Analecto

30 de maio de 2015

Anotações sobre “A Tranquilidade da Alma”.

“A Tranquilidade da Alma” foi escrito por Sêneca. Abaixo, algumas afirmações feitas no texto. Elas não são citações. Perguntas podem ser feitas nos comentários.

  1. Se você se sente tentado, é porque está despendendo esforço para resistir.
  2. Boas intenções podem se colocar entre você e a virtude.
  3. Você está tranquilo quando não tem nenhum problema pra resolver no momento.
  4. Buscar a tranquilidade é buscar o sossego, no qual não há sofrimento, mas também não há fortes alegrias.
  5. É necessário desejar pouco.
  6. Se você tem muitos desejos, se frustrará com mais frequência.
  7. Você não obterá a felicidade sem antes ficar satisfeito consigo próprio.
  8. Aprenda a tolerar quando necessário.
  9. Seja útil a si mesmo e aos outros.
  10. O universo é sua pátria.
  11. É necessário equilibrar atividade e repouso.
  12. Mesmo quando mudos, podemos ensinar pelo exemplo.
  13. Trabalhe no que lhe dá prazer.
  14. Não se comprometa com o que não pode fazer.
  15. Os males causados pela riqueza são piores que todos os outros males.
  16. É melhor nunca ter sido rico do que perder sua fortuna.
  17. Se dinheiro fosse tão bom, Deus teria.
  18. As únicas dívidas que se deve ter são as dívidas para com nós mesmos.
  19. Não seja apaixonado por dinheiro, o que não implica não ter nenhum dinheiro.
  20. Não deveríamos comprar coisas pela sua aparência, mas pela sua utilidade.
  21. Coma quando tem fome, não por prazer.
  22. Não compre livros se não for lê-los.
  23. É imoral ostentar livros que não lemos.
  24. O que caracteriza o vício é o excesso.
  25. Acontecimentos ruins fazem parte da vida.
  26. Só se desespera quem quer.
  27. Evite as grandes ambições para evitar grandes decepções.
  28. O sábio não se inquieta em frente à sorte.
  29. Se você aceitar que vai morrer, pode aceitar qualquer coisa.
  30. É inútil se revoltar contra aquilo que não depende de nós.
  31. Seja pessimista, nunca espere que algo dará certo depois de tentar.
  32. Não se esqueça que o que acontece de ruim a alguém pode acontecer com você.
  33. Não tente fazer algo que não vale a pena ou que provavelmente não dará certo.
  34. Triste quando uma pessoa tem vontade de fazer alguma coisa, mas não sabe o que gostaria de fazer.
  35. Fofoca é vício.
  36. Não prometa.
  37. Tudo tem um lado bom.
  38. É possível encarar os problemas com bom humor.
  39. Quando uma desgraça acontecer, você não precisa reagir como os outros.
  40. Não é preciso se sentir mal por alguém que não sofre com o que lhe acontece.
  41. Omitir não é mentir.
  42. A solidão nos restaura as forças.
  43. Trabalhe, mas também divirta-se.
  44. Trabalhar demais prejudica a produtividade.
  45. Termine o que começou.
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29 de maio de 2015

Tinham quatro filósofos à mesa: um católico, dois protestantes e eu…

23 E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas.

Via 2 Timóteo 2 – Bíblia – acf.

Hoje, ocorreu uma greve geral dos ônibus na capital e a professora não veio dar aula. Então, eu fiquei conversando com três colegas de estudo. Uma delas, inclusive, ainda me deve o certificado da Semana de Hegel, que foi uma decepção.

As duas meninas eram protestantes, eu sou eu mesmo, e o outro menino era católico. Questões religiosas estavam destinadas a acontecer. Eu acompanhei o debate entre os dois lados da mesa (uma das protestantes não apenas leu a Bíblia inteira, ela também é graduada em teologia) com bastante interesse, como uma oportunidade de conhecer os dois lados da mesma história.

Uma coisa interessante que o católico falou foi que Deus não se revela apenas por meio da Bíblia, mas também através da tradição da igreja. Isso significa que o percurso da Igreja Católica revelaria, para o católico, parte da vontade de Deus. Isso é facilmente refutável, porque é contraditório que um Deus de amor tenha pactuado com o Nazismo.

Por outro lado, o lado protestante também não foi muito bem, embora tenha ido até melhor que o católico, porque a mocinha parece pecar em conhecimento bíblico, mais especificamente, ofendendo outras traduções bíblicas por razões inexistentes. Ela ofendeu principalmente a Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, além de que ela parece cheia de preconceitos contra as testemunhas de Jeová. Por exemplo, de que as testemunhas seguem a lei do Antigo Testamento e usam o nome de Cristo como meio de atrair fiéis. Ela também crê que as testemunhas de Jeová pregam que Jesus não ressuscitou.

Ela parece ter problemas em levar a discussão na esportiva, inclusive dizendo para sua colega que devemos “ensinar o tolo em sua tolice”, o que eu vi como uma falta de respeito ao católico que, apesar de nervoso, estava se defendendo como podia sem causar ofensas.

Enquanto a discussão prosseguia, o católico falou que não deveríamos racionalizar certos pontos da fé, porque a razão e a fé são coisas díspares. Eu concordo; sempre achei que o crente deveria crer, logo, mesmo quando a revelação nos prescreve uma moral que não entendemos, não deveríamos procurar racionalizar aquilo, porque isso poderia causar uma interpretação deturpada. Além disso, as histórias bíblicas são difíceis de racionalizar, então o religioso deve comprá-las cegamente. Isso inclui a separação do Mar Vermelho, o dilúvio, o Éden e todas as outras coisas difíceis de acreditar.

Mas o problema surge quando o católico diz que o Papa, como infalível, também produz coisas que deveríamos acreditar cegamente. Isso é um pouco perigoso.

A discussão não ia chegar a lugar algum (aliás, iria degenerar) e, depois que eu tentei amenizar as coisas dizendo que ambos estavam usando doutrinas incompatíveis e que aquela discussão era infrutífera, mas sem sucesso, resolvi ir embora antes que eu tivesse que segurar a teóloga ou consolar o católico.

De fato, a fé é um sentimento, não é racional. Mas a doutrina não precisa ser seguida unicamente com fé, ela também pode ser seguida racionalmente. Se a doutrina permitisse apenas a fé, não deveríamos estudar a Bíblia, apenas crer. A minha crença sincera é a de que devemos ser racionais até onde pudermos e aguardarmos a fé para coisas as quais achamos úteis ou construtivas, mas que não encontram em nós bases racionais.

25 de maio de 2015

Anotações sobre a “Carta a Meneceu”.

“Carta a Meneceu” foi escrita por Epicuro. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas não são citações, mas paráfrases, e não necessariamente refletem minha opinião sobre o assunto.

  1. Os jovens devem filosofar.
  2. Se estamos felizes, é como se tivéssemos tudo, mas, se estamos infelizes, fazemos de tudo para sermos felizes.
  3. A morte não é preferível à vida, mas, se bem e mal residem nas sensações, então a morte, se é ausência de sensação, não é algo tão ruim.
  4. Aceitar a morte como um sono igual aos sonos que temos cotidianamente permite a fruição plena da vida, porque não dá pra viver plenamente tendo medo da morte o tempo todo.
  5. A morte chega quando já “não estamos” e, quando estamos, é ela quem não está (normalmente perdemos a consciência antes do corpo parar de funcionar).
  6. Não é porque temos de aproveitar a vida que o faremos irresponsavelmente.
  7. O futuro é feito de probabilidade: sempre podemos, com nossas ações, maximizar nossas chances de que algo bom aconteça.
  8. Prazer e dor são os princípios motrizes da ação humana.
  9. Devemos perseguir os prazeres que compensam, isto é, aqueles cuja fruição não nos leva a uma dor maior que o prazer.
  10. Para devastar uma pessoa, permita que ela seja rica por um ano e então, subitamente, tire tudo dela.
  11. A comida mais sem graça é muito gostosa na boca de alguém mortalmente faminto.
  12. É necessário abdicar de buscar os maiores prazeres da vida, que são os mais frívolos, porque viver modestamente nos treina para não sucumbir aos cuidados com a riqueza e nos permite tolerar com mais dignidade a pobreza.
  13. Os prazeres naturais e necessários podem ser buscados sempre; os prazeres naturais, mas não necessários, só devem ser buscados se o benefício compensa o risco de arrependimento; os prazeres artificiais devem ser evitados.
  14. A prudência é a mais alta das virtudes.
  15. Não existe destino.

24 de maio de 2015

Agora, sim: consertei o problema do som.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 17:14

BOL – Brasil Online.

Antes de ir direto ao ponto, meus pedidos de inclusão foram todos recusados novamente, porque o Orquídea Negra não conseguiu resolver meu problema à tempo. Na terça-feira, irei à coordenação do curso pra saber se ele conseguiu e, talvez, incluir as disciplinas (ou, pelo menos, tentar pela terceira vez…).

O problema de som que venho enfrentando parece estar com os dias contados, porque elaborei uma solução experimental. Existe um programa de linha de comando chamado Pacmd. Ele permite configurar um servidor de som Pulseaudio enquanto este executa. Em primeiro lugar, entendamos o problema.

