Analecto

16 de julho de 2015

Anotações sobre as confissões.

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  1. O ser humano tem necessidade espiritual, porque foi criado por Deus para Deus. Por isso sentimos prazer na oração, por exemplo.
  2. Antes de invocar Deus deve-se conhecê-lo. Invocar Deus sem conhecê-lo pode levar o invocador a se dirigir a um deus falso.
  3. Deus, para Agostinho, existe dentro de nós. Se Deus não habitasse em nós, diz Agostinho, não seríamos nada. Talvez esteja se referindo à parcela do Espírito Santo, já que o católico crê na Trindade.
  4. Para Agostinho, Deus está envolto em mistério. Tentar compreendê-lo pode levar à contradições lógicas. O crente só pode crer.
  5. Para Agostinho, Jeová é um Deus que pune. Não amá-lo já é ruim o bastante. Como se não bastasse, ainda tem o Inferno…
  6. Se Deus, contudo, não perdoasse, ninguém sobraria.
  7. Deus é a verdade. Discordar dele é necessariamente errar.
  8. Os desejos de um bebê que ainda não sabe falar não podem ser satisfeitos plenamente; ele não pode comunicar exatamente o que acontece em seu interior.
  9. O choro é a vingança da criança sobre os adultos que se recusam a obedecê-la.
  10. É difícil dizer se o feto é alguém ou parte de alguém (a mãe grávida).
  11. O tempo para Deus é um eterno “hoje”.
  12. Cometemos pecados dos quais não lembramos. Porque crianças pecam também, pois que todos nascem com a chaga original.
  13. A criança não é inocente.
  14. Agostinho parece aquele cara que escreveu “a questão não é como o ser humano se torna violento, mas como ele deixa de ser.” As crianças sentem inveja, são agressivas e coisas que tais. Elas aprendem o domínio com o tempo.
  15. A primeira infância, da qual normalmente não temos lembrança, foi um tempo vergonhoso para aquele que tem a moral em alta conta.
  16. Não convém especular se o ser humano foi inocente em algum dia de sua vida; se tivéssemos sido, não lembramos mesmo.
  17. A criança é levada a falar pela necessidade e aprende por observação.
  18. Quando os mestres puniam as crianças, praticavam injustiça; crianças pequenas não têm um aparato mental maduro o bastante para apreender certos conteúdos. Hoje isso é confirmado e existem níveis, séries e anos que determinam conteúdos próprios à idade da criança.
  19. O trabalho forçado nunca é tão bom quanto o voluntário.
  20. Quem força também está errado. Se deveria convencer sem usar a força.
  21. A alma desordenada castiga a si própria.
  22. Agostinho não gostava de aprender a língua grega, mas não tinha ideia do porquê. Ele diz que não gostar de algo bom sem ter boa razão para isso é decorrência do pecado original.
  23. A gramática, óbvio, vale mais que a literatura de ficção.
  24. Talvez o ódio de Agostinho pela língua grega viesse dos professores. É mais fácil e mais suave aprender a língua materna, porque se aprende ela em casa, naturalmente. Mas aprender um segundo idioma se faz, normalmente, na escola, um ambiente mais forçado. E, na época de Agostinho, ir à escola significava aceitar o risco de punição física.
  25. O aprendizado motivado pela curiosidade dá melhor resultado que o aprendizado motivado pelo medo.
  26. “Na escola nem sempre aprendem-se coisas úteis.” Esse era o lema do meu círculo de colegas do ensino médio. Agostinho o sanciona.
  27. Atribuir aos deuses vícios humanos é uma tentativa humana de fazer seus pecados parecerem menos odiosos.
  28. Crianças são punidas como crianças, mas seus pecados são da mesma natureza que o pecado adulto. Só o que muda é a extensão, limitada segundo a idade. A criança que leva essas práticas à vida adulta é punida como adulto.
  29. Ao dizer que dos pequeninos é o reino dos céus, Jesus, diz Agostinho, queria usar o tamanho das crianças como símbolo de humildade.
  30. É difícil para o adolescente distinguir entre amor e luxúria. Por vezes, se apresentam como a mesma coisa.
  31. O solteiro se preocupa somente consigo e com Deus. O casado se preocupa também com a família e com o mundo. Donde decorre que a pessoa casada não pode se dedicar totalmente a Deus.
  32. Os professores de Agostinho não se preocupavam com seu aperfeiçoamento pessoal, com sua humanidade, mas apenas com seu aprendizado, por exemplo, das letras. Muitos professores de hoje, ouso dizer a maioria, também não se importam com o aperfeiçoamento moral de seus alunos.
  33. Existe uma pressão cultural sobre o homem para o pecado da luxúria. É esperado pelos seus pares que o homem seja pegador. Então o estereótipo do homem infiel vem de anos e anos de uma tradição esotérica, velada, entre os homens vulgares. O homem que quebra o estereótipo é tido por efeminado por seus pares.
  34. Está escrito: más companhias estragam bons hábitos.
  35. Nem os ladrões aceitam ser roubados. Então a lei contra o furto não é apagada pela iniquidade.
  36. Não raro, as pessoas cometem crimes apenas por aventura, pelo prazer de cometer o crime. É como aqueles que roubam objetos que já têm, talvez até em maior quantidade e de melhor qualidade.
  37. O pecado pode se originar também por dar importância imoderada aos bens espirituais que convém. O amor, por exemplo, pode ser facilmente deturpado. Certamente é um bem espiritual a capacidade de amar o próximo, mas o amor ao próximo pode se afigurar também como um pecado quando o apego ao próximo supera o amor a Deus.
  38. O crime cometido com boas razões ainda é um crime. Mas ele é mais digno de perdão dependendo do grau de transgressão.
