Pedra, Papel e Tesoura.

30 de maio de 2015

Anotações sobre a tranquilidade da alma.

  1. Às vezes a tentação é um bom sinal, porque a tentação só é percebida quando tentamos resistência. Então, se nos sentimos tentados, é implícito que queremos resistir.
  2. Até as boas intenções podem se colocar no caminho da virtude!
  3. A temperança parece ser ingrata. Às vezes a pessoa se pergunta se vale a pena viver virtuosamente em vez de se deixar levar pelo prazer do luxo.
  4. É difícil seguir a rígida via da virtude para chegar à felicidade, porque tentações nos vêm de todos os lados.
  5. Tranquilidade é imperturbabilidade.
  6. A tranquilidade não é uma preguiça de viver como sempre se viveu nem uma busca incessante pela novidade, mas encontrar e manter o estado perfeito, no qual a pessoa possa se manter sempre a mesma, sem dores e sem euforia.
  7. É necessário desejar pouco, porque desejos doem. Desejos doem por estarem ali, doem quando você busca satisfação e doem se sua satisfação decepciona.
  8. Depois de frustrado, você tenta se recolher na solidão, mas o desejo ainda está lá, lhe perturbando (parece um amigo meu). Isso te torna descontente consigo próprio. Dá para fazer paralelos com Buda, que chegou à conclusões parecidas.
  9. Não adianta procurar com a mudança sem propósito a felicidade. Se você não souber estar satisfeito consigo próprio, jamais a mudança lhe fará sentir-se bem, porque não podemos abandonar a companhia de nós mesmos. Por outro lado, se nos sentimos bem conosco, não desejamos mudar.
  10. É preciso saber tolerar também, quando necessário e útil.
  11. Para curar esse desassossego, poderíamos nos dedicar à utilidade. Arrumar uma atividade digna que nos dê um papel no todo. Isso nos permite ver nosso próprio valor, ao mesmo tempo que sacia nossa necessidade de atividade.
  12. Por exemplo, ser filósofo. Ou professor de filosofia. Seria legal ensinar isso no ensino médio, mas tiraram filosofia.
  13. O indivíduo poderia se dedicar à ocupações públicas. O que importa é ser útil, de algum jeito.
  14. O universo é sua pátria.
  15. É necessário equilibrar atividade e repouso.
  16. Nunca nos é completamente vetado o ato virtuoso. Mesmo quando mudos, podemos ensinar pelo exemplo.
  17. Existem pessoas que, devido a uma disposição apaixonada ou indócil, não deveriam participar nas coisas públicas. São as tímidas, as que se irritam muito fácil e qualquer um que exiba um comportamento que poderia posar um problema para uma atividade coletiva.
  18. Como profissão, estilo de vida ou qualquer coisa que pensemos fazer durante nossa existência toda, devemos escolher aquilo com que mais nos identificamos, em vez de nos forçar a fazer, para a vida toda, algo que não nos sentimos bem fazendo. Isso porque quando você une prazer com utilidade, você se torna muito mais útil aos outros e a si próprio. Mas, quando você se ocupa com aquilo que não gosta, sua produtividade naquilo tende a decepcionar.
  19. Antes de assumir uma responsabilidade ou projeto, devemos nos perguntar se realmente somos capazes de suportar tal coisa. É imprudente assumir para si uma responsabilidade maior do que se pode aguentar, um equívoco comumente cometido pelos que sempre tentam agradar à todo custo, que procuram agradar a todo custo.
  20. Existem tarefas que são intermináveis e que se complicam quanto mais se trabalha nelas. Deixe essas de lado, pelo bem de sua sanidade.
  21. A amizade “fiel e doce” é o maior agrado à alma.
  22. Amigos devem ser escolhidos.
  23. Se não existe amigo perfeito, então escolhemos aquele que se afigura como sendo o “menos mau”, diz Séneca.
  24. Devemos evitar ter como amigos pessoas que se queixam de tudo, porque elas perturbam nossa tranquilidade. Claro que devemos consolar amigos em necessidade, mas é difícil ser amigo de alguém que se tem que consolar o tempo todo.
  25. Os males causados pela riqueza são piores que todos os outros males.
  26. É melhor nunca ter sido rico do que perder sua fortuna. O dinheiro não pode ser extraído de alguém sem lhe causar dor. Por isso, a pessoa que é rica teme muito pela sua riqueza e despende toda sorte de cuidados com ela, sua riqueza tornando-se um motivo de preocupação. Como o pobre tem pouco a perder, ele se preocupa menos, desde que tenha o bastante para sobreviver.
  27. Os deuses não são ricos e são sumamente felizes. Adiciona-se a isso o fato de serem imortais e não terem de lutar pela sobrevivência.
  28. As únicas dívidas que se deve ter são as dívidas para com nós mesmos.
  29. Não devemos ser pobres, porque essa é uma condição também preocupante, mas devemos nos aproximar dela o máximo possível sem perder a dignidade.
  30. Não deveríamos comprar coisas pela sua aparência, mas pela sua utilidade.
  31. Devemos consumir víveres (líquidos e comida) apenas para sanar sede ou fome, não por simples prazer.
  32. Não compre livros se não for lê-los. Algumas pessoas compram livros por impulso, porque são caros, grossos ou têm capa bonita, mas nunca os lêem completamente. Só se deveria consumir literatura quando estamos totalmente certos de que a leremos. A pior ofensa a um livro é usá-lo como enfeite (normalmente acontece com a Bíblia).
