados?

  645. Se só há uma religião verdadeira e não sabemos qual, deveríamos examinar todas as que existem, em vez de ficar com a primeira que se propõe.

  646. Proceder dessa forma é perigoso: há o risco de só achar a religião verdadeira quando for tarde demais.

  647. O fato é que nós ficamos com a religião na qual nascemos, em nossa maioria.

  648. Se Sócrates fosse um sofista ou um orador retórico qualquer, como Protágoras, que crê que as coisas são questão de ponto de vista e que a verdade é relativa, ele teria mudado de discurso pra escapar da morte.

  649. A pessoa justa que Platão imaginou parece muito com Jesus, que viria séculos depois.

  650. Dizem que Sócrates inventou a moral, mas ela já existia antes, embora não como estudo sistemático.

  651. Há menos registro histórico de Sócrates do que de Jesus.

  652. Devemos nos preocupar com a moral, não com a teologia.

  653. Uma igreja cristã não é melhor que a outra por sua teologia.

  654. O culto principal é o pessoal (João 4:23 / Mateus 18:20).

  655. Não cabe a nós dizer quem vai pro Inferno; isso é pretexto pra odiar, quando deveríamos amar.

  656. Quanto mais alta a posição, mais poder se tem e mais mal se pode fazer.

  657. O ensino do Evangelho é mais razoável e frutífero que o da igreja.

  658. Que todos vivam em paz dentro de seus credos.

  659. Não precisa falar abertamente de sua religião se não for perguntado.

  660. Fora da revelação, todas as questões religiosas são questão do tipo “eu acho”.

  661. A reflexão é preferível à discussão, pois o debate incita a obstinação e o orgulho.

  662. O ceticismo é dogmático ao afirmar enfaticamente que não há verdade absoluta, fora a verdade de que não há verdade, se é que me entende.

  663. Desacreditar da verdade retira o freio que nos impede de cometer excessos e tira a esperança dos pobres miseráveis.

  664. A verdade não pode ser nociva ao gênero humano.

  665. O fanatismo mata mais que o ateísmo.

  666. A criança que sofreu muitas privações será rebelde na adolescência.

  667. A exposição excessiva à religião na infância, às lições da fé, lha dão tédio e desgosto.

  668. Nada de errado em manter a virgindade por muito tempo.

  669. Não se deve instruir alguém quando essa pessoa não está em condições de tirar proveito da instrução (quando está com raiva, por exemplo).

  670. Se acabar com a religião, o que porá em seu lugar?

  671. As grandes revoluções foram operadas mais pela paixão do que pela razão.

  672. Se puder mostrar, não fale.

  673. A razão não opera sem o corpo.

  674. É preciso pensar, mas também fazer.

  675. Antes de dar uma aula, excite a imaginação do aluno.

  676. O professor não deve parecer sentir tédio do que ele ensina.

  677. É besta quem acha um sentido obsceno em tudo.

  678. A obscenidade muitas vezes está na cabeça de quem vê, ouve ou sente.

  679. Muitos amam o vício mais do que a vida.

  680. Você é realmente visto como professor quando seu aluno acha seguro contar pra você os segredos dele.

  681. Avise seu filho que continuar sob ordens do pai depois de adulto pode ser inconveniente e que ele provavelmente vai se libertar desse jugo sozinho.

  682. Ser professor ou pai é muito difícil.

  683. Amor não é só coisa de adulto.

  684. O menor que ouve que “menores são incapazes de amar” eventualmente percebe que essa frase é mentira.

  685. Use as paixões joviais como ponto de partida para uma lição sobre como bem conduzi-las.

  686. Uma criança não é naturalmente má, mas se torna má pelo exemplo dos outros.

  687. O fato de algumas regras serem facilmente quebradas depois de adulto leva alguns a pensar que moral é coisa infantil, de quem ainda tem que obedecer aos pais.

  688. Alguns não gostam de praticar o mal, mas o fazem por hábito ou por medo de passar vergonha.

  689. Os jovens, não querendo ser “escravos” dos pais, se escravizam às más companhias.

  690. Para não se incomodar com a zombaria dos outros, lembre por qual razão zombam de você e o que esperam com isso.

  691. Quando uma mulher acredita que tudo é lícito, não aceita que seu marido pense da mesma forma.

  692. Quem se acostuma a fingir que não vê certos delitos eventualmente terá que ser forçado a não ver nada mais, porque o delito, quando não é punido, acarreta outros e se torna mais frequente.

  693. Como a identificação é importante para a educação, o aluno precisa ver que o professor é humano.

  694. Às vezes se erra menos quanto menos se tenta ser perfeito.

  695. Os jovens passam a juventude respeitando os velhos, os velhos deveriam respeitar os jovens também.

  696. Muitas pessoas fingem ter virtudes que não têm por questão de educação.

  697. Gosto é a faculdade de julgar o que agrada.

  698. O “bom gosto”, então, é um consenso de maioria.

  699. “Gosto” e “não gosto” seguem critérios pessoais.

  700. Gosto varia conforme sexo, caráter, idade, cultura, território, determinação biológica, valores e uma série de outras disposições e critérios, tornando inútil discussões do tipo “quem tem o gosto mais refinado”.

  701. Moda não coincide com gosto: posso estar na moda sem gostar do que visto.

  702. Observe como muitas coisas de bom gosto são coisas às quais não prestamos atenção: se eu vejo uma mulher bonita, não é pro brinco que eu vou olhar.

  703. O julgamento emitido pelos outros não deve ser acatado como lei, mas como meio de formar nosso próprio julgamento.

  704. Não se diga herói; mostre o que você fez para ser digno do título de herói.

  705. Apresente primeiro a boa cultura, depois a ruim.

  706. É preciso ser sábio e sensível.

  707. Para sentir prazer, é preciso estar saudável.

  708. Frutas de época são mais gostosas.

  709. O tédio é próprio da vida sedentária.

  710. Se quer algo bem feito, faça você mesmo.

  711. Só peça ajuda para o que você não pode fazer sozinho.

  712. Sexo não é tudo na vida.

  713. Parte do charme de um jantar é a companhia dos amigos.

  714. Se eu sou meu servo, sou senhor de mim mesmo.

  715. O que nos aproxima é a humanidade.

  716. Homens e mulheres são diferentes e devem exercer sua diferença.

  717. O sexo também é ferramenta de destruição.

  718. Negar sexo como forma de punição domestica o parceiro, bem como usar sexo para recompensar o comportamento desejado.

  719. As mulheres reivindicam sua fraqueza quando convém a elas.

  720. Não basta ser fiel: é preciso também parecer fiel.

  721. Os “defeitos” das mulheres são apenas diferenças necessárias, não são realmente defeitos.

  722. Se a educação doméstica fosse boa, não haveria necessidade de escola.
  723. A mulher que se iguala ao homem é menos atraente ao sexo oposto.

  724. Qualquer um pode aprender o que quiser.
  725. A primeira educação é a do corpo.

  726. A mulher tem que ter um corpo que possibilite a boa geração.

  727. A mulher saudável é mais bonita.

  728. A mulher não deve usar roupas apertadas, as quais prejudicam sua respiração e, consequentemente, sua saúde.

  729. Brincar de boneca estimula o desejo de ser mãe.

  730. O filho segue os exemplos que tem em casa.
  731. A aula tem que ser interessante o bastante pra que o aluno queira ir, mesmo que só quando não tiver coisa melhor pra fazer.

  732. É preciso que a criança ame seus pais sem ser mandada a isso, para não amar falsamente.
  733. Se a criança não odiar seus pais, provavelmente os amará.

  734. O desejo por novidade tem que ter limites.

  735. Se a criança perceber que pode fazer você dizer “sim” se ela perturbar muito, vai fazer isso o tempo todo.

  736. Não se deve abandonar um bom recurso porque pessoas más podem usá-lo de forma errada.

  737. Enfeites demais, maquilagem demais, roupas muito atraentes, tudo isso serve para esconder defeitos.

  738. Quando a roupa cai bem, não há necessidade de acompanhar a moda.

  739. Em vez de dizer “como você está linda” para uma menina que está com a cara pintada e bem vestida, se deveria perguntar “será que você não ficaria mais bela sem isso?”.

  740. Caso o uso desses artifícios seja extremamente necessário, não devem ser artifícios caros: o uso de maquilagem e roupas caras faz a pessoa parecer exibida e babaca.

  741. Se não puder ser bonito, seja rico.

  742. Se a pessoa sabe escolher roupas que combinam com ela, sempre andará bonita, mesmo usando as mesmas quatro roupas.

  743. A moda é inventada pelos feios.

  744. Sedução é mais linguagem corporal e atitude do que aparência.

  745. O tempo de fazer besteira é a infância.

  746. A mulher educada rigorosamente não interessa ao homem.

  747. Se o casamento não for atraente, ninguém quererá casar.

  748. Se a mulher fosse mais amável, o marido não precisaria procurar diversão fora de casa.

  749. Cada membro da família deve contribuir para o divertimento do outro.

  750. Se uma pessoa está aprendendo algo por diversão, o professor não deve se mostrar severo, nem teria qualquer necessidade disso.

  751. Usar o mesmo método em todas as situações mostra que não se sabe o que se está fazendo.

  752. O primeiro juiz de arte é o próprio artista.

  753. O ensino religioso mal ministrado leva ao ateísmo ou ao fanatismo, mas nunca à fé que se deve ter.

  754. Religião não deve ser ensinada formalmente em uma classe, não deve ser tornada obrigação para a criança.

  755. Se a criança for tragada às orações longas, como o rosário (terço), ela vai ficar com tanto tédio que não quererá fazer aquilo nunca mais.

  756. Não ordene tarefas religiosas às crianças se você mesmo não faz essas tarefas.

  757. Para ensinar artigos de fé, deve-se usar instrução direta, em vez de perguntas e respostas.

  758. A criança deve responder o que pensa, não necessariamente o que lembra como sendo a resposta que o professor disse antes.

  759. Deve haver um catecismo diferente para as crianças.

  760. Se conhece Deus pelas obras dele.

  761. Questões teológicas não têm relevância na conduta do fiel (Mateus 19:17-19 / Marcos 10:17-19 / Lucas 10:25-28 / Lucas 18:18-20).

  762. Os pais são obrigados a ensinar as crianças a se amarem umas às outras.

  763. Se a mulher quiser ter vários parceiros sem que um elimine o outro, deve convencer cada um de que é o favorito.

  764. A pessoa que tem vários parceiros está mais preocupada consigo própria do que com os parceiros.

  765. Se você quer algo que não pode conseguir, faça que outros queiram a mesma coisa e dividam com você.
  766. A pessoa que não foi bem educada pela mãe, não quererá educar bem os seus filhos.

  767. Algumas mulheres se casam pensando já no benefício da separação.

  768. A vida na cidade nem sempre é melhor pra pessoa do campo.

  769. Quem não comete o mal porque é impedido já é culpado.

  770. Mudar por amor é provar que não se é amado pelo que se é ou mostrar que você não acredita em seu amado quando ele diz que você é bom do jeito que você é.

  771. Se a mulher é boa companheira, não precisa ser bela.

  772. Não precisa seguir a moda.

  773. Desgraça é ser infeliz por sua própria culpa.

  774. A felicidade do filho é um bem além da aprovação pública.

  775. É fácil se frustrar procurando a pessoa perfeita pra namorar.

  776. Quem ama a virtude, quererá um parceiro virtuoso.

  777. Para alguns, se casar é pior que morrer.

  778. Às vezes é preciso baixar o nível pra conseguir companhia.

  779. Os casamentos não devem ser arranjados por motivo social ou econômico, mas por amor entre os parceiros.

  780. Se um não gosta do outro, nem a riqueza de ambos tornará essa companhia tolerável.

  781. Pai é quem cria.

  782. Não é preciso saber o que é virtude pra ser virtuoso.

  783. O homem que pensa deve se casar com uma mulher que pensa, para que não conduza os afazeres da família sozinho.

  784. A vida é curta, mas tem gente que reclama que o tempo passa devagar.

  785. Filósofo que é filósofo anda a pé.

  786. Só é curioso quem sabe de sua ignorância.

  787. Quem recebe visitas com pouca frequência pode ser mais hospitaleiro.

  788. Se amo alguém, não quererei envergonhar esse alguém com meu comportamento.

  789. O marido deve ensinar à esposa filosofia ou ciência na medida em que isso lha for útil.

  790. O pai não deve saber tudo sobre os relacionamentos dos filhos.

  791. Homens que têm mais de uma mulher são mais ciumentos.

  792. Aos dez anos, se quer doce; aos vinte anos, se quer mulher; aos trinta anos, se quer prazer; aos quarenta anos, se quer fama; aos cinquenta anos, se quer dinheiro; quando se quer sabedoria?

  793. Ser adulto não significa deixar de lado tudo o que se fez e pensou na infância.

  794. Quem é moderado, não anseia sempre a novidade.

  795. Aprender a se frustrar por um objetivo maior faz parte de ser adulto.

  796. Um organismo debilitado pela fome não pode ser saudável.

  797. Você só entende o que enfrenta um pobre depois de participar de sua labuta.

  798. Não é moral se valer do dinheiro para desonrar um compromisso.

  799. A mulher sensata não deveria julgar o marido sem antes ouvi-lo.

  800. A causa do mal é a infelicidade.

  801. O medo de perder o que se tem nos leva a não aproveitar bem as nossas conquistas.

  802. Quem tem como única lei os próprios desejos se torna mau.

  803. Bondade e virtude não crescem na mesma proporção.

  804. Só permanece virtuoso quem tem prazer na prática da virtude.

  805. É virtuoso o homem que domina suas paixões e que ouve sua razão.
  806. Não escolhemos o que sentimos vontade de fazer, mas podemos escolher opor resistência ao desejo.
  807. Os pais têm que estar prontos para a morte dos filhos e vice-versa.
  808. Se casar às pressas é por vezes reflexo de uma dupla mentira: “o amor nunca se engana” e “nunca terei ódio de quem amo”.
  809. Será que essa pessoa te ama tanto quanto você a ama?
  810. E se você descobrir como ela realmente é só depois de casar?
  811. A mulher não deve engravidar antes da vida adulta.
  812. Ter um filho muito cedo é ruim para mãe e criança.
  813. Ler demais não garante muito conhecimento.
  814. Relatos de viagem feitos sobre um mesmo lugar podem se contradizer.
  815. Existem escritores que mentem deliberadamente em seus livros.
  816. Não é possível dizer que se conhece o gênero humano se você nunca viajou.
  817. Você só pode dizer que conhece o gênero humano de forma decente se já viajou pra pelo menos dez países.
  818. Quanto mais lugares você conhecer, com maior exatidão poderá escolher onde pode viver melhor.
  819. O sangue humano se vende mais barato na capital.
  820. Trabalhar é se disciplinar.
  821. Fazer profissão do assassinato é admitir pra si próprio que não se serve pra outra coisa.
  822. Embora uma esposa e um terreno sejam coisas que fazem a felicidade de muitos, não é algo que todos têm.
  823. Dessas duas coisas, terreno é mais fácil obter.
  824. Mais difícil do que ser rico é viver de uma forma que a riqueza não seja necessária pra se sentir satisfeito.
  825. Ter terreno cultivável, onde se possa plantar e colher frutas e verduras diversas, elimina uma das principais necessidades da sociedade, que é a de comprar alimento.
  826. Mesmo assim, há o risco de o Estado confiscar sua terra.
  827. Antes de formar família, tenha um lugar pra ela.
  828. Estado não-democrático é grande escravatura.
  829. A personificação da vontade geral (o que todo o mundo quer) são as leis, enquanto que a personificação da vontade particular (o que cada um quer) é o costume.
  830. Quanto maior o povo, menos força têm as leis.
  831. Se o Estado faz com que os súditos queiram deixar o país, ele está se arruinando, porque não existe Estado sem súditos.
  832. Ter muito dinheiro em grandes cidades e quase nada em outros lugares enfraquece o comércio.
  833. A forma de expressar emoções varia conforme país.
  834. Manter correspondência com amigos de outros países nos ajuda a quebrar preconceitos nacionais.
  835. É estranho que as pessoas se submetam umas às outras visando a independência.
  836. Pátria e país não são sinônimos.
  837. Quem ama fazer o bem provavelmente odeia a cidade, onde há abundância de maus.
  838. O nível de maldade nas cidades se deve ao fato de que são populosas demais.
  839. Se o nível de felicidade que se tem ao altar fosse mantido ao longo de todo o casamento, a quantidade de separações seria menor.
  840. Para manter um casamento, deve-se continuar a agir como se fossem namorados.
  841. Excesso de fidelidade rompe o casamento.
  842. Se o casamento se tornar uma responsabilidade muito pesada, outras relações serão mais agradáveis e tomarão o lugar do casamento.
  843. Amar a casa bem arrumada é, por extensão, amar a mulher que a arruma.
  844. A educação do pai e do professor termina no casamento do filho ou do aluno.
  845. O trabalho do pai e do professor recomeça com o neto ou com o filho do aluno.

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