O que aprendi lendo “Diálogos entre Hylas e Philonous”.

“Diálogos entre Hylas e Philonous” foi escrito por Berkeley. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. O contato com a natureza revigora a mente.
  2. O ceticismo total (segundo o qual a única verdade é a de que não há verdade em nada mais) é prejudicial, pois põe tudo no relativismo.
  3. Uma das causas do ceticismo é o fato de que pessoas de autoridade, como filósofos e cientistas, por vezes afirmam que não existe nenhum conhecimento seguro ou professam como verdade coisas extravagantes e se contradizem.
  4. Por vezes, o conhecimento do leigo é mais seguro.
  5. Se aproximar de um objeto ingenuamente pode dar mais resultado do que se aproximar do mesmo com ciência.
  6. Quando você é convencido de que está errado, mude seu proceder.
  7. Cético é quem duvida de tudo.
  8. Quem nega não é cético; o cético duvida, isto é, nem afirma e nem nega.
  9. Se durante uma discussão, o oponente fala uma besteira, mas uma besteira pequena, não vale a pena discutir sobre ela.
  10. Negar a matéria não nega a matemática.
  11. O “verdadeiro cético” não afirma sequer a realidade sensível.
  12. O que é uma “coisa sensível”: aquilo que posso aprender somente pelos sentidos ou aquilo que eu posso apreender com ajuda de instrumentos que auxiliam os sentidos?
  13. Por exemplo: lendo um livro, eu vejo letras e vejo a palavra “gato”.
  14. Porém, o que diz que aquela palavra é gato é a mente, que aprendeu a interpretar os sinais daquela forma.
  15. Os olhos podem apenas dizer que as letras G, A, T e O estão escritas ali.
  16. Então, o que é sensível: a palavra “gato” ou as letras que compõem o nome?
  17. Agravado quando a palavra se refere a algo somente inteligível, mas não sensível, como o amor.
  18. As causas e a relação de causalidade são inferências racionais, não sensíveis.
  19. A linguagem é arbitrária: não temos razão para chamar o gato de gato (quem deu esse nome só o deu porque precisava dar um nome ao bicho e esse foi o primeiro que lhe veio à mente).
  20. O calor tem existência real ou é uma sensação nascida em nós?
  21. Se ele fosse totalmente dependente de nós, não o sentiríamos nunca, porque o calor só se manifesta como sensação se estamos próximos de uma fonte de energia que nos produza essa sensação.
  22. O grande problema aqui é de onde vêm as sensações: se forem reativas, são subjetivas; do contrário, são objetivas.
  23. Não existe sensação intensa que não provoque dor ou prazer.
  24. Como definir prazer ou dor sem acabar explicando o que é sensação?
  25. Para alguns, dor e prazer não são distintos das sensações que os provocam.
  26. O prazer e a dor existem na mente apenas e dispõem as sensações em intensidade.
  27. Usar critérios subjetivos para graduar calor e frio leva a absurdos.
  28. Prazer e dor existem só na mente e a prova disso é que algo que é prazeroso para uns é doloroso para outros (o chamado “gosto pessoal”).
  29. A linguagem em plena acepção da palavra é a linguagem vulgar: se eu estiver falando e você estiver me entendendo, então perfeito.
  30. A mesma coisa se mostra diferente dependendo do método de observação.
  31. Se o microscópio é mais confiável, nossa visão normal é falha.
  32. “Movimento” pode ser entendido como a mudança de posição de um corpo em relação a outro corpo, usado como referência.
  33. A razão de a cor ser uma característica subjetiva é que diferentes pessoas e animais percebem diferentes espectros.
  34. Animais pequenos percebem o mundo em escala diferente.
  35. “Rápido” e “lento” são subjetivos.
  36. A velocidade é inversamente proporcional ao tempo em que determinado objeto chega a um objetivo.
  37. As qualidades secundárias, como cor e sabor, são identificadas pelo prazer e pela dor, enquanto as primárias não causam nem um e nem outro.
  38. Mesmo quando assumimos que as coisas têm existência objetiva, a ideia que fazemos delas é subjetiva.
  39. Se a extensão for subjetiva, não seria parte da matéria.
  40. Filosoficamente, substância e substrato são a mesma coisa.
  41. Cuidado para não usar termos filosóficos por hábito, sem saber realmente o que querem dizer.
  42. O que é a matéria, afinal?
  43. Se a filosofia trabalha com conceitos, então, a menos que tenhamos um conceito fechado do que é matéria, não será possível fazer filosofia da matéria.
  44. Se você concebe algo em sua mente, não há garantia de que esse algo exista fora dela.
  45. Não é possível dizer a distância exata de algo só olhando pra ela.
  46. Se eu concebo distância como uma “linha” entre o olho e o objeto focado, não vejo essa linha; ela é hipotética.
  47. Se eu vejo uma estátua de Júlio César, eu estou vendo a estátua; quem me diz quem ela representa é a razão.
  48. Muitas vezes, a conexão de uma ideia à outra é puro costume, como é o caso de preconceitos.
  49. Eu escuto o veículo ou o som que ele produz?
  50. Só é possível ouvir o som, ó é possível ver a imagem, ó é possível perceber o fenômeno, o que não necessariamente nos dá uma ideia segura do objeto que o produz.

Publicado por Yure

Quando eu me formei, minha turma teve que fazer um juramento coletivo. Como minha religião não me permite jurar nem prometer, eu só mexi os lábios, mas resolvi viver com os objetivos do juramento em mente de qualquer forma.

11 comentários em “O que aprendi lendo “Diálogos entre Hylas e Philonous”.

  1. Sem falar que suas anotações lembram, pela forma, as anotações feitas pelo próprio Berkeley, e editadas em português do Brasil com o nome de Comentários filosóficos.

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