  33. É imoral ostentar livros que não lemos.
  34. O que caracteriza o vício é o excesso.
  35. Quando em condições adversas, resignar-se à desventura permite que concordemos com ela. É se conformar e aceitar que coisas ruins acontecem, faz parte da vida, e que podemos nos acostumar com isso.
  36. Só se desespera quem quer.
  37. A vida é uma grande escravidão. A única grande liberdade que temos é a de escolher a quem servir e só quando dá!
  38. A razão nos permite suportar melhor a desventura.
  39. É preciso colocar limites em nossas ambições para evitar decepções.
  40. O sábio não se inquieta em frente à sorte.
  41. O sábio aceita que um dia vai morrer. E, se nem sua vida é realmente sua, ele não faz birra quando qualquer outra coisa menor que a vida lhe é tirada.
  42. É inútil se revoltar contra aquilo que não depende de nós.
  43. Diante de um sofrimento grande, é melhor morrer logo.
  44. Viver de acordo com a certeza de que a vida é finita nos permite ajustar melhor nosso tempo na Terra.
  45. É bom ser pessimista. Isso não significa se queixar da vida, mas pensar no pior com intuito de se preparar. Melhor ser pego de surpresa por algo bom do que por algo ruim.
  46. Não se esqueça que o que acontece de ruim a alguém pode acontecer com você.
  47. Temos que evitar buscas inúteis ou que dão pouco resultado. Isso significa não desejar aquilo que muito provavelmente dará errado ou não compensará o esforço.
  48. É como dito antes, algumas pessoas querem agitação, mas não sabem exatamente o que fazer. Elas fazem passeios sem necessidade, não param em casa, saem sem rumo, fazem coisas sem sentido.
  49. Esse comportamento alimenta o vício da fofoca.
  50. Não se deve dizer com certeza (menos ainda com juramentos) que vamos fazer alguma coisa, porque na verdade nunca temos certeza disso. É melhor dizer: “eu vou, se nada impedir.”
  51. Não é como se nada de ruim acontecesse ao sábio, é só que ele não se incomoda com isso como nós.
  52. Não fazer promessas diminui a chance de decepção.
  53. Tudo tem um lado bom.
  54. Até a morte pode ser uma oportunidade de aprendizado.
  55. É possível encarar os problemas com bom humor.
  56. Embora não devamos rir das desgraças dos outros, se lamentar de todos os problemas que afligem os outros torna nossa vida perpétuamente infeliz.
  57. Quando meu irmão levou um tiro, eu praticamente não me comovia. Até me senti meio culpado por não sentir tristeza pelo ocorrido. Mas isso porque o costume diz que devemos ficar marcadamente tristes com tal desgraça. Segundo Séneca, devemos sentir dor justa e não a dor que os outros esperam que sintamos. Se não nos importamos com determinada desgraça, mas os outros se importariam com ela, não deveríamos nos forçar a nos importar mais só porque essa é a resposta que a maioria teria numa situação como aquela.
  58. Não precisamos nos entristecer com a desgraça que cai sobre pessoas nobres quando elas sabem suportar a sorte que têm. Seria como se nós estivéssemos tomando para nós uma dor maior que a dor da própria pessoa.
  59. Clichê válido: seja você mesmo.
  60. Podemos esconder alguns aspectos da nossa pessoa, mas não devemos jamais mentir. Por exemplo, se você é daqueles que gostam de usar fraldas pra relaxar, já sabe que não precisa sair por aí dizendo isso até ao presidente. Há hora e lugar. Mas isso não significa negar aquilo que você é, ou seja, mentir.
  61. A solidão é necessária, porque nos descansa. A vida em sociedade é desgastante.
  62. Mas a solidão acaba se tornando tediosa.
  63. O ideal seria equilibrar os dois. A solidão é para quando estamos cansados da companhia dos outros e a socialização é para quando sentimos falta dela.
  64. Não devemos ter um espírito “sempre ocupado”. Divertimento permite restauração de nossas forças, que podem inclusive ser despendidas novamente em trabalho produtivo ou outras atividades.
  65. Trabalhar demais desgasta a pessoa. É imprudente ser assim, porque estaríamos trabalhando contra nossa própria produtividade.
  66. O desgaste do trabalho afeta também a mente.
  67. Mas procurar somente divertimentos e relaxamentos trabalha contra a diligência. Assim, quando pegamos um trabalho pra fazer, não o levamos à cabo.
  68. Dormir o tempo todo é quase como estar morto.
  69. A razão dos feriados é promover o relaxamento e a socialização. São dias em que não se trabalha.
  70. O tempo para relaxar pode, inclusive, vir diariamente. Eu, por exemplo, estudo oito horas, durmo oito horas e reservo oito horas de tempo livre, por dia. As horas de tempo livre que não são usadas normalmente são usadas no tempo para dormir, já que oito horas de estudo já é demais.
  71. Vinho, passeios e comida gostosa de vez em quando também servem, desde que não sejam exagerados.
  72. Sair da casa um pouquinho pra revigorar.
  73. Talvez ficar um pouco bêbado.
  74. Apesar de se falar bem do álcool, Séneca fala contra o alcoolismo.
Older Posts »

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: