Analecto

9 de julho de 2018

Anotações sobre a “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”, de Kant.

Filed under: Livros — Tags:, , , — Yure @ 17:38

Fundamentação da Metafísica dos Costumes foi escrita por Kant. Abaixo, algumas anotações que fiz sobre esse texto.

  1. A filosofia grega podia ser dividida entre lógica, ética e física.
  2. Um conhecimento pode ser formal ou material.
  3. Lógica é uma ciência formal.
  4. A ciência material divide-se em ética (leis da liberdade) e física (leis da natureza).
  5. A ética está preocupada com as coisas como deveriam ser (como o ser livre deve agir), enquanto que a física se ocupa das coisas como são (como a natureza age).
  6. A parte racional, mas não empírica, da física chama-se metafísica da natureza, enquanto que a parte meramente racional, mas não empírica, da ética chama-se metafísica dos costumes.
  7. Tal como a ciência, a filosofia deveria se dividir em partes e promover a especialização.
  8. Partes da física: metafísica da natureza (racional) e física empírica.
  9. Partes da ética: antropologia prática (empírica) e metafísica dos costumes (racional).
  10. Uma metafísica dos costumes é necessária porque permite a criação de leis estáveis, uma vez que partiriam de princípios morais universais (os quais só podem ser alcançados se distanciando da experiência tanto quanto possível).
  11. Regras práticas não são leis morais, porquanto são particulares.
  12. Sem princípios morais puros, a moralidade estará sujeita à perversões.
  13. Só há uma razão, que é aplicada de formas diversas.
  14. Não precisa ser filósofo pra entender filosofia moral.
  15. Um princípio de fácil aplicação e que parece bastar para resolver um problema pode, ainda assim, estar errado.
  16. Todas as nossas qualidades podem se prestar ao mal, exceto a boa vontade, a qual se manifesta no caráter.
  17. A felicidade, a satisfação consigo mesmo e sua condição, pode causar presunção.
  18. Até mesmo o autocontrole pode prejudicar a pessoa ou aqueles que estão próximos dela.
  19. A boa vontade é o que dá garantia a nossas virtudes, pois, sem ela, não há garantia de que nossas virtudes estão sendo usadas para o bem.
  20. É mais fácil infringir seus deveres se você está infeliz.
  21. “Dever” é a necessidade de cumprir algo pelo respeito à lei.
  22. Uma ação não é moral por seus resultados, mas pela sua motivação.
  23. Devo agir como se todos tivessem que me imitar.
  24. Será que as consequências de uma mentira não superam o bem que se pode derivar dela?
  25. Antes de agir, pense: “e se o que estou para fazer se tornasse lei?”
  26. O fato de eu ter bons princípios morais não garante que serei capaz de seguir tais princípios.
  27. O fato de eu querer muito alguma coisa não implica que tal coisa é boa.
  28. Uma filosofia se torna popular pela vulgarização, o que não é algo necessariamente ruim.
  29. Quando estou agindo conforme minha razão, estou agindo por “vontade”, mas, quando ajo de forma que minha razão desaprova, estou agindo por “coação”.
  30. Prudência é a habilidade de escolher os meios para obter o melhor bem-estar.
  31. A lei coage.
  32. Desejar um fim é desejar também os meios de obtenção do fim.
  33. Não é possível saber exatamente o que é felicidade sem tê-la experimentado, por isso muitos erram o caminho até lá.
  34. Se a felicidade é o melhor bem-estar, ela deveria vir sem custo de manutenção, do contrário, eu me preocuparia em manter minha felicidade quando, se eu me preocupo, não estou feliz.
  35. Eu não posso dizer pra alguém como ela deve agir pra ser feliz, se eu mesmo não sei como.
  36. Eu posso desistir de prescrições rígidas se eu desistir do objetivo que pretendo alcançar as obedecendo, a menos que sejam prescrições incondicionadas a fins.
  37. Imperativo categórico: “aja apenas segundo princípios que poderiam ser transformados em leis às quais todos se submeteriam.”
  38. Se uma ação satisfaz o imperativo categórico, ela é justa (se bem que não necessariamente bela, não necessariamente útil, mas apenas justa).
  39. A diferença entre “impulso” e “motivo” é que o impulso leva a fim subjetivo (eu executo esta ação porque me é agradável apenas) enquanto que motivo leva a fim objetivo (eu executo esta ação porque me é agradável, mas também é agradável a todos).
  40. Imperativo prático: “trate a si mesmo e também aos outros como meios e fins, nunca somente como meros meios.”
  41. Se você faz o bem por interesse, a sua ação é condicionada ao interesse, ou seja, você não fará o bem se não lucrar com isso.
  42. Se algo pode ser substituído por um equivalente, esse algo tem “preço”, mas, se ele é insubstituível, diz-se que ele não tem preço, mas “dignidade”.
  43. Nenhuma virtude moral tem preço, porquanto não lhes existem equivalentes.
  44. Autonomia é a capacidade de dar leis a si mesmo.
  45. O contrário da autonomia é a necessidade de aceitar leis de outras fontes.
  46. Ser bom e ser feliz não necessariamente convergem.
  47. Só podemos conhecer a coisa como ela se mostra aos nossos sentidos, mas isso não quer dizer que seu eu verdadeiro é seu eu aparente.
  48. A natureza nos dita leis, as quais não podemos quebrar, ou seja, não somos totalmente autônomos.
  49. Mas isso não quer dizer que a natureza controla todos os nossos atos, então temos alguma autonomia.
  50. Nossa substância pensante, a inteligência, é nosso verdadeiro eu.

2 Comentários »

  1. […] aqueles que têm mais habilidade de fazer o bem. Também perigosa: uma nação que se guia pelo imperativo categórico, pelo que “é certo”, não pelo que lhe é vantajoso (porque vantagem é prazer), se […]

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    Pingback por Leituras da semana #4. | Pedra, Papel e Tesoura. — 25 de maio de 2020 @ 22:40

  2. […] A maldade depende da intenção. […]

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    Pingback por Anotações sobre o Emílio. | Analecto — 11 de julho de 2018 @ 00:46


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