As caixas de som estão ligadas, mas não sai som delas (Linux Mint Debian Edition, 64-bit, Cinnamon Edition). Se eu instalar o Controle de Som do Pulseaudio (pavucontrol), vejo que o som está sendo direcionado para os fones de ouvido. Mudar a configuração para saída de linha resolve o problema, mas isso deve ser feito à cada sessão, o que é muito chato. Como não disponho de meios para resolver o problema, preciso usar um meio temporário: um comando que deve ser usado automaticamente a cada início de sessão, que pode ser configurado pelo Aplicativos de Sessão.

Em segundo lugar, precisamos descobrir que comando é esse. Eu já li o manual pra você, então vou soprar a resposta. Execute o comando “pacmd list-sinks” num Terminal. Isso te dará uma lista de “pias” (sinks).

1 sink(s) available.
  * index: 0
    name: <alsa_output.pci-0000_00_1b.0.analog-stereo>
    driver: <module-alsa-card.c>
    flags: HARDWARE HW_MUTE_CTRL HW_VOLUME_CTRL DECIBEL_VOLUME LATENCY FLAT_VOLUME DYNAMIC_LATENCY
    state: SUSPENDED
    suspend cause: IDLE
    priority: 9959
    volume: front-left: 32770 /  50% / -18,06 dB,   front-right: 32770 /  50% / -18,06 dB
            balance 0,00
    base volume: 65536 / 100% / 0,00 dB
    volume steps: 65537
    muted: no
    current latency: 0,00 ms
    max request: 0 KiB
    max rewind: 0 KiB
    monitor source: 0
    sample spec: s16le 2ch 48000Hz
    channel map: front-left,front-right
                 Estéreo
    used by: 0
    linked by: 0
    configured latency: 0,00 ms; range is 0,50 .. 341,33 ms
    card: 0 <alsa_card.pci-0000_00_1b.0>
    module: 6
    properties:
        alsa.resolution_bits = “16”
        device.api = “alsa”
        device.class = “sound”
        alsa.class = “generic”
        alsa.subclass = “generic-mix”
        alsa.name = “ALC888 Analog”
        alsa.id = “ALC888 Analog”
        alsa.subdevice = “0”
        alsa.subdevice_name = “subdevice #0”
        alsa.device = “0”
        alsa.card = “0”
        alsa.card_name = “HDA Intel”
        alsa.long_card_name = “HDA Intel at 0xfeaf4000 irq 44”
        alsa.driver_name = “snd_hda_intel”
        device.bus_path = “pci-0000:00:1b.0”
        sysfs.path = “/devices/pci0000:00/0000:00:1b.0/sound/card0”
        device.bus = “pci”
        device.vendor.id = “8086”
        device.vendor.name = “Intel Corporation”
        device.product.id = “3a3e”
        device.product.name = “82801JI (ICH10 Family) HD Audio Controller”
        device.form_factor = “internal”
        device.string = “front:0”
        device.buffering.buffer_size = “65536”
        device.buffering.fragment_size = “32768”
        device.access_mode = “mmap+timer”
        device.profile.name = “analog-stereo”
        device.profile.description = “Estéreo analógico”
        device.description = “Áudio interno Estéreo analógico”
        alsa.mixer_name = “Realtek ALC888”
        alsa.components = “HDA:10ec0888,1b0a009f,00100001”
        module-udev-detect.discovered = “1”
        device.icon_name = “audio-card-pci”
    ports:
        analog-output-lineout: Saída de linha (priority 9900, latency offset 0 usec, available: no)
            properties:
               
        analog-output-headphones: Fones de ouvidos (priority 9000, latency offset 0 usec, available: no)
            properties:
                device.icon_name = “audio-headphones”
    active port: <analog-output-lineout>

Anote o nome daquela que tem a porta referente às caixas de som (algo como analog-output-lineout), que deve estar lá pela última linha de pia. No meu caso, a pia é “alsa_output.pci-0000_00_1b.0.analog-stereo“.

Em terceiro lugar, precisamos testar a solução. Abra o Controle de Som do Pulseaudio e mude novamente o som para os fones de ouvido, se já não estiver, então execute o comando pacmd set-sink-port seguido do nome da pia e do nome da porta. No meu caso, o comando foi:

pacmd set-sink-port alsa_output.pci-0000_00_1b.0.analog-stereo analog-output-lineout

Depois, cheque o Controle de Som do Pulseaudio novamente para ver se o som mudou dos fones de ouvido para as caixas de som. Se tiver, é porque esse comando serve também para nosso propósito e, de posse dele, podemos criar um script de inicialização de sessão com ele.

Por último, abra o Aplicativos de Sessão e adicione uma nova entrada. Ponha um nome com significado e o comando que deu certo, depois um comentário. No meu caso ficou:

Nome: Configuração da Porta de Som

Comando: pacmd set-sink-port alsa_output.pci-0000_00_1b.0.analog-stereo analog-output-lineout

Comentário: Conserta a saída de som do Pulseaudio.

Startup Delay: 0

Isso não resolve a causa do problema, mas anula seus efeitos, porque o som será direcionado às caixas de som automaticamente à cada sessão.

Anotações sobre a ética a Nicômaco.

