Analecto

25 de setembro de 2014

Anotações sobre a metafísica.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , , — Yure @ 04:22
  1. A curiosidade faz parte da natureza humana.
  2. Arte é o conjunto de informações abstraídas de um processo indutivo com finalidade prática. O sinal distintivo de domínio sobre um conteúdo é a capacidade de ensiná-lo. Importante ressaltar que o conceito de arte como estética vem depois. Para os gregos antigos, arte é técnica.
  3. O sábio deve conhecer tudo na medida do possível, embora não tudo em sua profundidade. O sábio deve ser não subordinado por conhecer as causas das coisas.
  4. A filosofia nasceu quando as pessoas, admiradas com o mundo, perceberam que eram ignorantes e buscaram o conhecimento com principal intuito de fugir da ignorância, sem necessariamente visar utilidade prática.
  5. As causas da substância são quatro: formal (o que a coisa é), material (de que é feita), eficiente (o que a fez passar da potência ao ato) e final (para quê tende).
  6. Os primeiros filósofos estavam interessados na causa do mundo, identificando-a em um elemento simples e material. Tales acreditava que o princípio era o elemento água, Anaxímenes acreditava que era o ar, Heráclito acreditava no fogo e Empédocles acredita que eram fogo, ar, terra e água os princípios.
  7. Muitas das primeiras filosofias de ordem naturalista eram falhas por suprimir o movimento: que força impeliu a água, por exemplo, a tornar-se outras coisas?
  8. Admitir apenas causas materiais para tudo implica suprimir os entes incorpóreos. Invocar uma “razão universal” para explicar o movimento deu certo no começo.
  9. Demócrito acreditava que os princípios eram “cheio” e “vazio” (isto é, átomos e vácuo). Pitágoras acreditava que era o número.
  10. Alguns pitagóricos acreditavam na existência de dez princípios, cada um composto de duas coisas opostas.
  11. Os filósofos naturalistas se dividem em duas categorias: os que crêem na origem puramente material (não obstante o número de princípios) e os que crêem na origem material e na origem motriz (esta última podendo ser una ou múltipla).
  12. Platão era mobilista, mas não aceitava que a doutrina do “tudo flui” de Heráclito era válida também para as coisas imateriais, já que, se o fosse, nada poderia ser conhecido. Postulou, além das coisas sensíveis e das ideias, os seres matemáticos.
  13. Os naturalistas erraram em muitos pontos, por suprimirem a essência, por suprimirem os entes incorpóreos e alguns outros ainda por não falar do movimento.
  14. Logo vê-se que o número de ideias constitui um problema na teoria das ideias.
  15. A teoria das formas comporta “formas de formas”, permitindo que algo seja, ao mesmo tempo, modelo e cópia.
  16. A origem do movimento não está clara na teoria das formas.
  17. Não é possível apreender algo sem o sentido certo.
  18. Todos dão sua contribuição à verdade, mesmo os que erram. Se algo é muito óbvio, é fácil deixar escapar à vista.
  19. As causas não podem ser revertidas indefinidamente.
  20. É necessário se expressar de forma clara se o que se quer é ser entendido.
  21. A matemática trata de coisas que não têm matéria, por isso era separada da física antes de Newton.
  22. Para resolver as dificuldades, é necessário expô-las, analisá-las.
  23. A matemática não é qualitativa, mas quantitativa, preocupada com número e quantidade, não com bom e ruim.
  24. Conhecer um objeto é saber o que ele é.
  25. A essência de algo não é demonstrável empiricamente.
  26. Existem, sim, coisas eternas, pois tudo o que é contingente vem de algo que lhe é anterior, mas se não houvesse algo eterno (que sempre existiu) nada existiria.
  27. Impossível que a origem dos entes contingentes e dos entes eternos seja a mesma.
  28. A filosofia antiga parece implicar que a discórdia constrói na medida em que separa as coisas, dando-lhes forma particular, e a amizade destrói ao juntar tudo em uma coisa só, fazendo tudo abdicar de existência particular.
  29. Alguns filósofos parecem identificar um e ser.
  30. Nem toda potência se efetiva, isto é, torna-se ato.
  31. A metafísica se ocupa do ser enquanto ser.
  32. O filósofo está incumbido de estudar tudo.
  33. A filosofia deve questionar os axiomas das outras ciências.
  34. A lógica é parte da filosofia.
  35. A aceitação sem provas é necessária ao discurso; não é possível chegar a conclusão nenhum sobre algo se você perguntar qual a prova daquilo e depois a prova de que a prova é válida, depois a prova da prova da validade da prova e assim sucessivamente.
  36. Caso o enunciado seja deformado, o significado dos termos constados nele têm prioridade.
  37. Para Anaxágoras, tudo está misturado, não havendo existência particular.
  38. Todos fazem juízos irrestritos quanto ao útil e ao inútil.
  39. Loucos sempre são a minoria. Se os sentidos de alguém fossem diferentes, mesmo que para melhor, ele seria considerado uma anormalidade e muito provavelmente não seria levado a sério.
  40. Se tudo estivesse em constante mudança, nada se poderia afirmar com certeza, não poderia haver ciência sem regularidade.
  41. Verdade é dizer que aquilo que é de fato é e que o que não é realmente não é. Mentira é dizer que o que é não é e que o que não é na verdade é.
  42. A causa final também põe as coisas em movimento.
  43. Uma coisa é “mais una” conforme se aproxima do critério “não pode ter seu sentido separado e não é divisível nem em tempo nem em espaço”.
  44. Substância é corpo simples, causa de ser, parte que não pode ser removida do todo sem destruí-lo ou essência. Substrato.
  45. Potência é aquilo que é passivo de sofrer movimento, aquilo que pode vir a ser.
  46. Impossível é qualquer afirmação falsa que é necessariamente falsa (isto é, que não poderia ser verdadeira de nenhum modo).
  47. Bom é aquilo que é perfeito, excelente ou que alcançou seu fim.
  48. “Gênero” pode significar “descendência” (por exemplo, “gênero humano”), é uma classe de coisas.
  49. Acidente é aquilo que não ocorre todas as vezes nem na maioria das vezes, não fazendo, portanto, parte da essência de algo.
  50. A física trata do ser enquanto este admite movimento, ao passo que a metafísica se ocupa do ser imóvel e separado.
  51. A filosofia primeira é a mais alta das ciências teóricas.
  52. Essência é substância sem matéria.
  53. Uma substância se produz do ato de outra.
  54. Essência independe de órgão.
  55. A essência do animal é a alma.
  56. Toda definição é definição do universal; acidentes não são levados em conta numa definição.
  57. Matéria não participa da definição (se fosse dada alma a uma estátua, tornaria-se a estátua um animal).
  58. A física é a “filosofia segunda” e o físico deve conhecer a substância descoberta e estudada pelo metafísico.
  59. Em “animal bípede”, animal é gênero e bípede é diferença (aquilo que diferencia aquele espécime dos outros do mesmo gênero).
  60. É preciso saber o que se busca antes de começar a buscar.
  61. “Calmaria” significa “tranquilidade do mar”. Tranquilidade é ato, mar é substrato. “Animal” é “alma num corpo”.
  62. Não é possível gerar uma forma, mas é possível gerar um indivíduo, que é matéria e forma.
  63. Nem tudo tem quatro causas. Um determinado produto precisa vir de causas harmônicas.
  64. Conhecer um objeto pode implicar conhecer seu contrário.
  65. Potência e ato referem-se àquilo que vem imediatamente atrás ou a frente.
  66. A melhor forma de aprender é na prática.
  67. Filosofia é ciência dos primeiros princípios.
  68. Física e matemática também estudam princípios das coisas que existem e, por isso, são partes da filosofia.
  69. Nada vem do nada.
  70. A estabilidade é necessária ao conhecimento; não é possível conhecer algo que está em constante mudança.
  71. Existem, necessariamente, tanto coisas verdadeiras como falsas. Não se pode dizer nem que tudo é verdade nem que tudo é mentira.
  72. As ciências são hierarquizadas segundo seus objetos, tornando assim a teologia a maior delas.
  73. O conhecimento do acidental não é científico.
  74. “Acaso” não é “efeito sem causa”.
  75. Tempo e movimento sempre existiram.
  76. A causa final move por atração.
  77. A astronomia trata do que é sensível, mas eterno.
  78. Deus, como o ser mais excelente, só pode pensar o que há de mais excelente: ele mesmo.
  79. A missão de cada indivíduo se inicia em sua natureza.
  80. A teoria das ideias só teve início porque se constatava que as coisas sensíveis estão em mudança constante. Assim, se quiséssemos entender alguma coisa do mundo, só poderia ser aquilo que há de inteligível. Mas não foi Sócrates que inventou as ideias.
  81. Número e grandeza estão nas coisas.
  82. Aristóteles já usava o termo “gravidade”.
Anúncios

