Analecto

2 de julho de 2018

Anotações sobre “A Evolução Criadora”, de Henri Bergson.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 14:38

“A Evolução Criadora” foi escrito por Henri Bergson. Abaixo, algumas anotações que fiz sobre o texto dele.

  1. Pra quê evoluímos?
  2. É possível entender a vida em todas as suas manifestações quando nós mesmos somos manifestações da vida que nos circunda?
  3. Nossas teorias não descrevem a vida em exatos detalhes.
  4. Há poucas descobertas no campo da biologia que foram alcançadas sem esforço empírico, se é que existe alguma.
  5. Procedimentos que explicam a matéria bruta não podem explicar coisas vivas.
  6. Não podemos generalizar com dados insuficientes, nem fingir que uma explicação parcial é uma teoria completa.
  7. De um ponto de vista evolutivo, nossa inteligência pode muito bem ter origem acidental.
  8. Se você tem uma teoria incompleta ou limitada, não nutra altas esperanças sobre ela.
  9. Existem pessoas que acham que é possível conhecer tudo e existem pessoas que acham que o desconhecido é necessariamente insondável.
  10. São ambas posições tão extremas quanto erradas.
  11. Não devemos desistir de conhecer aquilo que nos é desconhecido, porque não sabemos até onde nosso intelecto é capaz de ir.
  12. Só poderíamos desistir se soubéssemos quais são os limites do nosso conhecimento.
  13. Assim, uma teoria da vida (entendimento do mundo) não pode ser abstraída de uma teoria do conhecimento (entendimento da inteligência).
  14. A vida ajuda a entender o conhecimento e o conhecimento ajuda a entender a vida.
  15. Uma teoria evolutiva completa não é tarefa para um só homem, nem para uma só era.
  16. A vida transcende tanto o mecanismo quanto o finalismo, enquanto sistemas de compreensão.
  17. Tudo está em constante mudança.
  18. Todas coisas acumulam pequenas mudanças e dizemos que algo passou de um estado a outro quando o acúmulo de mudanças torna-se perceptível.
  19. Se é assim, passar de um estado a outro e permanecer no mesmo estado são a mesma coisa: ambos são mudança, só que, no segundo caso, as mudanças não se acumularam o bastante para serem percebidas.
  20. A divisão do tempo em momentos é artificial.
  21. Só o presente existe.
  22. Só lembramos daquilo que tem relevância presente.
  23. Mesmo que uma mesma condição ocorra sobre uma pessoa, ela ocorre em um instante diferente de sua história, o que significa que não é possível que passemos duas vezes pela mesma situação, pois ela será diferente em condições ou tempo.
  24. Não é possível reviver algo em seus mínimos detalhes, especialmente porque isso requereria que a memória do evento fosse apagada.
  25. Você não pode resolver os problemas da vida dos outros.
  26. Somos impacientes porque não temos controle sobre a duração do tempo, inclusive da nossa própria duração.
  27. Se pudéssemos encurtar ou extender a duração de um evento, não seríamos impacientes.
  28. Seccionar a natureza em entidades isoladas, que podem ser estudadas separadamente, é uma necessidade de estudo e, portanto, artificial.
  29. Na natureza, biologia, física e química, por exemplo, não estão separadas uma da outra, mas nós as separamos pra estudá-las melhor.
  30. Categorizar seres vivos em conceitos separados (como espécie) não é fácil, porque nem sempre sabemos exatamente quando dois seres muito parecidos devem ser classificados como espécies diferentes ou ser classificados como seres de mesma espécie (por isso nossa classificação das espécies é sujeita a revisões).
  31. Se cada individualidade é impelida por sua natureza à reprodução, ela logo não será mais individualidade.
  32. Não existe, no mundo sensível, nada imune à passagem do tempo.
  33. A puberdade e a menopausa são comparáveis a metamorfoses.
  34. Maturidade sexual e desgaste sexual são coisas que se originam no indivíduo, elas não são impostas por uma entidade estranha a ele, como o estado, que diz que você só pode ter desejo sexual a partir dos catorze anos.
  35. A puberdade é apenas o ponto alto de uma séria de preparações biológicas que acontecem o tempo todo e que a antecipam, ela não é um fenômeno cronologicamente isolado, do tipo “bum, virou adolescente agora”.
  36. Algumas ideias são tão tentadoras que são aceitas sem provas.
  37. O mais complexo pode vir do mais simples.
  38. Como provar que algo é impossível?
  39. Uma explicação mecânica usa o presente para calcular o passado e o futuro.
  40. Não podemos ignorar dados empíricos relevantes só porque não entram no sistema vigente (nesse caso, é o sistema que tem que ser revisto).
  41. Nem totalmente mecanicista, nem totalmente finalista.
  42. Cada ser vivo se organiza para si mesmo.
  43. Normalmente, pensamos para agir, tudo o mais é luxo.
  44. A causalidade é um hábito mental que facilita a execução de nossos planos.
  45. Será que nossa mente realmente tem todos os elementos necessários ao conhecimento da verdade?
  46. Uma explicação finalista geralmente é improvável.
  47. Causas parecidas geram efeitos parecidos.
  48. “Adaptação” é um conceito importante no evolucionismo, mas ele pode ser aplicado de formas diferentes dependendo de quem raciocina.
  49. Os que não se adaptam, morrem, mas os que vivem derivam um efeito positivo da adaptação.
  50. Assim, a “seleção natural” não tem papel meramente negativo, ela não significa simplesmente que os menos adaptados morrem, mas que os que se adaptam tornam-se mais aptos a sobreviver.
  51. Uma metáfora não é uma explicação, mas uma clarificação, e não deve ser tomada como explicação.
  52. Repetir (mesma causa, mesmo método, mesmo efeito) não é replicar (causa diferente, método diferente, efeito parecido).
  53. A existência de seres com diferentes escalas de “perfeição” depõe contra o finalismo.
  54. É possível criar novas espécies pela intervenção humana.
  55. Se uma mesma palavra pode ser tomada em mais de um sentido, especifique qual o sentido usado sempre que a usar, para que o leitor não te entenda errado.
  56. Existem dois tipos de adaptação: passiva (o ambiente modifica o sujeito ou o órgão) e ativa (o sujeito muda a si mesmo de acordo com o ambiente).
  57. Uma causa pode agir por impulsão (o efeito é proporcional em quantidade e qualidade), desencadeamento (o efeito não guarda proporção quantitativa nem qualitativa com a causa), desenrolamento (a quantidade de efeito depende da causa, mas não sua qualidade) ou de forma intermediária entre esses três.
  58. Um animal diferente pode ter órgãos equivalentes aos nossos, que são formados por processos embriológicos completamente distintos.
  59. Um órgão pode regenerar outro.
  60. Se características adquiridas forem hereditárias, então o evolucionismo passaria a fazer ainda mais sentido.
  61. A toupeira se refugia sob o solo porque sua visão é sensível ou sua visão é sensível porque ela se refugia sob o solo?
  62. Dizer que há uma forma correta de evoluir implica a existência de uma mente que ordene a evolução, do contrário não se pode falar que a evolução errou, como se a natureza visasse qualquer fim particular.
  63. Um embrião não se desenvolve por adição de elementos, mas por desenrolamento de elementos já existentes nele.
  64. A percepção de um fenômeno altera a teoria que se faz sobre ele.
  65. A evolução é imprevisível porque ela não é linear, mas ramificada.
  66. Na infância, nossa personalidade adota vários papéis, mas acaba escolhendo um, com o qual ficará a vida toda.
  67. Nem todas as espécies sobrevivem.
  68. Com o passar do tempo, disciplina e progresso tornam-se incompatíveis.
  69. As espécies se completam.
  70. A evolução começa com a necessidade de adaptação.
  71. Quem não se adapta, morre.
  72. Isso explica porque algumas espécies não evoluem e existem até hoje: seu modo de ser ainda lhes serve.
  73. Fazemos escolhas a todo instante e, com elas, sacrificamos possibilidades.
  74. Existem coisas que ocorrem por acidente, mas isso não quer dizer que tudo é acidental.
  75. Um plano é um termo idealizado para um trabalho.
  76. A inteligência é parte da vida.
  77. Compreender uma coisa qualquer requer conhecer suas tendências, não somente seu estado.
  78. Nossa evolução segue o rumo de nossas preferências e comodidades, ou seja, nossas escolhas influem na evolução de nossa espécie.
  79. A evolução não converge, as ramificações evolutivas não estão indo na mesma direção.
  80. O cérebro de pessoas que morreram de fome geralmente está em bom estado, se bem que a fome arruína quase todos os outros órgãos, o que sugere que, em situações de fome, o corpo desvia nutrientes que seria aplicados em outros órgãos para aplicá-los no cérebro.
  81. Todo o corpo age em função do sistema sensório-motor (hoje, nervoso).
  82. Trabalho e resultado não são proporcionais na evolução da vida.
  83. Trocar a defesa por agilidade implica correr riscos, mas também aceitar um alto potencial de ataque e de evasão, o que pode ser melhor do que uma defesa que limita os movimentos.
  84. Instinto e inteligência são diferentes e complementares.
  85. Um elefante, tal como o macaco, pode se servir de ferramentas artificiais, se estas lhe forem dadas.
  86. Há animais que reconhecem coisas artificiais, animais que usam coisas artificiais e animais que fazem coisas artificiais.
  87. O verdadeiro impacto de algo é sentido quando esse algo deixa de ser novidade.
  88. O ser humano não pode contar com suas habilidades naturais para sobreviver, por isso cria instrumentos e transforma o ambiente.
  89. O instinto dá soluções imediatas, mas limitadas, enquanto que a inteligência dá soluções mais lentas, com mais potencial.
  90. A aplicação de um adjetivo pode facilitar a compreensão de um substantivo.
  91. A forma pode ser conhecida sem sua matéria, pela via de abstração.
  92. Se você é inteligente, pode sempre se superar.
  93. Existem coisas que somente o instinto pode encontrar, mas o instinto não as procura por conta própria.
  94. Podemos tomar o senso comum como ponto de partida para resolver questões filosóficas, sem recorrer a sistemas filosóficos preventivamente.
  95. Os sólidos são os primeiros objetos da inteligência.
  96. Existe um modo de pensar para a especulação e um modo de pensar para a ação.
  97. Antes de procurar a matéria para construir algo, você precisa formar esse algo em sua mente, de forma que, no processo inventivo, a forma precede a matéria em importância.
  98. Porque o ser humano é social, sua inteligência se associa à inteligência alheia a fim de perseguirem juntas um objetivo comum.
  99. Isso é possível graças à linguagem.
  100. Mas, para que a linguagem comunique inteligências, é preciso que as inteligências envolvidas falem a mesma linguagem ou, de alguma outra forma, sejam capazes de se entender.
  101. Numa colônia de formigas ou de abelhas, as funções de cada indivíduo variam segundo suas características físicas, de forma que, na medida em que não é possível mudar de corpo, não é possível mudar de função.
  102. Isso não acontece com seres humanos, os quais não têm papeis sociais ligados a estrutura física.
  103. Talvez seja por isso que nosso papel tem que ser aprendido.
  104. Existem coisas que só a inteligência pode procurar.
  105. Porque o objeto primário da inteligência são os sólidos, nossa inteligência se sente à vontade na geometria, a qual nunca está errada.
  106. Lógica e geometria são inseparáveis.
  107. Só podemos estudar o todo se o seccionarmos.
  108. É preciso separar o infinito em espaços e a eternidade em tempos.
  109. A inteligência conhece o novo ao compará-lo com o velho.
  110. Como a vida é infinita, eterna, original e em movimento, a inteligência não pode conhecê-la tal como ela é.
  111. Para compreender a vida tal como ela é, precisamos vivê-la e isso se faz pelo instinto, o qual é ação.
  112. Também o ser humano tem instinto, o qual é totalmente visível na primeira infância, pois o bebê já nasce sabendo sugar.
  113. Animais gregários podem ser tão organizados que sua comunidade pode ser considerada uma entidade orgânica, especialmente quando seus indivíduos morrem se separados do todo, mesmo na presença de abrigo e comida, como é o caso das abelhas.
  114. Nesses casos, o instinto leva à organização.
  115. Há instintos melhores (mais necessários ou mais precisos) que outros.
  116. Nem tudo na evolução é operado por acaso, com os sujeitos que evoluem tendo também papel ativo no curso de sua evolução, ao menos no caso dos animais.
  117. Tal como a inteligência, o instinto também pode errar.
  118. Filosofia e ciência são complementares.
  119. Inteligência e intuição são paralelos, mas não a mesma coisa.
  120. Estado cerebral não é o mesmo que estado psicológico.
  121. As consequências de uma invenção não são proporcionais a invenção.
  122. A influência de uma invenção sobre a humanidade depende do uso que se faz dela, mais do que o produto da operação da invenção.
  123. Quanto mais se é inteligente, mais se reflecte sobre os meios para se alcançar um objetivo.
  124. Tentar ir mais longe que a inteligência requereria inteligência.
  125. Às vezes pensamos que algo é impossível só porque nunca vimos acontecer.
  126. Eu não vou saber se não tentar.
  127. Se superar a inteligência requer inteligência, então não é possível superar a inteligência.
  128. É possível falar das coisas conhecidas e falar do conhecimento.
  129. Não é necessário dividir os conhecimentos entre humanidades e ciências naturais.
  130. A ciência e a filosofia devem se voltar sobre os mesmos objetos, para examiná-los por diferentes pontos de vista, o ponto de vista da vida e o ponto de vista da matéria.
  131. É natural que a ciência e a filosofia discordem entre si, uma vez que divergem de método.
  132. Optar somente pela ciência ou somente pela filosofia é sacrificar um ponto de vista sem que o outro ponto de vista ganhe qualquer coisa com isso.
  133. Não somos totalmente livres, mas temos algum grau de liberdade.
  134. Se Kant diz que não podemos conhecer a coisa em si, ele não tem autoridade pra afirmar que a coisa em si existe.
  135. A ciência só fala da realidade quando discorre sobre a matéria, mas não mais que aproximadamente quando fala da vida.
  136. O conhecimento científico cresce, e a teoria do conhecimento só fica mais difícil.
  137. As duas funções essenciais da inteligência: dedução e indução.
  138. Premissas duvidosas levam à conclusões duvidosas, mesmo que o processo seja perfeito.
  139. É possível aprender geometria sem estudar geometria.
  140. A dedução é problemática como método na psicologia e na moral.
  141. A dedução é um método mais adequado à interpretação da natureza, menos adequado à interpretação do homem.
  142. Repetidas as condições, repete-se o fato.
  143. “Leis da física” são formas de expressar matematicamente um fenômeno condicionado, não tendo, portanto, existência objetiva.
  144. É muito difícil pensar em algo definido como uma ausência (o “nada” ou a “desordem”).
  145. Palavras que definem ausência não se referem à coisas objetivas.
  146. A expressão negativa é definida em função do que procuro (“não tem nada neste balde”, porque o balde está cheio de alimento e estou procurando produto de limpeza).
  147. Raciocinar sobre palavras negativas, isto é, que designam ausências, cria problemas falsos, os quais estão fadados a resultar em respostas absurdas.
  148. É preciso saber formular a pergunta antes de procurar uma resposta.
  149. É possível que a “desordem” seja uma ordem de outra natureza.
  150. Dizemos que algo é ordenado quando satisfaz nosso pensamento.
  151. Ordem e desordem são relações entre sujeito e objeto.
  152. Uma ordem pode comportar certo grau de imprevisibilidade.
  153. Generalizamos por repetição.
  154. O Aristóteles da filosofia do século vinte é Galileu.
  155. A vida progride graças aos vivos.
  156. Cada exemplar de uma espécie é diferente dos outros exemplares, e tem em si os meios para diferenciar-se dos outros.
  157. O problema principal da teoria do conhecimento: como a ciência é possível?
  158. É a desordem pior que a ordem?
  159. Existe uma ordem automática e uma ordem voluntária.
  160. Existe aleatoriedade programada.
  161. Acaso não é desordem.
  162. Desordem é relativa.
  163. É difícil entender a criação do universo, porque queremos que ela tenha acontecido de uma vez, quando poderia ter se dado gradualmente.
  164. Tratamos o sistema solar como um local separado do resto da galáxia porque há um nível de “solidariedade” entre suas partes que vai se tornando mais “frouxo” quanto mais longe se está do Sol, até que esse nível seja baixo o bastante para não ser mais considerado relevante: é aí onde o sistema solar acaba.
  165. Dependemos do Sol e da Terra, bem como de todos os recursos implícitos nessas coisas.
  166. Se o universo é infinito, as nossas leis da física podem não funcionar em alguns lugares do universo.
  167. A lei da conservação de energia pode ser relativa, um efeito aparente de nossas formas de medição, especialmente se o sistema não for fechado.
  168. Existem diferentes tipos de energia.
  169. Isso quer dizer que a lei da conservação de energia teria, nesse caso, um forte caráter convencional.
  170. É verdade, a lei da conservação de energia funciona neste universo.
  171. Se seguirmos literalmente o princípio da degradação, então, eventualmente, o universo parará de mudar.
  172. Algumas questões relativas à entropia, à energia e à degradação escapam do domínio da física.
  173. Dependemos mais das plantas e, consequentemente, da luz solar do que comumente pensamos.
  174. A existência da morte não significa que, um dia, não haverá mais seres vivos no universo.
  175. Uma realidade que se desfaz pode originar outra.
  176. Cada “corte” espacial ou temporal feito sobre o infinito ou sobre o eterno pode ser decomposto ulteriormente.
  177. Essencialmente, a vida animal é obtenção e gasto de energia.
  178. Nossa vida se faz com carbono, mas como seria a vida criada substituindo o carbono por outro elemento?
  179. Seres vivos que não dependessem de carbono não seriam análogos às criaturas com as quais estamos acostumados.
  180. É possível que haja vida em outros planetas, então.
  181. Nossas escolhas são limitadas também por nossa consciência e por nosso cérebro.
  182. O ser humano é a ponta de uma das múltiplas linhas evolutivas, não o ápice da evolução inteira, na medida em que a evolução não é uma linha só.
  183. Podemos ir da intuição para a inteligência, mas nunca o contrário.
  184. As espécies novas surgem quando as espécies se tornam muito diferentes do que antes eram (transformação gradual).
  185. Se você tentar imaginar o nada, acabará ainda imaginando o espaço em que as coisas deveriam estar, ou seja, você estaria ainda pensando em algo, que é o espaço.
  186. Conceber palavras para designar ausências só é possível em criaturas capazes de lembrança e expectativa.
  187. O nada é absurdo, tal como um círculo quadrado.
  188. Enunciados negativos só existem na mente, não tendo realidade objetiva, servindo apenas para fins discursivos.
  189. O não-ser não é.
  190. A ideia de nada é a ideia do tudo com o acréscimo da negação (não-tudo = nada).
  191. “Por que algo existe, em vez de nada?” é uma pergunta idiota.
  192. Apesar de falsa, essa pergunta se impõe como pertinente, como um fantasma que assombra.
  193. Pensamos para agir e toda ação se origina de uma insatisfação.
  194. Uma realidade necessária não precisa estar alheia à duração para ser considerada necessária.
  195. Entendemos o movimento ao entender seus instantâneos.
  196. Isso não quer dizer que o movimento é feito da sucessão de instantâneos, ou seja, a divisão do movimento em instantâneos é coisa da nossa mente.
  197. Se algo está em movimento, ele nunca está em um ponto de seu trajeto, na medida em que ponto (posição) é algo imóvel, a menos que o ponto seja relativo.
  198. O movimento não é como a linha, divisível em ato; só se pode dividir o movimento na mente.
  199. Não existem “infância” ou “adolescência” como estados estáticos da vida, mas somente a “vida”.
  200. Não sacrifique a realidade no altar da linguagem, como quiseram os carinhas de Eleia.
  201. As três categorias essenciais da linguagem: substantivo, adjetivo, verbo.
  202. A evolução ou abandono de uma ciência requer uma mudança de modo de pensar, no caso, entre o modo de pensar “cinematográfico” e o modo de pensar fluido.
  203. Podemos derivar o conceito de imutabilidade do conceito de mudança, mas não o contrário.
  204. A ciência sempre visa utilidade prática.
  205. Se a divisão da eternidade em tempos é sempre artificial, então, por padrão, todos os instantes são igualmente importantes e nenhum deles pode, sozinho, determinar todo o movimento.
  206. Modificar o tempo despendido modificará o resultado.
  207. Quando uma ciência restringe seu método, qual ciência fica com o que aquela rejeitou?
  208. É mais fácil que diferentes frases digam a mesma coisa se elas estiverem em línguas diferentes.
  209. A ciência do fluxo vital é menos objetiva, mas não tão pouco objetiva quanto a ciência dos fenômenos psíquicos.
  210. Diferentes ciências têm diferentes graus de objetividade.
  211. Há um fator de relatividade.
  212. Se existem diferentes realidades, a ciência não pode ser uma só.
  213. Se formos analisar somente um aspecto da realidade, é mais seguro concluir sem levar em consideração o todo, mas, quando mais aspectos estudamos, menos seguras ficam nossas conclusões.

5 Comentários »

  1. surls.w15d.tankom.de said in a blog post

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    Trackback por Loura Perigo — 28 de agosto de 2019 @ 13:04

  2. […] Existem cinco manifestações da verdade: técnica, ciência, sabedoria prática, filosofia e razão intuitiva. […]

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    Pingback por O que aprendi da “Ética a Nicômaco”. | Analecto — 7 de setembro de 2018 @ 22:01

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  5. […] você diz que a razão é inválida, não pode se valer da razão pra provar […]

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