  1. Todas as ações visam um bem. De fato, quando você faz alguma coisa, você visa alguma vantagem para si próprio. Pode ser prazer, utilidade, justiça… mesmo que isso venha do prejuízo alheio. Porém, algumas coisas nós fazemos em vista de obter outra, que pode ser feita em vista de obter ainda outra. Porém, isso não se estende ao infinito. Estudar o bem, então, orientaria todas as nossas ações. A ciência que parece estudar o bem é a… política?
  2. O fim alcançado pelo estado é mais belo, por beneficiar aos súditos também. Mas a política não é ciência exata e a busca pelo bem da cidade é um estudo proximal.
  3. A política é ação, prática.
  4. Para o grego antigo, bem agir e bem viver coincidem com felicidade.
  5. Para Aristóteles, entender a política requer educação específica.
  6. Para a maioria das pessoas, vive bem e age bem quem procura e encontra o prazer. Para essas, felicidade é prazer.
  7. Os que levam vida política procuram felicidade na honra.
  8. É uma busca difícil, porque honra é algo que depende mais de quem reconhece o outro como honrado e não tanto de quem procura a honra.
  9. A vida virtuosa não necessariamente traz felicidade.
  10. O dinheiro é apenas útil e é perseguido em nome de um fim maior.
  11. Aristóteles é mais amigo da verdade que de Platão.
  12. Há várias ciências que tratam do bem.
  13. Os bens particulares não diferem muito do bem em si.
  14. Se não houvessem bens particulares, não haveria sentido em conceber o bem em si, já que ele não poderia explicar nada.
  15. As ciências tratam do bem no sentido de alcançá-lo. Mas não procuram explicar o que ele é.
  16. Isso porque as ciências visam fins específicos. Que importa ao médico saber o que é a saúde? Basta para ele que os que estejam sob seus cuidados estejam bem.
  17. O bem de cada ciência é o fim que ela visa. Esse é um bem particular, não a ideia platônica de bem.
  18. O bem é aquilo que procuramos sem ser em vista de outra coisa. Por isso dizem que o dinheiro não traz felicidade. O dinheiro é usado para obter outra coisa que talvez lhe traga felicidade. Dinheiro é um meio e não um fim, então não é nele que está a felicidade.
  19. Aristóteles começa suas reflexões usando opiniões correntes porque, se uma das opiniões se mostrar verdadeira, ajudará bastante.
  20. É mais fácil achar a felicidade na virtude.
  21. Quem quer alcançar a felicidade pela virtude precisa praticá-la.
  22. A felicidade é um estado da alma alcançado por aqueles que se aproximam daquilo que amam. Só quem ama a virtude consegue ser feliz a praticando. Quem ama outras coisas deve se dirigir a essas coisas para obter felicidade. Por isso quem ama a riqueza procura o dinheiro. Não é que o dinheiro seja o que lhe faz feliz, mas a riqueza, o excesso, segurança social… Essas são as coisas que trazem felicidade, mas que são alcançáveis pelo dinheiro. Assim, o que amamos é aquilo que nos traz felicidade, mas para chegar àquilo que amamos usamos meios. A felicidade é talvez o único bem desejável por si mesmo. Tudo é feito em vista dela.
  23. Como pode ser feliz mais facilmente aquele que dispõe dos meios, há quem diga que obter felicidade também é questão de sorte. Afinal, se a vida te tira os filhos, se você é feio, se seus amigos são falsos e você ainda por cima é pobre, talvez tenha mais razões para se queixar da vida do que bendizê-la.
  24. Para Aristóteles, a virtude é ensinável. Então, se alguém pretende alcançar a felicidade pela virtude e a aprende a amar pelo seu estudo, pode se dizer que é possível obter, indiretamente, a felicidade pelo estudo.
  25. Uma felicidade obtida com o próprio esforço é melhor que uma felicidade obtida com sorte.
  26. Só seres humanos adultos podem ser felizes.
  27. Se felicidade é um tipo de atividade, ninguém é feliz enquanto de morto. Óbvio.
  28. Porém, existem os que sustentam que não existe felicidade, mas “momentos felizes”, no sentido de que a felicidade não tem caráter estável porque a própria pessoa não o é.
  29. Mas a felicidade obtida pela virtude é estável, porque ações virtuosas tem resultados de longa duração.
  30. A pessoa feliz não é imune ao azar, mas a forma como ela lida com o azar faz sua felicidade permanecer ou não. Além disso, pequenos acontecimentos ruins não atrapalham a felicidade. Então não é necessário ter uma vida perfeita para ser feliz.
  31. A virtude permite lidar melhor com infortúnios.
  32. Se felicidade é ação, então a pessoa virtuosa não ficará infeliz na medida em que não pratica o mal.
  33. A felicidade do virtuoso é estável porque não serão pequenos acidentes que o deixarão infeliz. E, se grandes acidentes acontecem, ele se recupera rapidamente.
  34. A felicidade pessoal também depende da felicidade dos amigos e dos parentes. Os infortúnios deles nos afetam.
  35. A virtude se ensina pelo hábito.
  36. Todas as virtudes, tal como as artes, são adquiridas pela prática. “Se aprende fazendo”. Isso, Aristóteles inventou essa expressão. Ele também inventou “uma andorinha só não faz verão.”
  37. Para Aristóteles, o papel do legislador é incutir na população bons costumes. Assim, todas as leis supostamente boas são aquelas que reflectem a visão do legislador sobre o que é bom e o que é ruim. Uma constituição dessas força as pessoas a praticar atos bons e, se a virtude é ensinada com o hábito, tem como função melhorar a população como um todo.
  38. A forma como alguém age em determinada circunstância o faz bom ou mal em algo. Dois caras tocam a lira (circunstância igual), um toca bem e o outro mal (ações). O que tocou bem é um bom tocador de lira. Da mesma forma, aquele que melhor se comporta numa situação que instiga ira é tido por calmo…
  39. A boa ação frente a algo é uma ação comedida, equilibrada. Se você foge de tudo, é um covarde, mas se não foge de nada é um imprudente. Exercício demais causa lesões e desgaste, exercício de menos causa fraqueza e indisciplina. “Virtude está no justo meio.” É, ele inventou isso também…
  40. Aristóteles era comportamental ao dizer que pela educação podemos tirar prazer de coisas que deveriam nos ser prazeres e de sentir dor com coisas que deveriam causá-la. Se formos instigados a sentir prazer praticando ações boas, as procuraremos pelo prazer que causam. Assim, prazer e dor são bússolas que guiam a educação da virtude.
  41. Coisas nobres e vantajosas também se apresentam como agradáveis, prazerosas, enquanto que coisas vis e prejudiciais se apresentam como dolorosas.
  42. Não é possível ser bom sem prática.
  43. A teoria de que a virtude não é ensinável torna os filósofos adeptos conformados. De que adianta saber que o homem virtuoso deve agir desta ou daquela forma se eu já me identifiquei como não virtuoso? O comportamento desses adeptos jamais pode mudar se necessário porque esses adeptos já vêem esse esforço como inútil.
  44. Platão deixou a definição de virtude em aberto, mas diz que ela é fruto de uma feliz opinião que vem de algum lugar. Mas Aristóteles diz que a virtude é uma de três coisas. Ou ela é disposição de caráter, faculdade mental ou paixão.
  45. Virtudes têm a ver com escolhas, segundo Aristóteles.
  46. A virtude é disposição de caráter. No sentido aristotélico, “disposições de caráter” não são inatas.
  47. A virtude humana é aquilo que nos torna bons ou que nos permite fazer bem nossa função.
  48. A virtude visa o meio-termo. Excesso e falta destroem o objeto. Nem o entregar-se completamente a algo nem a abstinência de algo fazem a felicidade de alguém.
  49. Porém, isso é numa situação em que a pessoa pode dar-se ao excesso, dar-se à falta ou escolher o meio-termo. Não existiria a “virtude de não fumar cigarro” porque não existe meio-termo saudável nessa prática. Ou você é saudável por não fumar ou é doente por fumar.
  50. Virtude não é o fim das emoções, mas a sua condução correta. Sentir-se deste ou daquele modo, com esta ou aquela pessoa, da forma comedida… É bem fácil fazer relação entre a prática e a aquisição desse tipo de virtude.
  51. Isso não é válido somente para as emoções. Virtudes referem-se também à ações. Virtuosa é a ação comedida numa situação onde excesso e carência constituem erros.
  52. Mas isso significa que ser virtuoso é difícil! O mal é ilimitado e o bem limitado, segundo os pitagóricos. Acerto é um só, mas existem vários jeitos de errar a medida.
  53. Virtude aristotélica numa meia-concha: disposição de caráter relativa a escolha e que consiste na medida correta, que deve ser avaliada segundo cada caso e requer sabedoria prática.
  54. As proposições gerais precisam estar em harmonia com casos particulares. Do contrário, a teoria se desligaria da prática, o que é inaceitável numa discussão sobre ética.
  55. As pessoas que manifestam vícios julgam que os virtuosos são viciosos. Aquele que peca por excesso de pudor, considera o modesto um despudorado. Da mesma forma, o despudorado considera o modesto alguém com excesso de pudor. Por ser difícil achar a medida certa de cada ação ou paixão, podemos nós mesmos ser viciosos e nos julgarmos virtuosos, ao passo que emitimos um julgamento errado sobre o próximo.
  56. A virtude é o meio-termo entre dois vícios, um por carência e o outro por excesso.
  57. Para achar a medida certa ou se aproximar dela, devemos ir na direção do extremo que parece ser o menos danoso.
  58. É menos digno de censura aquele que peca sem querer. Se ele errou por excesso ou por falta, mas porque é ignorante, por exemplo, ele é digno não de pena, mas de instrução. Mas… como saber quando alguém fez algo sem querer?
  59. Não é voluntária a ação cometida por ignorância ou por compulsão. Compulsão é, no dizer aristotélico, “aquilo cuja causa motora se encontra fora de nós”. Isto é, quando nossa ação ocorre em função da ação de uma causa externa. É essa que está agindo. Se a ação causa dor e nós não queremos praticá-la, mas não temos escolhas porque somos influenciados por forças maiores, é involuntária.
  60. Algumas ações voluntárias podem ser involuntárias dependendo do ponto de vista. É algo que depende de cada caso.
  61. Ações feitas por ignorância merecem perdão.
  62. Ação voluntária é aquela praticada pelo indivíduo, de sua vontade e não coagido por força maior, que está completamente ciente do que está fazendo.
  63. Não podemos culpar nossas emoções por algo que praticamos.
  64. Desejo e escolha são coisas diferentes. É possível desejar o que quer que seja, mas só podemos escolher coisas que são possíveis para nós. Posso desejar ser imortal neste instante, mas não é isso possível. Posso desejar digitar este texto e isto é possível, então eu posso escolher fazê-lo. A escolha é um meio de alcançar o que se deseja.
  65. As escolhas não podem se basear em opiniões, mas em juízos sólidos de bom ou mau. Decisões com base em opiniões não são escolhas, porque o valor de cada opção é ignorado. É como agir por impulso, não se pode chamar isso de “escolha”.
  66. Só que o juízo de bom ou mau varia de pessoa para pessoa. Além do mais, só sabemos se nossa escolha foi ou não uma boa escolha depois de tê-la feito…
  67. Mas pode-se dizer que escolha é a decisão com base em princípios racionais do pensamento entre duas ou mais opções.
  68. Deliberações são feitas sobre coisas que estão ao nosso alcance e que podem ser realizadas. Deliberações sobre o impossível ou sobre coisas sobre as quais não podemos agir são loucas.
  69. Não é possível deliberar sobre nossas funções também. Thomas escreveu que um cientista, durante suas pesquisas, não deveria parar para se perguntar se aquilo é o que ele deveria estar fazendo. Enquanto o cientista exerce seu ofício, ele não pode pensar se deveria o estar exercendo. Da mesma forma, o legislador, enquanto legisla, não deve se perguntar se deveria estar legislando. Essas são coisas que se faz em outra hora.
  70. Porém, durante o exercício da função, na qual os fins não são questionados, os melhores meios para alcançar o fim ainda são motivo de deliberação.
  71. Dá pra deliberar sobre nossos fins quando todos os meios de chegar a ele falham. Aí se pode questionar se o que estamos tentando fazer é ou não possível. Afinal, sem meios, o trabalho é suspenso e ficamos ociosos.
  72. Não se delibera sobre o que parece óbvio.
  73. Em geral, queremos o bem. Mas cada pessoa, em particular, julga bom aquilo que lhe parece bom. Podemos chamar de boa aquela pessoa que consegue mais se aproximar do bem verdadeiro entre os aparentes em suas escolhas.
  74. Muitas condições ruins que nos levam a agir malignamente poderiam ser evitadas. Por vezes, nós estragamos nosso corpo por não cuidar dele e, quando vemos o que fizemos, não podemos mais voltar atrás. Estava em nosso poder evitar a decadência do corpo, mas, depois de destruído, não está em nosso poder recuperá-lo. Quando estamos bêbados, talvez façamos um crime. Embora cometer o crime não fosse diretamente nossa culpa, pois que estávamos bêbados, é culpa nossa estarmos bêbados em primeiro lugar, logo o crime é indiretamente nossa culpa. Se praticamos a injustiça várias vezes, nos tornamos injustos e, depois de termos o feito, é difícil tornar-se justo. Mas é culpa nossa termos nos tornado injustos se, voluntariamente, praticamos várias ações injustas no passado, quando ainda podíamos resistir a elas.
  75. O medo é a antecipação de algo ruim.
  76. Existem coisas que devemos temer.
  77. Existem coisas que só se devem temer em certas situações.
  78. Existem coisas que não devem ser temidas mais que o necessário.
  79. Existem coisas que não devemos temer.
  80. Alguns “corajosos” são movidos por medo de penas ou medo da vergonha. Parecem corajosos ao enfrentar o perigo, mas é porque sentem que há um perigo maior e mais mesquinho se não o fizerem. Não fazem porque é nobre, mas porque temem a censura pessoal.
  81. A coragem é aquela que não vem da coação.
  82. A paixão (emoção) auxilia a coragem.
  83. Otimismo não é coragem, por se basear numa opinião. O bravo está ciente do perigo, mas o otimista supõe que não haja perigo ou que este seja irrisório.
  84. A coragem em mais evidente quando mais próxima do vício do medo. Ela fica entre a covardia e o excesso de confiança, mas é mais fácil reconhecer o corajoso em situações que inspiram medo e não nas que normalmente inspiram excesso de confiança.
  85. É mais fácil se abster do que é bom do que suportar o que é doloroso. É por isso que é difícil quebrar certos vícios. Seria mais difícil se viciar em álcool se não houvesse uma dor que leva o indivíduo a beber em excesso e que desaparece com a embriaguez. Bebem não porque é prazeroso beber, mas porque a dor que os levou a beber se impõe se não o fizerem.
  86. A intemperança não se relaciona a qualquer tipo de prazer, mas apenas aos prazeres do tato, pois são os prazeres que os outros animais também sentem ou sentem com mais intensidade. Ou seja, a intemperança tem a ver com prazeres animalescos, como o prazer da comida e o do sexo.
  87. Intemperança é “mais voluntária” que a covardia.
  88. “Riqueza” é qualquer coisa que se mede pelo dinheiro.
  89. O pródigo se arruína porque não julga seus bens com a devida medida, gastando em excesso e dando em excesso.
  90. Liberalidade é doar na medida certa. Fica entre a prodigalidade e a avareza. Se você tem menos e dá menos, é mais liberal que aquele que tem mais, mas dá a mesma quantidade.
  91. Ninguém pode ser rico sem esforço. Mesmo o que nasceu rico, se não se esforçar em manter a riqueza, ficará pobre. Aquele que nasceu pobre, se não se esforçar em crescer na vida, permanecerá pobre.
  92. O pródigo ainda é mais útil que o avaro.
  93. Para Aristóteles, a avareza não parece ter cura.
  94. Para Aristóteles, a cobiça é um tipo de avareza.
  95. Parece que todas as virtudes visam a honra.
  96. A magnanimidade é a “coroa das virtudes”: ressalta as virtudes que já temos e não existe sem um conjunto de outras virtudes.
  97. Magnanimidade não é arrogância. É ter para si o devido valor como pessoa. O arrogante se acha mais do que na verdade é. Enquanto que o tímido se acha menos do que é.
  98. Aqueles que pecam pelo excesso de raiva, contra-atacam imediatamente, de forma que sua raiva não permanece por muito tempo.
  99. É possível também pecar por desejo de agradar. Isto é, fazer tudo para agradar, sem jamais censurar quando se deve. É possível também pecar por grosseria, censurando tudo e todos.
  100. Falsa modéstia difere da modéstia. Enquanto a modéstia é recusar um elogio que vem, a falsa modéstia é negar as capacidades que possui. Sócrates era falsamente modesto, porque fingia ignorância.
  101. Há meio-termo também nas piadas.
  102. Não se deve louvar aqueles que sentem vergonha de seus atos, porque só sentem vergonha se voluntariamente praticam algo censurável. Como a vergonha acompanha más ações, aquele que a sente fez algo ruim, então não se deve louvá-lo por isso.
  103. Discussão sobre a justiça.
  104. É possível conhecer algo pelo estudo de seu oposto. Quando estudamos hábitos saudáveis, logo descobrimos que hábitos não são saudáveis, apesar de não tê-los como objeto de estudo inicial.
  105. O justo é honesto e obediente às leis.
  106. A justiça é escritora. Ela prescreve ações virtuosas na forma de leis. Como dito, a população torna-se melhor e mais virtuosa pela prática e nada melhor para fomentar uma prática do que uma pena para os que não praticam.
  107. A justiça é a virtude completa, na qual estão compreendidas todas as virtudes. É a única que pode se estender ao próximo.
  108. O injusto lucra com atos vis.
  109. O trabalho do juiz é, pela pena, igualar perdas e ganhos entre ofensor e ofendido. O ofendido recebeu um dano do ofensor então ou o ofensor restitui o que tirou do ofendido ou recebe um dano proporcional. Platão diz que esse é um modo de curar a alma.
  110. Os pitagóricos definiam justiça como reciprocidade.
  111. A justiça deve levar em conta vários fatores para determinar perdas e ganhos. Não se pode, por exemplo, desferir um dano de natureza igual sobre alguém que causou esse dano sem querer. Coisas como coação, posição social e outras coisas entram no juízo.
  112. O dinheiro foi feito para facilitar a transação de objetos e de serviços. Se as coisas fossem recíprocas, o escambo seria muito confuso. O arquiteto que quisesse um sapato teria que oferecer uma casa ao sapateiro, já que estariam trocando seu serviço pelo serviço do outro. Atribuir um valor de troca para cada um permite saber quantos pares de sapato vale uma casa, por exemplo, tornando a troca mais fácil. Mas isso faz do dinheiro um mediador. O arquiteto então compraria o sapato do sapateiro pelo valor do sapato e não com seu serviço.
  113. O que torna o dinheiro valioso somos nós. Ele é uma convenção.
  114. O que faz os preços aumentarem ou diminuírem é a procura.
  115. O valor do dinheiro é inconstante, mas mais estável que o valor dos próprios objetos.
  116. Existem ações injustas e pessoas injustas. Roubar uma vez não te torna ladrão. Então, embora, ações injustas sejam injustas sempre, a pessoa que comete um ato injusto não necessariamente é injusta.
  117. Quando um governante passa a arrogar para si aquilo que ele não merece e, por isso, começa a agir injustamente, ele acaba se tornando um tirano.
  118. Existem leis naturais e existem leis humanas. As humanas são mutáveis, enquanto as naturais não mudam.
  119. O que torna o praticante de uma ação injusta uma pessoa injusta é a voluntariedade. Se a pessoa fez, de boa vontade, um ato injusto, ciente de sua injustiça, ela é injusta, por que fez, de propósito, o que sabia ser errado.
  120. Quando injusto acontece, mas vem de uma fonte externa, temos um infortúnio. Se algo injusto acontece e somos a causa disso, mas por ignorância, temos um engano. Se algo injusto acontece, sabemos que é injusto, mas não fizemos de propósito, temos um ato injusto que não torna o praticante uma pessoa injusta. Se algo injusto acontece, sabemos que é injusto, nós somos a causa e fizemos de propósito, temos um ato injusto que nos caracteriza como injustos.
  121. Pode alguém aceitar ser vítima de uma injustiça e sê-la voluntariamente?
  122. Não é possível sofrer injustiça voluntariamente, isto é, se colocar na posição paciente enquanto alguém pratica um dano contra você.
  123. É possível ser injusto consigo próprio. Por exemplo, os modestos recusam elogios que lhe são próprios.
  124. Para Aristóteles, a justiça é algo humano. Só nós poderíamos ser justos, então. Não que ser justo seja fácil.
  125. Existem coisas que são impassíveis de ser explicadas universalmente.
  126. Quando exceções à regra são descobertas, o indivíduo pode permitir-se ajustar a regra.
  127. Leis devem ser universais. Se a universalidade de uma lei é contestada, ela precisa de ajustes.
  128. Existem três guias da ação: sensação, razão e desejo.
  129. A origem da ação é a escolha, motivada pelo desejo e feita pela razão.
  130. Existem cinco manifestações da verdade: arte, ciência, sabedoria prática, filosofia e razão intuitiva. Vale lembrar que “arte” não é a arte estética, mas a técnica.
  131. Aristóteles já distinguia indução da dedução (silogismo). Indução tenta chegar ao universal pelos particulares. Dedução tenta chegar aos particulares pelo universal.
  132. Segundo Aristóteles, os pressupostos usados no silogismo vêm da indução.
  133. Os primeiros princípios são apreendidos primeiro pela razão intuitiva.
  134. A sabedoria é o conhecimento mais perfeito.
  135. Se o gênero humano não é a melhor coisa do mundo, qualquer ciência que trate das pessoas não é a melhor que existe.
  136. Sabedoria geral e sabedoria prática não necessariamente coincidem.
  137. A sabedoria filosófica trata das coisas mais gerais, enquanto que a sabedoria prática trata das coisas particulares. Uma trata daquilo que é certo, a outra do que é vantajoso.
  138. A sabedoria filosófica é conhecimento científico combinado com razão intuitiva.
  139. A razão do filósofo não ser visto como alguém lá muito útil é simples. Ele não busca o conhecimento dos seres humanos para os seres humanos se não acidentalmente, porque está preocupado com o conhecimento das coisas maiores. A exemplo disso temos os filósofos físicos. Que o mundo veio da água ou do ar é muito bonito e interessante, mas que diferença faz?
  140. A sabedoria prática é preferível à sabedoria filosófica, porque auxilia na resolução dos problemas mais iminentes. Não tem muito juízo quem se preocupa com coisas mais elevadas sem ter resolvido questões como alimentação, pagamento e abrigo antes. Bem que meu pai disse pra eu cursar filosofia só quando eu já estivesse estável, como forma de enriquecimento pessoal.
  141. A sabedoria prática não versa apenas sobre os universais. Por se desenrolar na prática, ela trata muito mais sobre particulares. O conhecimento dos particulares vem da experiência, a qual os jovens não tem, porque são novos ainda. Então, Aristóteles não acredita que exista um jovem com sabedoria prática ou que esse tipo de jovem seja comum. Julgando pelo que sei do contexto grego, a sabedoria prática só poderia vir depois dos trinta anos.
  142. A deliberação boa não necessariamente produz o bem, porque se pode deliberar como obter um fim que é mau. É o que fazem os criminosos. Da mesma forma, é possível obter uma resposta certa por um raciocínio errado, então a má deliberação pode produzir o bem.
  143. Existe uma idade para cada faculdade. A razão intuitiva vem em determinada idade, a inteligência em outra e por aí vai. Alguns as desenvolvem mais cedo, de forma que elas lhe parecem inatas.
  144. Só pessoas boas podem obter sabedoria prática.
  145. A razão parece transformar predisposições à coragem, temperança e outras em virtudes de fato.
  146. As virtudes envolvem sabedoria prática.
  147. O exercício da sabedoria prática leva a pessoa a colecionar todas as virtudes.
  148. Existem três tipos de moral que devem ser evitadas: vício, incontinência e rudeza.
  149. O contrário do vício é a virtude e o da incontinência é a continência. Mas não há oposto à rudeza entre os seres humanos, só entre os deuses. Pelo menos, homens brutos são raros, segundo Aristóteles.
  150. Para Aristóteles, a pessoa dotada de sabedoria prática não poderia praticar atos vis na medida em que sabe que o são. Porém ele diz que convicções frágeis cedem sob apetites sensuais. A tentação de fazer o que é errado é muito maior quando não sabemos com certeza se nosso desejo é errado.
  151. Continência (refrear desejos presentes) não é o mesmo que temperança (não desejar o que é ruim).
  152. O conhecimento não necessariamente impede alguém de praticar o que é errado: podemos saber que é errado agredir alguém e ainda o fazer durante um acesso de ira. Nossa razão pode ser suspensa pela emoção.
