Analecto

16 de julho de 2015

Anotações sobre “Confissões”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 19:34

“Confissões” foi escrito por Agostinho. Abaixo estão algumas anotações que eu fiz sobre esse texto. Uma anotação representa o pensamento do autor sobre o assunto, o qual pode ou não corresponder ao que eu penso sobre o assunto. Perguntas sobre minha opinião podem ser feitas nos comentários.

  1. O ser humano tem necessidade espiritual, porque foi criado por Deus para Deus.
  2. Invocar Deus sem conhecê-lo pode levar o invocador a se dirigir a um deus falso.
  3. Deus pune.
  4. Se Deus, contudo, não perdoasse, ninguém sobraria.
  5. Discordar de Deus é errar.
  6. Os desejos de um bebê que ainda não sabe falar não podem ser satisfeitos plenamente; ele não pode comunicar exatamente o que acontece em seu interior.
  7. É difícil dizer se o feto é alguém ou parte de alguém (a mãe grávida).
  8. O tempo para Deus é um eterno “hoje”.
  9. A criança não é inocente.
  10. As crianças sentem inveja, são agressivas e coisas que tais.
  11. A primeira infância, da qual normalmente não temos lembrança, foi um tempo vergonhoso para aquele que tem a moral em alta conta.
  12. Não convém especular se o ser humano foi inocente em algum dia de sua vida; se tivéssemos sido, não lembramos mesmo.
  13. A criança é levada a falar pela necessidade e aprende por observação.
  14. Quando os mestres puniam as crianças, praticavam injustiça; crianças pequenas não têm um aparato mental maduro o bastante para apreender certos conteúdos.
  15. O trabalho forçado nunca é tão bom quanto o voluntário.
  16. Se deveria convencer sem usar a força.
  17. A alma desordenada castiga a si própria.
  18. A gramática, óbvio, vale mais que a literatura de ficção.
  19. Aprender um segundo idioma se faz, normalmente, na escola, um ambiente mais forçado, enquanto a língua materna se aprende pelo costume, o que torna a língua materna mais fácil de aprender.
  20. O aprendizado motivado pela curiosidade dá melhor resultado que o aprendizado motivado pelo medo.
  21. Na escola, nem sempre aprendem-se coisas úteis.
  22. Atribuir aos deuses vícios humanos é uma tentativa humana de fazer seus pecados parecerem menos odiosos.
  23. Crianças são punidas como crianças, mas seus pecados são da mesma natureza que o pecado adulto.
  24. Ao dizer que dos pequeninos é o reino dos céus, Jesus, diz Agostinho, queria usar o tamanho das crianças como símbolo de humildade.
  25. É difícil para o adolescente distinguir entre amor e luxúria, que por vezes, se apresentam como a mesma coisa.
  26. A pessoa casada não pode se dedicar totalmente a Deus, porque se divide entre o parceiro e a religião (1 Coríntios 7:32-33).
  27. Um professor nem sempre está interessado no seu aperfeiçoamento como pessoa.
  28. Existe uma pressão cultural sobre o homem para o pecado da luxúria.
  29. Nem os ladrões aceitam ser roubados.
  30. Não raro, as pessoas cometem crimes apenas por aventura, pelo prazer de cometer o crime.
  31. O pecado pode se originar também por dar importância imoderada aos bens espirituais que convém (amar o próximo é bom, mas não se deve amar o próximo mais do que a Deus).
  32. O crime cometido com boas razões ainda é um crime, mas ele é mais digno de perdão dependendo do grau de transgressão.
  33. Alguns crimes são melhor cometidos em grupo, seja porque é mais fácil se safar assim, seja porque assim você obtém o prazer da plateia ou para agradar maus amigos.
  34. Pecados gratuitos são como cócegas: é engraçado, mas você não sabe o porquê.
  35. O amor cego leva o amante a mentir para o amado, a fim de parecer ser algo que não é.
  36. Amar significa assumir o risco de ciúme, suspeitas e contendas.
  37. É perturbador que os seres humanos apreciem o gênero trágico.
  38. Talvez amemos esses espetáculos porque vem com a dor a piedade, que é algo presente na amizade.
  39. A filosofia não precisa trabalhar contra a religião, embora muitos a usem desta forma.
  40. A ficção, mesmo aquela sobre deuses e demônios, é inócua na medida em que é tratada como tal, mas torna-se idolatria e religião falsa quando levada a sério.
  41. “Imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1:26) não significa aparência física.
  42. Mal é ausência de bem.
  43. O mal, levado às últimas consequências, gera o nada, a absoluta ausência.
  44. Algumas coisas que julgamos louváveis são reprováveis por Deus porque existe um tipo de virtude subentendida em cada ato.
  45. Por outro lado, Deus, por vezes, ordena algo humanamente condenável.
  46. A astrologia não invoca deuses pagãos ou espíritos, mas nem por isso tem menos culpa: ao atribuir o impulso para pecar a algum corpo celeste, a pessoa passa a se ver inocentada de seus crimes, atribuindo-os aos planetas e estrelas que quiseram daquela forma.