  39. As ações boas são, em última instância, ações divinas sobre a humanidade, porque Deus é o bem.
  40. Alguns crimes são melhor cometidos em grupo, seja porque é mais fácil se safar assim, seja porque assim você obtém o prazer da plateia ou para agradar maus amigos.
  41. Pecados gratuitos são como cócegas. As cócegas nos fazem rir, apesar de serem atos aparentemente feitos para nenhum fim particular. O pecado gratuito não é feito com nenhum fim particular, se não o simples prazer de pecar e pensar “ninguém suspeita o que fiz.”
  42. O amor cego leva o amante a mentir para o amado, a fim de parecer ser algo que não é.
  43. Amar significa assumir o risco de ciúme, suspeitas e contendas. É preciso ser maduro para amar.
  44. É perturbador que os seres humanos apreciem o gênero trágico. Ainda mais quando o espectador sente que talvez fosse legal passar por aquilo que o protagonista passa em cena.
  45. Talvez amemos esses espetáculos porque vem com a dor a piedade, que é algo presente na amizade.
  46. Nenhuma dor é digna de amor. No entanto, os que amam o gênero trágico amam que as histórias causem dor.
  47. Agostinho teve de aprender retórica, que ele via como arte do bem mentir.
  48. Embora Agostinho fosse bom de retórica, não gostava de discutir. Seus coleguinhas, porém, amavam praticar bullying com os novatos.
  49. A filosofia não precisa trabalhar contra a religião, embora muitos a usem desta forma.
  50. Historinhas não são inofensivas quando tidas por verdadeiras. Por exemplo, Agostinho gostava de mitos gregos em sua juventude, mas não lhes dava nenhum crédito por saber que eram falsas. Mas, em certo dia, ele se converteu ao maniqueísmo, considerado religião falsa pelos cristãos. Para o cristão, o maniqueísmo é uma ficção, perigosa na medida em que é tomada como religião. Então, a ficção, mesmo aquela sobre deuses e demônios, é inócua na medida em que é tratada como tal, mas torna-se idolatria e religião falsa quando levada a sério.
  51. Deus é espírito. “Imagem e semelhança de Deus” não significa aparência física.
  52. Mal é ausência de bem. Algumas pessoas atribuem isso a Albert Einstein, mas Agostinho já havia enunciado isso antes. O mal não existe, se manifestando como um estado de ausência. Da mesma forma que tiramos o todo de um lugar e fica ali o nada, tiramos o calor de um lugar e fica ali o frio, tiramos a luz de um lugar e fica ali a escuridão, se tiramos o bem de um lugar fica ali sua ausência: o mal. Isso é levar às últimas consequências a filosofia pré-socrática, na qual o frio já é ausência de calor e a escuridão é ausência de luz. Na filosofia de Agostinho, Deus não criou o mal, mas apenas o bem. O mal é consequência do afastamento do bem, ocasionado pelo mal uso, por exemplo, do livre-arbítrio humano.
  53. O mal, levado às últimas consequências, gera o nada, a absoluta ausência.
  54. Para Agostinho, a homossexualidade é pecado porque é contra a natureza, que é também uma manifestação divina. Logo, é pecar contra a regra “amar a Deus sobre todas as coisas”, porque se estaria quebrando uma lei “natural”.
  55. Algumas coisas que julgamos louváveis são reprováveis por Deus porque existe um tipo de virtude subentendida em cada ato. Assim, quando praticamos algo que é divinamente reprovável, mas humanamente aceitável, estamos pecando porque aquele ato implica uma má intenção, segundo Agostinho. Assim, embora não se peque pelo ato, se peca pela intenção do ato. Exemplo: fazer justiça com as próprias mãos é uma sublimação do desejo de vingança sob a nobre capa da justiça.
  56. Por outro lado, Deus, por vezes, ordena algo humanamente condenável. Isso é escusável, já que Deus, sendo Deus, sempre sabe o que é melhor. Exemplo: o relato do filho de Abraão, que a filosofia dinamarquesa amava.
  57. A astrologia não invoca deuses pagãos ou espíritos, mas nem por isso tem menos culpa: ao atribuir o impulso para pecar a algum corpo celeste, a pessoa passa a se ver inocentada de seus crimes, atribuindo-os aos planetas e estrelas que quiseram daquela forma. Só que quem ordena os céus é Deus. A astrologia poderia, então, levar a pessoa a culpar Deus pelos seus atos.
  58. A astrologia é bastante interessante. Muitos dos que a aprendem o fazem por curiosidade e não por necessidade.
  59. Os astrólogos não acertam previsões se não por acidente, segundo Agostinho.
  60. Agostinho “amou em demasia” um amigo “de sua idade”, muito seu “companheiro”, o qual, como ele, estava na “flor da juventude”… Pense o que quiser.
  61. Um grande amigo é como a outra metade de sua alma. Quando esse amigo morre, a vida torna-se triste, porque morreu uma de suas metades. Porém, você não quer se matar, implicando que, ao fazer isso, a alma de seu amigo, cuja outra metade está em você, morrerá também.
  62. Colocar todo o seu amor em algo passageiro, como a vida humana, torna a pessoa miserável, porque o amor dela passa a depender de algo finito. Imagine quanta dor a perda desse algo causaria!
  63. O choro é confortável. É como um analgésico. Faz a dor parar por alguns instantes, embora a causa do sofrimento ainda esteja lá. Por isso eu digo que chorar para sentir-se confortável é bom, mas se torna ruim quando nos apoiamos demais no choro a ponto de não mais querer cessar a causa do sofrimento, como quem se vicia em analgésicos.
  64. Um pecado dos amantes é não se preparar para a morte do amado.
  65. Podemos amar alguém que não conhecemos por perceber que outra pessoas o amam.