  153. Além do mais, é possível que um bêbado recite Empédocles. Ele poderia ter conhecimento do que faz, mas, estando embriagado, ainda faria coisas erradas, porque seu julgamento está tolhido.
  154. Pode haver excesso mesmo nas coisas boas. O cuidado com a família, por exemplo, também pode ser demais. Excesso é identificado como prejuízo causado pela superabundância de algo. É “excessivo” aquilo que está em grau alto a ponto de causar prejuízo.
  155. Porém, se praticamos o excesso de algo bom, somos incontinentes em relação àquilo e não incontinentes em sentido absoluto.
  156. Não se aplica o nome “incontinente” à pessoas que sofrem de algum mal congênito ou que estão sob condições mórbidas, porque o controle estaria completamente além de suas forças. A continência e a incontinência são genuinamente humanas e se referem a coisas que humanos podem suportar. Engraçado que, segundo essa definição, a pessoa com esfíncter urinário de nascença fraco e que nunca aprendeu a parar de molhar as calças não poderia ser chamada “incontinente”.
  157. A incontinência em relação à cólera é menos vergonhosa porque a cólera só se mostra quando nos reconhecemos como ofendidos. A incontinência em relação aos apetites é mais vergonhosa porque ela é espontânea. A cólera só acontece por um motivo externo, mas você não precisa de um motivo externo para querer comer um pudim fora de hora, não precisa nem mesmo estar com fome, bastaria lembrar de que é bom e o desejo viria. Não é possível sentir raiva por conta própria, ela é fruto de um raciocínio, mesmo que breve.
  158. Além disso, a raiva é algo que acomete a todos, enquanto que o desejo por coisas como glória, fama, tipos específicos de comida não acomete a todos. Por isso, podemos entender e talvez até perdoar acessos de fúria. Mas desejos mais particulares são mais difíceis de perdoar, por nem sempre os entendermos, por sua vez porque nem todos os experimentam.
  159. A cólera é mais justificável por tentar sanar uma dor. Os outros excessos não visam sanar dor alguma, mas apenas obter mais prazer. Isso não quer dizer que a cólera seja boa, mas que os excessos de raiva são mais justos e até mais produtivos que a gula, por exemplo.
  160. A razão também é fonte de maldade.
  161. É necessário se arrepender para mudar. Não é possível mudar alguém que não reconhece o problema.
  162. O intemperante é o que não resiste às pulsões que a maioria resiste, enquanto que o incontinente cede à pulsões que a maioria não resistiria. O incontinente tem desejo ou tem desejo forte, mas não é capaz de dominar-se. O intemperante é pior, porque tem vontade fraca, então imagine se ele tivesse uma boa razão para ser ruim ou se ele estivesse sob um desejo que é humanamente extenuante, como no caso do incontinente. Ele seria capaz de um mal maior do que o incontinente, que faz algo errado por ter desejos verdadeiramente fortes.
  163. O intemperante é “incurável”, porque preferem ouvir o corpo e não a razão. O incontinente ouve a razão e sabe que o que está fazendo é errado, mas peca por falta de força de vontade.
  164. Mas só é incontinente aquele que cede ao que é vergonhoso. Não deve ser chamado incontinente quem diz a verdade, algo que é honroso, quando o melhor curso de ação é mentir.
  165. O intemperante prefere ouvir o corpo em lugar da razão, por isso faz o que faz. O incontinente sabe que deve ouvir a razão, mas não pode evitar transgredi-la.
  166. Para Aristóteles, o estudo filosófico da dor e dor prazer é incumbência do filósofo político.
  167. A contemplação é um prazer que não envolve apetite nem dor.
  168. O prazer não é processo, mas fim. Isso é retomado por Epicuro.
  169. Algo não é ruim só porque é buscado por tolos.
  170. Bondade não necessariamente traz felicidade.
  171. A amizade parece justificar a vida. Não vale a pena viver sem amigos.
  172. Os ricos e poderosos são os que mais precisam de amigos, porque gastar só consigo mesmo não é o bastante.
  173. Os ricos também precisam de amigos porque é mais difícil defender sozinho uma grande riqueza.
  174. O ser humano não é o único capaz de sentir amizade, porque pais a sentem naturalmente pelos filhos, algo observável também na natureza, entre animais comuns.
  175. A amizade é produtiva porque multiplica a capacidade de ação e de pensamento. Um grupo sempre consegue mais do que consegue um indivíduo.
  176. Amamos aquilo que nos parece bom. O bom em si difere do bom em particular e por vezes se entra em conflito com ele.
  177. Os amigos amam-se um ao outro. Não é possível ser amigo de algo inanimado porque não há amor recíproco.
  178. Amizade é benevolência recíproca entre pessoas que conhecem os sentimentos um do outro.
  179. Existem pessoas que amam a outra pela sua utilidade prática. Quando a pessoa cessa de ser útil, cessa o amor por ela.
  180. Existem pessoas que amam a outra pelo prazer que proporcionam. Mas esse amor também não necessariamente é durável.
  181. A amizade verdadeira requer que a pessoa queira bem também ao outro, de forma que esta difere das outras formas de amor por não apenas tomar utilidade, mas também oferecê-la, tal como prazer. Não há amizade se você recebe do outro sem se comprometer em dar algo em troca, que, nesse caso, é o aperfeiçoamento.
  182. Esse tipo de amizade continua enquanto as duas partes forem boas e a bondade é algo durável.
  183. A amizade verdadeira é rara como as próprias pessoas boas e requer tempo para se estabelecer. Esses são amigos no mais alto grau. As outras formas de amizade são inferiores.
  184. A distância interrompe as atividades da amizade, mas não necessariamente a mata.
  185. Procuramos amigos agradáveis, mas não necessariamente o amigo agradável é bom. Daí a amizade falsa.
  186. A amizade igualitária é experimentada entre iguais. Quando pai e filho se amam, o amor é diferente de um para o outro. A forma como o filho ama o pai, seu superior, não é a mesma forma como o pai ama o filho.
  187. Para Aristóteles, é impossível ser amigo de alguém muito superior ou inferior. É impossível, para ele, que um ser humano seja amigo de um deus. A amizade ocorre entre semelhantes.
  188. É possível se deleitar em amar sem ser amado de volta. É o caso das mães, que amam os seus filhos e gostam de vê-los prosperar, mesmo quando, ingratos, não lhe dão o devido respeito.
  189. A amizade é pautada no amor.
  190. O amor platônico como desejo daquilo que não se tem é criticável: amar alguém porque ela tem uma qualidade que reconhecemos como boa e que nós não temos é um tipo de interesse.
  191. Diferentes comunidades parecem ter diferentes tipos de amizade.
  192. Três tipos de governo: monarquia, aristocracia, a moda de Esparta. A monarquia é o melhor e a moda Espartana o pior, segundo Aristóteles.
  193. Três tipos de estados perversos: tirania, oligarquia, democracia. A tirania é o pior deles, a democracia é o melhor.
  194. Os tipos de governo podem ser encontrados na família. Os irmãos são democráticos entre si, mas submissos ao mando do pai, que forma uma aristocracia com a mãe.
  195. Num sistema de governo, a amizade é possível quando há justiça.
  196. É possível ser amigo de um escravo enquanto ele não está sendo mandado. Enquanto está exercendo sua função, o escravo deixa de ser humano e se torna ferramenta. A amizade prejudica o trabalho do escravo, por aproximá-lo de seu senhor e os gregos amavam um escravo obediente.
  197. Casais com filhos não se divorciam facilmente porque os filhos são um bem comum. Quanto mais coisas cada parte do casal tem em comum, mais difícil é se divorciar. Então a comunhão de bens não é opção, se você quer ser precavido.
  198. A amizade pautada na utilidade é a que comporta mais queixas.
  199. A amizade não é um comércio. Não se deve pensar que fazer amigos com vistas na multiplicação do seu quinhão, como no comércio, onde quem entra com mais recursos sai com ainda mais recursos.
  200. Quando não podemos saldar uma dívida com um amigo, é nobre que demos o nosso melhor em saldar o que pudermos. Como no caso do filho com o pai. Como retribuir um pai por ter dado ao filho a existência?
  201. A proporção preserva a amizade.
  202. Permitir que o consumidor escolha o preço da mercadoria evita queixas. Os sofistas procediam assim, porque reconheciam que seus ensinamentos não valiam muito mesmo. Isso acontece hoje também, principalmente na Internet.
  203. O comprador julga algo segundo o valor que ele pensa que aquela coisa tem, não seu valor depois de comprada. Por isso ocorrem devoluções, quando algo se mostra defeituoso, e queixas, quando o produto não faz aquilo que achamos que faria.
  204. Só é possível amar o que se afigura bom.
  205. Não é possível amar o que se afigura mau. Se for realmente mau, não se deve nem tentar.
  206. Quando nosso amigo se torna mau, não deveríamos romper com ele imediatamente, mas tentar trazê-lo à bondade novamente. Se isso não for possível, é justo abandoná-lo.
  207. Antigos amigos ainda podem ser tratados mais respeito que os desconhecidos.
  208. Quem não ama a si mesmo, julga não ter nada de amável em si. Se não tem nenhuma qualidade amável, é impossível ser amigo de alguém.
  209. O início da amizade da mais elevada espécie é a benevolência. Quando ela chega ao ponto de intimidade, pode se dizer que os dois ficaram amigos.
  210. O benévolo ama fazer bem aos outros, como se os outros fossem suas “obras”. Isso porque produzir algo dá a sensação de que nossa existência é justificada.
  211. Existem duas formas de amor a si mesmo: o amor que procura dar-se prazer e o amor que procurar se aperfeiçoar.
  212. Se a felicidade é atividade, mesmo o que se basta e sumamente feliz precisa de amigos aos quais fazer bem, para manter a felicidade. Se bem que isso sugere que ninguém é capaz de bastar a si mesmo…
  213. Para Aristóteles, viver é caracterizado por perceber ou pensar. O ser que não pensa e não percebe não está vivo. Implica que Aristóteles não confere vida às plantas, mas aos animais e deuses apenas (aos animais porque percebem e aos seres humanos e deuses porque percebem ou pensam).
  214. Perceber que estamos vivos é “perceber que percebemos” ou que pensamos.
  215. Amizade é condição de possibilidade da felicidade. Não é possível ser feliz sozinho.
  216. “Medida certa” não precisa ser algo fixo, mas algo que fique entre duas coisas fixas.
  217. Não devemos ter um grande número de amigos, porque isso prejudica a intimidade. Poucos amigos já é um nível bom.
  218. A educação dos jovens era feita com os “lemes” do prazer e da dor. Ensinar dessa forma é meio comportamental.
  219. O prazer é um bem em si mesmo.
  220. Prazeres que os são para pessoas ruins não são prazeres para pessoas boas. O prazer depende da pessoa.
  221. Prazer é atividade. Como não podemos nos dedicar continuamente, com a mesma intensidade, a uma atividade, não podemos estar sempre contentes.
  222. Parece que existem diferentes tipos de prazer que atraem de forma diferente diferentes tipos de pessoa.
  223. Gostar daquilo que fazes te torna produtivo naquilo.
  224. Quando tentamos prestar atenção em duas coisas, a que é mais prazerosa toma mais atenção.
  225. Se a felicidade não fosse atividade, bastaria estar deitado para ser feliz.
  226. Felicidade é fim em si mesma. Ninguém se pergunta “por que quero ser feliz?”
  227. Aristóteles pensava que a função da recreação e do divertimento era nos refrescar antes de voltarmos à labuta.
  228. A filosofia, para Aristóteles, é um “saber pelo saber.” Não precisa ter utilidade prática, saber que algo é ou não é de tal forma é o bastante. Aquilo que a filosofia pode até ser usado de forma prática, mas essa não é sua meta e não ocorre se não por acidente.
  229. A vida conforme a razão é a mais feliz. Isso é retomado pelos estóicos.
  230. Os atos virtuosos parecem depender de oportunidades para acontecer. Os atos contemplativos não dependem.
  231. Não é necessário ter muitos bens para ser feliz, só o bastante para ser capaz de se dedicar à contemplação.
  232. O filósofo é o mais feliz.
  233. O estado deveria se ocupar em fazer leis também para a educação. Parece que só Esparta fazia isso nos tempos de Aristóteles.
  234. É a prática que faz a profissão. O simples estudo dos livros não faz, por exemplo, o filósofo, mas o estudante de filosofia. Para ser filósofo, é necessário filosofar. Da mesma forma, não é o estudo que forma o médico, mas a sua prática. Estudar é útil, mas o que só estuda sem praticar não é mais que um estudante.

20 de maio de 2015

Como consertei o som do LMDE.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 03:10

SoFurry – The furry creativity home.

Depois de atualizar o LMDE1 para o LMDE2, comecei a experimentar um problema muito irritante: o som das minhas caixas de som havia desaparecido. Procurando soluções online, vi que eu podia redirecionar o som para as caixas de som utilizando o pavucontrol. O pavucontrol (Controle de Volume do Pulseaudio) denuciou que, depois da atualização, o som estava sendo enviado para os fones de ouvido, os quais não existiam, logo não havia som. Redirecionei o som usando o pavucontrol e tudo deu certo…

Até que eu tive que encerrar a sessão e voltar, apenas para ver que o problema estava ali novamente. Procurei soluções por dois dias, mas sem sucesso. Então eu tive que raciocinar. Em algum momento, eu quebrei o som completamente, de forma que nem o pavucontrol resolvia. Então entrei em outra conta e verifiquei se o problema acontecia lá também. Não acontecia. Então, o problema era relativo à minha conta, o que é uma pista e tanto! Isso significa que o problema residia em algum arquivo de configuração no meu diretório pessoal.

Existe um diretório oculto na pasta pessoal chamado .config, onde ficam os arquivos de configuração, inclusive, do Pulseaudio. Por alguma razão, esses arquivos de configuração estavam sendo reescritos a cada início de sessão. Eu já tive um problema parecido. Seguinte:

  1. Vá ao diretório pessoal.
  2. Aperte Ctrl+H, isso mostrará os diretórios e arquivos ocultos.
  3. Entre em .config.
  4. Apague o diretório pulse dentro de .config.
  5. Encerre sua sessão.
  6. Entre novamente.
  7. Chame o Controle de Volume do Pulseaudio.
  8. Direcione o som para as caixas de som. Isso irá criar um arquivo de configuração correto no diretório de configuração, mas ainda precisamos impedir que ele seja reescrito.
  9. Volte para ~.config/pulse.
  10. Altere as permissões de todos os arquivos lá dentro, de forma que apenas o proprietário tenha permissões de escrita sobre eles (isso é feito pelas propriedades do arquivo, acessíveis pelo menu de contexto).
  11. Volte para ~.config.
  12. Mude as permissões do diretório pulse, para que ele também fique somente leitura.
  13. Mude as permissões do pavucontrol.ini, um arquivo também naquele diretório, para somente leitura.
  14. Encerre sua sessão.

19 de maio de 2015

Estou esquecendo algo importante.

Filed under: Organizações — Tags:, , , — Yure @ 18:07

Attention Required! | CloudFlare.

Estou esquecendo de não nutrir altas esperanças. Quando eu inclui aquelas disciplinas, eu imaginei que minhas presenças entrariam antes do dia do reajuste. Parece que não entraram e fomos todos reprovados por faltas. Com isso, os alunos do último semestre de filosofia da educação não podem cursar nem monografia nem estágio. Logo, tecnicamente, eu não me matriculei em nada.

Amanhã, eu tentarei resolver isso na proreitoria de graduação. Permita-me explicar o que aconteceu. Pouco depois do início da disciplina de filosofia da educação, a professora passou no doutorado e fugiu do estado, nos deixando à mercê do destino. A coordenação passou o mês de março e o de abril negociando qual professor assumiria a disciplina. No fim das contas, ficou acertado que os dois níveis de filosofia da educação seriam unidos. Assim, os alunos de filosofia da educação nível um não tiveram prejuízos, mas nós, do nível dois, perdemos dois meses de aula. Mas isso não foi culpa nossa, não faltamos por desinteresse, não faltamos por razões médicas. Faltamos porque não havia professor. Matematicamente, nenhum aluno do nível dois poderia ser aprovado nessas condições. Eu tentarei argumentar com a proreitoria usando isso.

Em todo caso, se eu não conseguir consertar esse problema, me matriculei em quatro disciplinas à noite para que o semestre não passe em branco:

  • Filosofia social e política nível dois.
  • Filosofia da educação nível dois.
  • Estágio supervisionado nível dois.
  • Monografia nível dois.

Provavelmente, se eu não conseguir resolver nada, apenas filosofia social e política e filosofia da educação serão aceitas. Pelo menos, não será um fracasso total, porque eu teria que cursar filosofia social e política de qualquer jeito. Ou seja, eu teria apenas que inverter a ordem. Eu poderia cursar essas disciplinas no semestre seguinte. Não que eu esteja desistindo de lutar pela disciplina que eu cursei, mas quero ter um plano B. Caso dê certo, excluirei as disciplinas noturnas depois, para liberar vagas.

18 de maio de 2015

Poxa, que bom que isto aconteceu.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 00:49

apt dist-upgrade

via Upgrade from LMDE 1 to LMDE 2 – Linux Mint Community.

Eu estava aqui me lamentando porque não havia saído a atualização do Linux Mint Debian Edition para a versão dois e, quando fui checar na Internet, vi que a atualização havia sido lançada ontem. E vi isso nas primeiras horas do dia (literalmente na primeira hora). Estou fazendo a atualização neste instante. De repente, meu sono se foi.

Como se não bastasse esse ser talvez o meu penúltimo semestre na faculdade, meu amigo de infância ter se mudado para perto de mim, eu ter levado meu PC para manutenção e tê-lo recebido novo em folha, ainda recebo a maravilhosa notícia de que meu sistema operacional já é elegível para uma tremenda atualização. Que excitante! Vejamos se é bom como nos filmes.

O que se pode esperar é que o Linux Mint Debian Edition agora seja baseado em Debian Stable, mas com as atualizações de componentes-chave ocorrendo constantemente. Isso significa que nós, usuários de Debian Edition, somos como que porquinhos da Índia ou cobaias. Certos aplicativos serão nos dado ainda em fase de testes e isso me deixa alegre; usar a versão mais recente de programas como o Cinnamon, mas sem abdicar da estabilidade de programas do repositório do Debian Stable me equilibra entre o novo e incerto e o velho, mas seguro. Quando Debian Stable for atualizado, eu receberei a atualização imediatamente também e eu gosto de ter a versão estável mais recente. Me anima que essas atualizações possam vir automaticamente sem que eu tenha que escolher (porque minha escolha sempre é sim e eu não podia automatizar essas escolhas).

15 de maio de 2015

Mészáros: educação contra o capital.

Philosophy – Wikipedia, the free encyclopedia.

Atenção, professoras de filosofia da educação, este trabalho foi escrito por Yure! Se você ver este trabalho em meio aos trabalhos de seus alunos, assinado por Yure, somos a mesma pessoa!

 

Este é um resumo de uma parte do primeiro capítulo do livro A Educação para Além do Capital, de István Mészáros.

 

Senhor Mészáros começa apresentando alguns pedaços interessantes do pensamento de Paracelso, Martí e Marx.

 

Segundo Paracelso, a educação não tem limites cronológicos se não a vida do corpo. Enquanto estamos vivos, aprendemos. A cada instante, aprendemos algo novo e esse aprendizado se encerra na morte. Já para Martí, é quase isso, exceto que a educação mediada pela escola, tendo em vista determinados fins, é condicionada e isso se põe como obstáculo ao aprendizado genuíno. Pela autoridade da escola, acabamos por aceitar como corretas coisas que não são verdade, mas meras convenções. Ou seja, para Martí, a pessoa não aprende o tempo todo, pois não necessariamente aprende na escola à qual tem que ir. Marx não está tão interessado sobre quando o ser humano aprende, e sim como aprende. Segundo ele, a educação escolar é um condicionamento: o educador é educado e essa educação é passada a futuros alunos. A menos que o professor seja um livre pensador, suas aulas são reprodução do pensamento já existente. Mas, mesmo que ele seja um livre pensador, as escolas têm seus objetivos e o professor acaba se vendo obrigado a condicionar suas aulas segundo os objetivos da escola, que, como uma entidade inserida na sociedade, herda esses objetivos dessa realidade maior que é a sociedade capitalista ocidental (o contexto de Marx).

 

Os pensamentos desses três indivíduos convergem sobre a necessidade de uma mudança no nosso sistema educacional. Segundo Mészáros, a escola tem um papel de mudança, mas esse papel é desempenhado de forma incompleta: a escola capitalista tem um comportamento estranho de tampar buracos na lógica do capital, sem dar espaço ao pensamento que poderia substituir o capital. Isto é, a educação ganha uma aparência de ambiente produtor de mudanças, mas, na verdade, é um ambiente de manutenção, sendo assim uma instituição conservadora. Claro que o capitalismo tem projetos educacionais atraentes, mas são projetos que concordam com a realidade capitalista, no sentido de que amenizam efeitos negativos oriundos da sua lógica e não suas causas, permitindo o aparecimento de novos efeitos.1 Esses projetos falham porque visam consertar o capitalismo, sendo que o capitalismo não tem conserto.

 

O capitalismo leva às últimas consequências um fenômeno chamado divisão do trabalho.2 Porém, pensadores como Adam Smith, não são capazes de ver que a causa da divisão é justamente o sistema capitalista, que dá a cada um sua determinada função. Por exemplo: o indivíduo que formou-se sapateiro e artesão tem uma visão de mundo naturalmente mais ampla do que a do outro que formou-se somente sapateiro. Ora, mas o indivíduo que é apenas sapateiro desempenha melhor essa função e tem melhores chances no mercado em que está inserido. O domínio de várias perícias não é apenas desencorajado, mas impraticável, se o que você quer é ganhar dinheiro.3 As pessoas são, assim, transformadas em objetos.

 

Esse é um problema que não pode ser resolvido meramente com a razão, a menos que a razão trabalhe contra o capitalismo e não contra este ou aquele efeito de seus processos dementes. Mas a pregação da razão como solução dos problemas da sociedade é uma manifestação de má-fé. Não basta admitir que o problema é “nosso” ou de determinado pensador, é necessário também apontar as causas desses erros. Se elas estão na educação, então temos que mudar a educação, mas não podemos sem mudar a sociedade, que sofre justamente com má educação. Cai-se, então, num círculo vicioso. Então, a possibilidade de uma razão libertária acaba tornando-se utópica. Além disso, pensadores como Robert Owen acabam por propor uma mudança através de um ajuste a favor dos trabalhadores, o que é suspeito, porque, se por um lado a classe trabalhadora não deveria ser tão explorada, ele teme que os trabalhadores tenham liberdade demais, já que Owen é membro da classe dominante. Além do mais, foram postuladas reformas graduais, as quais tiveram sua validade desmentida pela história. A mudança precisa acontecer de uma vez.

 

A escola, a possível salvadora da humanidade, serviu à sociedade como meio de adestramento de crianças, que se tornarão futuros capitalistas, com os objetivos e valores do capital integralizados, justificados. Assim, a educação contra o capital requer uma quebra com esses valores que são integralizados nos alunos. Mas vale lembrar que a educação não acontece apenas na escola. A aprendizagem é nossa própria vida. Maior parte da aprendizagem então se dá fora da escola e aí se vê uma brecha para atacar a educação que os alunos recebem e que os perverte. Esse ataque não é simplesmente uma negação do que está sendo ensinado, contudo, mas o estímulo ao trabalho por uma sociedade alternativa.

 

Para Mészáros, Marx e Martí, a escola atual é uma lavagem cerebral na qual são incutidos nos alunos valores que justificam o capital, como, por exemplo, a de que pobres o são porque não querem trabalhar e que deveriam haver leis que limitem o tempo livre desses vagabundos, obrigando os meninos a ir para escolas profissionalizantes e mandando os pais a trabalhos forçados, nos quais ganhavam “um centavo por dia”, como diz Locke.

 

1Por exemplo, a crise ambiental. Muito se fala de atitudes sustentáveis, mas essas são medidas de contenção de efeitos e não de eliminação de causas. Não precisaríamos ter de adotar, cada um, essas atitudes se a necessidade de matéria-prima e de lucro não fosse tão desenfreada. Mas ninguém fala dessas coisas, se não de forma banal. O que não quer dizer que não tenhamos que ser “sustentáveis”, já que agora isso se tornou necessário, enquanto a fome por matéria-prima e o desperdício são características descaradas de quem pouco se importa com isso, justamente aqueles que mais causam danos em nome do lucro.

 

2Divisão do trabalho: a cisão entre trabalho do pensar e trabalho do fazer. Existe uma elite que pensa e um bando de trabalhadores que sabe apenas desempenhar sua função. A elite pensa e não trabalha. Os trabalhadores não têm tempo nem oportunidade de pensar, tão engajados que estão na luta pela sobrevivência.

 

3Esse é o contexto de Mészáros. Hoje, as condições mudaram a ponto de ser recomendável que o indivíduo seja o mais “capacitado” possível, o que não significa que as coisas estejam melhores. Agora, há uma segregação ainda maior entre os pobres e os ricos, porque os pobres não podem pagar pela capacitação exigida.

 

Escola única e escola politécnica.

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Atenção professoras de filosofia da educação, este trabalho foi escrito por Yure! Então, se você ver este trabalho em meio aos trabalhos dos seus alunos e assinado por Yure, somos a mesma pessoa!

 

Este trabalho visa criar paralelos entre a exposição de Marx nas seções dos dias 10 e 17 de agosto de 1869 no Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores e o texto “A Organização da Escola e da Cultura”, este último escrito pelo senhor Gramsci.

 

Para Marx, na exposição, as pessoas estavam vivendo uma pegada vinte e dois: uma nova sociedade requeria um novo sistema de ensino, porém a escola, sendo uma instituição inserida na sociedade, só poderia mudar se a sociedade mudasse antes1. Era uma situação complexa, mas que precisava ser resolvida. Então, deveria ser resolvida da melhor maneira possível.

 

É importante relevar que essa foi uma exposição feita no contexto imediatamente anterior à Comuna de Paris, então, com o advento da Comuna, viu-se uma brecha para a mudança simultânea da sociedade e do ensino2.

 

Mas nos ateremos ao aspecto pedagógico. Marx diz que o ensino deveria ser estatal, isto é, apoiado pelo Estado, e cita o exemplo de Massachusetts, onde o ensino elementar é provido pelos municípios, o que se observa hoje no Brasil, onde o ensino fundamental é incumbência do município. Para locais com mais de 5.000 habitantes, deve haver aquilo que Marx chama de escola politécnica3, que permitiria a amenização do problema da divisão do trabalho e da superespecialização. Essa especialização exagerada também é tratada por Gramsci na Organização. De fato, Gramsci observa que, ao lado das escolas humanísticas tradicionais, que tinham como intuito formar o ser humano, foram crescendo também escolas para especialistas, que formavam profissionais. Essas pessoas que atendiam ao ensino profissionalizante saberiam apenas uma coisa: desempenhar sua profissão.

 

Gramsci diz que isso acontece porque as ciências tornaram-se mescladas à vida, mas nem por isso tornaram-se mais simples, criando uma demanda por especialistas e achando pessoas interessadas entre as massas. Só que isso era apenas uma outra manifestação da divisão do trabalho. Quem procurava escolas profissionalizantes eram os pobres, porque precisavam de trabalho. Só quem procurava as escolas tradicionais era a elite, de dentro donde deveriam sair os intelectuais. Assim, os intelectuais seriam todos da mesma classe social, pessoas que não sentiram as vicissitudes às quais estavam sujeitos os trabalhadores, pessoas com seus próprios interesses.

 

Na verdade, esse é um problema maior do que parece, pois, diz Gramsci:

 

A tendência, hoje, é a de abolir qualquer tipo de escola “desinteressada” […] e “formativa”, ou conservar delas tão somente um reduzido exemplar destinado a uma pequena elite de senhores e de mulheres que não devem pensar em se preparar para um futuro profissional, bem como a de difundir cada vez mais as escolas profissionais especializadas, nas quais o destino do aluno e sua futura atividade são predeterminados4.

 

Ou seja, o contexto histórico-social do senhor Gramsci era um no qual os garanhões do capitalismo não estavam interessados em seres humanos, mas em ferramentas, instrumentos, era um contexto no qual a formação humanística estava em crise. A solução era a instauração de um novo programa educativo no qual as escolas seriam “únicas”, isto é, proveriam ensino técnico e humanístico concomitantemente. Após terminar os estudos na escola única, o aluno poderia decidir para onde ir (uma escola especializada ou um dos “círculos” de pensadores), com mais propriedade e autonomia. Isso significa que a escola politécnica de Marx e a escola única de Gramsci tinham fortes paralelos. Mas, como logo veremos, Gramsci tinha um projeto mais pensado e divergências estavam destinadas a acontecer.

 

Para Marx, a escola precisaria ser pública e gratuita, sendo fundada pelo Estado, mas sem render controle interno ao Estado. Isto é, embora o Estado devesse cuidar de passar dinheiro para a escola, ele não poderia, de forma alguma, exercer qualquer controle sobre seus processos internos (nomeação de professores, escolha de livros didáticos…). Gramsci complementa dizendo que mesmo a adoção ou não de séries ou anos ou níveis entre os alunos depende dos fins que a escola almeja. Da mesma forma, a idade de estudo obrigatório também não deve ser decidida pelo Estado, pois cada região está sujeita às suas próprias vicissitudes econômicas, o que poderia requerer que jovens trabalhassem mais cedo (embora Gramsci deixe claro que o ensino fundamental deveria durar cerca de três anos e o médio deveria durar cerca de seis, mas isso depende). Porém, o Estado ainda poderia fazer fiscalização para saber se o dinheiro repassado está sendo bem aplicado e para averiguar se as leis estavam sendo cumpridas. Isso deveria ser feito por um comando geral, diferente do que acontecia nos Estados Unidos, onde, segundo diz a exposição…

 

[…] o ensino encontra-se estritamente ligado ao desenvolvimento cultural de cada região.5

 

Isso significa que diferentes regiões administram os repasses e fiscalizações de diferentes maneiras, isso nos Estados Unidos. Uma região pobre teria ensino pobre. Uma região rica teria ensino rico. Um controle central poderia assegurar repasse e fiscalização mais igualitários, para que a escola de região pobre e a escola de região rica funcionassem de forma equivalente, o que contribuiria para a mitigação da desigualdade social e formaria a base para um desenvolvimento uniforme de diferentes locais, embora a longo prazo. Afinal, também se via a necessidade de mudar a sociedade, o que só seria possível se todas as regiões produzissem não apenas trabalhadores, mas também intelectuais.

 

Gramsci deixa as coisas mais específicas:

 

A escola unitária requer que o Estado possa assumir as despesas que hoje estão a cargo da família, no que toca à manutenção dos escolares, isto é, que seja completamente transformando o orçamento da educação nacional, ampliando-o de um modo imprevisto e tornando-o mais complexo: a inteira função de educação e formação das novas gerações torna-se, ao invés de privada, pública, pois somente assim pode ela envolver todas as gerações, sem divisões de grupos ou castas.6

 

Ao contrário do que muitos esperam, Marx não defende a universidade gratuita. O Estado deveria assegurar educação básica, mas poderia se dar ao luxo de cobrar a entrada na universidade7. Gramsci adiciona que a universidade normalmente promove uma ruptura cartunesca entre povo e intelectuais, entre os que sabem e os que vivem. Seria a culminação da divisão do trabalho, na qual o trabalho de pensar difere totalmente do trabalho de fazer. Então, as universidades precisam ser ressignificadas e adquirir um papel novo. Houve oposição quanto a cobrar fundos do Estado para a educação.

 

É evidente que um outro terá de pagar, porém não é necessário que sejam os que menos podem fazê-lo.8

 

Por isso, se alguém tiver que bancar a ensino básico público, que seja o Estado, não a população. Mas Gramsci faz uma ressalva. A escola única de Gramsci seria um órgão gigantesco, com bibliotecas especializadas, várias salas, dormitório e refeitório. Por isso, seria complicado para o Estado bancar escolas assim em grande escala. Logo, a quantidade de vagas ofertadas nessas escolas deveria ser limitada e os alunos seriam escolhidos por concurso. Isso, claro, até que o Estado fosse capaz de bancar mais escolas únicas com mais vagas.

 

Quando o indivíduo estivesse avançado na escola única, ele receberia a formação necessária para a continuação dos estudos em outras instituições, como universidades ou cursos técnicos. Essa formação não é um método que obriga o aluno a ser original, a tornar-se cientista ou filósofo, mas apenas almeja que ele seja capaz de continuar os estudos por contra própria. Isso, Gramsci chama de escola criadora, que seria esse último nível da escola única.

 

A escola, para Marx, precisa também ser laica e não tomar nenhuma posição ideológica dentro de suas disciplinas. Isso significa que disciplinas que permitem chegar a conclusões diferentes não devem ter espaço nas escolas, somente aquelas disciplinas que são preto e branco, exatas, que não admitem interpretação divergente daquilo que é vigente. Isso é feito não com o intuito de domínio intelectual, mas como uma tentativa de evitar que as crianças sejam formadas desde cedo em uma determinada ideia. O ensino dessas coisas (religião, economia política, entre outros) deve ser administrado em outros lugares.

 

GRAMSCI, A. A Organização da Escola e da Cultura, in Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 1979.

 

MARX, K e ENGELS, F. Textos sobre Educação e Ensino / Karl Marx e Friedrich Engels. Campinas, SP: Navegando, 2011.

 

1“Pegada vinte e dois” é uma situação “ovo ou galinha”. Precisamos de uma nova escola para chegarmos a uma nova sociedade, mas precisamos de uma nova sociedade para mudar a escola. O termo se origina do livro Catch 22.

 

2Segundo a Wikipédia: A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia.”

 

3Escola politécnica: uma instituição fundada pelo Estado na qual estaria garantida a educação para o trabalho e a educação humanística, numa tentativa de eliminar a divisão do trabalho entre trabalho do pensar (filosofia, história e outras humanidades) reservado às elites e trabalho fabril desempenhado pelas massas, tornando-se assim um ambiente no qual os interesses não seriam exclusivamente trabalhistas nem elitistas. Essa combinação de trabalho manual e intelectual tornou-se resolução do Congresso de Genebra.

 

4GRAMSCI, página 118.

 

5MARX e ENGELS, página 138.

 

6GRAMSCI, página 121.

 

7Existe distinção entre “público” e “gratuito”. Existem coisas que não são públicas, isto é, que não são financiadas pelo Estado, e que são gratuitas. Para fazer um paralelo com o mundo de hoje, muitos programas de código fechado são gratuitos, mas certamente não são públicos, pois que não recebem fundos estatais. Existem, porém, coisas que são públicas e pagas. Novamente trazendo para nosso tempo, a água que consumimos é pública, mas ainda temos de pagar por ela com impostos.

 

8MARX e ENGELS, página 139.

 

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