Analecto

1 de outubro de 2015

Atração por Menores: guia para iniciantes.

RESUMO

Pessoa atraída por menores” é qualquer um com interesse romântico ou sexual por pessoas abaixo da idade de consentimento. A categoria é larga o bastante para incluir os próprios menores, se estes desenvolverem sentimentos e práticas que podem ser consideradas sexuais no trato geral entre si. Porém, esta categoria é muito nova e a maioria das pessoas não vê a diferença entre atração por menores e pedofilia, a qual é, por si própria, carregada com grandes quantidades de estigma. Por causa disso, a autoestima das pessoas atraídas por menores é severamente prejudicada, elas se escondem e desenvolvem ódio de si próprias. Mas é importante que a pessoa atraída por menores entenda que ela não é uma ameaça a menores, que sua atração é normal em outros lugares do mundo e que, pondo as coisas desta forma, atração por menores não é uma doença em si, mas é tornada tal pela sociedade. Isso deve ajudar pessoas atraídas por menores a aceitar a si mesmas de todo o coração, a ver a idade de consentimento como um fenômeno passivo de mudança, a melhorar o autoconhecimento e apontar para ajuda, se esta for necessária.

Palavras-chave: MAP. Atração por menores. Pedofilia. Autoaceitação. B4U-ACT.

ABSTRACT

Minor-attracted person” is anyone with a romantic or sexual interest in people below age of consent. The category is broad enough to include even minors themselves, if they develop feelings and practices that can be considered sexual in their general tract between each other. However, this category is fairly new and most people don’t see the difference between attraction to minors and pedophilia, which is, itself, charged with great amounts of stigma. Because of that, the self-esteem of minor-attracted people is severely damaged, they hide and develop self-hatred. But it’s important for the minor-attracted person to understand that they are not a threat to minors, that their attraction is fine in other places of the world and that, putting things that way, attraction to minors isn’t a disease per itself, but is made such by society. That should help minor-attracted people to accept themselves wholeheartedly, to see age of consent as a cultural phenomenon passive of changing, improve better understanding of themselves and point to help, if such is needed.

Keywords: MAP. Attraction to minors. Pedophilia. Self-acceptance. B4U-ACT.

1 INTRODUÇÃO1

Um dia, em maio de 2017, eu tive uma conversa sobre pedofilia com um amigo e pensei em fazer uma pesquisa. Vi coisas extremamente perturbadoras que me deixaram ansioso por dias. Porém, quando eu sinto ansiedade, o sentimento não para enquanto eu não me torno informado no assunto, para que eu possa encontrar um meio de acalmar esses sentimentos e dar minha opinião sobre eles. Por dias, a pesquisa na Internet me trouxe mais dor. Eu percebi que nem todos que tinham sentimentos sexuais em relação a crianças lidavam bem com eles e eu rapidamente percebi que a mídia tinha um papel em propagar esse medo na sociedade, em vez de informação real, ao ponto de pedófilos, eles próprios, que nunca tiveram problemas com seus sentimentos e viviam sob a lei, ficarem em dúvida sobre quanto controle tinham sobre o sentimento. “É uma visão de mundo extremamente malsã”, pensei, “porque te faz pensar que você não tem controle total de si mesmo.”

Mas finalmente, encontrei algumas coisas que puderam reduzir minha ansiedade e me recobrar a sanidade perdida naquele mês. Mídia não é um bom lugar pra procurar por essas coisas e eu precisava de algo mais fatual como a ciência ou a filosofia. Aprendi que pedófilos são apenas um tipo de “pessoa atraída por menores” e que há outros que têm esses sentimentos relacionados a outras faixas etárias. Aprendi que há menores que estão insatisfeitos com sua situação, sobre a existência de relatos positivos ao redor do mundo e evidência estatística reprimida. Isso, combinado com as experiências horríveis que eu tive em maio, me fizeram perceber que atração por menores não é uma doença em si, mas é tornada tal pela sociedade, não importando se a pessoa atraída por menores é pedófila ou não.

O propósito deste documento é colocar toda a informação necessária para autoaceitação em um lugar só, para que a pessoa que perceba que tem sentimentos em relação a pessoas abaixo da idade de consentimento não tenha que passar por todas as dores que passei. A primeira seção tenta definir o que é uma pessoa atraída por menores e diferi-la do pedófilo (os conceitos não são mutuamente excludentes). A segunda seção lida com o objeto da atração, seu status de ilegalidade e o verdadeiro dano que agir segundo o impulso poderia causar, sem exageros. A terceira seção é sobre o que fazer quando você sabe o que você é.

2 ATRAÇÃO POR MENORES EXPLICADA.

“Menor”, neste contexto, é alguém abaixo da idade de consentimento. A menos que a idade de consentimento onde você viva seja dezoito,2 não estou me referindo a alguém abaixo da maioridade legal. Então, ter uma atração por menores é ter sentimentos românticos ou sexuais voltados a pessoas tidas por muito fracas ou muito desinformadas para consentir com uma relação sexual. As causas para tal atração são desconhecidas. Por algum tempo, as pessoas creram que ser abusado na infância causava pedofilia,3 por exemplo, mas hoje, nós sabemos que assumir isso é errado. Não há ligação necessária entre ter um encontro sexual com um adulto durante a infância e se tornar um adulto atraído por menores ao crescer.4 A ciência está mais inclinada em tratar a atração por menores em geral e a pedofilia em particular como uma orientação sexual: tem raízes profundas, provavelmente nunca mudará e você certamente nasceu já codificado para se desenvolver dessa forma.5 Lutar contra isso é inútil.6

Por outro lado, considerando que os próprios menores também se sentem atraídos por outros menores os quais também estão abaixo da idade de consentimento, examinar suas relações nos faz pensar se estar atraído por um menor é sempre ruim. Há sempre dano?7 Não existem pessoas sussurrando que a idade de consentimento está impedindo menores de criar relações construtivas?8 A maioria dos adultos atraídos por menores foi um menor atraído por menores, naturalmente. A natureza do sentimento, contudo, permanece a mesma.

2.1 QUEM QUALIFICA?

Se você está apaixonado por alguém abaixo da idade de consentimento, você qualifica, não importando se você também está abaixo da idade de consentimento ou acima. Se você é menor, então sua atração é mais aceitável socialmente, mas, ainda assim, ilegal. Se você é adulto, você provavelmente tem que esconder isso da sociedade. Você pode negar ou se justificar, mas a atração ainda está lá e você não pode fingir para si mesmo que ela não existe.

Embora o romance seja grande parte desses sentimentos, a sexualidade tem um papel decisivo em tornar essa atração socialmente reprovável. Se você mesmo é um menor e é pego tendo essa intimidade com outro menor, alguém pode invadir a relação e dizer que você não sabe o que está fazendo, que não sabe das consequências e coisas dessa natureza.9 Em outros países, você poderia ser registrado numa lista privada de ofensores sexuais, apenas para ter seu nome na lista pública quando você atingisse a maioridade.10 Se você é adulto, talvez você seja visto como um monstro manipulador se você agir segundo o impulso e, mesmo que você não aja, as pessoas podem assumir que você é uma “bomba-relógio”. Mas muitos adultos atraídos por menores não agem segundo o impulso nem quebram a lei.11

2.2.1 Menores.

Menores por vezes são atraídos por outros menores, o que é tão somente natural. Mas leis de idade de consentimento podem posar um problema para esse tipo de relação. Por causa de sua natureza desafiadora, alguns menores podem agir segundo o impulso e ter relações antes da idade de consentimento e isso acontece com frequência, apesar de ser ilegal.12

Enquanto essas relações são mais socialmente aceitáveis, essa aceitação não as torna livre de riscos. Dependendo de sua criação religiosa ou política, você, como menor, pode enfrentar alguns problemas vindos de seus pais. Se seus pais forem radicais, o incidente pode escalar a consequências injustas. Mesmo que não haja lei que proíba o amor, cruzar a linha entre o que é sexual e o que não é pode colocar você e seu amado em problemas, especialmente se tal linha não é nitidamente desenhada.13 Por causa disso, é altamente desaconselhado agir segundo o impulso, mesmo sendo também menor de idade, pois, mesmo na ausência de consequências físicas, ainda há risco de consequências sociais.14

2.2.2 Adultos.

Se você for um adulto atraído por menores, há uma boa chance de você ser pedófilo. Antes que você se assuste, é preciso ver se você não é outra coisa antes. “Pedófilo” é alguém que tem preferência sexual por crianças antes da puberdade. Se o foco de sua atração é outra faixa etária, você tem outra cronofilia.15 É importante enfatizar que uma cronofilia é uma preferência sexual ou exclusividade: se você se sentiu atraído por uma criança em algum momento de sua vida, mas sua preferência são mulheres adultas, você não é pedófilo. Isso quer dizer que se sentir atraído por uma criança não torna você pedófilo automaticamente, se for algo que aconteceu só uma vez ou se sua atração por adultos é mais forte.

Se você é atraído por recém-nascidos ou bebês que ainda não aprenderam a falar, você é “nepiófilo”. Se você é atraído por crianças pré-púberes, você é “pedófilo”. Se você é atraído por crianças ou adolescentes que estão passando pela puberdade, você é “hebéfilo”. Se você é atraído por pessoas que concluíram a puberdade, mas que ainda não são adultas, você é “efebófilo”. Se você é atraído por adultos, você é “teleiófilo”. Há outras cronofilias relacionadas a pessoas de meia-idade e idosos.16 Inclui teleiofilia neste documento porque a idade de consentimento em alguns países é vinte e um, de forma que algumas relações, mesmo com indivíduos de dezoito anos, são ilegais nesses territórios.17

Nenhuma cronofilia automaticamente te torna doente. Por exemplo: por muito tempo, pedofilia foi listada tanto no DSM quanto no CID,18 mas nenhum manual fazia referência a outras cronofilias. Recentemente, houve uma tentativa de incluir hebefilia no DSM, mas a proposta foi, em última instância, rejeitada.19 Uma razão importante para tanto é que hebefilia poderia ainda terminar em reprodução sexual.20 Há lugares no mundo onde essas cronofilias não são consideradas anormais e, apesar disso, você não ouve muito de abuso sexual de menores nesses lugares.21 Estranhamente, os locais com mais casos de abuso sexual de menores são exatamente cinco dos países com as mais altas idades de consentimento, onde esses comportamentos são tidos por doentios.22 Atualmente, o DSM não lista “pedofilia”, mas “desordem pedofílica”, significando que, contanto que você não cometa atos ilegais e não se sinta mal com os sentimentos que tem, você não tem um problema mental. Desde que você se aceite e não quebre nenhuma lei, você não está doente.23

2.2.3 Sou pedófilo?

Se você agora tem certeza de que é pedófilo, você provavelmente está assustado e confuso. Porém, pense em sua vida até agora. Foi difícil? Você machucou alguém? Poderia ser diferente? Não é assim que você sempre foi? Você está provavelmente se preocupando a toa. Não te culpo por isso. A mídia propaga ideias sobre você, alimentando preconceito sob o pretexto de informar. As pessoas acreditam estar totalmente informadas sobre a pedofilia sem nunca terem conversado com um pedófilo sequer. Na verdade, elas são desencorajadas a isso, porque acreditam que pedófilos são todos perigosos. O problema é que “pedófilos potenciais” recebem essa informação também e a internalizam. Daí, quando percebem que eles próprios também são pedófilos, acabam fazendo uma ideia errada do que pedofilia realmente é, apesar de senti-la na pele. Você é levado a crer que você é algo que, na verdade, não é.

Para ajudar a superar esse problema, você deve considerar dois pedaços de informação. O primeiro é que pedofilia não é apenas relações entre adulto e criança. Na verdade, a ideia de penetrar uma criança provavelmente te deixa um pouco enjoado. É um sentimento comum entre pedófilos. Eles se apaixonam pela criança. Quando você está apaixonado, você não quer machucar e é por isso que ofensas sexuais feitas por pedófilos são geralmente não penetrativas e não forçadas (apesar de serem ilegais e todos os atos terem consequências, o que significa que você é aconselhado a não praticar relações sexuais com menores mesmo que você saiba que não os prejudicaria se o fizesse). Para muitos pedófilos, amar a criança é o ponto principal, com o aspecto sexual sendo completamente secundário, mas a associação da pedofilia com palavras como “forte”, “pressionante” ou “urgente” podem te fazer pensar que é muito difícil permanecer abstinente.24 Isso significa que seu trato com crianças não necessariamente desenvolverá um aspecto sexual, mas você é levado a pensar que desenvolverá, o que não é verdade e me leva ao meu segundo ponto: maior parte dos abusadores sexuais de crianças não são pedófilos.25

Quando você ama alguém, você não quer machucar. Então, se você ouvir que um “pedófilo estuprou uma criança”, pode ter certeza de que a mídia está desinformada, mentindo ou falando de uma minoria. Você não deve deixar que a mídia diga a você quem você é, nem a que você deve se sentir atraído. Com a mídia repetindo que pedófilos são estupradores de crianças, ao passo que usa essas palavras alternadamente, essas sentenças podem muito bem ser internalizadas: a significativa “pedofilia” é reduzida a sinônimo de “fetiche por crianças”. A mídia encoraja você a ver pedofilia somente em termos sexuais e a ver o aspecto sexual sob um viés desproporcionalmente negativo, associando-o com coerção, dor e trauma. O amor é deixado de fora da notícia, apesar de existir. Há um conflito entre você e o monstro que dizem que você é.26 Não deixe ninguém te dizer como se sentir.

Entenda que pedofilia é um amor por crianças. Você pode sentir seu aspecto sexual, mas lembre que você não precisa agir segundo o impulso, que você deve permanecer dentro da lei e que a sua sexualidade não invalida o amor que você sente. Se você ama, não machucará. Você não é um monstro.

3 É ESTA ATRAÇÃO SÃ?

Discutimos atração por menores em seu aspecto pessoal até agora, o que ela significa para os próprios menores e para adultos. Mas agora devemos avaliar se a atração é sã ou não. Relações abaixo da idade de consentimento, mesmo se você também estiver abaixo da idade de consentimento, são ilegais e podem resultar em processos jurídicos. Mas será que elas são danosas ou imorais por definição?

Faço essa pergunta porque autoaceitação é muito mais difícil se não considerarmos isso. É como dizer “tudo bem você se sentir atraído por algo errado”. É difícil se sentir bem consigo próprio sem considerar esse elemento. Temos que encarar as consequências e os fatos concernentes a relações envolvendo pessoas abaixo da idade de consentimento.

Numa configuração democrática, todos sabemos que leis mudam.27 Por causa disso, considerar outros aspectos de relações com menores, fora a ilegalidade, pode nos ajudar a avaliar se idade de consentimento precisa existir e, se precisar, se ela deve ser menor, maior ou permanecer do jeito que está. Todas as pessoas atraídas por menores deveriam considerar esse problema com responsabilidade, especialmente se foram adultas, porque menores frequentemente não podem votar.28 Então, se você chegar à conclusão de que essas leis prejudicam os menores, você deveria ser sua voz. Como adulto, você é responsável por fazer aquilo que está no melhor interesse do menor e você não saberá o que está no melhor interesse do menor sem ouvi-lo. Veja o que eles pensam dessas leis. Se você chegar à conclusão de que remover essas leis prejudicaria os menores, você também deve vocalizar esse pensamento. Em todo caso, os próprios menores devem também participar do debate, já que é uma lei sobre eles e discuti-la é um exercício de consciência política.

3.1 VOCÊ NÃO PRECISA AGIR SEGUNDO O IMPULSO.

Antes de prosseguir, é importante lembrar que ser atraído por menores não significa que você invariavelmente quebrará a lei. Pessoas heterossexuais, por exemplo, não pulam sobre qualquer adulto do sexo oposto. Além disso, teleiófilos levam vidas celibatárias por razões religiosas. Se alguém pode ficar abstinente por medo de uma punição na pós-vida, não vejo por que uma pessoa não pode ficar abstinente por medo de punição nesta vida.

Sua atração sexual é como qualquer outra. Ela tem elementos românticos e pode ser platônica.29 Ela não se resume a prazer e avanços sexuais. Com isso em mente, é bem mais fácil encarar atração por menores com indiferença, ao passo que isso não te impede de participar num debate honesto sobre a própria atração ou seu objeto, nem de ter fantasias.

3.2 IDADE DE CONSENTIMENTO MUDA.

Idade de consentimento nem sempre existiu, nem sempre foi tão baixa ou tão alta, pode ser bem mais alta ou bem mais baixa e não há acordo sobre em qual idade alguém pode consentir com intimidade sexual. Essa idade pode ser no mínimo doze e no máximo vinte e um, com alguns lugares não tendo nenhuma idade de consentimento, mas usando outras condições como puberdade ou casamento.30 Historicamente, o menor registro de idade de consentimento é sete anos. E há propostas em outros países de aumentar para vinte e cinco.

Idade de consentimento é uma lei. Não é natural, mas um costume social. Ela pode mudar no futuro para maior ou menor. Ela pode deixar de existir.31 Assim, por causa da natureza artificial da idade de consentimento, ela não torna você automaticamente doente, nem torna sua atração doente. Ela também não torna as relações que você deseja automaticamente prejudiciais também, mas não tornam benéficas todas as relações legais. Nem todas as relações nas quais se entra depois de vinte e um anos são saudáveis, benéficas ou sem exploração. Se a lei muda, porque os legisladores podem perceber que estavam errados, a lei não pode tornar nada doentio por seu capricho.32 Então, entenda que uma restrição legal não te torna uma má pessoa. Mas quebrar tal restrição ainda te torna criminoso.

3.3 DANO E RELATOS POSITIVOS.

Não importa de qual lado você está no problema do contato,33 você ainda deve considerar duas coisas sobre relações abaixo da idade de consentimento a fim de entender corretamente o problema em mãos e assegurar sua posição no assunto: dano e benefício. Então, para avaliar se atração por menores é sã ou não, ainda devemos considerar os fatos concernentes à atração se o impulso é seguido.

Em 1998, um trio de pesquisadores lançou A Meta-Analytic Examination of Assumed Properties of Child Sexual Abuse Using College Samples, um estudo que concluiu que 70% dos contatos sexuais feitos antes da idade de consentimento nos Estados Unidos não terminaram em dano na população geral, com 37% dos meninos e 11% das meninas relatando que essas experiências foram positivas. Isso se refere a todos os contatos sexuais, isto é, envolvendo dois menores ou um adulto e um menor. Enquanto que 30% dos casos termina em dano, é raro que esse dano seja duradouro ou profundo.34 Isso quer dizer que contatos sexuais traumáticos envolvendo menores são minoria estatística. Mesmo que essa não tenha sido a primeira vez que um estudo conclui dessa forma, este estudo, ao comparar o problema com a homossexualidade e a masturbação, parecia sugerir que relações abaixo da idade de consentimento seriam desestigmatizadas cedo ou tarde.35 Isso causou ultraje público, culminando com o estudo sendo o primeiro, e até agora o único, a ser formalmente condenado pelo Congresso Americano.36 Por causa da controvérsia ao redor do chamado “Relatório Rind”, ele é muito famoso e é normalmente o primeiro estudo a citar quando se questiona a idade de consentimento.

Porém, apesar de dados mostrarem que trauma oriundo de contatos sexuais abaixo da idade de consentimento, seja entre menores ou entre adulto e menor, geralmente não resultarem em dano, seria isso o bastante para emudecer as vozes de vítimas de abuso que são enfáticas quanto ao dano que elas sofreram? Reduzir ou abolir a idade de consentimento seria mesmo uma boa ideia, apesar de haver evidência mostrando que sim? Mesmo que não seja, há razão para aumentar a idade de consentimento? Deixo o problema para você julgar.

Como o estudo conclui que algumas experiências foram positivas, você pode se perguntar como é que ninguém ouve sobre essas experiências. Há um número de razões para isso, mas apontarei apenas a mais óbvia: as notícias relatam apenas o que é de interesse público. Ouvir sobre experiências positivas não melhoraria a vida de ninguém. É verdade que essas relações são ilegais, mas a mídia não mostrará todos os encarceramentos, apenas os que ocorrem por crimes muito sérios. Como precisamos saber quem é realmente perigoso, para que possamos nos defender, a mídia logicamente se limita a mostrar apenas as experiências negativas. Não tem nenhuma razão para experiências positivas, apesar de resultarem em prisões, aparecerem na televisão. Então, se você estiver procurando por experiências positivas, sua melhor aposta seria literatura profissional, não as notícias. Algumas pessoas atraídas por menores colecionam relatos positivos encontrados em tal literatura (e outras fontes), fazendo compilações em páginas na Internet.37

Com isso, insisto que você não está atraído por algo inerentemente prejudicial ou exploratório. Você está atraído por algo ilegal. Ponto. Agora, se a lei tem que mudar ou não (e, se tiver, como deve mudar), deixo ao seu julgamento. Mas ninguém deve considerar este problema sem considerar esses dados antes, a saber, a verdadeira extensão do dano e a existência tanto de relatos positivos quanto negativos.

4 QUE FAÇO AGORA?

Agora que você sabe que sua atração não necessariamente posará um problema à sua vida diária, que você pode viver com isso, permanecer dentro da lei e que o objeto de sua atração não é tão ruim quanto você é levado a crer que é, espero que você esteja se sentindo bem mais calmo sobre quem você é e o que você sente. Você pode acordar amanhã e esquecer o problema. Mas talvez você sinta frustração sexual, talvez tenha pensamentos suicidas de vez em quando, talvez você reaja muito mal às notícias e como a população geral fala de você. Será que isso é culpa da sua atração ou de como a sociedade vê pessoas atraídas por menores?

Considerando a informação exposta nas seções anteriores, de que você pode funcionar como qualquer pessoa normal, permanecer saudável e produtivo, como pode ser culpa de sua atração? Se você se sente doente, é por causa de como a sociedade vê você. A sociedade te deixa doente te estigmatizando, mesmo que não saibam que é isso que estão fazendo. Então, se você tem problemas com isso, você pode precisar de ajuda profissional, alguém que escute você.

B4U-ACT38 é uma organização que tenta fazer a ponte entre pessoas atraídas por menores e profissionais de saúde mental.39 A maioria das pessoas atraídas por menores encara lutas semelhantes e B4U-ACT tenta provê-las com informação sobre como e onde encontrar ajuda. Porém, a organização não aponta simplesmente aonde encontrar um conselheiro ou psiquiatra; eles apenas apontam para terapeutas que concordam com os valores da organização. B4U-ACT não acredita que atração por menores é uma doença, então, se um terapeuta concorda em trabalhar com eles, ele deve manter em mente que sua missão não é “curar” você de sua atração, mas ajudar você a viver feliz apesar de tê-la.40 B4U-ACT é também neutro-contato,41 então, se você for pró-contato, eles não tentarão fazer você mudar de ideia. Se você tem quaisquer problemas relacionados à sua atração,42 considere procurar ajuda com eles primeiro, antes de tentar qualquer outra pessoa. O sítio ainda é pequeno, mas serve bem ao seu propósito e ganhou notoriedade.43

4.1 SE ACEITE PRIMEIRO.

Espero que nada mais esteja te perturbando agora. Você pode deixar o problema do contato de lado e preferir não participar da discussão, não haveria problema nisso. Você pode ficar no lado pró-contato ou anti-contato, se você quiser. Mas ser atraído por menores não significa participar em nenhuma dessas coisas, se bem que você é mais do que bem-vindo para discutir idade de consentimento com outras pessoas atraídas por menores ou com pessoas normais do cotidiano.

O que é mais importante agora é não se odiar. Aprenda mais e olhe mais fundo em sua atração para melhor compreendê-la. Talvez isso explique outros aspectos seus. Contanto que você aceite isso, não como uma doença, especialmente se você mesmo é um menor abaixo da idade de consentimento, mas como parte de você, é provável que você esquecerá o problema e continuará vivendo normalmente, como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de ficar assustado, com medo ou qualquer coisa assim.

Se você quiser falar em público da sua atração, você pode, se você for um menor. Mas um adulto admitindo ser atraído por menores é quase impensável, a menos que seja na Internet. Houve um número de iniciativas favoráveis as pessoas atraídas por menores, as quais falharam por falta de participantes.44 Talvez algumas delas fossem algo que você gostaria de ter apoiado. Então, se qualquer dessas iniciativas reemergir, falharia novamente a menos que encontrasse mais apoiadores. Numa configuração democrática, uma ideia cresce com seu número de apoiadores e, graças à Internet, uma pessoa pode apoiar uma ideia quase anonimamente e facilmente encontrar pessoas que pensam igual. Então, se você sente que seria seguro “se assumir” na Internet, especialmente se você é capaz de separar uma identidade virtual de sua identidade física, seria mais fácil encontrar outros como você e espalhar a palavra, argumentando e mudando a ideia do público a fim de obter apoiadores. Se isso continuar acontecendo, talvez pessoas atraídas por menores se tornem uma minoria digna da qual se procurar votos. Mesmo que isso não ponha a idade de consentimento em questão, poderia, talvez, abrir possibilidades de redução do estigma.

Pense sobre isso: quantas pessoas atraídas por menores existem por aí? O chute mais baixo é 600000 adultos e 60000 menores.45 Se você somar em um mesmo movimento todas as pessoas que sentem que leis de idade de consentimento posam um problema para as relações que elas gostariam de estabelecer, quão grande tal movimento seria? Mesmo que o problema do contato não encontre uma resolução definitiva, redução do estigma é algo que todos eles querem. Se mais pessoas atraídas por menores se assumirem, mesmo que apenas na Internet, mesmo que apenas em contas dedicadas, e se organizarem, talvez a atração por menores ganhasse uma identidade política. Isso não é o bastante, mas é o começo.

4.2 ENCONTRE OUTROS.

Um número de pessoas atraídas por menores são públicas sobre sua atração na Internet, por causa das proteções obtidas pelo anonimato e por causa da facilidade de expor seu pensamento numa rede quase dominada pela liberdade de expressão. Por causa do ódio nas mídias sociais, contudo, pessoas atraídas por menores muitas vezes preferem discutir sua atração com comentários, se elas abrirem um diário na Internet.

O número de pessoas atraídas por menores dispostas a discutir a atração em mídias sociais ainda é pequeno. Um número ainda menor a discute em sítios de partilha de vídeo. E há sítios especialmente construídos para aqueles com tais atrações, notavelmente fóruns e grupos de apoio. Sítios focados em direitos da juventude podem discutir as atrações que menores sentem um pelo outro também.

4.3 PERMANEÇAM JUNTOS.

É improvável que um possível “movimento” formado por pessoas atraídas por menores criasse uma agenda política em breve, porque elas estão divididas em uma questão muito importante, que é o problema do contato. A menos que haja um consenso sobre leis de idade de consentimento, é quase impossível que pessoas atraídas por menores possam operar grandes mudanças sociais. Mas, por causa do estigma ao redor de todas essas pessoas, é importante que pessoas atraídas por menores permaneçam próximas umas das outras, não importando a posição no problema do contato, não importando a idade ou a cronofilia. Somos todos humanos e todas as pessoas atraídas por menores partilham esse traço definitivo, que é a atração por um tipo de relação que é ilegal.

Se admitirmos que essas relações não são necessariamente prejudiciais ou exploratórias (mas ainda assim ilegais e talvez para o nosso próprio bem), admitirmos que pessoas atraídas por menores podem funcionar bem apesar de estarem abstinentes e admitir que o número dessas pessoas é muito maior do que antes se pensava, fica claro que a doença não está nessas pessoas, mas em como a sociedade as vê. Todos viveriam melhor se o estigma fosse reduzido. Por causa disso, a única “agenda” entre as pessoas atraídas por menores, no atual clima de hostilidade, deveria ser redução do estigma, o que não ocorrerá sem esforço coletivo entre adultos e menores, entre todas as cronofilias, entre pró-contatos e anti-contatos. Lembre da especulação sobre quantos vocês são. Se as pessoas atraídas por menores permanecerem juntas, elas poderiam alcançar ao menos esse objetivo, mas elas não alcançarão nada transformando uma minoria em minorias ainda menores.

Pessoas atraídas por menores não devem odiar umas às outras ou causar mais estigma. A sociedade já produz estigma o bastante, então vocês não devem produzir estigma de sua própria parte. Isso seria autodestrutivo e não tornaria a vida de ninguém mais fácil, especialmente porque atração por menores simplesmente acontece e jamais deixará de existir a menos que a idade de consentimento deixe de existir, uma vez que o que define atração por menores é a idade de consentimento. Pense nos menores também, principalmente naqueles que se tornarão adultos atraídos por menores. Eles viveriam sem muitas das lutas que você acaba tendo que lutar se o estigma fosse reduzido ou erradicado. Pessoas atraídas por menores precisam ser vistas como seres humanos capazes de raciocinar.46 E seria irracional odiar um ao outro.

4.4 ESPALHE A MENSAGEM.

Outros como você podem estar sofrendo agora. Talvez estejam confusos e sozinhos. É importante que eles saibam que há outros como eles e que eles não precisam se sentir mal pelo que são, pelo que gostam nem nada disso. Mas para que tal coisa aconteça, é preciso que eles saibam que a comunidade existe. O estigma continua graças à desinformação. Você é levado a crer que você é um entre um punhado de monstros ou que seu desejo sexual precoce na infância ou adolescência é anormal e que você deveria ser inocente. Nada disso é verdade.

Eu não me oponho à decisão de copiar e colar este texto em algum lugar,47 a menos que você tenha uma forma melhor de chegar a pessoas atraídas por menores que estejam isoladas e ajudá-las no caminho da autoaceitação e da oposição ao estigma, mesmo que eles não queiram discutir idade de consentimento. Enquanto você faz esse trabalho, você é encorajado a tomar uma posição no problema e vocalizar sua opinião. O estigma não será reduzido, muito menos erradicado, se pessoas atraídas por menores permanecerem em silêncio.

5 CONCLUSÃO.

“Atração por menores” é um apego romântico ou sexual por alguém abaixo da idade de consentimento. Tanto menores quanto adultos podem ter essa atração. As causas não estão claras. Os conceitos de atração por menores e pedofilia se sobrepõem, mas não são sinônimos. Uma pessoa atraída por menores pode ser nepiófila, pedófila, hebéfila, efebófila, teleiófila ou até mesmo um menor de idade.

A natureza da atração é bastante inofensiva, especialmente considerando a verdadeira extensão do dano e a existência de resultados positivos e negativos dessas relações. Além do mais, idade de consentimento é uma lei e leis mudam. Pessoas atraídas por menores podem refletir sobre a lei, mas não devem fazê-lo irresponsavelmente, não importando se querem abolição, redução, continuação ou aumento da idade de consentimento em seu território. Uma discussão responsável sobre esse assunto requer avaliação de dano e benefício desses contatos. Mas agir segundo o impulso é ilegal e mesmo relações positivas podem resultar em processos e encarceramentos. Por causa disso, é altamente desaconselhável que você tenha um contato sexual com um menor, mesmo que você seja também menor, a menos que as leis mudem primeiro.

Pessoas atraídas por menores devem permanecer juntas para sobreviver por causa do estigma. Elas devem aceitar umas às outras, procurar por outros, trabalhar em favor da união e esclarecer outros sobre o assunto. Eu apoio a ideia de copiar e colar este texto em outros lugares e, quanto mais pessoas copiarem, mais fácil será para pessoas atraídas por menores o encontrarem e lerem. Dessa forma, quando um jovem atraído por menores perceber que ele tem certos pensamentos e sentimentos, ele encontraria a informação necessária para autoaceitação sem ter que consumir qualquer desinformação ou passar por pesquisas dolorosas que lhe fariam mais mal do que bem.

Considerando que ser atraído por menores não necessariamente significa que você ofenderá a lei, que as relações desejadas nem sempre resultam em dano e que há evidência de resultados positivos, é claro que a atração não é doentia por si, mas é tornada tal pela sociedade. É a sociedade que deixa você doente, mesmo que você permaneça dentro da lei.

REFERÊNCIAS

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1I Eu queria obter um parecer de Hikari, que está autorando este texto comigo. Mas depois de algumas besteiras ditas na BBC e algumas declarações preocupantes de James Cantor, senti que era imperativo publicar imediatamente.

2É catorze no Brasil.

3“Atração por menores” e “pedofilia” são conceitos relacionados, mas não sinônimos. Uma pessoa atraída por menores pode ou não ser pedófila.

6Aqui, estou falando de atração por menores como um sentimento. Não estou falando de formas de expressão.

9Situação que nunca mudará sem aulas decentes de educação sexual.

15“Cronofilia”: preferência sexual com base em faixa etária.

18“DSM”: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. “CID”: Classificação Internacional das Doenças. No CID, pedofilia é listada em F65.4, “desordens de preferência sexual (65): pedofilia (4)”.

20Isso nos leva a questionar, então, por que a homossexualidade saiu do manual. Entenda quão delicada é essa questão.

23Se bem que isso é debatível, porque não há consenso sobre o que “agir segundo o impulso” significa.

26De minha própria experiência, eu acho essa internalização especialmente iatrogênica quando é feita a ponto de um pedófilo inofensivo começar a ver um apelo em abuso sexual infantil “de verdade”. Antes, ele se sentiria interessado em relações mutuamente voluntárias, que ocorreriam em suas fantasias, mas depois ele começa a se perguntar como deve ser coagir a criança a isso. Aconteceu com um amigo e, mesmo que ele nunca tenha quebrado a lei, eu ainda acho perturbador que a imagem pública do pedófilo, uma vez plantada no próprio pedófilo, pode transformar um benevolente amante sincero de crianças em um verdadeiro estuprador de meninos. Isso quer dizer que a propagação de estigma pela mídia pode muito bem estar aumentando o número de casos de abuso sexual infantil, na minha honesta opinião.

27O Novo Código Penal, que tramita no Congresso brasileiro, pretende baixar a idade de consentimento no Brasil de catorze para doze.

28No Brasil, não podem de jeito nenhum, uma vez que a idade de consentimento é catorze, mas uma pessoa só pode votar a partir dos dezesseis.

31Na prática, isso significaria que menores estariam sob proteção das mesmas leis que já protegem adultos, como as leis normais de estupro, de forma que relações com menores só seriam punidas se fossem prejudiciais, exploratórias ou indesejadas.

32Homossexualidade já foi doença e sexo anal já foi crime.

33“Problema do contato”: o debate acerca da idade de consentimento. Se você é favorável à redução ou abolição da idade de consentimento, você é “pró-contato”. Se você é favorável ao aumento da idade de consentimento ou lhe é indiferente, você é “anti-contato”.

35Veja a conclusão e a discussão do artigo.

39Infelizmente, não existe um esforço desses no Brasil, não como eles fazem.

41“Neutro-contato”: a atitude de alguém que prefere não escolher um lado no problema do contato. Isso pode significar que a pessoa está indecisa, tentando ser imparcial ou simplesmente não quer participar do debate.

42E morar nos Estados Unidos.

43Para começar, eles são responsáveis por remover pedofilia do DSM em favor de “desordem pedofílica”, significando que você só está doente se você agir ilegalmente ou se você se sentir desconfortável com seus sentimentos. Se você está grato por essa mudança, é graças a eles também. O programa do simpósio, que ocorreu em 2011, ainda está no ar. http://www.b4uact.org/research/past-symposium/

44A petição francesa contra a idade de consentimento e o PNVD, por exemplo. No Brasil, uma iniciativa popular favorável a pessoas atraídas por menores provavelmente tomaria forma de uma petição no portal e-Cidadania, do Senado Federal, no qual usuários sugerem leis e, se a ideia obtiver 20000 apoios, será levada para análise na Comissão de Direitos Humanos. Se ela receber um parecer positivo na Comissão, ela receberá um relator do poder executivo e será debatida no Senado e na Câmara dos Deputados, podendo vir a tornar-se lei. Assim, a população acaba fazendo as vezes de poder legislativo.

45Dados estadunidenses. Esse é o número mínimo só nos Estados Unidos. http://www.b4uact.org/know-the-facts/

46No caso da pedofilia, isso implica despatologização, isto é, remover a pedofilia do DSM e do CID, o que já foi parcialmente feito.

47Nem a traduzi-lo para outros idiomas que você conheça.

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5 Comentários »

  1. […] Esses desejos são loucos e desregrados. E inatos! Parece que todos temos desejos para com o proibido. Eu tenho, admito… […]

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    Pingback por Anotações sobre a república. | Analecto — 13 de outubro de 2017 @ 10:13

  2. […] de uma pessoa nunca se envolver sexualmente com uma criança e se interessar também por adultos não a desqualifica como pedófila, se ela se sente excitada mais facilmente por […]

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    Pingback por Anotações sobre “Positive Memories: Cases of Positive Memories of Erotic and Platonic Contacts of Children With Adults, as Seen From the Perspective of the Former Minor.” | Analecto — 6 de outubro de 2017 @ 19:54

  3. […] na literatura científica é problemático, porque existem experiências envolvendo menores que não são negativas. Nesses casos, não há vítima e, não havendo vítima, não há abuso. Logo, não há razão […]

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    Pingback por Anotações sobre “a meta-analytic examination of assumed properties of child sexual abuse using college samples.” | Analecto — 1 de outubro de 2017 @ 14:13

  4. […] Hoje eu faço, oficialmente, vinte e cinco anos. Recebi um e-mail da Câmara dos Deputados. No Brasil, há duas formas de um indivíduo sugerir uma lei: pelo site do Senado e pelo site da Câmara. Então, depois que eu escrevi meu texto Estupro de Vulnerável, que expõe todos os problemas do artigo 217-A do Código Penal, eu resolvi levar as coisas ao modo Justin Bailey e enviei minha ideia à Câmara. Lá, ela seria enviada a alguém que tivesse saco pra ler. Isso foi em julho. Hoje, alguém com saco recebeu minha mensagem e ela será lida. Basicamente, eu proponho o retorno aos tempos anteriores a 2009, quando uma relação com um menor de idade só seria criminosa se o menor fosse forçado, prejudicado ou se os pais não concordassem com a relação. Assim, uma relação inofensiva e aprovada por todas as partes (pais, menor e interessado) não precisaria ser punida. Ela nem seria considerada “pedofilia”, apesar de ser, clinicamente, se um dos participantes fosse adulto. Vale lembrar que nem todas as relações entre adulto e menor resultam em prejuízo, com algumas sendo benéficas. Essas que são “benéficas” o povo não vê como pedofilia, porque têm para si que pedofilia é sinônimo de estupro de menor, o que não é verdade. […]

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    Pingback por Presente de aniversário. | Analecto — 28 de setembro de 2017 @ 19:02

  5. […] “[Platão diz] com uma inocência para qual se necessita ser grego, que não haveria filosofia platônica não tivessem existido formosos mancebos em Atenas, posto que sua contemplação é o que transporta a alma dos filósofos num delírio erótico e não lhe deixa repouso até que não tenham espalhado a semente de todas as coisas elevadas por um mundo tão belo.” Donde decorre que a mãe da filosofia é a atração por menores. […]

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    Pingback por Anotações sobre o crepúsculo dos ídolos. | Analecto — 21 de setembro de 2017 @ 16:14


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