  66. Por que, às vezes, amamos os outros por terem características que nós mesmos não gostaríamos de ter? Exemplo: eu gosto de animação, disso vocês sabem, mas eu jamais gostaria de fazer desenhos animados. Da mesma forma, embora eu admire os físicos e os químicos pelo seu trabalho, eu acho que odiaria praticar tal trabalho. Até em mim mesmo, embora eu receba atenção pelos meus desenhos e pelas músicas que componho, eu me sentiria mal por receber mais atenção por elas do que pelo meu trabalho como professor, quando este começar.
  67. Às vezes um sábio fala algo em que não acredita, apenas para tampar um buraco em sua teoria e não ter de admitir um problema de pensamento.
  68. As dez categorias de Aristóteles não funcionam para explicar Deus, por exemplo.
  69. Deus é, para Agostinho, onipresente. É impossível fugir de Deus.
  70. Religião e ciência não são mutuamente exclusivas.
  71. O conhecimento divino é mais importante. Ser doutor em vários assuntos humanos não é algo digno de contar vantagem.
  72. Não se deve julgar que alguém está com a verdade só porque fala bem.
  73. Antes da conversão ao catolicismo, Agostinho era maniqueu, um adepto do maniqueísmo. Para os maniqueus, o Novo Testamento era uma grande invenção de alguém que queria juntar judeus e cristãos, ou seja, que a vida do Jesus histórico era dissonante com o Novo Testamento.
  74. Na época de Agostinho, poucos livros estavam disponíveis. Então, os livros eram lidos em voz alta para que os que estavam ao redor aprendessem seu conteúdo também.
  75. Já na Idade Média não se falava que “imagem e semelhança de Deus” era literal. Isso nunca foi literal pro medievo.
  76. “A letra mata e o espírito vivifica” não é literal também. Isso quer dizer que a linguagem é limitada e que o sentido das coisas espirituais é parcialmente perdido na linguagem. Ou seja, entender algo escrito significa penetrar o sentido verdadeiro do texto, que muitas vezes não é literal. Isso não significa que nenhum texto é acreditável, mas que não se pode, absolutamente, ler algo sem estar pronto para um significado oculto pelas próprias palavras.
  77. A fé num cientista não é tão diferente da fé num padre. Por vezes temos que acreditar em coisas que não conhecemos, como nas ordens do médico que estudou algo que nós não estudamos. O ideal é conhecer o objeto de que se fala, mas isso nem sempre é possível.
  78. Não dá nem pra saber se nossos pais realmente são nossos pais porque não lembramos do nosso nascimento! Essa também é uma crença, embora normalmente bem fundamentada.
  79. A alegria do bêbado parece ser algo desejável, mas os meios pelos quais ele fica alegre são reprováveis. Mesmo assim, não é curioso que um mendigo possa ficar feliz, mesmo que por alguns instantes, com álcool enquanto que o sóbrio precisa trabalhar tanto para obter o mesmo resultado?
  80. Mas a felicidade do alcoólatra é ainda melhor que a felicidade daquele que trabalha pelo seu dinheiro de forma desonesta, porque o alcoólatra pelo menos perde todas as suas preocupações temporariamente. O desonesto nunca perde suas preocupações, então não é feliz.
  81. Uma das coisas que aproximam o incrédulo de Deus é o medo da morte. Eu comecei assim também, até que eu perder o medo por causa de Epicuro e Sócrates. Na verdade, acho que o temente a Deus só pode se dedicar a ele da forma como deveria depois de superar o medo da morte, para tirar o caráter de interesse da servidão. Assim ninguém pode dizer que você só é cristão porque gosta de ideia de viver para sempre, o que soa interesseiro… o que não significa que você deva odiar a vida eterna.
  82. Um problema que Agostinho vê no panteísmo é que, se Deus é uniforme, deveria estar igualmente em todo lugar, preenchendo-o de forma espiritual (o que não anula o movimento, segundo Agostinho), porém Deus não pode ser uniforme dessa forma, porque isso implica que espaços maiores contém mais de Deus. Ou seja, é contraditório.
  83. Se Deus é bom, quem criou o mal?
  84. Se a pessoa quer encontrar um deus, deve procurá-lo no incorruptível. Se Deus é definido como algo incorruptível, verificar a existência de Deus é verificar se algo incorruptível realmente existe, diferente do que faz Anselmo, ao supor que a existência de Deus é necessária somente porque podemos conceber em nossa mente algo incorruptível. O argumento ontológico de Anselmo não garante, então, a existência de Deus, porque não exclui a possibilidade de Deus ser fruto da imaginação ou uma simples sutileza de um discurso metafísico. Agostinho procura verificar a validade de sua conjectura.
  85. Aqueles que sustentam que o mal não existe absolutamente esquecem que existem pessoas que temem a maldade. Mesmo que o mal não existisse fora delas, existe dentro delas, na forma de medo de algo que supostamente não existe? Isso é contraditório. Ou o mal existe fora ou dentro da pessoa, na forma de medo.
  86. Agostinho gostava de imaginar o mundo como uma esponja finita e Deus como um mar de infinita bondade, que encharca a esponja. Mas o problema do mal persiste.
  87. Será a matéria que Deus usou para fazer o mundo uma matéria corrupta? Se ele é onipotente, como é que ele não a consertou?
  88. Essas perguntas eram especialmente desconfortáveis para Agostinho. Por um lado, queria respostas; por outro, temia que as respostas lhe deixassem inapto à vida eterna.
  89. Se um príncipe e um escravo nascem ao mesmo tempo, no mesmo dia, sob a mesma posição das estrelas, seu futuro será igual? Isso basta para demonstrar que a astrologia é uma grande maluquice.
  90. Exemplo: Esaú e seu irmão.
  91. Segundo Agostinho, devemos estar submissos a Deus tal como as espécies inferiores ao ser humano lhe são submissas.
  92. Parece que a inspiração do mal como ausência de bem vem do primeiro capítulo do Evangelho Segundo São João.
  93. Para Agostinho, aquilo que é contingente não existe verdadeiramente. Isso inclui nós.
  94. A corrupção ocorre porque o bem das coisas é perturbado. Aquilo que se corrompe é privado de bem, sendo que a corrupção é um mal. O mal é privação de bem.
  95. Segundo a Bíblia, pecado e morte são coisas próximas. Aquele que leva uma vida santa, pelo menos segundo meu entendimento das histórias da Bíblia, vive mais tempo, mas ainda morre eventualmente por causa do pecado original. Para Agostinho, desaparece aquilo que é completamente privado de bem, ou seja, algo fica mais próximo de perecer quanto mais é privado de bondade.
  96. Se o mal fosse uma condição de presença e não de ausência, isto é, se tivesse existência, ele não seria de todo mau, porque existência (presença) é um bem.
  97. É falso aquilo que julgamos existir, mas que na verdade não existe. Pré-socráticos na veia o tempo todo: escuridão, silêncio, mal, nada dessas coisas existe, são condições de ausência, espaços vazios, ocasionados por eventos naturais, salvo no caso do mal, que é ocasionado pelo mau uso do livre-arbítrio. Imagine o mundo como uma sala bem iluminada na qual a fonte de luz vem da parede oposta. Se entramos na sala, a sombra se forma na parede atrás de nós. O mal é a sombra e o bem é a luz. Mas, porque nós temos livre-arbítrio, somos passivos de criarmos trevas com nossa mera presença. Para os cristãos, isso se deve ao pecado original, uma consequência do mau uso da liberdade por parte de Adão e Eva e de Satanás, que fez a si mesmo o diabo por querer, de sua vontade, usurpar o poder divino. Alguém pode se perguntar porque Deus não fez suas criaturas programadas e sem livre-arbítrio. Isso é porque, pela lógica, Deus é bom e ama as coisas boas, ao passo que a liberdade é um bem. Deus ama a liberdade e quis que suas criaturas gozassem dela. Porém, a instituição de leis (que podem inclusive ser quebradas) é talvez a única forma de orientar uma criatura livre no caminho do bem. Lembrando que a liberdade não é realmente liberdade se só houver um caminho a seguir, por isso as orientações podem ser quebradas.
  98. A multitude de interpretações bíblicas acaba revelando as interpretações mais condizentes e mais lógicas. Assim, é necessário que várias igrejas existam, segundo Agostinho, para que a igreja correta pareça ainda mais correta, diante das outras interpretações bíblicas mais estranhas e doidas.
  99. A doutrina de Paulo tem paralelos com o neoplatonismo.
  100. Agostinho não aceitou a fé cristã antes de um longo percurso de reflexão e discussão, que lhe tomou umas duas décadas. Concordo que a escolha de uma fé não pode ser tão espontânea e que se deveria ter razões de verdade para fazer uma decisão séria como essa. Eu tive um amigo que hoje em dia é mórmon. Ele me confessou que só é mórmon porque “a sociedade lhe empurra para uma religião” e, cedo ou tarde, você cede. Ou seja, ele é mórmon só porque todos os seus amigos estavam se convertendo e ele o fez também para manter a amizade. Grande razão essa.
  101. A vida visando dinheiro e riqueza eventualmente se torna um tédio.
  102. Nem todos podem aguentar a responsabilidade que vem com o casamento.
  103. A alegria de recuperar o que parecia perdido é sempre maior que a alegria de seguramente ter algo.
  104. Isso se deve a dor causada pela falta, presente ou iminente, que é aniquilada com a segurança. Então não é apenas uma questão de obtenção de prazer, mas também de alívio da dor.
  105. A alegria de um inflama a alegria do outro, que tem a mesma alegria. É por isso que quem está numa igreja dificilmente sai dela, porque sente-se feliz num grupo onde a alegria de todos é a mesma. Os pastores da Universal sabem disso e não poderiam aplicar seus golpes nos fiéis ignorantes se conseguissem converter apenas um ou outro. Quanto menor a igreja, mais fácil deixá-la.
  106. A conversão de pessoas importantes faz com que aqueles que vêem a conversão sintam-se estimulados a se converterem também. A exemplo disso, temos a igreja universal, que converteu celebridades para que outros entrassem para o culto deles também. A Universal agora converte celebridades também e as pede que gravem comerciais de televisão, para que aqueles que gostam dessas celebridades sintam-se tentados à conversão. Isso pode acabar virando um truque bem safado.
  107. Parece que “só mais cinco minutos” é uma expressão mais velha que eu pensava.
  108. A sensação de estar “dividido contra si mesmo” é uma doença da alma indecisa. Ela tem duas “meias vontades”.
  109. Para os maniqueus, o princípio do bem e do mal habita em nós, por isso temos vontades que são opostas. Porém, nós temos várias vontades opostas! Como é que os maniqueus assumem apenas dois princípios então?
  110. Além do mais, por vezes temos duas vontades opostas de fazer duas coisas igualmente erradas. Onde estaria o princípio do bem?
  111. A alma é uma só. Ter vontades opostas é apenas um caso de indecisão.
  112. Agostinho não se converteu antes porque procurava forças em si mesmo para resistir às tentações carnais que experimentava. Nossa, que bom não gosto de sexo, porque essas são leituras que me perturbam. Ele demorou para procurar forças em Deus para se manter íntegro.
  113. Apesar de Agostinho acreditar na Trindade (uma crença da qual não compartilho), suas palavras por vezes sugerem que ele não acredita tanto assim. Por exemplo, ao referir-se a Jesus, nas Confissões, ele não o chama de Deus e sempre se refere a Jesus como uma entidade separada. O mesmo é válido para com o Espírito Santo. É como se a Trindade não fosse um deus, mas um panteão, composto de um Deus-Pai e duas outras entidades menores. Ou seja, não formariam um deus único. Posso estar enganado, já que eu ainda não li o livro em que Agostinho trata exclusivamente desse assunto (o livro é justamente “A Trindade”).
  114. Agostinho, certa vez, teve uma forte dor de dente, tanta que o impediu de falar até. Então, ele escreveu para seus amigos que orassem por ele. Se juntaram e oraram de joelhos, então a dor desapareceu. Me pergunto se há explicação científica para isso, já que eu não chamo algo de milagre antes de saber o parecer da ciência.
  115. A prática do cântico religioso na Igreja Católica tem raízes psicológicas: cantando, não nos consumimos na tristeza ou no tédio. É uma forma de levar uma fé mais animada.
  116. Parece que milagres ocasionados pela fé ainda se operavam na época de Agostinho. Fazendo um paralelo com o que sei da Bíblia, acho que naquela época os ídolos católicos (nesse caso, as relíquias, não as estátuas de santos, já que a maioria dos santos que conhecemos hoje não havia sido feitos santos) não eram despidos de significado pelos fiéis. Outra explicação é de que a fé “move montanhas” e há uma explicação científica e psicológica para isso, de que a crença pode afetar os males do corpo, suavizando-os ou eliminando-os.
  117. “Século” pode significar “mundo”. Assim, algo “secular” é algo “mundano”.
  118. Os elogios dos amigos às vezes nos pervertem. Da mesma forma, os insultos dos inimigos às vezes nos corrigem. Meu professor de metafísica uma vez me contou a seguinte fábula: tinha um pássaro que estava para morrer de frio na floresta nevada, quando um elefante defecou sobre ele seus dejetos nojentos, mas quentes. O pássaro, apesar de reconhecer que as fezes poderiam salvá-lo, achou que aquilo era nojento demais pra ele, então ele se lavou na água gelada do lago e voltou a voar, quando foi encontrado por um leão, que o pegou em suas patas e confortou-o. O pássaro gostou das quentes patas do leão e se julgou são e salvo, até que o leão o jogou entre seus dentes, matou-o e comeu-o. Moral da história: nem sempre os que nos jogam na imundice nos querem mal, mas muitas vezes são os que nos confortam que querem nossa destruição.
  119. Agostinho acreditava na ressurreição, uma crença um tanto diferente da crença católica atual, na qual a alma vai para outro plano imediatamente após a morte para lá viver de forma espiritual (migração).
  120. Para o cristão verdadeiro, tanto faz onde seu corpo é enterrado; nenhum lugar é distante para Deus.
  121. A morte de uma pessoa que viveu bem não é digna de ser chorada. Especialmente se morreu bem.
  122. Choramos demais por coisas que não devem ser choradas. Da mesma forma, aquilo que é digno de lástima é ignorado.
  123. O ser humano se conhece pela revelação divina. A revelação diz quem somos.
  124. Não faz sentido se confessar a outras pessoas, porque elas não curam. Se só quem cura é Deus, só vale a pena se confessar a ele.
  125. Mas a escrita do livro das confissões de Agostinho tem como intuito não falar do que Agostinho é agora, mas do que ele foi, de forma que cristãos se sintam bem por Agostinho ter se superado e que os que ainda estão indecisos tenham esperança.
  126. Ninguém nunca conhece totalmente o outro. Só Deus pode.
  127. O ser humano só faz o bem porque recebeu de Deus o bem.
  128. Deus está conosco antes de nós estarmos com ele. Obviamente metafórico.
  129. Com a tentação, Deus provê meios de resistência. Assim, nunca somos tentados além de nossas forças.
  130. A razão interpreta o que vem pelos sentidos.
  131. As pessoas parecem se curvar diante daquilo que elas próprias criaram, se tornando escravas de coisas como dinheiro e trabalho, vivendo por elas e submetendo a elas as gerações seguintes.
  132. Se achegar a Deus requer um esforço anímico, ou seja, racional, porque a razão é o que há de mais elevado em nós. Se não fosse por esse caminho, os animais seriam capazes de prestar culto.
  133. O que temos na memória veio dos sentidos… ou quase tudo.
  134. Um conteúdo que temos na memória são nossas representações daquilo que sentimos, que podem ou não corresponder ao que realmente sentimos.
  135. São impressões. E elas permanecem após apreendidas, mesmo após a cessação da atividade sensorial.
  136. A linguagem depende da memória.
  137. Embora não possa absorver as coisas às quais a impressão refere, é possível para a mente copiar para si outros conteúdos mentais, isto é, conceitos (matemática, gramática…).
  138. Se a memória pode absorver coisas que não vem através de sentido algum, de onde vieram essas coisas? Aqui, talvez haja uma referência ao inatismo.
  139. Os conceitos matemáticos tem uma parcela abstrata, alheia ao que é físico. Assim, como a memória guarda essas coisas, que não vêm por sentido algum?
  140. A ideia propagada por um texto ou discurso parece independer do idioma. A mesma coisa pode ser dita em latim e em grego, português e inglês, sem prejuízo do significado. Claro que, hoje em dia, se sabe que nem sempre é assim, porque cada idioma tem suas limitações.
  141. Dependendo do contexto, “espírito” pode significar “memória”.
  142. Recordar emoções não necessariamente nos faz senti-las.
  143. A memória é um grande mistério.
  144. Opa, Agostinho diz que ele é seu espírito. Penso, logo existo?
  145. Animais ditos irracionais também possuem memória.
  146. Como buscar o que se ignora? De onde vêm ideias como “felicidade”, se isso é algo que não experimentamos?
  147. Se a noção de felicidade está na memória, é porque já a sentimos.
  148. Existe uma definição de felicidade que perpassa todas as definições que as diferentes pessoas têm dela. Se cada um tivesse um conceito completamente diferente de felicidade, não seriam todos a desejá-la.
  149. A razão pela qual temos essa noção em nós é porque a felicidade parece ter seu significado decorrente de alegria, uma emoção que todos sentimos. Na verdade, muitos identificam felicidade com alegria.
  150. Para Agostinho, felicidade é a alegria provida pelo amor a Deus. Importante ressaltar que as definições de felicidade diferem dependendo do contexto histórico, mas não são totalmente excludentes, tendo pontos convergentes. Por exemplo, temos a felicidade de Epicuro e a dos estóicos.
  151. A vida humana é tentação constante. Quando estamos pobres, desejamos ser ricos. Quando estamos ricos, tememos ser pobres. Nunca se está pleno a não ser na devoção a Deus.
  152. Tudo de bom que aprendemos é dom divino.
  153. Deus não proíbe todos os prazeres.
  154. O pecado da gula é mais difícil evitar que o da luxúria, já que, naturalmente, você come mais vezes do que tem sexo.
  155. Nós temos fraquezas que não conhecemos porque somos incapazes de completamente conhecer a nós próprios.
  156. Muitos buscam coisas que não são agradáveis por curiosidade. Quando acontece um acidente de trânsito, todos se amontoam para ver o ferido, melhor ainda se estiver morto! Mas aí se sentem mal por verem o ferido e temem que aquilo aconteça novamente, apenas para novamente ver uma pessoa ferida no acidente seguinte.
  157. Existem três tipos de pecado então: sensual, curioso e orgulhoso.
  158. O elogio só provoca prazer quando se é elogiado por aquilo que queremos ser elogiados. Eu recebo muitos comentários nos meus desenhos, mas quase nenhum na minha música. Isso me deixa louco.
  159. Quando fala aos quatro ventos que você odeia a vanglória, está se vangloriando. É melhor ignorar a vanglória do que reprová-la abertamente.
  160. Se Agostinho diz que Cristo é o único mediador para chegar a Deus, fico confuso com o fato de outras obras lhe mostrarem como defensor da Trindade…
  161. É como se Jesus tivesse uma natureza dupla. Como Verbo, faz parte da Trindade, mas não como ser humano que veio para a Terra. Estranho e confuso…
  162. Este livro foi escrito com propósitos de glorificação.
  163. A voz que disse a João “este é meu filho amado, a quem tenho aprovado” durante o batismo de Jesus poderia ter sido a voz de uma criatura feita por Deus, que falou em nome dele. Não partilho dessa opinião, contudo.
  164. Para as testemunhas de Jeová, Jesus foi a primeira criatura, através da qual Deus fez as outras coisas. Então Deus falou “faça-se a luz” por meio de Jesus. Disso também tenho minhas dúvidas.
  165. Deus poderia ter feito outra coisa antes de criar suas criaturas? Se não havia nada, ele só podia ter feito uma coisa: criar suas criaturas…
  166. Quer dizer que Deus passou um tempo indeterminado em repouso antes de criar alguma coisa? Não tem cabimento essa pergunta, porque Deus não havia feito o tempo ainda.
  167. Não havia tempo antes da criação.
  168. Deus está fora do tempo, contemplando tudo como um eterno presente. Daí as profecias.
  169. O nosso tempo pode ser infinitamente dividido. Qual é a duração do presente?
  170. Afirmar que passado ou futuro podem ser medidos, sendo que nenhum dos dois existe, é afirmar que o nada pode ser medido.
  171. Isso me lembra: ouvi dizer que o hebraico, um idioma tido em alta conta pelos religiosos do livro, parece não ter tempo passado nem tempo futuro, com todas as coisas sendo ditas no presente.
  172. Tem alguma coisa errada: se o passado não existe, manifestar-se sobre ele é mentir, porque é se manifestar sobre o nada. Da mesma forma, quem prediz algo sob inspiração divina estaria inventando coisas, já que o futuro não existe.
  173. Quando lembramos de algo, lembramos do que ocorreu no presente. De fato, passou, mas, quando aconteceu, era presente. Da mesma forma, se temos uma visão do futuro, estamos vendo aquilo que ocorrerá no presente. Então, o passado e o futuro não têm existência independente do presente. Os tempos existem, mas no presente, como memória e antecipação. Logo, somente o presente existe em plena acepção da palavra. Mas memória e antecipação são processos mentais. Kant leva isso mais a fundo, ao dizer que o tempo, como o espaço, é parte de um aparelho mental necessário ao conhecimento e à sobrevivência.
  174. Parece que a teoria cronológica de Agostinho não explica por que algumas antecipações falham. Efetivamente, se o que vemos em nossa antecipação não é de fato o futuro (porque o futuro não veio e não é possível ver o que não existe), mas o que se desenrolará no presente, ou seja, é visto como presente, como é que algumas vezes “antecipamos” o que não vai acontecer? De onde vem o engano das antecipações erradas?
  175. Apesar disso, não é condenável que falemos em passado ou futuro se isso convém para o entendimento de algo.
  176. Tempo como medida do movimento: o tempo é um meio humano de medir os movimentos. Em filosofia, movimento não é simplesmente o andar de um ponto a outro, mas qualquer tipo de mudança. Se eu era fraco e me tornei forte, isso é movimento. Se eu estava triste e fiquei alegre, isso é movimento. Se eu estava aqui e fui para acolá, isso é movimento. Portanto, qualquer mudança de posição, forma, ordem e similares é movimento. Quando se sentiu a necessidade de medir o espaço, inventamos meios de medi-lo, com metros, jardas, polegadas, centímetros… Quando se sentiu a necessidade de medir “a extensão de um movimento” ou mudança qualquer, inventamos meios de medi-la com segundos, horas, dias. Tal como diferentes povos usam medidas espaciais diferentes (nós gostamos de metros e derivações do metro, mas os norte-americanos gostam de pés, polegadas, jardas e os antigos ainda usavam o côvado), diferentes povos medem o movimento de forma diferente.
  177. Mas aí ainda temos o problema de que a duração do presente é um mistério. Bom, foi uma boa tentativa.
  178. É possível medir eventos que se desenrolam dentro do presente, contudo, seja qual for a duração do presente. Assim como podemos medir algum espaço dimensional após afirmar um ponto inicial e um ponto final, podemos medir algum espaço temporal após afirmar um começo e um fim. Não é possível medir o eterno ou o infinito (aquilo que não tem começo nem fim), a menos que façamos uma escolha de um ponto onde começar a medir e outro ponto onde parar de medir.
  179. Explicar uma descoberta requer menos esforço do que fazê-la.
  180. O “céu” onde Deus está não é literal. O céu que vemos também faz parte da Terra.
  181. “No princípio, Deus criou o céu e a terra”, mas, no segundo dia, Deus disse “haja separação entre as águas”, com a porção superior da água tornando-se céu e a porção inferior tornando-se mar. Donde decorre que o céu criado no segundo dia é esse céu que vemos diariamente, mas o céu criado no primeiro verso do Génesis não é explicado pela escritura. Além disso, essas duas porções de água oriundas da divisão estavam na Terra. O céu primordial foi feito, então, antes da Terra e não está visível.
  182. Nada de errado em procurar um significado oculto no Génesis. Talvez o livro tenha sido escrito de forma muito simplificada para que a informação necessária coubesse na limitada língua humana. Talvez não fosse possível para o ser humano entender a criação se ela fosse toda escrita em seus pormenores (na suposição de que fosse possível escrever todos os detalhes da criação sem usar um idioma à altura, que poderia estar além do que o ser humano pode aprender), porque o intelecto humano é limitado, tal como é a linguagem.
  183. Ler este livro me dá uns arrepios e um suor estranho. Não é uma sensação ruim, contudo.
  184. Ter diferentes interpretações sobre o Génesis não é nenhum sacrilégio, a não ser que interpretação negue o Génesis.
  185. “O espírito de Deus pairava sobre as águas.” Não há menção no Génesis do tempo quando essas águas foram criadas.
  186. Entender a criação e entender o que Moisés escreveu parecem coisas diferentes.
  187. Nenhuma interpretação do Génesis é melhor que as outras. Por isso, não há direito de impor sua interpretação à dos outros.
  188. A Bíblia é interpretável, tal como qualquer texto, e o entendimento da mensagem depende da inteligência de cada um. Cada um tira dela a verdade que pode.
  189. Essa inteligência aumenta com o passar do tempo e com a prática. E Bíblia parece simples, mas cada livro dispõe de variados graus de complexidade. Ela pode ser entendida literalmente por aqueles que ainda não tem prática enquanto que os veteranos podem nela treinar sua hermenêutica.
  190. Algo pode existir sem forma, mas não é possível dar forma ao que não existe.
  191. Moisés escreveu aquilo que era importante escrever, não a criação em todos os detalhes. De fato, a Bíblia não é um livro que contém tudo, mas apenas aquilo que é relevante ao teísta enquanto teísta. Ela não precisa ter verdades filosóficas ou científicas (embora tenha).
  192. Para Agostinho, todas as interpretações sérias e sinceras do Génesis, enquanto concordantes com o livro, são verdadeiras. Tenho minhas dúvidas…
  193. O peso de algo não necessariamente o impele para baixo.
  194. Deus presenteia seus servos com habilidades úteis ao bem comum.
  195. A ignorância é a mãe da admiração.
  196. Se fizermos nossas obras com mansidão, seremos amados.
  197. Mesmo o que não entendemos da Bíblia é justo e verdadeiro.
  198. Para Agostinho, uma boa parte do Génesis não é literal.
  199. Também para Agostinho, sempre que falamos alguma coisa verdadeira, falamos por inspiração divina, porque Deus é a verdade. Assim, qualquer que não fala por inspiração divina necessariamente mente.
  200. Quem é muito ligado aos prazeres carnais não entende os prazeres racionais ou espirituais. Acham essas coisas elevadas um tédio.
  201. Embora Deus não precise dizer nada dentro do tempo, a Bíblia precisa se expressar utilizando tempo, para que o leitor entenda.
  202. Me pergunto como Agostinho julgaria a Igreja Católica hoje em dia.
  203. Para Agostinho, o único que conhece a vontade de Deus é seu espírito (provavelmente o Espírito Santo). Então, quando alguém fala algo que normalmente só Deus sabe, ele o fala por ação desse espírito.
  204. A adoração a Deus deve ser um ato de gratidão pela vida que ele nos deu. Essa é a adoração mais pura, pois exclui o medo da morte, que é o que leva muitos a crer.
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17 Comentários »

  1. […] preciso conhecer Deus antes de […]

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    Pingback por Anotações sobre a essência do cristianismo. | Analecto — 4 de setembro de 2017 @ 14:08

  2. […] a exceção de Sócrates. Isso dá a impressão, pro leigo que não sabe o que é filosofia nem o quanto a religião deve a esta, de que filosofia é coisa de ateu e que a filosofia te tornará ateu se […]

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    Pingback por Eu assiti “Deus Não Está Morto.” | Pedra, Papel e Tesoura. — 25 de fevereiro de 2017 @ 12:37

  3. […] espaços, que são medidos com centímetros, metros, quilômetros. O eterno precisa ser dividido em tempos, que são medidos com segundos, minutos, […]

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    Pingback por Anotações sobre a crítica da razão pura. | Pedra, Papel e Tesoura. — 31 de janeiro de 2017 @ 10:58

  4. […] criança não destrói por maldade, pois não conhece esse conceito e frequentemente é amoral, mas destrói por […]

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  5. […] a Deus, provavelmente o conceberia como uma toupeira divina. “Imagem e semelhança” não é […]

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  6. […] é duração, tal como espaço é extensão. Medimos o espaço com centímetros, metros, quilômetros, mas o […]

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  7. […] outras duas são a emoção e a concupiscência. Por isso Platão dirá que temos três almas, mas Agostinho esclarece que é só uma mesmo, que fica indecisa diante de três impulsos: a razão, a emoção e […]

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  8. […] o presente existe. O passado é invocado ao presente na forma de memória e o futuro é invocado ao presente […]

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  9. […] Tempo é coisa da nossa cabeça. Passado e futuro não têm existência objetiva, tudo é um presente eterno, onde geração e corrupção ocorrem ao mesmo tempo continuamente. O seccionamento e a sequencialidade são de nossa autoria, para organizamos o eterno em momentos sobre os quais se possa raciocinar. […]

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  10. […] Confissões devem ser lidas por quem tem preocupação com a […]

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  11. […] é causa da verdade e das perfeições, a falsidade e as imperfeições são manifestações do nada, são ausências de seus […]

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    Pingback por Discurso sobre o método. | Pedra, Papel e Tesoura. — 29 de março de 2016 @ 17:20

  12. […] usada é “sou, eu existo”, mas ficou popular como “penso, logo existo.” Agostinho chegou a uma conclusão parecida por outros métodos. Meu professor de história da filosofia […]

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    Pingback por Meditações metafísicas. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de março de 2016 @ 08:04

  13. […] Existem coisas que podem ser conhecidas sem auxílio dos sentidos, como os sentimentos. Não precisamos ver a amizade ou ouvir o amor para conhecê-los, mas apenas senti-los. Mas ter um sentimento, sentir o amor ou a amizade, não é algo que se faz com os sentidos. Então, “sentir amor” é uma expressão equivocada. Melhor seria “ter amor”. Na verdade, talvez até a palavra “sentimento” seja equivocada, mas vamos usá-la por uma questão de comodidade. […]

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    Pingback por Regras para a condução da inteligência. | Pedra, Papel e Tesoura. — 17 de março de 2016 @ 12:11

  14. […] mesma configuração estelar, de forma a maximizar a solicitude e a fraternidade. Vale lembrar que Agostinho tem fortes objeções contra isso, já que, para Agostinho, a configuração estelar não influi em […]

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    Pingback por A cidade do sol. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de dezembro de 2015 @ 22:12

  15. […] A impiedade é um problema. Se Deus é a verdade, ir contra Deus é necessariamente errar. […]

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    Pingback por Suma contra os gentios. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de novembro de 2015 @ 15:56

  16. […] Suma Contra os Gentios, de São Tomás de Aquino, depois de ter lido o curto Proslogion e as longas Confissões. E acho que meu aproveitamento dessas obras seria maior se eu tivesse lido a Bíblia […]

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    Pingback por Lendo a Bíblia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 9 de agosto de 2015 @ 14:41

  17. […] Deus não pode ser constrangido nem por espaço nem por tempo. […]

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    Pingback por Proslogion. | Pedra, Papel e Tesoura. — 3 de agosto de 2015 @ 12:29


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