  47. Muitos dos que aprendem astrologia o fazem por curiosidade e não por necessidade.
  48. Os astrólogos não acertam previsões se não por acidente.
  49. Colocar todo o seu amor em algo passageiro, como a vida humana, torna a pessoa miserável, porque o amor dela passa a depender de algo finito.
  50. O choro é confortável, como um analgésico, mas que vicia se usado em demasia.
  51. Um pecado dos amantes é não se preparar para a morte do amado.
  52. Às vezes um sábio fala algo em que não acredita, apenas para tampar um buraco em sua teoria e não ter de admitir um problema de pensamento.
  53. As dez categorias de Aristóteles não funcionam para explicar Deus, por exemplo.
  54. É impossível fugir de Deus.
  55. Religião e ciência não são mutuamente exclusivas.
  56. O conhecimento divino é mais importante.
  57. Não se deve julgar que alguém está com a verdade só porque fala bem.
  58. “A letra mata e o espírito vivifica” não é literal também.
  59. Por vezes temos que acreditar em coisas que não conhecemos, como nas ordens do médico que estudou algo que nós não estudamos.
  60. Não dá nem pra saber se nossos pais realmente são nossos pais porque não lembramos do nosso nascimento!
  61. A alegria do bêbado parece ser algo desejável, mas os meios pelos quais ele fica alegre são reprováveis.
  62. Mas a felicidade do alcoólatra é ainda melhor que a felicidade daquele que trabalha pelo seu dinheiro de forma desonesta, porque o alcoólatra pelo menos perde todas as suas preocupações temporariamente, enquanto o desonesto se preocupa quanto a ser pêgo.
  63. Uma das coisas que aproximam o incrédulo de Deus é o medo da morte.
  64. Se Deus é definido como algo incorruptível, verificar a existência de Deus é verificar se algo incorruptível realmente existe, diferente do que faz Anselmo, ao supor que a existência de Deus é necessária somente porque podemos conceber em nossa mente algo incorruptível.
  65. Aqueles que sustentam que o mal não existe absolutamente esquecem que existem pessoas que temem a maldade, sendo que temor é um mal que existe nas pessoas.
  66. Se um príncipe e um escravo nascem ao mesmo tempo, no mesmo dia, sob a mesma posição das estrelas, seu futuro não será igual, o que basta para demonstrar que a astrologia é uma grande maluquice.
  67. Devemos estar submissos a Deus tal como as espécies inferiores ao ser humano lhe são submissas.
  68. A corrupção ocorre porque o bem das coisas é perturbado.
  69. Desaparece aquilo que é completamente privado de bem, ou seja, algo fica mais próximo de perecer quanto mais é privado de bondade.
  70. A multitude de interpretações bíblicas acaba revelando as interpretações mais condizentes e mais lógicas.
  71. A doutrina de Paulo tem paralelos com o neoplatonismo.
  72. A vida visando dinheiro e riqueza eventualmente se torna um tédio.
  73. Nem todos podem aguentar a responsabilidade que vem com o casamento.
  74. A alegria de recuperar o que parecia perdido é sempre maior que a alegria de seguramente ter algo, porque ocorre tanto prazer quanto alívio da dor.
  75. A conversão de pessoas importantes faz com que aqueles que vêem a conversão sintam-se estimulados a se converterem também.
  76. A sensação de estar “dividido contra si mesmo” é uma doença da alma indecisa, o que não implica duas almas.
  77. Crítica de Agostinho ao maniqueismo: se tivéssemos dois princípios em nós, o mal e o bem, como se explicam casos de indecisão entre várias opções ou entre duas coisas igualmente erradas (eliminando o princípio de bem)?
  78. A prática do cântico religioso na Igreja Católica tem raízes psicológicas: cantando, não nos consumimos na tristeza ou no tédio, sendo uma forma de levar uma fé mais animada.
  79. Os elogios dos amigos às vezes nos pervertem.
  80. O corpo pode ressuscitar.
  81. Para o cristão verdadeiro, tanto faz onde seu corpo é enterrado; nenhum lugar é distante para Deus.
  82. A morte de uma pessoa que viveu bem não precisa ser chorada, especialmente se morreu bem; é mais uma questão de se adaptar à falta.
  83. Choramos demais por coisas que não devem ser choradas, ao passo que somos indiferentes ao que é digno de lástima.
  84. Se só quem cura é Deus, só vale a pena se confessar a ele.
  85. Nenhum ser humano conhece totalmente o outro.
  86. Deus está conosco antes de nós estarmos com ele.
  87. Com a tentação, Deus provê meios de resistência.
  88. A razão interpreta o que vem pelos sentidos.
  89. As pessoas parecem se curvar diante daquilo que elas próprias criaram, se tornando escravas de coisas como dinheiro e trabalho, vivendo por elas e submetendo a elas as gerações seguintes.
  90. Se achegar a Deus requer um esforço anímico, ou seja, racional, porque a razão é o que há de mais elevado em nós, por isso animais não têm religião.
  91. O que temos na memória veio dos sentidos… ou quase tudo.
  92. Um conteúdo que temos na memória são nossas representações daquilo que sentimos, que podem ou não corresponder ao que realmente sentimos.
  93. São impressões, permanecem após apreendidas, mesmo após a cessação da atividade sensorial.
  94. A linguagem depende da memória.
  95. Embora não possa absorver as coisas às quais a impressão refere, é possível para a mente copiar para si outros conteúdos mentais, isto é, conceitos (matemática, gramática…).
  96. Os conceitos matemáticos tem uma parcela abstrata, alheia ao que é físico.
  97. Dependendo do contexto, “espírito” pode significar “memória”.
  98. Recordar emoções não necessariamente nos faz senti-las.
  99. A memória é um grande mistério.
  100. Se nós somos espírito e espírito pode ser pensamento, então a prova de que existimos é nossa capacidade de pensar.
  101. Animais ditos irracionais também possuem memória.
  102. De onde vêm ideias como “felicidade”, se isso é algo que não experimentamos?
  103. Se a noção de felicidade está na memória, é porque já a sentimos.
  104. Existe uma definição de felicidade que perpassa todas as definições que as diferentes pessoas têm dela.
  105. A razão pela qual temos essa noção em nós é porque a felicidade parece ter seu significado decorrente de alegria, uma emoção que todos sentimos.
  106. Tudo de bom que aprendemos é dom divino.
  107. Deus não proíbe todos os prazeres.
  108. O pecado da gula é mais difícil evitar que o da luxúria, já que, naturalmente, você come mais vezes do que tem sexo.
  109. Nós temos fraquezas que não conhecemos, somos incapazes de completamente conhecer a nós próprios.
  110. Muitos buscam coisas que não são agradáveis por curiosidade.
  111. Existem três tipos de pecado: sensual, curioso e orgulhoso.
  112. O elogio só provoca prazer quando se é elogiado por aquilo que queremos ser elogiados.
  113. Quando fala aos quatro ventos que você odeia a vanglória, está se vangloriando.
  114. Se não havia nada, Deus só podia ter feito uma coisa: criar suas criaturas…
  115. Deus está fora do tempo, contemplando tudo como um eterno presente.
  116. O nosso tempo pode ser infinitamente dividido.
  117. Afirmar que passado ou futuro podem ser medidos, sendo que nenhum dos dois existe, é afirmar que o nada pode ser medido.
  118. Passado e futuro existem, mas no presente, como memória e antecipação.
  119. Não é condenável que falemos em passado ou futuro se isso convém para o entendimento de algo.
  120. Tempo é um meio humano de medir os movimentos.
  121. A duração do presente é um mistério.
  122. É possível medir eventos que se desenrolam dentro do presente, contudo, seja qual for a duração do presente.
  123. Explicar uma descoberta requer menos esforço do que fazê-la.
  124. O “céu” onde Deus está não é literal.
  125. “No princípio, Deus criou o céu e a terra”, mas, no segundo dia, Deus disse “haja separação entre as águas”, com a porção superior da água tornando-se céu e a porção inferior tornando-se mar, donde decorre que o céu criado no segundo dia é esse céu que vemos diariamente, mas o céu criado no primeiro verso do Génesis é o “Céu dos Céus”.
  126. Ter diferentes interpretações sobre o Génesis não é nenhum sacrilégio, a não ser que interpretação negue o Génesis.
  127. “O espírito de Deus pairava sobre as águas”, mas não há menção no Génesis do tempo quando essas águas foram criadas (Gênesis 1:1-2).
  128. Entender a criação e entender o que Moisés escreveu parecem coisas diferentes.
  129. Nenhuma interpretação do Génesis é melhor que as outras.
  130. A Bíblia é interpretável, tal como qualquer texto, e o entendimento da mensagem depende da inteligência de cada um.
  131. Essa inteligência aumenta com o passar do tempo e com a prática.
  132. Algo pode existir sem forma, mas não é possível dar forma ao que não existe.
  133. O peso de algo não necessariamente o impele para baixo.
  134. Deus presenteia seus servos com habilidades úteis ao bem comum.
  135. Se fizermos nossas obras com mansidão, seremos amados.
  136. Uma boa parte do Génesis não é literal.
  137. Quem é muito ligado aos prazeres carnais não entende os prazeres racionais ou espirituais.
  138. Embora Deus não precise dizer nada dentro do tempo, a Bíblia precisa se expressar utilizando tempo, para que o leitor entenda.
  139. A adoração a Deus deve ser um ato de gratidão pela vida que ele nos deu.
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18 Comentários »

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