22 Comentários »

  1. […] o grande metafísico, líder do povo da Cidade do Sol, precisa saber tudo o que há para saber e em quantidade decente. Exceto por teologia e metafísica, que devem ser conhecidas não apenas decentemente, mas […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre a Cidade do Sol. | Analecto — 29 de agosto de 2017 @ 17:11

  2. […] Existem características momentâneas. Um ser não é definido por seus acidentes. […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre a crítica da razão pura. | Pedra, Papel e Tesoura. — 31 de janeiro de 2017 @ 10:58

  3. […] é possível pensar uma essência sem seus acidentes. Se você pensar numa árvore “pura” ainda precisará pensar em sua […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre os fundamentos da desigualdade entre os homens. | Pedra, Papel e Tesoura. — 5 de janeiro de 2017 @ 21:52

  4. […] todas as potências se atualizam e que existem coisas que fazemos que não geram nenhum efeito grandioso no universo, […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre o dicionário filosófico. | Pedra, Papel e Tesoura. — 27 de setembro de 2016 @ 14:19

  5. […] substância e substrato são a mesma […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre os diálogos entre Hylas e Philonous. | Pedra, Papel e Tesoura. — 23 de agosto de 2016 @ 14:59

  6. […] algo tem potência para ser, mas ainda não existe em ato, então é só uma possibilidade. Possibilidades não são […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre os dois tratados sobre o governo. | Pedra, Papel e Tesoura. — 12 de agosto de 2016 @ 21:19

  7. […] sempre podemos adicionar mais uma unidade ao número que imaginarmos. Mas a ideia do infinito em ato, não a […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre o ensaio sobre o entendimento humano. | Pedra, Papel e Tesoura. — 17 de julho de 2016 @ 11:29

  8. […] substâncias. Vale lembrar que Leibniz, tendo formação aristotélica, não usa o termo “substância” em sentido estritamente […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre a monadologia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 26 de junho de 2016 @ 09:17

  9. […] metafísica por vezes parece atribuir características humanas aos fenômenos: os corpos tendem para baixo e […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre os pensamentos. | Pedra, Papel e Tesoura. — 21 de junho de 2016 @ 08:52

  10. […] sinal capital de que alguém sabe alguma coisa é a capacidade de […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre o leviatã. | Pedra, Papel e Tesoura. — 6 de junho de 2016 @ 20:54

  11. […] não está interessado nas causas finais. Acho isso um tanto apressado. Poderia ter dito que a causa final depende de nós e que ela não é […]

    Curtir

    Pingback por Anotações sobre os princípios da filosofia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 8 de maio de 2016 @ 11:49

  12. […] Diz Benjamin que o narrador não está mais presente em sua atualidade. Na minha interpretação de Experiência e Pobreza, eu disse que a Benjamin nem sequer deixa implícito que a experiência não mais poderá ser obtida ou transmitida no futuro, mas apenas que ela estava deixando de existir em seu tempo. Chamo atenção para isso porque essa primeira frase do texto usa um termo derivado de “ato”, que é a coisa como ela é agora. O narrador não existe em ato, o que não implica que ele não esteja em forma potencial. Donde decorre que eu tenho mais razões para crer que Benjamin acredita na volta do narrador e da experiência do que em sua extinção irrecuperável. Para ver as diferenças entre potência e ato, verifique minhas anotações sobre a Metafísica. […]

    Curtir

    Pingback por Busca por atividades complementares: primeira semana. | Pedra, Papel e Tesoura. — 10 de abril de 2016 @ 19:58

  13. […] Estado físico não é essencial, mas acidental. […]

    Curtir

    Pingback por Meditações metafísicas. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de março de 2016 @ 08:04

  14. […] a verdade requer não apenas que saibamos o que procuramos, mas que pensemos o caminho até […]

    Curtir

    Pingback por Regras para a condução da inteligência. | Pedra, Papel e Tesoura. — 17 de março de 2016 @ 12:11

  15. […] é tanto mais segura quanto mais fenômenos particulares forem observados. Isso não é novidade; Aristóteles já fazia isso. Hoje, esse método é prática padrão na ciência: não é possível fazer […]

    Curtir

    Pingback por Novum organum. | Pedra, Papel e Tesoura. — 11 de março de 2016 @ 20:23

  16. […] também sobrevir a qualquer um. Lembrando que sorte e azar são manifestações de acaso e acaso não quer dizer efeito sem causa, e sim efeito inesperado de causa […]

    Curtir

    Pingback por O príncipe. | Pedra, Papel e Tesoura. — 13 de janeiro de 2016 @ 18:10

  17. […] A teologia deve muito a Aristóteles. […]

    Curtir

    Pingback por Elogio da loucura. | Pedra, Papel e Tesoura. — 6 de dezembro de 2015 @ 17:36

  18. […] uma definição emprestada, São Tomás de Aquino diz que sábio é aquele que gerencia as coisas com […]

    Curtir

    Pingback por Suma contra os gentios. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de novembro de 2015 @ 15:56

  19. […] a Bíblia é o meu estudo filosófico que estou fazendo desde o ano passado, quando comecei a ler a Metafísica. É um estudo autoimposto de história da filosofia, orientado por obras filosóficas e, até o […]

    Curtir

    Pingback por Lendo a Bíblia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 9 de agosto de 2015 @ 14:41

  20. […] li Alcibíades I, Apologia de Sócrates, República, Elogio de Helena, Fédon, Fedro, Mênon, Metafísica, dois livros sobre os pré-socráticos, Banquete e Teeteto. É que literatura não é algo que eu […]

    Curtir

    Pingback por Carta trocada com um amigo. | Pedra, Papel e Tesoura. — 22 de junho de 2015 @ 09:54

  21. […] ser professor de algo, é necessário ter aprendido aquele algo. Não pode ensinar coisas importantes para a vida se não as tiver […]

    Curtir

    Pingback por Pensamentos para mim mesmo. | Pedra, Papel e Tesoura. — 15 de junho de 2015 @ 17:37

  22. […] Para Platão, tudo o que é físico tem uma razão não-física, mas metafísica (paralela à física). Por exemplo, Sócrates está preso. Para os filósofos da natureza, Sócrates está preso porque andou até a sala e lá o trancaram. Para Platão, Sócrates está preso porque submeteu-se à sua condenação após ter se oposto ao júri ateniense. De fato, demonstrar as razões físicas de algo apenas revelam o “como” de algo, mas não seu “porquê“. […]

    Curtir

    Pingback por Às beiras da verdade. | Pedra, Papel e Tesoura. — 5 de janeiro de 2015 @ 20:26


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: