Analecto

28 de fevereiro de 2019

O que aprendi lendo “Children’s Disclosures of Sexual Abuse in a Population-Based Sample”.

Filed under: Notícias e política, Saúde e bem-estar — Tags:, , , , — Yure @ 18:47

Children’s Disclosures of Sexual Abuse in a Population-Based Sample” foi escrito por Hanna-Mari Lahtinen, Aarno Laitila, Julia Korkman e Noora Ellonen. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. A maioria dos estudos sobre abuso sexual infantil são retrospectivos (adultos são entrevistados sobre suas experiências na infância) ou são focados em crianças que denunciaram o ocorrido (amostra forense).
  2. Como esses métodos não são tão bons, os autores deste estudo usaram dados coletados de crianças da população geral.
  3. Eles obtiveram dados de 11.364 crianças e adolescentes entre o sexto e o nono ano do ensino fundamental finlandês.
  4. Dentre esses, apenas 2,4% tiveram contato sexual com sujeito ao menos cinco anos mais velho.
  5. Dentre esses 2,4%, 80% conta o ocorrido a outros, mas a maioria conta pra um amigo, não pra um adulto (48%).
  6. Apenas 26% contaram o ocorrido a um adulto.
  7. 12% contaram às autoridades.
  8. 41% dos que não contaram a experiência a adultos não o fez por não achar que o incidente fosse sério o bastante pra merecer intervenção.
  9. Apenas 14% não denunciaram por medo.
  10. A evidência primária em processos de sexo com menor é o depoimento do menor.
  11. Não há consenso sobre o que conta como abuso sexual infantil e o que não conta.
  12. É mais difícil a criança revelar que algo sexual lhe aconteceu se ela não confiar nos pais.
  13. Algumas temem serem culpadas pelo que aconteceu.
  14. Meninos falam menos com adultos sobre suas experiências sexuais, de forma que uma amostra com vários meninos como sujeitos terá porcentagens menores de denúncia.
  15. Medo e dor aumentam as chances de denúncia: claro que a criança contará aos adultos se algo grave lhe acontecer.
  16. Se a experiência não tiver sido abusiva, é provável que a criança ou adolescente tenha tido a experiência com um amigo.
  17. A denúncia ocorre com mais frequência entre aqueles que se sentem vítimas.
  18. Como adultos podem reinterpretar suas experiências sexuais infantis de forma diferente de como eles interpretavam quando eram crianças, entrevistar crianças nos dá uma imagem mais fidedigna do que aconteceu.
  19. A idade dos participantes varia entre dez e dezessete anos (55% do sexto ano, 45% do nono ano).
  20. Abuso emocional: tratamento de silêncio, insulto, jogar ou chutar coisas, ameaçar com violência.
  21. Abuso físico: empurrão, puxão de cabelo, dar tapas, dar socos, atacar com objeto, chutar, dar palmadas, espancar, ameaçar com faca ou arma de fogo, atacar com faca ou arma de fogo (sim, tem pai que faz isso com o filho), outras formas de violência.
  22. A definição de “abuso sexual” encontrada no estudo é a mesma definição usada pelo Código Penal finlandês, então o texto também chama de “abuso” as experiências inofensivas e voluntárias, desde que a diferença etária seja de, pelo menos, cinco anos entre os participantes.
  23. Apesar disso, o estudo sondou a impressão que a criança teve em relação ao ato, isto é, deu às crianças a chance de dizerem se elas consideraram o incidente como abuso ou não, a despeito do que diz a lei.
  24. O estudo também sondou a qualidade do ato, isto é, se a criança considerou o incidente como positivo, negativo ou insignificante.
  25. Dentre as 11.364 crianças entrevistadas, 256 tiveram experiências sexuais com pessoa ao menos cinco anos mais velha.
  26. 45% só tiveram uma experiência, 20% tiveram entre duas e dez experiências e 13% tiveram mais de dez experiências.
  27. Maior parte dos sujeitos que teve tais experiências foram meninas do nono ano.
  28. A média de idade do sujeito foi catorze anos e a média de idade do parceiro foi vinte e três anos.
  29. 64% dos atos libidinosos foram entre o menor e alguém de, pelo menos, vinte anos.
  30. A diferença média de idade foi nove anos.
  31. 119 das crianças que tiveram experiências sexuais com parceiro cinco anos mais velho também sofriam abuso emocional proporcionado pela mãe, mas apenas 97 pelo pai.
  32. A mãe abusa fisicamente dos filhos mais vezes do que o pai.
  33. Apenas 16% (35 sujeitos) das crianças e adolescentes consideraram a experiência sexual como abuso, 51% consideraram a experiência como sendo não-abusiva e 33% se mostraram indecisos.
  34. Maior parte dos atos libidinosos foram contatos não-penetrativos.
  35. A experiência foi positiva para 71% dos meninos, mas para apenas 26% das meninas.
  36. 46% das meninas avaliou a experiência como negativa, contra 9% dos meninos.
  37. Somando meninos e meninas, 34% dos sujeitos avalia a experiência como positiva, 27% como insignificante e 40% como negativa, ou seja, experiências sexuais negativas com pessoa pelo menos cinco anos mais velha são um fenômeno minoritário.
  38. Força, intimidação e chantagem só foram empregadas 20% das vezes.
  39. 35% das experiências foram com estranhos, 14% com amigo, 16% com conhecido, 8% com parceiro romântico, 6% com familiar.
  40. 80% das crianças e adolescentes contaram a experiência a alguém: 48% a um amigo ou aos pais, 11% a irmãos, 6% a outros, 5% ao professor, 7% à polícia, 2% ao enfermeiro da escola, 3% ao conselheiro da escola e 4% ao serviço social.
  41. Somando tudo, apenas 26% contaram a adultos.
  42. 41% não contou a experiência por não achar que fosse algo digno de nota, 14% por medo, 14% por achar que ninguém quereria saber, 14% por não ver nenhum benefício em contar a alguém, 10% por vergonha.
  43. 8% não denunciaram por outras razões, incluindo “eu gostei do que aconteceu”.
  44. A criança que se sente abusada ou indecisa sobre como se sentir em relação à experiência é a que mais provavelmente revelará o ocorrido a um adulto.
  45. Se a experiência for negativa, a criança provavelmente revelará o ocorrido.
  46. Contar o ocorrido a outros também é mais frequente entre crianças pequenas (menores de sete anos).
  47. A criança que sofre abuso emocional ou físico em casa tende mais a guardar segredo (talvez por medo da reação dos pais).
  48. A denúncia é mais frequente quando o parceiro tem 30 anos ou mais.
  49. Outros fatores que estimulam a denúncia são o uso de força, violência ou chantagem.
  50. Embora uma minoria dessas crianças e adolescentes tenha contado a experiência a quaisquer adultos, a maioria total (80%) conta pra alguém, mesmo que para amigos.
  51. A definição de “abuso” é diferente entre adultos e crianças, a criança não considera abuso um monte de coisas que nós, adultos, achamos inaceitáveis.
  52. Para a criança, a diferença de idade sozinha não torna “abuso” um contato sexual.
  53. Já no caso dos adolescentes, ser chamado de “gostoso” pode ser visto como elogio, não como “assédio”.
  54. Assim, maior parte dos casos do chamado “abuso sexual infantil” pode ser composta de atos de pouca seriedade.
  55. Abuso sexual infantil está acontecendo menos vezes hoje do que antigamente.
  56. Crianças com necessidades especiais sofrem abuso mais frequentemente.
  57. Um terço das tentativas de sexo com menor são abortadas se a criança disser “eu vou contar pra alguém”.

27 de fevereiro de 2019

O que aprendi lendo “Compreender e Transformar o Ensino”.

Compreender e Transformar o Ensino” foi escrito por J. Gimeno Sacristán e A. I. Pérez Gomez. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. O currículo reflete a relação entre sociedade e educação, bem como as relações entre teoria e prática.
  2. O currículo muda conforme a sociedade muda seus padrões de conhecimento essencial.
  3. O currículo também implica a elucidação dos meios de aprendizagem, os quais também mudam com o tempo.
  4. Donde decorre que o currículo escolar não é estático; ele muda conforme a sociedade muda.
  5. O currículo é um projeto historicamente condicionado, seu conteúdo é selecionado pelas forças sociais dominantes.
  6. O currículo tem um lado teórico e um prático.
  7. O currículo condiciona a formação do docente.
  8. Escolaridade é um construto social.
  9. A escolarização moderna (criança é aprendiz, ensino é motivação e conteúdo é ciência e humanidades) é um negócio que data da revolução industrial, nem sempre foi assim, não precisa ser sempre assim.
  10. O que orienta a composição do currículo é a nossa expectativa social.
  11. “Conteúdo curricular” é um conceito interpretável.
  12. Por isso não há consenso sobre o que entra e o que sai do currículo escolar.
  13. “Conteúdo” é também um construto social.
  14. O conteúdo do currículo muda com o tempo.
  15. No final das contas, o conteúdo acaba refletindo os valores da escola em um contexto cultural.
  16. Porque o currículo responde à demanda social, não é possível orientá-lo por uma filosofia específica, corrente de psicologia ou qualquer coisa como essa: o “essencial a ser ensinado” não é algo fácil de escolher, não é algo que pode ser construído como se a sociedade não existisse.
  17. “Conteúdo”, em sentido estrito, é cada resumo acadêmico (a guerra de Canudos, por exemplo) organizado dentro de uma disciplina escolar (história do Brasil).
  18. Importante lembrar que o conteúdo ensinado pode não coincidir com o conteúdo aprendido.
  19. Só conhecimento não forma: é preciso que os alunos tenham atitude, valores, disciplina e habilidades de pensamento.
  20. Isso é feito aprendendo as consequências das atividades.
  21. Em sentido amplo, “conteúdo” é tudo o que ocupa o tempo escolar, seja como parte do currículo oficial ou não (“currículo oculto”).
  22. Ensinar pensamento crítico não é como ensinar matemática.
  23. Como ensinar a ter independência?
  24. A criança deveria aprender a se comportar autonomamente.
  25. O adolescente deve estar ciente das crenças locais e escolher a que achar melhor pro desenvolvimento pessoal dele.
  26. Por causa da demanda por sujeitos críticos e civis, o conteúdo escolar não pode ser academicista, um “saber pelo saber”, mas um saber que forme e que possa ser usado pelo aluno.
  27. O objeto do ensino é a mente do aluno, mas como se mede isso?
  28. Formar mão de obra é medíocre e não basta.
  29. A disponibilidade de conteúdo fora da escola também gera a necessidade de rever o que é relevante como conteúdo escolar.
  30. O currículo oculto também é socialmente condicionado.
  31. O conteúdo escolar se modifica mais lentamente do que a sociedade.
  32. À qual disciplina cabe a formação cidadã?
  33. A todas e a nenhuma.
  34. O discurso educacional revolucionário é onipresente, mas a prática de dar aulas e organizar conteúdos como se fazia no século passado também é onipresente.
  35. A formação acadêmica e a formação humana têm a mesma importância na formação do indivíduo completo: abolir ou subestimar a formação acadêmica em nome da humana é um desmonte do ensino, tanto quanto abolir a formação humana para formar pura mão de obra.
  36. Os critérios de seleção do conteúdo curricular geralmente não são técnicos ou científicos.
  37. Isso porque o currículo deve responder à demanda cultural social.
  38. Então, se a sociedade é a fonte do currículo, é claro que o conteúdo curricular não pode ser determinado cientificamente, como se fosse possível criar um currículo definitivo, o que implicaria uma sociedade que não muda.
  39. A proposta da escola é formar um indivíduo através do currículo, logo a função da escola é formar o indivíduo que a sociedade deseja.
  40. De que tipo de pessoa nossa sociedade precisa?
  41. História é relativa: o que vale hoje não valia ontem e pode não valer amanhã.
  42. Quando os valores mudam, o currículo muda: não ensinava tolerância sexual na ditadura militar.
  43. Melhor ter os meios de encontrar e julgar uma resposta do que memorizá-la.
  44. A educação dos grupos dominantes, a educação mais intelectual, é dada no ensino médio por uma razão: pobres nem sempre entram no ensino médio.
  45. Donde decorre que a divisão dos temas a serem tratados é uma divisão com base nas dicotomias de classe social, tanto que o conteúdo que se aprende no ensino médio público é ensinado no fundamental privado.
  46. A criação do currículo cede às pressões sociais indiretamente, através das sugestões do governo, dos empresários, dos pais, dos especialistas e dos escritores de material didático.
  47. Embora a escola acabe por reproduzir a cultura hegemônica, há espaços de autonomia que professores e servidores podem usar para questionar tal cultura.
  48. O currículo tradicional quer naturalizar os acontecimentos, enquanto que o currículo crítico quer que o aluno julgue o que ele considera natural.
  49. Nenhum currículo escolar é impassível de mudança.
  50. Revolucionar o ensino não é algo que deve ser feito ignorando o que a cultura estabelecida tem de bom, só pelo prazer de começar do zero.
  51. Os movimentos sociais, pela mudança nos valores, operam mudanças no currículo.
  52. “Educação para todos” não é um ideal meramente humanista, mas também uma exigência do mercado de trabalho: o aluno deve aprender competências gerais na escola para que possa escolher no que se especializar depois.
  53. Esse ideal é também consequência da demanda por mão de obra de qualidade.
  54. Na verdade, embora se pregue o contrário, o ideal de mercado sobrepuja o humanista na escola.
  55. Isso faz com que as ciências positivas sejam supervalorizadas frente as humanidades.
  56. Os reformistas chamam isso de “educação racional”, não que isso torne essa uma educação completa.
  57. Isso fundamenta a argumentação que tenta tirar humanidades do currículo ou desvalorizá-las.
  58. Isso é mais efetivo em tempos de crise econômica ou de recessão no mercado de trabalho.
  59. É aí que os neoconservadores encontram uma brecha para interferir na educação.
  60. As críticas neoconservadores à escola e ao seu ensino têm como ponto de partida os interesses de produção, não o valor formativo para a pessoa completa: importa criar um empregado, não um cidadão.
  61. Se as coisas se processam dessa forma, as disciplinas mais valorizadas serão aquelas que preparam para os trabalhos que melhor pagam.
  62. E é por isso que a carga horária de língua portuguesa e de matemática são maiores.
  63. A fonte cultural do currículo se divide em três elementos: o que vale a pena conservar de nossa cultura, as necessidades do tempo presente e que tipo de sociedade queremos criar.
  64. Embora a educação infantil venha antes do ensino fundamental, ela não é requisito para o ensino fundamental, porquanto a educação infantil foi concebida depois do fundamental, o qual é historicamente tido como a base de todos os outros níveis.
  65. A educação infantil responde a uma demanda familiar: a mulher que trabalha tem que deixar os filhos em algum lugar, então por que não num lugar onde ele possa aprender?
  66. Embora o ensino fundamental seja tido como a base dos outros, ele não foi o primeiro a surgir: o primeiro nível de ensino a surgir foi o superior.
  67. A influência universitária na escola é onipresente: as aulas mesmo do fundamental parecem aulas de faculdade.
  68. Não há método científico para construir um currículo escolar.
  69. Isso porque o currículo não é uma pedagogia, não é um método de ensinar (existem métodos científicos de ensinar um conteúdo), mas uma lista do que se deve ensinar, uma lista com fundamento social.
  70. Ensinar é mais uma questão de princípios gerais do que de métodos estáticos.
  71. As idades às quais se destinam o ensino obrigatório variam de país para país.
  72. Se a educação é obrigatória, por exemplo, dos seis aos dezessete anos, teremos o inconveniente de forçar um aluno avançado a permanecer num nível medíocre porque aquele é o nível adequado à sua idade, tal como inconveniente dos “alunos atrasados”.
  73. Todos os países deveriam ter educação pública, porquanto a educação é direito de todos.
  74. A educação tem propriedades homogenizadoras: se todos têm a mesma educação, os conflitos mais graves que poderiam ocorrer em um país são mais facilmente evitados, pois os cidadãos partilhariam um mesmo conjunto de crenças e valores.
  75. Assim, a educação pública é também uma forma de exercer poder sobre os cidadãos, um poder suave, mas um poder.
  76. A educação pública torna a família menos necessária.
  77. Além do mais, sem educação pública, a mão de obra de qualidade fica mais difícil de encontrar.
  78. Como a demanda por mão de obra de qualidade é alta, não ter qualificação significa não ter emprego e não haver qualificados em um território significa menos investimento privado naquele território.
  79. Além do mais, sem ensino público, os pais teriam que se virar pra trabalhar apesar de terem filhos: onde eles ficariam e como eles próprios iriam se virar na vida adulta?
  80. A única solução seria a volta do trabalho familiar.

24 de fevereiro de 2019

O que aprendi lendo “A Ideologia Alemã”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 11:31

A Ideologia Alemã” foi escrito por Karl Marx e Friedrich Engels. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. Todas as grandes correntes filosóficas antes de Hegel têm um posicionamento acerca da dicotomia entre sujeito e objeto.
  2. A lógica formal é aristotélica.
  3. O que se contradiz pode ser falso.
  4. Mas o que se movimenta é contraditório.
  5. A tentativa de conhecer um objeto imparcialmente, isto é, de manter o objeto distante do sujeito para conhecê-lo por si mesmo (o que chamamos “conhecimento objetivo”), é uma ideia positivista.
  6. “Trabalho” é a alteração do mundo objetivo através da ação subjetiva, o que pode inclusive ser feito sem que nos demos consciência disso.
  7. Os seres humanos criam “seu” mundo.
  8. A realidade não está em outro mundo, mas nem por isso as coisas são tais como parecem ser.
  9. O nosso mundo é fruto do trabalho coletivo de todos nós, homens.
  10. Conscientização não basta, se ela não leva à mudança.
  11. Ironicamente, quanto mais se valoriza os objetos, menos se valoriza os que fazem os objetos: os trabalhadores.
  12. Os trabalhadores tornam-se mercadoria.
  13. O trabalhador torna-se objeto do objeto que ele faz.
  14. Embora Engels e Marx tenham se fundado na filosofia de Hegel, eles se tornaram, posteriormente, críticos de Hegel.
  15. Só o homem trabalha, isto é, só o homem é capaz de mudar o mundo em vez de apenas se adaptar a ele.
  16. A geração seguinte herdará as mudanças feitas hoje.
  17. Embora o trabalho seja bom pra nós todos, a maioria dos humanos, embora tenha capacidade de trabalho (de transformação), não quer trabalhar.
  18. Isso porque as transformações que requisitam de nós não são as transformações que nós queremos fazer.
  19. Assim, usamos nossa força de trabalho (poder de transformação) para seguir os interesses de outros, não os nossos, produzindo transformações que não queremos.
  20. Isso se chama trabalho alienado: não se reconhecer na obra que se faz.
  21. As sociedades surgem da necessidade que os humanos têm de se unirem contra os caprichos da natureza.
  22. A Ideologia Alemã é uma obra inacabada: o texto original tem páginas danificadas e até faltando.
  23. Não confunda um texto com a propaganda que se faz dele.
  24. Bruno Bauer é acusado por Marx e Engels de argumentação espantalho: de posse de uma resenha da Sagrada Família, ele critica a resenha como se criticasse o livro, o que não é a mesma coisa.
  25. Reduzir a filosofia à autoconsciência não opera libertação nenhuma em nenhum lugar.
  26. Resolver problemas reais requer soluções reais: não se resolve o problema da pobreza com “autoconsciência”.
  27. O materialista prático quer transformar o mundo, não apenas em nível conceitual, mas também concreto.
  28. Não confunda o conceito de homem com os homens que você vê no dia a dia.
  29. É errado contemplar a realidade, em vez de agir sobre ela.
  30. Seu conceito de homem pode ser inválido a ponto de se aplicar somente aos homens de seu país.
  31. O nosso mundo é uma construção histórica.
  32. O mundo humano não é autônomo, não é estático, ele muda com as nossas ações.
  33. Sem a atividade humana, a ciência seria fraca ou inexistente.
  34. Se a atividade humana (trabalho) cessasse completamente por um ano o mundo seria outro.
  35. O ser humano é objeto sensível, mas ele também é capaz de atividade sensível, de forma que não é possível compreender o homem sem compreender também suas ações.
  36. Dizer que todos os seres humanos são iguais é mentira: compare um rico e um pobre.
  37. Explicar o mundo não basta.
  38. O potencial humano só é ativado se o sujeito tem suas condições de sobrevivência satisfeitas.
  39. A história é produto do trabalho humano, o qual não existiria se o homem estivesse morto.
  40. Logo, a satisfação das necessidades de sobrevivência é condição de possibilidade para o trabalho e, consequentemente, para a história.
  41. As famílias devem ser estudadas empiricamente, um estudo que deve prescindir do atual “conceito” de família.
  42. A história da humanidade não pode ser abstraída da história do trabalho, da história da indústria (em sentido amplo, não no estrito sentido de “fábrica”).
  43. A linguagem surge da necessidade de comunicar.
  44. O ser humano tem que construir sua vida, mas ele é limitado por sua capacidade física e por sua consciência.
  45. A consciência humana se aperfeiçoa com o aumento da necessidade e o aumento da produção, ambos fundamentados no aumento da população.
  46. Com o aumento da população começa a divisão do trabalho, a princípio, segundo aptidões: os mais fortes carregam coisas, os mais destros fabricam coisas, os mais inteligentes planejam coisas, os mais saudáveis provém coisas…
  47. O trabalho também podia ser dividido casualmente ou segundo a necessidade.
  48. A divisão do trabalho chega ao seu ápice com a divisão entre trabalho prático (material) e trabalho teórico (espiritual): uns pensam e os outros fazem.
  49. É aí que começa a aspiração pelo conhecimento “puro”, sem “mácula” oriunda de aspecto prático.
  50. Se houver religião, começa aí a necessidade de uma classe sacerdotal.
  51. Quanto mais profunda for a divisão do trabalho, maiores as chances de haver aqueles que só produzem e aqueles que só consomem.
  52. A divisão do trabalho e a dos produtos do trabalho em locais onde há propriedade privada é desigual.
  53. Ápice da divisão do trabalho: pensamento sem atividade e atividade sem pensamento.
  54. Quando o trabalho é dividido, ele é imposto e você tem que realizar aquela função, ou perderá seus meios de subsistência.
  55. Isso faz com que empreguemos nossa força de trabalho em coisas que não gostaríamos, porquanto estamos fazendo o que fomos mandados a fazer, não o que queremos.
  56. Pela contradição do interesse coletivo com o interesse privado, o interesse coletivo, na forma do estado, toma existência “autônoma”.
  57. A classe que “representa” esse “interesse coletivo” se torna dominante (ver nota 86).
  58. Para que os trabalhadores possam impor seus interesses como o “interesse coletivo”, é preciso que eles adquiram poder político.
  59. Todas as lutas dentro de um estado são manifestações aparentes de uma luta mais profunda entre classe dominante e dominada.
  60. Comunismo não é um estado de coisas, mas um movimento.
  61. O comunismo não pode prevalecer em nível local, mas apenas mundial.
  62. O comunismo precisa da ação repentina dos povos dominantes (ver nota 58).
  63. A geração seguinte usa, em condições diferentes, os meios de produção da anterior.
  64. Um fenômeno que subverte governos (como uma máquina que tira o emprego de muita gente ou o bloqueio de recursos necessários levam a uma insurgência) é propriamente histórico e mundial.
  65. Esses fenômenos são práticos, nunca puramente espirituais.
  66. É com elementos práticos que a realidade muda.
  67. Os indivíduos formam uns aos outros, seja materialmente ou espiritualmente.
  68. A revolução é necessária quando não basta que o poder dominante seja derrocado, mas quando se faz necessário também que os que passam a dominar possam fazê-lo sem as impurezas de um sistema preexistente (por exemplo: chegar ao poder pela democracia não elimina as classes sociais).
  69. São as vicissitudes práticas que originam ideias.
  70. Somos influenciados pelas circunstâncias, mas isso não quer dizer também não possamos influenciar tais circunstâncias.
  71. Se não tem condição de colocar uma ideia em prática, não é a proclamação repetida da ideia que, sozinha, criará as circunstâncias de realização.
  72. A natureza e a história são complementares, não opostas.
  73. Uma história que desconsidera os elementos históricos práticos se ilude pelos preconceitos da época.
  74. A organização social dos estados é fruto de vicissitudes práticas, de forma que as condições precedem a organização estatal; não se organiza o estado sem objetivos práticos, de forma que não é o estado, feito como que à toa, que engendra as condições práticas ao redor dele no momento de sua criação.
  75. A Alemanha não tem o monopólio do pensamento nem o monopólio da ação histórica.
  76. Não basta explicar sem agir.
  77. Atacar algo como categoria filosófica não o elimina.
  78. A classe que detém os meios de produção material também tem meios de produção intelectual.
  79. Por causa disso, as ideias da classe dominante são as ideias dominantes de uma época.
  80. Cuidado com quem diz que “alguns males se deve aceitar”.
  81. Ideias não estão abstraídas das pessoas que pensam essas ideias.
  82. A ideia não tem existência autônoma.
  83. Para que uma classe domine, precisa fazer com que seus interesses sejam vistos como interesses públicos, geralmente postos em ideias gerais (“liberdade”, “igualdade”, entre outros), dando a elas um aspecto racional com o qual as ideias opostas podem ser contestadas.
  84. Tão logo a classe começa a dominar, o interesse público começa a se tornar o interesse particular da classe que passa a dominar.
  85. Para fazer parecer que as ideias são mais importantes que as pessoas que as pensam:
    1. Abstraia a ideia, como se uma ideia pudesse subsistir sozinha.
    2. Conecte as ideias sucessivamente dominantes.
    3. Atribua a corrente de ideias resultante aos intelectuais da época, de forma que pareça que a ideia surgiu não de uma necessidade empírica, material, e sim de uma atividade de especulação desinteressada.
  86. A forma como nós encaramos nossa época pode estar errada: podemos fazer uma ideia errada do século no qual vivemos.
  87. Então não podemos interpretar um período histórico pelo que o período diz de si mesmo, mas pelo que tal período objetivamente é.
  88. A natureza produz instrumentos de produção, mas eles são, obviamente, muito diferentes dos meios de produção feitos pela civilização.
  89. São instrumentos de produção natural o campo e a água, por exemplo.
  90. A indústria que usa meios de produção civilizados só pode existir pela divisão de trabalho.
  91. A divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual é o que gera as diferenças sociais entre cidade e campo.
  92. Com o surgimento da cidade, a necessidade por política (organização comunitária) é maior.
  93. Quando você divide a população entre os que pensam e os que fazem, você cria dois grupos com interesses que se distanciam mais a cada dia.
  94. Cidades são criadas pela necessidade, por exemplo, de defesa da propriedade privada, de mais meios de produção ou de segurança.
  95. Quando você domina totalmente um ofício, em vez de apenas parte dele, você pode executar tal ofício “artisticamente”, o que lhe dá afeição por seu trabalho.
  96. Já quando você domina somente parte do ofício, você tende a ser indiferente a esse ofício.
  97. O que vende mercadoria nem sempre é o que fez a mercadoria.
  98. A divisão de trabalho pode se estender às cidades, com cada cidade explorando um ramo industrial específico.
  99. Sem comércio, uma invenção regional some se a região sumir (ou for dominada).
  100. A primeira manufatura foi a tecelagem, e ela se tornou manufatura por necessidade de roupas em grande quantidade.
  101. Isso não quer dizer que não se faz mais tecelagem artesanal.
  102. A manufatura criou a relação entre patrão e empregado, relação mediada pelo dinheiro, quando antes só havia a relação entre oficial e mestre.
  103. Se não houver mais estímulo à produção, o capital se mantém estável… ou diminui.
  104. Você não pode aumentar seu capital sem aumentar sua produção.
  105. No século dezessete, o comércio e a navegação se expandiam mais rapidamente que a manufatura.
  106. Nesse período, havia demanda por matéria-prima produzida no próprio território e a exportação de tal matéria podia até mesmo ser proibida: a matéria-prima produzida em um país não deveria ser dada a outros.
  107. Historicamente, era preciso fazer revolução pra conquistar a livre concorrência em uma nação.
  108. A grande indústria universalizou a concorrência.
  109. Com isso, cada cidadão passa a depender “do mundo inteiro” pra manter seu nível de conforto (usamos bens que vêm de fora, tal como exportamos bens nossos pra outros).
  110. Em locais onde há presença da grande indústria, formas menos avançadas de produção se tornam infrequentes ou deixam de existir (como o artesanato).
  111. Quando a propriedade privada interfere na indústria ou quando a indústria está subordinada à propriedade privada, ela ganha um caráter destrutivo.
  112. A grande indústria vem destruindo a particularidade de cada país.
  113. A indústria passa a ter o mesmo interesse em todas as nações nas quais se estabelece.
  114. Apesar disso, o desenvolvimento industrial não é uniforme em todas as áreas de determinado território.
  115. A indústria exige do trabalhador todas as suas energias, deixando sem tempo para coisas “elevadas”, enfraquecendo a religião e a moral.
  116. O conflito entre forças produtivas e formas de intercâmbio gera “colisões” históricas.
  117. A concorrência agrega trabalhadores, mas não os une, pelo contrário: os isola.
  118. Por causa disso, a união necessária às mudanças em favor dessa classe são demoradas, a menos que a própria grande indústria tenha produzido meios rápidos de comunicação.
  119. A superação da economia separada requer superação da família.
  120. Dizer que somos o produto de nossos estados só faria sentido se o estado tivesse surgido antes do cidadão.
  121. Condições idênticas, oposições idênticas e interesses idênticos engendram costumes idênticos.
  122. A burguesia também se divide em frações com base na divisão de trabalho.
  123. Enquanto não houver necessidade de lutar contra uma classe opressora, os indivíduos oprimidos competirão entre si.
  124. A liberdade pessoal é possível em comunidade.
  125. É possível se libertar isoladamente (libertando a mim mesmo ou aos outros como indivíduos), mas também é possível se libertar como classe (todos os comerciantes, todos os professores, todos os trabalhadores, entre outros).
  126. O proletário sozinho não pode mudar sua condição de vida ou condições de existência (como proletário) e nem tal poder pode lhe ser dado por alguém de fora do proletariado: os proletários só podem mudar juntos alguma coisa.
  127. Quando indivíduos se libertam, não necessariamente negam as condições de existência que já estavam aí.
  128. Mesmo ovelhas e cães modernos são produto de um processo histórico: cães nem sempre foram animais domésticos, por exemplo.
  129. Acabar com o estado é algo que só pode ser feito via revolução.
  130. A colonização e a conquista faz com que o território colonizado ou conquistado receba as formas de intercâmbio do país dominante, fazendo que o território experimente um avanço produtivo sem passar por todos os estágios que o país dominante teve que passar em seu próprio desenvolvimento.
  131. Quando ocorre a conquista, o país conquistador se apossa das forças produtivas do país conquistado, o que dá origem a novos meios de produção.
  132. Quando os indivíduos unidos se apropriarem dos meios de produção totais, a propriedade privada poderá ser extinta.
  133. O que se observa hoje, porém, é a aquisição privada de cada um, isoladamente.
  134. A base do estado é a organização social diretamente derivada da produção e do intercâmbio.
  135. A propriedade privada realmente começa com o conceito de propriedade mobiliária.
  136. O estado existe para a propriedade privada.
  137. Instituições coletivas são mediadas pelo estado e dele adquirem uma forma política.
  138. Com a propriedade privada começa o direito privado.
  139. A propriedade privada não repousa simplesmente na vontade privada.
  140. A propriedade privada é independente da comunidade.
  141. Como você pode ter direito sobre algo que você não possui?
  142. A lei não se baseia simplesmente na nossa vontade.
  143. A divisão do trabalho influencia a ciência também.
  144. Como a vida dos indivíduos foge do controle deles próprios?
  145. A filosofia de Feuerbach se resume em filosofia da natureza, antropologia e moral.
  146. O ser humano só revela seu potencial em comunidade: sozinho, não se vai longe.
  147. Isso também é válido para a satisfação de nossas atuais necessidades.
  148. A divisão do trabalho ocorre no protestantismo: há os que pensam e refletem sobre Deus e os que não.
  149. Nem todo o mundo está contente com sua condição, então o descontentamento é que é normal.
  150. Sua essência não pode se subordinar a um ramo de trabalho que lhe foi imposto pela necessidade.
  151. O conjunto de questões abordadas pela crítica alemã vem do sistema hegeliano.
  152. Muitos críticos alemães afirmavam ter superado Hegel… mas nunca conseguiam deixar de depender dele.
  153. Um hegeliano entende algo do mundo na medida em que pode ser reduzido a uma categoria hegeliana.
  154. Como pode um jovem “abalar o mundo” sendo conservador?
  155. Combater palavras com palavras não é nem combater as palavras e nem combater o mundo.
  156. A ideia que um jovem faz de suas atitudes pode ser diferente da festa que se faz ao redor dessas atitudes e da opinião de estrangeiros sobre essas atitudes.

  157. Os indivíduos reais, suas condições materiais e suas ações são pressupostos sólidos sobre os quais se pode começar um raciocínio.

  158. Existe a história humana e a história natural.

  159. Isso não quer dizer que uma história independe da outra: a história humana influencia a natural e a história natural afeta a humana.

  160. Pressupostos bons são empíricos e constatáveis.

  161. A organização corporal do ser humano lhe permitiu produzir seus próprios meios de vida.

  162. Produzindo seus meios de vida, você produz, indiretamente, sua vida inteira.

  163. No entanto, produzir seus meios de vida não é algo que pode ser feito abstraído dos meios de vida já existentes e que não produzimos (como a água e o ar).

  164. A produção é estimulada pelo aumento da população, o qual, por sua vez, estimula o intercâmbio, que por sua vez é condicionado pela produção.

  165. O primeiro ato histórico do ser humano foi a produção de seus meios de vida, não o pensamento (porque a história é mudança e pensar por si só não muda nada).

  166. A relação de um país com outro bem como a estrutura interna desse país dependem do desenvolvimento de sua produção e de seu intercâmbio (interno e externo).

  167. A primeira forma de propriedade foi a tribal.

  168. A segunda forma foi a estatal ou comunal.

  169. Junto com a propriedade comunal se desenvolve a propriedade privada móvel.

  170. Mais tarde, temos a propriedade privada imóvel.

  171. No entanto, essas formas de propriedade privada são subordinadas à comunal nesse primeiro momento.

  172. A propriedade comunal aumenta o poder do povo, enquanto que a propriedade privada reduz o poder do povo.

  173. A terceira forma foi a feudal.

  174. A propriedade antiga era centrada na cidade, enquanto que a propriedade feudal é centrada no campo.

  175. As conquistas romanas estimularam a agricultura.

  176. Enquanto a população crescia, o número de artesãos permanecia mais ou menos estável, facilitando a hierarquia, dentro das cidades, entre oficial e aprendiz.

  177. A propriedade feudal era constituída pela propriedade de terra, pelo trabalho dos servos e pelo trabalho próprio.

  178. A estrutura social e o estado são resultados das ações dos indivíduos particulares, empíricos, que agem como podem em condições sobre as quais, muitas vezes, tais indivíduos não têm poder.

  179. As primeiras ideias estavam entrelaçadas com a vida material.

  180. Essas ideias eram fundamentalmente ligadas à atividade material e somente em momentos posteriores que os homens foram formando ideias mais abstratas (“movimento intelectual ascendente” ou “da terra ao céu”).

  181. Ideias elevadas podem se originar de “sublimações” do processo empírico quotidiano.

  182. Assim nasce, por exemplo, a metafísica, a qual, por estar em um nível mais elevado de ideação, tem pouca semelhança com o fato concreto.

  183. Assim, a evolução da metafísica é, na verdade, a evolução do homem: quando o homem muda, seu pensamento e os produtos de seu pensamento também mudam.

  184. A consciência é, portanto, determinada pela vida e não pode determinar tal vida.

  185. Alguns intelectuais incitam tumultos pra trazer suas ideias de volta à memória do público que não se lembra mais delas.

  186. A contradição dentro de uma filosofia é um problema daquela filosofia, não uma contradição no mundo ao qual a filosofia se reporta.

  187. As ideias não são a base do mundo empírico!

  188. Quando uma pessoa critica duas, uma dessas duas pode repetir as críticas ao outro, de forma hipócrita, como se tais críticas não tivessem sido feitas a ele também.

  189. Filósofos não são heróis, nem todo filósofo revoluciona o mundo.

  190. As vontades que sentimos são uma força que se origina em nós e domina sobre nós: não podemos escolher que sentimentos teremos e quando.

  191. A compreensão correta de um trabalho pode desagradar o autor.

  192. Por exemplo, quando eu entendo um trabalho corretamente e lhe faço uma crítica pertinente.

  193. A crítica não é abstraída dos críticos, não podemos tratar conceitos como independentes das pessoas que os concebem.

  194. Por existir, você faz história.

  195. Você deve ler o trabalho objetivamente, não necessariamente como o autor queria que você lesse, o que pode levar você a concluir de forma diferente do autor sobre um determinado tema.

  196. Se você não ler objetivamente (a partir de si mesma, por si mesma e em si mesma), terá sua interpretação do texto viciada.

  197. A filosofia deve participar da vida política.

  198. Hegel recomendava a leitura de resenhas porque elas pode ultrapassar o objeto apreciado por elas (presumivelmente a obra original), mas isso está incorreto, porquanto existem resenhas que nada tem a ver com a obra resenhada.

  199. O melhor é ler a obra original.

  200. Antes de se lamentar pela justiça não prestar atenção em você, se pergunte se a justiça existe em primeiro lugar.

  201. Crianças não são metafísicas.

  202. Adolescentes não são metafísicos também.

  203. É preciso confessar que crianças e adolescentes geralmente não se guiam por princípios maiores, mas pelo prazer, e que há coisas mais temíveis que a própria consciência.

  204. Você não precisa de metafísica ou lógica pra aproveitar a vida.

  205. Você não está sozinho no mundo, nem mesmo metaforicamente.

  206. A coisa sobre a qual você pensa é indiferente ao que você pensa sobre ela.

  207. Destruir sua própria opinião sobre alguma coisa não destrói nem a coisa, nem seu conceito universalmente válido.

  208. Acreditar não é dominar, especialmente se você acredita em algo falso.

  209. Não seja crédulo, não seja ingênuo.

  210. Buscar um mundo melhor é admitir que o seu não está mais servindo.

  211. Ao contrário da crença popular, a família natural não é um valor muito importante na cristandade (Mateus 10:35-39; Mateus 12:46-50; Mateus 19:10).

  212. O ideal de sábio varia para cada escola filosófica (o ideal de sábio no estoicismo não é o mesmo ideal de sábio no epicurismo).

  213. Os estoicos não condenavam o incesto.

  214. A teoria do contrato social, isto é, de que o estado nasce do acordo mútuo entre os homens, parece ter sido mencionada pela primeira vez por Epicuro.

  215. Para provar sua tese, pensadores inescrupulosos omitem detalhes históricos, mas uma “verdade” que só pode se sustentar pela omissão de coisas que aconteceram é falsa.

  216. Quando você sabe pouco, você pode falar mais profundamente das poucas coisas que sabe, mas menos da relação dessas coisas com outras.

  217. Se você considera algo como verdade, geralmente você não procura outra verdade que substitua a primeira, a menos que você deixe de considerar a primeira como verdade por alguma razão, normalmente externa.

  218. Ao pressupor algo, é melhor você ser capaz de provar tais pressupostos.

  219. O nada é infértil.

  220. O cantor ou o pensador não se criam do nada no momento em que o homem passa a cantar ou pensar: se o homem se torna cantor ou pensador quando começa a pensar ou cantar, então o homem faz de si mesmo, não do nada, um cantor ou pensador.

  221. pessoas dispostas a defender falsidades com provas falsas e uma lógica falsa.

  222. Não se faz fenomenologia de nada com apenas um aspecto do objeto de estudo.

  223. Condições industriais e de intercâmbio influenciam a sociedade, que se adapta a elas, consequentemente resultando também numa adaptação por parte do estado, o que pode levar mesmo a uma adaptação da parte da religião local.

  224. “Obsessão” é o pensamento que submete o homem.

  225. O comportamento noticiado é anterior à notícia (não se pode dizer que um político é corrupto porque o jornal diz que ele é, mas que o jornal diz que o político é corrupto porque a corrupção do político já existe, a menos que o jornal esteja mentindo).

  226. “Sagrado” varia conforme cultura: a nossa Bíblia Sagrada pode não ser sagrada para outros povos.

  227. Assim, nossos costumes morais não podem ser tidos como absolutos, como se, por exemplo, certos tipos de relação sexual fossem universalmente reprovadas.

  228. Ideias não punem, mas pessoas pagas pra punir, essas punem.

  229. “Não seguir nenhuma máxima” já é uma máxima.

  230. Os negros têm importância histórica: lembre que o Egito fica na África e já foi potência mundial, onde ocorreu um desenvolvimento rápido da matemática.

  231. A igreja católica era um aspecto da idade média, não a idade média, a qual tinha um aspecto profano, como têm todas as épocas.

  232. Diferentes “estágios” de “evolução” humana podem não estar dispostos em hierarquia: o estágio anterior pode ser tão bom ou até melhor que o atual.

  233. Por exemplo, a reforma protestante não torna o protestantismo melhor que o catolicismo.

  234. Não se muda o mundo apenas combatendo ideias.

  235. O sistema hegeliano não reflete o mundo: a visão de mundo que Hegel tem não é o mundo real.

  236. O presente não necessariamente é melhor que o passado.

  237. Pra você, coisas abstratas são mais importantes que o material a ponto de merecerem dedicação total?

  238. Entender a história através de uma teoria histórica particular não é o mesmo que entender um período histórico sendo estudado.

  239. Argumentos não vêm da ignorância.

  240. Transgredir as regras de um grupo é algo que uma pessoa pode fazer em cada caso particular, mas essa pessoa ainda pode querer que todos os outros respeitem essas regras.

  241. Isso porque o grupo deixaria de existir (bem como os benefícios de se pertencer a ele) se todas as regras fossem quebradas por todos.

  242. A família burguesa é só um tipo de família.

  243. Por exemplo: entre os trabalhadores, a família é bem flexível, se organizando de acordo com necessidades reais.

  244. A família é uma necessidade social, econômica.

  245. O desenvolvimento da indústria acaba requirindo um novo tipo de família, mas idealmente que a família não exista.

  246. O professor mal pago se consola com a importância de sua função.

  247. É ridículo dizer, mesmo implicitamente, que somente o conhecimento sobre Hegel educa.

  248. Se você vai plagiar alguém, ao menos entenda o que está plagiando.

  249. Um trabalho com pretensão universal não pode ter como pressuposto a história local, seja de uma cidade ou de um país.

  250. Mudar o que se diz de uma coisa não muda a coisa.

  251. Boa vontade sozinha não basta.

  252. Ter boa vontade sem tomar ação é sinal de abatimento e impotência.

  253. Sem condições econômicas, não haverá concentração política.

  254. Um movimento social pode não ser representado pela ideologia que se faz dele.

  255. Quando há condições econômicas, condições industriais e concorrência, a monarquia absoluta se torna um estorvo.

  256. Seu chefe paga você mal porque o governo deixa e o governo deixa porque seu chefe paga um imposto alto a esse governo: é como se o chefe comprasse do governo o direito de pagar mal seus empregados.

  257. Não ponha limites ao seu pensamento.

  258. Uma crença sem ações é infértil: uma coisa é acreditar no poder do dinheiro e outra é reconhecer que o dinheiro tem poder enquanto as condições que lhe dão poder permanecerem onde elas estão.

  259. Reunir os trabalhadores em um bloco que lute por um objetivo comum é muito difícil.

  260. Greves só conseguem bons resultados se forem revolucionárias.

  261. Revoluções de verdade implicam armamento.

  262. Direções pro futuro não se encontram na filosofia especulativa, que é explicativa e não prescritiva.

  263. O estado burguês se mantém com a liberdade de trabalho, isto é, com a competição entre os trabalhadores.

  264. Assim, derrotar o estado burguês pode ser possível pela supressão do trabalho: se todos pararem de trabalhar, que serão dos burgueses?

  265. A criança tem direitos humanos!

  266. A criança dever ser liberada!

  267. Se há algo de errado na sociedade, conserte-a.

  268. A culpa de você não se dar bem com a sociedade pode não ser sua, mas da sociedade.

  269. Por exemplo: não podemos dizer que a criança que trabalha e sofre porque o trabalho é pesado demais pra ela tem culpa por não gostar de sua situação.

  270. Não, a culpa é mesmo da sociedade por permitir e às vezes estimular o trabalho infantil.

  271. Aliás, dizer que a culpa é sua e que só depende de você mudar a si próprio é desestimular sua cooperação com outros em prol de uma mudança social benéfica a todos, sendo portanto um convite ao isolamento.

  272. O estado de necessidade deve ser abolido.

  273. A sociedade permite o desenvolvimento pessoal.

  274. A recompensa do trabalhador é mais trabalho: observe como todos querem pagar o mínimo possível pelo seu serviço.

  275. O comunismo é um movimento prático que persegue fins práticos através de meios práticos.

  276. Nenhum comunista está atolado em questões teóricas; o negócio é identificar o problema, traçar o plano de ação e agir de acordo.

  277. O comunista não quer que o salário de todos seja igual!

  278. No máximo quereria o fim do salário, mas, se houver salário, ele não pode ser igual.

  279. O fato de você ter muitas posses não lhe dá o direito de levar vantagem sobre quem não tem tanto quanto você.

  280. Quem tem cidadania, aproveita tal cidadania, mas quem não tem, quer tê-la.

  281. Cuidado com aqueles que não veem você como ser humano, mas apenas como trabalhador.

  282. O comunismo é amoral.

  283. Trabalho não é felicidade, nem bem-estar (embora algo no trabalho possa proporcionar essas coisas, o que não significa que esse algo não possa ser encontrado fora do trabalho).

  284. Sentimentalismo não é argumento.

  285. Você não é sua profissão.

  286. Muitos cristãos deixam de ser cristãos ao não poderem mais suportar sua miséria.

  287. Você não pode exigir abnegação completa de qualquer pessoa.

  288. Ninguém manda na sua opinião.

  289. Uma dos atributos da propriedade privada é sua negociabilidade.

  290. O dinheiro que você tem leva os outros a cometer absurdos, mesmo sem serem pagos; basta que se veja o tratamento dado aos ricos mesmo por pessoas que não partilham de sua riqueza.

  291. Relações capitalísticas são sociais.

  292. Uma ideia revolucionária pode ser apropriada e usada de forma reacionária.

  293. Lutar contra conceitos não é o mesmo que lutar contra as coisas a que os conceitos se referem.

  294. O estudo do mundo real pode prescindir da filosofia.

  295. Um livro sem núcleo é um mau livro.

  296. Para dissuadir uma pessoa de seu comportamento, fale das consequências práticas desse comportamento, não de conceitos abstratos.

  297. O egoísta prejudica a si próprio enquanto causador de consequências negativas práticas.

  298. Nossas vidas influenciam nossos princípios, que são criados também por causa da vida.

  299. Algumas dicotomias, depois de explicadas, desaparecem.

  300. O comunismo é amoral.

  301. O interesse geral é sempre professado por grupos privados.

  302. Se é assim, então interesse geral e interesse privado podem coincidir, já que um cria o outro.

  303. Satisfazer a um anseio é satisfazer a si mesmo.

  304. A consciência que temos de nós mesmos não será a consciência que as gerações futuras tinham de nós, mas isso não quer dizer que a consciência deles sobre nós é a verdadeira, como se nós não soubéssemos o que somos agora.

  305. Dizer que a satisfação do seu desejo não é a satisfação real, a satisfação de si mesmo, é tentar colocar você contra você mesmo, colocando em dúvida seu autoconceito.

  306. Há quem use a máxima “ame ao próximo como a ti mesmo” para justificar o egoismo (“cada um é o próximo de si mesmo”).

  307. Não deixamos de existir quando deixamos de nos perceber.

  308. O desenvolvimento de nossas habilidades depende de circunstâncias favoráveis: não adianta você ter talento pra medicina e não ter recursos pra de fato cursar medicina a fim de exercer tal função.

  309. Suas múltiplas aptidões não podem se desenvolver sem um ambiente que proporcione o desenvolvimento.

  310. Assim, sucesso pessoal não depende só de você mesmo.

  311. Uma aptidão reprimida passa despercebida.

  312. Você é limitado por sua capacidade e por seu ambiente.

  313. Buscar a si mesmo na autonegação não é liberdade.

  314. Fazer o que você pode e poder aquilo que você faz não é onipotência.

  315. O discurso revolucionário só serve para propagar ideias revolucionárias; não tem sentido um discurso revolucionário que defenda uma ideia conformista.

  316. Algumas verdadeiras contradições só podem ser conciliadas na aparência e não sem muita retórica.

  317. Uma ideia que não faz diferença em sua vida não tem valor pra você.

  318. Um texto que usa um termo-chave em sentidos diferentes ao longo do texto sem dizer que tal termo está sendo usado em diferentes acepções é desonesto: o termo deve ser corretamente definido em cada novo uso.

  319. Uma palavra não deve ter seu significado deturpado.

  320. Não se sirva da etimologia ou da fonética para igualar termos com significados patentemente diferentes, como se pudessem ser aplicados da mesma forma.

  321. Fazer algo complexo ou absurdo soar fácil facilita a aceitação do argumento.

  322. Mudar de assunto no meio do raciocínio dificulta seu entendimento e, consequentemente, dificulta sua crítica.

  323. “Não” pode ser entendido em mais de um sentido.

  324. Não tome conceitos como a realidade: neutralizar, expor ou derrubar um raciocínio não muda nada por si só.

  325. O excesso de exemplos esconde a falta de conteúdo.

  326. Qual o sentido de acreditar numa ideia que não beneficiará você?

  327. A forma como os mais baixos julgam suas ações não interessa.

  328. Criticar a religião de alguém não funciona se a pessoa se sente beneficiada pela religião.

  329. Criticar a religião de alguém é criticar a representação que você tem dessa religião.

  330. Você quem decide quais livros merecem sua atenção.

  331. A polícia é um poder burguês.

  332. A prisão não melhora sua moral.

  333. Existe a prática de tirar algo de uma classe pra depois elevar essa qualidade removida ao status de necessária a todos, tornando sub-humana a classe da qual a qualidade foi abstraída.

  334. Necessidade é vocação e missão.

  335. Catorze horas de jornada de trabalho é jornada de animal de carga.

  336. Se suas condições são ruins, é sua missão mudá-las.

  337. Alguns trabalhadores não conseguem um nível de recursos suficiente pra sequer sobreviver.

  338. A falta de determinação é uma determinação.

  339. A natureza pode desmentir seu discurso.

  340. Em sociedades hipócritas, pessoas ingênuas veem “o sagrado” por toda parte.

  341. Autorrenúncia não é liberdade.

  342. O homem selvagem não é totalmente livre como comumente se pensa; ele apenas têm outros tipos de corrente.

  343. É possível não entender os elementos que limitam sua liberdade.

  344. O balão é mais velho que o trem.

  345. O que nos leva a conceber novas invenções é a necessidade.

  346. Ninguém lamenta novas invenções benéficas, ninguém lamentou a invenção do trem só porque ele não podia voar.

  347. Algumas invenções perpetuam a subordinação do homem ao dinheiro, mas isso porque o homem, geralmente, não quer se libertar do dinheiro, mas ter cada vez mais dele.

  348. Existe liberdade negativa (liberdade para não fazer, desobrigação) e liberdade positiva (liberdade para fazer, poder).

  349. A dor que o corpo sente não é só do corpo, mas também do dono do corpo.

  350. Uma pessoa normal que apanha de outra sempre entende que ela não apanha “pro seu próprio bem”.

  351. Ninguém nasceu pra ser escravo.

  352. Quando se desmembra alguém, não se está interessado no membro obtido, mas em causar dor: qual o uso de uma perna arrancada?

  353. Quando você é um burguês mimado, os obstáculos parecem cair por si sós, mas os obstáculos que não caem “por si sós” são também tidos por intransponíveis.

  354. Existem filósofos e outros intelectuais que o são por obrigação e não gostariam de sê-lo, porque a divisão do trabalho pode também ser injusta até com as elites.

  355. Algumas pessoas só tem uma coisa pra comer, quando têm o que comer.

  356. Um livro pode simplesmente não explicar seus termos, de forma que eles não são inteligíveis nem dentro e nem fora do contexto.

  357. Sensações ocorrem em você sem você precisar aceitá-las e elas são propriamente suas sensações.

  358. Ninguém pode e ninguém quer tirar do trabalhador o direito de comer.

  359. É possível fazer um discurso desonestamente usando homônimos de forma caótica, ora como também sinônimos, ora como não sendo sinônimos.

  360. É possível usar uma palavra abstraída de seu sentido.

  361. É muito difícil juntar trabalhadores de forma coesa.

  362. A importância da criança filha de pais de elite não vem da própria criança.

  363. Realeza não depende somente de reconhecimento.

  364. O direito deriva do poder.

  365. Direito é direito: um tipo de direito (como, por exemplo, os direitos humanos) não age contra outros tipos de direito (como, por exemplo, os direitos da criança).

  366. Lei e direito são coisas diferentes.

  367. A existência da lei e do estado independem da vontade das classes dominadas.

  368. A vontade de eliminar a lei ou o estado só surge em certas condições; geralmente, esses não são objetivos que a maioria persegue.

  369. O crime é a luta do indivíduo isolado contra as leis dominantes.

  370. A democracia não se exerce por apenas um momento, ela não acaba depois das eleições.

  371. Afinal, você pode fazer escolhas de que se arrepende depois.

  372. Destruir o estado não é questão de mera vontade, não é questão de mera mudança de atitude.

  373. Sem Código Penal, sem punição por crime.

  374. A violência feita pelo estado nem sempre é direito, a violência feita pelo cidadão nem sempre é crime.

  375. A vontade sozinha não pode libertar o corpo e, se ela não puder, de que adianta tê-la?

  376. Não é com a razão que se convence um opressor.

  377. Se você não sente vergonha, não é o discurso que te incutirá vergonha.

  378. Não confie num discurso que te chama ao conformismo.

  379. Só um estado que se acha “sagrado” promoverá censura.

  380. A república é mais antiga que a monarquia constitucional.

  381. Não se ataca o estado atacando a ideia de estado, mas sim atacando estado mesmo.

  382. Se você toma o conceito por aquilo que o conceito representa, você não precisa se preocupar depois em tentar saber por que seu raciocínio não corresponde à realidade se ele não corresponder: o conceito não descrevia o objeto representado.

  383. O empregador geralmente não gosta do filho do trabalhador.

  384. Nada de errado em pedir aumento de salário.

  385. Quando tem muita gente rica, o estado fica endividado.

  386. Quando a burguesia tem dinheiro o bastante, ela pode comprar porções do estado.

  387. Se sua filosofia tem a consciência como fundamento, eventualmente você fará filosofia moral.

  388. Ninguém é pobre porque quer, ninguém gosta de ser pobre.

  389. Geralmente, você não precisa de autorização estatal pra concorrer com outros.

  390. A diferença entre o pobre e o rico está além do seu patrimônio: não é só uma questão de quem tem mais.

  391. O preço de algo não é arbitrário, mas determinado inclusive pelo custo de produção.

  392. A demanda muda a cada dia, nada garante que você continuará querendo determinada mercadoria amanhã.

  393. A concorrência está condicionada à oferta e à demanda.

  394. A concorrência pode tirar até bens espirituais de alguém, como sua religião, sua decência e seu pudor.

  395. A honra, a decência e até mesmo a doutrina religiosa são tirados dos trabalhadores se isso aprouver às elites.

  396. Se você dá algo a força, não está presenteando.

  397. Dizer que as coisas concorrem, não as pessoas, é tão válido quanto dizer que são as armas que matam, não seus usuários.

  398. O dinheiro não é tão popular quanto parece.

  399. O estado não acabará por si mesmo, não se pode esperar que o governo “morra de velho”.

  400. Boa vontade não basta.

  401. O filósofo que tem suas ideias constantemente desmentidas pela realidade é impotente diante da realidade.

  402. Não podemos mudar as condições do mundo sem nos organizarmos e sem fazer atos públicos: uma mudança apenas interior não muda outra coisa que não o interior.

  403. “O preço que aprouver” é arbitrário e não é o mesmo que “preço justo”, este definido pelas leis do mercado, pela oferta, pela procura e pelo custo de produção.

  404. Você não pode pegar algo do outro pela violência e depois dizer que não tomou nada dela.

  405. Você pode fazer algo que valha mais que seu salário sem que o salário aumente antes: geralmente se pede aumento depois que já se está fazendo por onde merecer o aumento.

  406. O aumento de salário não garante aumento na qualidade do trabalho.

  407. Receber salário não é lucrar: lucro e salário são coisas diferentes.

  408. O chefe não precisa do dinheiro dos empregados, já que ele provavelmente já tem cem vezes mais que cada um deles.

  409. Qual é o sentido de um trabalho intelectual que não tem pretensões de desencadear mudanças práticas no mundo?

  410. Se os trabalhadores pegassem todo o dinheiro do chefe e distribuíssem igualmente entre si… não teriam o suficiente.

  411. Se o trabalhador não estiver interessado em trabalhar pelo salário estipulado e exigir trabalhar apenas por uma quantidade gigante, ninguém o empregará.

  412. O preço de algo no mercado mundial nada tem a ver com o salário dos que produzem a mercadoria.

  413. O preço é definido por oferta e demanda.

  414. A greve é só uma forma de protesto: trabalhadores mais unidos e mais organizados podem protestar de outras formas, talvez mais efetivas.

  415. Seu trabalho é copiável, seu o produto de seu trabalho pode ser usurpado (plágio).

  416. Num mundo onde existe divisão do trabalho, talento nunca basta pra ter sucesso: você também precisa da sorte de ter nascido na elite ou com condições de se tornar elite.

  417. Mesmo você tendo uma educação de elite, seu sucesso ainda é condicionado à demanda pelo seu trabalho.

  418. A divisão do trabalho também é ruim por outro lado: há uma demanda maior pelo trabalho de poucos intelectuais.

  419. O ideal seria que ninguém estivesse preso a uma profissão, podendo desempenhar a função que desejasse quando desejasse.

  420. Não lute contra frases, mas contra as condições que tornam a frase plausível.

  421. Seu dinheiro não é proporcional à sua capacidade.

  422. O que significa que o fato de você trabalhar muito não garantirá que você fechará suas contas no azul no fim do mês.

  423. O problema não é a incapacidade de se adquirir dinheiro, mas o dinheiro.

  424. O fato de você não ter dinheiro nem sempre é sua culpa.

  425. Dizer que tudo é de todos não é o mesmo que dizer cada um tem o seu, como se “tudo ser de todos” implicasse propriedade privada.

  426. Quando duas forças antagônicas entram em acordo, quebrarão esse acordo na primeira oportunidade.

  427. Você precisa de um chefe que lhe dê salário em troca de trabalho e o chefe só atende você porque precisa de um trabalhador: ninguém se submete a isso sem necessidade.

  428. As pessoas não elegem um governante esperando que ele aja como trabalhador.

  429. A relação de prestabilidade é somente uma das relações humanas: nem tudo é exploração do potencial alheio.

  430. Como você será explorado, isso depende da posição social do explorador.

  431. Quanto mais você trabalha, mais você tem necessidade de se divertir.

  432. Por outro lado, se suas opções de diversão são poucas, você poderá se voltar a diversões viciosas.

  433. Como as diversões são procuradas fora da atividade vital, você sempre tem a sensação de que elas não servem pra nada.

  434. Cada um se diverte como pode, o que dá origem às “diversões de pobre” e às “diversões de rico”.

  435. Não se resolve um problema esquecendo o problema.

  436. A capacidade de desenvolvimento da criança depende da capacidade de desenvolvimento dos pais: filhos de pais que tiveram mais chances de desenvolver seu potencial terão também mais chances de desenvolver o próprio potencial.

  437. Esse problema é em grande parte devido a falta de oportunidade e pode ser amenizado provendo oportunidades de realização e descoberta de talento pessoal.

  438. Diferenças biológicas não implicam que pessoas de determinado tipo serão todas inferiores em tudo.

  439. A natureza não é um limitador definitivo de potencial.

  440. Não se pode dizer que uma pessoa “burra de nascença” nunca será nada na vida: todos têm potencial para alguma coisa e devem ter seus talentos estimulados depois de descobertos.

  441. Quanto mais odiamos algo que afirmamos ser uma mentira, mais admitimos pra nós mesmos que aquilo é verdade.

  442. Algumas características nossas não dependem de nossa humanidade: nós, humanos, usamos a linguagem, mas o fato de eu falar alemão ou francês em particular não depende da minha humanidade, mas das circunstâncias.

  443. Idiomas surgem de outros, seja por descendência direta ou por mistura, além de serem modificados por outros fatores.

  444. Você pode ser humano sem saber qual é o conceito de humano.

  445. Fora que há pessoas que não querem corresponder ao conceito de humano.

  446. É porque as classes sociais são inerentemente diferentes que toda relação entre proletário e burguês é, além de uma relação entre indivíduos, uma relação de classe.

  447. A menos que essas classes sejam igualadas ou deixem de existir, não será possível o trato entre sujeitos sem implícita relação de classe.

  448. A vantagem que um tem sobre o outro só faz sentido em sociedade, seja porque é por ela validada ou porque é por ela engendrada.

  449. A divisão do trabalho deforma e determina o sujeito, que recebe como que um destino: ou ele pensa ou ele faz, ou ele explora ou ele trabalha.

  450. A geração seguinte herda os meios de produção da anterior (o que não as impede de procurar meios novos).

  451. Você se desenvolverá, mas você deve lutar contra as forças que tentam condicionar seu desenvolvimento.

  452. A propriedade privada transforma os meios de produção e os meios de intercâmbio em forças destrutivas.

  453. No entanto, usando esses meios de produção e de intercâmbio é possível acabar com a divisão do trabalho e com a propriedade privada, se isso for feito por indivíduos organizados segundo esse objetivo.

  454. A única determinação justa para nosso desenvolvimento é a conexão que temos entre nós, se bem que tal conexão não está livre de elementos econômicos, solidários e produtivos.

  455. Você só pode declarar algo como “incomparável” depois de tentar comparar aquilo com outras coisas.

  456. Leia sem permitir que os livros distorçam sua visão da realidade: a única coisa que garante que o autor do livro está certo é o quão bem tal livro descreve a realidade.

  457. Uma palavra não é capaz de fazer nada fora do domínio das palavras: as palavras não são coisas.

  458. O filósofo que afirma que a falta de ideias é o fim da filosofia está tentando, mesmo que inadvertidamente, acabar com a filosofia.

  459. Se um conceito não tem relação com a realidade, é um conceito sem sentido, que não quer dizer nada.

  460. Um socialismo verdadeiro tem motivos práticos e objetivos práticos: não é um movimento que se fecha em teoria.

  461. O comunismo não nasceu de “pensamentos puros”, tal como não nasce só do puro pensamento qualquer sistema filosófico, político ou econômico.

  462. Um movimento legítimo tem como ponto de partida as necessidades práticas.

  463. O socialismo deve ser apresentado de forma que qualquer um possa compreendê-lo, porque, do contrário, será um movimento para elites intelectuais (que sozinhas não mudam nada).

  464. Socialismo é revolucionário, não “filantrópico”.

  465. Não há socialismo sem os trabalhadores, não se faz socialismo com intelectuais e empresários sem trabalhadores.

  466. O socialismo é uma ideia francesa.

  467. Quando a mente do sujeito ainda é pequena, é mais fácil convencê-lo com o gênero narrativo (romances, crônicas, ficção, quadrinhos e outras formas de literatura popular) do que com o gênero dissertativo (artigo científico, monografia, teses e outras formas de literatura científica).

  468. O gênero narrativo pode funcionar como propaganda.

  469. Às vezes é melhor pensar numa ideia como sujeita ao tempo do que pensá-la sob a ótica da eternidade: se algo é urgente, pensar se isso deve durar pra sempre pode resultar em perda de tempo.

  470. Animais se masturbam.

  471. Estranho é uma pessoa com engajamento político rotulando comportamentos como “natural” ou “não natural”.

  472. Não existe propriedade privada “falsa” e propriedade privada “verdadeira”: propriedade privada só existe de um modo.

  473. O comunista que quiser ter sucesso como comunista não pode fingir que a luta de classes não existe: ele precisa admiti-la, não disfarçá-la.

  474. A Alemanha não é juíza do mundo.

  475. O nacionalismo é burguês.

  476. A vida feliz não é um estado natural.

  477. Para algumas pessoas, voltar à estaca zero é desenvolvimento.

  478. Apelar pra natureza é uma técnica que já foi usada para justificar a desigualdade social e a escravidão.

  479. “Afinidade humana natural” é uma construção histórica.

  480. A polícia é consequência da divisão entre os homens.

  481. A polícia não é a única força a exercer coação sobre a vontade humana.

  482. A abstração não precede o fato, a abstração não deve perder uma ligação real com o fato.

  483. Nossa vida não é toda fruição e o trabalho muitas vezes entra no grupo das atividades das quais não se frui nada ou não se frui o bastante.

  484. A Alemanha é um país como os outros e não pode pretender se elevar acima das outras nações.

  485. Uma nação não pode se arrogar o direito de ser guia do mundo.

  486. É um insulto ouvir que um estrangeiro conhece sua nação melhor que você.

  487. Criticar uma ideia não se resume a xingar as pessoas que a professam.

  488. Se você se diz mais sábio ou desenvolvido que os outros, é melhor estar pronto para provar isso…

  489. O comentário não é a obra comentada.

  490. O comentário do comentário também não é a obra comentada.

  491. Você pode se casar não porque ama a pessoa, mas pelo benefício que o casamento pode trazer, mesmo que intelectual.

  492. Se um comentário erra, o comentário do comentário poderá repetir o erro e até introduzir erros novos.

  493. Um bom relato biográfico é cronológico e não se abstrai das motivações dos atos narrados.

  494. Para esconder um plágio, alguns autores criticam o autor que copiaram.

  495. Todos terão que trabalhar.

  496. Não fale do que você não leu.

  497. A história do estado está diretamente ligada à história da economia.

  498. Moral é coibição das paixões humanas.

  499. Fazer algo é também dominá-lo.

  500. Algumas pessoas levam somente fantasias a sério.

  501. O fim do matrimônio já estava ocorrendo na época em que o livro foi escrito.

  502. A vida humana é o fundamento da religião e da política, não o contrário.

  503. Os meios de produção, melhores a cada geração, acabam produzindo bens em excesso, que podem não ser consumidos.

  504. Quando você escreve um livro, você geralmente não espera que seus leitores escrevam os deles, mas tão somente que a formação do leitor seja aprimorada.

  505. A superprodução só provoca crise quando começa a afetar o valor de troca das mercadorias.

  506. Não pense que seu plágio não será detectado só porque você plagiou alguém que, para você, tem pouca importância.

  507. Aliás, essa pessoa de pouca importância pode estar mais qualificada intelectualmente do que você (afinal, você copiou ela).

  508. O parlamento e a aristocracia podem criar crises de propósito, a fim de obter apoio do povo em alguma causa de sua escolha.

  509. Milagreiros se aproveitam da ignorância das pessoas sobre o mundo natural ou o mundo social.

  510. Esses milagreiros também se apoiam no medo que podem incutir nos seus ouvintes.

  511. Eles tentam incitar emoções para que sejam cridos mais facilmente, porquanto a emoção suspende a razão.

  512. O idealismo alemão não é diferente de outras ideologias nacionais e nem melhor que elas.

  513. Ignorar não é refutar, dizer que seu oponente é fraco demais pra merecer refutação não o refuta.

  514. A história que você faz não é a história real e pode não corresponder a ela, nem representá-la.

  515. É um erro pensar que é possível ser materialista sem considerar o objeto também como atividade humana sensível.

  516. Um materialismo que só considera seus objetos como conceitos é cego para a revolução.

  517. Provas são dadas na prática.

  518. A busca pela verdade é uma busca prática.

  519. Os homens mudam as circunstâncias que os cercam.

  520. A revolução é uma alteração de circunstâncias.

  521. O que é sensível é prático.

  522. As relações humanas entram na essência humana.

  523. Vida social é vida prática.

  524. Interpretar o mundo não basta; é preciso transformá-lo.

18 de fevereiro de 2019

The United Nations might ban “lolicon” and “shotacon”.

The United Nations are planning to change its definition of “child pornography” to include work that do not involve actual children. At first glance, that sounds like a good idea, but let me show you why it is not.

I have not come to comment on these articles in this blog yet, but the articles Pornography and Sex Crimes in Czech Republic and Pornography, Rape and Sex Crimes in Japan show that the presence of pornography in a particular territory reduces the rates of sexual crimes in that territory. In particular, the presence of child pornography in these territories seems to have reduced the rates of child sexual abuse. Of course there is child pornography that is done by taking advantage of children or even hurting them, but if such pornography does not involve actual children, the benefit is kept and no child is injured in the process. Maybe that explains why the rates of child sexual abuse in Japan are lower than the same rates in the United States and the United Kingdom, which are two nations among the five with the most cases of child sexual abuse in the world! How can it be? Simple: Japan, Czech Republic and a few other places allow pedophiles, for example, to have alternatives for  sexual gratification. If there is no alternative, what are they going to do? Sex! But sex with adults or children? Are you seeing my point? Knowing this, there are scientists who are studying the possibility of “prescribing” virtual reality child pornography for pedophiles under treatment or for those who recognize the desire and do not want to break the laws. Thus, to prohibit pornography without real models prevents the continuation of a therapeutic research.

Moreover, since such pornography does not use real models and since it may be beneficial in the long run, prohibiting it is an unnecessary intervention to freedom of expression and artistic freedom. I thought the United Nations were the supreme guardians of human rights, among which is freedom of expression. The only reason for making such a limitation on freedom of speech is the presumption, based only on “icky factor”, that this material increases the rate of child sexual abuse, which no study has been able to confirm. Show me one study that proves that lolicon or shotacon increases the rate of child sexual abuse, only one, and I may even reconsider. But I want a peer-reviewed scientific paper done with non-clinical/non-forensic samples.

What can you do.

The new definition of the United Nations is included between items 61 and 64 of the Optional Protocol to the Convention on the Rights of the Child . This document is being created and the authors are accepting suggestions (in English and Spanish) from any interested party . You do not need a Ph. D. to submit your comments. The comment should specifically cite paragraphs 61 to 64, pages 13 and 14, and should be sent in Microsoft Word format (five pages or less) to the email that will receive the comments ( crc@ohchr.org ). Go there and make me proud.

Resources.

If you are wondering what to fill your document with, here’s some useful links you can quote from and two images you can put in the document if you are feeling daring.

A meme. UN’s job is to work for the community of the nations in order to avoid the third world war. When will it go back to it’s job (and when will it ever do it right)?

Action plan / message to the U. N. (Work in Progress). Fellow Hikari made her letter public. Some good points from an Asian academic.

An image. “We have to put those Japanese perverts in a leash!” Two days later…

Anonymous Japan. They propose the following reasoning: “if we were to ban depictions of torture, murder and kidnapping, how many creative works would be outlawed?” The same reasoning applies to this issue, and they point that watching Saw movies, for example, doesn’t make people more interested in kidnapping, murdering or torturing anyone (even though people who enjoy snuff are probably masturbating to gore movies).

Canadian humanitarian worker Peter Dalglish arrested in child sex investigation in Nepal, police say. A person who used to be affiliated to the UN. He rescued kids from home and, with a promise of education and travel, had sex with them.

Child sexual abuse by UN peacekeepers. This a Wikipedia article. If anyone censors something, revert the changes.

Child sexual abuse: top five countries with the highest rates. Since you guys love this word, what are the five most pedophilic nations in the world? It seems like pedophilia is a Western value too.

Children’s rights activist Peter Newell jailed for abuse. This is the guy who co-authored Unicef’s “Handbook for the Convention on the Rights of the Child”. There’s something to be learned from this: don’t let the UN touch your children.

Commentary on the issue above. That same guy was one the first people to suggest that Japan should stop producing lolicon/shotacon manga. It’s seems like you are worth suspicion when you are too invested in this cause.

Could sex robots and virtual reality treat pedophilia? If you ban porn with fictional children, you forcefully end research on this type of therapy. The idea is to help pedophiles to cope with unchanging feelings, by giving them a substitute for real kids, so they could feel satiated and less inclined to offend.

Experts to United Nations: hentai ban would be a mistake. It seems like the group behind the push to criminalize shotacon and lolicon is one of the groups that supported FOSTA/SESTA. This page also has a message template, in case of you not knowing what to write in your message.

For victims of UN sex abuse or exploitation, help can be elusive. Read that headline again. The UN should be doing something about their own organization, since they are against adult/child sex, rather than rambling at Japan.

Pornography and sex crimes in Czech Republic. Readily accessible porn decreased sex crime rates. See commentary at the introduction of this text.

Pornography, rape and sex crimes in Japan. Same as above, but with bigger eyes. See commentary at the introduction.

Report: cartoon paedophilia harmless. What is the UN fighting against? They are trying to distract you from things that really matter, which could put the UN itself safe from suspicion.

Report: UN officials let child sex abuse claims linger. When French soldiers were caught having sex with starving kids, the UN fired the guy who leaked the information to the French authorities. I guess their plan is something along the lines of “let’s fight drawings, so that people think we are doing something for children.”

Sex abuse charity boss arrested on child pornography charges. Also former UN youth ambassador. Of course, if drawings were legal and people had an outlet for these desires, the demand for illegal porn would be lower: if you were thirsty, but water was free and juice was forbidden, wouldn’t you settle with water?

The UN sex abuse scandal review – careful, dignified and gruelling. Japan takes better care of their children than the UN does. The UN should learn from Japan, not the other way around.

Nações Unidas podem proibir “lolicon” e “shotacon”.

Filed under: Notícias e política, Organizações, Saúde e bem-estar — Tags:, — Yure @ 13:38

Hora de cometer mais um suicídio em menos de uma semana, desta vez acadêmico. As Nações Unidas estão planejando mudar sua definição de “pornografia infantil” para incluir trabalhos que não envolvem crianças reais. À primeira vista, isso parece uma boa ideia, mas deixa eu demonstrar por que não é.

Eu não cheguei a comentar estes artigos com você, mas os artigos Pornography and Sex Crimes in Czech Republic e Pornography, Rape and Sex Crimes in Japan mostram que a presença de pornografia em um determinado território reduz as taxas de crimes sexuais naquele território. Em particular, a presença de pornografia infantil nesses territórios diminuiu as taxas de abuso sexual infantil. Claro que existe pornografia infantil que é feita tirando vantagem ou mesmo machucando a criança, mas, se a tal pornografia não envolver crianças reais, o benefício é mantido e nenhuma criança é ferida no processo. Talvez seja por isso que a taxa de abuso sexual infantil no Japão é menor que as mesmas taxas nos Estados Unidos e no Reino Unido, que inclusive são duas nações entre as cinco com mais casos de abuso sexual infantil no mundo! Como pode? Simples: o Japão, a República Tcheca e outros lugares permitem que pedófilos, por exemplo, tenham alternativas de gratificação sexual. Se não houver alternativa, o que vão fazer? Sexo! Com quem? Agora você entendeu. Sabendo disso, existem cientistas que estão estudando a possibilidade de “prescrever” pornografia infantil de realidade virtual pra pedófilos em tratamento ou para aqueles que reconhecem o desejo e não querem violar as leis. Assim, proibir pornografia sem modelos reais impede a continuação de uma pesquisa terapêutica.

Além disso, como essa pornografia não usa modelos reais e como ela pode ser benéfica a longo prazo, proibi-la é uma intervenção desnecessária à liberdade de expressão e à liberdade artística. Eu pensava que as Nações Unidas é que tinham inventado essa de direitos humanos, ou pelo menos seria o principal guardião desses direitos, dentre os quais está a liberdade de expressão. A única razão para querer se fazer tal limitação é a presunção, pautada apenas no sentimento de “nojinho”, de que esse material aumenta a taxa de abuso sexual infantil, o que nenhum estudo foi capaz de confirmar, ao passo que existem estudos que comprovam o contrário! Me mostre um estudo que diz que lolicon ou shotacon aumenta a taxa de abuso sexual infantil, só um, e eu posso até reconsiderar. Mas eu quero um artigo científico.

O que você pode fazer.

A nova definição das Nações Unidas consta entre os itens 61 e 64 do Optional Protocol to the Convention on the Rights of the Child. Tal documento está em fase de criação e os autores estão aceitando sugestões (em inglês e espanhol) de qualquer interessado. Você não precisa ser doutor ou mestre pra enviar seus comentários. O comentário deve citar especificamente os parágrafos 61 a 64, da página 13 e deve ser enviado em formato Microsoft Word para o e-mail que receberá os comentários (crc@ohchr.org). Vão lá e me deixem orgulhoso. Se é pra salvar os guris de carne e osso, dane-se a integridade de crianças de papel.

15 de fevereiro de 2019

What I learned reading “Ménon”.

Filed under: Livros — Tags:, , , — Yure @ 17:07

Ménon” was written by Plato. Below, what I learned from reading this book.

  1. How do we acquire virtue?
  2. It is not possible to define virtue by making a list of available virtues: a list of examples doesn’t equal concept.
  3. For example, if there is one virtue for men and another for women, are they different?
  4. Health is the same in all, because each individual health shares common characteristics.
  5. Justice is a virtue, not simply “virtue”: courage and temperance, for example, are also virtues.
  6. We can not say what a figure is by saying that it is “square” or “circle,” nor can define color by saying that it is “white” or “blue”.
  7. Socrates tries to define shape as “the stuff that has color in it”, but no one has yet explained what color is, which makes such definition imprecise.
  8. Do you know what is “end”, “limit”, “solid” and “surface”?
  9. We all seek what we think is good ; if we seek something harmful, that’s only because we ignore the fact that the goal is actually harmful .
  10. Virtue, then, seems to be not in the will to have good things, but in the ability to achieve them.
  11. But virtue isn’t ability to achieve either: it is possible to achieve good things unjustly .
  12. If justice is a virtue, definiting virtue as “the ability to achieve goals in a justly manner” is imprecise.
  13. How can we look for something without knowing what we are looking for?
  14. Aporia is necessary : it makes a person realize his own ignorance.
  15. Everyone seems to have latent knowledge that can be invoked through questioning.
  16. If virtue is science, it can be taught.
  17. Anything that is scientifically conducted leads to good.
  18. If virtue is teachable, how come there are no “teachers of virtue” or people wanting to learn virtue?
  19. The person who teaches something often doesn’t practice the thing they teach.
  20. Sophists do not teach virtue.
  21. If the virtuous man could teach virtue, he would open a school of virtue!
  22. If there were virtue teachers, they would come to a consensus about whether virtue is or is not teachable.
  23. Even those who claim that virtue can be taught are confused when speaking of virtue itself.
  24. Virtue is not science.
  25. True opinion produces no inferior result to science.
  26. It is through mathematics that correct opinions become science and therefore stable.
  27. If the person can become virtuous by learning, then virtue is not innate.
  28. The definition of virtue is inconclusive.

9 de fevereiro de 2019

What I learned reading “Metaphysical Meditations”.

Filed under: Livros, Saúde e bem-estar — Tags:, — Yure @ 21:24

“Metaphysical Meditations” was written by Descartes. Below, what I learned from reading this book.

  1. Throughout our lives we have learned many wrong things.
  2. So everything we build on false foundations is worth questioning .
  3. This effort can not be done immediately, but only at a propitious age, in solitude (well after retired).
  4. This is a highly destructive process and should not be attempted if other people depend on you to exist.
  5. Descartes intends to reject any information that is not clear and evident.
  6. It is not necessary to overturn each discourse at a time: it is enough to overturn its principles , which are fewer in number than the reasonings built upon such principles.
  7. The senses are the first thing he eliminates as being “doubtful”: if the senses deceive , he will reject the sensory information, for they are not clear and evident.
  8. Cartesian doubt is a decision, not a normal doubt: you choose to doubt.
  9. Doubt will be his method of this book.
  10. The senses are safe for everyday life, but that is not what we want.
  11. Descartes slept naked.
  12. How am I supposed to know… if I’m not dreaming now?
  13. As it is possible to doubt the objective reality, Descartes also rejects it.
  14. Even if the dream is like a different reality from objective reality, the mind composes this fantastic reality using elements that it finds when we are awake.
  15. If there is an evil god who delights in deceiving the intellect, then neither mathematics nor geometry would be safe.
  16. But if God exists and he is good, he would not waste time deceiving his creatures.
  17. God would not create another God.
  18. Everything is dubious.
  19. Sensory information has its use, since I will rely on it in everyday life, and there is nothing wrong with doing so.
  20. Methodical doubt led Descartes to reject everything we have for granted and reliable.
  21. To think in this way is not only laborious, but makes life impossible to be experienced.
  22. This book is like a personal doubt diary.
  23. The search for some “secure knowledge” is compared to the lever: if I have a lever long enough and a point of support safe enough, I can lift anything.
  24. Maybe I do not have a body, but can I exist without a body?
  25. I can not doubt one thing: that I am doubting.
  26. But to doubt it is necessary to think.
  27. But it is only possible to think and to deceive myself if I exist.
  28. I know that I exist because I am thinking, something that would not be possible if I did not exist.
  29. To come to the conclusion that I exist does not ensure that I exist in any particular way.
  30. The body is a tool at service for the soul.
  31. Soul is thinking substance.
  32. I’m a thinking thing.
  33. Thought itself is the only thing that passes through methodical doubt.
  34. Physical state is not essence, but accident.
  35. Achieving the nature of things is a mental effort, not empirical.
  36. If I play with an object and also with my body, but I perceive my body more sharply than the object with which I play, the knowledge of my body is more certain.
  37. What is easier in science is difficult for common sense.
  38. Under what conditions can I recognize the objective value of an idea ?
  39. To what extent does something that I think really exist?
  40. If there is a god who likes to deceive people, it needs a job or a woman.
  41. We must find out if there is a reason to believe in God.
  42. If there is, we should make sure he does not employ his industry to deceive us.
  43. We can desire things that are impossible.
  44. An idea I have does not necessarily correspond to the thing to which it should correspond.
  45. Some ideas I have seem to have been born with me.
  46. Ideas of external origin, affections: near a fire, I will feel heat.
  47. Instinct is not a secure source of knowledge.
  48. Instinct is amoral, it is agnostic.
  49. Once the exterior leaves an impression, we can recall the impression later on, without the object that caused it.
  50. Without a clear idea, there is no judgment criterion between false and true.
  51. The sense shows the Sun, instinct assumes that the Sun is the size it seems, but reason says that the Sun is bigger than the Earth.
  52. Sensory information betray with great treachery.
  53. Appeal to degrees of being, to efficient cause: every effect has a cause and I am an effect.
  54. Nothing guarantees that the creature is equal to the creator.
  55. Nothingness can not create, with that we all agree.
  56. The creature is similar (not equal) to the creator in something, even to a lesser degree.
  57. If God exists, then I am not alone in the world.
  58. Something is imperfect if it does not go as planned.
  59. Is the cold absence heat or is the heat absence of cold?
  60. Can I conceive a complete lie?
  61. Are there any ideas that are false by nature?
  62. The idea of ​​God is too complex to be conceived by the human spirit.
  63. The existence of God only comes to mind because God shows himself to the human mind.
  64. Finite comes from infinity .
  65. If something is limited, it is because it does not exist in a supreme degree, implying a portion of non-being ( potency ).
  66. It is possible to apprehend the infinite in its form, but never in its content.
  67. If I were God, I would have no doubts about being God.
  68. We had a beginning, we are not eternal.
  69. Our parents made our bodies, but the spirit comes from God.
  70. It is different to create and produce: parents produce the child, but they did not create the human being.
  71. God does not deceive, nor he needs to.
  72. If God is perfect, he would not create a perfect nature or perfect human beings because it was not in his interest to create other gods like him.
  73. Being finite, I can not receive infinite divine power.
  74. I make mistakes because I do not know what I need to perform a certain task.
  75. If God is perfect, He will always want the best and the most advantageous.
  76. Misunderstanding is lack of certainty, but it is not total cognitive deficiency.
  77. If God is perfect and infinite, a finite mind can never understand some or several or all of his decisions.
  78. It would be strange for Descartes to say that canine teeth were designed to pierce pieces of flesh: if God is the master of all things, being also infinite, and his reasons incomprehensible for the weak human mind, we can’t say for sure what is the purpose of anything in nature.
  79. What advantage could there be for nature to be more intelligent than it already is?
  80. The understanding has limits more rigid than the will: we want several things, but we not always understand what we want.
  81. There is a difference between freedom of choice and freedom of act.
  82. One should not position oneself on what one does not understand.
  83. A defect is only defective in a certain sense.
  84. To minimize or even eliminate deception, clear and distinct truths must be separated from informations which are not clear or distinct: on the uncertain, one can only speculate.
  85. It is possible to attribute existence to something that does not exist.
  86. If I say that there is an extremely perfect being, I must prove that such being exists.
  87. If God is perfect, He is eternal.
  88. Geometry applies its precepts to material things, which makes material things quite probable, but does not guarantee that they exist.
  89. Something is “possible” if I have proof that it is possible or if I have no proof that it is impossible.
  90. Descartes points out that we have sensations because there are objects that inspire us sensations and because we have organs that interact with such objects.
  91. The body affects the spirit, which is myself, which implies the existence of the body.
  92. We have no control over what things attract us.
  93. Pain is an intimate sensation, but it is not safe: people who have had amputated limbs still have pain sensations in limbs that are no longer there.
  94. You can feel things that are not there, like when you dream.
  95. Descartes does not rule out the possibility that sensible ideas are produced within the spirit itself (as in madness or hallucination).
  96. I’m a thinking thing.
  97. The body would be useless without the spirit.
  98. The fact that we have sensations in spite of our will, since our spirit, being ourselves, is totally subject to our will, shows that sensations come from external sources.
  99. The cause of sensations is either a body or God.
  100. It is not God, because God would not want to be an object, since he is not deceitful.
  101. What is uncertain can still be known with certainty, because the spirit can correct information.
  102. If nature teaches us something through the senses, then it seems safe to admit that there is something outside us.
  103. Soul and body are not totally separate.
  104. Nature is one, always the same: if our senses do not perceive it as they should, it is our problem, not a problem with nature.
  105. The teaching of nature is concerned with what to do to stay alive and does not coincide with understanding , needing to be complemented by reason.
  106. The good interaction between body and nature requires that both be in good condition.
  107. The senses exist and the senses are safe in relation to biology, the conservation of life.
  108. The difference between dream and reality is memory: when we are dreaming, our experience is self-contained, we have no memory of previous dreams.
  109. When we are awake, however, we have memory of dreams and reality as well.
  110. Metaphysics has its function. Y6&4KU42%CWVSPNY!pt^t3He6xzE9Z99GK Throughout our lives we have learned many wrong things.
  111. So everything we build on false foundations is worth questioning .
  112. This effort can not be done immediately, but only at a propitious age, in solitude (well after retired).
  113. This is a highly destructive process and should not be attempted if other people depend on you to exist.
  114. Descartes intends to reject any information that is not clear and evident.
  115. It is not necessary to overturn each discourse at a time: it is enough to overturn its principles , which are fewer in number than the reasonings built upon such principles.
  116. The senses are the first thing he eliminates as being “doubtful”: if the senses deceive , he will reject the sensory information, for they are not clear and evident.
  117. Cartesian doubt is a decision, not a normal doubt: you choose to doubt.
  118. Doubt will be his method of this book.
  119. The senses are safe for everyday life, but that is not what we want.
  120. Descartes slept naked.
  121. How am I supposed to know… if I’m not dreaming now?
  122. As it is possible to doubt the objective reality, Descartes also rejects it.
  123. Even if the dream is like a different reality from objective reality, the mind composes this fantastic reality using elements that it finds when we are awake.
  124. If there is an evil god who delights in deceiving the intellect, then neither mathematics nor geometry would be safe.
  125. But if God exists and he is good, he would not waste time deceiving his creatures.
  126. God would not create another God.
  127. Everything is dubious.
  128. Sensory information has its use, since I will rely on it in everyday life, and there is nothing wrong with doing so.
  129. Methodical doubt led Descartes to reject everything we have for granted and reliable.
  130. To think in this way is not only laborious, but makes life impossible to be experienced.
  131. This book is like a personal doubt diary.
  132. The search for some “secure knowledge” is compared to the lever: if I have a lever long enough and a point of support safe enough, I can lift anything.
  133. Maybe I do not have a body, but can I exist without a body?
  134. I can not doubt one thing: that I am doubting.
  135. But to doubt it is necessary to think.
  136. But it is only possible to think and to deceive myself if I exist.
  137. I know that I exist because I am thinking, something that would not be possible if I did not exist.
  138. To come to the conclusion that I exist does not ensure that I exist in any particular way.
  139. The body is a tool at service for the soul.
  140. Soul is thinking substance.
  141. I’m a thinking thing.
  142. Thought itself is the only thing that passes through methodical doubt.
  143. Physical state is not essence, but accident.
  144. Achieving the nature of things is a mental effort, not empirical.
  145. If I play with an object and also with my body, but I perceive my body more sharply than the object with which I play, the knowledge of my body is more certain.
  146. What is easier in science is difficult for common sense.
  147. Under what conditions can I recognize the objective value of an idea ?
  148. To what extent does something that I think really exist?
  149. If there is a god who likes to deceive people, it needs a job or a woman.
  150. We must find out if there is a reason to believe in God.
  151. If there is, we should make sure he does not employ his industry to deceive us.
  152. We can desire things that are impossible.
  153. An idea I have does not necessarily correspond to the thing to which it should correspond.
  154. Some ideas I have seem to have been born with me.
  155. Ideas of external origin, affections: near a fire, I will feel heat.
  156. Instinct is not a secure source of knowledge.
  157. Instinct is amoral, it is agnostic.
  158. Once the exterior leaves an impression, we can recall the impression later on, without the object that caused it.
  159. Without a clear idea, there is no judgment criterion between false and true.
  160. The sense shows the Sun, instinct assumes that the Sun is the size it seems, but reason says that the Sun is bigger than the Earth.
  161. Sensory information betray with great treachery.
  162. Appeal to degrees of being, to efficient cause: every effect has a cause and I am an effect.
  163. Nothing guarantees that the creature is equal to the creator.
  164. Nothingness can not create, with that we all agree.
  165. The creature is similar (not equal) to the creator in something, even to a lesser degree.
  166. If God exists, then I am not alone in the world.
  167. Something is imperfect if it does not go as planned.
  168. Is the cold absence heat or is the heat absence of cold?
  169. Can I conceive a complete lie?
  170. Are there any ideas that are false by nature?
  171. The idea of ​​God is too complex to be conceived by the human spirit.
  172. The existence of God only comes to mind because God shows himself to the human mind.
  173. Finite comes from infinity .
  174. If something is limited, it is because it does not exist in a supreme degree, implying a portion of non-being ( potency ).
  175. It is possible to apprehend the infinite in its form, but never in its content.
  176. If I were God, I would have no doubts about being God.
  177. We had a beginning, we are not eternal.
  178. Our parents made our bodies, but the spirit comes from God.
  179. It is different to create and produce: parents produce the child, but they did not create the human being.
  180. God does not deceive, nor he needs to.
  181. If God is perfect, he would not create a perfect nature or perfect human beings because it was not in his interest to create other gods like him.
  182. Being finite, I can not receive infinite divine power.
  183. I make mistakes because I do not know what I need to perform a certain task.
  184. If God is perfect, He will always want the best and the most advantageous.
  185. Misunderstanding is lack of certainty, but it is not total cognitive deficiency.
  186. If God is perfect and infinite, a finite mind can never understand some or several or all of his decisions.
  187. It would be strange for Descartes to say that canine teeth were designed to pierce pieces of flesh: if God is the master of all things, being also infinite, and his reasons incomprehensible for the weak human mind, we can’t say for sure what is the purpose of anything in nature.
  188. What advantage could there be for nature to be more intelligent than it already is?
  189. The understanding has limits more rigid than the will: we want several things, but we not always understand what we want.
  190. There is a difference between freedom of choice and freedom of act.
  191. One should not position oneself on what one does not understand.
  192. A defect is only defective in a certain sense.
  193. To minimize or even eliminate deception, clear and distinct truths must be separated from informations which are not clear or distinct: on the uncertain, one can only speculate.
  194. It is possible to attribute existence to something that does not exist.
  195. If I say that there is an extremely perfect being, I must prove that such being exists.
  196. If God is perfect, He is eternal.
  197. Geometry applies its precepts to material things, which makes material things quite probable, but does not guarantee that they exist.
  198. Something is “possible” if I have proof that it is possible or if I have no proof that it is impossible.
  199. Descartes points out that we have sensations because there are objects that inspire us sensations and because we have organs that interact with such objects.
  200. The body affects the spirit, which is myself, which implies the existence of the body.
  201. We have no control over what things attract us.
  202. Pain is an intimate sensation, but it is not safe: people who have had amputated limbs still have pain sensations in limbs that are no longer there.
  203. You can feel things that are not there, like when you dream.
  204. Descartes does not rule out the possibility that sensible ideas are produced within the spirit itself (as in madness or hallucination).
  205. I’m a thinking thing.
  206. The body would be useless without the spirit.
  207. The fact that we have sensations in spite of our will, since our spirit, being ourselves, is totally subject to our will, shows that sensations come from external sources.
  208. The cause of sensations is either a body or God.
  209. It is not God, because God would not want to be an object, since he is not deceitful.
  210. What is uncertain can still be known with certainty, because the spirit can correct information.
  211. If nature teaches us something through the senses, then it seems safe to admit that there is something outside us.
  212. Soul and body are not totally separate.
  213. Nature is one, always the same: if our senses do not perceive it as they should, it is our problem, not a problem with nature.
  214. The teaching of nature is concerned with what to do to stay alive and does not coincide with understanding , needing to be complemented by reason.
  215. The good interaction between body and nature requires that both be in good condition.
  216. The senses exist and the senses are safe in relation to biology, the conservation of life.
  217. The difference between dream and reality is memory: when we are dreaming, our experience is self-contained, we have no memory of previous dreams.
  218. When we are awake, however, we have memory of dreams and reality as well.
  219. Metaphysics has its function.

6 de fevereiro de 2019

I’m a communist (not really).

Filed under: Notícias e política — Tags:, , — Yure @ 23:50

So I was watching some videos on Youtube and found an interesting one by a philosopher with a complicated name.

Summarizing what he says, Steve Bannon, the guy who wants to set up an international conservative right movement, does it by giving people something to fear, even if it is an imaginary danger. The protection could be provided by the right, making conservative solutions more palatable. In European xenophobic countries, for example, this danger would be the foreigner, the immigrant. The far right won here in Brazil, and our personal enemy is communism. First, there is no communism in Brazil. I think even the people on the left do not believe in the possibility of implementing a communist regime in Brazil. Not because it would be impossible (because it is possible), but because it would be impossible with the current world setup to be a communist country while also being capable of maintaining the level of comfort. The big motifs of the elections were “do not let Brazil become a Venezuela” or “Brazil will not be a new Cuba” or “the flag will never be red”. Now that we have a right-wing president and, one month later, people are already wanting to kick him out, a good idea to thwart Bannon’s plans for Brazil would be the revitalization of aesthetic communism.

You see, Bannon’s idea, at least according to the video, is to associate all that is left-wing with communism, that invisible enemy (because it is not there), which, being “invisible”, can be anywhere and everywhere. This was supposed to keep the liberals weak and low, because, identified with communism, they have become the enemy. But the Brazilian left is not Communist. Now, if something can be called “communism” without actually being so, why do not we label as “communism” the good things too? An idea doesn’t need to be really communist, in the correct sense of the word. It just needs the label. Example: Pension reform is undesirable for most Brazilians. Now, to be against pension reform is to be communist, not that it is bad. Another: legalization of firearms possession is undesired by most Brazilians. But to be against firearms is to be communist at the same time as it is a peaceful position. If all that Bolsonaro hates is communist just because he hates it, any position contrary to Bolsonaro’s positions is a communist position, even when the so-called “communists” have a point. The idea is to revitalize the word, not its content, to show the “communist” opinions (everything that is against Bolsonaro) as being palatable. This disarms Bannon’s idea that communism is the enemy and he will have to find something else to stigmatize the left and the process can be repeated with this “new enemy.”

It is not a question of converting to communism, but a question of labeling as “communism” any sensible and clearly beneficial position that stands against the designs of the right-wing, even if such position is not actually a communist position. If the enemy proves to be better than the ally, then the ally becomes an enemy.

Eu sou comunista (só que não).

Filed under: Notícias e política — Tags:, , — Yure @ 23:34

Então, eu estava vendo uns vídeos no Youtube e achei um interessante de um filósofo de nome complicado.

Sintetizando o que ele diz, Steve Bannon, o carinha que quer montar uma direita conservadora internacional, o faz dando às pessoas algo que temer, mesmo que seja um perigo imaginário, cuja proteção poderia ser provida pela direita, tornando-a, portanto, palatável. Em países xenófobos europeus, por exemplo, esse perigo seria o estrangeiro. A extrema direita ganhou aqui, no Brasil, e nosso inimigo pessoal é o comunismo. Primeiramente, não existe de fato comunismo no Brasil. Acho que mesmo o pessoal da esquerda não acredita na possibilidade de implantar um regime comunista no Brasil. Não porque seria impossível (porque é possível), mas sim porque seria impossível, no cenário mundial, ser um país comunista capaz de manter seu nível de conforto. Os grandes motifes da eleição foram “não deixe o Brasil virar a Venezuela” ou “o Brasil não será uma nova Cuba” ou “a bandeira nunca será vermelha”. Agora que a direita está no poder e, em um mês, já estão interessados em tirá-la dali, uma boa ideia para frustrar os planos de Bannon pro Brasil seria a revitalização do comunismo de estética.

Veja, a ideia do Bannon, ao menos segundo o vídeo, é associar tudo o que é de esquerda com comunismo, esse inimigo invisível (porque não está lá), o qual, por ser “invisível”, pode estar em toda parte. Isso deveria manter a esquerda fraca e baixa, porque ela, identificada com o comunismo, tornou-se o inimigo. Mas a esquerda brasileira não é comunista. Ora, se algo pode ser chamado de comunista sem de fato o ser, porque não chamamos as coisas boas de comunismo? Elas não serão realmente comunistas e nem precisam ser, na acepção correta da palavra. Basta que sejam chamadas assim. Exemplo: reforma da previdência é indesejável para a maioria dos brasileiros. Ora, ser contra ela é ser comunista, não que isso seja ruim. Outro: a liberação do porte de armas é indesejada por maior parte dos brasileiros. Ora, ser contra o porte é ser comunista, ao mesmo tempo que é uma posição pacífica. Se tudo o que o Bolsonaro odeia torna-se comunista porque ele odeia, qualquer posição contrária às de Bolsonaro é comunista, mesmo quando os “comunistas” tiverem razão. A ideia é revitalizar a palavra, não seu conteúdo, para mostrar as opiniões “comunistas” (tudo aquilo que é contra o Bolsonaro) como sendo palatáveis. Isso desarma a ideia de Bannon de que o comunismo é o inimigo e ele terá que achar outra coisa com a qual identificar a esquerda e o processo poderá se repetir com esse “novo inimigo”.

Não é questão de se converter ao comunismo, mas de rotular de “comunista” toda e qualquer posição sensata e claramente benéfica que se posicione contra os desígnios da direita, mesmo que não seja comunista. Se o inimigo se mostrar como melhor que o aliado, então o aliado se torna inimigo.

%d blogueiros gostam disto: